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segunda-feira, junho 14, 2021

Lido: Nuang - Caminhos da Liberdade - Janine Rodrigues e Luciana Nabuco



Nuang é uma narrativa sobre prisão, escravização e liberdade. Uma narrativa aberta. Inspirada na cultura dos povos Banto, conta a trajetória de uma menina que tem em si o talento e a sabedoria para guiar seu povo rumo à libertação. 


Ficha Técnica 

Nuang - Caminhos da liberdade

Janine Rodrigues

Luciana Nabuco 

ISBN-13: 9788592577070

ISBN-10: 8592577071

Ano: 2017 / Páginas: 38

Idioma: português

Editora: Piraporiando


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/nuang-779998ed784723.html



sábado, junho 12, 2021

Lendo: Úrsula e outras obras - Maria Firmina dos Reis


Quando soube de Maria Firmina dos Reis, fiquei encantado, interessado e igualmente incomodado. Como ainda não havia sido apresentado à primeira romancista negra brasileira? E não é apenas isso. Ela foi, muito antes de Castro Alves, uma voz ferrenha contra a escravidão. 

Depois de meu encontro com as narrativas de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, fui tomado por um senso de urgência em ler mais autoras negras. Assim, li Jarid Arraes, Eliana Alves Cruz e, agora, mergulho na literatura de uma mulher de discurso forte, duro, poético e quase desesperado.

Sim, é possível perceber o senso de urgência no clamor Maria Firmina por um mundo diferente daquele que ela vive, onde a sociedade machista e preconceituosa de homens brancos, ricos e violentos usam de seus desmandos quase como deuses.

Estou terminando o livro Úrsula e outras obras. Logo que tiver terminado, pretendo falar um pouco mais sobre essa seminal experiência de leitura.


Úrsula e Outras Obras

Maria Firmina dos Reis

 Nenhuma oferta encontrada

ISBN-13: 9788540203471

ISBN-10: 8540203472

Ano: 2018

Páginas: 307

Idioma: português

Editora: edições câmara


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/ursula-e-outras-obras-802621ed806431.html

sexta-feira, maio 14, 2021

O abraço do ouriço - Sobre as muitas formas de mostrar carinho



A vida é tão trivial que chega a parecer um desfile de clichês. Sim, é verdade. Tem coisas que acontecem no mundo que parecem ter saído de uma novela. Algumas nos enchem de fúria. Outras nos levam às lágrimas. E nessa montanha-russa, por vezes somos agraciados por presentes do acaso. Mensagens que parecem até transcendentes de tão preciosas e acertadas, pois chegam justamente nos momentos em que mais precisamos.

E como a arte imita a vida - ou seria o contrário? - foi por meio de um livro que recebi um presente desses. Estamos já no segundo ano de uma pandemia que levou milhares de brasileiros. Centenas de milhares, na verdade. E desde o início de 2020, algo que nos é muito precioso nos foi tirado: a proximidade. Há pessoas que estão sem ter contato físico com quem amam há mais de um ano. Não podem tocar, sentir, abraçar suas famílias. É como se o abraço agora escondesse um perigo que, para muitos, é mortal.

Então vem um livro e traz um refrigério, vem de um jeito cálido dizer: "Calma, eu sei que é difícil, mas há outras formas de abraçar". Estou falando de O abraço do ouriço, livro de Adriana Barretta Almeida e Verônica Fukuda. É uma narrativa rimada, repleta da musicalidade da poesia. Sua história fala sobre um ouriço que deseja poder abraçar. Seus amigos, atentos e dedicados, buscam maneiras de atender seu desejo. Mas parece que nada é capaz de abrandar o furor de seus espinhos, ainda que tal furor seja involuntário.

O texto de Adriana Barretta Almeida é suave como uma brisa. Parece sussurrar em nosso ouvido, enquanto nos toma pela mão e nos faz caminhar junto com o pequeno ouriço. Enquanto isso, os desenhos de Verônica Fukuda combinam em suavidade com o texto, enquanto os belos e expressivos traços vão aprofundando nossa empatia por todas as personagens. E assim uma história de amor e cuidado vai se desenvolvendo aos nossos olhos e demais sentidos.

Como disse no início, há livros que parecem ter chegado na hora certa. E quando terminei de virar as páginas do magnífico O abraço do ouriço, eu me senti presenteado. Fui cercado pelo calor e pela certeza de ter tocado um tesouro. E também de sentir que até mesmo um livro é capaz de abraçar alguém.


Ficha Técnica

O abraço do ouriço

Adriana Barretta Almeida

Verônica Fukuda

Editora Aletria

Ano: 2020

Páginas: 44 

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-abraco-do-ourico-11907557ed11903503.html

Os 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil

Foto: Ricardo Laf/PBH


A Biblioteca Pública Infantil e Juvenil fez uma marca indelével em minha vida. Quando lá em 1994 eu tive em mãos um exemplar da revista Ler-O-Lero, nunca imaginei que um dia faria parte do lugar onde a revista nasceu. Lembro que eu ficava horas e mais horas lendo e relendo a revista. Eu ficava me deleitando com as imagens e também as brincadeiras com as palavras e com as histórias. Narrativas sobre três lobinhos que eram perseguidos por um grande porco, ou de um menino chamado João que, de tanto comer feijão, cresceu e ficou gigante feito um pé de fruta-pão.

