terça-feira, dezembro 16, 2014

Tripudiando sobre a própria tristeza



Soneto da separação. Vinicius de Moraes.

É melhor tripudiar em cima de sua própria tristeza do que da tristeza alheia...

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Sina

Solidão profunda
me inunda.
Arregaça o peito.
Não me aceito.
É a minha sorte
de ser forte.
Perdedor, contudo,
pobre e mudo.

Sigo o meu caminho.
Vou sozinho.
E me endureço.
Pago o preço
de ser diferente.
Sigo em frente
sem chegar, porém.
Sou ninguém.

Olho à minha volta.
O medo volta.
E engulo em seco.
Eu me perco
no vazio triste
que persiste
e que todavia
me alivia.

sexta-feira, dezembro 12, 2014

O Ciclo da Morte - uma inusitada parceria



Kelene e Lúcio formam uma dupla improvável. Afinal, o que um vampiro antigo ganharia ao morar com uma jovem desajustada? A aparentemente única vantagem seria a discrição da moça, algo muito interessante para um ser sobrenatural.
Mas logi o vampiro percebe que Kelene vai muito além das aparências. Caçado por um velho companheiro, atormentado por seus erros passados e contando com o auxílio de Kelene, ele se lançará em uma série de eventos que abalarão os fundamentos do mundo, pondo em risco a própria morte.
Um dos pontos mais interessantes da prosa de Thaís Lopes é seu ritmo. Com uma narrativa ágil, composta por eventos bem encadeados, a autora mantém presa a atenção do leitor até o final do livro. Outro fator que contribui para isso é a dinâmica entre os personagens, através de diálogos bem construídos que transmitem a tensão entre o vampiro e a humana. Carregando a relação com uma leve dose de erotismo, a autora evita tornar seu texto apelativo, ao mesmo tempo que escapa do romantismo moralista.
Assim, O Ciclo da Morte sem dúvida se configura uma ótima leitura, uma envolvente jornada pelos Caminhos da Morte.

Ficha Técnica
Edição: 1
Editora: Senhor da Lenda
ISBN: 9788566486025
Ano: 2014
Páginas: 372

Link para o livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/377533ED426485-o-ciclo-da-morte

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Liga de Autores Mineiros - Sessão de autógrafos dos livros da escritora Edna Barbosa de Souza



Essa é de primeira mão. Estive hoje na Leitura do Shopping Del Rey para prestigiar a sessão de autógrafos dos livros Calango Tango e Birosca quer fugir de casa, da amiga Edna Barbosa de Souza.

Abaixo, as sinopses das duas obras:

Birosca quer fugir de casa

Birosca é um peixinho sapeca e inteligente que vive na Lagoa do Parque Municipal, em Belo Horizonte. Depois que a lagoa começa a ficar poluída, Birosca decide fugir de casa. No entanto, para alegria de todos daquela lagoa, muda de ideia e mobiliza os amigos para resolver a situação.


Calango Tango: o Calango que Perdeu um Pedaço do Rabo

Calango Tango é um calango charmoso, vaidoso e convencido de ser o mais o mais veloz da rua da D. Cocota da casa do muro furado e de ter o rabo mais bonito de todos os bichos da região. Até o dia em que acontece um acidente e Calango Tango perde o seu rabo. E agora como resolver esse problema? Calango decide juntar dinheiro para fazer uma cirurgia plástica, mas a história toma outro rumo.



segunda-feira, dezembro 08, 2014

Pena

Sem subterfúgios
Frases feitas
Efeitos e
Pirotecnias.
O exagero
Pode estar
Apenas
Naquele que o vê.
Então
Deixe-me curtir a dor.
Seremos eu e o vento,
dueto de uivos.
Quero apenas chover.
Curtir o que apenas eu posso sentir.
Deixa-me só.
Nu e mudo
como sempre fui.

