sexta-feira, março 06, 2026

Fim da campanha e eventos literários


Sábado passado, dia 28 de fevereiro, foi o último dia da campanha de pré-venda do meu livro Convergência. Alcançamos R$ 3.793, 00 e a página informa 47 apoiadores. 

Considero esses números uma vitória. 47 leitores! Sim, tenho 12 anos desde a primeira publicação. O sonho era ter milhares de leitores a essa altura. Bem, o fato é que "Convergência" é um sonho antigo, um dos meus projetos literários primordiais. Publicar esse livro é uma realização e ao mesmo tempo um retorno às origens. 

Eu quero agradecer profundamente às pessoas que tiveram a generosidade de apoiar este projeto. Algumas não tiveram condição de adquirir o exemplar físico e, ainda assim, apoiaram. Minha gratidão é enorme!

Sábado também foi dia do Festival Sempre Um Papo. Nele, encontrei pessoas amigas e vendi alguns exemplares. Fiz novas amizades. Também comprei alguns livros, com direito a autógrafos. Foi bem legal.

Já o domingo foi o dia da Vívian, minha namorada, que brilhou no lançamento do seu livro, Versos Roubados. Tive a honra de participar de um bate-papo com a autora, que compartilhou conosco seu processo criativo, os bastidores de sua escrita, sua intencionalidade e vivência. Tivemos também os versos na voz da autora, o que acho lindo. 

A amiga Norma de Souza Lopes fez uma participação, refletindo sobre o livro com muita profundidade. Outras pessoas ficaram animadas para ler as poesias da Vívian. 


Quem quiser adquirir o livro Versos Roubados, basta acessar a loja da Editora Polifonia, ou entrar em contato diretamente com a autora, Vívian Marchezini, no perfil profissional que ela tem no Instagram.

O domingo terminou com um encontro com a amiga escritora Jadna Alana, vencedora do Prêmio Kindle de Literatura 2026, com seu livro Barquinho de papel.

Abaixo, deixo alguns também registros do Festival Sempre Um Papo.











Finalizo com a lista de pessoas que apoiaram meu sonho:

Vívian Marchezini ❤️

Marison Eustáquio Lacerda Parreiras

Arnaldo dos Santos

Vandernailen Medina

João Emílio Medina R. Lages

Pâmela Bastos Machado

Bianca Pontes

Emanoel Ferreira

Jadna Alana 

Érica Lima 

Guilherme Soares

Thaís Campolina 

Mírian Freitas

Audrey Cristiane Macedo Rocha

Patrícia Renó

Isabella Albuquerque

Felipe Diógenes

Arthur Medina 

Vânia Bonadio 

Gau Laet

Maria do Carmo Rocha (Cacá)

Fernando Junio Santos Silva

Pri Varella

Liel Mangaraviti

Rodrigo de Freitas Teixeira

Aline Cântia 

Vitor Américo

Val Armanelli

Alycia Moreira 

Evelyn Medina (Tia Beve)

Fabiano da Mata

Monique de Magalhães

Gislayne Matos

Marcos Coelho Bissoli

Norma De Souza Lopes

Manu Patente

Paul Berssey

Lilia Martins 

Servos Cardoso

Áurea L. Leite

Margareth Cordeiro Santana

Marli Mariani

Rosi Amaral

Andrea Paula Leal e Silva

Soraia Magalhães

Juliana Daher

Maria Célia Nunes

Daniela Costa de Queiroz

Brenda Linda Medina Lages

Marly com y

Silvia Maria Lacerda Cançado

Wander Ferreira

Katia Edilene Ferreira

Fabíola Ribeiro Farias

A vocês meu muito obrigado! 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Fim da campanha de pré-venda, Festival Sempre Um Papo e um convite especial


No dia 28 de fevereiro deste ano, daqui a 3 dias, a campanha de pré-venda do meu livro Convergência chegará ao fim. Foi uma jornada cheia de altos e baixos emocionais para mim. Tive apoios de muita gente. A maioria foi de amigos e pessoas queridas. É uma felicidade isso. Além de ter batido a meta mínima necessária para a viabilização do projeto, consegui alcançar as metas 2 e 3. Para um escritor como eu, pequeno e de pouca visibilidade, é um resultado além de satisfatório. 

Ainda é possível, porém, fazer seu apoio e garantir seu exemplar autografado. A campanha pode ser acessada através do link: https://benfeitoria.com/projeto/convergencia.

Nesse mesmo dia, vou participar de um evento bem legal aqui na minha cidade. Será o Festival Sempre Um Papo. Ele será um enorme encontro de escritores e livros e vai acontecer na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21 – Centro. BH/MG). Então, se você quiser conhecer meu trabalho, bater um papo e, quem sabe comprar um livro, estarei lá de 19h às 20h.


Fechando o final de semana e dando início a uma nova, quero fazer um convite especial. Mina namorada, Vívian Marchezini, vai lançar seu livro Versos Roubados no café Tons de Verde. A gente se aproximou pela poesia e por isso estar nesse lançamento com ela é algo muito significativo para mim.  Foi a partir do poema "Feliciteza" que me encantei pela escrita da Vívian e, posteriormente, pela pessoa que ela é. Uma poeta poderosa, que alia a suavidade da flor com a potência das raízes e troncos para criar uma poesia que é cálida e, ao mesmo tempo, contundente. 

Fica então o convite para a gente papear e ler poesia! Além de boa companhia e, é claro, um delicioso café! 

Lançamento do livro Versos Roubados, de Vívian Marchezini 

Data: 01 de março de 2026, domingo

Hora: 15h às 18h

Local: Tons de Verde Café (R. Mario Mendes Campos, 65 – Castelo. BH/MG)




segunda-feira, janeiro 19, 2026

Convergência - A campanha de Pré-venda já está no Ar!

 


Quem acompanha meu trabalho já sabe que assinei um contrato com a editora TAUP - Toma Aí Um Poema, para a publicação do livro de contos Convegência. Pois chegou a hora da verdade: A campanha de pré-venda do livro foi lançada, na modalidade de financiamento coletivo. O desafio agora é trazer pessoas para colaborarem e transformarem esse grande sonho em realidade. 

Vou compartilhar aqui algumas informações que estão na página da campanha, para vocês terem uma ideia do que o livro Convergência trata:



Convergência é uma seleção de contos que contemplam um período que vão desde a juventude até a meia-idade do autor. As narrativas presentes nessa coletânea passeiam do cotidiano trivial até o mágico e maravilhoso. São tramas diversas, algumas que se propõem bem-humoradas, enquanto outras carregam certo peso dramático. O autor revela em muitos desses trechos um certo desencanto com a mística hegemônica, buscando assim outras formas de espiritualização. 

Há também a exploração de um tom jovial, principalmente nos contos mais antigos, escritos durante a juventude do autor. A dramaticidade também está presente em alguns desses contos, criando assim uma oscilação entre o trágico, o humorístico e o dramático. Apesar disso, nenhum dos textos se propõe sério demais. São exercícios de devaneio e ficcionalização. Há o trabalho com a linguagem, mas o que se busca nessas narrativas é o sonho, a fabulação, a exploração hipotética.

