segunda-feira, abril 08, 2013

O Último Capitão - Parte III de III

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Os seres hediondos aproximavam-se de Balgata e seus homens, lutando com selvageria. Um desses inimigos fez brotar um braço impossível de suas costas e estrangulou o guerreiro que o enfrentava. Outra das criaturas deformou seu rosto até que ele mostrasse a face de seu oponente. Aquilo era por demais perturbador. Muitos homens de Balgata preferiram entregar-se à morte que à loucura. Um terço de seus guerreiros foi destruído dessa forma. Uma das criaturas aproximou-se do capitão, com o rosto deformado mostrando uma única boca vertical, que partia do meio da testa e ia até a nuca. E foi naquela boca que Balgata golpeou, partindo a cabeça da criatura até o meio dos ombros. O monstro tombou imediatamente, soltando espasmos irregulares antes de morrer.
Eles morrem, homens! – gritou o capitão, com fúria. – Esses malditos morrem com nossas lâminas. Avante, guerreiros da Companhia!
Aquele brado do capitão, contudo, não havia sido suficiente para infundir coragem aos homens desesperados. Alguns deles mantinham a mesma postura que seu capitão, mas a maioria não estava tão confiante. Os guerreiros foram caindo com rapidez, selando a derrota de Balgata e seus homens. Junto às criaturas deformadas, zumbis começaram a entrar em grande número pelas brechas na paliçada. O capitão ordenou que formassem uma linha compacta, unindo os escudos. No início da escaramuça, Balgata podia contar com quase cem homens, mas agora o número havia sido reduzido a pouco mais da metade.
Os seres horrorosos lançaram-se contra os escudos, soltando gritos histéricos. Os zumbis e as criaturas fizeram uma pressão formidável sobre os homens da Companhia, que fraquejavam e perdiam mais terreno. A fileira formada por eles era frágil, mas os sobreviventes ofereciam obstinada resistência, lutando por suas vidas. Logo mais homens surgiram do interior de Keraz e começaram a engrossar a fileira de Balgata. Surpreso, o capitão olhou para o lado e avistou Seridath, aquele rapazote arrogante, que havia dado vexame com aquela estranha espada negra. E era esse mesmo rapazote quem trazia auxílio. Balgata sentiu um gosto amargo na boca, enquanto um palavrão tomava forma na sua cabeça.
Seridath avistou os homens de Balgata e viu que eles estavam em sérios problemas, praticamente cercados pelos mortos-vivos. Entregou seu escudo para Aldreth e bradou:
Fique comigo! Você vai ter que usar isto se não quiser morrer. Ponha-se de costas para mim e defenda-se como puder.
Os homens que o seguiam haviam triplicado. Eram agora pouco mais de vinte que chegavam com o jovem cavaleiro e seu pajem. Correram em auxílio do restante de homens que enfrentavam aquelas criaturas medonhas e os zumbis que as seguiam. Seridath investiu contra o morto-vivo mais próximo. A espada negra atingiu em cheio o braço putrefato do inimigo e deveria tê-lo decepado, mas não houve resultado.
Saia daqui idiota! – bradou o capitão. – Não vê que essa espada maldita é inútil?
Ignorando a ordem, Seridath uniu toda a sua vontade e bradou, dentro de sua mente, falando diretamente com a espada. "Você é minha, Lorguth. Minha vontade é soberana, pois venceu a Montanha e obteve o prêmio: você. E agora, como minha propriedade, como meu prêmio, você fará a vontade de seu senhor!" A lâmina negra emitiu um som agudo, enquanto vibrava com força. O guerreiro girou sua arma contra o pescoço do zumbi, com rapidez e agilidade. A cabeça do inimigo voou ao ar, enquanto o corpo, já inanimado, tombava lentamente. Seridath sentiu seus braços fraquejarem. Era a espada pedindo alimento. O guerreiro apertou mais as mãos em volta do punho e sentiu uma estranha euforia tomando conta dele, enquanto sua lâmina encantada rebatia os ataques inimigos e rechaçava seus corpos podres. A escuridão tomou o lugar enquanto a espada negra executava sua dança maligna.


Continua...

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