quinta-feira, agosto 05, 2021

A Coluna Literária celebra a chegada do FLI-BH


Está chegando no universo online o 4º FLI-BH - Festiva Literário Internacional de Belo Horizonte. Celebrando esse momento, a Coluna Literária lançou uma edição especial, falando sobre as mentes por trás desse maravilhoso trabalho. O tema escolhido é VIRANDO A PÁGINA: Livro e Leitura tecendo amanhãs. As curadoras do Festival são Madu Costa e Ana Elisa Ribeiro. A homenageada é a Mazza, Maria Mazarello Rodrigues, criadora da primeira editora voltada à literatura negra no Brasil. A identidade visual do festival leva o nome do monumental Nelson Cruz.

Em boa companhia com o Festival, dentro da programação do mesmo, acontece o Seminário "Adolescer: Sujeitos e Percursos Literários", que marca os 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Nele, participarei da última mesa, compartilhando o espaço com pessoas maravilhosas, a Ana Paula Cantagalli, a Érica Lima e o Rodrigo Teixeira, que será o mediador. A nossa mesa leva o título "Uma biblioteca para as juventudes". 

A programação completa pode ser acessada lá no Portal Belo Horizonte



(Descrição das imagens: Imagem um - fundo azul em dois tons, sendo o inferior azul claro e o superior azul escuro. Escrito em destaque está escrito "Edição especial fli-bh Coluna Literária aproximando pessoas, livros e bibliotecas". Imagem dois - em fundo amarelo e branco, uma faixa azul com a inscrição Seminário adolescer: sujeitos e percursos literários". À direita, a logomarca do fli-bh. Abaixo, as fotografias de Ana Paula Cantagalli, mulher de perfil direito, pele clara olhos grandes e cabelo preto liso, sorriso discreto, Érica Lima, mulher de perfil esquerdo, pele clara, óculos quadrados, cabelos castanhos anelados, sorriso aberto, e Samuel Medina, homem de frente, de pele clara, óculos quadrados, barba, sorriso, cabelo comprido castanho e liso. Abaixo, no fundo branco a fotografia de Rodrigo Teixeira, homem de pele clara, óculos quadrados, cabelo preto, comprido e anelado. À direita, o selo de 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil e o selo de acessibilidade em Libras).

quarta-feira, agosto 04, 2021

Genki Dama


O homem 

mais forte 

do mundo

só existe

quando todas

as outras pessoas 

erguem as

Mãos

E cedem 

nem que seja

Um pouquinho 

de sua força.

terça-feira, agosto 03, 2021

Justiça seja feita



Há um bom tempo, fiz uma postagem falando dos eventos que participei como ouvinte e acabei não falando do Segundo Encontro Mineiro de Bibliotecas Comunitárias. Falha minha. Com tantos eventos acontecendo simultaneamente, acabei deixando passar este, que é tão importante quanto os demais e com uma riqueza enorme de discussão e reflexão.

Como alguém que deseja guardar histórias, compartilhá-las, lembrá-las, acho fundamental falar deste evento, que teve à frente a rede de bibliotecas comunitárias Sou de Minas Uai.

O Encontro aconteceu em três dias: 21, 23 e 25 de junho, através da plataforma Zoom.

A primeira conversa contou com Sol Barreto, Marília Paiva e César Júnior, com mediação de Túlio Damascena e intervenção literária de Lourdinha Reis. O tema foi "Dinâmica e ações de incentivo à leitura". 

A segunda contou com Mônica Verdam, Macaé Evaristo e Fabíola Farias, com mediação de Agripina Vieira e intervenção literária de César Júnior. O tema foi "A incidência das políticas públicas do livro e mobilização de recurso".

A terceira e última conversa teve a participação de Renato Negrão, Carol Fernandes e Lavínia Rocha, com a mediação de Talita Rocha e Sãozinha na intervenção literária. Para fechar o encontro, o tema que norteou a conversa foi "Entre autores".

Foram três noites de rico diálogo. Nós, participantes, fomos continuamente provocados pelas falas tão ricas, em especial da Macaé Evaristo e da Fabíola Farias.

Que os próximos encontros sejam tão ricos quanto este. E que nós possamos cada vez mais apoiar a rede de bibliotecas comunitárias de nossas cidades e seus entornos.

E para quem quiser conhecer a rede Sou de Minas Uai, basta acessar sua página na internet: https://www.soudeminasuai.com/.

segunda-feira, agosto 02, 2021

Sarais



Ele me disse 

que ia aos sarais 

de toda a região. 

