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sexta-feira, março 06, 2026

Fim da campanha e eventos literários


Sábado passado, dia 28 de fevereiro, foi o último dia da campanha de pré-venda do meu livro Convergência. Alcançamos R$ 3.793, 00 e a página informa 47 apoiadores. 

Considero esses números uma vitória. 47 leitores! Sim, tenho 12 anos desde a primeira publicação. O sonho era ter milhares de leitores a essa altura. Bem, o fato é que "Convergência" é um sonho antigo, um dos meus projetos literários primordiais. Publicar esse livro é uma realização e ao mesmo tempo um retorno às origens. 

Eu quero agradecer profundamente às pessoas que tiveram a generosidade de apoiar este projeto. Algumas não tiveram condição de adquirir o exemplar físico e, ainda assim, apoiaram. Minha gratidão é enorme!

Sábado também foi dia do Festival Sempre Um Papo. Nele, encontrei pessoas amigas e vendi alguns exemplares. Fiz novas amizades. Também comprei alguns livros, com direito a autógrafos. Foi bem legal.

Já o domingo foi o dia da Vívian, minha namorada, que brilhou no lançamento do seu livro, Versos Roubados. Tive a honra de participar de um bate-papo com a autora, que compartilhou conosco seu processo criativo, os bastidores de sua escrita, sua intencionalidade e vivência. Tivemos também os versos na voz da autora, o que acho lindo. 

A amiga Norma de Souza Lopes fez uma participação, refletindo sobre o livro com muita profundidade. Outras pessoas ficaram animadas para ler as poesias da Vívian. 


Quem quiser adquirir o livro Versos Roubados, basta acessar a loja da Editora Polifonia, ou entrar em contato diretamente com a autora, Vívian Marchezini, no perfil profissional que ela tem no Instagram.

O domingo terminou com um encontro com a amiga escritora Jadna Alana, vencedora do Prêmio Kindle de Literatura 2026, com seu livro Barquinho de papel.

Abaixo, deixo alguns também registros do Festival Sempre Um Papo.











Finalizo com a lista de pessoas que apoiaram meu sonho:

Vívian Marchezini ❤️

Marison Eustáquio Lacerda Parreiras

Arnaldo dos Santos

Vandernailen Medina

João Emílio Medina R. Lages

Pâmela Bastos Machado

Bianca Pontes

Emanoel Ferreira

Jadna Alana 

Érica Lima 

Guilherme Soares

Thaís Campolina 

Mírian Freitas

Audrey Cristiane Macedo Rocha

Patrícia Renó

Isabella Albuquerque

Felipe Diógenes

Arthur Medina 

Vânia Bonadio 

Gau Laet

Maria do Carmo Rocha (Cacá)

Fernando Junio Santos Silva

Pri Varella

Liel Mangaraviti

Rodrigo de Freitas Teixeira

Aline Cântia 

Vitor Américo

Val Armanelli

Alycia Moreira 

Evelyn Medina (Tia Beve)

Fabiano da Mata

Monique de Magalhães

Gislayne Matos

Marcos Coelho Bissoli

Norma De Souza Lopes

Manu Patente

Paul Berssey

Lilia Martins 

Servos Cardoso

Áurea L. Leite

Margareth Cordeiro Santana

Marli Mariani

Rosi Amaral

Andrea Paula Leal e Silva

Soraia Magalhães

Juliana Daher

Maria Célia Nunes

Daniela Costa de Queiroz

Brenda Linda Medina Lages

Marly com y

Silvia Maria Lacerda Cançado

Wander Ferreira

Katia Edilene Ferreira

Fabíola Ribeiro Farias

A vocês meu muito obrigado! 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Fim da campanha de pré-venda, Festival Sempre Um Papo e um convite especial


No dia 28 de fevereiro deste ano, daqui a 3 dias, a campanha de pré-venda do meu livro Convergência chegará ao fim. Foi uma jornada cheia de altos e baixos emocionais para mim. Tive apoios de muita gente. A maioria foi de amigos e pessoas queridas. É uma felicidade isso. Além de ter batido a meta mínima necessária para a viabilização do projeto, consegui alcançar as metas 2 e 3. Para um escritor como eu, pequeno e de pouca visibilidade, é um resultado além de satisfatório. 

Ainda é possível, porém, fazer seu apoio e garantir seu exemplar autografado. A campanha pode ser acessada através do link: https://benfeitoria.com/projeto/convergencia.

Nesse mesmo dia, vou participar de um evento bem legal aqui na minha cidade. Será o Festival Sempre Um Papo. Ele será um enorme encontro de escritores e livros e vai acontecer na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21 – Centro. BH/MG). Então, se você quiser conhecer meu trabalho, bater um papo e, quem sabe comprar um livro, estarei lá de 19h às 20h.


Fechando o final de semana e dando início a uma nova, quero fazer um convite especial. Mina namorada, Vívian Marchezini, vai lançar seu livro Versos Roubados no café Tons de Verde. A gente se aproximou pela poesia e por isso estar nesse lançamento com ela é algo muito significativo para mim.  Foi a partir do poema "Feliciteza" que me encantei pela escrita da Vívian e, posteriormente, pela pessoa que ela é. Uma poeta poderosa, que alia a suavidade da flor com a potência das raízes e troncos para criar uma poesia que é cálida e, ao mesmo tempo, contundente. 

Fica então o convite para a gente papear e ler poesia! Além de boa companhia e, é claro, um delicioso café! 

Lançamento do livro Versos Roubados, de Vívian Marchezini 

Data: 01 de março de 2026, domingo

Hora: 15h às 18h

Local: Tons de Verde Café (R. Mario Mendes Campos, 65 – Castelo. BH/MG)




segunda-feira, janeiro 19, 2026

Convergência - A campanha de Pré-venda já está no Ar!

 


Quem acompanha meu trabalho já sabe que assinei um contrato com a editora TAUP - Toma Aí Um Poema, para a publicação do livro de contos Convegência. Pois chegou a hora da verdade: A campanha de pré-venda do livro foi lançada, na modalidade de financiamento coletivo. O desafio agora é trazer pessoas para colaborarem e transformarem esse grande sonho em realidade. 

Vou compartilhar aqui algumas informações que estão na página da campanha, para vocês terem uma ideia do que o livro Convergência trata:



Convergência é uma seleção de contos que contemplam um período que vão desde a juventude até a meia-idade do autor. As narrativas presentes nessa coletânea passeiam do cotidiano trivial até o mágico e maravilhoso. São tramas diversas, algumas que se propõem bem-humoradas, enquanto outras carregam certo peso dramático. O autor revela em muitos desses trechos um certo desencanto com a mística hegemônica, buscando assim outras formas de espiritualização. 

