segunda-feira, setembro 06, 2021

Adivinhação 1


"Eu sou dado e sou tomado

Eu estava lá no seu primeiro suspiro

Você não pediu por mim,

Mas eu sigo você até a morte."

* Adivinha retirada do filme "A invocação do mal 2".

(Descrição da imagem: em fundo preto, homem idoso de perfil direito sentado em poltrona. À direita, um abajur aceso e logo em seguida uma mulher de costas.)

quarta-feira, setembro 01, 2021

Camadas



Meditou tão profundamente que visitou suas memórias com total vivacidade.  Era como se estivesse mesmo lá, revivendo seu passado, sentindo com precisão tudo que antes havia sentido. Ao retornar da meditação, passou a desconfiar. O que experimentava agora era de fato a realidade ou mais uma memória?


sexta-feira, agosto 27, 2021

A ponto de explodir - Um livro em contagem regressiva


Quando li  A ponto de explodir, de Sérgio Fantini, pela primeira vez, foi com um exemplar emprestado pelo autor. Ao terminar, senti uma urgência absurda de ter o meu próprio livro. Perguntei ao Fantini se ele tinha algum para me vender e fiquei desapontado com a negativa.

Anos depois, ele veio me contar da reedição do livro. Imediatamente, implorei para que reservasse o meu. Fui tomado pelo mesmo senso de urgência que me acometeu quando de minha primeira leitura.

Da urgência, fui ao deleite ao ter em mãos o meu exemplar autografado. A capa traduzia o que eu sentira ao ler os contos do livro: a solidão, o desespero, o tédio, a ironia e - por que não - o humor.

Há um tom de galhofa permeando a maioria dos contos. É como se o narrador tirasse uma com a cara de quem está lendo. E ainda esperasse um "obrigado" como resposta. Os contos são agudos como uma faca muito bem amolada e que, ao cortar, dá prazer logo antes da dor e de todo o sangue.

As histórias desveladas em A ponto de explodir são corriqueiras. Narrativas que muito bem podem ter acontecido logo ali - na rua de baixo do bairro. Ou no centro, na parte suja e esquecida da cidade - qualquer grande cidade.

Em A ponto de explodir somos levados a passear pelos olhos e peles de pessoas comuns. E que, de tão comuns, deixam à flor da pele o que há de grotesco e feio nelas, junto com o que há de belo e inocente. Assim é formada a armadilha. Nessas imagens a princípio tão triviais emerge uma escrita que nos atinge na boca do estômago.

Não posso deixar de tachar o livro como uma "bad trip". E daquele tipo que fissura e vicia. Uma deliciosa agonia, um texto forte como um conhaque. E cujo sabor melhora ainda mais com o tempo.

(Descrição da capa: Em fundo amarelado e tons em laranja na parte superior, homem está agachado de perfil esquerdo no alto de um prédio e segura uma maleta. Ao longe estão outros prédios)

Ficha técnica

A ponto de explodir

Sérgio Fantini

ISBN-13: 9788566505290

ISBN-10: 8566505298

Ano: 2013 

Páginas: 138

Idioma: português

Editora: Jovens Escribas

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-ponto-de-explodir-86811ed839330.html

quinta-feira, agosto 26, 2021

Coluna Literária apresenta as Edições Chão da Feira

Fonte: Arte/FMC.


Em sua quinta edição, a Coluna Literária apresenta um enfoque um pouco diferente, apresentando um gênero pouco comum entre o público em geral: o ensaio. Com o objetivo de democratizar a leitura, a equipe da Coluna Literária buscou uma fonte confiável e livremente aberta. Assim, chegou-se às Edições Chão da Feira, que publica os Cadernos de Leitura.

Os Cadernos de Leitura são ensaios traduzidos pelas Edições Chão da Feira e gratuitamente disponibilizados na Internet. Assim, após ler a apresentação e as resenhas presentes na Coluna Literária, a pessoa leitora, poderá buscar nos links o acesso ao texto resenhado.

A apresentação desta edição contou com a assinatura da Daniela Figueiredo. As resenhas contemplam os ensaios "O jogo do dicionário", de Maria Carolina Fenati, resenhado por Ericka Martin, “Tornarse Existencia Exuberante", de Brigitte Vasallo, com resenha de Érica Lima, e "Minha mãe vive aqui”, da escritora mexicana Isabel Zapata, resenhado por Caroline Craveiro.

É muito importante destacar o papel da Coluna Literária na divulgação de obras que, em muitos casos, não recebem o apelo midiático. Além disso, existe o elemento reflexivo e também literário, uma vez que as resenhas não deixam de ter a marca do estilo das autoras.

Para conferir a quinta edição da Coluna Literária, assim como as anteriores, basta acessar o blog do Portal Belo Horizonte.

Enfim, espero que todas as pessoas possam aproveitar essa quinta edição. E que venham as próximas!

(Em fundo verde em dois tons, com letras esmaecidas espalhadas, consta em preto o texto "EDIÇÕES CHÃO DA FEIRA". Em branco, o texto "CONFIRA EM: PORTALBELOHORIZONTE.COM.BR/BLOG 25 DE AGOSTO DE 2020". À direita, inclinado, está o termo "5ª EDIÇÃO". Abaixo, na extremidade direita, a palavra "COLUNA". Na faixa verde mais clara, em tamanho maior, cobrindo toda a parte debaixo, a palavra "literária" em itálico. Em letras pequenas, abaixo, o texto "APROXIMANDO PESSOAS, LIVROS E BIBLIOTECAS". No canto inferior direito, as marcas da Fundação Municipal de Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte )

quarta-feira, agosto 25, 2021

Cabeça de Luar

Imagem de Ponciano por Pixabay 


Era uma pessoa incomum.

Diziam que vivia na Lua.

Pessoa muito distraída,

trocava os pés pelas mãos.

E com a mão no queixo

olhava para cima, para a 

Lua

e suspirava.

Achava na Lua uma janela.

Por ela espiava sonhos.

Amores

Sabores.

E até mesmo temores.

De tanto espiar a Lua,

de tanto viver a Lua,

esta se enamorou e desceu.

Tanto que colou cabeça

com cabeça.

E essa pessoa, enluarada,

descobriu em si

uma eterna infinita

janela.


(Descrição: Em fundo preto, fotografia da Lua. A metade diagonal direita da lua está oculta)

sexta-feira, agosto 20, 2021

Palestra cênica "Para abrir uma janela" - uma paisagem de encantos e dores das mais belas


No último domingo, assisti a palestra cênica Para abrir uma janela, realizada dentro da programação do 4º FLI-BH. O responsável pelo espetáculo foi o ator Odilon Esteves, que por duas horas guiou nossos olhos, deixando-nos emocionalmente atados à sua presença, que tela nenhuma é capaz de diminuir.