Alguém debochou 

E disse que a palavra 

tinha que ser 

"saraus".

Mas o deboche 

não viu 

É nessa roda 

de poesia que 

tantas pessoas saram 

seus ais

domingo, agosto 01, 2021

Vídeo: Vi Teófilo Otoni Florir - Brenda Linda Medina Lages



Homenagem de Brenda Linda Medina Lages à sua cidade natal, Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Vi Teófilo Otoni Florir

Mais do que flor no jardim

Vi Teófilo Otoni Florir

Quis o Ipê Roxo pra mim

Ipê Roxo, Ipê Amarelo

Não importa sua cor.

Ao longo do rio eu te vi

Isso fez encher meu coração de amor

Fez também amar mais

A cidade onde eu nasci

Teófilo Otoni das Gerais

Sou apaixonada por ti

(Descrição do vídeo: mulher de pele marrom clara, cabelos grisalhos e encaracolados sorri e recita poema para Teófilo Otoni-MG. A mulher usa uma camisa preta debaixo de um casaco cinza de lã. Usa um óculos de armação rosada no alto da cabeça para prender os cabelos.)

sexta-feira, julho 30, 2021

O tigre que veio para o chá da tarde - Quando a vida apronta uma daquelas



Está tudo pronto para o chá. De repente, um tigre faminto chega, pedindo comida! É isso mesmo. Você não se equivocou. O livro conta o que o título já avisa.

O problema é que o tigre parece insaciável. Não tem problema. Deixe-o comer. Mãe e filha fazem isso, sempre encarando a situação com bom humor e doses enormes de afeto.

Judith Kerr traça então uma narrativa inusitada com total naturalidade. Atônito fiquei eu, enquanto lia. E curioso para saber como mãe e filha resolveriam a questão.

O livro O tigre que veio para o chá da tarde é uma daquelas obra sensíveis e poeticamente misteriosas, que exigem de nós certa dose de fabulação e conformidade. Não adianta estranharmos a situação inusitada. Ou melhor, adianta, sim. Talvez seja esse o desejo da autora.

Enquanto li, eu ficava cada vez mais surpreso com os acontecimentos. Não podia deixar de ter alguns calafrios com o sorriso enigmático do tigre. Era como se ele sempre escondesse alguma coisa, ou estivesse pronto para a qualquer momento devorar a menina e sua mãe.

Mas assim é a vida: Pronta para puxar nosso tapete e nos virar de ponta-cabeça. Em situações assim, o que devemos fazer? De repente, dar uma cambalhota!

(Descrição da imagem: Fotografia de mão de pele clara que segura um livro. A capa do livro tem fundo branco, criança de cabelos amarelos sentada em uma mesa, de frente. À direita, tigre também sentado à mesa. A criança está de blusa azul, vestido roxo e meia calça xadrez. Calça sapatos pretos. Ela está de perfil direito. Já o tigre está de frente, com as patas dianteiras pousadas sobre a mesa.) 


Ficha Técnica

O tigre que veio para o chá da tarde

Judith Kerr

Tradução de Érico de Assis

ISBN-13: 9786555110791

ISBN-10: 6555110791

Ano: 2021 

Páginas: 32

Idioma: português

Editora: HarperCollins


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-tigre-que-veio-para-o-cha-da-tarde-11809265ed11810037.html

quarta-feira, julho 28, 2021

Para todo mundo


O direito à saúde e à vida deveria ser um direito de todas as pessoas. Infelizmente, há quem as transforme em mercadoria. E desta forma, quem tem pode pagar. Mas e quem não tem?

Meu sonho é que todas necessidades das pessoas se tornem direitos básicos. Meu sonho é que ninguém precise se degradar para ter a saúde que precisa, ou a cultura, ou os alimentos. A humanidade pode fazer isso. Sim, a humanidade pode ser melhor.

Na última quinta-feira, dia 15 de julho de 2021, eu recebi a primeira dose da vacina contra COVID-19. Dois dias antes, quando eu soube que minha faixa etária (39 anos) seria contemplada pela campanha de vacinação aqui em BH, senti meu coração pular de alegria. Eu me senti literalmente privilegiado. E um sobrevivente.

Só de pensar que tantas pessoas mais jovens e mais saudáveis que eu morreram de uma doença que já tem vacina, percebo o absurdo do mundo em que vivemos. Ao mesmo tempo, só de pensar que, se não fosse o SUS, talvez a vacinação estaria muito mais atrasada do que já está, percebo como o SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE é um gigante, um poderoso aliado para a nossa saúde, de todas as pessoas que vivem neste país. 