Há também a exploração de um tom jovial, principalmente nos contos mais antigos, escritos durante a juventude do autor. A dramaticidade também está presente em alguns desses contos, criando assim uma oscilação entre o trágico, o humorístico e o dramático. Apesar disso, nenhum dos textos se propõe sério demais. São exercícios de devaneio e ficcionalização. Há o trabalho com a linguagem, mas o que se busca nessas narrativas é o sonho, a fabulação, a exploração hipotética.

Não é exagero dizer que Convergência luta com o tempo. Através desses contos, busca se tornar a arma do autor contra a arbitrariedade do mundo, da vida, do universo. A imposição da existência de um deus que tudo ordena, que estabelece uma lógica perversa de pecado e punição, torna-se alvo de desconstrução na malha ficcional proposta nessas narrativas.

Uma jovem aspirante a atriz que comparece a uma entrevista de emprego um tanto inusitada. Um rei ganancioso que se esforça para roubar uma poção milagrosa. Um rapaz que tem como objetivo criar o conto perfeito. A relação incomum entre uma pessoa e os pequenos bichos que a cercam. Os contos reunidos carregam uma certa ingenuidade criativa. Especulam sobre a vida, o universo e tudo o mais, se a imaginação humana fosse a essência do divino. Bem, talvez seja, talvez não.

Espero contar com vocês nesta mais recente jornada!

Para apoiar a campanha de financiamento coletivo, basta clicar no link: 
https://benfeitoria.com/projeto/convergencia

sexta-feira, dezembro 26, 2025

Minha história com a TAUP



Conheço a editora Toma Aí Um Poema (TAUP) há algum tempo. Logo que ela surgiu no meu radar, fiquei deslumbrado com as propostas visuais, a estilização do site e também as capas dos livros. Mas o que me encantou mesmo foi o diferencial na proposta de parcerias com pessoas autoras. 

A gente sabe que publicar livro não é fácil, mesmo hoje, em que as tiragens podem ser muito baixas, a impressão sob demanda é uma opção e ainda é possível recorrer ao suporte digital. Porém, o livro como objeto físico ainda é um fetiche, pra não dizer uma trincheira. 

As editoras são empresas e precisam se sustentar dentro de uma lógica de mercado, algo que muitas vezes não é compatível com o fazer artístico, muito menos com o perfil nada empreendedor da maioria de escritoras e escritores. E este é o meu caso. 

Portanto, ao buscar uma atuação mediante um viés mais social, contando inclusive com um fundo de apoio mútuo, a TAUP apresenta-se com um diferencial em relação a outras casas editoriais. Claro, não é estou falando de perfeição, mas de possibilidade de sonhar junto. 

Mas preciso contar a história toda. Recentemente, minha namorada, Vívian Marchezini, me avisou de um edital de publicação da TAUP. O recorte era poesia erótica. Vívian, que recentemente lançou seu magnífico "Versos roubados", deu a ideia da gente enviar um poema cada um. E fomos selecionados. Isso abriu o canal de conversa com a TAUP. Recentemente, recebi um e-mail da editora, perguntando se eu teria interesse de enviar um livro solo e apresentando os limites para o arquivo. Dei um duro para organizar uma antologia que conceitualemente já estava em minha cabeça há anos e enviei o "Convergência". A história desse título eu conto em outro momento.

Assim, recebi o retorno de que meu livro de contos havia sido selecionado. Até a assinatura do contrato, foi um pulo. Trocamos ideias, tirei dúvidas e fiquei satisfeito com a proposta de publicação. Claro, dá um frio na espinha, porque a gente precisa movimentar uma campanha de financiamento coletivo. Porém, a vida é repleta de desafios, não é mesmo?

Sinto-me genuinamente animado para as próximas etapas dessa jornada. Em breve, conto mais!

E pra quem quiser conhecer melhor a TAUP, basta entrar no perfil do Instagam e cliar nos links que estão na bio! 

terça-feira, dezembro 23, 2025

Sementes lançadas para 2026 - Contrato assinado com a editora TAUP!


O ano está no fim, marcando já o início de um novo percurso. Meu livro Convergência será publicado em breve! Assinei recentemente o contrato com a editora Toma Aí Um Poema – TAUP. Cada livro é uma realização especial. Por isso, compartilho com vocês esta alegria.

Convergência é uma coletânea de contos antigos e novos, que atravessam gêneros como a fantasia, a ficção científica (com um ar de paródia) e o cotidiano mais trivial. Publicar esses contos é um marco em minha trajetória, pois muitos desses contos fervilham em minha alma há anos. Ter uma casa para eles é uma alegria sem tamanho.

Quem conhece as obras de ficção que já publiquei poderá identificar alguns desses traços, pois terá em mãos contos que apresentam um autor em formação. Será possível também encontrar minhas mais importantes referências.

Espero que vocês possam me acompanhar nessa emocionante jornada!

quarta-feira, agosto 20, 2025

É tudo sobre encontros


Eu tenho uma relação antiga com a poesia. Porém, há pouco tempo tenho assumido o lugar de poeta, com a publicação do meu livro Cicatriz, ocorrida no final de 2024, pela editora Litteralux. Sim, eu sei, posto poemas há anos nas redes e no blog, mas não é a mesma coisa. Ter meus versos transformados em um objeto como o livro tem me levado a outros lugares, para falar de meu fazer poético.

Foi o que aconteceu no dia 12 de agosto, terça, quando compareci como convidado, junto com Isabella Bettoni e Renato Negrão, para o Sarau Poético Vozes da Cidade, na Biblioteca do Centro Cultural Unimed-BH Minas. O convite partiu do bibliotecário Rafael Mussolini, que realiza há anos um trabalho consistente de promoção literária e formação de leitores. Conheci o Rafael quando ele ainda atuava como coordenador do Projeto Polo de Leitura Sou de Minas, Uai! e já mantinha uma presença forte nos debates para a construção de uma política pública para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas em Belo Horizonte.

Portanto, ao receber esse convite, eu me senti genuinamente honrado. Afinal, trata-se de uma pessoa que muito admiro, tanto pela atuação como bibliotecário e mediador de leitura, quanto como leitor e crítico, com seu blog pessoal, passando também por sua relação afetiva com a escritora Marina Colasanti, a quem admiro desde criança. Rafael criou o site Marina Manda Lembranças, que logo se tornou o site oficial da escritora ainda quando estava viva.