Anos depois eu fui visitar a Biblioteca para uma apresentação do Era uma vez... E conheci a Sandra Bittendourt e o Babu Xavier. Já era adulto e já sonhava trabalhar como servidor da Fundação Municipal de Cultura. O sonho estava quase se concretizando.

E um dia eu finalmente pude dizer que fazia parte da equipe da BPIJ. Foram anos de muita alegria e muito trabalho, realizando oficinas, coordenando lançamentos de livros, preparando programações mensais. E agora, quando vejo que fiz parte de uma história de 30 anos, sinto muito orgulho e amor.

Sim, a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil está completando 30 anos em 2021. E preparou uma programação com carinho e muita sensibilidade. Essa programação eu compartilho com vocês logo abaixo.


Atividades permanentes 

PROSA POÉTICA - OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA

Espaço para o escritor aprendiz exercitar a criatividade, trocar ideias e experiências.

Mediação: Kátia Mourão 

Terças-feiras, sempre às 10h

Encontro virtual na plataforma Google Meet

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Prosa poética - escrita criativa”


RODA DE LEITURA

Encontro para a prática da leitura em voz alta e reflexão sobre a literatura em suas diversas formas de expressão.

Mediação: Wander Ferreira

Quartas-feiras, às 14h

Encontro virtual na plataforma Google Meet

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Roda de Leitura”


HISTÓRIAS E CRIANÇAS

Encontros virtuais para narração e leitura de histórias para crianças e suas famílias, com a participação da equipe da BPIJ-BH e voluntárias

Quinzenalmente, nas quintas-feiras, às 17h30

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: Crianças e suas famílias


ENCONTRO DE CONTADORAS DE HISTÓRIAS

Reunião para seleção e pesquisa de textos literários, exercícios de narração de histórias e trocas de vivências. 

Sextas-feiras, às 10h

Encontro virtual na plataforma Google Meet

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Encontro de contadoras” 


LEMBRANÇAS DA BIBLIOTECA

Um vídeo por dia com depoimentos de leitores, funcionários e amigos da BPIJ-BH.

De 03/05 a 31/5, às 8h

Publicações no Facebook


MANHÃ ENCANTADA

Um encontro marcado com a fantasia através da narração de histórias

Sábados, dias 8, 15, 22 e 29/05, às 10h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: crianças e suas famílias 


BIBLIOTECA CONVIDA

Encontro com Antonieta Cunha, Maria do Carmo Maggi e Reni Thiago, com

mediação de Ana Paula Cantagalli

Quinta-feira, 03/06, às 15h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: jovem/adulto


CORRE DE FADA

Conversa com Val Armanelli sobre o quadrinho “Comida de Fada” 

Terça-feira, dia 08/06, às 19h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: jovem/adulto


DESENHANDO O QUADRINISTA

Bate-papo com quadrinistas de BH sobre seus percursos de leitura, memórias afetivas e ídolos no mundo dos quadrinhos

Quinta-feira, 17/06, às 19h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: jovem e adulto 


SARARAU PALAVRA PRETA

Reunião de poetas e convidados do Sararau ocorrido na BPIJ-BH para performances envolvendo a produção de poetas negros brasileiros. 

Quarta-feira, 23/06, às 19h

Evento virtual na plataforma Google Meet

Público: jovem/adulto

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Sararau”


RODA DE LEITURA COM AS CRIANÇAS

Quarta-feira, dia 30/06, às 10h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 


Espero que vocês, assim como eu, possam se inspirar com essa programação tão especial. E que nos vejamos lá!

sexta-feira, março 12, 2021

Comida de fada: A infância roubada a pequenas mordidas


Uma menina esperta e imaginativa recebe o convite para se divertir entre as fadas. Parece o início de uma aventura mágica e maravilhosa. Ninguém desconfiaria que, na verdade, essa é a abertura de um conto macabro. 

Comida de fada, obra de Val Armanelli, faz justamente esse movimento. Apresentando uma protagonista que tem tudo da criança precoce na imaginação, mas ainda cheia da fantasia da infância, trata-se de uma história em quadrinhos que vai mostrar como o mundo das fadas pode ser frio e assustador.

A leitura de Comida de fada foi extremamente perturbadora. Talvez fossem as cores alegres e fortes, ou a profusão de guloseimas, ou a insidiosa referência ao filme O labirinto do fauno. Talvez o conjunto de todas essas coisas e outras mais fossem sussurrando para mim que algo extremamente distorcido e errado acontecia, enquanto a heroína era constantemente aliciada pelas pequeninas fadas a comer os doces de uma mesa farta, ainda que a menina estivesse sem fome.

Outro ponto que achei marcante na obra de Val Armanelli é o silêncio ensurdecedor. Ainda que as fadas falem o tempo todo, ainda que a menina responda, há uma total impossibilidade de comunicação. Talvez uma referência à terrível solidão infantil. Afinal, uma criança vive em um mundo de gigantes, sempre mais fortes, sempre impondo suas vontades. Torna-se então uma fina ironia que sejam as fadas, quase invisíveis de tão pequenas, a constantemente impor suas vontades durante a narrativa.

