sábado, agosto 01, 2026

Prosa Poética de 30 de junho de 2026

Objeto provocador



Epílogo


Então aconteceu o inevitável: o ser humano alcançou os limites do Universo. Ultrapassou a Via Láctea. Em seguida, cruzou todas as galáxias no caminho. Incontáveis anos-luz foram finalmente contados, pois a distância foi vencida.

No Planeta-Mãe, que havia eras deixara de se chamar “Terra”, trilhões de pessoas aguardavam a transmissão do momento em que o Fim do Universo seria alcançado. Não havia pessoa humana que não tivesse os olhos colados em seu transmissor virtual. “Olhos” é forma de expressão, uma vez que, com os implantes cibernéticos, as telas surgiam dentro da mente do espectador, em seu campo de visão. Já aqueles que haviam contratado a cobertura premium poderiam curtir uma simulação em tempo real, como se fossem parte da corajosa tripulação. Ou poderiam ser um corpo celeste próximo do evento, ou até mesmo o próprio módulo espacial.

As colônias humanas, tão numerosas quanto os corpos celestes, tamém acompanhavam o resultado da expedição. Ninguém falava de outra coisa. O limite final havia sido por fim alcançado. O módulo, ironicamente batizado de “Babel”, iria concluir um mito antigo, unindo os seres humanos em um só coração, uma só alma, uma só mente. 

Então, o módulo enfim chegou. Era ali, o limite. O final. A fronteira. Era lisa. Impenetrável. Invisível. O veículo espacial só não colidiu e foi estraçalhado porque os sensores captaram a misteriosa energia da barreira a tempo.

O ultra computador de bordo analisou a composição da barreira. Constatou ser ela feita de uma partícula nunca antes identificada. Prosseguiu a análise e buscou projetar o formato da barreira, que de fato não era reta, mas curva. Apesar das dimensões astronômicas, foi possível ao ultra computador valer-se da capacidade de processamento via léptons, compartilhada por outros computadores espalhados pelas colônias e também no Planeta-Mãe.

Ao fim de uma década, foi possível concluir os cálculos necessários e criar um modelo da barreira. Era côncava. Para dentro. E propagava-se por todo o Universo, até fechar-se em si mesma, encerrando toda a matéria.

O Governo Universal tentou ocultar a verdade, mas já era tarde. A hiperconectividade impediu o abafamento e logo os remanescentes da Mídia Livre alardeavam a Manchete, dando ao Universo a alcunha de Mônada

As tentativas de romper a barreira foram várias. Um modelo teórico apresentou a hipótese de que a energia necessária para realizar um furo de meio centímetro na barreira seria equivalente àquela usada para manter unida toda a massa presente no Universo. Para romper a barreira, seria necessário detonar em fissão nuclear todos os átomos presentes em seu interior. 

Esse foi o princípio do fim. Bastou saber-se aprisionado, o ser humano sucumbiu. A claustrofobia espalhou-se qual epidemia. Mundos inteiros detonaram suas ogivas, pulverizando-se. Guerras sobre guerras coroaram a angustiante insânia. A Vida em todo o Universo acabou. 

Do lado de fora da Mônada, A esfera que ela de fato era repousava em uma estrutura, junto com muitas outras. Esta estrutura de dimensões impossíveis girava, movida por uma alavanca. E os Eternos aguardavam qual esfera seria por fim tirada no sorteio. 


Perfeita 


A Face lisa 

e fria 

Ovo 

Núcleo 

Fato 

Fausto 

É impossível 

haver Vida 

nela. 

Apenas promessa. 

Ao abandonar 

enfim 

a perfeição 

Será quando 

poderá 

de uma vez por 

todas 

Viver. 


Prosa Poética da Tarde 


Lampejo 


Superfícies oníricas 

evocam reflexos 

diáfanos. 

Aturdido estou. 

Ofuscado. 

A luz era muita 

refratada 

em múltiplas faces 

prismáticas. 

Mundos inteiros 

surgiram assim. 

Depois, deixaram 

de existir. 