Odilon Esteves esteve sozinho em cena, que se constituía em uma sala de apartamento, com alguns objetos que dialogavam com os textos que seriam apresentados, bem como uma pilha de livros, de onde os textos foram selecionados. Deu-se então início a uma experiência estética de voz, corpo e alguns objetos. Um exercício de escuta e deslumbramento.

Partindo da simpatia e carisma do artista, que nos envolve e fascina, até a escolha dos textos, que nos implodem. Odilon Esteves guiou com maestria sua fala, passeando pela poesia e pela prosa com graça e muita presença. Interagiu com o público nas escolhas dos textos que interpretou de forma ardente e apaixonada. foi o melhor e mais poderoso espetáculo do qual participei neste ano. Uma janela de encantos e dores das mais belas.

Faço um destaque para os textos "Porque escrevo 1", do Eduardo Galeano e "Nininha", do Guimarães Rosa, que simplesmente me destruíram!

O que mais poderia dizer do espetáculo Para abrir uma janela? Posso mais uma vez me apegar ao talento e no carisma do artista. E também falar da diversidade literária das obras abordadas, que envolveram poesia e prosa da mais fina sensibilidade. Poetas de diferentes continentes, histórias e palavras cuidadosamente trabalhadas em sua matéria e também na performance. E por fim, é importante destacar que Odilon foi como protagonista e ao mesmo tempo anfitrião, pois a maior estrela da noite foi a Palavra.


ESPETÁCULO – PARA ABRIR UMA JANELA- PALESTRA CÊNICA

com Odilon Esteves

Evento online

15 de agosto de 2021, 19h30-21h

(Descrição da imagem: Fundo azul. À esquerda, árvore de tronco grosso com livros pendurados nos galhos. Sentada no tronco, com uma perna encolhida e outra esticada está uma mulher negra de cabelos volumosos e óculos com um livro vermelho aberto. Acima, em quadro azul, a palavra "ESPETÁCULO". Fora do quadro o título "Para abrir uma janela - palestra cênica". Entre o quadro azul e a mulher está uma faixa vermelha com a data "15 de agosto, domingo", um quadro vermelho com a hora "19h30" e um retângulo cinza com a indicação "classificação livre". A imagem da acessibilidade em Libras vem em seguida. Abaixo, à direita, as logos do Instituto Periférico, a Fundação Municipal de Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte.)

quarta-feira, agosto 18, 2021

Urgente! - Pela manutenção do programa Conversações


Há alguns anos, conheci o Cláudio Henrique. Trocamos algumas ideias sobre pessoas comuns que são grandes leitoras, principalmente quem frequenta bibliotecas públicas. Fiquei de passar alguns contatos, a partir da minha experiência de trabalho na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil.

Foi assim o meu primeiro contato com o Programa Conversações. Não imaginava que, tempos depois, eu estaria diante da câmera, para gravar um episódio sobre a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil e sua atuação dentro do Centro de Referência da Juventude. 

Cláudio Henrique é uma pessoa incrível. Amável, observador e excelente ouvinte, ele sabe conduzir com maestria uma entrevista de forma a deixar a gente totalmente à vontade. Sei que como artista pode parecer algo simples pra mim, mas não é. Sempre tive problema com a minha autoimagem. Minha passagem pelo Conversações ajudou a mitigar esse problema.

Mas não é de mim que devo falar hoje e sim desse programa tão importante para a divulgação da literatura independente em Belo Horizonte. Conversações é mais do que um programa de literatura. É sobre pessoas, suas vidas reais e suas buscas por uma vida mais humana e legítima através das palavras. Um programa sobre dar voz e escuta a pessoas geralmente silenciadas em nossa sociedade.

Depois de tantos anos de história de um programa pioneiro, interessante e de alta qualidade, vem o Governo de Minas e decide encerrá-lo. O único programa na Rede Minas com um jornalista negro. E um programa que dá voz vez às periferias. Ao saber dessa notícia, fiquei aturdido. Mortificado. Não é apenas a história dos espaços e das leituras. São as histórias das pessoas que estão fadadas a desaparecer. 

Por isso, manifesto-me à favor da manutenção do Programa Conversações. E que esse ataque à cultura e à literatura, em especial a periférica, não prossiga. Que todas as pessoas se unam para que essa decisão desastrosa seja repensada e revertida, com urgência.

E deixo aqui meus cumprimentos ao Cláudio Henrique, guerreiro da cultura, que com as armas das palavras, da gentileza e da simpatia, concedeu escuta a tantas pessoas que, por outros meios teriam sido silenciadas.

https://www.brasildefatomg.com.br/2021/08/17/rede-minas-retira-programa-educativo-da-programacao-e-pode-inserir-outro-evangelico

https://www.instagram.com/p/CSsiLCqLjMy/?utm_medium=share_sheet

(Descrição da imagem: Em fundo branco, texto "Desmonte: Rede Minas retira programa educativo da programação e pode inserir outro evangélico. Emissora anunciou o fim do Conversações programa que populariza literatura independente e cultura produzida na periferia. Amélia Gomes, Belo Horizonte (MG) | 17 de Agosto de 20201 às 20:28". Abaixo, foto de dois homens. O primeiro, à esquerda, é negro, tem cabelos curtos e está de perfil direito, veste uma camisa xadrez. À direita o outro homem, branco, de cabelos e barba compridos, com uma blusa mostarda. Os dois manuseiam um livro. Atrás deles, paredes com vários grafites.)

segunda-feira, agosto 16, 2021

Uma perspectiva do Universo

Fonte: https://pixabay.com/pt/users/free-photos-242387/


Se o universo é infinito, e tudo cabe no infinito, todas as variações possíveis de nosso planeta e da nossa história também cabem nesse mesmo infinito. Ou seja, os mundos paralelos estão aqui ao lado, a um infinito de distância.

(Descrição da imagem: A silhueta de uma pessoa de perfil volta a cabeça para cima e contempla o céu estrelado. A tonalidade desse céu passeia entre o preto nas bordas, o amarelo embaixo e o azul à direita. Ao centro, poeira de estrelas formam uma nuvem)

sexta-feira, agosto 13, 2021

Amoras - Quando o Amor nos leva pela mão


Por vezes, quando a gente começa uma leitura, é importante se portar como uma criança, enquanto a voz narrativa é a pessoa adulta que nos toma pela mão e nos mostra as grandezas do mundo escondidas nas pequenas coisas. Há livros que fazem justamente isso com a gente.