Com cores de contrastes marcantes e um ar enganosamente encantado, Comida de fada é uma viagem estética que mostra como sonhar pode ser perigoso e assustador.



Para quem deseja conferir o trabalho de Val Armanelli, Comida de fada está na reta final de sua campanha de financiamento. Para conhecer um pouco mais - e contribuir - basta acessar a página da HQ no Catarse.


Ficha Técnica:

Comida de fada

Val Armanelli

Edição Independente

sexta-feira, março 05, 2021

O Aquário - O cárcere da loucura


 
Como o confinamento forçado pode afetar nossa mente? Esse impacto pode variar, de acordo com o nosso grau de conformidade? Diante de uma situação em que a nossa liberdade é suprimida, devemos nos conformar ou buscar uma saída? 

O Aquário, de Cornélia de Preux, conta a insólita experiência de uma família que acaba confinada em seu porão durante as férias. Constantin, o pai, havia declarado aos vizinhos que levaria a família para uma viagem às Ilhas Fiji. Sem dinheiro para manter a palavra, porém, ele acaba se trancando com a esposa e os três filhos no porão durante o período programado para a viagem.

Tem início então uma trama repleta de tensão. Tatiana, a mulher de Constantin, era a única que sabia do plano doentio do marido. Sem forças para enfrentá-lo, porém, ela acaba deixando que ele concretize o projeto. Os filhos, pegos de surpresa, haviam sonhado por meses com a paradisíaca viagem. Traídos, eles são transportados ao porão enquanto dormiam e acabam tendo que se resignar a uma prisão rígida, com uma programação inflexível, vítimas dos caprichos loucos de um pai que, da noite para o dia, torna-se seu carcereiro.

Não bastasse a decepção da viagem frustrada, as três crianças, Kevin, Violet e Vladmir, precisam participar de módulos em que terão que fingir estarem em Fiji, pois deverão manter a mentira após as férias. Pelo menos é isso que Constantin quer.

É interessante observar que a trama de Cornélia de Preux busca explorar o labirinto psíquico de Constantin e Tatiana, em especial desta. Durante a leitura, somos mergulhados no emaranhado de questionamentos e temores da mulher. De Constantin, experimentamos a insanidade e os sentimentos tenebrosos que cultiva contra Kevin, o filho mais velho, maior opositor ao projeto do pai.

O Aquário é uma obra-prima que acaba vindo de encontro ao tempo em que estamos. Forçados a um confinamento, vítimas de uma ameaça invisível, somos obrigados a criar estratégias de sobrevivência, buscando válvulas de escape para manter a nossa saúde emocional. Felizmente, contamos com momentos de fugidia liberdade, ao contrário das infelizes vítimas do romance de Cornélia de Preux. 


Deixo aqui meus agradecimentos ao José Vicente, coordenador do grupo de leitura coletiva Amigos Pra Valer, bem como para Maria Isabel Brant e Maurício Moura.

*Errata em 11/03/2021: Não havia agradecido à minha grande amiga, Kátia Mourão. Foi através dela que conheci esse grupo que tem me levado a outras sendas da leitura literária.


Ficha Técnica:


O Aquário

edição bilíngue

Tradução de Reto Melchior e Maurício Moura

Cornélia de Preux

ISBN-13: 9788569789062

ISBN-10: 8569789068

Ano: 2019 / Páginas: 248

Idioma: português

Editora: LF Publicações 


Perfil do Livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-aquario-11819567ed11819932.html

sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Os possuídos e o amuleto sagrado - A Jornada do Herói no coração de Minas Gerais


Nós que somos amantes da literatura de fantasia estamos muito acostumados a narrativas épicas ambientadas em mundos distantes ou, pelo menos, em um cenário estrangeiro. Até mesmo escritores brasileiros se aventuram a criar narrativas fantásticas em solo norteamericano ou europeu, com nomes em estrangeiros e tudo o mais. Sendo assim, sempre é uma grata surpresa quando nos deparamos com uma narrativa que acontece aqui, em nossas terras. No meu caso, morador de Belo Horizonte, Minas Gerais, fiquei ainda mais feliz ao ter em mãos uma narrativa de fantasia bem escrita com um enredo que se desenrola principalmente em BH.

Romance de estreia de Armando Alves Neto, Os possuídos e o amuleto sagrado conta do jovem Pedro, um rapaz que se considera completamente normal. Dono de uma história incomum, porém, o rapaz acha que ter sido adotado por um velho caminhoneiro não seja nada demais. O que ele ignora são as circunstâncias da adoção. Na véspera de sua ida ao exército, para cumprir o alistamento militar obrigatório, o rapaz encontra uma estranha e bela mulher. A partir desse encontro, Pedro fica conhecendo um pouco mais sobre seu passado e descobre que precisa fugir de Brasília, onde mora.

Assim dá-se início a uma jornada que leva o jovem a Belo Horizonte e, posteriormente, a Lagoa Santa e à Serra do Cipó. Outra jornada, porém, acontece no interior do rapaz, ao descobrir o segredo sobre os possuídos e sua luta contra uma organização sinistra. Seu conhecimento vai se aprofundando, enquanto a trama ao seu redor vai se tornando complexa e ameaçadora. Ele não sabe em quem confiar, pois a única pessoa que realmente conhece havia ficado para trás, em Brasília.

