quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Canto de um nunca mais

Quando criança
Ouvia ela cantar:
"Sabiá lá na gaiola
Fez um buraquinho
Voou..."
E de repente, 
Numa tarde 
Quem voou para longe
Foi o suspiro
Da minha avozinha.
E a gaiola, o corpo
Tão fraquinho e franzino
Que não mais conseguiu
Segurar uma alma
Desejosa em voar.
A menina chorosa
É minha alma 
Que se espreme
E tenta lembrar 
Das tardes 
Quando ela cantava
E contava
De um sabiá
Que prometia voltar.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Preto

Foto: Pâmela Machado

Ele é muito, muito preto. Seus olhos âmbar como que suplicam carinho e atenção. Passo as mãos no pelo meio sedoso e meio áspero dele e meu coração sente uma pontada. Não posso levá-lo comigo, embora sinta como se ele já fosse meu.
Pretinho, meu pretinho. Um pedaço de noite, ou de lua nova, que caiu. E agora está diante de mim, querendo mais que atenção.
Tomo o delicado corpinho dele em meus braços e deixo que seu focinho úmido toque minha testa. Assim, nos comunicamos numa troca sinestésica, que começa com olhares e distância.  E sei que, para minha tristeza, é na distância que terminará.

terça-feira, janeiro 10, 2017

Vídeo de terça: mensagem de ano novo


Pessoal, bom dia. Como primeiro post do blog em 2017, compartilho aqui o último vídeo de 2016. Até mais!

sexta-feira, dezembro 30, 2016

Como me despedi de Ted Mosby

Por muito tempo eu me privei do encerramento de How I met your mother. Levei a coisa mais para o lado pessoal do que o necessário. Havia assistido até a penúltima temporada com uma ex-namorada e de repente estava eu mais sozinho que o próprio Ted. Uma série que tem "encontro" em seu título e mais fala de desencontros do que qualquer outra coisa não seria a melhor opção para se assistir, a meu ver naquela época, durante um período de fossa.
E segui o caminho até o amor me mostrar que vida e televisão não são a mesma coisa, que essa "caixa de areia" tecnológica não precisa ser vista como o galho mais alto da árvore do quintal. Estava lá eu com a última temporada diante de mim, naquele que parecia ser o fim de semana legendário de um casamento igualmente legendário.
E percebi então que legendários somos nós, que fazemos a memória e a palavra persistirem no tempo. Nós somos o Ted, narradores e expectadores de nossas vidas. E foi impressionante perceber isso, como essa voz encorpada e esse rosto com um ar de sinceridade e leve melancolia me fizeram crer que era eu mesmo que vivia os dissabores de nosso querido Mosby.
E ao final, novamente fui pego de surpresa. Sim, foi com uma grande sensação de "desencontro" que a série terminou para mim. Mas o engraçado é que mesmo depois de sair do Netflix e ficar sozinho no escuro quente da madrugada de natal, constatei que a busca de Ted não havia se encerrado e que a série continuaria rodando em minha mente, com uma promessa de reencontro.
Depois de muito matutar, ponderei que talvez essa "mãe" tão perfeita e ideal, tão em sintonia com nosso amado arquiteto seja tal qual o edifício por ele construído: uma elaboração. Afinal, a memória pode ser benigna com aqueles que amamos, estejam eles ainda conosco ou não. E ao perceber que toda a narração não passava de um relato, senti a série tomar proporções lendárias, fabulosas, quase épicas. 
Então nos últimos momentos do derradeiro episódio,  quando não estava mais preso ao relato de Ted, um cálido toque de realidade. Afinal, por mais incrível que seja a memória, sabemos também que o instante importa. E muito.

quinta-feira, julho 21, 2016

Entre o cinza e o marrom

Ao retirar a capa de chuva, bati o olho na alça da mochila e notei o minúsculo ponto marrom quase sumindo no pano preto e grosso. Parecia uma semente, achei que tivesse caído de uma dessas imponentes árvores da Savassi. O ônibus sacolejava. Seria uma longa viagem até meu bairro. Os vidros embaçados não me deixavam divisar o trajeto, e a escuridão deixava tudo ainda mais lúgubre. A estranha semente me parecia a coisa mais interessante em meu campo de visão.