Ao saber que compartilharia a fala com a Isabella Bettoni e o Renato Negrão, minha sensação de privilégio e responsabilidade cresceu ainda mais. Havia conhecido a Isabella pouco tempo antes e tinha seu livro, emprestado do acervo da BPIJ-BH, comigo. Já Renato eu conheço desde 2019, quando assisti sua fala no Segundo ConVerso de LiteraRua, no Centro Cultural Usina de Cultura. Portanto, minha admiração por essas duas pessoas da poesia já era patente. 

O sarau teve início com o Rafael mencionando a iniciativa da 2ª Noite de Museus e Bibliotecas, que busca promover a ocupação desses espaços, a partir de atividades fora de seus horários de funcionamento. Fez uma leitura sensível de um poema da grande Wisława Szymborska, sobre pessoas que gostam de poesia. Em seguida, acrescentou que a escolha da poeta e dos poetas da noite se pautou pelo perfil de pessoas que transitam e vivem na cidade de Belo Horizonte. Ele muito cuidadosamente leu as bios de cada convidada e convidado. 

A palavra então foi passada para Isabella, que traçou um histórico desde sua infância, revelando seu sonho de ser escritora e que a poesia nasceu nela desde que começou a traçar as primeiras letras. Foi de fato uma criança escritora, pois publicou seu primeiro livro aos 12 anos e essa experiência impactou sua vida profundamente, por ter sido uma criança escrevendo para crianças. Formou-se em Direito e atua como advogada feminista, na área do Direito à Cultura. Em 2020, durante a pandemia, participou de diversas oficinas de escrita ministradas por mulheres. Dos versos criados nasceu seu livro Não tentar domar bicho selvagem.

Renato Negrão assumiu o microfone e contou que passou uma infância cercada pela arte e pela cultura. O pai colocava para tocar discos de muita música boa, de Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Rita Lee. Renato achava que artista era uma espécie de entidade, tipo um extraterrestre, como eles mesmos pareciam admitir. Essa coisa de ver o artista na caixa da televisão, ou a voz saindo do vinil. Fato é que sempre quis ser artista. A mãe o colocou no curso profissionalizante, onde aprendeu a trabalhar com tipografia, e produção de revistas. 

Um dia, foi barrado na entrada do prédio de seus amigos que moravam perto de sua casa. Com isso, escreveu um manifesto poético e pregou na parede do elevador. Essa experiência causou grande efeito nele. Percebeu que poderia se destacar pela intelectualidade. Logo identificou que sua pegada era o trânsito entre palavra e imagem. Busca assim sempre seguir pela via da experimentação. Sua obra poética é numerosa e consistente, indo desde a participação na coleção Poesia Orbital, bem como os livros solo No Calo (1996), Vicente Viciado (2012) e Odisseia Vácuo (2023).

Fui então que chegou a minha vez de falar. Aproveitei para fazer um paralelo entre as falas de Isabella e Renato, relacionando-as com a minha própria trajetória. Meu contato com a poesia foi antes mesmo de saber ler, com minha mãe recitando poemas na família, mas estes eram de versos religiosos, evangélicos. Minha família por parte de mãe é de tradição evangélica e isso me atravessa, mas minha relação com essa herança é pela via do ódio.

Enfim, um dos poemas que minha mãe recitava era de um pastor atropelado que no leito de morte dá boa noite para todos os filhos, menos aquele que não era mais crente. Para ele, o pastor diz “Adeus”. O resultado era um chororô, eu chorava, meus irmãos, minhas tias, uma coisa bem catártica. 

Mas minha mãe também fazia poesia. Lembro-me do poema sobre sua paixão por Teófilo Otoni, MG, sua cidade natal (“Vi Teófilo Otoni florir… /Quis o ipê roxo pra mim”). Ou quando recitava para mim, de repente, o poema que começava mais ou menos assim: “Ao poeta escondido /do poema esquecido /que nunca foi lido /nem nunca será…” (...) E termina: “Está tão escondido /no baú ou na alma /que nunca foi lido /nem nunca será”. Acredito que ela ainda saiba recitá-lo perfeitamente.

Eu, como Isabella, também queria ser escritor ainda quando criança. Publiquei um livro que era uma espécie de fanfic, de forma bem independente, sem editora. O enredo tinha como personagens a Atíria, o Papílio, o Príncipe Grilo (tornado Rei), entre outros presentes na obra de Lúcia Machado de Almeida. Minha mãe enviou um exemplar para a Lúcia, que me ligou lá em casa. Na época, eu morava em Teófilo Otoni. 

Aquilo foi como se “a Divindade” estivesse falando comigo pelo telefone, algo meio como o Renato disse sobre os artistas serem entidades. Tive uma espécie de quebra de relação com a divindade naquele momento. A voz que falava no livro, sagrada, agora estava falando comigo ao telefone. Essa experiência deixou um profundo impacto em mim.

Contei de minha trajetória pela tecnologia, como programador, e também a tentativa em fazer Direito, por conta de uma visão ingênua sobre escritores como José de Alencar, Clarice Lispector, Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles,  que tiveram essa formação

Minha mãe, mais uma vez, me influenciou nesse processo, ao dizer que Letras tinha tudo a ver comigo. 

Relatei sobre a primeira aula na UFMG, com o professor ouvindo sobre meu sonho de ser escritor e me chamando de ingênuo. Afirmei que leio poesia por obrigação, uma espécie de senso de dever, para expandir meus horizontes sensíveis. Que escrevo para dar vazão ao meu desarranjo interno, sendo também minha forma de fazer política. Para mim, política é se posicionar contra o que você acha que está errado no mundo. Isso independe de partido ou orientação ideológica. Dizer que não gosta de política é um contrassenso gigantesco, em minha opinião. Um verdadeiro absurdo.

Enfim, Rafa perguntou sobre espaços de poesia em Belo Horizonte. Renato apontou o Ateliê de Estratégias Narrativas, da Laura Cohen Rabelo. Nós três falamos dos saraus que ocorrem pela cidade. Destaquei o ColetiVoz e também falei de outros coletivos poéticos. Aproveitei para divulgar a Prosa Poética  Oficina de Escrita Criativa, que acontece todas as terças, às 10h, na BPIJ-BH. E, como não podia faltar, também fiz uma fala sobre o Clube de Escritores de BH, destacando o desafio de escrita. Por fim, apontei a importância da apropriação por parte da sociedade das 22 bibliotecas públicas municipais

Como não podia faltar, fizemos leituras de nossos poemas. De minha parte, li “Édipo ao avesso” e “Preciso trocar os meus óculos”.