Um ponto a se destacar em Os possuídos e o amuleto sagrado é seu texto, maduro e muito bem escrito. A leitura flui muito bem, com um estilo agradável de se ler, o que é fundamental em uma narrativa com doses de suspense e mistério. Destaco também que as cenas de ação são muito bem escritas, com uma qualidade visual impressionante. Assim, os trechos movimentados passam de forma ligeira, sem contudo o leitor se perder ao imaginar o que acontece. 

Outro elemento interessante na obra é a concepção das personagens. São muito bem descritas e construídas. Armando Alves Neto, porém, não carrega demais nessa construção, de forma que não há descrições excessivas e cansativas. As características e personalidades de cada pessoa vão se destacando ao longo da leitura, de forma bastante natural.

O enredo é também muito bem definido e desenvolvido. É possível perceber que a narrativa se baseou na Jornada do Herói, modelo que orienta a maioria das histórias heroicas, desde a saga de Harry Potter à trilogia O Senhor dos Anéis. Portanto, as revelações e desafios que Pedro terá à sua frente são escalares em um crescendo até um desfecho, que promete a continuação de desafios maiores ainda em volumes seguintes.

Decidi falar pouco sobre os possuídos do título. Essa decisão se dá porque acredito que seja algo muito agradável para cada leitora e leitor descobrir o significado dessa palavra através da leitura. Como moramos em um país cristão (infelizmente, estado laico é só para éticos), a palavra "possessão" é vista sempre com grande carga pejorativa. Desconstruir essa ideia é um exercício muito válido, tanto como experiência estética quanto como possibilidade de expansão de nossa visão de mundo.

Com um texto envolvente, um enredo instigante e ótimas personagens, Os possuídos e  o amuleto sagrado é uma fantástica jornada. Uma história digna de ser lida, compartilhada e sonhada. E que seja a primeira de muitas sobre as descobertas e dilemas de Pedro sobre Os possuídos e o amuleto sagrado.


Ficha Técnica

Os Possuídos e o Amuleto Sagrado 

A Saga dos Possuídos - Livro 1

Armando Alves Neto

ISBN-13: 9788581084671

ISBN-10: 8581084672

Ano: 2016 

Páginas: 422

Idioma: português

Editora: Giostri Editora


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/os-possuidos-e-o-amuleto-sagrado-342272ed383971.html

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

As Mil e Uma Noites - Uma jornada de escuta e afeto



O afeto é algo poderoso. Desde o início desse distanciamento forçado, em que não nos foi possível realizar atividades presenciais, estivemos cultivando nossas relações através das conexões eletrônicas. Encerrados em nossas residências, por dias a fio sem colocar o pé fora de casa, passamos a usar as mídias sociais como forma de manter muitas de nossas relações interpessoais. 

Uma dessas iniciativas foi o grupo da Roda de Leitura da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH. Iniciativa do amigo Wander Ferreira, bibliotecário na BPIJ, os encontros virtuais começaram a acontecer semanalmente. Foi em um desses encontros que soube de uma preciosidade. Em um gesto de grande carinho e compromisso, minha amiga Áurea Lana Leite começou a ler As Mil e Uma Noites, na versão de Antoine Galland, para algumas pessoas, entre elas o próprio Wander e outra amiga, a Kátia Mourão. Ao ficar sabendo dessa notícia, pedi para participar.

Foi assim que teve início minha jornada por essa visão ocidentalizada de uma saga oriental. Digo isso porque Galland, renomado orientalista, fez uma tradução adaptada da obra islâmica, fazendo várias interferências no texto, que considerou violento e de moralidade questionável. Contudo, muito da beleza presente na obra original permaneceu na versão de Galland e foi por esses textos que eu viajei, através da voz da amiga Áurea.

Antes de tudo, preciso comentar da qualidade da voz da leitora. A cadência, o tom, o ar tranquilo, esses elementos auxiliaram na imersão da narrativa. Áurea foi uma narradora ímpar, como excelente contadora de histórias que é. Foi fundamental que a serenidade de sua voz fosse transmitida a nós, ouvintes. Senti-me acolhido por essa leitura. E não apenas isso. A cada novo dia, recebendo um novo áudio, percebia nesse gesto um enorme cuidado. 

E pela voz da Áurea pude literalmente viajar para longe do meu apartamento. Estive em vários pontos do oriente, desde a Bagdá de Haroun Al-Rachid, até os confins do mundo, em lugares mágicos e oníricos. Nessas histórias, pessoas comuns se misturavam a princesas e príncipes. A partir da narrativa de traição da antiga esposa de Shariar, Sherazade foi tecendo relatos de injustiças, jornadas de redenção, buscas pela riqueza e revezes do destino. 

Em um curso que fiz com a mestra Gislayne Matos, aprendi que Sherazade atua como uma grande mentora de Shariar, usando os contos como alegorias para que ele perceba a própria impiedade. E com esses olhos fui observando que de fato muitas mulheres são injustiçadas ao longo de tantas narrativas. E muitas delas reagem a essa injustiça com inteligência e habilidade. Assim, vamos aprendendo com as inúmeras personagens, com seus erros e acertos, sua humanidade.

