quarta-feira, outubro 30, 2019

Histórias Suspensas no CCSG


Continuo visitando os centros culturais de Belo Horizonte para conversar com leitoras e leitores sobre A Cidade Suspensa. As experiências acumuladas durante esses encontros têm sido muito proveitosas. Ao mesmo tempo, recebo um retorno direto sobre os trechos lidos e tenho sentido que sou muito bem acolhido. A terceira realização da oficina "Histórias Suspensas" acontecerá agora no Centro Cultural São Geraldo, com apoio da bibliotecária Luciane Carvalho Moisés. 

Na Lagoa do Nado, recebi uma numerosa turma escolar de pré-adolescentes. Já no Centro Cultural Lindeia Regina, tive a oportunidade de falar sobre o livro no sarau que acontece mensalmente. Amanhã, dia 31 de outubro, encontrarei um público um pouco diferente daqueles que encontrei antes. E o convite continua: vamos conversar?

Histórias Suspensas


Roda conversa sobre o livro A Cidade Suspensa, com leitura de trechos da obra durante o encontro.

Centro Cultural São Geraldo
Av. Silva Alvarenga, 548 - São Geraldo
Informações: (31) 3277-5648


Sublime

Meus olhos
Sofrem
A ausência
de tua
Imagem
Miragem
de sonho
É meu constante
suspirar
Por
Ti.

Para Pâmela
30/10/2018

terça-feira, outubro 22, 2019

Vídeo: A Árvore Generosa - Shel Silverstein

Olás! Hoje trago um vídeo que já se encontra há alguns dias no canal, mas não foi lincado aqui. É A Árvore Generosa de Shel Silversein. A tradução é do fabuloso Fernando Sabino. 


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-arvore-generosa-8625ed9890.html

quinta-feira, outubro 17, 2019

A Cidade Suspensa nos centros culturais de BH

A Cidade Suspensa é um dos meus projetos mais antigos e duradouros. Iniciado como folhetim online, ele evoluiu em uma novela de fantasia sombria. Hoje, o livro é distribuído gratuitamente aqui no portal e pode ser adquirido a preço mínimo na plataforma da Amazon.

Contudo, eu sentia falta do livro em formato físico. Assim, em parceria com a editora Senhor da Lenda, imprimi 100 exemplares com a capa e o projeto gráfico da Thaís Lopes. 

Com o objetivo de alcançar ainda mais leitores, estou oferecendo a oficina "Histórias Suspensas" nas bibliotecas de alguns centros culturais de Belo Horizonte. A proposta é ter um bate-papo descontraído, entremeado com leituras de trechos da obra. Ao final, um exemplar é doado para ser incluído no acervo da biblioteca.

A primeira oficina aconteceu dia 8 deste mês, na biblioteca do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. O próximo encontro será no Centro Cultural Lindéia Regina, às 14h30.

A quem estiver interessado, fica aqui meu convite. Vamos conversar?



sexta-feira, outubro 11, 2019

Bacurau - Uma distopia pernambucana

Acabei de assistir Bacurau. Saí do cinema ainda impactado. Na tela, assisti a saga de um povoado em estado de sítio ser atacado por um grupo de estrangeiros, vestidos como uma unidade de elite norte-americana, num doentio jogo de morte, e se defender com bravura. Uma original distopia pernambucana. 

Logo no início, vemos uma placa avisando que aquele que vier, que venha em paz. O lugarejo de Bacurau é simples e orgânico. Todos se conhecem. E nós espectadores somos apresentados ao lugar justamente em um momento de luto, em que a matriarca, Dona Carmelita, é velada. 

Foi interessante perceber que o norte-americano mais sanguinário se chama Joshua, o que acredito ser uma referência ao bíblico Josué, que dizimou povos inteiros, matando inclusive crianças.

Outra coisa que me chamou à atenção foi o tom de atrevido orgulho que os habitantes de Bacurau ostentavam. Uma forasteira, ao perguntar sobre o que significava Bacurau, uma moradora responde, num ar zombeteiro, que se tratava de um pássaro noturno, muito bravo.

É essa ousadia que mais me encantou no povo de Bacurau. 

segunda-feira, outubro 07, 2019

Terceira Candeia - O Corpo e a Voz


A terceira edição da Candeia - Mostra Internacional de Narração Artística - chegou ao fim. Dos dias 1 a 6 de outubro, mergulhamos em um mundo de vozes, gestos, cheiros e toques. Um festival sinestésico. 

Foram momentos de celebração da Memória em suas diversas formas de materialização. Companheira da Palavra e sua originária, a Memória foi celebrada na voz e no corpo, nos gestos e no canto. Na poesia e na melodia.

Há muito o que falar, refletir, pensar. A poesia teve um papel fundamental nessa Candeia, assim como o corpo. Fomos lembrados de que a voz se realiza também nos gestos, no toque, no olhar. E pudemos apreciar momentos belíssimos em que a língua de sinais teve afirmado seu protagonismo.