O que dizer sobre Amoras, do Emicida? Um texto cheio de carinho e com profundidade. Há muito afeto nesse livro que fala de autoestima, de uma força que se revela na delicadeza. A partir do diálogo entre uma criança e seu pai, vai sendo tecida uma reflexão profunda, capaz de desconstruir preconceitos e estabelecer novos paradigmas.

Como algo tão pequeno, como as amoras, pode crescer tanto, a ponto de ser do tamanho do mundo inteiro? Pela genialidade do poeta, mas também pelo olhar infantil, que subverte valores e transcende a realidade.

Assim, além de evocar carinho e a afetividade, Emicida também homenageia grandes nomes da luta pela igualdade e justiça, sem assumir um discurso simplista ou panfletário.

Aldo Fabrini, com suas formas arredondadas e cores vivas, busca conferir às imagens todo o afeto presente no texto, criando um ambiente harmônico, pacífico, para a mensagem poética de Emicida frutificar.

Palavra e imagem em Amoras bailam com graça e leveza, tomando a leitora pela mão e fazendo uma leitura de sonho, um momento de entrega, um presente encantado.


(Descrição da imagem: Mão segura um livro retangular horizontal. Em fundo vinho, desenho de rosto do nariz para cima, com cabelos pretos, pele escura, olhos redondos, nariz alongado, orelhas pequenas. Os olhos estão voltados para cima, onde está o título do livro: AMORAS, sendo cada letra em uma cor, nas sequências rosa, amarelo e azul. Acima do título, o nome EMICIDA. Abaixo, à esquerda, Companhia das Letrinhas e à direita, ilustrações Aldo Fabrini. Além do livro há uma estante branca com as lombadas de outros livros)

Ficha Técnica

Amoras

Emicida

Desenhos de Aldo Fabrini

ISBN-13: 9788574068367

ISBN-10: 8574068365

Ano: 2018 

Páginas: 44

Idioma: português

Editora: Companhia das Letrinhas

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/amoras-806507ed810638.html

quarta-feira, agosto 11, 2021

Perfeita




Você me pergunta

o que eu acho

Se esse cheirinho rançoso

Vem mesmo de você

Eu digo

Você é perfeita

Não peida

Nem caga 

Impossível pra você

Ter que se agachar 

para mijar.

Você 

Como toda princesa Disney

vive à base

de Prana.


Dedicado à Pam e nossos divertidos cafezes da manhã.


As histórias



As histórias 

São os bordados 

Na tessitura 

Do silêncio

segunda-feira, agosto 09, 2021

Prova



Convencido 

de que era 

Máquina 

Recorreu à faca 

e abriu o peito 

em busca 

de fios e circuitos 

ou ao menos 

engrenagens 

Surpreso, 

constatou 

que havia 

Nada.

domingo, agosto 08, 2021

Vídeo: O analfabeto político - Bertold Brecht

 


Olás a todas, todos e todes! Hoje trouxe um poema sobre conscientização política. Convido todas as pessoas a assistirem e dialogarem sobre! Um abraço!

sexta-feira, agosto 06, 2021

Niketche - Uma dança que muda o mundo



Rami é uma mulher amargurada. Há alguns dias que seu marido, Tony, saiu e não deu mais notícias. Ela desconfia da fidelidade dele, mas ainda não tem provas. Decide então descobrir a identidade da suposta amante e a verdade que se descortina a seus olhos é muito mais complexa e dolorosa.

Assim tem início Niketche: uma história de poligamia. Romance da autora moçambicana Paulina Chiziane. Ao descobrir cada um dos casos amorosos do marido, Rami despeja toda a sua amargura e desesperança como narradora. Ela ignora, porém, que seus atos provocarão uma mudança profunda nela e em todas as suas rivais.

Como narradora, Rami é uma voz melancólica e reflexiva. Desencantada com o mundo que massacra as mulheres e beneficia os homens, por mais que ela pense não haver esperança, suas atitudes são de uma resistência pacífica e tenaz. E tal resistência provoca impactos permanentes em seu casamento, bem como nas vidas que o atravessam.

Com uma narrativa pungente, dolorosa e repleta de digressões poéticas, Paulina Chiziane nos presenteia, leitoras e leitores, com um romance poderoso, um épico de amor e fúria.

(Descrição da capa: em fundo marrom, traços de corpos humanos se misturam e se entrelaçam. Os traços são feitos em diferentes tons de marrom, entre o claro, o avermelhado e o preto. Esses traços não possuem sexo, feições ou roupas, são contornos simples e vazados)


Ficha Técnica

Niketche: Uma história de poligamia

Paulina Chiziane

ISBN-13: 9786559210107

ISBN-10: 6559210103

Ano: 2021 

Páginas: 296

Idioma: português de Portugal 

Editora: Companhia de Bolso

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/niketche-20540ed11780226.html

quinta-feira, agosto 05, 2021

A Coluna Literária celebra a chegada do FLI-BH


Está chegando no universo online o 4º FLI-BH - Festiva Literário Internacional de Belo Horizonte. Celebrando esse momento, a Coluna Literária lançou uma edição especial, falando sobre as mentes por trás desse maravilhoso trabalho. O tema escolhido é VIRANDO A PÁGINA: Livro e Leitura tecendo amanhãs. As curadoras do Festival são Madu Costa e Ana Elisa Ribeiro. A homenageada é a Mazza, Maria Mazarello Rodrigues, criadora da primeira editora voltada à literatura negra no Brasil. A identidade visual do festival leva o nome do monumental Nelson Cruz.

Em boa companhia com o Festival, dentro da programação do mesmo, acontece o Seminário "Adolescer: Sujeitos e Percursos Literários", que marca os 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Nele, participarei da última mesa, compartilhando o espaço com pessoas maravilhosas, a Ana Paula Cantagalli, a Érica Lima e o Rodrigo Teixeira, que será o mediador. A nossa mesa leva o título "Uma biblioteca para as juventudes". 