Não é exagero dizer que Convergência luta com o tempo. Através desses contos, busca se tornar a arma do autor contra a arbitrariedade do mundo, da vida, do universo. A imposição da existência de um deus que tudo ordena, que estabelece uma lógica perversa de pecado e punição, torna-se alvo de desconstrução na malha ficcional proposta nessas narrativas.

Uma jovem aspirante a atriz que comparece a uma entrevista de emprego um tanto inusitada. Um rei ganancioso que se esforça para roubar uma poção milagrosa. Um rapaz que tem como objetivo criar o conto perfeito. A relação incomum entre uma pessoa e os pequenos bichos que a cercam. Os contos reunidos carregam uma certa ingenuidade criativa. Especulam sobre a vida, o universo e tudo o mais, se a imaginação humana fosse a essência do divino. Bem, talvez seja, talvez não.

Espero contar com vocês nesta mais recente jornada!

Para apoiar a campanha de financiamento coletivo, basta clicar no link: 
https://benfeitoria.com/projeto/convergencia

sexta-feira, dezembro 26, 2025

Minha história com a TAUP



Conheço a editora Toma Aí Um Poema (TAUP) há algum tempo. Logo que ela surgiu no meu radar, fiquei deslumbrado com as propostas visuais, a estilização do site e também as capas dos livros. Mas o que me encantou mesmo foi o diferencial na proposta de parcerias com pessoas autoras. 

A gente sabe que publicar livro não é fácil, mesmo hoje, em que as tiragens podem ser muito baixas, a impressão sob demanda é uma opção e ainda é possível recorrer ao suporte digital. Porém, o livro como objeto físico ainda é um fetiche, pra não dizer uma trincheira. 

As editoras são empresas e precisam se sustentar dentro de uma lógica de mercado, algo que muitas vezes não é compatível com o fazer artístico, muito menos com o perfil nada empreendedor da maioria de escritoras e escritores. E este é o meu caso. 

Portanto, ao buscar uma atuação mediante um viés mais social, contando inclusive com um fundo de apoio mútuo, a TAUP apresenta-se com um diferencial em relação a outras casas editoriais. Claro, não é estou falando de perfeição, mas de possibilidade de sonhar junto. 

Mas preciso contar a história toda. Recentemente, minha namorada, Vívian Marchezini, me avisou de um edital de publicação da TAUP. O recorte era poesia erótica. Vívian, que recentemente lançou seu magnífico "Versos roubados", deu a ideia da gente enviar um poema cada um. E fomos selecionados. Isso abriu o canal de conversa com a TAUP. Recentemente, recebi um e-mail da editora, perguntando se eu teria interesse de enviar um livro solo e apresentando os limites para o arquivo. Dei um duro para organizar uma antologia que conceitualemente já estava em minha cabeça há anos e enviei o "Convergência". A história desse título eu conto em outro momento.

Assim, recebi o retorno de que meu livro de contos havia sido selecionado. Até a assinatura do contrato, foi um pulo. Trocamos ideias, tirei dúvidas e fiquei satisfeito com a proposta de publicação. Claro, dá um frio na espinha, porque a gente precisa movimentar uma campanha de financiamento coletivo. Porém, a vida é repleta de desafios, não é mesmo?

Sinto-me genuinamente animado para as próximas etapas dessa jornada. Em breve, conto mais!

E pra quem quiser conhecer melhor a TAUP, basta entrar no perfil do Instagam e cliar nos links que estão na bio! 

terça-feira, dezembro 23, 2025

Sementes lançadas para 2026 - Contrato assinado com a editora TAUP!


O ano está no fim, marcando já o início de um novo percurso. Meu livro Convergência será publicado em breve! Assinei recentemente o contrato com a editora Toma Aí Um Poema – TAUP. Cada livro é uma realização especial. Por isso, compartilho com vocês esta alegria.

Convergência é uma coletânea de contos antigos e novos, que atravessam gêneros como a fantasia, a ficção científica (com um ar de paródia) e o cotidiano mais trivial. Publicar esses contos é um marco em minha trajetória, pois muitos desses contos fervilham em minha alma há anos. Ter uma casa para eles é uma alegria sem tamanho.

Quem conhece as obras de ficção que já publiquei poderá identificar alguns desses traços, pois terá em mãos contos que apresentam um autor em formação. Será possível também encontrar minhas mais importantes referências.

Espero que vocês possam me acompanhar nessa emocionante jornada!

terça-feira, setembro 30, 2025

Flicar 2025 - Uma Festa de Afetos e Descobertas em Carmo da Mata


Em 2023, quando participei da Flicar – Festa Literária de Carmo da Mata – pela primeira vez, não imaginei que aquele seria o início de uma história que se entrelaça profundamente com meus projetos como escritor. Não poderia prever que as pessoas que havia conhecido na ocasião, Mírian Freitas, Hércules Tolêdo Corrêa, Pedro Gontijo, Servos Cardoso, Luiz Eduardo de Carvalho, dentre outras, fariam parte de meus afetos mais queridos. Assim como a Júnia Paixão, coordenadora e curadora da Flicar. Eu a tinha conhecido na Feira Urucum, realizada pela Impressões de Minas. Era início de 2023. A gente ficou vizinho de estande e foi então que eu soube da Flicar e me ofereci para participar da programação. 

Quando Júnia me convidou formalmente, confirmei na hora. Minha intuição estava certa: na Flicar de 2023 conheci pessoas muito especiais. Gente que prospera na literatura através do apoio mútuo, do fortalecimento de laços. Pessoas que não se limitam a eventos literários, mas buscam conexões reais. Assim foi também em 2024.

Neste ano, a Flicar aconteceu dos dias 18 a 21 de setembro. Cheguei na quinta, ainda, dia 18, à noite. Em Oliveira, conheci o Curumim, artista da palavra em Contagem. Seguimos de carro com o Júlio até Carmo da Mata. Quem nos recebeu lá foi a produtora, CinaraA programação do dia já havia encerrado. Porém, o pessoal ainda estava reunido, conversando calorosamente. Revi amigos queridos e preparei meu coração para o que viria.

Na sexta, aconteceu a programação na Escola Estadual J. Afonso Rodrigues. Foram oficinas literárias de prosa, poesia, rima e improviso. Eu não fazia parte dessa programação, mas me ofereci para contar histórias. A Júnia gostou da ideia e articulou minha participação. Compareci à tarde, me apresentando para uma turminha de 11 e 12 anos, acompanhado pela professora Roseli, responsável pela classe. Narrei para eles: “Uma questão de interpretação”, “O peixe maravilhoso” e “Miserinha”. Pediram mais. Que eu voltasse na segunda ou então na próxima sexta. Fiquei comovido e encantado. É sempre melhor que a gente saia de cena quando o público pede mais do que quando já estão enfadados da apresentação, dizia o meu maestro Marco Antônio Maia Drummond.