Por isso, sempre que souber de mais uma pessoa vacinada, sempre que for informado sobre uma nova faixa etária contemplada na campanha de vacinação, não irei hesitar. Vou vibrar e dizer: VIVA O SUS!

Descrição da imagem: Fotografia onde eu estou vestido com uma camiseta de cor vinho. Na camisa está estampado o desenho de um jacaré. À direita, recebo no braço a injeção da vacina. Sou branco, tenho os cabelos amarrados para trás, estou de máscara azul e óculos retangulares. 

segunda-feira, julho 26, 2021

Sinto saudade dos abraços


Sinto saudade dos abraços.

Dizer isso é pouco.

Sinto falta do toque 

do calor. 

Desse pertencimento 

que só se transmite assim, 

pele na pele. 

Ai como sinto 

com toda força 

o não sentir.

sexta-feira, julho 23, 2021

O Crime do Cais do Valongo - O poder das vozes de além




É difícil falar de um livro tão complexo e rico como O crime do Cais do Valongo. Escrito como uma narrativa composta, com mais de uma voz, o texto de Eliana Alves Cruz nos brinda com um enredo envolvente, com motivo histórico, mostrando que muitas de nossas mazelas são antigas.

No romance, conhecemos Nuno, um rapaz jovem e alegre, amante da vida e muito esperto. Por saber que, sendo mestiço, tem poucas chances de ascensão social, Nuno busca nos negócios uma chance de melhorar sua vida. O problema é que o jovem tem uma dívida com um português, aparentado com o Intendente Geral de Polícia, que responde diretamente a D. João VI.

A situação se complica para Nuno quando o credor da dívida aparece morto e seu corpo, mutilado. Temendo que a culpa caísse sobre ele, o jovem inicia uma investigação por conta própria, enquanto se aproxima do responsável pelo caso, o intendente em pessoa.

Além da voz de Nuno, temos também Muana Lómuè. Ela foi escravizada e trabalhava para a vítima. Moçambicana, Muana tem poderes que os olhares europeus não conseguem explicar. Muana fala de seu povo, macua, e sua Grande Mãe, Nipele. Muana tem capacidade de enxergar os mortos. Há outras duas personagens que trabalhavam para a suposta vítima: Roza e Marianno. Cada um deles tem características marcantes e poderes misteriosos.

Enquanto acompanhamos as vozes de Nuno e Muana, vamos nos questionando qual seria o verdadeiro crime. Não seriam os horrores provocados pelos traficantes das pessoas escravizadas? Cada capítulo se abre com um anúncio de jornal e alguns deles são de pessoas vendidas para o tráfico de escravizados. Os anúncios foram de fato consultados em documentos dos jornais do Brasil colonial. E mostram a vileza dos portugueses em negociar vidas inocentes, inclusive crianças. 

Um elemento interessante é que a autora com sua obra homenageia o romance policial, com reviravoltas e mistérios que envolvem cada personagem. O livro, porém, não é um romance policial e sim uma obra de denúncia social e um romance histórico. Uma obra poderosa sobre a resistência de povos que foram retirados à força de sua terra, mas que lutaram para que sua terra não fosse arrancada deles.


Ficha Técnica

O crime do Cais do Valongo

Eliana Alves Cruz

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ISBN-13: 9788592736279

ISBN-10: 8592736277

Ano: 2018 

Páginas: 202

Idioma: português

Editora: Malê


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-crime-do-cais-do-valongo-782206ed787048.html

segunda-feira, julho 19, 2021

A moça na janela

Imagem de Frank Winkler por Pixabay 

Ele morava sozinho. Uma das janelas do seu apartamento dava para uma casa abandonada.

Uma noite, ele acordou e não conseguiu mais dormir. Foi beber uma água. Enquanto virava o copo na boca, olhava distraidamente pela janela.

Havia uma luz na casa abandonada. Era uma luz fraca, de lamparina, candeeiro. Ele não deu muita importância. Até que a imagem de uma bela moça surgiu na janela. A moça era jovem e tinha uma beleza melancólica. 

No dia seguinte, ao ir para o trabalho, passou em frente à casa. Ela tinha a mesma imagem de decrépito abandono. Achou que havia sonhado.

A insônia continuou. Era sempre no mesmo horário que ele despertava e perdia o sono. Da cozinha, via a moça melancólica. Uma noite, ele percebeu que a moça se despia sob luz da lamparina. Excitado, ele não conseguia tirar os olhos dela.