Uma das pessoas presentes, um leitor chamado Marcos, perguntou sobre o incentivo para a escrita e publicação de poesia. Quis saber sobre o retorno financeiro. Isabella apontou que o principal motivo são os encontros. As pessoas que conhecemos pelo caminho. Concordamos com ela. Aproveitei para destacar que me considero um ilustre desconhecido. Que formar nossas famílias literárias é fundamental. Nossa matilha. Como que para provar o que eu afirmava, estavam presentes a Pâmela Bastos Machado e a Norma de Souza Lopes, duas pessoas que eu amo demais.

Só posso declarar que foi uma noite ímpar. Mais uma vez destaco que me senti profundamente honrado por estar naquele espaço cultural, cercado por pessoas tão incríveis. E poder falar do que me toca profundamente – a poesia. Estar em espaços como esse é um grande privilégio, pela escuta e, principalmente pelos encontros.

Para finalizar, expresso minha profunda gratidão ao Rafael Mussolini e a toda a equipe do Centro Cultural Unimed-BH Minas. E que outros momentos tão especiais como esse possam sempre acontecer.


Momento de fala.


Um público bem bacana!


Rafael Mussolini, Isabella Bettoni, eu, Norma de Souza Lopes e Renato Negrão na Biblioteca do Centro Cultural Unimed-BH Minas



Com o Rafa, deixando um exemplar do Cicatriz no acervo da Biblioteca!


Eu e Isabella trocamos nossos livros!


Esse é o Marcos, que adquiriu um exemplar do Cicatriz!


* Registros fotográficos feitos por Pâmela Bastos Machado, Norma de Souza Lopes e equipe do Centro Cultural Unimed-BH Minas.

segunda-feira, março 31, 2025

Olhando para trás - ou como deixei de ser cristão evangélico


"Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus". Lucas 9:62.


Não é raro as pessoas me perguntarem no que acredito, já que essa é uma prática bem comum em nossa sociedade. A curiosidade delas, no meu caso, costuma vir por conta de testemunharem minha postura ácida em relação à religião, em especial às pessoas e organizações evangélicas, sendo que eu sempre pauto que minhas opiniões provêm de experiência própria. O relato oral é algo poderoso, principalmente se pautado no histórico pessoal. Porém, por vezes sentimos falta do registro escrito, articulado e refletido. Dei-me conta de que, embora meus escritos ficcionais carreguem um pouco desse “desencanto” diante da fé, falta algo mais estruturado e cronológico, algo que possa inclusive ser referência também para mim.

Portanto, decidi produzir este relato pessoal, a partir de memórias antigas, passando por um percurso cronológico até meados dos meus 20 anos, quando me dei conta que não acreditava mais nas igrejas evangélicas. O fim da crença em Deus veio mais tarde, coisa que eu de fato não sei precisar. Acho que foi meio pelo início dos 30, quando escrevi um conto sobre um homem que na infância testemunhara uma visão espiritual terrível, mas da idade adulta descobre que nunca foi alguém capaz de acreditar.

Enfim, melhor tentar começar do início. Acredito que os inícios são sempre muito difíceis, pois eles exigem uma espécie de recorte. Quando de fato algo começa? Afinal, sempre há uma causa mais antiga, profunda, afastada no tempo. Não vou me delongar nisso, porém. 

Minha experiência com a igreja evangélica (são várias, eu sei, mas vou colocar tudo no mesmo balaio), começou cedo. Quando me entendi por gente, lembro de brincar de “passa-anel” e “mês” na frente da Igreja Batista Nova Peniel, no Rio de Janeiro. 

Eu ganhei uma Bíblia muito cedo. Ouvia de minha mãe que ela e meu pai biológico ficaram na dúvida entre “Samuel” e “Israel”, na hora de escolher meu nome. Decidiram então escrever cada um em um pedaço de papel e tirar o escolhido. Felizmente, saiu “Samuel”. Na minha primeira Bíblia, havia uma estrelinha a caneta assinalando o primeiro livro de Samuel. E a história desse juiz e profeta era repetida quase à exaustão para mim. Também havia as noites em que minha mãe voltava do trabalho e nos forçava a repetir salmos bíblicos. Eu pingando de sono tendo que memorizar versículos que sequer compreendia. Isso ficou gravado em minha mente, de forma que, quase quarenta anos depois, sou capaz de recitar os mesmos trechos.

Naquela época, mergulhei na ilusão de ser pastor. Lembro que visitei algumas vezes o gabinete do Pastor Adriano, para perguntá-lo o que eu deveria fazer para seguir essa carreira. Ele, um homem simpático, meio calvo, de óculos, um pouco acima do peso, dava um sorriso bonachão e me dizia para ter paciência.

Avanço um pouco no tempo. Já em Teófilo Otoni (MG), não sei por que cargas d’água, fui me envolver numa discussão religiosa com meu tio que era formado em filosofia. Eu devia ter lá pelos meus oito ou nove anos. Meu tio usou todos os seus argumentos para convencer uma criança da inexistência de Deus. Falou dos homens das cavernas temendo a noite e fazendo orações para o sol nascer e que isso teria sido a origem das divindades, ligadas aos fenômenos naturais. Disso para a transformação da divindade em uma “pessoa” foi um pulo. Claro, um “pulo” de talvez milhares de anos, mas tudo bem. 

Acontece que, ao ser convencido de que Deus havia sido uma criação do medo e do desespero humanos, toda a esperança morreu em mim. Obrigado, tio. Eu caí num choro convulsivo, imerso nesse mesmo desespero que talvez as pessoas da pré-história tiveram quando temiam a noite. Naquela época, minha avó materna, ainda viva, procurou me amparar, conversar comigo, citando versículos bíblicos que “provariam” a existência de Deus, ou ao menos davam lastro à fé que ela tinha.

Outro acontecimento da infância marcou minha vida. Esse era recorrente. Trata-se da história que minha mãe contava sobre minha conversão. Sim, ela dizia que eu era convertido desde meus cinco anos. Minha mãe tinha a prática de pregar para os filhos ainda bem pequenos, com o objetivo de que eles escolhessem o caminho da fé o mais rápido possível. Conta ela que, certa noite, contou para meu irmão mais velho e para mim sobre a visita que Nicodemos havia feito a Jesus. Nessa visita, Nicodemos ouvia de Jesus que era fundamental “nascer de novo”. Minha mãe estava mais focada no meu irmão, que era um ano e meio mais velho que eu. Segundo ela, eu ainda era muito novo para ter essas compreensões.

Acontece que, quando ela já estava meio desanimada, acreditando que nenhum dos filhos tomaria a iniciativa de se “converter”, de “nascer de novo”, eis que eu me manifesto e digo: “Mamãe, eu quero nascer de novo”. Ela foi ao céu naquele momento. Fez a oração comigo e assim começou minha caminhada como um verdadeiro cristão.