No sábado, estive na mediação da mesa “Literatura e Educação”, com a Lavínia Rocha e a Leida Reis. Foram 60 minutos testemunhando relatos inspiradores sobre o engajamento na sala de aula e na promoção da literatura. Lavínia é uma professora inspirada e inspiradora, além de escritora promissora e comprometida. Ela não se intimida diante das dificuldades estruturais que a educação no Brasil apresenta, mas enfrenta todo esse cenário com graça e criatividade. Já Leida demonstrou uma postura mais contida e sábia, pautada na experiência de quem escreve, edita e realiza eventos literários há nuitos anos. Apontou a necessidade de que educação e cultura andem sempre de mãos dadas, como parceiras.

Muitas outras mesas trouxeram palavras e reflexões impactantes e que irão reverberar em minha atuação tanto como escritor quanto como mediador de leitura. Destaco três em especial: A primeira foi a mesa “Entre o real e o imaginado: diálogo sobre a prosa contemporânea brasileira”, com a Ana Elisa Ribeiro, que sempre expande nossas mentes com suas palavras. A segunda,  "O poder da palavra: Literatura e transformação social", nos fez refletir sobre como as políticas públicas são fundamentais para o fortalecimento da leitura e da literatura no Brasil. A terceira foi "O tehêy e a narrativa do povo Pataxoop", com D. Liça Pataxoop, que nos impactou com suas palavras de sabedoria ancestral. Não posso, porém, deixar de falar da presença de Nívea Sabino e Curumim, que deram um show à parte, com suas palavras repletas de energia, algumas suaves como carícia, outras cobertas pelas farpas do protesto. E por falar em show, Cinara e banda não nos deixaram ficar parados com um bom samba e muita energia.

Domingo foi o fim da programação do evento, com música, sarau e uma apresentação belíssima de narração de histórias, com várias brincadeiras. Quem conduziu não poderia ser ninguém além de Vânia Ordones e Patrícia Oliveira

Assim, a programação oficial chegou ao fim. Porém, a gente sabe que a Flicar não acabou. Ela nunca acaba, mas continua reverberando em nós, em cada amizade nova, como o Mauro Donato e a Giovanna Soalheiro, e as já consolidadas, como a Mírian Freitas, a Thaís Campolina, o Servos Cardoso, a Ana Paula Dacota, o Pedro Gontijo e a Gil Kis.

Devo reforçar que é sempre uma grata experiência encontrar a Ana Elisa Ribeiro, uma das pessoas que mais admiro desde que conheci. Uma escritora genial e uma professora que trata o ensino como paixão. Suas falas são sempre inspiradoras e hipnóticas. Com ela, estavam algumas pessoas da pós-graduação do CEFET. Uma galera sempre animada e disposta a se envolver na promoção da literatura.

Ainda sobre reencontros, foi um prazer enorme rever Nívea Sabino e a Dalva Maria Soares, que esteve em uma mesa com o Henrique Rodrigues, do Instituto Caminhos da Palavra

O que mais dizer? Posso não ter mencionado todo mundo que encontrei lá. Só sei que são pessoas incríveis, generosas e envolvidas, como a Mara Senna e o seu companheiro, o Paulo. Lamentei muito não ter conseguido sentar com o Luiz Eduardo de Carvalho, para mais uma das nossas inspiradoras conversas. Um bate papo com o Edu é uma mentoria de escrita!

De tudo o que vivi, posso garantir que já estou com saudades e ansioso para a próxima Flicar. Com certeza, a Festa Literária de Carmo da Mata de 2026 seguirá a tradição, sendo ainda mais surpreendente que a deste ano. E tudo por causa da Júnia Paixão. A ela meu muito obrigado, sempre!



O que rolou na programação:


19 de setembro

17h - Mesa 1: “Cinco vozes mineiras: a pluralidade da nossa poesia”

Amanda Ribeiro, Ana Paula Dacota, Thaís Campolina, Mara Senna e Clara Valverde, com mediação de Carol Vasconcelos


18h - Mesa 2: “Entre o real e o imaginado: diálogo sobre a prosa contemporânea brasileira”

Ana Elisa Ribeiro, Maria Fernanda Elias Maglio e Mauro Donato, com mediação de Thaís Campolina


19h - Mesa 3: "Ofício do escritor: tecendo mundos com palavras"

Ricardo Ramos Filho e Aguinaldo Tadeu, com mediação de Luiz Eduardo Carvalho


20h - "Sarau Lítero musical: Versos em si", com Daniel Bicalho e Bruno Rodrigo


21h - Show voz e violão com Caju


20 de setembro

9h - Hora do Conto, com Denise Arantes e Daniel Bicalho


10h30 - Mesa 4: "O tehêy e a narrativa do povo Pataxoop"

D. Liça Pataxoop, mediação de Pedro Gontijo


14h - Mesa 5: "O poder da palavra: Literatura e transformação social"

Henrique Rodrigues e Dalva Maria Soares, com mediação de Mauro Donato


15h - Mesa 6: "Literatura e educação: quando os caminhos se encontram"

Lavínia Rocha e Leida Reis, com mediação de Samuel Medina


16h - Mesa 7: "Vozes em cena: Slam e a força da poesia falada"

Nívea Sabino e Curumim, com mediação de Giovanna Soalheiro


17h30 - Lançamento Poetizar: "Antologia Poetizar - Sarau"


19h - Show de Samba, com Cinara Gomes e banda


21 de setembro 

9h Apresentação musical com os alunos do CRAS e Sarau poético com o grupo Feliz Idade


10h - Manhã brincante com Vânia Ordones e Patrícia Oliveira


Algumas fotos pra deixar saudade:

 
















quarta-feira, agosto 20, 2025

É tudo sobre encontros


Eu tenho uma relação antiga com a poesia. Porém, há pouco tempo tenho assumido o lugar de poeta, com a publicação do meu livro Cicatriz, ocorrida no final de 2024, pela editora Litteralux. Sim, eu sei, posto poemas há anos nas redes e no blog, mas não é a mesma coisa. Ter meus versos transformados em um objeto como o livro tem me levado a outros lugares, para falar de meu fazer poético.

Foi o que aconteceu no dia 12 de agosto, terça, quando compareci como convidado, junto com Isabella Bettoni e Renato Negrão, para o Sarau Poético Vozes da Cidade, na Biblioteca do Centro Cultural Unimed-BH Minas. O convite partiu do bibliotecário Rafael Mussolini, que realiza há anos um trabalho consistente de promoção literária e formação de leitores. Conheci o Rafael quando ele ainda atuava como coordenador do Projeto Polo de Leitura Sou de Minas, Uai! e já mantinha uma presença forte nos debates para a construção de uma política pública para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas em Belo Horizonte.

Portanto, ao receber esse convite, eu me senti genuinamente honrado. Afinal, trata-se de uma pessoa que muito admiro, tanto pela atuação como bibliotecário e mediador de leitura, quanto como leitor e crítico, com seu blog pessoal, passando também por sua relação afetiva com a escritora Marina Colasanti, a quem admiro desde criança. Rafael criou o site Marina Manda Lembranças, que logo se tornou o site oficial da escritora ainda quando estava viva.