A programação completa pode ser acessada lá no Portal Belo Horizonte



(Descrição das imagens: Imagem um - fundo azul em dois tons, sendo o inferior azul claro e o superior azul escuro. Escrito em destaque está escrito "Edição especial fli-bh Coluna Literária aproximando pessoas, livros e bibliotecas". Imagem dois - em fundo amarelo e branco, uma faixa azul com a inscrição Seminário adolescer: sujeitos e percursos literários". À direita, a logomarca do fli-bh. Abaixo, as fotografias de Ana Paula Cantagalli, mulher de perfil direito, pele clara olhos grandes e cabelo preto liso, sorriso discreto, Érica Lima, mulher de perfil esquerdo, pele clara, óculos quadrados, cabelos castanhos anelados, sorriso aberto, e Samuel Medina, homem de frente, de pele clara, óculos quadrados, barba, sorriso, cabelo comprido castanho e liso. No centro, a informação 12 de agosto, 9h, fli.pbh.gov.br - inscrições em sympla.com/flibh. Abaixo, no fundo branco a fotografia de Rodrigo Teixeira, homem de pele clara, óculos quadrados, cabelo preto, comprido e anelado. À direita, o selo de 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil e o selo de acessibilidade em Libras).

quarta-feira, agosto 04, 2021

Genki Dama


O homem 

mais forte 

do mundo

só existe

quando todas

as outras pessoas 

erguem as

Mãos

E cedem 

nem que seja

Um pouquinho 

de sua força.

terça-feira, agosto 03, 2021

Justiça seja feita



Há um bom tempo, fiz uma postagem falando dos eventos que participei como ouvinte e acabei não falando do Segundo Encontro Mineiro de Bibliotecas Comunitárias. Falha minha. Com tantos eventos acontecendo simultaneamente, acabei deixando passar este, que é tão importante quanto os demais e com uma riqueza enorme de discussão e reflexão.

Como alguém que deseja guardar histórias, compartilhá-las, lembrá-las, acho fundamental falar deste evento, que teve à frente a rede de bibliotecas comunitárias Sou de Minas Uai.

O Encontro aconteceu em três dias: 21, 23 e 25 de junho, através da plataforma Zoom.

A primeira conversa contou com Sol Barreto, Marília Paiva e César Júnior, com mediação de Túlio Damascena e intervenção literária de Lourdinha Reis. O tema foi "Dinâmica e ações de incentivo à leitura". 

A segunda contou com Mônica Verdam, Macaé Evaristo e Fabíola Farias, com mediação de Agripina Vieira e intervenção literária de César Júnior. O tema foi "A incidência das políticas públicas do livro e mobilização de recurso".

A terceira e última conversa teve a participação de Renato Negrão, Carol Fernandes e Lavínia Rocha, com a mediação de Talita Rocha e Sãozinha na intervenção literária. Para fechar o encontro, o tema que norteou a conversa foi "Entre autores".

Foram três noites de rico diálogo. Nós, participantes, fomos continuamente provocados pelas falas tão ricas, em especial da Macaé Evaristo e da Fabíola Farias.

Que os próximos encontros sejam tão ricos quanto este. E que nós possamos cada vez mais apoiar a rede de bibliotecas comunitárias de nossas cidades e seus entornos.

E para quem quiser conhecer a rede Sou de Minas Uai, basta acessar sua página na internet: https://www.soudeminasuai.com/.

segunda-feira, agosto 02, 2021

Sarais



Ele me disse 

que ia aos sarais 

de toda a região. 

Alguém debochou 

E disse que a palavra 

tinha que ser 

"saraus".

Mas o deboche 

não viu 

É nessa roda 

de poesia que 

tantas pessoas saram 

seus ais

domingo, agosto 01, 2021

Vídeo: Vi Teófilo Otoni Florir - Brenda Linda Medina Lages



Homenagem de Brenda Linda Medina Lages à sua cidade natal, Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Vi Teófilo Otoni Florir

Mais do que flor no jardim

Vi Teófilo Otoni Florir

Quis o Ipê Roxo pra mim

Ipê Roxo, Ipê Amarelo

Não importa sua cor.

Ao longo do rio eu te vi

Isso fez encher meu coração de amor

Fez também amar mais

A cidade onde eu nasci

Teófilo Otoni das Gerais

Sou apaixonada por ti

(Descrição do vídeo: mulher de pele marrom clara, cabelos grisalhos e encaracolados sorri e recita poema para Teófilo Otoni-MG. A mulher usa uma camisa preta debaixo de um casaco cinza de lã. Usa um óculos de armação rosada no alto da cabeça para prender os cabelos.)

sexta-feira, julho 30, 2021

O tigre que veio para o chá da tarde - Quando a vida apronta uma daquelas



Está tudo pronto para o chá. De repente, um tigre faminto chega, pedindo comida! É isso mesmo. Você não se equivocou. O livro conta o que o título já avisa.

O problema é que o tigre parece insaciável. Não tem problema. Deixe-o comer. Mãe e filha fazem isso, sempre encarando a situação com bom humor e doses enormes de afeto.

Judith Kerr traça então uma narrativa inusitada com total naturalidade. Atônito fiquei eu, enquanto lia. E curioso para saber como mãe e filha resolveriam a questão.

O livro O tigre que veio para o chá da tarde é uma daquelas obra sensíveis e poeticamente misteriosas, que exigem de nós certa dose de fabulação e conformidade. Não adianta estranharmos a situação inusitada. Ou melhor, adianta, sim. Talvez seja esse o desejo da autora.

Enquanto li, eu ficava cada vez mais surpreso com os acontecimentos. Não podia deixar de ter alguns calafrios com o sorriso enigmático do tigre. Era como se ele sempre escondesse alguma coisa, ou estivesse pronto para a qualquer momento devorar a menina e sua mãe.

Mas assim é a vida: Pronta para puxar nosso tapete e nos virar de ponta-cabeça. Em situações assim, o que devemos fazer? De repente, dar uma cambalhota!

(Descrição da imagem: Fotografia de mão de pele clara que segura um livro. A capa do livro tem fundo branco, criança de cabelos amarelos sentada em uma mesa, de frente. À direita, tigre também sentado à mesa. A criança está de blusa azul, vestido roxo e meia calça xadrez. Calça sapatos pretos. Ela está de perfil direito. Já o tigre está de frente, com as patas dianteiras pousadas sobre a mesa.) 


Ficha Técnica

O tigre que veio para o chá da tarde

Judith Kerr

Tradução de Érico de Assis

ISBN-13: 9786555110791

ISBN-10: 6555110791

Ano: 2021 

Páginas: 32

Idioma: português

Editora: HarperCollins


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-tigre-que-veio-para-o-cha-da-tarde-11809265ed11810037.html

quarta-feira, julho 28, 2021

Para todo mundo


O direito à saúde e à vida deveria ser um direito de todas as pessoas. Infelizmente, há quem as transforme em mercadoria. E desta forma, quem tem pode pagar. Mas e quem não tem?

Meu sonho é que todas necessidades das pessoas se tornem direitos básicos. Meu sonho é que ninguém precise se degradar para ter a saúde que precisa, ou a cultura, ou os alimentos. A humanidade pode fazer isso. Sim, a humanidade pode ser melhor.

