quinta-feira, agosto 20, 2026

Toda memória é uma cicatriz

wal_172619


No rastro do tempo 

cofio as barbas de eras 

ferido estou de morte 

meu crepúsculo se avizinha. 


Naquilo que eu mais amo 

sinto minha perdição. 

Sou daqueles lentos 

para profundos entendimentos. 

Na cicatriz da memória 

repousa o engano. 


Sonhos que se fizeram areia 

assoprada para longe 

A espada cega 

enfiada em minha carne 

até os ossos.


O que fazer 

se toda memória 

é uma cicatriz? 

Deixar a dor de viver 

dilacerar a mente até 

tudo fazer algum sentido? 


Afago a própria ilusão 

de felicidade. 

Sobre os escombros de minha 

ruína particular. 

Onde ninguém mais 

pode alcançar.


Poema de abertura do meu livro Cicatriz (Litteralux, 2024).

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