Eu apenas continuei:

Desejo.


Fato


Aquela colina 

já abrigou um Castelo.

Nuvens passaram 

ventos 

chuvas. 

Hoje nada resta 

do que um dia 

foi 

agremiação de pedras 

a acolher 

amores e 

intrigas. 

O Senhor Castelão 

possuía 

dois olhos de vidro. 

“Para ver longe”, dizia. 

Espiava o futuro 

distante 

e via apenas pradaria. 

Não compreendia. 

Foi incapaz de enxergar 

a própria 

Ruína. 


Ode


Faltam vinte minutos 

para o Fim do Mundo. 

Num canto escuro, 

as crianças se encolhem. 

Abraçam os joelhos e 

tremem. 

A cozinha está 

só poeira. 

As janelas 

exibem vidros 

quebrados. 

Mãos pequenas 

se cortaram 

nos cacos. 

O tempo 

mordeu os anos. 

Rasgou pele 

moeu ossos. 

Ninguém 

foi capaz 

de impedir. 

Apenas um único 

observador 

Testemunhou 

E, resignado, 

compôs uma ode. 


Lamentação 


Aquela 

era a casa 

mais sozinha 

do mundo. 

Num mundo 

mais sozinho 

que todos 

os outros 

do universo. 

Por mais 

estrelado 

que seja o 

céu 

cada estrela 

vaga solitária no 

Vazio. 

Triste. 

Lúgubre. 

Melancólico. 

É o olhar 

de quem escreveu 

este poema. 


Traste


Começar de um jeito 

e terminar de outro 

é algo demasiadamente 

humano. 

Ainda assim, 

tremo. 

O desprezo 

que sinto 

diante do espelho 

embrulha meu 

estômago 

Faz a bile dançar 

em meu 

esôfago. 

Preciso de afago. 

Mas nada espero. 

Um cão vadio 

vale mais. 

Ainda que seja 

hidrófobo. 

Sabe aquele cuspe 

que em breve 

vai secar? 

Pois é 

Sou eu. 


Alerta 


Depois deste poema 

o mundo terá acabado. 

O último deverá 

apagar a luz 

fechar a porta 

e desaparecer 

para sempre. 

Deus acordou 

do sonho que chamou 

“humanidade” 

e convenceu-se 

de que era 

pesadelo. 

Em vingança, 

quis existir 

no coração dos homens 

para aí fazer habitar 

o horror e o pesadelo. 

Foi assim que nasceu 

o Mal. 

Esse mesmo que vai 

devorar a carcaça do 

Mundo 

Agora 

que ele acabou.

segunda-feira, julho 06, 2026

Blog e Substack - Intenções e Devaneios

 Ideias, ideias, ideias...


Faz muito tempo que não escrevo por aqui. A intenção seguia firme. Porém, havia outras intenções ligadas a este espaço. Ideias, ideias, ideias. E nenhuma posta em prática. Com isso, segui mantendo este lugar no limbo. 

Um dos impedimentos para publicação é que eu tenho tentado manter uma prática recorrente em ler e comentar textos de perfis que assino. É uma ética pessoal, sabe? Ler antes de querer ser lido. Porém, acabo não conseguindo fazer isso com tanta regularidade e então acabo adiando ainda mais o momento em que publicarei – e consequentemente criarei expectativas de ser lido e comentado. 

Isso causa um enorme problema, eu sei. Minha intenção primordial sempre foi escrever – e ser lido. Porém, se eu não publico, isso nunca irá acontecer.

Escrevo com certa regularidade. Acontece que pouco disso está pronto para ir à luz. Assim como este texto, que deveria ter passado por releituras e reescritas. Eu tenho tanta ansiedade publicatória que acabo postando textos ainda crus, verdes. O mesmo acontece nas minhas publicações de papel. 

Muitos dos livros que publiquei acabaram me trazendo um pouco de amargor ao final. A sensação de que queimei a largada, de que desperdicei boas ideias em textos não muito bem finalizados. Ou seja, que executei mal as ideias que tive. Essa sensação me persegue há anos. 