Quando então a moça virou-se para a janela e fitou o rapaz. Ele estremeceu, enquanto ouviu alguém sussurrar em seu ouvido esquerdo:

- Tá olhando o quê?

sexta-feira, julho 16, 2021

Nós: Uma antologia de literatura indígena - As vozes de todos no silêncio de cada um


Para quem acredita no na ilusão de "povo brasileiro", como se fôssemos uma só nação, certamente sua ideia acolhe um grande equívoco. No início da invasão europeia, a terra que no futuro se tornaria Brasil era formada por várias etnias diferentes, cada uma com sua língua, cultura e valores. Mais de quinhentos anos de massacres não conseguiram, felizmente, calar muitos desses povos, que continuam firmes em sua luta de resistência. E eles continuam a contar suas histórias. E algumas delas estão reunidas no livro Nós.

Nós é uma antologia de contos indígenas. Organizado por Maurício Negro, o livro traz contos que abordam a vida na comunidade, bem como recontos de mitos de origem, sempre primando pelo tratamento literário. Ao final de cada conto, há uma nota sobre o povo representado na narrativa, bem como uma nota da autoria. São 12 pessoas que assinam os contos, que são 10.

As narrativas abordam o amor, a amizade, a morte e a origem Algumas estão situadas em um relativo presente; já outras remontam o tempo mítico, em que humanos, animais e plantas falavam a mesma língua.

Foi bom conhecer tantas diferentes visões de mundo. Até a forma de falar apresenta um tom coloquial que não deixa de ter certa cerimônia, certo tom solene, como se assumisse um ar sagrado para a palavra.

Maurício Negro assina também as ilustrações. Seu traço busca homenagear as feições dos povos originários, sem cair no figurativo, muito menos no caricatural. São desenhos que mostram o propósito do ilustrador de homenagear os povos originários.

Com o texto de quarta capa assinado por Daniel Munduruku, Nós é um mergulho no meio de muitas vozes. E tal mergulho deve ser feito com respeito, com oferta de escuta. Como se na voz de todos estivesse guardado o silêncio de cada um.


Nós: Uma antologia de literatura indígena

Vários autores.

Organização de Maurício Negro

ISBN-13: 9788574068640

ISBN-10: 8574068640

Ano: 2019 

Páginas: 128

Idioma: português

Editora: Companhia das Letrinhas


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/nos-918784ed925269.html

quinta-feira, julho 15, 2021

Grupo Afeto - Conta Comigo


No próximo sábado, terei o privilégio de participar da laive Conta Comigo, do Grupo Afeto. Será um momento maravilhoso de histórias, brincadeiras e muito Afeto. Venha assistir e prestigiar! Conto com a presença de todes!

Sábado 17/07/2021 às 16h, no Instagram do Grupo Afeto!

quarta-feira, julho 14, 2021

O que é felicidade

Imagem de Free-Photos por Pixabay

O menino tinha um amigão. Era um amigo do peito. Especial. Eles estudavam na mesma escola, na mesma sala. Um dia, a professora deu um dever para a sala. Era para responder: O que é felicidade? O menino ficou aflito. Espremeu a cabeça um montão de vezes, mas a folha continuava em branco. Uma menina já de primeira falou, alegre: "Felicidade é quando minha mãe chega em casa". O menino gostou daquela resposta. Que pena que ele não tinha pensado naquilo.

O amigão chamou o menino para dormir na casa dele. Foi muito legal. Comeram sanduíches, tomaram sorvete, jogaram videogame até tarde. Seria aquilo a felicidade? O menino ficou pensando, antes de dormir.

No dia seguinte, foram tomar café com a família do amigo. O pai do amigo não estava, mas chegou ainda no meio do café da manhã. Ele passou a mão na cabeça do amigo, fazendo um cafuné nos cabelos bagunçados dele. Chamou o amigo de "filhão".

O menino sentiu uma coisa estranha no peito. Um tipo de buraco. Não conseguia se lembrar do seu pai. Nem sabia se tinha pai. Ficou na dúvida, perguntando para si mesmo se ele tinha ou não tinha pai. E se ele não tivesse pai? O que ele teria feito de errado para não merecer um pai?

E foi nessa hora que o menino entendeu. Foi nessa hora que ele descobriu que felicidade era ter um carinho como aquele. Felicidade era ter um pai pra chamar a gente de "filhão".

segunda-feira, julho 12, 2021

Muitas vezes


Muitas vezes 

me disseram 

para não andar

olhando 

pro chão. 

Mas esqueceram 

de dizer 

quantas pequenas belezas 

perto do chão estão!