Bem, essa é a história que ela conta, pois eu não tenho a menor lembrança do acontecido. Por isso, quando cheguei à pré-adolescência, comecei a questionar essa narrativa. Não me sentia salvo. Não me sentia uma “nova criatura”. Na época, nós frequentávamos a Primeira Igreja Presbiteriana de Teófilo Otoni. Em vários cultos, eu passei ajoelhado em um dos bancos, fazendo orações desesperadas, seguindo a fórmula da oração que pedia para Jesus entrar no meu coração e perdoar os meus pecados. Ainda assim, nada acontecia dentro de mim. Eu me sentia morto por dentro. 

Nessa época, também ocorreu um incidente que acredito ter reforçado meu desespero. Estava na antiga quinta série (hoje sexto ano) e tínhamos aula de religião. A professora coincidentemente era da mesma igreja que eu frequentava. Certo dia, quando foi explicar sobre a existência da Trindade, o Wagner, um moleque mais velho e muito bagunceiro, começou a fazer vários deboches, brincadeiras e piadas sobre o Espírito Santo. Na hora, não me contive. Caí na risada, como a maioria dos meus colegas.

Eu, porém, conhecida a “Palavra de Deus”. Sabia que Jesus havia dito que o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo era imperdoável. E eu havia achado graça. Sentia-me um cúmplice. Quando caí em mim, fui inundado pela culpa e também pelo terror da possibilidade da condenação eterna. Passei noites e mais noites aos prantos, pedindo perdão, sem contudo me sentir perdoado.

Comecei a pensar que minha chance de redenção seria a confirmação pública da minha “fé”. Coloco em aspas porque talvez eu nunca tivesse de fato acreditado, ou meu eu que cria tenha morrido lá nos meus oito ou nove anos. A Bíblia fala de uma declaração de boca, pública, de que a pessoa acredita. Na Igreja Presbiteriana existe a classe de Catecúmenos, que prepara os interessados para a Profissão de Fé. A partir dessa cerimônia, eu seria recebido no seio da igreja como um de seus membros.

Esses planos foram frustrados quando nos mudamos para Belo Horizonte (MG). Mudamos não só de cidade, mas também de igreja. Passamos a frequentar a Igreja Batista da Esperança, no bairro Lagoa, em BH. Posteriormente, ela se tornou Igreja Batista Nacional da Esperança, com o objetivo de marcar a denominação à qual pertencia. Nessa igreja, eu ingressei no curso de batismo. Já havia sido batizado na Presbiteriana, mas os batistas não validam o batismo de aspersão, que é aquele que a gente recebe uns borrifos de água na cabeça. Batismo de verdade tem que ser por imersão, quando mergulham a gente na água. E ainda tem aquelas denominações que só validam batismos de imersão em água corrente, ou seja, rios. 

Concluí o curso, “passei pelas águas”, cumpri todo o ritual exigido. Por um tempo, senti que estava integrado, que fazia parte da comunidade cristã-evangélica. Nessa época, começaram as visões, mas isso é assunto para outro relato. O fato é que eu fui passando pela adolescência como um “pastorzinho”, um futuro pastor, tanto que dizia a todas as pessoas que faria o Seminário Teológico Evangélico do Brasil (STEB), de orientação Batista. Participava dos ensaios e apresentações do grupo Levitas, saía aos domingos para uma missão infantil onde contava histórias bíblicas para crianças, andava pelos bairros Lagoa, Hawai, Justinópolis, Céu Azul, Lagoinha, Piratininga, distribuindo folhetos com evangelizações. Por vezes, entregar um folheto não era suficiente. Eu tinha que ter certeza de que a pessoa tinha ouvido sobre o amor de Jesus. Então, dizia, ao entregar o papel: “Jesus te ama”. Só que isso também não me parecia o suficiente. Por isso, também importunava a pessoa com uma rápida pregação e um convite para o culto de domingo à noite. Preguei nos cultos de jovens, quartas à noite e também aos sábados. Comparecia às madrugadas de oração, às vigílias, aos intercâmbios com outras igrejas. Subia os “monte” no bairro Palmares, para orar nas madrugadas de sexta para sábado. Importunava quem estava sentado ao meu lado no ônibus com pregações sobre o amor de Jesus.

Não era santo, diga-se de passagem. Tinha os meus tropeços. Creio que todo adolescente religioso tem. A curiosidade sobre o sexo, a vontade de ter namorada, as fantasias. Só que tudo isso me enchia de uma culpa avassaladora. Eu tinha a Bíblia para fomentar minha culpa. E também uma máscara de “santo”. Não ficava com as meninas, sequer deixava que elas percebessem que eu tinha qualquer desejo por elas. Reprimia com muita força qualquer pensamento de atração ou qualquer fantasia. Isso acabava se refletindo nos sonhos, o que me deixava ainda mais culpado. 

Havia vários livros para adolescentes cristãos. Textos que alertavam para os perigos do sexo e de tudo o que havia ligado ao corpo. Pastores citavam trechos bíblicos sobre o pouco ou nenhum proveito para o exercício físico. A dimensão corporal era vista como algo perigoso. Eu li cartas que pastores trocavam com adolescentes e depois publicavam como livros. Nessas cartas, esses pastores apontavam os inúmeros perigos da adolescência.

Passei por esses conflitos e ainda por cima comecei a me incomodar com a forma com que as pessoas na igreja se portavam. Não conseguia entender a realidade de que elas eram apenas humanas, com tantas falhas quanto eu. Porém, o discurso da “nova criatura”, do “novo homem”, fazia com que eu entrasse em parafuso. A pessoa se dizia salva, declarava que havia “nascido de novo”, mas seus mesmos vícios e desvios de caráter estavam lá. Claro que suavizados e disfarçados pela máscara religiosa, mas era possível observar esses comportamentos nitidamente. 

Havia também quem “piorava” depois que passava a ser evangélico. Uma pessoa que acabava por ser influenciada e contaminada pelas intrigas e fofocas. A amargura de quem não podia viver “livremente”, apesar de se declarar realmente “livre”. O embate entre igreja e “mundo”. Sim, no discurso cristão, o mundo é o inimigo. Está lá, na Bíblia, não foi inventado pelos “crentes”.

Por fim, há também o autoritarismo de alguns pastores. A postura de que são donos da razão, alguns chegam a se declarar “ungidos do Senhor”. Diziam que “a rebeldia é pior que o pecado de feitiçaria”. Os recursos que usam para o controle e a manipulação do rebanho são vários. Quero destacar que não estou dizendo que todos os pastores são assim. Há pessoas boas dentre eles, há também as contradições de cada ser humano. Porém, é possível perceber certa maldade, certo vício pelo poder, em alguns pastores evangélicos, assim como em outros líderes religiosos.