No fim, decidi conviver com isso. O que sinto não vai desaparecer depois que eu ler e revisar o mesmo texto trezentas vezes. Ou talvez desapareça. Eu nunca cheguei a 300 leituras de um mesmo texto para provar esse argumento.

Enfim, o que eu quero com este texto é algo simples: estabelecer algumas intenções para este espaço. Vou ser sincero: Eu tenho um blog (para quem está me lendo no Substack) e um Substack (para quem me lê no blog). Não quero fazer textos diferentes para os dois ambientes. Desejo que eles compartilhem os mesmos espaços. Quando criei o perfil no Substack, a intenção era ser lido sem abandonar o blog e os textos lá presentes. Com isso, a princípio desejo fazer duas coisas:

  1. Publicar no Substack os textos que tenho no blog – talvez não todos, mas os que considero os melhores;
  2. Sincronizar as novas publicações para que saiam nas duas plataformas.

E agora vem a bomba: no final, eu não vou fazer nenhuma dessas duas coisas por agora. Esse é o momento que eu digo: “Ahá! Enganei vocês!” 

E por que eu estou afirmando isso? Porque na verdade esse preâmbulo todo foi só pra o quanto eu costumo devanear. E dizer que tem outros textos que desejo postar aqui. Há tempos participo de uma oficina permanente de escrita e tenho pensado em publicar o resultado nos meus dois espaços. Já falei dessa oficina neste post: (https://www.oguardiaodehistorias.com.br/2018/02/prosa-poetica-o-momento-para-afiar-o.html). Em linhas gerais, a cada encontro, somos convidados a escrever a partir de um “objeto provocador”, que em muitos momentos pode ser de fato um objeto físico, mas eventualmente acabamos sendo “provocados” por músicas, poemas, obras de artes visuais, dentre outras. 

Como é possível perceber a partir da metodologia dessa oficina, os resultados costumam ser caóticos e aleatórios. Com isso, não dá para me ater a padrões textuais, no sentido de ter a intenção de postar semanalmente algum gênero específico. 

O que eu quero concluir aqui é que, de agora em diante, buscarei publicar semanalmente os resultados da oficina, sem no entanto perder de vista a retomada das publicações sistemáticas. Futuramente, pretendo voltar a escrever e publicar resenhas, relatos, poemas e contos. Quando eu ainda não sei determinar.

Bem, é isso. Em breve, talvez na próxima quarta, vou publicar aqui a foto do objeto provocador do último encontro e os textos produzidos. Não pretendo fazer a reescrita do texto, apenas a revisão ortográfica e alguma leve alteração. A intenção maior é focar no processo criativo, mas também com alguma valorização do resultado.

Espero que vocês gostem e que assim eu consiga retomar uma certa regularidade na criação e difusão do que escrevo.

Até mais!

quarta-feira, março 18, 2026

A poesia e as histórias - encontros fortuitos e potentes


No dia 20 de março, é comemorado o Dia do Contador de Histórias. Para quem não sabe, além de escritor, também tenho um percurso pela senda da narração oral. Já fiz apresentações de forma mais regular, mas continuo atuando nesse campo, como mediador, uma vez que um dos eixos da Biblioteca onde trabalho é justamente a valorização da oralidade. 

Fui agraciado pelo convite da ELENA – Escola Livre de Estudos da Narração Artística – criada pelo Instituto Cultural Abra Palavra, para estar com a Nívea Sabino e o Rogério Coelho numa conversa sobre as aproximações que a narração artística realiza com o universo dos saraus e slams. Sou grande admirador da Nívea, como poeta e também pessoa. De uma doçura que não deixa de lado a contundência – quando necessária. 

Rogério Coelho é um poeta e agitador cultural que também admiro demais. Grande articulador do ColetiVoz, é um cara que busca espalhar a palavra da Poesia aos quatro ventos e também para todas as idades. 

Estaremos no dia 21 de março, sábado, na Livraria do Belas, para esse encontro que certamente será inesquecível para mim. 