Foram mais de 300 noites ouvindo com Áurea sobre tantas vidas e mortes. Alguém pode perguntar por que não foram 1001, como o título da obra anuncia. Em determinado momento, as noites pararam de ser contadas no texto. Assim, Áurea continuou a ler, contando as noites da leitura, desvinculadas das noites da narrativa. 

Algo que me incomodou bastante foi a visão pejorativa que o texto carrega contra África e o povo negro. São comentários que sempre colocam as pessoas negras em lugar de vilãs ou escravizadas. Ainda que seja reflexo de uma época e cultura, é importante problematizarmos essa faceta grave de um texto tão seminal.

Com diversas e maravilhosas histórias, As Mil e Uma Noites foi uma narrativa que me fez muito bem em um momento em que eu me sentia assustado e temeroso. A incerteza do mundo, as perversidades do presidente, as mortes sem sentido, tudo isso foi mitigado. Através da voz da Áurea, sentia-me acolhido e fui capaz de sonhar.


Ficha Técnica

As Mil e Uma Noites

Antoine Galland

ISBN-13: 9788520936870

ISBN-10: 8520936873

Ano: 2015 

Páginas: 1120

Idioma: português

Editora: Nova Fronteira


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/as-mil-e-uma-noites-445456ed504724.html

sexta-feira, janeiro 22, 2021

A espiral de Netuno - A vida em vórtice


Uma espiral é um fenômeno curioso. Algo que ocorre na natureza em diversas circunstâncias. Em umas, é inofensivo, como uma concha de um marisco ou de um caracol. Em outras, é algo avassalador, como um tornado, um furacão ou um sorvedouro.

E ao pensar na imagem do sorvedouro, somos remetidos diretamente ao título do livro A Espiral de Netuno. Escrito por Mishal Katz, este livro de poesia está dividido em 3 partes: O Adulto, A Criança e O Futuro.

Na primeira parte, temos poemas questionadores, repletos de amargura, solitude e desencanto com a vida.

Já a segunda carrega um forte maneirismo e um senso de experimentação e curiosidade. Como que simulando o que há de melhor no comportamento infantil, o eu lírico testa, experimenta, transgride. Os poemas zombam da noção de sentido e forma.

A terceira parte, por fim, assume um tom admoestatório. Os poemas surgem carregados de conselhos, assumindo também um tom esperançoso, em contraponto à amargura do Adulto.

Mergulhar na leitura de A Espiral de Netuno foi uma experiência interessante, uma possibilidade para refletir, discordar e também questionar. Era como se os poemas me convidassem a girar sobre meu próprio eixo. Como se o centro do sorvedouro, o fundo da espiral, fosse aquilo que nós, seres humanos, temos em comum: o próprio vazio da existência. 


Ficha Técnica 

A Espiral de Netuno

Mishal Katz

ISBN-13: 9786590195715

ISBN-10: 6590195714

Ano: 2019  

Páginas: 156

Idioma: português

Editora: Katz


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-espiral-de-netuno-984508ed1107904.html



sexta-feira, novembro 20, 2020

Ponciá Vicêncio - Quando a ausência também é forma de luta

Há livros que agem como divisores de águas em nossas vidas. Nesses casos, é impossível passar incólume por estes livros. A leitura deles sempre é um processo marcante e transformador.

Foi assim que me senti ao terminar Ponciá Vicêncio, romance de Conceição Evaristo. Era como se eu estivesse em um processo de troca de pele, sendo que a pele antiga era arrancada, ao invés de se desprender do corpo. Ao mesmo tempo, eu bebia a doçura de cada palavra da narrativa tecida por Conceição. Sorvia com sofreguidão essa narrativa cheia de pungência e afeto. Era também absorvido por ela, como se eu mesmo estivesse me liquefazendo.

Repleta de águas, a obra de Conceição Evaristo tem recebido cada vez mais atenção nos últimos anos. Tive o privilégio de adquirir meu exemplar de Ponciá Vicêncio em um evento que contava com a presença da autora. Assim, tenho o próprio traço anguloso e comprido de Conceição Evaristo na folha de rosto. 

Confesso, porém, uma falha minha. Tenho o romance há anos, mas não tinha separado tempo para empreender sua leitura. Pensava sempre que era preciso aplicar um tempo e um espaço próprios para começar a ler. Posso dizer, contudo, que foram o tempo e o espaço que me escolheram. Em meio à pandemia que tantas vidas ceifa, estive por meses encerrado em meu apartamento, dedicado ao teletrabalho e procurando pensar menos em tanta tristeza e perda que me cercavam.

Comecei então a viajar pelos olhos de Ponciá, sem saber, contudo, que muita tristeza e muita perda me aguardavam.

O romance narra a vida de uma mulher desde sua infância em um interior perdido, sua busca por melhores condições de vida em uma grande cidade e seu posterior envelhecimento. Sem se ater apenas à trajetória da protagonista, cujo nome recebe o título do livro, a narrativa apresenta também outras duas buscas: um irmão pela irmã e uma mãe pelos filhos. 