Com esses comportamentos, o desencanto foi se instalando em mim. Há também um ponto fundamental ligado à crença: Eu ficava horrorizado com o discurso da condenação ao Inferno. Para mim, era inconcebível um ser todo-poderoso que cria alguém, diz que ama esse alguém, mas depois condena esse mesmo alguém para o sofrimento eterno. Por pior que essa pessoa seja, não consigo acreditar que mereça sofrer eternamente. Existem mães e pais melhores que Deus nesse quesito, pois continuam a amar suas filhas e seus filhos, não importa o que façam. Já o Deus cristão é condicional. “Eu te amo, até mandei meu filho para morrer por você, mas se você não admitir isso e não viver como eu quero, vai sofrer para sempre.” Para mim, isso é doentio. E esse sentimento que tenho já estava se insinuando em meu coração desde minha adolescência.

Não digo que não tive bons momentos “espirituais”. Por exemplo, certa tarde, cheguei em casa com um aperto terrível no peito. Uma angústia sem tamanho. Tinha treze anos. Fui buscar consolo na Bíblia e encontrei a passagem do livro de João em que Jesus promete preparar um lugar na casa de seu pai para seus discípulos. Ele diz para que seus corações não se perturbem. Eu tomei aquelas palavras para mim. Chorei abundantemente. Foi um momento de conexão, confesso. Só que esse momento não apaga uma vida inteira mergulhado em contradições e perversidade.

Finalmente, cheguei à idade adulta. Esse foi o ponto final na minha relação com a igreja evangélica. Conheci muito de perto algumas estruturas, organizações e comportamentos. Vi pessoas queridas serem feridas por atitudes abusivas de pastores e líderes evangélicos. Testemunhei igrejas inteiras assediando jovens moças que não haviam “se guardado” para o casamento.

Lembro-me claramente da última vez que fui a um culto como evangélico. Era um domingo à noite. Eu havia ligado para o pastor, pedindo autorização para não comparecer ao culto. Decidi ser sincero: disse que estava cansado e que havia um livro que eu queria terminar de ler. O pastor reagiu com um nervosismo controlado. Disse que eu não deveria ficar lendo livros ao invés de ir à igreja, que isso iria esfriar a minha fé. Desliguei o telefone resignado e decidido em ir ao culto.

Naquela noite, após o louvor, o pastor foi à frente para fazer o seu sermão. Abriu a Bíblia e leu Atos 2:42. Um versículo sobre perseverar na doutrina dos apóstolos. Após a leitura, voltou-se para o público e começou a falar sobre a importância de não deixar de ir aos cultos. Disse: “Por exemplo, você pode querer deixar de ir ao culto para ler um livro. Se fizer isso, vai esfriar na fé.” Quando ouvi essas palavras, xinguei-o mentalmente. Fiquei tão irritado que naquele momento decidi que nunca mais voltaria àquela igreja.

Passei a dizer que estava procurando outra igreja para frequentar, mas no fundo eu estava cansado disso tudo. Cansado de pessoas dizendo como eu deveria me comportar, como deveria pensar. Estava cansado da hipocrisia, do discurso enviesado, do ódio disfarçado de amor. Os comportamentos de pastores fofoqueiros, manipuladores, que pregavam lindamente mas se comportavam sem ética profissional, líderes de jovens que debochavam dos próprios liderados logo que o culto acabava. Tudo isso envenenou para sempre qualquer visão que eu tinha do cristianismo.

Olhando para trás, penso que talvez eu nunca tenha acreditado. Ou talvez minha fé tenha morrido naquela tarde em Teófilo Otoni, diante de um adulto cruel que talvez acreditasse que estava fazendo um “bem” ao abrir logo cedo os olhos de uma criança. Hoje penso que a fé não é uma escolha, mas um conjunto de fatores. Ser convencido de algo por vezes parece externo. Perceber algo que fica óbvio para nós. Eu não escolhi não crer em Deus. Para mim, pareceu natural.

Aproveito para acrescentar que eu não me considero ateu. Não sou corajoso a esse ponto. Admito a possibilidade da transcendência, do mistério. Afinal, a vida me soa meio absurda e arbitrária. Eu existo porque sim. Isso assusta um pouco. Essa falta de um propósito real na nossa existência. E também nosso fim inevitável.

Por enquanto, busco na escrita e na leitura um certo estofo para me preparar para a vida e para a morte. Sigo como se a literatura fosse minha religião, embora eu não acredite que os livros possam salvar alguém. Ninguém está no mundo para ser salvo. Se estamos no mundo, talvez seja para amar.

Na Bíblia há uma passagem sobre não olhar para trás após escolher o caminho da fé. Em outro trecho, Paulo afirma que “as coisas velhas já passaram” e que “tudo se fez novo”. Esse discurso de negar o passado, apenas olhar para frente me incomoda grandemente. Somos sujeitos históricos. Precisamos aprender sobre o passado. Sei que ele não deve ser determinante, que devemos tomar decisões e nos renovar, que precisamos abrir a mente para novas ideias. Mas apagar tudo o que aconteceu é no mínimo desastroso. “Somos porque lembramos”. Por isso, como a Sankofa, sigo olhando para trás.


sexta-feira, outubro 25, 2024

Cicatriz - Meus versos ganham páginas impressas

 

Quem acompanha este blog sabe dos meus experimentos poéticos. Há anos eu publico aqui um ou outro poema. Ando meio parado, é verdade, mas não deixei de correr atrás do meu fazer literário. Continuo escrevendo - inclusive poesia. Portanto, é com muita alegria que anuncio a publicação do meu livro Cicatriz. Trata-se de uma seleção de poemas, muitos deles publicados aqui no blog. 

Este é um livro em que a memória é abordada de forma dolorosa, bem como o aturdimento diante do absurdo que é viver. Sim, viver muitas vezes parece arbitrário e absurdo e o eu poético em Cicatriz questiona-se diante da vida e do mundo. Há também poemas políticos, homenagens e poemas de amor. 

O livro é publicado pela editora Litteralux (antiga Penalux) e conta com a orelha de Mírian Gomes de Freitas. Ele será lançado nas seguintes datas e locais:

Dia 31 de outubro de 2024, às 20h, no FLITABIRA.



Dia 6 de novembro de 2024, às 19h no bar O Boêmio. Av. dos Andradas, 367 - Lj 236C 1º andar - Centro, Belo Horizonte - MG


No dia 7 de novembro, às 19h30, estarei no lançamento coletivo da Flicar - Festa Literária de Carmo da Mata.