Ao saber que compartilharia a fala com a Isabella Bettoni e o Renato Negrão, minha sensação de privilégio e responsabilidade cresceu ainda mais. Havia conhecido a Isabella pouco tempo antes e tinha seu livro, emprestado do acervo da BPIJ-BH, comigo. Já Renato eu conheço desde 2019, quando assisti sua fala no Segundo ConVerso de LiteraRua, no Centro Cultural Usina de Cultura. Portanto, minha admiração por essas duas pessoas da poesia já era patente. 

O sarau teve início com o Rafael mencionando a iniciativa da 2ª Noite de Museus e Bibliotecas, que busca promover a ocupação desses espaços, a partir de atividades fora de seus horários de funcionamento. Fez uma leitura sensível de um poema da grande Wisława Szymborska, sobre pessoas que gostam de poesia. Em seguida, acrescentou que a escolha da poeta e dos poetas da noite se pautou pelo perfil de pessoas que transitam e vivem na cidade de Belo Horizonte. Ele muito cuidadosamente leu as bios de cada convidada e convidado. 

A palavra então foi passada para Isabella, que traçou um histórico desde sua infância, revelando seu sonho de ser escritora e que a poesia nasceu nela desde que começou a traçar as primeiras letras. Foi de fato uma criança escritora, pois publicou seu primeiro livro aos 12 anos e essa experiência impactou sua vida profundamente, por ter sido uma criança escrevendo para crianças. Formou-se em Direito e atua como advogada feminista, na área do Direito à Cultura. Em 2020, durante a pandemia, participou de diversas oficinas de escrita ministradas por mulheres. Dos versos criados nasceu seu livro Não tentar domar bicho selvagem.

Renato Negrão assumiu o microfone e contou que passou uma infância cercada pela arte e pela cultura. O pai colocava para tocar discos de muita música boa, de Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Rita Lee. Renato achava que artista era uma espécie de entidade, tipo um extraterrestre, como eles mesmos pareciam admitir. Essa coisa de ver o artista na caixa da televisão, ou a voz saindo do vinil. Fato é que sempre quis ser artista. A mãe o colocou no curso profissionalizante, onde aprendeu a trabalhar com tipografia, e produção de revistas. 

Um dia, foi barrado na entrada do prédio de seus amigos que moravam perto de sua casa. Com isso, escreveu um manifesto poético e pregou na parede do elevador. Essa experiência causou grande efeito nele. Percebeu que poderia se destacar pela intelectualidade. Logo identificou que sua pegada era o trânsito entre palavra e imagem. Busca assim sempre seguir pela via da experimentação. Sua obra poética é numerosa e consistente, indo desde a participação na coleção Poesia Orbital, bem como os livros solo No Calo (1996), Vicente Viciado (2012) e Odisseia Vácuo (2023).

Fui então que chegou a minha vez de falar. Aproveitei para fazer um paralelo entre as falas de Isabella e Renato, relacionando-as com a minha própria trajetória. Meu contato com a poesia foi antes mesmo de saber ler, com minha mãe recitando poemas na família, mas estes eram de versos religiosos, evangélicos. Minha família por parte de mãe é de tradição evangélica e isso me atravessa, mas minha relação com essa herança é pela via do ódio.

Enfim, um dos poemas que minha mãe recitava era de um pastor atropelado que no leito de morte dá boa noite para todos os filhos, menos aquele que não era mais crente. Para ele, o pastor diz “Adeus”. O resultado era um chororô, eu chorava, meus irmãos, minhas tias, uma coisa bem catártica. 

Mas minha mãe também fazia poesia. Lembro-me do poema sobre sua paixão por Teófilo Otoni, MG, sua cidade natal (“Vi Teófilo Otoni florir… /Quis o ipê roxo pra mim”). Ou quando recitava para mim, de repente, o poema que começava mais ou menos assim: “Ao poeta escondido /do poema esquecido /que nunca foi lido /nem nunca será…” (...) E termina: “Está tão escondido /no baú ou na alma /que nunca foi lido /nem nunca será”. Acredito que ela ainda saiba recitá-lo perfeitamente.

Eu, como Isabella, também queria ser escritor ainda quando criança. Publiquei um livro que era uma espécie de fanfic, de forma bem independente, sem editora. O enredo tinha como personagens a Atíria, o Papílio, o Príncipe Grilo (tornado Rei), entre outros presentes na obra de Lúcia Machado de Almeida. Minha mãe enviou um exemplar para a Lúcia, que me ligou lá em casa. Na época, eu morava em Teófilo Otoni. 

Aquilo foi como se “a Divindade” estivesse falando comigo pelo telefone, algo meio como o Renato disse sobre os artistas serem entidades. Tive uma espécie de quebra de relação com a divindade naquele momento. A voz que falava no livro, sagrada, agora estava falando comigo ao telefone. Essa experiência deixou um profundo impacto em mim.

Contei de minha trajetória pela tecnologia, como programador, e também a tentativa em fazer Direito, por conta de uma visão ingênua sobre escritores como José de Alencar, Clarice Lispector, Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles,  que tiveram essa formação

Minha mãe, mais uma vez, me influenciou nesse processo, ao dizer que Letras tinha tudo a ver comigo. 

Relatei sobre a primeira aula na UFMG, com o professor ouvindo sobre meu sonho de ser escritor e me chamando de ingênuo. Afirmei que leio poesia por obrigação, uma espécie de senso de dever, para expandir meus horizontes sensíveis. Que escrevo para dar vazão ao meu desarranjo interno, sendo também minha forma de fazer política. Para mim, política é se posicionar contra o que você acha que está errado no mundo. Isso independe de partido ou orientação ideológica. Dizer que não gosta de política é um contrassenso gigantesco, em minha opinião. Um verdadeiro absurdo.

Enfim, Rafa perguntou sobre espaços de poesia em Belo Horizonte. Renato apontou o Ateliê de Estratégias Narrativas, da Laura Cohen Rabelo. Nós três falamos dos saraus que ocorrem pela cidade. Destaquei o ColetiVoz e também falei de outros coletivos poéticos. Aproveitei para divulgar a Prosa Poética  Oficina de Escrita Criativa, que acontece todas as terças, às 10h, na BPIJ-BH. E, como não podia faltar, também fiz uma fala sobre o Clube de Escritores de BH, destacando o desafio de escrita. Por fim, apontei a importância da apropriação por parte da sociedade das 22 bibliotecas públicas municipais

Como não podia faltar, fizemos leituras de nossos poemas. De minha parte, li “Édipo ao avesso” e “Preciso trocar os meus óculos”.

Uma das pessoas presentes, um leitor chamado Marcos, perguntou sobre o incentivo para a escrita e publicação de poesia. Quis saber sobre o retorno financeiro. Isabella apontou que o principal motivo são os encontros. As pessoas que conhecemos pelo caminho. Concordamos com ela. Aproveitei para destacar que me considero um ilustre desconhecido. Que formar nossas famílias literárias é fundamental. Nossa matilha. Como que para provar o que eu afirmava, estavam presentes a Pâmela Bastos Machado e a Norma de Souza Lopes, duas pessoas que eu amo demais.