Na última quinta-feira, dia 15 de julho de 2021, eu recebi a primeira dose da vacina contra COVID-19. Dois dias antes, quando eu soube que minha faixa etária (39 anos) seria contemplada pela campanha de vacinação aqui em BH, senti meu coração pular de alegria. Eu me senti literalmente privilegiado. E um sobrevivente.

Só de pensar que tantas pessoas mais jovens e mais saudáveis que eu morreram de uma doença que já tem vacina, percebo o absurdo do mundo em que vivemos. Ao mesmo tempo, só de pensar que, se não fosse o SUS, talvez a vacinação estaria muito mais atrasada do que já está, percebo como o SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE é um gigante, um poderoso aliado para a nossa saúde, de todas as pessoas que vivem neste país. 

Por isso, sempre que souber de mais uma pessoa vacinada, sempre que for informado sobre uma nova faixa etária contemplada na campanha de vacinação, não irei hesitar. Vou vibrar e dizer: VIVA O SUS!

Descrição da imagem: Fotografia onde eu estou vestido com uma camiseta de cor vinho. Na camisa está estampado o desenho de um jacaré. À direita, recebo no braço a injeção da vacina. Sou branco, tenho os cabelos amarrados para trás, estou de máscara azul e óculos retangulares. 

segunda-feira, julho 26, 2021

Sinto saudade dos abraços


Sinto saudade dos abraços.

Dizer isso é pouco.

Sinto falta do toque 

do calor. 

Desse pertencimento 

que só se transmite assim, 

pele na pele. 

Ai como sinto 

com toda força 

o não sentir.

sexta-feira, julho 23, 2021

O Crime do Cais do Valongo - O poder das vozes de além




É difícil falar de um livro tão complexo e rico como O crime do Cais do Valongo. Escrito como uma narrativa composta, com mais de uma voz, o texto de Eliana Alves Cruz nos brinda com um enredo envolvente, com motivo histórico, mostrando que muitas de nossas mazelas são antigas.

No romance, conhecemos Nuno, um rapaz jovem e alegre, amante da vida e muito esperto. Por saber que, sendo mestiço, tem poucas chances de ascensão social, Nuno busca nos negócios uma chance de melhorar sua vida. O problema é que o jovem tem uma dívida com um português, aparentado com o Intendente Geral de Polícia, que responde diretamente a D. João VI.

A situação se complica para Nuno quando o credor da dívida aparece morto e seu corpo, mutilado. Temendo que a culpa caísse sobre ele, o jovem inicia uma investigação por conta própria, enquanto se aproxima do responsável pelo caso, o intendente em pessoa.

Além da voz de Nuno, temos também Muana Lómuè. Ela foi escravizada e trabalhava para a vítima. Moçambicana, Muana tem poderes que os olhares europeus não conseguem explicar. Muana fala de seu povo, macua, e sua Grande Mãe, Nipele. Muana tem capacidade de enxergar os mortos. Há outras duas personagens que trabalhavam para a suposta vítima: Roza e Marianno. Cada um deles tem características marcantes e poderes misteriosos.

Enquanto acompanhamos as vozes de Nuno e Muana, vamos nos questionando qual seria o verdadeiro crime. Não seriam os horrores provocados pelos traficantes das pessoas escravizadas? Cada capítulo se abre com um anúncio de jornal e alguns deles são de pessoas vendidas para o tráfico de escravizados. Os anúncios foram de fato consultados em documentos dos jornais do Brasil colonial. E mostram a vileza dos portugueses em negociar vidas inocentes, inclusive crianças. 

Um elemento interessante é que a autora com sua obra homenageia o romance policial, com reviravoltas e mistérios que envolvem cada personagem. O livro, porém, não é um romance policial e sim uma obra de denúncia social e um romance histórico. Uma obra poderosa sobre a resistência de povos que foram retirados à força de sua terra, mas que lutaram para que sua terra não fosse arrancada deles.


Ficha Técnica

O crime do Cais do Valongo

Eliana Alves Cruz

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ISBN-13: 9788592736279

ISBN-10: 8592736277

Ano: 2018 

Páginas: 202

Idioma: português

Editora: Malê


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-crime-do-cais-do-valongo-782206ed787048.html

segunda-feira, julho 19, 2021

A moça na janela

Imagem de Frank Winkler por Pixabay 

Ele morava sozinho. Uma das janelas do seu apartamento dava para uma casa abandonada.

Uma noite, ele acordou e não conseguiu mais dormir. Foi beber uma água. Enquanto virava o copo na boca, olhava distraidamente pela janela.

Havia uma luz na casa abandonada. Era uma luz fraca, de lamparina, candeeiro. Ele não deu muita importância. Até que a imagem de uma bela moça surgiu na janela. A moça era jovem e tinha uma beleza melancólica. 

No dia seguinte, ao ir para o trabalho, passou em frente à casa. Ela tinha a mesma imagem de decrépito abandono. Achou que havia sonhado.

A insônia continuou. Era sempre no mesmo horário que ele despertava e perdia o sono. Da cozinha, via a moça melancólica. Uma noite, ele percebeu que a moça se despia sob luz da lamparina. Excitado, ele não conseguia tirar os olhos dela.

Quando então a moça virou-se para a janela e fitou o rapaz. Ele estremeceu, enquanto ouviu alguém sussurrar em seu ouvido esquerdo:

- Tá olhando o quê?

sexta-feira, julho 16, 2021

Nós: Uma antologia de literatura indígena - As vozes de todos no silêncio de cada um


Para quem acredita no na ilusão de "povo brasileiro", como se fôssemos uma só nação, certamente sua ideia acolhe um grande equívoco. No início da invasão europeia, a terra que no futuro se tornaria Brasil era formada por várias etnias diferentes, cada uma com sua língua, cultura e valores. Mais de quinhentos anos de massacres não conseguiram, felizmente, calar muitos desses povos, que continuam firmes em sua luta de resistência. E eles continuam a contar suas histórias. E algumas delas estão reunidas no livro Nós.

Nós é uma antologia de contos indígenas. Organizado por Maurício Negro, o livro traz contos que abordam a vida na comunidade, bem como recontos de mitos de origem, sempre primando pelo tratamento literário. Ao final de cada conto, há uma nota sobre o povo representado na narrativa, bem como uma nota da autoria. São 12 pessoas que assinam os contos, que são 10.

As narrativas abordam o amor, a amizade, a morte e a origem Algumas estão situadas em um relativo presente; já outras remontam o tempo mítico, em que humanos, animais e plantas falavam a mesma língua.

Foi bom conhecer tantas diferentes visões de mundo. Até a forma de falar apresenta um tom coloquial que não deixa de ter certa cerimônia, certo tom solene, como se assumisse um ar sagrado para a palavra.