Temos então três jornadas que se desenrolam de forma íntima e muito similar. As três pessoas, três grandes personagens da obra, estão em busca de algo, além de si mesmas e umas das outras. E nos desencontros, encontros e reencontros essas pessoas vão testemunhando um mundo em que a escravidão e a exploração continuam dolorosamente presentes, até mesmo em seus sobrenomes, "Vicêncio", que foram "emprestados" do sobrenome do antigo dono de seus ancestrais, um tal coronel Vicêncio.

O tom de denúncia é fortemente marcado no romance de Conceição Evaristo. Apesar da crueza e da violência presentes no texto, é importante destacar o lirismo da obra, carregado de afetividade e momentos de singular beleza. Foi possível observar, também, um certo carinho por nossa oralidade, através de marcações presentes no texto, bem como curiosos neologismos, que carregam a marca do lirismo próprio das falas de nossa gente.

É importante destacar, também, que a revolta não se apresenta vazia. Cada personagem reage à violência de forma própria, sem se tornarem meros joguetes do destino. Inclusive Ponciá, com suas ausências, com a herança do avô, com os choros-risos. Há uma resistência até mesmo nessa aparente passividade da protagonista. Apesar da melancolia que vai sendo construída através do patente sofrimento dela, é possível encontrar um resquício de força, que se revela não pela violência, mas pelo afeto, pelo cuidado com os seus.

Com um lirismo arrebatador, uma pungência marcante e um enredo envolvente, o romance Ponciá Vicêncio é uma obra transformadora. Um romance completo em que muitas diversas vidas se convergem e encontram uma voz de esperança contra uma realidade muitas vezes silenciadora.


Ficha Técnica

Ponciá Vicêncio

Conceição Evaristo

ISBN-13: 9788571602618

ISBN-10: 8571602611

Ano: 2006 

Páginas: 128

Idioma: português

Editora: Mazza Edições


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/poncia-vicencio-1070ed1423.html

quarta-feira, outubro 28, 2020

Deixa eu te Contar: Contos de Assombração


No próximo sábado, dia 31 de outubro de 2020, às 19h (18h em Manaus/AM), estarei em uma calorosa conversa com a amiga Soraia Magalhães, do blog Caçadores de Bibliotecas (www.cazadoresdebibliotecas.com), em uma live sobre contos de assombração. Parte do projeto "Deixa eu te Contar", a live terá a presença também de Carolina Brandão e acontecerá no perfil do Instagram do Projeto (@deixaeutecontar_am).

Trata-se de um curso de narração de história promovido pela Universidade do Estado do Amazonas. Assim, terei a oportunidade de conversar sobre a arte de narrar histórias, sobre bibliotecas, leitura, livros e sustos!

Conto com a audiência de todas as pessoas que acompanham meu trabalho. O momento será descontraído, com oportunidade de muita conversa. A melhor parte de um vídeo ao vivo é justamente a interação. Portanto, aguardo vocês!

Correção (29/10/2020): a mediadora será a Soraia Magalhães. A Carolina Brandão fará o papel de anfitriã, participando rapidamente.






quarta-feira, maio 13, 2020

Muito ainda para refletir

Quem tem acompanhado o blog pode observar que minhas últimas reflexões tiveram o olhar sobre as infâncias, suas leituras e os espaços em que elas se atravessam. Ressalto que as reflexões foram motivadas pelas atividades do curso Infâncias e Leituras, realizado pelo Polo Itaú Cultural, em parceria com o Laboratório Emília de formação. 

Refletir e escrever sobre o tema abordado foi muito proveitoso para mim. Destaco o exercício de retorno às origens e memórias de leituras iniciais, o que reforçou ainda mais minha identidade como leitor, escritor e mediador de leitura. Ao final de cada atividade proposta, predominava o sentimento de gratidão pela oportunidade ímpar desse mergulho no passado, o qual proporcionou um melhor entendimento de mim mesmo, de meus propósitos e sentidos na vida.

Reforço que muito mais há para falar e explorar a partir das anotações feitas durante o curso. Continuarei a compartilhá-las aqui e conto com as leituras das pessoas que aqui comparecem, para podermos expandir ainda mais nossos horizontes. 

domingo, abril 19, 2020

Vídeo: A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum - Joel Rufino dos Santos e Walter Ono


Quem está pra cima? E quem está pra baixo? Essa é a grande discussão entre dois garotos, cada um morando de um lado do planeta de Tatipurum. Para resolver a desavença e encerrar a questão, só com a Pirilampéia. Mas como? Veja e descubra!

Ficha Técnica 
A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum 
Joel Rufino dos Santos 
Ilustrações de Walter Ono
Ano: 1992
Páginas: 32
Editora Ática

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-pirilampeia-e-os-dois-meninos-de-tatipurum-221987ed248463.html

quarta-feira, abril 15, 2020

Reflexões sobre leitores e leituras

Trabalho ativamente como mediador de leitura há quase dez anos. Existem duas dimensões quando falamos dessa mediação. A primeira, é a dimensão prática, o trabalho diário com os leitores. Já a segunda é a dimensão reflexiva. Pensar nossa atuação como mediadores é fundamental para o desenvolvimento de estratégias cada vez mais eficazes. 