Segue abaixo o serviço:

Convergências entre Sarau, SLAM e Narração Artística

Com Nívea Sabino e Samuel Medina. Mediação de Rogério Coelho. 

Dia 21 de março, sábado, às 20h

Local: Livraria do Belas Artes (Rua Gonçalves Dias, 1581, Lourdes – BH/MG)



sexta-feira, março 06, 2026

Fim da campanha e eventos literários


Sábado passado, dia 28 de fevereiro, foi o último dia da campanha de pré-venda do meu livro Convergência. Alcançamos R$ 3.793, 00 e a página informa 47 apoiadores. 

Considero esses números uma vitória. 47 leitores! Sim, tenho 12 anos desde a primeira publicação. O sonho era ter milhares de leitores a essa altura. Bem, o fato é que "Convergência" é um sonho antigo, um dos meus projetos literários primordiais. Publicar esse livro é uma realização e ao mesmo tempo um retorno às origens. 

Eu quero agradecer profundamente às pessoas que tiveram a generosidade de apoiar este projeto. Algumas não tiveram condição de adquirir o exemplar físico e, ainda assim, apoiaram. Minha gratidão é enorme!

Sábado também foi dia do Festival Sempre Um Papo. Nele, encontrei pessoas amigas e vendi alguns exemplares. Fiz novas amizades. Também comprei alguns livros, com direito a autógrafos. Foi bem legal.

Já o domingo foi o dia da Vívian, minha namorada, que brilhou no lançamento do seu livro, Versos Roubados. Tive a honra de participar de um bate-papo com a autora, que compartilhou conosco seu processo criativo, os bastidores de sua escrita, sua intencionalidade e vivência. Tivemos também os versos na voz da autora, o que acho lindo. 

A amiga Norma de Souza Lopes fez uma participação, refletindo sobre o livro com muita profundidade. Outras pessoas ficaram animadas para ler as poesias da Vívian. 


Quem quiser adquirir o livro Versos Roubados, basta acessar a loja da Editora Polifonia, ou entrar em contato diretamente com a autora, Vívian Marchezini, no perfil profissional que ela tem no Instagram.

O domingo terminou com um encontro com a amiga escritora Jadna Alana, vencedora do Prêmio Kindle de Literatura 2026, com seu livro Barquinho de papel.

Abaixo, deixo alguns também registros do Festival Sempre Um Papo.











Finalizo com a lista de pessoas que apoiaram meu sonho:

Vívian Marchezini ❤️

Marison Eustáquio Lacerda Parreiras

Arnaldo dos Santos

Vandernailen Medina

João Emílio Medina R. Lages

Pâmela Bastos Machado

Bianca Pontes

Emanoel Ferreira

Jadna Alana 

Érica Lima 

Guilherme Soares

Thaís Campolina 

Mírian Freitas

Audrey Cristiane Macedo Rocha

Patrícia Renó

Isabella Albuquerque

Felipe Diógenes

Arthur Medina 

Vânia Bonadio 

Gau Laet

Maria do Carmo Rocha (Cacá)

Fernando Junio Santos Silva

Pri Varella

Liel Mangaraviti

Rodrigo de Freitas Teixeira

Aline Cântia 

Vitor Américo

Val Armanelli

Alycia Moreira 

Evelyn Medina (Tia Beve)

Fabiano da Mata

Monique de Magalhães

Gislayne Matos

Marcos Coelho Bissoli

Norma De Souza Lopes

Manu Patente

Paul Berssey

Lilia Martins 

Servos Cardoso

Áurea L. Leite

Margareth Cordeiro Santana

Marli Mariani

Rosi Amaral

Andrea Paula Leal e Silva

Soraia Magalhães

Juliana Daher

Maria Célia Nunes

Daniela Costa de Queiroz

Brenda Linda Medina Lages

Marly com y

Silvia Maria Lacerda Cançado

Wander Ferreira

Katia Edilene Ferreira

Fabíola Ribeiro Farias

A vocês meu muito obrigado! 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Fim da campanha de pré-venda, Festival Sempre Um Papo e um convite especial


No dia 28 de fevereiro deste ano, daqui a 3 dias, a campanha de pré-venda do meu livro Convergência chegará ao fim. Foi uma jornada cheia de altos e baixos emocionais para mim. Tive apoios de muita gente. A maioria foi de amigos e pessoas queridas. É uma felicidade isso. Além de ter batido a meta mínima necessária para a viabilização do projeto, consegui alcançar as metas 2 e 3. Para um escritor como eu, pequeno e de pouca visibilidade, é um resultado além de satisfatório. 