Maurício Negro assina também as ilustrações. Seu traço busca homenagear as feições dos povos originários, sem cair no figurativo, muito menos no caricatural. São desenhos que mostram o propósito do ilustrador de homenagear os povos originários.

Com o texto de quarta capa assinado por Daniel Munduruku, Nós é um mergulho no meio de muitas vozes. E tal mergulho deve ser feito com respeito, com oferta de escuta. Como se na voz de todos estivesse guardado o silêncio de cada um.


Nós: Uma antologia de literatura indígena

Vários autores.

Organização de Maurício Negro

ISBN-13: 9788574068640

ISBN-10: 8574068640

Ano: 2019 

Páginas: 128

Idioma: português

Editora: Companhia das Letrinhas


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/nos-918784ed925269.html

quinta-feira, julho 15, 2021

Grupo Afeto - Conta Comigo


No próximo sábado, terei o privilégio de participar da laive Conta Comigo, do Grupo Afeto. Será um momento maravilhoso de histórias, brincadeiras e muito Afeto. Venha assistir e prestigiar! Conto com a presença de todes!

Sábado 17/07/2021 às 16h, no Instagram do Grupo Afeto!

quarta-feira, julho 14, 2021

O que é felicidade

Imagem de Free-Photos por Pixabay

O menino tinha um amigão. Era um amigo do peito. Especial. Eles estudavam na mesma escola, na mesma sala. Um dia, a professora deu um dever para a sala. Era para responder: O que é felicidade? O menino ficou aflito. Espremeu a cabeça um montão de vezes, mas a folha continuava em branco. Uma menina já de primeira falou, alegre: "Felicidade é quando minha mãe chega em casa". O menino gostou daquela resposta. Que pena que ele não tinha pensado naquilo.

O amigão chamou o menino para dormir na casa dele. Foi muito legal. Comeram sanduíches, tomaram sorvete, jogaram videogame até tarde. Seria aquilo a felicidade? O menino ficou pensando, antes de dormir.

No dia seguinte, foram tomar café com a família do amigo. O pai do amigo não estava, mas chegou ainda no meio do café da manhã. Ele passou a mão na cabeça do amigo, fazendo um cafuné nos cabelos bagunçados dele. Chamou o amigo de "filhão".

O menino sentiu uma coisa estranha no peito. Um tipo de buraco. Não conseguia se lembrar do seu pai. Nem sabia se tinha pai. Ficou na dúvida, perguntando para si mesmo se ele tinha ou não tinha pai. E se ele não tivesse pai? O que ele teria feito de errado para não merecer um pai?

E foi nessa hora que o menino entendeu. Foi nessa hora que ele descobriu que felicidade era ter um carinho como aquele. Felicidade era ter um pai pra chamar a gente de "filhão".

segunda-feira, julho 12, 2021

Muitas vezes


Muitas vezes 

me disseram 

para não andar

olhando 

pro chão. 

Mas esqueceram 

de dizer 

quantas pequenas belezas 

perto do chão estão!

sexta-feira, julho 09, 2021

Os 77 Melhores Contos de Grimm - Um voo pela fantasia


É inegável a contribuição que os irmãos Wilhelm e Jacob Grimm deram para o universo da literatura infantil. Com sua obra da extensão de toda uma vida, os dois pesquisadores da tradição oral recolheram diversas preciosidades da oralidade. O resultado de seu trabalho reverbera até hoje. Estando em domínio público, as narrativas contam com inúmeros recontos e adaptações, além de seleções e coleções diversas. Um desses projetos de seleção de contos é a bela obra em dois volumes Os 77 Melhores Contos de Grimm

Trata-se de uma seleção interessante e bem diversificada. São narrativas que falam de sorte, pureza e reviravoltas aventureiras. As abordagens e enredos variam, em algumas, temos a heroína injustiçada que ao final encontra o seu par no príncipe do reino. Outras mostram heróis que partem em busca do destino. Há inclusive aquelas dedicadas aos heróis simples mas bondosos, que acabam sendo agraciados pela sorte. 

Atravessar esse panorama tão diverso de narrativas foi uma jornada prazerosa. Senti falta, porém, de "A Madrinha Morte". Reconheci, contudo, diversos contos, que já havia lido. O reconhecimento é sempre bem-vindo, pois nele há um quê de pertencimento. Quando reconhecemos um conto, é como se reencontrássemos uma migo querido.

Sendo assim, a seleção de Os 77 Melhores Contos de Grimm acaba por trazer uma questão fundamental no universo da leitura e da literatura: a subjetividade. A qualidade de "melhor" para cada um desses 77 contos foi concedida por uma pessoa. Sendo assim, cada uma e cada um de nós pode também decidir e criar sua lista das "melhores histórias". Com isso, a pessoa terá consigo seus contos favoritos, aqueles que elegeu, contribuindo também para o legado dos Grimm com um olhar pessoal e muito próprio.

Esta minha reflexão, contudo, não expressa um incômodo, mas um fato. Sempre temos a liberdade de escolhermos as narrativas que mais nos tocam, que mais conversam conosco. Isso sem, contudo, deixar de aproveitar as escolhas de repertório que as outras pessoas tiveram. Conhecer Os 77 Melhores Contos de Grimm foi uma forma de entender essa maravilhosa obra dos irmãos Grimm por uma lente específica, o que me fez perceber narrativas que talvez ficariam perdidas, não fosse o trabalho dessa primorosa edição da Nova Fronteira.

Com histórias maravilhosas, narrativas humorísticas e contos de exemplo, Os 77 Melhores Contos de Grimm é um rasante maravilhoso por através do trabalho magnífico dos Grimm. É antes de tudo uma homenagem aos dois pesquisadores e um presente a nós, leitores.


Ps: um agradecimento eterno à Áurea Lana Leite, que compartilhou comigo este magnífico trabalho. 


Ficha Técnica:

Os 77 Melhores Contos de Grimm

Irmãos Grimm

Tradução de Íside M. Bonini

Ilustrações de Ramirez

Introdução e organização de Luciana Sandroni

ISBN-13: 9786556400815

ISBN-10: 6556400815

Ano: 2018 

Páginas: 640

Idioma: português

Editora: Nova Fronteira

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/os-77-melhores-contos-de-grimm-793913ed11682267.html

quinta-feira, julho 08, 2021

Clube do livro online


A leitura é, antes de tudo, uma atividade social. Pela leitura, nós nos acercamos do mundo, que é formado por uma coletividade de sentidos, transformando a individualidade em algo comum. Na leitura literária, então, esse processo é ainda mais evidente e rico, uma vez que é através dela que entramos em mentes alheias, estabelecemos diálogos através do tempo e nos redescobrimos nas outras pessoas.