Dessa forma, é importante refletir sobre o objeto de nossa atuação. O que a leitura representa para nós? Existe a conceituação acadêmica, mas para mim, a leitura também atravessa aspectos afetivos e identitários. Pensar a leitura também significa pensar em quem sou como pessoa.

Leitura vai muito além de decifrar um texto escrito. Há uma extensa discussão conceitual sobre isso. A meu ver, a leitura é a produção de sentido através da inferência e da interpretação de um texto, relacionando seus sentidos com a bagagem de conhecimento do leitor. 

Sendo assim, cada leitura é única, pois cada leitor também o é. Além disso, um texto pode ser uma sequência de sinais gráficos ou uma tela de cinema, ou uma melodia. Desta maneira, quanto maior nossa bagagem de conhecimento, maior a variedade de ferramentas para enriquecer os sentidos que produzimos ao ler.

É importante que cada leitor valorize e respeite sua trajetória pessoal. O pertencimento e a familiaridade são muito importantes para a construção de um ambiente rico de possibilidades. Acredito que cada experiência e trajetória são valiosas na composição de cada sujeito leitor. As memórias de infância e sua relação com a fabulação propiciam uma disposição para a leitura e para a experimentação de novas narrativas.

Como dito anteriormente, cada leitura é única. Ler um texto novamente se torna uma experiência diferente da leitura acontecida em sua primeira vez. A diversidade de leitores também proporciona a diversidade de leituras. Diante disso, cada mediador precisa manter uma postura de escuta ativa e acolhimento.

Como disse Antônio Cândido, todo ser humano necessita de fabulação. A leitura literária permite esse fenômeno, assim como outras linguagens artísticas. Na literatura, porém, o foro é mais íntimo. A imaginação é estimulada ao máximo. Na leitura literária, o leitor não apenas adquire vocabulário e conhecimento. Ele adquire experiência sinestésica e cultiva a empatia pela diferença.

Ainda parafraseando Antônio Cândido, se a literatura é uma necessidade básica, ela também é um direito inerente ao ser humano. Garantir a cada pessoa o acesso ao universo literário é garantir um mundo um pouco mais justo.

Por fim, o mediador precisa se apresentar como alguém acessível, empático, disposto a aprender com seu público, a construir junto uma trajetória de leitura. Ao mesmo tempo, ele precisa se comprometer com a pesquisa, com a busca por novos horizontes literários, de forma a apresentar ainda mais possibilidades a cada um de seus leitores.

Atualização de 25/04/2020 - Caso alguém tenha ficado em dúvida quanto ao termo "leitura literária", esclareço que se trata da leitura para além de seu aspecto puramente pragmático, não se resumindo apenas à decodificação de sinais linguísticos, mas também  um exercício estético de apreciação da literatura, devaneio da imaginação e da fruição poética.

domingo, abril 12, 2020

Vídeo: Crespim - Jussara Santos e Vivien Gonzaga

Crespim é um anjo diferente. Não quer tocar harpa ou trombeta. Quer tocar percussão. Assim, ele apronta a maior confusão. Seu desafio é unir um amor meio atrapalhado. Ele conseguirá? Vamos descobrir!



Ficha Técnica 
Crespim
Jussara Santos  
Desenhos de Vivien Gonzaga 
Editora Impressões de Minas

sexta-feira, abril 10, 2020

Tatu-balão - Uma amizade que transforma

Um sonho inalcançável. Ou era o que parecia. Afinal, como poderia um tatu-bola voar, virar pássaro, ou nuvem, ou folha ao vento? Tornar-se um ser diáfano, leve, qual pluma? 

Todo o dia a história era a mesma: O pequeno Tatu-bola subia um alto morro e pulava, para alcançar o azul. Porém, como era de se esperar, o teimoso animal descia a ribanceira rolando, a despeito de suas tentativas de alçar voo.

Assim começa a narrativa poética e bem-humorada de Tatu-balão. Escrito por Sônia Barros e ilustrado por Simone Matias, este livro da editora Aletria conta uma história um tanto incomum. A exemplo do sapo e da tartaruga que desejam ir à festa no Céu, o sonhador Tatu-bola tenta, obstinadamente, alcançar o que lhe parece inalcançável. Apesar das quedas, o protagonista não desiste. E essa persistência o fará encontrar alguém que mudará para sempre sua vida.

Narrado em versos, num ritmo cadenciado e bem estruturado, o texto convida ao encantamento e ao jogo através das rimas. A obra apresenta desenhos de uma delicadeza e sensibilidade, com cores suaves que lembram um céu claro, com nuvens ao entardecer. Desta forma, os desenhos vão de encontro com a beleza do texto poético.

É importante ressaltar que Sônia Barros recebeu Prêmio Paraná de Literatura nos anos de 2014 e 2017. Seu apuro com as palavras e com a linguagem é reconhecido e sua contribuição à literatura alcança todas as idades.

Com graça e balanço, repleto de traços harmoniosos, de uma beleza suave, Tatu-balão é uma obra que ressalta o poder do sonhe e da amizade para transformar o mundo.

