sábado, abril 30, 2016

Os Portões do Inferno - Uma jornada contra si e o outro

Heróis não nascem. São forjados no calor da batalha. Alguns, inclusive, pouco talento tem para o heroísmo. Uns inclusive se envolvem em empresas arriscadas pelo simples lucro. Ou por uma glória que se traduza em vantagens sociais ou políticas. Outros simplesmente estariam no lugar errado e na hora errada.
Assim são as seis pessoas que foram recrutadas pelo obscuro Ambrosius para evitar que o mundo de Zândia seja engolido pelas trevas. Um cavaleiro desertor, um bardo andarilho de uma espécie em extinção, um guarda-costas recém-caído em desgraça, um elfo subterrâneo (svaltar), um mago originário de um país maldito, um adolescente mão leve.
Pessoas muito diferentes com propósitos também distintos. Quando de fato há algum propósito. Alguns deles querem apenas sobreviver. E o único caminho diante deles é uma missão arriscada que envolve jornadas em reinos subterrâneos, o embate com seres malignos e a possibilidade de que as diferenças entre os membros do grupo ponham tudo a perder.
É a partir dessa receita de barril de pólvora que André Gordirro constrói sua narrativa. Um texto cru, limpo e objetivo, o que lhe confere um dinamismo e uma agilidades que podem agradar muitos leitores. Um outro ponto interessante na escolha de Gordirro é apostar nos personagens mais desprezíveis da trama. E sua escolha é acertada, valendo-se da atração que tais personagens podem exercer nos leitores atuais.
E por fim, vale destacar também os elementos de combates apresentados no livro. Gordirro busca recursos visuais para oferecer ao leitor o mais fiel relato dos momentos agitados em que a vida de cada personagem está por um fio. Sua tentativa é justamente fazer o leitor se sentir na pele do combatente, sangrando junto com ele, refém da sorte ou do azar, como acontece em qualquer batalha.
Assim, Os portões do inferno, com seu texto enxuto e seus personagens mais próximos o possível do real, apresenta uma ótima proposta de diversão para todos os leitores de fantasia, além de interessados em RPG e temas afins. Uma jornada cheia de percalços, onde o maior obstáculo pode ser justamente o companheiro que luta ao seu lado.

Ficha Técnica:
Os Portões do Inferno
André Godirro

ISBN-13: 9788568432273
ISBN-10: 8568432271
Ano: 2015
Páginas: 384
Editora: Rocco

Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/517778ED524745

quarta-feira, abril 27, 2016

Posicionamento

Alguns apontamentos feitos dia 21 de abril, no Facebook.

Estou bem atrasado. Ainda envolvido no final de uma doença debilitante, não acompanhei o discurso de ódio veiculado na televisão neste último domingo. Mas agora tive que assistir. Um homem grande, bonito, de voz forte, exaltando outro homem. E o homenageado foi um notório torturador.
Não posso ser omisso. Sei que as palavras são muitas, mas por vezes a indignação tranca a boca. Falta instrumento para verbalizar o que é absurdo. Por isso eu entendo que talvez um cuspe tenha sido a única reação viável no momento.
Eu, porém, tive o tempo ao meu lado. Pude assistir com calma. Uma calma que me fugiu logo em seguida. Mais uma vez, não é possível ser omisso. Jair Bolsonaro defendeu um TORTURADOR em cadeia nacional. E não podemos, a meu ver, nos calar diante disso. Faço então um apelo a todos aqueles que se consideram simpatizantes de Bolsonaro. Por favor, avaliem essa postura. Não adianta essa pessoa esconder seu ódio junto a palavras como “deus”, “família” e “pátria”. A exaltação ao torturador permanece lá. E categoricamente, afirmo: essa violência não se justifica.
Bolsonaro afirma lutar pela "inocência" das crianças e ao mesmo tempo glorifica um homem que expôs uma mulher amarrada e violentada diante dos filhos pequenos. É esse tipo de homem que vocês, que curtem o Bolsonaro, defendem?
Não é questão de ser de direita ou de esquerda. O que está em jogo aqui é algo mais importante, chamado DIGNIDADE. Algo que vai além de posturas ideológicas. Por isso, conto com o bom senso de todos os que se simpatizam com esse político chamado Jair Bolsonaro. Por favor, não vamos continuar alimentando um monstro.