Só posso declarar que foi uma noite ímpar. Mais uma vez destaco que me senti profundamente honrado por estar naquele espaço cultural, cercado por pessoas tão incríveis. E poder falar do que me toca profundamente – a poesia. Estar em espaços como esse é um grande privilégio, pela escuta e, principalmente pelos encontros.

Para finalizar, expresso minha profunda gratidão ao Rafael Mussolini e a toda a equipe do Centro Cultural Unimed-BH Minas. E que outros momentos tão especiais como esse possam sempre acontecer.


Momento de fala.


Um público bem bacana!


Rafael Mussolini, Isabella Bettoni, eu, Norma de Souza Lopes e Renato Negrão na Biblioteca do Centro Cultural Unimed-BH Minas



Com o Rafa, deixando um exemplar do Cicatriz no acervo da Biblioteca!


Eu e Isabella trocamos nossos livros!


Esse é o Marcos, que adquiriu um exemplar do Cicatriz!


* Registros fotográficos feitos por Pâmela Bastos Machado, Norma de Souza Lopes e equipe do Centro Cultural Unimed-BH Minas.

segunda-feira, julho 28, 2025

Ah, Coco, minha Coco...


Eu não queria. Juro que não. Transformar a dor em texto, em desabafo. Só que eu sinto que preciso te dizer, Coco, o quanto você foi amada. O quanto ainda é amada. Você se foi fisicamente, mas continua a pulsar aqui dentro em meu peito.

Lembro do dia em que você chegou pra mim. Foi entregue em uma caixa de papelão, lá na BPIJ. Nessa caixa eu te transportei pra casa. Um ambiente completamente novo, estranho, que você encarou com a coragem própria de uma gata.

Minha gatinha. Aquela que subia no meu colo quando eu estava no computador. Que conversava comigo a todo momento, com seus miados agudos sempre cheios de atenção. Seu pelo volumoso, do rabo que parecia um pompom.

Ah, Coco, quando vejo as nossas fotos, percebo essa nossa cumplicidade. Nós dois olhando para a câmera. Você parecendo a mais sábia e austera dos dois, com seu olhar que esbanjava dignidade.

Sei que muita gente pode achar esse desabafo exagerado. Mas quem conheceu você, sua doçura, seu miado meigo, seu jeito paciente e sempre disposto, só quem viu como você é especial vai entender.

Coco, ainda que você não tenha conhecimento destas palavras, quero dizer; preciso dizer: eu te amo!

Vai em paz, minha linda. E que você saiba que eu te amei até o fim.😭

E Pâmela Bastos Machado, obrigado por estar com a gente nos últimos momentos da Coco. Foi extremamente importante. Amo você.

segunda-feira, maio 05, 2025

Entre livros e amizades em Poços de Caldas

Um relato sobre minha viagem para curtir o Festival Literário Internacional de Poços de Caldas


Um registro da minha câmera maravilhosa. 


Enquanto escrevo, o ônibus balança um pouco, fazendo trepidar a tela do aparelho celular em minhas mãos. Estou retornando para Belo Horizonte. Saí de Poços de Caldas no início da tarde. Estive na cidade para curtir mais uma edição do Festival Literário Internacional Poços de Caldas - Flipoços. Estive nos dias 1 a 3 de maio assistindo a debates, passeando entre livros e revendo amizades. Além de ter feito novos contatos. 

Quando cheguei já era noite do dia primeiro. Com isso, visitei a feira sem participar da programação. Saí do Lux Hotel, onde estava hospedado, e fui caminhando até o Parque José Affonso Junqueira, onde o evento estava montado.

Já de início fiz contato com a escritora Bianca Pontes, colega no Clube de Escritores BH. Combinamos de nos encontrar já na feira. Também contatei a Mírian Freitas, que estava em companhia do Pedro Gontijo e da Gilberta Kis.

Era uma profusão de acontecimentos. A programação ainda acontecia. Um fluxo intenso de pessoas transitava pelas barracas e também pela chocolateria Lascaux, famosa por seus chocolates artesanais, inspirados em minerais da região. Encontrei a Gil e a Mírian no corredor de acesso do Lascaux Fomos até a entrada da feira e eu avisei que tinha uma outra amiga no evento. Fui em sua busca.

Ao encontrar a Bianca, ela me apresentou a escritora Cibele Laurentino. Tratei de apresentá-las às outras duas amigas. Logo chegou o Pedro Gontijo e nos juntamos como um grupo. Saímos juntos, trocamos ideias, reflexões e opiniões literárias e sobre a vida também. Nessa primeira noite em Poços de Caldas, atravessamos o centro da cidade, saindo do local da vila literária e indo até uma pizzaria chamada Caos, pertinho do meu hotel. 

No segundo dia, vasculhei um pouco a feira. Procurei a tenda do movimento Neomarginal, em especial a pessoa do Wesley Barbosa. Conversei um pouco com ele, explicando que trabalho em biblioteca pública e estou em contato com coletivos literários da periferia da Grande BH. Comprei dois livros dele e o cumprimentei pelo trabalho. Eu havia ficado sabendo do trabalho literário do Wesley a partir de um episódio lamentável ocorrido no evento, sobre o qual prefiro não entrar em detalhes. A mídia nacional cobriu amplamente o acontecido. Por isso, estaria só repetindo o que todo mundo já sabe. Apesar desse episódio execrável, pude por meio dele conhecer o trabalho do Wesley, que tem uma editora chamada Barraco Editorial. Os livros do Wesley que adquiri foram “Viela ensanguentada” e “O diabo na mesa dos fundos”.


Com o escritor Wesley Barbosa. 


Almocei com Bianca e Cibele. Na saída, adquiri o livro “Nobelina”, da Cibele. Depois do almoço, nos separamos para uma passada no hotel. Mais tarde, nos reunimos para assistir à mesa “Gaza: A Tragédia Silenciada – Reflexões sobre o Genocídio e suas Vozes”, que contou com a presença da Mírian Freitas, além da Soraya Misleh, Jornalista palestino-brasileira, Salem H. Nasser, professor da FGV e estudioso do Oriente Médio, do mundo Árabe e Mulçumano e a Laura Di Pietro, co-fundadora da editora Tabla. Quem mediou a mesa foi o Pedro Gontijo, que é escritor e jornalista. 

A mesa foi forte, urgente, com falas contundentes e necessárias, denunciando o genocídio em curso promovido pelo Estado de Israel contra o povo palestino. Uma atrocidade sem tamanho, em que milhares de crianças foram e continuam sendo assassinadas. A Soraya foi incisiva em sua fala, com uma revolta quase explosiva, conclamando todas as pessoas a lutarem em prol da causa palestina. Ela falou da colonização por ocupação, que visa substituir a população nativa por uma outra, de fora, e que o plano sionista não é novo, assim como os massacres de Israel contra aldeias palestinas.

O professor Nasser teve uma fala reflexiva sobre os disparates do silenciamento das narrativas palestinas e imposição de uma história única, elaborada como propaganda para colocar toda a comunidade mundial contra o povo palestino. 