Os dias, intensos em experiência e afeto, mais uma vez foram inesquecíveis. Transpusemos fronteiras. Vivemos uma única nação chamada Memória 

quarta-feira, outubro 02, 2019

A força e a delicadeza

Outubro inaugurou a Palavra. O mês começou e a III Mostra Candeia de Narração Artística veio junto, como maduro fruto temporão.

No Sesc Palladium, essa festa da Arte e da Oralidade tomou o Grande Teatro, encantando o público com as vozes de Chicó do Céu, Rafa Salles e Teo Nicácio. Aline Cântia evocou o sagrado através da força da memória e assim teve início o primeiro espetáculo.

Sim, foi espetacular a presença de Luciano Pontes. Com sua voz macia e seu sotaque marcante, Luciano nos embalou com cantigas, parlendas, trava-línguas e muitas histórias. Sem falar de sua simpatia, numa presença que unia o paradoxo da força e da delicadeza. 

Bem, na pessoa de Luciano Pontes, foi possível constatar que não há paradoxo algum. Sua apresentação foi puro amor. Não pude deixar de pegar meu autógrafo e fazer uma foto com a Pam e o autor.

Mais uma vez a chama começa a brilhar forte. 



segunda-feira, setembro 30, 2019

Entre duas montanhas

Estive na mediação da última mesa do FLI-BH 2019. Foi uma honra e uma grande responsabilidade.

Ana Maria Gonçalves e Marcelino Feire são gigantes da literatura atual. Estar entre eles fez com que eu me sentisse ainda mais pequeno. Um vale entre duas montanhas.
Evocando o termo "Oralitura", muito pesquisado pela professora Leda Martins, homenageada pelo Festival, Ana Maria falou muito sobre as vozes de sua realidade como uma pessoa filha de mãe negra e pai branco. Contou como a figura da contadora de histórias formou nela a consciência de também ser uma contadora de histórias.

Da mesma forma, Marcelino Feire destacou como sua infância em Pernambuco é de fundamental importância para sua literatura. Marcelino deu um espetáculo ao recitar de memória trechos de seus textos, em especial o conto "Totonha". Relembrando a figura de sua mãe e de uma tia, o escritor assinalou como essas vivências são fundamentais em sua palavra escrita e falada.

Além das vozes, os corpos também foram destacados. Ana Maria Gonçalves apontou o corpo negro como fronteira e a importância da evidência desse corpo, muitas vezes apagado, tratado como invisível. Assim, a escritora defendeu o papel das políticas afirmativas para evidenciar esses corpos como próprios e pertencentes a todos os lugares. O acesso às universidades, antes quase que exclusivas a brancos, seria um exemplo.

Já Marcelino ressaltou como, em sua literatura, é fundamental que a palavra passe por todo o corpo. Ao terminar de escrever, ele passa o novo texto pelo crivo da Leitura em voz alta. Durante a leitura, esse novo texto precisa passar por todo o seu corpo. Ele precisa sentir todo o corpo envolvido. 

Destaco esses dois assuntos, entre tantos abordados. Esses, porém, foram os que mais me impactaram. Os mais frescos em minha memória. Foi um momento de muito aprendizado para mim. E espero continuar aprendendo.

sexta-feira, setembro 27, 2019

Contando Histórias no FLI-BH 2019

Chuva. Em frente ao palco literário, uma tenda enorme abrigava algumas pessoas. Eu estava atrasado para o início da apresentação De lobo a bolo. A galera do Biqueira Cultural já estava a postos, para um sarau que aconteceria logo em seguida.

Apesar do nervosismo, fruto da insegurança, tudo foi maravilhoso. Contei Chapeuzinho Amarelo, O caso do bolinho e Um herói diferente. São as histórias mais contadas na apresentação que organizei. 

Depois que me apresentei, permaneci na tenda para participar do sarau. Fiquei encantado com a apresentação da poeta marginal e narradora de histórias IZA REYS, que narrou contos africanos.

Ter escuta é sempre um privilégio, principalmente em um mundo de silenciamentos, como o nosso. A oportunidade de ouvir também é fundamental. E fui agraciado com esses momentos. Que eles se repitam, seja no FLI-BH, seja em outros eventos e lugares.

Fotos de Ana Paula Cantagalli.





quinta-feira, setembro 26, 2019

Cortina de fumaça

Belo Horizonte, meados de setembro de 2019. Um odor de fumaça entra pelo meu quarto. Sinto os olhos arderem. Lá fora, o ar parece embaçado. Serão meus óculos? É noite. 

Uma amiga no centro comenta sobre a fumaça. Um amigo, no Renascença, fala da dificuldade em respirar. Pelo aparelho celular, vejo vários vizinhos especulando sobre a causa de tanta fumaça. Uns falam que é no Bairro São Paulo. Outros, que é no São Gabriel. 

Minha esposa me manda uma mensagem perguntando se eu já vi a Lua. Deixo o apartamento e vasculho os céus. A luz dos postes ressaltam a fumaça, como uma neblina seca e quente, a envolver e espessar a noite.

Olho pra cima e percebo a Lua. Sua fase cheia começa a minguar. Ela está quase dourada. É como ela costuma ficar quando está perto do horizonte. Agora, porém, a Lua está alta, assim como a noite. São 23 horas. 