28 de novembro de 2014, às 22:53 ·

sexta-feira, dezembro 05, 2014

O Vale de Elah - uma épica viagem à Palestina

Samah é um rapaz normal, como tantos outros que povoam a Palestina no século X A.C. Divide seu dia a dia entre cuidar das ovelhas da família e admirar a jovem Nazaré, por quem está apaixonado. Mas tudo muda em sua vida quando ele se vê diante de um impasse, ao saber que, por causa de uma dívida de sua família, ele terá que se tornar escravo. O rapaz então decide fugir, acompanhado de sua irmã Adaliah e da bela Nazaré, para o Vale de Elah, onde um inusitado exército acaba de nascer.
Começam assim As Crônicas de Adulão, uma saga de amor, violência, fé e fatalidade, tendo como centro a formação do exército chefiado por Davi Ben Jessé, o mais famoso de todos os reis de Israel.
Neste primeiro volume, Samah nos apresenta a um grupo ainda inexperiente, formado principalmente por parentes do jovem Davi, um dos mais competentes comandantes do exército de Israel. Considerado proscrito pelo regime em vigor, o jovem soldado se refugia na caverna de Adulão, para onde se dirigem diversas pessoas em situação crítica: escravos fugidos, famílias endividadas, outras vítimas de perseguição política. Nomeado líder desse improvável grupo, Davi começa a treiná-los como um exército.
É interessante perceber como a autora, Carla Montebeler, constrói uma narrativa leve e equilibrada, que combina perfeitamente com a personalidade de um jovem como Samah, bondoso e cheio de ideais. Contudo, Montebeler faz um contraponto ao apresentar um Samah já velho, experiente, que olha para trás com muita saudade de seus tempos de mocidade.
Assim, O Vale de Elah torna-se uma ótima pedida para os leitores de romances épicos, como os de Bernard Cornwell e Christian Jacq.

Ficha Técnica

ISBN: 9788582731611
Ano: 2013
Páginas: 68
Editora: Multifoco

Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/326182ED365598-o-vale-de-elah

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Retorno aos vídeos poéticos: Vandalismo, de Augusto dos Anjos

Bem, pessoal, boa noite! Estou de volta com as atualizações no canal que tenho no Youtube. E mais uma vez compartilho o vídeo de um poema do meu poeta favorito: Augusto dos Anjos!

Vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

terça-feira, novembro 25, 2014

E agora, José?




A Bienal acabou. O livro esgotou. A noite esticou e o pé inchou. E agora, José?
Foram dez dias de intenso trabalho. A ideia de participarmos da Bienal nasceu no Segundo Encontro de Jovens Autores e Blogueiros Literários. Não imaginávamos que tabém nascia a Liga de Autores Mineiros.
Durante a reunião, o assunto Bienal do Livro de Minas foi levantado, mas apenas como possibilidade. O colega (e hoje amigo) Ariálisson de Freitas se ofereceu para tomar a frente nos contatos com a empresa organizadora. Seu papel foi crucial para a consolidação nosso projeto.
Seguiu-se então o longo caminho de organização, com reuniões e debates, culminando na semana anterior ao evento, que exigiu muita energia do pessoal. Eu, que estava fora de Belo Horizonte, cheguei na véspera e encontrei tudo pronto. Restava-me agora dar sangue durante os dez dias seguintes.
E foram de fato dez dias bem puxados. Todos trabalhamos bastante, principalmente o Ariálisson e a Thais Lopes. Foi a experiência da Thais que nos garantiu a segurança necessária para as tarefas financeiras.
Contudo, não posso deixar de destacar o talento da Ana Faria que atraiu muitos leitores com seu cosplay, a simpatia de Carla Montebeler, Edna Barbosa, Sterlayni Duarte e Poliana Nogueira, o encanto de Lavínia Rocha e Augusto Alvarenga, a incansável disposição de Antônio Navarro, a tranquilidade de Ledinilson Moreira e Hermes Lourenço. A Thais também conquistou inúmeros leitores com sua irreverência, e jovialidade.
Foram dias incríveis em que fizemos amigos, como o pessoal da editora Poesias Escolhidas, os escritores Leandro Schulai, Rafaela Polanzynk, Gusttavo Majory, Carol Viana, Eduardo Assumpção e muitos outros; criamos laços, estabelecemos parcerias e, principalmente, divulgamos nossa literatura. Foi com extrema satisfação que vi os títulos de muitos colegas serem esgotados. E além disso tive o privilégio de poder conviver com eles.
As conversas que tive com vários escritores, em especial o querido José Carlos Aragão, ainda que descontraídas, certamente garantiram grandes lições para mim. 
Não posso deixar de citar as blogueiras Renata Ávila, Alessandra Santos Reis, Paulina Pimenta e Letícia Pimenta. Obrigado, meninas!
Além disso, vale destacar a importância que nossos familiares tiveram, doando seu tempo e apoio conforme a disponibilidade de cada um. Sua participação foi crucial para o nosso sucesso!
Esses últimos quatro meses muito me ensinaram sobre cooperação e trabalho em equipe. Foi um processo que culminou nesses incríveis dez dias. Contudo, o que mais aprendi nesta incrível jornada é que a Bienal do Livro de Minas 2014 foi apenas o começo.