A Laura abordou a riqueza da literatura produzida por palestinos. Não apenas como relato documental, algo importante para o registro histórico do que está ocorrendo, mas também como resistência e principalmente como sobrevivência da cultura palestina.

Mírian então fez sua fala a partir da experiência de escrita e publicação de seu livro “Damascos Feridos – poemas sobre Gaza”. Uma obra poética que atua como um grito de dor e protesto, nascido da empatia pelo sofrimento das mães, suas crianças e demais pessoas da Palestina.

A mediação do Pedro foi brilhante. Equilibrada, incisiva e reflexiva, procurou explorar o que havia de fundamental nas falas das convidadas e do convidado.

Dessa mesa, dois pontos eu gostaria de destacar: um é a palavra “Sumud”, que é rica em significados, uma palara-semente, que encerra em si a resistência e a esperança do povo palestino. A segunda é a frase da Soraya: “Somos todos palestinos.” Enquanto não percebermos a dimensão dessa frase, continuaremos inertes diante da escalada do terror que ocorre na Palestina.


Mesa sobre o Genocídio em Gaza.


Depois dessa mesa tão potente, precisei retornar ao hotel para descansar um pouco, pois foi uma mesa que mexeu muito com a gente. Retornei mais tarde para encontrar os amigos, que estavam em um bar na companhia da Laura e da Ana, ambas da editora Tabla. Conversamos bastante sobre literatura. 

Mais tarde, depois que Ana e Laura haviam ido embora, saímos do bar e fomos caminhando ao longo das bordas do parque, até encontrarmos um quiosque que vendia pizzas e massas, chamado Picolin. De lá, ainda passamos em uma loja de conveniência, onde compramos picolés e nos despedimos com muita alegria.


A galera reunida.


No dia seguinte, 3 de maio, cheguei a tempo de pegar a mesa “Prêmios Literários: Reconhecimento, Impacto e o Futuro da Literatura Brasileira” com a presença da autora Izabella Cristo e mediação do Henrique Rodrigues, curador do Prêmio Caminhos da Literatura. Izabella venceu o 1º. Prêmio Caminhos da Literatura e estava lançando o livro “Mãezinha”, pela Editora Dublinense. Durante a mesa, ela falou sobre a experiência da escrita do livro, que passa pela vivência da maternidade da UTI e também do exercício da profissão de médica cirurgiã.

Aproveitei para perguntar sobre a importância da cadeia de mediação para o fortalecimento da literatura. Henrique respondeu que é fundamental profissionalizar a mediação, inclusive criando leis que estruturem a mediação como política pública, atrelada à compra de livros, para que não aconteça de o livro acabar parado na estante ou dentro de um armário de uma biblioteca escolar ou pública. 


Com Izabella Cristo. 


Logo em seguida começou a mesa “Literatura e Família – Maternidade, Paternidade e dramas familiares na literatura contemporânea” com Karine Asth, Cibele Laurentino, Guilherme Marchi e Jaqueline Lima. Bianca Pontes foi a mediadora. Com um domínio impecável, ela conduziu tanto o tempo de fala quanto as reflexões, demonstrando um grau enorme de comprometimento com o tema da mesa e com as obras das convidadas e do convidado. Logo de início ela fez uma provocação ao dizer que estava mudando o nome da mesa, trocando “Maternidade” e “Paternidade” por “Parentalidade”, argumentando a partir da fala da Izabella Cristo na mesa anterior, que mãe nem sempre é quem gera e que o ato de criar, educar uma criança, muitas vezes foge do padrão de família convencional. Ela também convidou as pessoas integrantes da mesa a refletirem sobre como essas relações surgem não apenas em suas obras, mas em seus processos de escrita.

Mais uma vez em quis contribuir e, no momento das perguntas do público, perguntei às pessoas da mesa como elas viam a biblioteca pública e se ela ainda é relevante em nossa sociedade atual, em que a informação e a literatura migram cada vez mais para o suporte digital. Todos afirmaram que a biblioteca é fundamental na vida de quem lê e escreve. Karine foi mais longe ao ressaltar que é imprescindível que mães e pais se envolvam no incentivo à leitura, levando suas crianças à biblioteca pública. Ela fez um encantador relato pessoal sobre a visita que fez com seu filho à Biblioteca Pública de Recife. 

Ao final da mesa, aproveitando que tanto a Jaqueline quanto o Guilherme são de Belo Horizonte, falei da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH, convidando-os para conhecerem nosso espaço. Os dois pareceram interessados em visitá-la um dia. Aproveitei para comprar o livro da Cibele “Eu, inútil” e pegar um autógrafo. Em seguida, fui com Bianca, Cibele e Karine a um café que funciona dentro do parque. Porém, logo nos separamos.


Com a Cibele Laurentino. 


Já no início da noite ocorreu a mesa “Territórios da Palavra: A Literatura de Itamar Vieira Junior”. Eu cheguei quando estava começando e ouvi alguém mencionar no alto-falante “O caso da borboleta Atíria”. Meu alarme apitou. Era o Itamar, contando como esse livro foi crucial para que ele se tornasse escritor. Fui conquistado naquele momento, pois me senti conectado ao Itamar. Afinal, esse livro me encantou de tantas maneiras que ele realmente é a razão de eu ter me comprometido com a leitura e a escrita. Comentei isso com o Pedro, que estava do meu lado. Ele riu e disse que com ele foi a mesma coisa. “Foi o primeiro livro da Série Vaga-lume que eu li!” Ele falou. “Somos irmãos de livro!” Declarei, também rindo.

Um pouco mais tarde, ficamos sabendo de uma mesa nascida “de improviso” sobre o Movimento Neomarginal e fomos assistir. No palco estavam o Wesley Barbosa e o Vitor Miranda. Ambos falaram sobre suas trajetórias como escritores. Wesley revelou como encheu o Ferréz de contos e recebeu dele o retorno positivo. Sobre sua escrita refletir sua realidade e sua admiração por contistas clássicos russos.

Autor de “Os ratos vão para o céu?”, Vitor falou sobre a ironia no nome do Movimento Neomarginal, que dialoga com a literatura marginal de 1970. Falou também sobre seu gosto por brincar com leitores e personagens, visando o inusitado. Após a mesa, aconteceu o sarau do Movimento Neomarginal, com participações de autoras e autores com seus textos de prosa e poesia.

Ainda naquela noite, fomos jantar no Ibis. Lá, reencontrei o Henrique Rodrigues. Ele me reconheceu e perguntou se tinha sido eu a fazer a pergunta sobre mediação. Respondi que sim. Conversamos um bocado sobre prêmios literários e políticas públicas para livro e leitura. 

Ainda esticamos um pouco mais a noite, indo parar em uma lanchonete especializada em batatas fritas. Lá, nós falamos sobre experiências com editoras, mercado literário e projetos afins. Dado o avançar da hora, nos despedimos por lá e eu segui a pé para o meu hotel.

Bem, esse foi o fim da aventura na 20ª edição do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas - O Flipoços. Dias de encontros inspiradores, nascimento de novas amizades e fortalecimento de parcerias. Acredito que um evento desse porte é extremamente necessário, dada sua potência. O evento também revelou uma necessidade urgente do engajamento no combate ao racismo e a outras várias formas de violência. 