#DigaNãoaJairBolsonaro
#ForaBolsonaro
#TorturaNuncaMais

#DitaduraNuncaMais

terça-feira, abril 26, 2016

Vídeo de terça: Jussara Santos

Boa noite! Continuando a tradição dos vídeos de terça, posto hoje um poema da Jussara Santos, escritora aqui de Minas!

Abraços!


Agradecimento

Texto originariamente publicado no Facebook, no dia 29 de março de 2016, o qual decidi trazer para este espaço, por questões de registro.


Estamos no fim de março. Comecei este ano com o firme propósito de doar um pouco mais de mim. No ano passado, foram poucas vezes. Uma creche, duas ongs e algumas escolas. Por isso, acho que estou indo bem, já que em 2016 consegui pelo menos ir a uma escola por mês. A primeira apresentação do ano foi na Escola Municipal Milton Campos, no bairro Mantiqueira, dia 15 de fevereiro. A segunda, na Escola Municipal Professor Mário Werneck, no bairro Santa Maria, dia 7 de março. E a última foi hoje, dia 29 de março, na Escola Municipal Armando Ziller, também no Mantiqueira. Cada visita foi maravilhosa e especial, fonte de inspiração e aprendizado.
Cheguei à Escola Municipal Milton Campos um pouco inseguro. Afinal, pouco me lembrava do público que enfrentaria. Quantas crianças? Quais idades? E qual seria a expectativa delas quanto à minha visita?
Fui recebido pela bibliotecária Adriana Pedrosa, uma pessoa maravilhosa, cujo sorriso logo fez com que eu me sentisse mais à vontade. Logo as crianças começaram a chegar, sendo acomodadas no pátio, perto do acesso à cantina. Uma turma, duas, três... Quando me dei conta, um número considerável de crianças estava diante de mim. Começava então a prova de fogo.
Ledo engano. Naquele momento, fui tomado por uma profunda satisfação, enquanto deixava minha voz tomar o espaço e via os olhos de cada criança brilhando, seus rostos concentrados, explodindo em ocasionais risadas durante os momentos mais hilários das histórias.
Quando terminei, sabia que havia mais. Essa primeira multidão infantil foi levada novamente para as salas de aula e, enquanto eu descansava, outra enorme turminha se apossou do lugar. Agora parecia ser o dobro de crianças. Respirei fundo e novamente deixei-me levar pelo regozijo de poder contar histórias que tão bem me fazem.
Depois dessas apresentações, ainda pude desfrutar ótimos momentos na cantina e depois na biblioteca, tornando minha visita àquela escola ainda melhor.
Meu segundo desafio, na Escola Municipal Professor Mário Werneck, foi um pouco diferente. Desta vez, a apresentação aconteceu em um auditório, um espaço muito bem equipado. A visita foi a convite da professora Tatiane Batista e sua colega Andréia. Novamente fui agraciado pela gentileza que as próprias crianças me fizeram, prestando atenção em cada narrativa. Acrescentei duas histórias de assombração, a pedido da maravilhosa plateia.
Por fim, hoje foi meu terceiro desafio. Convidado pela escritora Norma De Souza Lopes e novamente pela Adriana Pedrosa, compareci à Escola Municipal Armando Ziller e tive o privilégio de contar histórias para todas as turmas do turno da tarde! Números não importam, principalmente porque não faço ideia de quantas crianças foram. Acrescento apenas que realizei três apresentações, com pequenas adaptações em cada uma. Foi igualmente mágico!
Deixei a escola hoje recebendo cumprimentos e abraços de tantas, tantas crianças! Essa foi sem dúvida a maior recompensa, além da experiência de poder exercitar essa arte que é narrar histórias.
Quero encerrar este relato agradecendo profundamente a todas as professoras que confiaram em mim para realizar essa ação que considero tão preciosa. Sinto-me honrado por ter visitado cada uma dessas escolas e continuarei à disposição para, na medida do possível, realizar mais. Obrigado! ;-)

terça-feira, abril 05, 2016

Vídeo de terça - Tomando emprestado

Boa noite! Em mais um vídeo de terça, aproveito e tomo emprestado o canal da minha colega Norma de Souza Lopes. Segue minha apresentação do conto "As Almas Penadas", de tradição popular, realizada terça passada na Escola Municipal Armando Zille. Aproveitem!