Pessoal, se eu por distração tiver esquecido de mencionar alguém, por favor, não deixem de me lembrar! ^_^

quarta-feira, novembro 19, 2014

Sessão de autógrafos na Bienal do Livro de Minas

Créditos: Poliana Nogueira



Olá, pessoal! Passo aqui para avisar que estou todos os dias na Bienal do Livro de Minas e farei uma sessão de autógrafos dos livros Patos Selvagens e O Medalhão e a Adaga no estande da Liga dos Autores Mineiros (J08). Conto com vocês!

Local: Bienal do Livro de Minas (EXPOMINAS - Av. Amazonas, 6030 - Gameleira
Belo Horizonte)
Data: 22/11/2014, às 12h.

sexta-feira, outubro 31, 2014

Posicionamento sobre as eleições

Pessoal, fiquei muito alegre com o resultado da eleição mas, ao mesmo tempo, muito triste e preocupado. Já declarei publicamente qual minha preferência. Inclusive busquei ler os programas de governo dos dois candidatos. Pesquisei as notícias negativas sobre cada um deles. Isso ajudou a dar mais firmeza à minha decisão.
Porém, acompanhando as pesquisas como um torcedor acompanha o desempenho de seu time, fui ficando cada vez mais preocupado. Afinal, eleição não é igual clássico de futebol, onde o vitorioso geralmente fica feliz com a derrota do rival.
Eleição não pode ser a vitória da maioria, mas de todos. Assisti ao pronunciamento da Presidente Dilma. Foi de fato um momento importante, pois faço questão de não esquecer suas palavras e promessas. Quero um Brasil plural e igualitário e procurei escolher qual candidato representava esses valores.
Como disse o Fabiano Azevedo Barroso, eu igualmente espero não ter ofendido algum de meus amigos por conta de minhas opiniões políticas. Desejo que estas eleições sirvam para que possamos estabelecer metas, firmar parcerias, chegar a objetivos comuns.
E espero sinceramente que esta eleição seja um marco para um Brasil para todos.


Este texto foi originalmente publicado no Facebook dia 26 de outubro de 2014.

quinta-feira, outubro 30, 2014

Sobre nascer

Brincando comigo durante a visita de hoje, uma criança declarou: "você é bobo!" e concordei.
Ainda completei: "Eu nasci bobo."
A criançada caiu na risada. Apenas uma das meninas não riu. Chegou perto de mim, pegou minha mão e disse, bastante preocupada:
"Você não nasceu bobo..." 
Ajoelhei-me para ouvir melhor e ela repetiu:
"Você não nasceu bobo. Você nasceu feliz."
Caramba. A sabedoria infantil me pega de surpresa de vez em quando.