É o terceiro ano seguido que vou a Poços de Caldas em ocasião do festival. Ano passado, fui para expor um dos meus livros na tenda dos autores independentes. Desta vez, porém, estive lá como parte do público e pude curtir mais o festival. Espero que em 2026 eu compareça novamente, fazendo novas amizades e fortalecendo as atuais. Por isso, termino este texto saudando as pessoas da Bianca Pontes, da Cibele Laurentino, da Gil Kis, da Mírian Freitas e do Pedro Gontijo. Muito obrigado por tornarem esta experiência inesquecível.


Gratidão!

domingo, abril 27, 2025

Coisas que uma criança pode "aprender" na Bíblia

 A leitura bíblica deveria vir com aviso de gatilho


Atenção! Aviso de gatilho: este texto é tóxico. Nele há referências a assassinato, estupro e genocídio. 


Recentemente, soube que a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou um Projeto de Lei que autoriza o uso da Bíblia “Sagrada” como recurso paradidático em salas de aula. O argumento é que o livro seria fonte de informações históricas sobre “civilizações antigas, como Israel e Babilônia”. Outra fala, essa mais tendenciosa, afirma que o contato com a Bíblia transmite “valores cristãos” e que propicia “cura”.

A partir dessa notícia disparatada, fiquei imaginando o que uma criança encontrará no texto bíblico. Será que professoras e professores recomendarão cautela à criança enquanto ela navega pelas páginas das “divinas escrituras”? Ou deixarão que ela acesse livremente os registros “históricos” milenares?

Penso na quantidade de informações “curiosas” que a Bíblia pode fornecer para o pequeno leitor. Primeiramente, existe uma larga e massiva propaganda para que as pessoas se acheguem ao texto bíblico sem qualquer cautela ou mediação. Ah, a “palavra de Deus” fornece “cura”, “alimento” para a alma. Essas são as afirmações dos entusiastas religiosos.

Claro, existe um monte de preceitos, ordens, regras sobre conduta na Bíblia, algumas até bastante ultrapassadas e inclusive completamente ignoradas. Por exemplo, temos o livro de Levítico para chamar mulheres em período menstrual de “imundas”, ou a proibição, atualmente ignorada pela maioria dos cristãos, do consumo da carne de porco. Seria possível listar uma série de mandamentos que, se desobedecidos, teriam como pena o apedrejamento ou o fogo. Quem duvida pode dar uma conferida no livro de Levítico. 

Através da Bíblia, a criança pode aprender sobre a antiga arte de exterminar um povo, ou seja, o genocídio puro e simples. Em Números 31, os israelitas cometem genocídio contra os midianitas pela primeira vez, a mando de Deus. Isso porque eles tinham crenças e práticas diferentes quanto ao sexo e isso foi considerado uma “tentativa” de destruir o “povo escolhido”. Essa primeira grande atrocidade comandada por Deus foi perversa e doentia, inclusive com a orientação de Moisés. Quando os soldados israelitas voltaram do massacre trazendo mulheres e crianças como prisioneiras, o profeta bíblico ficou irado. Mandou que fossem executados todos os meninos e todas as mulheres que não fossem virgens. As sobreviventes foram dadas para os soldados. Esse é o nível de amor e bondade que uma criança pode ver na Bíblia. E não venham dizer que os tempos eram outros, que esses acontecimentos têm um valor simbólico ou qualquer argumento barato. Atrocidade não se justifica e ponto.

Acontece que esse não foi o único exemplo dos horrores cometidos por ordem divina. Em Josué, vários povos são massacrados: os heteus, os girgaseus, os amorreus, os cananeus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Isso porque eles habitavam a “terra prometida”, ou seja, eram inimigos simplesmente porque existiam. Alguém lembra de algum cenário atual?

Essa prática do genocídio não cessa depois que os israelitas se estabelecem na “terra prometida”. Em Juízes, eles cometem genocídio contra uma de suas tribos, Benjamin, quase eliminando-a completamente. Depois, lançam mão do esturpo em massa para “salvar” a tribo que estava em vias de extinção. Esse episódio é hediondo do início ao fim, narrado num grau de frieza e naturalidade assustadoras. Outro grande genocídio é praticado ainda no início de I Samuel, contra os amalequitas. Isso por uma rixa antiga de Deus contra esse povo. É, pelo visto o Divino não é mesmo capaz de perdoar. 

Claro, e como seria? Se Deus, que teria criado todo o Universo, as Leis da Física e tudo o mais, foi capaz de criar uma regra de que só com sangue um pecado pode ser perdoado, não dá para esperar coisa boa dele.

É possível também conhecer na Bíblia o perigo do “coito interrompido”. Em Gênesis 38, Onã é morto por Deus porque não ejaculava dentro de sua esposa. Sim, o Todo-Poderoso decidiu assassinar um simples homem porque ele não queria engravidar a viúva do seu irmão, com quem havia se casado por ordem de Deus, pois assim o filho contaria como descendente do falecido. Já podemos logo de início perceber que Deus não deixa barato. Se uma atitude como essa pode provocar sua morte, é bom andar “pianinho” com esse ser onipotente. Temor, meus caros, temor! E tremor, aliás.

A Bíblia dá umas lições muito confusas para as pessoas. Por exemplo, mentir é pecado. Porém, os patriarcas bíblicos (Abraão e Isaque) mentiram quando estavam no Egito, informando aos Faraós de suas épocas que suas esposas eram suas irmãs. E Deus foi lá fazer o quê? Punir os Faraós, é claro. Afinal, eles estavam com as mulheres de seus “próximos”. A confusão foi desfeita, felizmente, sem ninguém ter morrido. Mas fica a dica. Se você é escolhido por Deus, pode mentir, enganar, manipular e ludibriar à vontade.

O maior exemplo disso é Jacó, que depois se chamou Israel. O cara deu o golpe no irmão, Esaú, para assim receber a bênção do pai. “Comprou” do irmão o direito da primogenitura. Como se isso fosse possível. Ah, mas a gente se esquece que “tudo é possível” se você é “escolhido” por Deus. Depois, Jacó foi lá e “cobrou” a dívida. Como? Aproveitando-se da cegueira tardia do pai para receber a bênção no lugar do primogênito. Não teve o menor pudor em manipular o próprio pai que, segundo a mesma “escritura sagrada”, deveria ser honrado pelo filho.

Mais tarde, o pimpão se casa com duas mulheres. Detalhe: irmãs. Não satisfeito, ele se aproveita da rivalidade das duas para fazer sexo também com suas damas de companhia, ou melhor, servas. Fique registrado que este último termo foi um eufemismo para mulheres escravizadas. Uma das coisas perversas nisso tudo é que ninguém se lembra das servas. Seus sentimentos, desejos, temores, nada disso foi registrado. Por isso, ninguém se lembra delas.