Sendo assim, ler junto é uma potencialização desse poder socializador da leitura. Os clubes de leitura são interessantes iniciativas para para isso. Com o objetivo de fortalecer vínculos e criar outros, bem como de estimular as potencialidades que eu mencionei acima, a amiga Shirley Rodriguez, do Grupo Afeto, criou o Clube do livro online. Tenho participado há algumas semanas e garanto que a experiência tem sido mais do que enriquecedora. Por isso, convido todas as pessoas que quiserem a participar também. Caso alguém deseje fazer parte, basta acessar nosso grupo no WhatsApp(https://chat.whatsapp.com/Dr3CIEiYciFG1MEZKxWUXB). Na atual edição, que é a primeira, estamos lendo A marca de uma lágrima, do grande Pedro Bandeira.

O Clube do livro online se reúne às terças-feiras, a partir de 18h. Quem quiser colar com a gente será muito bem-vinda e bem-vindo e bem-vinde!

quarta-feira, julho 07, 2021

Agonia


Escurece 

o dia morre 

e eu 

ainda não acendi 

a luz do quarto. 

Prefiro a penumbra 

O crepúsculo é o momento 

em que toda alma morre 

Alguns param e notam 

outros apenas engolem 

mais um rivotril.


segunda-feira, julho 05, 2021

Coluna Literária aborda clássicos da literatura brasileira na atualidade



A terceira edição da Coluna Literária saiu na última quarta-feira, dia 30 de junho de 2021. Com textos de Érica Lima, Ericka Martin, Lídia Mendes e Samuel Medina, a publicação da Gerência de Bibliotecas e Promoção da Leitura / FMC teve como destaque obras clássicas em domínio público.

Tendo a consciência de que um clássico se mantém justamente por sua atemporalidade, a Coluna levou em consideração também obras cujas abordagens coincidissem com os dias atuais. Foram apresentadas resenhas de Relíquias da Casa Velha, de Machado de Assis, por Érica Lima e A alma encantadora das ruas, de João do Rio. Para fechar a edição, foi apresentado o perfil literário de Maria Firmina dos Reis.

Para conferir a 3a edição da Coluna Literária, basta acessar o Blog do Portal Belo Horizonte.

Édipo ao avesso


Penso em Telêmaco

como ele

fui um quase

órfão

Filho de um pai

ausente

como um deus.

E outro

presente

grande

também divino

abraãmico

E que podia

me pendurar pelas orelhas

se contestado.

Não fui como Telêmaco.

Tive dois pais.

E pelos dois 

Fui negado

à condição de 

Filho.

sexta-feira, julho 02, 2021

O Conto da ilha desconhecida - Sobre um lugar chamado "aqui"


Saramago é um mestre em contar histórias. É muito difícil ficar insensível a essa habilidade do escritor português. Quem já leu um de seus livros sempre fala de como teve sua vida marcada pela leitura. Não seria diferente em O conto da ilha desconhecida.

Nesta narrativa, ele conta de um homem que deseja encontrar uma ilha que ninguém ainda descobriu. Para isso, ele vai ao rei, pedir um barco. Batendo com insistência à porta das petições, ele é atendido por uma mulher, que deve levar sua solicitação, sendo que esta passará por longa cadeia de comando até chegar ao soberano.

Começa assim uma divertida aventura sobre buscas e descobertas. De forma dialógica e perspicaz, a dupla vai se entendendo e também amadurecendo suas ideias sobre tão desafiadora expedição. Nessa narrativa, portanto, tendemos a concluir que a tão desejada ilha desconhecida nada mais é que o próprio coração humano.

Seguido pela mulher que o atendeu à porta, após ter seu pedido garantido pelo rei, o homem parte para o trabalhoso processo de se preparar para tão arriscada empreitada. E vai descobrindo que ir em busca de um sonho não é nada fácil, a ponto de ser um sonho o próprio ato de "buscar o sonho".

Como uma bela e divertida alegoria, cheia de humor e graciosidade, O conto da ilha desconhecida é uma deliciosa narrativa que, ao seu final nos faz de cara sentir saudade da história e pedir por mais.


Ficha Técnica

O conto da ilha desconhecida

José Saramago

ISBN-13: 9789723704242

ISBN-10: 9723704242

Ano: 1997 

Páginas: 64

Idioma: português de Portugal 

Editora: Companhia das Letras


Página do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/1438ED1943

quinta-feira, julho 01, 2021

quarta-feira, junho 30, 2021

Com que tipo de pessoa você povoaria o céu?


Com que tipo de pessoa você povoaria o céu?

Com aquelas

Prontas para matar o

Próximo?

Ou seria com aquelas 

Que defendem 

O armamento da população?

Inquilinos do Reino

Que escarnecem de quem

É diferente

E fazem piada com isso?


segunda-feira, junho 28, 2021

Ela



Nome de artista.

E mais cicatrizes

Do que se poderia contar.

Traçou seu caminho por 

Fossas e fendas

Fez dessas trilhas

De sangue, porrada e gozo

Ícone.

Paga a vida na vida.

E ainda a cada dia

Precisa nascer de novo,

Romper o ventre do mundo 

Pra dizer:

Eu sou.


Para todas as pessoas que sofrem por serem quem são.

domingo, junho 27, 2021

Era Uma Voz, Salão do Livro e FLI Lagoa

Neste mês de junho, tivemos uma grande riqueza em eventos literários. Aconteceu o Era Uma Voz, realizado pelo Instituto Abrapalavra. O Era Uma Voz teve sua abertura no dia 15 de junho e seguiu até o dia 26 com diversas atividades. Foram oficinas, apresentações e saraus que enriqueceram a rede e tornaram vivas importantes reflexões. A vantagem é que o Era Uma Voz continua vivo, a partir do canal do Abrapalavra, que realizou cada atividade como transmissão ao vivo.



Para quem perdeu essa programação maravilhosa, basta conferir no canal do Abrapalavra no YouTube

Na quinta-feira, dia 24 de junho, teve início o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais. Realizado pela Câmara Mineira do Livro, o evento traz atividades voltadas ao livro e à leitura literária.



Hoje é o último dia do Salão, mas as transmissões podem ser também conferidas no YouTube da Câmara Mineira do Livro.

Por fim, mas não menos importante, temos um festival acontecendo na cidade vizinha à BH: o Primeiro Festival Literário de Lagoa Santa - FLI LAGOA.