Ainda é possível, porém, fazer seu apoio e garantir seu exemplar autografado. A campanha pode ser acessada através do link: https://benfeitoria.com/projeto/convergencia.

Nesse mesmo dia, vou participar de um evento bem legal aqui na minha cidade. Será o Festival Sempre Um Papo. Ele será um enorme encontro de escritores e livros e vai acontecer na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21 – Centro. BH/MG). Então, se você quiser conhecer meu trabalho, bater um papo e, quem sabe comprar um livro, estarei lá de 19h às 20h.


Fechando o final de semana e dando início a uma nova, quero fazer um convite especial. Mina namorada, Vívian Marchezini, vai lançar seu livro Versos Roubados no café Tons de Verde. A gente se aproximou pela poesia e por isso estar nesse lançamento com ela é algo muito significativo para mim.  Foi a partir do poema "Feliciteza" que me encantei pela escrita da Vívian e, posteriormente, pela pessoa que ela é. Uma poeta poderosa, que alia a suavidade da flor com a potência das raízes e troncos para criar uma poesia que é cálida e, ao mesmo tempo, contundente. 

Fica então o convite para a gente papear e ler poesia! Além de boa companhia e, é claro, um delicioso café! 

Lançamento do livro Versos Roubados, de Vívian Marchezini 

Data: 01 de março de 2026, domingo

Hora: 15h às 18h

Local: Tons de Verde Café (R. Mario Mendes Campos, 65 – Castelo. BH/MG)




segunda-feira, janeiro 19, 2026

Convergência - A campanha de Pré-venda já está no Ar!

 


Quem acompanha meu trabalho já sabe que assinei um contrato com a editora TAUP - Toma Aí Um Poema, para a publicação do livro de contos Convegência. Pois chegou a hora da verdade: A campanha de pré-venda do livro foi lançada, na modalidade de financiamento coletivo. O desafio agora é trazer pessoas para colaborarem e transformarem esse grande sonho em realidade. 

Vou compartilhar aqui algumas informações que estão na página da campanha, para vocês terem uma ideia do que o livro Convergência trata:



Convergência é uma seleção de contos que contemplam um período que vão desde a juventude até a meia-idade do autor. As narrativas presentes nessa coletânea passeiam do cotidiano trivial até o mágico e maravilhoso. São tramas diversas, algumas que se propõem bem-humoradas, enquanto outras carregam certo peso dramático. O autor revela em muitos desses trechos um certo desencanto com a mística hegemônica, buscando assim outras formas de espiritualização. 

Há também a exploração de um tom jovial, principalmente nos contos mais antigos, escritos durante a juventude do autor. A dramaticidade também está presente em alguns desses contos, criando assim uma oscilação entre o trágico, o humorístico e o dramático. Apesar disso, nenhum dos textos se propõe sério demais. São exercícios de devaneio e ficcionalização. Há o trabalho com a linguagem, mas o que se busca nessas narrativas é o sonho, a fabulação, a exploração hipotética.

Não é exagero dizer que Convergência luta com o tempo. Através desses contos, busca se tornar a arma do autor contra a arbitrariedade do mundo, da vida, do universo. A imposição da existência de um deus que tudo ordena, que estabelece uma lógica perversa de pecado e punição, torna-se alvo de desconstrução na malha ficcional proposta nessas narrativas.