As contradições não param por aí. Um dos maiores nomes da Bíblia é justamente o de Davi, chamado de “homem segundo o coração de Deus”. Pois esse cara não fez nada mais que matar e tomar mulheres à força. Se Davi queria uma mulher, ele ia lá e pegava. Ah, claro, as palavras são suavizadas, mas Abigail teve mesmo uma escolha? Como dizer não ao um senhor da guerra que chega com um exército à sua porta logo após a morte do seu marido? O mesmo senhor da guerra que ameaçou se vingar do seu marido quando este ainda era vivo? Além disso, as 10 concubinas do rei tiveram alguma chance de dizer não? E Bate-Seba, esposa de Urias, oficial de Davi?

A história de Urias é uma das mais lamentáveis. Integrante do exército israelita, esse estrangeiro (um heteu) era mais fiel a seu rei e a seus companheiros do que à própria esposa. Isso eu digo: infelizmente. Pois a recíproca não foi verdadeira, no caso de Davi. Enquanto seu exército estava em guerra, o monarca passava o tempo contemplando a paisagem do alto do seu palácio. Viu uma mulher tomando banho e a desejou. Saber que se tratava de Bate-Seba, esposa de Urias, não o deteve. 

Quando a notícia da gravidez de Bate-Seba chegou até Davi, ele arquitetou um plano para “resolver” o imbróglio. Convocou o oficial, que estava no campo de batalha. Logo que Urias chegou, Davi ordenou que servissem vinho ao homem. Na cabeça do rei, Urias voltaria para casa, bêbado, e dormiria com a mulher. A infidelidade seria encoberta, pois o militar pensaria que a gravidez teria sido concebida em sua noite de folga.

Porém, Urias não voltou para casa. Na manhã seguinte, Davi ficou sabendo que o homem havia dormido no portão do palácio. Ao ser inquirido, Urias alegou que não tinha direito de dormir no conforto de sua casa, enquanto seus companheiros enfrentavam as dificuldades do acampamento de guerra, dormindo ao relento. 

Assim, Davi toma uma decisão drástica e que, para mim, é o ápice da perversidade. Escreveu uma carta endereçada a Joabe, comandante do exército. Na carta, Davi dava ordens específicas para que Urias fosse abandonado durante a batalha, de modo que morresse de qualquer jeito. E agora vem o ponto mais perverso e maligno de tudo: o portador da carta foi o próprio Urias! Sim, ele levou sua própria sentença de morte, sem saber de nada!

Os mais religiosos vão alegar que o pecado de Davi (para mim isso foi é crime hediondo com motivo torpe) não ficou impune, que Deus o puniu. Como? MATANDO A CRIANÇA gerada no adultério. E não foi uma morte súbita. O bebê AGONIZOU. Como Deus é bom!

Há um outro discurso sobre a punição divina. Alguns dizem que o que aconteceu com a família de Davi depois teria sido em parte consequência desse adultério. Claro que tem mais uma contribuição do próprio Davi nessa história. E o que afinal aconteceu? Bem, digamos que os filhos de Davi em geral não foram muito bons uns para com os outros. Para começar, Amnon cometeu estupro contra Tamar, que era sua irmã por parte de pai. Absalão, irmão de Tamar por parte de mãe e pai, exigiu de Davi uma punição contra Amnon, o que não aconteceu. Amargurado, Absalão decide fazer “justiça” com as próprias mãos, tramando e executando o assassinato de Amnon. Não satisfeito, ele dá um golpe de estado e depõe o pai, assumindo o trono de Israel.

Aqui, faço uma breve interposição. A cena que descreve a desolação de Tamar depois de seu estupro é de cortar o coração. E isso não comoveu seu próprio pai, o tal homem segundo o coração de Deus. Absalão não ficou satisfeito em exilar o pai e assumir seu lugar no governo. Ele precisava puni-lo “adequadamente”. Nada melhor do que humilhá-lo publicamente. Só que essa “humilhação”, mais uma vez, foi voltada a quem não tinha nenhuma culpa. Sim, Absalão decide estuprar publicamente as 10 concubinas de Davi que haviam sido deixadas para trás na fuga de Jerusalém. Depois que Absalão foi morto e o seu pai reintegrado ao trono, essas mulheres, que foram vítimas, receberam um tratamento terrível, sendo confinadas, como se estivessem irremediavelmente contaminadas. Ou seja, foram condenadas ao enclausuramento.

Nem depois da morte de Davi a violência entre seus filhos acabou. Quando Salomão subiu ao trono, um dos seus irmãos, Adonias, aproximou-se de Bate-Seba e pediu em casamento a mão da moça que foi cuidadora de Davi antes de sua morte. Isso teria sido visto por Salomão como uma tentativa de golpe. Enfurecido, o novo rei mandou seu irmão mais velho ser executado. Isso que é amor fraterno! A família de Davi nos ensina tantos valores familiares!

Alguém pode alegar que essas narrativas são de outra época, um período anterior à Graça, que teria sido instituída a partir da morte de Jesus na cruz. Então, eu evoco o discurso do próprio Cristo. Se alguém se lembrar do episódio em que o apóstolo Pedro decepa com uma espada a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote, vale lembrar que foi Jesus que mandou comprar a espada que Pedro usava. Tudo bem que ele usou o acontecido para apregoar seu discurso pacifista, pois “quem matar com a espada com a espada morrerá”. Mas ninguém teria sido ferido se ele não tivesse mandado comprarem espadas, para início de conversa!

E para exemplificar como a Graça não é para todos, podemos dar um pulo no livro de Atos, bem no começo, com o ocorrido com Ananias e Safira. Os dois morreram porque, segundo Pedro, mentiram para o Espírito Santo. Isso porque não queriam dar todo o seu dinheiro para a incipiente Igreja. Até mesmo o Consolador é implacável. A propósito, falar mal do Espírito Santo é imperdoável, fica a dica!

Através desse percurso bíblico, podemos perceber como Deus de fato faz acepção de pessoas! Sim, Javé, Jeová ou Yaweh, em qualquer uma das Três Pessoas que o constituem, não perdoa, não se compadece e não releva. Sua lógica de crime e castigo é tão rígida, tão estrita e mesquinha, que ele não poupa uma das suas três manifestações (o Filho) porque decidiu não ser capaz de perdoar. Quem diz que a Bíblia ensina a perdoar ou está enganado, ou engana. Não, a “Palavra de Deus” determina que toda dívida deve ser paga, sem perdão. Ah, e tem dívida impagável. Então, é melhor ficar de olho, pessoal!

É por essas e algumas outras que imagino como o uso da Bíblia como recurso paradidático pode mandar mensagens no mínimo confusas para as crianças e adolescentes. Inserir nas escolas esse livro tendencioso e regado a sangue pode ser profundamente danoso, um perigo real para estudantes em formação. Para evitarmos qualquer equívoco e prejuízo para o desenvolvimento cognitivo desses pequenos estudantes, ou melhor, de todas as pessoas que quiserem ler as “escrituras”, que tal as sociedades bíblicas e instituições cristãs passarem a incluir avisos de gatilho na capa de suas novas edições da Bíblia “Sagrada”? Poderiam evitar muita dor de cabeça. Como a que eu estou sentindo, ao terminar de escrever este texto.