Dia 23 de novembro de 2024, às 10h30, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH. 



quinta-feira, outubro 03, 2024

Lançamentos do livro "Achei que você fosse o outro"



Faz tempo que tentava publicar um livro com o Rodrigo Teixeira. Escritor nato, talentoso e genial, Rodrigo mantinha um blog chamado "Bom Dia, Mudo Cruel!" que eu frequentava assiduamente. Esse blog, porém, foi descontinuado, embora permaneça online, com os textos do Rodrigo na nuvem. Recomendo muito o acesso. 

Enfim, desde que eu publiquei a primeira vez, há onze anos, sentia que era uma injustiça não ver os textos do Rodrigo impressos em papel, organizados em livro. Desde que nos conhecemos e nos aproximamos, surgiu a ideia da publicação conjunta. À época, havia uma terceira pessoa nesse projeto, mas a tríade não se sustentou. Ficamos apenas nós dois. E assim, entrava ano, saía ano e nada da gente publicar. 

Os textos foram organizados e reorganizados, revisitados várias vezes. Exigente, Rodrigo confessava que, a cada revisão, retirava um texto. Exasperado, instei que a gente publicasse logo, com medo de no final sobrarem somente os meus textos. Assim, fechamos uma versão final do livro conjunto.

Havia agora um outro desafio: Qual título dar para a obra híbrida? Deveria ser algo que representasse nossa amizade e parceria. Como sempre, Rodrigo teve uma sacada genial, retirando sua ideia de um incidente pitoresco. 

O ano era 2019. O local, o Centro Cultural Usina de Cultura, no bairro Ipiranga, em Belo Horizonte. Eu havia comparecido ao evento pela manhã, cumprimentado todos, curtido a programação. Rodrigo estava escalado para uma roda de conversa às 16h e chegou já no período da tarde. O problema é que ninguém o cumprimentava. As pessoas passavam por ele e o ignoravam. 

Ele começou a ficar preocupado. Já se perguntava o que estaria acontecendo quando o poeta e multiartista Dione Machado passou por ele, parou, voltou e disse: "Ué, achei que você fosse o outro!" Rodrigo então entendeu. As pessoas já haviam me cumprimentado pela manhã e, como é costume nos confundirem, achavam que eu e ele fôssemos a mesma pessoa. 

Isso é mais comum do que as pessoas que não nos conhecem podem pensar. Trabalhamos juntos no mesmo lugar, a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. Em diversos momentos tem gente trocando nossos nomes ou perguntando se somos irmãos. 

Ao se lembrar do incidente, Rodrigo chegou ao nome do livro: Achei que você fosse o outro. Contratamos o serviço do Selo Editorial Starling para a produção e impressão. Como podem constatar, resultado ficou lindo. 

Fizemos dois lançamentos. O primeiro foi conjunto, na Biblioteca onde trabalhamos. Foi em um sábado, dia 6 de julho de 2024. O segundo foi no Sarau do Coletivoz, numa quarta-feira, dia 10 de julho no The Wall Pub, em Contagem. Tivemos a presença do Coletivo Simples e também de representantes do Movimento Arte Contra a Barbárie. Já  terceiro e "oficial" foi no bar O Boêmio. Um momento de muita alegria e pertencimento. Além de muita cerveja! Pudemos nos três eventos encontrar amigos que nos apoiaram de forma tão presente. 

E por fim, fizemos parte de um lançamento conjunto na Sétima Candeia - Mostra Internacional de Narração Artística. Foi lindo, também!

Agradeço imensamente a todo mundo que participou de algum dos lançamentos. Sou grato também a quem não pode ir mas comprou um exemplar com a gente!

Seguem agora algumas fotos para ilustrar esses momentos marcantes em nossa trajetória literária.















quarta-feira, novembro 15, 2023

Como foi o evento DiVera

Não sabemos o que o futuro nos reserva. Por mais que estejamos preparados para os eventos, o acaso, esse traiçoeiro, nos toma pela mão e nos surpreende com seus caprichos. Foi assim nos dias 28 e 29 de outubro, quando estive na DiVera - II Festa da Palavra e da Cultura de Conceição do Mato Dentro. Foram momentos de trabalho, diversão e descoberta pessoal.

Fui convidado pela Fabíola Farias para realizar minha oficina Meu Primeiro Livro. Nessa oficina, eu convido as crianças e suas famílias a criarem pequenos livros a partir de folhas de papel, usando uma dobradura de zine. As crianças são convidadas a escrever e desenhar, mas se não tiverem desenhos e textos, eu forneço uma série de textos da tradição oral para as crianças e suas famílias usarem como editoras, recortando e colando os textos nas folhas de papel dobradas em formato de livreto.

Saímos de Belo Horizonte pouco depois das 7h da manhã em frente ao Palácio das Artes. A viagem foi tranquila, com uma parada rápida para um lanche na estrada. Chegamos para o almoço em Conceição do Mato Dentro. Fizemos o check-in nas nossas respectivas pousadas. Eu fiquei na Pousada da Saudade.

Almoçamos no Solar da Lili. Lá eu encontrei a amiga Lu Flores. No momento, a gente era mais conhecido, mas fomos ficando amigos ao longo do evento. Ela me cumprimentou com carinho e ficamos conversando. Depois do almoço, subimos para a tenda que estava montada diante da Igreja Matriz. Nessa tenda, seriam as atividades das oficinas propostas, que teriam início às 14h.

Quando o horário chegou, estava a postos, com material para receber as crianças e suas famílias. E elas foram chegando aos poucos. Começamos com umas quatro crianças e fomos aos poucos acrescentando mesas para os pequenos que foram chegando com suas mães e seus pais. Quando vi, estava com uma multidão de crianças ao meu redor, todas pedindo para aprender a produzir seus livrinhos. Muitas delas tinham dificuldades de fazer as dobraduras, por conta da espessura do papel e da necessidade de juntarmos as pontas das folhas com precisão. Fui auxiliando na medida do possível.

A oficina produziu muitos livretos fofos. Tinha uma menina chamada Jade e mais outra criança que fizeram corações para mim. Eu me senti muito querido e valorizado. Foi tudo muito lindo.


Depois da oficina, assisti o espetáculo musical maravilhoso do Grupo Serelepe.

Participei do lançamento coletivo com sessão de autógrafos em companhia de outras artistas. Vendi alguns livros e isso me permitiu comprar outros, também. Havia uma banca de livros da editora Aletria e as vendas que fiz propiciaram a compra deles.

