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| wal_172619 |
No rastro do tempo
cofio as barbas de eras
ferido estou de morte
meu crepúsculo se avizinha.
Naquilo que eu mais amo
sinto minha perdição.
Sou daqueles lentos
para profundos entendimentos.
Na cicatriz da memória
repousa o engano.
Sonhos que se fizeram areia
assoprada para longe
A espada cega
enfiada em minha carne
até os ossos.
O que fazer
se toda memória
é uma cicatriz?
Deixar a dor de viver
dilacerar a mente até
tudo fazer algum sentido?
Afago a própria ilusão
de felicidade.
Sobre os escombros de minha
ruína particular.
Onde ninguém mais
pode alcançar.
Poema de abertura do meu livro Cicatriz (Litteralux, 2024).

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