quinta-feira, outubro 27, 2022

Bolha

As palavras chegam 

aos borbotões

Tento controlá-las.

Conter sua fúria

Mas não posso 

Eu mesmo 

estou furioso 

Dormi demais 

e ainda durmo

em meu 

casulo

Enquanto o mundo

lá fora 

se 

des-

in-

te-

gra.

quinta-feira, outubro 20, 2022

Se não fosse essa preguiça atávica

Se tivesse estudado a dose certa

Talvez tivesse sido um bom escritor

Talvez tivesse conseguido ser poeta.

domingo, outubro 09, 2022

DIZEM QUE É BOA INVENÇÃO

ESSA TAL DE INTERVENÇÃO

DEIXARAM O CIRCO

NA MÃO DE MILICO

PRO POVO NÃO TER OPÇÃO!

20 de fevereiro de 2018

sábado, outubro 08, 2022

Limerique

FICA ESPERTO, POVO BRASILEIRO,

SENÃO SOMEM COM O SEU DINHEIRO

SE A COISA APERTA

É O POBRE, NA CERTA,

QUEM PAGA A CONTA PRIMEIRO!

21 de fevereiro de 2018

sexta-feira, outubro 07, 2022

Bolo

Para os que esperam

o fim do mundo,

digo apenas que esqueçam.

Já passou

e você foi o único

a não ser convidado

para a festa.

quinta-feira, outubro 06, 2022

Ficar na 51

Lá na Biblioteca, eu estava conversando com o Rodrigo, quando nos deparamos com o Carlos, vulgo “Minério”. Ele comentou um pouco sobre a saúde e a vez em que havia vomitado sangue  misturado com uma pasta amarelada.

Então o questionei, apontando que ele deveria parar de beber álcool de posto. Carlos deu um riso torto e explicou que fazia esse álcool render, misturando-o com água. Era a única forma de manter o vício. Ainda falei umas duas ou três vezes de que ele precisava maneirar, ficar na 51, quando ele retrucou: “E com que dinheiro”?

Diante de minha expressão dúbia, que misturava uma hipócrita incredulidade com uma vazia empatia, ele deu as costas, num sorriso que cambaleava entre a culpa e a resignação.

10 de novembro de 2017

quarta-feira, outubro 05, 2022

Alegorias

Samuel: Organizar quadrinhos é como descascar cebolas.

Rodrigo: É mesmo...

Samuel: Você descobre camadas atrás de camadas.

Rodrigo: Ah, tá. Pensei que você quis dizer que era um negócio que a gente faz chorando...

Samuel: É... também...

terça-feira, outubro 04, 2022

Egrégora

Do que pode

ser desejado

Lugar-comum

que de comum 

nada tem

Onde nos vemos

deixa de ser espelho

para ser espalho 

ou

espantalho

11 de novembro de 2020

segunda-feira, outubro 03, 2022

História universal da infâmia - uma volta ao mundo pela sua sordidez



Há livros em que o texto nos guia por contos que apresentam personagens infames e pérfidos. Um exemplo é justamente História universal da infâmia, de Jorge Luis Borges. Os contos são quase crônicas, quase perfis literários dessas personalidades odiosas, todas tendo feitos memoráveis nos diversos continentes da terra.

Borges é um mestre do texto e nos envolve com seu discurso pretensamente neutro. Nessa neutralidade ele apresenta os feitos pavorosos de uma escória que sofre e faz sofrer. Na edição que eu li há um longo ensaio, assinado por regina L Zilberman e Ana Mariza R. Filipouski, e que aborda a questão da origem da infâmia ocorrer por conta da opressão de classes. Ao mesmo tempo, aborda a fascinação que Borges tem pelo romance policial e assim ele aproveitaria o mote do gênero para escrever esses contos. Esse mote seria justamente da origem dos males ser condicionada à opressão das classes mais pobres. Ou seja, haveria um falso engajamento político nessa obra de Borges.

O livro tem ainda dois prefácios redigidos pelo autor, onde ele apresenta seus contos e alega que o motivo de tê-los escrito ser a simples e pura diversão.

Os últimos textos do livro são pequenos excertos redigidos a partir de livros orientais, onde Borges relata casos de magia com reviravoltas surpreendentes. Antes dele há ainda o conto enigmático "O homem da equina rosada", que narra um caso de desafio e morte ocorridos nos pampas argentinos.

O livro é curto e dinâmico, com uma linguagem altamente imagética, visual, a qual bebe claramente no cinema. A ação e a rapidez ditam o tom.

Com uma linguagem hipnótica e cativante, o domínio da literariedade e da ação cênica, Borges nos concede uma experiência ímpar com o livro História universal da infâmia. Um livro que é aula de cinema e literatura.


Ficha técnica

História Universal da Infâmia

Jorge Luis Borges

Tradução de Flávio José Cardoso

ISBN-13: 9788525004956

ISBN-10: 8525004952

Ano: 1989 

Páginas: 77

Idioma: português

Editora: Editora Globo

domingo, outubro 02, 2022

Epistemologia

Saberes da palavra

Sentido 

do que se lavra

Faca

a talhar nossa alma

Quantos pedaços 

formam

Um só conceito?

Na pergunta

uma outra 

Larva

11 de novembro de 2020

sábado, outubro 01, 2022

Barr@

Chora não que é pior, bem.

Os lobos estão à solta.

O buraco sempre é 

mais embaixo.

Cuidado, senão cê cai.

Birita não é saída, bem,

mas é bom pra divergir.

Coisa dura é dia em fila.

Pó e suor têm seus lugares.

Juntos, podem fazer milagres.