Uma jovem aspirante a atriz que comparece a uma entrevista de emprego um tanto inusitada. Um rei ganancioso que se esforça para roubar uma poção milagrosa. Um rapaz que tem como objetivo criar o conto perfeito. A relação incomum entre uma pessoa e os pequenos bichos que a cercam. Os contos reunidos carregam uma certa ingenuidade criativa. Especulam sobre a vida, o universo e tudo o mais, se a imaginação humana fosse a essência do divino. Bem, talvez seja, talvez não.

Espero contar com vocês nesta mais recente jornada!

Para apoiar a campanha de financiamento coletivo, basta clicar no link: 
https://benfeitoria.com/projeto/convergencia

sexta-feira, dezembro 26, 2025

Minha história com a TAUP



Conheço a editora Toma Aí Um Poema (TAUP) há algum tempo. Logo que ela surgiu no meu radar, fiquei deslumbrado com as propostas visuais, a estilização do site e também as capas dos livros. Mas o que me encantou mesmo foi o diferencial na proposta de parcerias com pessoas autoras. 

A gente sabe que publicar livro não é fácil, mesmo hoje, em que as tiragens podem ser muito baixas, a impressão sob demanda é uma opção e ainda é possível recorrer ao suporte digital. Porém, o livro como objeto físico ainda é um fetiche, pra não dizer uma trincheira. 

As editoras são empresas e precisam se sustentar dentro de uma lógica de mercado, algo que muitas vezes não é compatível com o fazer artístico, muito menos com o perfil nada empreendedor da maioria de escritoras e escritores. E este é o meu caso. 

Portanto, ao buscar uma atuação mediante um viés mais social, contando inclusive com um fundo de apoio mútuo, a TAUP apresenta-se com um diferencial em relação a outras casas editoriais. Claro, não é estou falando de perfeição, mas de possibilidade de sonhar junto. 

Mas preciso contar a história toda. Recentemente, minha namorada, Vívian Marchezini, me avisou de um edital de publicação da TAUP. O recorte era poesia erótica. Vívian, que recentemente lançou seu magnífico "Versos roubados", deu a ideia da gente enviar um poema cada um. E fomos selecionados. Isso abriu o canal de conversa com a TAUP. Recentemente, recebi um e-mail da editora, perguntando se eu teria interesse de enviar um livro solo e apresentando os limites para o arquivo. Dei um duro para organizar uma antologia que conceitualemente já estava em minha cabeça há anos e enviei o "Convergência". A história desse título eu conto em outro momento.

Assim, recebi o retorno de que meu livro de contos havia sido selecionado. Até a assinatura do contrato, foi um pulo. Trocamos ideias, tirei dúvidas e fiquei satisfeito com a proposta de publicação. Claro, dá um frio na espinha, porque a gente precisa movimentar uma campanha de financiamento coletivo. Porém, a vida é repleta de desafios, não é mesmo?

Sinto-me genuinamente animado para as próximas etapas dessa jornada. Em breve, conto mais!

E pra quem quiser conhecer melhor a TAUP, basta entrar no perfil do Instagam e cliar nos links que estão na bio! 

terça-feira, dezembro 23, 2025

Sementes lançadas para 2026 - Contrato assinado com a editora TAUP!


O ano está no fim, marcando já o início de um novo percurso. Meu livro Convergência será publicado em breve! Assinei recentemente o contrato com a editora Toma Aí Um Poema – TAUP. Cada livro é uma realização especial. Por isso, compartilho com vocês esta alegria.

Convergência é uma coletânea de contos antigos e novos, que atravessam gêneros como a fantasia, a ficção científica (com um ar de paródia) e o cotidiano mais trivial. Publicar esses contos é um marco em minha trajetória, pois muitos desses contos fervilham em minha alma há anos. Ter uma casa para eles é uma alegria sem tamanho.

Quem conhece as obras de ficção que já publiquei poderá identificar alguns desses traços, pois terá em mãos contos que apresentam um autor em formação. Será possível também encontrar minhas mais importantes referências.