Peguei-a com cuidado entre o dedão e o indicador. Senti um estranho e quase imperceptível alarme, além de uma curiosa viscosidade nas pontas dos dedos. A semente era um bicho. As patinhas recolhidas sob uma carapaça com intrincados motivos que variavam entre o marrom e o cinza. Uma tartaruga mínima.

Já lamentando a falta de sorte pela provável joaninha morta, depositei-a na palma de minha mão esquerda. Fiquei surpreso ao ver que ela tinha se agarrado firmemente a mim. Mesmo que eu inclinasse um pouco a mão, ela continuava fixa.

Deixei-a lá ficar por um bom tempo, enquanto percebia minha protegida lemtamente ganhar vida. Muito timidamente deixava suas patinhas abandonarem a proteção da carapaça, ensaiando passos vacilantes na palma da minha mão.

Com um pouco de dificuldade, consegui transferi-la para meu dedão direito. E lá ela ficou, quietinha, como se dormisse, ou fingisse preguiça. Uma joaninha indolente, dona de seu espaço.

Fiquei a observá-la, já imaginando como seria, o que deveria fazer com ela. Minha intenção era que ela ficasse em uma das folhas das pequenas árvores que ladeiam a rua onde moro. Mas e a chuva? O vento? E o percurso pela Estação até o ônibus que me levaria ao meu bairro? Uma coisa era certa: eu já me sentia responsável por ela.

E mais cedo que eu esperava, o ônibus chegou à Estação. Fiquei envolto numa confusão de capas de chuva, mochilas e joaninhas. Cócegas denunciaram o movimento de minha amiga que, de tão imóvel, agora era um frenesi já passeando por meu braço. Emaranhou-se nos pelos curtos de meu antebraço e logo imaginei-a atravessando um matagal.

Já estava aflito. A joaninha não conhecia sossego. Fiquei com medo de machucá-la. Atento, procurei um lugar que a agradasse. Ela deveria partir por opção. Assim eu esperava.

Finalmente encontrei uma estrutura de concreto com um tom de cinza que atenderia muito bem como camuflagem à minha amiga. Aproximei meu braço e esperei. Ela rapidamente se transferiu para o concreto e se afastou escalando com agilidade a parede. Ainda maravilhado, observei-a por algum tempo, sem me preocupar com a fila do ônibus.

E fiquei a pensar em tão simples artifícios empregados por minha pequena amiga. Simples e ainda assim engenhosos. Primeiro, fingir-se de morta e agora, matreira, esconder-se na textura da parede. Por um momento, vislumbrei-a novamente, enorme, do tamanho do mundo. E pensei que ela já não era uma simples joaninha. Era mais. Uma joaninja.




quarta-feira, junho 22, 2016

Intriga



Chamou-me e fui sem pressa.
Vaguei entre devaneios.
Ao me aproximar, vi seus olhos
cuspirem ganchos rubros.

Cumprindo um ritual
em que palavras tomam formas agudas
Giramos num único infinito ponto.

terça-feira, junho 21, 2016

Vídeo de terça: Motivo

Boa noite! Segue hoje o vídeo em que declamo o poema Motivo, de Cecília Meireles. Abraços!