Mais tarde, teve início o sarau organizado pelo magnífico Rogério Coelho. Eu fiz questão de participar, declamando meu poema "Caleidoscópio". Os demais textos e poemas lidos ou declamados foram de pessoas incríveis como Adrielle Moreira, Karine Bassi, Vito Julião e Tamara Selva. 

Em seguida, fizemos uma oficina de forró, mediada pelo Vito Julião em parceira com a Brisa Yasmin. Confesso que foi difícil participar, seja pela minha falta de coordenação motora e de consciência corporal, seja pela dificuldade em tomar iniciativa e convidar alguém para dançar. No momento dessa iniciativa, um rapaz se adiantou e me convidou para ser seu par. Ele se chama Camilo. Dançamos como um par e foi importante esse momento de ocupar um lugar inusitado, ser conduzido no forró. Confesso que achei mais confortável ser conduzido que conduzir. Além disso, foi gostoso dançar sem me preocupar com minha masculinidade. 

Deu a hora da oficina e já quase não dava tempo de jantar. Dessa vez, era no Restaurante do Mercado, um lugar um pouquinho longe da tenda da DiVera. Eu saí correndo igual um doido para conseguir chegar a tempo de jantar. Foi um trampo, mas consegui e ainda tive a companhia do pessoal da poesia, que estava jantando e me cedeu um lugar na mesa.

Voltamos então para a tenda, para um show espetacular com Everton Coroné Trio. Eu me diverti demais! E ainda fiquei depois do show conversando com o pessoal.

No dia seguinte, assisti ao espetáculo "O Menino Sabino", da Cia. Canta Contos, formado pelos queridos amigos Bárbara Amaral, Babu Xavier e Tininho Silva. Trata-se de uma apresentação que é também uma homenagem ao grande Fernando Sabino.

Participei da oficina "Qual história seu corpo conta", mediado pela Adrielle Assis. Foi uma experiência marcante, explorar os limites do meu corpo, conhecê-lo um pouco melhor. Mas também foi incômoda e muito difícil. Compartilhei isso com o grupo ao final da oficina. Adirelle comentou que não me achou incomodado ou inibido, não foi a mensagem corporal que eu passei. Mas o fato é que a oficina foi um grande desafio para mim. E eu me senti feliz por ter participado da oficina e aceitado o desafio.

Desci para almoçar no mesmo lugar do dia anterior e depois retornei para a tenda. No processo, conversei muito com o Caetano, filho da Lu Flores. Papeamos bastante sobre nossas paixões por jogos de computador.

No retorno para a tenda, expus meus livros mais um pouco. Apesar do grande movimento de pessoas, dessa vez, vendi apenas um. Porém, para mim, cada venda é uma vitória. Comemorei então essa venda com muita alegria. E fiquei ainda mais feliz porque foi a Thaís Mariano, amiga que fiz lá em Conceição do Mato Dentro, que apoiou meu trabalho.

Pude admirar também o magnífico trabalho da Cecília Castanha, que pintou um mural lindo para o evento. Ao final, não pude deixar de registrar o momento em que o mural foi finalizado. 

Por fim, fui assisti o espetáculo do grupo de balé Petite Ballerine. O espetáculo se chama "Dançando histórias de Bartolomeu Campos de Queirós" e foi simplesmente divino. Um corpo de balé maravilhoso com uma performance primorosa. Assisti também à apresentação musical "Histórias da Arca", com Ana Cê. 

Pegamos um pouquinho do show do Trio Ouvirá. Só que já estava na hora de partirmos e voltarmos para Belo Horizonte. Era por volta de 19h quando partimos.

O saldo foi extremamente positivo. Senti-me valorizado, feliz e bem acolhido. A cidade é muito hospitaleira e um lugar lindo de se ver. Ter participado como artista convidado foi sublime. Além disso, como eu fiquei sábado e domingo, pude aproveitar um pouco mais do evento, fazer amizades e aprender um pouco mais sobre eu mesmo.

Gratidão à Lu Flores que fez registros preciosos da Oficina Meu Primeiro Livro. E também pela simpatia e por não me deixar sozinho e abandonado pelo evento! Gratidão a todas as pessoas que participaram da oficina e também a toda a equipe da DiVera, essa festa especial. E uma gratidão super exclusiva à Fabíola Farias, que sempre apoia meu trabalho.

quarta-feira, novembro 08, 2023

Nerd Experience 2023



Nos dias 21 e 22 de outubro de 2023 estive presente no evento NERD XP, através do projeto ARTIST'S EXPERIENCE. Cheguei sábado bem cedo, lá pelas nove horas da manhã, para o credenciamento e também para arrumar minha mesa. Acontecia uma reunião com toda a equipe do evento. Eu estava deslumbrado com o espaço, com a decoração e com a estrutura. Os segmentos do evento eram de capturar qualquer espectador, fosse ele nerd ou não. Estava tudo muito bonito e saltava aos olhos toda aquela beleza.

Confesso que estava intimidado. Era o primeiro escritor a chegar e não sabia muito como me comportar. Fui levado à minha mesa e arrumei tudo para o início do evento, que ainda ia demorar para acontecer. Minha timidez me impediu um pouco de explorar o evento em si. Fiquei quietinho na minha mesa, enquanto outras pessoas chegavam, todas artistas, para ocupar suas mesas. Eu imaginava como seria quando os portões fossem abertos as pessoas, todas nerds, começassem a chegar.

Foi uma confusão boa e gostosa. Logo que deu o horário de início do evento, começaram a chegar pessoas fantasiadas de todo tipo de personagens. Cosplayers que tinham na sua expressão artística sua forma de ser. Eu olhava impressionado para as caracterizações, achando tudo muito bonito. 

Durante os dois dias do evento, troquei contatos, fiz amizades e revi amigos. Foi possível fazer a troca de livros com outros artistas e isso muito me alegrou. Não consegui trocar com todas as pessoas que queria, infelizmente. Eu me senti inibido de propor trocas para todo mundo que estava lá. E se pudesse, compraria os livros e as artes de todas as pessoas presentes. 

As minhas vendas foram razoáveis. Estava com exemplares de Uma visita inesperada, Aurora e O Viajante Cinzento. A participação no Nerd Experience me proporcionou recursos para que eu pudesse reinvestir e conseguir mais exemplares dos meus livros. Vida de escritor independente é assim mesmo, a gente vende livros e reinveste o valor arrecadado para conseguir mais livros!

Agradeço imensamente a toda equipe do Nerd Experience pelo evento tão bonito. Minha enorme gratidão ao Régis Luiz pela disponibilidade e simpatia. Agradeço também pela oportunidade proporcionada.