Espero que vocês possam me acompanhar nessa emocionante jornada!

terça-feira, setembro 30, 2025

Flicar 2025 - Uma Festa de Afetos e Descobertas em Carmo da Mata


Em 2023, quando participei da Flicar – Festa Literária de Carmo da Mata – pela primeira vez, não imaginei que aquele seria o início de uma história que se entrelaça profundamente com meus projetos como escritor. Não poderia prever que as pessoas que havia conhecido na ocasião, Mírian Freitas, Hércules Tolêdo Corrêa, Pedro Gontijo, Servos Cardoso, Luiz Eduardo de Carvalho, dentre outras, fariam parte de meus afetos mais queridos. Assim como a Júnia Paixão, coordenadora e curadora da Flicar. Eu a tinha conhecido na Feira Urucum, realizada pela Impressões de Minas. Era início de 2023. A gente ficou vizinho de estande e foi então que eu soube da Flicar e me ofereci para participar da programação. 

Quando Júnia me convidou formalmente, confirmei na hora. Minha intuição estava certa: na Flicar de 2023 conheci pessoas muito especiais. Gente que prospera na literatura através do apoio mútuo, do fortalecimento de laços. Pessoas que não se limitam a eventos literários, mas buscam conexões reais. Assim foi também em 2024.

Neste ano, a Flicar aconteceu dos dias 18 a 21 de setembro. Cheguei na quinta, ainda, dia 18, à noite. Em Oliveira, conheci o Curumim, artista da palavra em Contagem. Seguimos de carro com o Júlio até Carmo da Mata. Quem nos recebeu lá foi a produtora, CinaraA programação do dia já havia encerrado. Porém, o pessoal ainda estava reunido, conversando calorosamente. Revi amigos queridos e preparei meu coração para o que viria.

Na sexta, aconteceu a programação na Escola Estadual J. Afonso Rodrigues. Foram oficinas literárias de prosa, poesia, rima e improviso. Eu não fazia parte dessa programação, mas me ofereci para contar histórias. A Júnia gostou da ideia e articulou minha participação. Compareci à tarde, me apresentando para uma turminha de 11 e 12 anos, acompanhado pela professora Roseli, responsável pela classe. Narrei para eles: “Uma questão de interpretação”, “O peixe maravilhoso” e “Miserinha”. Pediram mais. Que eu voltasse na segunda ou então na próxima sexta. Fiquei comovido e encantado. É sempre melhor que a gente saia de cena quando o público pede mais do que quando já estão enfadados da apresentação, dizia o meu maestro Marco Antônio Maia Drummond.

No sábado, estive na mediação da mesa “Literatura e Educação”, com a Lavínia Rocha e a Leida Reis. Foram 60 minutos testemunhando relatos inspiradores sobre o engajamento na sala de aula e na promoção da literatura. Lavínia é uma professora inspirada e inspiradora, além de escritora promissora e comprometida. Ela não se intimida diante das dificuldades estruturais que a educação no Brasil apresenta, mas enfrenta todo esse cenário com graça e criatividade. Já Leida demonstrou uma postura mais contida e sábia, pautada na experiência de quem escreve, edita e realiza eventos literários há nuitos anos. Apontou a necessidade de que educação e cultura andem sempre de mãos dadas, como parceiras.

Muitas outras mesas trouxeram palavras e reflexões impactantes e que irão reverberar em minha atuação tanto como escritor quanto como mediador de leitura. Destaco três em especial: A primeira foi a mesa “Entre o real e o imaginado: diálogo sobre a prosa contemporânea brasileira”, com a Ana Elisa Ribeiro, que sempre expande nossas mentes com suas palavras. A segunda,  "O poder da palavra: Literatura e transformação social", nos fez refletir sobre como as políticas públicas são fundamentais para o fortalecimento da leitura e da literatura no Brasil. A terceira foi "O tehêy e a narrativa do povo Pataxoop", com D. Liça Pataxoop, que nos impactou com suas palavras de sabedoria ancestral. Não posso, porém, deixar de falar da presença de Nívea Sabino e Curumim, que deram um show à parte, com suas palavras repletas de energia, algumas suaves como carícia, outras cobertas pelas farpas do protesto. E por falar em show, Cinara e banda não nos deixaram ficar parados com um bom samba e muita energia.