segunda-feira, junho 20, 2016

O Assalto - Parte III de III

Ir para O Assalto - Parte II de III

 Berak observava a escaramuça, ainda sem processar o que acontecia. Não eram camponeses, e sim soldados. Não devia ter mandado vinte homens, mas cinquenta. O bandido praguejou, enquanto berrava ordens para que os demais integrantes do bando auxiliassem na defesa do portão. Uma turba correu para a confusão que se formava.
Havia alguns homens nas ameias com bestas, armas que lançavam setas mortais.
A formação circular com escudos unidos estava desajeitada e dois morreram recebendo estocadas nos espaços entre as bordas dos escudos. Os bandidos também não eram profissionais e isso garantiu a Balgata que as mortes não fossem tantas. Ele havia determinado que dois guerreiros estivessem de um lado e do outro de cada aldeão. Dessa forma, as duas brechas abertas pelas mortes foram logo fechadas, mas o círculo ficou menor. Balgata percebeu que ainda havia bandidos dentro dos portões e, se fossem rápidos, poderiam tentar empurrar os inimigos, levando a luta para aquela passagem mais estreita.
– Vanguarda, homens! Anões, retaguarda! Arqueiros, ameia!
O capitão deu ordens rápidas. Com movimentos sincronizados, os guerreiros empurraram os escudos, golpeando bandidos e assustando os cavalos daqueles que ainda estavam montados. Imediatamente o círculo tornou-se uma cunha, que quebrou o cerco de homens e pôs-se contra os inimigos que chegavam pelo portão, enquanto os anões lutavam pela retaguarda. Uri golpeou o peito de um cavalo com selvageria. O animal empinou, tendo ainda a poderosa lâmina empalada em seu corpo, enquanto o bandido que o montava foi ao chão, para ser cruelmente retalhado pelos furiosos anões. Uri largou o cabo do seu machado, deixando que o cavalo moribundo se afastasse com a arma, e puxou uma adaga que estava embainhada às suas costas. Aldreth e outros arqueiros faziam suas flechas estalarem nas pedras da ameia. E Thin quase foi alvejado, tendo se abaixado com rapidez, enquanto as pontas de metal ricocheteavam na rocha. Guerreiros e anões gritavam em fúria, enquanto camponeses choravam ou faziam coro aos furiosos gritos. Guerreiros nasciam naquela desesperada escaramuça.
“Nibala!” pensou Balgata. “Onde está aquele maldito?” Tiveram a surpresa como aliada, mas estavam em minoria e seriam aniquilados, ainda que levassem boa parte dos inimigos com eles. Os bandidos nas ameias despejavam setas sobre os atacantes, que já estavam acumulados no portão. O capitão sentiu a fisgada de uma seta que penetrou em seu ombro direito. O braço que sustinha o escudo fraquejou, mas o guerreiro deu um berro, enquanto golpeava o oponente à frente num movimento transversal, decepando sua orelha direita e fazendo a espada penetrar na junção do pescoço com o ombro. O guerreiro ao lado de Balgata cedeu, desabando como se tivesse sido puxado para o chão. Uma lança havia feito um rombo em seu elmo. O inimigo puxou de volta o cabo da lança, tentando soltar a ponta que estava enganchada no elmo do guerreiro da Companhia. O capitão pisou no cabo e girou a espada para a direita, de forma que o corte horizontal foi tão rápido que sibilou, atingindo o inimigo na têmpora direita. A espada já tinha perdido o fio, mas a lâmina atravessou de um lado a outro, fazendo o sangue ser lançado como um vapor escarlate, tingindo de vermelho os outros bandidos. Os homens recuaram e Balgata adiantou-se. Espumava como um cão raivoso e sua visão tornava-se um borrão, enquanto ele distribuía golpes cegos.
A razão voltou à mente de Balgata quando ele ouviu um grito medonho. Manteve sua posição, sem se virar. Os oponentes de repente mostraram uma expressão de espanto e horror em seus rostos para, logo depois, tentarem fugir, sendo mortos pelas costas ou por espadas, ou por flechas. Os bandidos que estavam mais próximos aos portões tentaram fechá-los, mas foram impedidos por uma turba de criaturas horrendas, putrefatas, que invadiam a cidadela com uma rapidez assombrosa. Corpos reanimados pelo maligno poder de Lorguth, a espada das sombras.