quinta-feira, outubro 23, 2014

Cercado mas não vencido: Max e os felinos

Filho de um peleiro de Berlim, Max se envolve com a esposa de um membro do Partido Nazista. Descoberto o romance, o rapaz é obrigado a fugir para o Brasil. Começa assim uma série de aflições sofridas pelo rapaz em seu exílio.
Max e os felinos está dividido em três capítulos que também poderiam ser chamados de atos. Cada um está ligado a uma espécie de felino. O primeiro é um tigre; o segundo, um jaguar e o terceiro, uma onça.
É interessante observar que o livro demonstra a evolução, o amadurecimento do personagem diante das adversidades. Há, em contraponto, uma gradual diminuição do porte do felino, que assume um papel alegórico. A cada ato a postura de Max muda do medo paralisante ao total enfrentamento. E assim o protagonista se fortalece diante dos desafios, pois reconhece que o medo é uma ameaça interna, maior que qualquer perigo que possa cercá-lo.
Ao mesmo tempo, podemos considerar o segundo ato como a alegoria da sociedade regida por governos totalitários, onde a passividade e o medo que o cidadão comum sente alimenta e fortalece um regime que, quando não oprime o povo, está totalmente alheio a suas necessidades. Dessa forma, o livro não somente se constitui numa bela história de superação, amadurecimento e coragem, mas também um retrato contundente de um processo histórico que nós brasileiros também enfrentamos durante o Estado Novo. A proposta então é a resistência, o enfrentamento. O monstro teme ser enfrentado e é capaz de consumir-se quando tal acontece. 
Não podemos esquecer a deliciosa prosa de Moacyr Scliar, artesão da prosa. Com seu talento, ele faz de Max e os felinos uma experiência de prazer e reflexão.

Ficha Técnica
Editora: L&PM
Ano: 1981
Páginas: 78

Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/12086-max-e-os-felinos

quinta-feira, setembro 25, 2014

Um sábado literário



Neste último sábado realizamos aqui na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil o evento Mochila Literária. Trata-se de um projeto criado pela autora Adriana Vargas e que busca reunir jovens autores com o propósito de mútua divulgação.
A organizadora desta edição, Carla Montebeler, deu a ideia de realizá-lo na Biblioteca e como consegui a autorização, fomos nos organizando, fazendo a divulgação junto às redes sociais e trocando ideias.
Foi um sábado muito conturbado. Eu realizei uma oficina chamada Publique seu livro pela manhã. Ao todo tivemos 16 participantes, todos muito interessados no tema. Acredito que eles tenham ficado satisfeitos com o resultado da oficina.
Logo após fechar a Biblioteca, fui recolhido pelo motorista do Sítio Escola 4 Elementos para uma feira literária que lá ocorria. Um pouco tenso, tive meu nervosismo dissipado ao desfrutar da companhia da escritora Rosana Mont'Alverne durante o trajeto. Tivemos então uma agradável conversar bastante sobre literatura.
No evento literário pude falar de minhas obras e de minha paixão pela escrita. Depois do bate-papo, fui conduzido pela escola para conhecer suas dependências. Em seguida, fiquei em uma sala para a sessão de autógrafos. Foi ótimo ver quantas crianças estavam interessadas pelo meu livro! O único problema foi que O Medalhão e a Adaga não estava disponível para venda e por isso só autografei o Patos Selvagens.
Não pude ficar até o final do evento, pois tinha que estar na Biblioteca às 18h30. Fui novamente transportado pelo motorista do Sítio Escola, chegando no horário marcado. De 18h30 às 19h30 fiquei prestando auxílio à equipe do projeto para que o espaço ficasse pronto na hora certa.
O evento começou mesmo às 20h e contou com um bom público. Foi uma noite gostosa e agradável. Pudemos conversar com bastante descontração, brincando uns com os outros e respondendo a perguntas do público. Ao final pude autografar O Medalhão e a Adaga para algumas pessoas. Dessa vez, o Patos Selvagens estava em falta. Ainda assim, senti que minha obra foi contemplada ao longo do dia.
Creio que eventos como estes contribuem para o desenvolvimento da literatura em nossa cidade e seu entorno. Se desejamos uma cidade literária, uma cidade de leitores, devemos promover mais encontros entre autores e leitores. Acredito que essa é uma forma rica de oxigenar a literatura, propor diálogos sólidos e enriquecer os escritores de material humano para suas obras. Sim, pois acredito que um dos grandes fenômenos da boa literatura é causar no leitor a impressão de ver-se no texto lido. E um escritor só pode alcançar esse nível de sinergia pelo amadurecimento e pelo encontro.
Bem, acredito que esse sábado foi mais rico do que posso medir e que seus resultados irão reverberar ao longo de nossas carreiras literárias.