Sei que é muita coisa para assimilar e acompanhar. Como alguém que atua na área do livro e da leitura, senti muito por não ter acompanhado ao vivo muitas dessas transmissões. Porém, ainda dá pra assistir muita coisa. Fica então o convite para todas as pessoas interessadas. Afinal, estes eventos ultrapassam as fronteiras geográficas, por seu caráter virtual. E também contribuem para a memória dos eventos de mediação de leitura, pois estarão presentes na plataforma de vídeos pelo tempo que os realizadores desejarem.

Fica então o meu convite para todes conferirem esses conteúdos maravilhosos em riqueza artística e reflexiva. 

quinta-feira, junho 24, 2021

Asas abertas em descanso


Asas abertas em descanso 

demonstram 

uma paz 

silenciosa. 

A beleza pode 

ser muito pequena 

e ainda assim 

ser maior 

que um mundo inteiro.

 

domingo, junho 20, 2021

Os responsáveis

 


Se alguém passa fome,

De quem é a culpa?

Se uma criança morre

Sem o remédio que precisava,

Quem precisa ser punido?

E se 500 mil mortes acontecem

Por uma certa doença

Elas poderiam ser evitadas?

E se poderiam, quem não agiu?

Ou de repente agiu, a favor da

Morte...

 

sexta-feira, junho 18, 2021

Ouvindo: A menina que roubava livros - Markus Zuzak


Desde Esperando Bojangles, eu fui cooptado para o universo dos audiolivros. Tem sido uma experiência mágica. Viajei pelo Oriente com As Mil e uma Noites, fui a um porão suíço em O Aquário e conheci relatos de experiências transcendentais em A Profecia Celestina e A Décima Profecia. Agora, estou retornando à Alemanha Nazista nessa jornada de infância, amizade, sacrifício e Morte. Este é o meu reencontro de mais de dez anos depois com A menina que roubava livros.


Ficha Técnica 

A Menina que Roubava Livros

Markus Zusak

 Nenhuma oferta encontrada

ISBN-13: 9788580574517

ISBN-10: 858057451X

Ano: 2013 

Páginas: 480

Idioma: português

Editora: Intrínseca

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-menina-que-roubava-livros-7ed410101.html

quinta-feira, junho 17, 2021

Se eu


Se eu gritar "Fora Bolsonaro!"

Você ainda vai me amar?

Se eu for às ruas

Eu me vestir de vermelho

contra tantas violências... e então?

Se eu não conseguir mais 

falar com você 

por seu apoio a esse monstro

Você ainda vai me amar?

PIB


Fui buscar um sentido 

para a sigla PIB 

que não fosse 

"Produto Interno Bruto". 

E (re)descobri 

a maior riqueza 

De infinita grandeza: 

"Povos Indígenas do Brasil". 

quarta-feira, junho 16, 2021

Lendo: A marca de uma lágrima - Pedro Bandeira

 


Estou participando de um clube de leitura coordenado por uma amiga. Este é o primeiro livro que lemos. Curiosamente, eu já o havia lido, muitos anos atrás. A narrativa acompanha uma adolescente com sérios problemas de autoestima, enquanto sua genialidade com as palavras a faz escrever torturante cartas de amor entre sua melhor amiga e o rapaz amado. 


Ficha Técnica 

A Marca de uma Lágrima

Pedro Bandeira

ISBN-13: 9788516035402

ISBN-10: 8516035409

Ano: 1994 

Páginas: 176

Idioma: português

Editora: Moderna


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-marca-de-uma-lagrima-866ed1127.html

Sou Antifascista!



Quem deveria lutar pela justiça persegue a liberdade. Quem deveria investigar de forma transparente e objetiva tem sido vetor de comportamentos intimidadores e repressivos. Quem deveria defender a democracia contra os fascistas tem se unido a eles. Agora eu me pergunto: Quando ser antifascista foi algo ruim? 

Quando pequeno, escutava sobre meu avô, que lutava por justiça social, que se mobilizou para que os direitos de seus colegas ferroviários fossem assegurados e protegidos. Em 1964, meu avô, Nestor Antônio Medina, foi preso. Felizmente, ele retornou, mas nunca disse uma palavra sobre o que passou na prisão.

Meu avô não foi considerado perigoso o suficiente para ser morto. Não foi considerado perigoso o suficiente para ser deportado. Simplesmente continuou aqui, arrastando suas cicatrizes, bem como as cicatrizes de sua esposa, Maria da Conceição Santos Medina, e de suas filhas e filhos.

De repente, começo a escutar sobre pessoas que assumem um discurso que criminaliza quem se posiciona como antifascista. Acho que essas pessoas, ou não entendem o sentido de ser antifa, ou  simplesmente são mal-intencionados o suficiente para distorcer discursos e forjar falsas verdades. 

Agora, se você se identifica com essas pessoas, posso dizer com todas as letras que você é um mau-caráter. Não adianta tentar inverter os papeis. Quem faz pose de "arminha" e defende a pena de morte é tão horrível quanto esse presidente assassino que governa nosso país.

Esta crônica foi escrita inspirada na nota abaixo:   


"10 DE JUNHO DE 2021 - 17:57 #Liberdade De Expressão #Nota Pública

Na tarde desta quinta-feira, 10, quatro professores e cinco estudantes da Universidade Estadual do Ceará (UECE) foram intimados a comparecer à Unidade de Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre ação que apura 'atos antifascistas', 'organização de polícia ideológica' e 'perseguição [a grupos] por serem cristãos, bolsonaristas e não quererem declarar voto no candidato do Partido dos Trabalhadores', supostamente ocorridos em 2018.

A ação acontece desde o referido ano, e o Ministério Público Federal já afirmou não existir viabilidade na acusação. No entanto, o inquérito ainda não foi arquivado.

Nesse contexto, a UECE manifesta incondicional apoio institucional aos professores e aos estudantes que estão sendo alvo dessa intimação que fere a liberdade de expressão e de 'aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber' (Constituição Federal, Art. 206).

Os professores intimados, em momento algum, perseguiram alunos por terem posicionamentos divergentes, pois é exatamente em virtude dessas diferenças e do livre debate de ideias que a ciência se constrói. Na verdade, discussões e posicionamentos diversos são os pilares da academia.

Em tempos de obscurantismo e de retrocessos, comprometemo-nos, obviamente, com a verdade dos fatos e reiteramos nosso compromisso com a democracia, com a autonomia universitária – a nós garantida pela Constituição Federal – e com o Estado Democrático de Direito, além de apoiarmos incondicionalmente os membros de nossa comunidade acadêmica nessa luta.

Iluminando caminhos, seguimos firmes em defesa da democracia."

http://www.uece.br/noticias/nota-publica-em-defesa-da-liberdade-de-expressao/