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domingo, março 26, 2017

Trilogia da Fundação - Um surpreendente mergulho em nosso possível futuro

Não costumo fazer resenhas de trilogias ou séries literárias, mas de obras individuais, principalmente por não ter a intenção de ser um blog analítico, nem de crítica acadêmica. Além disso, uma resenha conjunta, a meu ver, não é tão legal. Acho que cada obra tem sua especificidade, como se fosse um indivíduo único.
Assim, foi com certa relutância que decidi escrever esta resenha. Porém, como faz um tempo que não publico alguma, e como só publiquei uma este ano, resolvi juntar esses motivos para fazer um três em um.
Tudo bem que talvez seja muita pretensão de minha parte fazer comentários sobre um dos trabalhos mais impressionantes do Guru da ficção científica, Isaac Asimov. Mas é assim mesmo que a gente aprende.
A trilogia começa com o livro Fundação mostrando - com o perdão do trocadilho - os fundamentos dessa saga cósmica. Um jovem matemático é convidado a trabalhar na Universidade de Trantor, capital do Império Galáctico, a milhares de anos em nosso futuro. Lá ele conhece Hari Seldon, o fundador de uma estranha ciência chamada Psico-História. Segundo esta, seria possível prever o futuro de uma civilização através de fórmulas matemáticas. Sendo assim, foi previsto o declínio do Império e sua inevitável queda, seguida de trinta mil anos de barbárie.
Para atenuar os efeitos dessa crise e encurtar esses trinta mil anos em apenas mil, Seldon cria uma fundação de cientistas que deveriam tratar de todo o conhecimento do Império e guardá-lo em uma inédita enciclopédia, para quando um novo império surgisse.
A princípio, este é o objetivo da Fundação, estabelecida no planeta Terminus, na periferia mais obscura e distante da galáxia. Há, porém, um objetivo oculto e impressionante, que será revelado gradativamente, à medida que o Império se degenera e a periferia se torna cada vez mais instável e perigosa, com o surgimento de governos planetários belicistas.
Sei que a importância de uma obra pode interferir em sua leitura, de forma a causar uma expectativa que pode ser frustrante. Não foi esse o caso. O texto de Asimov é equilibrado e fluido, muito agradável. Além disso, seus personagens são cativantes, embora o tempo que o leitor passe com eles seja relativamente curto. Afinal, a trilogia cobre um período de mais de trezentos anos em que crises e reviravoltas acontecem.
É importante destacar, também, como Asimov tem uma incrível visão estratégica, dando ao leitor a impressão de que ele está fazendo um zoom sobre um indivíduo específico, depois de um espetacular panorama.
É interessante observar certos anacronismos. Afinal, Asimov não é um profeta, a ponto de prever as mudanças sociais que ocorreriam nas três últimas décadas. É possível notar também certo sexismo no desenrolar da trama, tendo as mulheres pouca participação no enredo. Além disso, talvez ele não imaginasse que a tecnologia nuclear seria descontinuada. Mas como eu disse, Asimov não é mágico, mas um ficcionista, e ele fez algo impressionante em sua "ópera espacial", com direito a devaneios sobre possíveis habilidades futuras em uma sociedade humana que buscasse evoluir em consciência e linguagem, nas ciências humanas, ao invés das exatas.
Com um enredo fascinante, um universo rico e complexo e o talento de um exímio prosador, Asimov faz da sua trilogia Fundação, Fundação e Império, Segunda Fundação uma jornada inesquecível para o leitor.


Ficha Técnica
1. Fundação
Páginas: 239
2. Fundação e Império
Páginas: 248
3. Segunda Fundação
Páginas: 235
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph

Perfis dos livros no Skoob:
1. https://www.skoob.com.br/livro/2668ED3474
2. https://www.skoob.com.br/fundacao-e-imperio-27768ed30170.html
3. https://www.skoob.com.br/segunda-fundacao-27769ed30172.html

sexta-feira, março 29, 2013

Freud, me tira dessa! - a literatura no divã

Fonte: divulgação.
Nunca pensei que chegaria a resenhar um livro chick-lit. Confesso que sequer pensei que um dia leria um. Sim, começo esta resenha confessando um preconceito. E isso para reforçar minha surpresa durante a leitura do livro Freud, me tira dessa!, de Laura Conrado. 

Tive a chance de adquirir o livro de Laura de suas próprias mãos, quando estive no evento Livros: paixão sem fronteiras, que ocorreu no último sábado, 23 de março, na Casa Una de Cultura, aqui em Belo Horizonte. Havia acabado de conhecer a Laura, que tem feito esforços tremendos para realizar em nossa cidade a Semana do Livro Nacional. Pois bem, lá estava eu, com o livro na mão, para pegar um autógrafo. Ao folheá-lo, imaginei que o texto poderia ser mais direcionado ao público feminino. Acreditei então que aquele era um presente ideal para a minha namorada.

Sim, o presente foi ótimo. O que eu não esperava é que a leitura me capturaria tão rapidamente. Quando saí do evento, já combinando de passar na casa de minha amada, resolvi abrir o livro e vasculhar suas primeiras páginas. Ainda sentia um ranço de machismo, achando que me sentiria "deslocado". Ledo engano. Fui de tal forma absorvido pela narrativa tão cativante da Catarina, uma mineira típica, naquele jeito mais gentil e carinhoso que se pode imaginar. 

Ao me encontrar com minha namorada, mostrei-lhe o presente, ao mesmo tempo que o pedia emprestado. E assim foi, passei o final de semana acompanhando os passos de Catarina, jovem de 23 anos, desencantada com o amor depois de tomar um fora. Desejando entender o motivo que a levava a relacionamentos infrutíferos, ela resolve buscar auxílio de um psicólogo. E de repente acontece o que qualquer leitor romântico podeira imaginar: Catarina se apaixona por seu terapeuta.

Como já disse acima, o texto é leve, despretensioso. Isso aproxima o leitor, principalmente o jovem, muitas vezes portador do pré-conceito de que literatura deve ser floreada, densa e carregada. Isso não acontece neste livro, que busca uma proximidade com o leitor que quase dá ao texto um tom de confidência. Aí entra toda a feminilidade do texto. Laura poderia estar sentada ao seu lado, contando a história de suas peripécias sentimentais e "psicanalíticas". 

Outro ponto interessante no romance de Laura Conrado é que ela não busca "tecnicizar" o texto. Faz menções à psicanálise, sem usar definições ou referências científicas. Afinal, trata-se de um texto literário e não acadêmico.  Além disso, a autora evita sabiamente certas soluções prontas e fáceis para os conflitos. Alguns deles ficam no ar, são aceitos como parte constituinte das histórias das personagens. De certa maneira, ela revela que a vida é feita a partir da desconstrução de nossos ideais. Um caminho de autoconhecimento, que pode até ser doloroso, mas certamente vale a pena ser trilhado.

Ficha Técnica:
Edição: 2
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576796541
Ano: 2012
Páginas: 239


Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/229897