terça-feira, março 29, 2016

Vídeo de terça - O coelho sem orelhas

Boa noite! Em mais um vídeo de terça, posto aqui o exercício de leitura do livro O coelho sem orelhas, de Til Schweiger e Klaus Baumgart, com tradução de Ilse Luder. Aproveitem!



terça-feira, março 22, 2016

Vídeo de terça - O livro da avó

Boa noite! Seguindo com os vídeos de terça, trazendo hoje um tesouro encontrado por indicação da colega Maryluce Silva. O lindo e melancólico livro de Luís Silva, O livro da avó.



Espero que gostem!

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Vídeo de terça - O Vampiro Argemiro

Boa noite! "Pulei" a terça do Carnaval, mas hoje estou de volta, e ainda no ritmo da folia, para apresentar a vocês um vídeo sobre as confusões de um vampiro diferente. Como sempre, espero que gostem! ^^


terça-feira, fevereiro 02, 2016

Vídeo de terça - Um estudo em Azul

Boa noite! Desta vez, compartilho o vídeo que fiz para estudo e ensaio do texto "Uma ideia toda azul", de Marina Colasanti, para a formatura do curso "A Arte de Narrar Histórias", do Instituto Cultural Aletria. Mais uma vez, espero que apreciem! ;-)


terça-feira, janeiro 26, 2016

Vídeo de terça - O que vinha no vento

Boa noite! Mais uma atualização dos vídeos de terça! Eles, felizmente, não estão deixando o blog morrer, e fico muito feliz com isso!

Desta vez, compartilho com vocês a leitura de uma das mais deliciosas descobertas de 2016! O que vinha no vento, de Silvia Abolafio, com ilustrações de Marcelo Garutti. A editora é a Galpãozinho. Como das outras vezes, espero que gostem! ;-)



terça-feira, janeiro 05, 2016

Vídeo de Terça - Caleidoscópio

Segue hoje o vídeo de um poema já publicado aqui, neste link: http://www.oguardiaodehistorias.com.br/2015/03/caleidoscopio.html

Este é um poema antigo. Já foi recitado em saraus, encontros, mesas de bar etc. Agora, ele e eu fazemos parte do mesmo vídeo-poema. Espero que gostem! 


quinta-feira, dezembro 31, 2015

Para um ano melhor

Formatura: alunos e mestres


Eis que 2015 chega ao fim. Um ano que a mídia previa ser de crise para a economia brasileira, com a expectativa - posteriormente concretizada - de queda do PIB. Um ano que se fez através de desgraças como o Estado Islâmico, o Boko Haram, os atentados na França, o menino afogado, a morte do Rio Doce. 
A questão econômica foi alardeada o ano inteiro como tragédia anunciada, algo que me incomodou desde o início. Decidi então buscar formas de ir contra o fluxo. Como disse no início do ano, a economia poderia encolher, mas não meu coração. E foi sob essa diretriz que segui este turbulento ano.
Não foi como eu queria, admito, mas foi mais do que esperava. Sempre queremos mais de nós mesmos. E no caso de 2015, eu quis dar mais. Sou contador de história há anos, mas sempre me senti carente de um melhor preparo. Queria mais qualidade do que oferecia ao público.
Dia da Alegria Aletria
Assim, iniciei o curso "A Arte de Contar Histórias", realizado pelo Instituto Cultural Aletria. Foi uma jornada em que mais recebi do que dei. Através dos textos que li, das pessoas que conheci e, sobretudo, pela presença magnífica da escritora e narradora Rosana Mont'Alverne, além de outros incríveis escritores que conduziram as aulas no segundo módulo. Faço questão de citar Carlos Roberto Barbosa, Beatriz Myhrra e especialmente a maravilhosa Sandra Lane. Foi muito bom ter a oportunidade de aprender com esses mestres.
Pude também praticar o que ia aprendendo. Contei histórias em ONGs, creches e escolas, sempre como voluntário. Confesso que pouco falei dos meus livros, mas cada venda que fiz foi especial, pois os leitores me procuraram e pediram seus exemplares.
Por fim, este ano de aprendizado foi coroado com a formatura do segundo módulo acontecendo na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil, lugar mais que especial para mim. Tive o prazer e a alegria de abrir aquela maravilhosa noite do dia 16 de dezembro. Para encerrar este texto, deixo mais uma vez o desejo de que 2016 seja melhor; sejamos melhores. 