Continua...

sexta-feira, junho 17, 2016

A casa do girassol vermelho: A loucura arquitetada

Murilo Rubião, se fosse vivo, teria completado 100 no primeiro dia deste mês. Um escritor com uma obra não muito extensa, mas extremamente vasta. Tendo se dedicado exclusivamente ao gênero conto, Murilo Rubião é um dos grandes nomes do realismo fantástico no Brasil. E por isso resolvi explorar um dos seus livros. O escolhido foi  A casa do girassol vermelho.
O livro reúne os contos "A Casa do Girassol Vermelho" (1947), "Alfredo" (1947), "Marina, a intangível" (1947), "Os três nomes de Godofredo" (1947), "Memórias do contabilista Pedro Inácio" (1947), "Bruma" (1953), "D. José não era" (1953), "A lua" (1953), "A armadilha" (1965), "O bloqueio" (1974) e "A diáspora" (1998). Cada um deles caberia uma resenha robusta. A obra de Rubião não é fácil, longe disso. Sua escrita é impecável, direta, sem floreios ou maneirismos. Seu narrador é neutro, quase imperceptível. Os personagens, porém, parecem figuras do barroco mineiro que invadem o texto literário. Há grandes paixões e loucas convicções. Todas,porém, marcadas por uma forte repressão, que pode vir de uma figura externa, como no caso do conto que dá título ao livro, ou do próprio protagonista, como é possível ver em "Bruma", "A lua" e "Os três nomes de Godofredo".
Apesar da marcante repressão assinalada em muitos contos, Rubião evita moralismos e procura retratar a natureza humana com toda a sua incoerência, Uma natureza repleta de loucura, mas tal insanidade é arquitetada com lirismo e equilíbrio. O narrador de Murilo Rubião claramente joga um xadrez literário com o leitor, estabelecendo relações de claro-escuro que novamente remetem ao Barroco.
Vale registrar aqui o tom de galhofa do narrador do conto "D. José não era", dando à narrativa um tom leve e muito bem humorado.
Não posso deixar de mencionar o papel da realidade nos contos presentes em A casa do girassol vermelho. Como se fosse uma personagem qualquer do livro, a própria realidade é torcida e por vezes abandonada, de forma que a narrativa ganha contornos oníricos. Por vezes, a realidade retorna, como um defunto, ou como as mulheres de Godofredo, de forma a sempre lembrar ao leitor de que - infelizmente - o mundo do real continua sendo mais absurdo que qualquer ficção ou fantasia.
Assim, com um texto impecável, evocações oníricas e complexas relações de sentido, Murilo Rubião oferece ao leitor em A casa do girassol vermelho uma verdadeira incursão a um mundo de "loucura arquitetada", vívida e, sobretudo maravilhosa.

Ficha Técnica
Título: A casa do girassol vermelho
Autor: Murilo Rubião
Ano: 1980
Páginas: 62
Idioma: português
Editora: Ática

segunda-feira, junho 13, 2016

Coerência


Para Pâmela Machado.




Se por falar de amor eu me atrapalho
Não é engano ou falto entendimento
Pois quando estou sem ti um dia é um ano
E em tua presença um mês mero momento.

Feliz dia dos namorados! S2

quarta-feira, junho 01, 2016

Para além dos números

Sei que os números impressionam. É assim em qualquer lugar. Todo mundo quer a casa cheia, principalmente se estamos falando de eventos culturais. E com a Biblioteca isso não é diferente. Quanto mais pessoas aparecem, mais gente será alcançada depois, quando essas pessoas falarem do que viram aqui.
No dia seis de fevereiro deste ano, porém, tive uma experiência que me valeu por um público de cem pessoas. A Biblioteca estava com pouca procura, não tínhamos dado nenhuma oficina na semana. Eu já me conformava de que ninguém apareceria numa sexta à tarde. 
Mas então fui avisado que duas pessoas, mãe e filha, tinham vindo para a atividade. 
Sempre fico nervoso antes de contar uma história ou fazer uma oficina. E não foi diferente nesse caso. Procurei disfarçar da melhor forma o nervosismo e segui lendo “Que bicho será que fez a coisa”, do Ângelo Machado. A menina, de seis anos, decidiu desenhar uma borboleta e imaginou um cocô quase invisível. Parecia o pó que elas soltam das asas.
Quando a oficina estava quase no fim, a mãe pediu para a filha se apressar, porque elas ainda teriam que comprar o material escolar. A menina então pediu: “A gente pode voltar aqui depois?” E a mãe disse que sim. “Hoje, depois de comprar material?” Aí a mãe falou que não daria tempo. A menina não desistiu: “A gente volta amanhã, então?” E a mãe respondeu: “Amanhã é Carnaval, eles não abrem.” Ao que garanti que estaríamos abertos, sim. Os olhos da menina brilharam de esperança.
A mãe disse que já tinham compromisso para o final de semana, mas garantiu para a menina que voltariam à Biblioteca o quanto antes. E os olhinhos da filha não deixaram de brilhar.
Assim como os meus, que brilham até agora.