Ficha Técnica:
Tatu-balão
Sônia Barros
Simone Matias
ISBN-13: 9788561167783
ISBN-10: 8561167785
Ano: 2015 
Páginas: 36
Idioma: português
Editora: Aletria


sexta-feira, abril 03, 2020

É m livro - Humor e reflexão no passar das páginas

Ontem, dia 2 de abril de 2020, foi comemordo o Dia Internacional do Livro Infantil. A data foi escolhida em ocasião do nascimento de Hans Christian Andersen, um dos maiores nomes da literatura infantil e dos contos de fadas do mundo. Para não deixar a data passar batido, resolvi então falar sobre o próprio livro em si, através do engraçado e criativo É um Livro, de Lane Smith.

Um macaco está sentado, tranquilamente lendo seu livro. Até que um burro se aproxima e pergunta o que ele tem em suas mãos. "É um livro" - responde o macaco. Começa assim um engraçado diálogo em que o burro, um entusiasta da tecnologia, tenta entender um objeto que não entra na internet, não acessa o Twitter, não manda mensagens, não precisa de senha, log in e nem de bateria.

Através do divertido diálogo, o objeto livro é apresentado ao leitor, num divertido jogo de significados. Este objeto vai sendo apresentado justamente pelo que não é, mediante o contraste com as características que smartphoes e gadjets ostentam ao serem operados por seus usuários.

E interessante observar o traço suave de Lane Smith com desenhos longos e arredondados, algo que a pesquisadora Yolanda Reyes aponta como elementos visuais atrativos para os bebês e demais pequenos leitores. As texturas remetem ao giz de cera, tão comum em atividades artísticas infantis.

Outro ponto a se observar é a homenagem que o autor faz à literatura universal ao mostrar qual livro o macaco está lendo. Ao mesmo tempo, ele faz uma brincadeira com a linguagem abreviada que os jovens utilizam para trocar mensagens.

Vale também apontar o aspecto interativo que o livro tem em si. E não estou falando apenas do alvo desta resenha. Ao observarmos como os bebês manuseiam os livros, podemo perceber que há nestes objetos características interativas que representam a própria ideia de tempo e sucessão. As páginas podem ser passadas, pode-se adiantar e retornar nas mesmas. Todo livro é antes de tudo um brinquedo.

Com um humor inocente e desenhos que primam pela estética, sem perder a jovialidade, É um Livro certamente é um boa pedida para ser o primeiro livro de alguém. Seja este alguém de qualquer idade.



Ficha Técnica
É um Livro
Lane Smith
ISBN-13: 9788574064512
ISBN-10: 8574064513
Ano: 2010
Páginas: 32
Idioma: português
Editora: Companhia das Letrinhas


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/e-um-livro-132166ed146594.html

sexta-feira, março 20, 2020

Vídeo: Os três soldados e a princesa nariguda - Irmãos Grimm

Era uma vez três soldados já velhos, que foram dispensados pelo rei sem nenhuma aposentadoria. Assim, eles tiveram que...

Quer saber o resto? Assista! Este conto está no livro "Contos maravilhosos infantis e domésticos", dos Irmãos Grimm. Editora Martins Fontes.

Feliz Dia do Contador de Histórias!

Histórias de todos os cantos!

quinta-feira, março 19, 2020

Dia do Contador de Histórias 2020

Dia 20 de março é celebrado o Dia do Contador de Histórias. Para não deixar passar batido em um momento em que o país precisa se recolher, nós estaremos contando histórias online, com a hastag #históriasdetodoscantos. Serão 24 horas de histórias. Assim, Quem quiser acompanhar pelo Facebook, basta acessar o link: https://www.facebook.com/Hist%C3%B3rias-de-todos-os-cantos-101286441515296.


Eu estarei em meu perfil do Instagram @neritosamedi contando uma história recolhida pelos Irmãos Grimm. Deixo o nome escondido, será uma surpresa...

Quem quiser me assistir, basta acessar meu Instagram às 7h da manhã. 

Até lá!

quarta-feira, março 11, 2020

Uma tarde celebrada com histórias e livros

O Centro Cultural Vila Santa Rita está realizando, entre 9 e 13 de março, o Vila Lê. Convidados para o evento, fomos contar histórias. O auditório estava lotado. Duas amigas, Jéssica e Daiane, estreavam  suas apresentações. Cada uma e cada um tínhamos nossos perfis de histórias e apresentações.

Ficamos com medo, sim. Inseguros, com toda certeza. Porém, diante da energia e disposição daquelas crianças de 4 e 5 anos, fomos tomados pela mesma força. Em sintonia, contamos nossas histórias, lemos livros e trocamos afetos.

Meus agradecimentos especiais à equipe do CCVSR pelo convite e confiança, em especial à Shirley e ao Mateus, que dividiram conosco o palco. E por falar em palco, saúdo Eva Martins, Daiane de Aquino Simão e a Jéssica da Mota Menezes. E, por último, o Rodrigo Teixeira, que uma criança perguntou se era meu irmão gêmeo.

Lembrando que o Vila Lê continua até sexta. Convido a todas e todos a acompanhar a programação, que está maravilhosa. 

Que continuemos a celebrar as histórias, os livros, as proximidades e afetos que a arte proporciona. Que estejamos sempre de mais dadas e sempre perto. Sempre.