No dia seguinte, o noticiário local anuncia queimadas por todas as florestas que cercam a Região Metropolitana de BH. Imagino que a Lua Dourada seja um sinal de que até o astro queima diante de tanto calor e destruição. Ou talvez seja o efeito da fumaça, mesmo.

Foto de Miriam Doti

Originalmente publicado no Facebook dia 19 de setembro de 2019.

quarta-feira, setembro 25, 2019

De lobo a bolo no FLI-BH

O terceiro Festival Literário Internacional de Literatura de Belo Horizonte está para começar. Por quatro dias e meio, BH irá celebrar a Literatura em suas mais diversas formas e realizações. Uma delas é pela oralidade. 

Sendo assim, é com muito gosto que farei parte da programação do Festival com minha apresentação "De lobo a bolo: uns heróis bem diferentes". Com uma seleção de textos literários e narrativas orais, este espetáculo faz parte de minha vida há três anos, desde que o apresentei na Virada Cultural. Sua gestação, porém, faz parte de quase dez anos de atuação como mediador de leitura para crianças.

Faço o convite para que todas e todos possam me prestigiar com suas escutas e seus corações.

Mais informações:

Narração de histórias para crianças de todas as idades. O repertório parte de textos literários consagrados junto ao público infantil, bem como de narrativas da tradição oral.


Local: Palco Literário (Largo em frente ao Teatro Francisco Nunes)
Data: 26/9 (quinta-feira)
Hora: 14h

segunda-feira, setembro 23, 2019

Mais um dia repleto de histórias


Não bastou para mim compartilhar histórias no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira, na manhã de sábado, dia 21 de setembro. Eu queria mais. Não apenas contar, mas ouvir também.

Por isso, segui para a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte e assisti mais uma vez ao espetáculo Ouvi Contar. Poesia, narração e interpretação em um projeto belíssimo de acessibilidade.

Voltei então ao Parque Municipal para me apresentar novamente. Contei "Chapeuzinho Amarelo", de Chico Buarque, e "O caso do bolinho", conto tradicional registrado por Tatiana Belinky.

A interpretação em LIBRAS foi de Mavione e Jivago.

As fotos são de Rivanda.





sábado, setembro 21, 2019

Primeiro dia na Tenda de Histórias

Era tarde de uma quinta-feira. Setembro chegava a seu décimo nono dia. O Parque Municipal Américo René Gianneti, em Belo Horizonte (MG) estava em festa.

Fui para a Tenda de Histórias ainda um pouco inseguro. Haveria público? Esse é sempre o receio de um contador de histórias.

A amiga Sterlayni Duarte coordenava a tenda e deu todo o apoio necessário. Quando vimos uma turminha da Educação Infantil, ela sugeriu que eu abordasse o grupo e convidasse para ouvir histórias.

Foi o que eu fiz. Com Norma e Guilherme revezando como intérpretes de LIBRAS, dei vida ao bolinho tão querido de minhas histórias.
Antes, porém, fiz o LOBO virar BOLO com "Chapeuzinho Amarelo", do Chico Buarque.
Quando essa turminha já estava de saída, havia outra, sentada poucos metros fora da tenda, aguardando a vez. Como o tempo já estava adiantado, resolvi contar uma história apenas, enquanto as crianças ainda lanchavam. Contei a aventura de um herói bem diferente. Só não digo que herói é esse pra deixar no suspense e fazer mais pessoas ouvirem a história!
Foi um momento agradável, maravilhoso. Agradeço às crianças, às professoras e também a todas as mães e pais que emprestaram sua escuta para este narrador!

Fotos de Sterlayni Duarte



sexta-feira, setembro 20, 2019

FLI-BH 2019 - Do livro à voz: narrativas vivas

A programação do FLI-BH 2019 está no ar. Com a curadoria de Nívea Sabino e Marilda Castanha, o Festival está mais que bonito, está um monumento! Autoras e autores de diversos registros e lugares encontrarão seu espaço no Parque Municipal Américo René Gianneti. Temos Adão Ventura como homenageado. Leda Martins e Ailton Krenak são as menções honrosas.
Sinto que será uma honra para toda e qualquer pessoa que transitar por essa ciranda de Oralitura, que adentrar esse quintalzão que será o Parque Municipal nos dias 25 a 29 de setembro.
Mais que um lugar de escrita, será de escuta. Uma grande roda como aquelas que nossos ancestrais faziam. E nessa grande roda, saudaremos suas vozes com as nossas. Na figura de tantas letras, cantos, performances, slams e saraus, seremos todas uma grande colcha de retalhos.
Não poderia deixar de puxar uma sardinha pro meu lado. Estarei na Biblioteca do FLI-BH com oficinas literárias. Faço também a apresentação "De lobo a bolo". Por fim, terei o privilégio de receber Ana Maria Gonçalves e Marcelino Feire em uma mesa maravilhosa.
A história da Literatura de BH e do mundo ganha mais um capítulo. Um daqueles cheios de reviravoltas, aventuras e muita emoção. E nesse grande épico, estamos todas e todos convidadas. Vem com a gente!

Confira a programação completa no site http://www.fli.pbh.gov.br/.