Texto originalmente postado no Facebook em 06/02/2016. Versão original aqui.

sexta-feira, maio 27, 2016

Lolô - Sobre medos compartilhados

Como seria a amizade entre um lobo e um coelho? No mínimo, inusitada. Afinal, lobos são tradicionais predadores de coelhos. Seria possível que a inteligência, o afeto e a empatia superassem a distância natural entre predador e presa? 
Essa é a premissa da belíssima fábula moderna de Grégoire Soloitareff. Tom é um coelho educado e sensível que conhece Lolô, um jovem lobo que nunca havia visto um coelho antes. Lolô está em uma situação complicada e Tom se oferece para ajudar. Assim, nasce entre eles uma improvável amizade, construída através da convivência e, principalmente, da disposição de Tom em ajudar um inimigo histórico de sua espécie. 
A narrativa de Soloitareff é leve e enxuta. Ele não se perde em detalhes e procura narrar o essencial. Além disso, o traço de seu desenho é forte, de cores marcantes, dando uma aparência bruta ao jovem lobo, sem no entanto deixar de lhe conferir elementos de doçura, como seus olhos tão expressivos. E o que Lolô tem de forte, Tom tem de delicado, tanto por sua pequena estatura quanto por suas formas arredondadas e de linhas mais tênues. Assim, através do desenho, o autor acentua as discrepâncias entre os dois, criando uma tensão que culminará no clímax da narrativa. Poderá a amizade superar o medo e a ameaça velada? E o lobo terá força para perceber no coelho mais do que uma simples presa? Será ele capaz de se colocar no lugar do amigo para sentir seus medos e incertezas?
Assim, Lolô se consagra em mais uma belíssima obra da literatura infantil contemporânea, uma alegoria pungente e delicada sobre a importância de se buscar a empatia pelo outro para superação das diferenças.

Título: Lolô
Autor: Grégoire Soloitareff
ISBN-13: 9788574065854
ISBN-10: 8574065854
Ano: 2013
Páginas: 32
Idioma: português
Editora: Companhia das Letrinhas

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/lolo-333580ed373867.html

quarta-feira, maio 25, 2016

Dores de alma

Tem vezes que a alma range. Parece meio velha, estala um pouco, não cede. A gente chega a achar que ela encolheu.

Em dias em que o sol dá lugar à sisudez do cinza, quando num golpe de vento o meio-dia ganha ares de lusco-fusco, a dorzinha na alma fica mais forte. É como aquele joelho que costuma reclamar em tempos frios.

E assim, açoitada pela espessa cortina de água, a alma não mais range, geme. E a nós resta apenas forçar um pouco mais, respirar fundo e esperar que logo passe.

segunda-feira, maio 23, 2016

Encantos

Recebi à tarde uma galerinha de 4 anos. No calor da apresentação que fazia da biblioteca, esqueci o livro que leria para as crianças. Meio afobado, corri o olho pelos livros mais próximos expostos no espaço lúdico e me deparei com o lindíssimo "Estrela do céu, estrela do mar", da Anna Göbel. Um livro de imagens. Seria minha primeira experiência de leitura compartilhada de uma obra assim. Foi uma maravilhosa surpresa quando, ao terminar a leitura, uma menininha deu um sonoro suspiro e sorriu. Os aplausos vieram em seguida.
Fiquei simplesmente encantado.

15 de maio de 2015