* Aproveito para compartilhar aqui a gravação em que narro Uma ideia toda azul, magnífico conto de Marina Colasanti que me cativou desde a infância.


quarta-feira, outubro 14, 2015

A Princesinha Astronauta


Para Joana Silveira

Era uma vez um planetinha verde perdido lá na imensidão do espaço. Nesse planeta, as plantas eram gente também. Essas plantas tinham lindas flores. No interior de cada flor uma pessoa se desenvolvia. Depois de um tempo, ela despertava, deixava a flor e ganhava o mundo para realizar muitas coisas maravilhosas.
E então, no alvorecer do primeiro dia de um novo ano, despontou uma linda florzinha que preguiçosamente estendeu suas pétalas. Lá no fundo, dormia uma princesinha, coberta de cetim. E sonhava imagens maravilhosas, conjunções estelares, viagens astrais. Pois a flor, desperta, transmitia à princesinha imagens e conhecimentos, mistérios e ensinamentos, para que ela estivesse pronta, completa, ao despertar.
E ela sonhava todas as maravilhas que seria quando despertasse. Assim como acontecia com qualquer habitante desse planeta, quando as pétalas de sua morada caíssem, a princesinha despertaria.
Aconteceu que uma frota de naves alienígenas atacou o belo planetinha verde, roubando os sonhos das pessoas ainda dormentes. E nossa princesinha teve seus sonhos roubados por perversos alienígenas.
Quando as pétalas de sua flor despencaram, ela despertou sentindo-se vazia e triste, assim como muitas de suas companheiras. Seus sonhos foram roubados e ela agora não via mais um belo futuro.
A princesinha, porém, não se abateu. Tinha na memória os resquícios daqueles sonhos tão belos. Com persistência e muito trabalho, construiu uma nave espacial. Um foguete da cor das margaridas.
Nossa heroína se lançou no infinito espaço. Enfrentou o vazio, o escuro e o medo, até chegar ao planeta frio e moribundo dos asquerosos alienígenas que lhe tinham roubado os sonhos.
E naquele lugar lúgubre e friorento, a princesinha descobriu que os alienígenas cinzentos usavam os sonhos roubados para aquecer seus corações. Quando não estava viajando pelo espaço, viviam em sonolência, sorvendo sonhos alheios.
Muito engenhosamente, a princesinha invadiu a morada dos alienígenas e destruiu suas máquinas, liberando os sonhos. Eles eram como esferas luminosas, pérolas de todas as cores. A princesinha também destruiu as naves dos ladroes de sonhos, para que não pudessem mais atacar outros planetas. Satisfeita por ter recuperado seus sonhos, a princesinha se preparou para partir.
Mas ao ver os alienígenas cinzentos tão desolados, ela desistiu de partir. Animada por seus sonhos, ela começou a contar histórias. Os alienígenas escutavam com cuidado. Em pouco tempo, alguns já dormiam, tendo seus próprios sonos.
E assim a princesinha astronauta, depois de recuperar seus preciosos sonhos, descobriu como fazer os ouros sonharem, e passou a cruzar as estrelas contando histórias, tornando-se então uma semeadora de sonhos.

terça-feira, outubro 13, 2015

Vídeo de Terça: Conselho Amigo, de Olégario Mariano

Olá! Esta é a primeira participação convidada no canal. Poema recitado por Brenda Linda Lages, ao som do cantar de uma cigarra. Espero que gostem!

Conselho Amigo, de Olegário Mariano. 
Intérprete: Brenda Linda Lages.