Um agradecimento especial a aos autores Carla Montebeler, Ledinilson Moreira, Poliana Nogueira, Thais Lopes e Sterlayni Duarte e às blogueiras Renata Ávila, Alessandra Santos Reis, Letícia Pimenta, Paulina Pimenta e Brenda Ellen.

Segue agora um vídeo feio pela Paulina Pimenta com parte do bate papo entre autores.



sexta-feira, setembro 05, 2014

Momento Pandeguice



Deixando aqui um vídeo bem bobo. Afinal, é bom dar gargalhadas e debochar um pouquinho de vez em quando...

Essa musiquinha foi feita em homenagem àquela gosma que nos salva de ácaros, bactérias e outros intrusos.

O Catarro Verdão

Verde e gosmento no meio do dedão
esta é a história do Catarro Verdão

O Catarro Verdão tem múltipla função:
Ele cola seu dever, é uma boa refeição.
Em casa ou na escola, no recreio ou na aula
ele sempre te atende não te deixa na mão.

Ele cola porcelana, borracha e madeira.
Serve pra modelar, é uma boa brincadeira.
Você que está em casa desligue a televisão.
O Catarro Verdão é sua diversão!

Não é mole, meu irmão, ser um catarrão!

quarta-feira, setembro 03, 2014

Revoada dos Patos Selvagens



Sim, meu amado filho finalmente alçou voo. Eu, pai todo orgulhoso, vi suas vigorosas asas enquanto me enchia de orgulho. O dia 30 de agosto foi maravilhoso. Ainda que eu estivesse extremamente ansioso, consegui me segurar, manter a calma, e curtir com gosto esse maravilhoso momento.
O caminho até o lançamento foi longo e árduo. Começou há mais de um ano, quando enviei o original para a editora RHJ. Durante alguns meses fiquei ansioso mas lentamente fui me desprendendo. Acho que em parte por causa de uma autoestima deficitária. Enfim, achava que meu texto não convenceria. 
Assim eu me mantive em silêncio sobre esse livro enquanto voltava todas as minhas forças para a obra que estava para nascer, O Medalhão e a Adaga
Curiosamente, um mês após o lançamento, recebi um e-mail da editora RHJ expressando o interesse na publicação de meu texto. Exultei, fui às nuvens. Naquele momento eu me senti como alguém que ganha na loteria. 
A partir desse primeiro e-mail deu-se início a um longo processo editorial. Eu aguardei com muita ansiedade o findar desse processo. Era assaltado por dúvidas atrozes, cheguei a sonhar que a editora entrava em contato comigo para dizer que meu livro era péssimo e não seria mais publicado. Foram momentos de sono escasso e atribulado.
Quando finalmente senti o livro em minhas mãos, fiquei maravilhado. Seguiu-se então a espera para organização do lançamento. Era preciso planejar uma data, fazer contatos, estimar público, organizar a agenda, levar aos amigos os convites.
E finalmente chega o dia 30 de agosto. Eu não me aguentava de tanta expectativa. Estava como um pião, sem parar um momento. O plano era fazer um bate-papo, mas as pessoas foram chegando, pedindo autógrafo, e assim a fila se formou e o papo ficou para outro momento.
Foi assim que eu pude assentar, mas sem descanso. Seguiu-se um longo período atendendo, dando autógrafos, tirando fotos, sorrindo, abraçando leitores. E fui agraciado com a presença de amigos que mostraram todo o seu afeto. A presença dessas pessoas foi fundamental para fortalecer meu desejo de escrever ainda mais - e melhor!
Assim, ao chegar o horário de fecharmos a Biblioteca, eu estava com o estômago vazio (não havia parado nem para beber água) e o coração cheio, transbordando. O sonho não foi apenas realizado, eu pude lançar meu livro ao lado da escritora e professora Ana Elisa Ribeiro, uma pessoa por quem nutro uma enorme admiração. Meu sonho ultrapassou todas as expectativas.
Fica aqui, então, meu agradecimento à Ana Elisa, à minha família, aos meus amigos e em especial a Ana Luiza de Freitas Rezende, que foi um apoio mais que sólido neste bom momento.