Domingo foi o fim da programação do evento, com música, sarau e uma apresentação belíssima de narração de histórias, com várias brincadeiras. Quem conduziu não poderia ser ninguém além de Vânia Ordones e Patrícia Oliveira

Assim, a programação oficial chegou ao fim. Porém, a gente sabe que a Flicar não acabou. Ela nunca acaba, mas continua reverberando em nós, em cada amizade nova, como o Mauro Donato e a Giovanna Soalheiro, e as já consolidadas, como a Mírian Freitas, a Thaís Campolina, o Servos Cardoso, a Ana Paula Dacota, o Pedro Gontijo e a Gil Kis.

Devo reforçar que é sempre uma grata experiência encontrar a Ana Elisa Ribeiro, uma das pessoas que mais admiro desde que conheci. Uma escritora genial e uma professora que trata o ensino como paixão. Suas falas são sempre inspiradoras e hipnóticas. Com ela, estavam algumas pessoas da pós-graduação do CEFET. Uma galera sempre animada e disposta a se envolver na promoção da literatura.

Ainda sobre reencontros, foi um prazer enorme rever Nívea Sabino e a Dalva Maria Soares, que esteve em uma mesa com o Henrique Rodrigues, do Instituto Caminhos da Palavra

O que mais dizer? Posso não ter mencionado todo mundo que encontrei lá. Só sei que são pessoas incríveis, generosas e envolvidas, como a Mara Senna e o seu companheiro, o Paulo. Lamentei muito não ter conseguido sentar com o Luiz Eduardo de Carvalho, para mais uma das nossas inspiradoras conversas. Um bate papo com o Edu é uma mentoria de escrita!

De tudo o que vivi, posso garantir que já estou com saudades e ansioso para a próxima Flicar. Com certeza, a Festa Literária de Carmo da Mata de 2026 seguirá a tradição, sendo ainda mais surpreendente que a deste ano. E tudo por causa da Júnia Paixão. A ela meu muito obrigado, sempre!



O que rolou na programação:


19 de setembro

17h - Mesa 1: “Cinco vozes mineiras: a pluralidade da nossa poesia”

Amanda Ribeiro, Ana Paula Dacota, Thaís Campolina, Mara Senna e Clara Valverde, com mediação de Carol Vasconcelos


18h - Mesa 2: “Entre o real e o imaginado: diálogo sobre a prosa contemporânea brasileira”

Ana Elisa Ribeiro, Maria Fernanda Elias Maglio e Mauro Donato, com mediação de Thaís Campolina


19h - Mesa 3: "Ofício do escritor: tecendo mundos com palavras"

Ricardo Ramos Filho e Aguinaldo Tadeu, com mediação de Luiz Eduardo Carvalho


20h - "Sarau Lítero musical: Versos em si", com Daniel Bicalho e Bruno Rodrigo


21h - Show voz e violão com Caju


20 de setembro

9h - Hora do Conto, com Denise Arantes e Daniel Bicalho


10h30 - Mesa 4: "O tehêy e a narrativa do povo Pataxoop"

D. Liça Pataxoop, mediação de Pedro Gontijo


14h - Mesa 5: "O poder da palavra: Literatura e transformação social"

Henrique Rodrigues e Dalva Maria Soares, com mediação de Mauro Donato


15h - Mesa 6: "Literatura e educação: quando os caminhos se encontram"

Lavínia Rocha e Leida Reis, com mediação de Samuel Medina


16h - Mesa 7: "Vozes em cena: Slam e a força da poesia falada"

Nívea Sabino e Curumim, com mediação de Giovanna Soalheiro


17h30 - Lançamento Poetizar: "Antologia Poetizar - Sarau"


19h - Show de Samba, com Cinara Gomes e banda


21 de setembro 

9h Apresentação musical com os alunos do CRAS e Sarau poético com o grupo Feliz Idade


10h - Manhã brincante com Vânia Ordones e Patrícia Oliveira


Algumas fotos pra deixar saudade: