quarta-feira, julho 23, 2014

Média

No meio do caminho 
Fonte: http://www.freeimages.com/profile/senjur
tinha um viaduto
Braços e pernas
esmagados
pelo dolo
grama e concreto
servindo aos 
mesmos
fins ao
mesmo
dEUS.
A dança do fogo
o jogo de imagens
a língua amputada
a vida apagada.
No meio do viaduto
tinha um 
carro
No meio do campo
tinha uma
bola
No meio do ano
tinha um
engano.

Belo Horizonte, 12/07/2014

sexta-feira, julho 18, 2014

A partida de um grande escritor

Ainda me lembro com vivacidade da aventura que foi desvendar Paraty em plena FLIP. E foi indefinível o prazer que senti ao beber das palavras de João Ubaldo Ribeiro. Com todo aquele seu carisma, sua boa prosa, seu sorriso fácil e sempre franco, João disse algo que me impressionou profundamente. Ele disse que a Literatura é um dos mais poderosos meios para sermos o outro. E arrematou: "quando escrevo, se eu quiser posso ser puta".
Obrigado, João Ubaldo Ribeiro!

O filho de mil homens - Uma literatura para além da esperança

Um homem solitário que deseja um filho mais do que tudo; um menino sem família, perdido entre a complacência e a arrogância das pessoas que o cercam; um homem que luta contra sua sexualidade, vítima do preconceito de todos e da incompreensão de sua família; uma mulher desencantada com a vida e com o amor, tanto que parece até encolher por causa de sua angústia.

Estes são alguns dos personagens de O filho de mil homens, romance de autoria do escritor português Valter Hugo Mãe. Uma obra pungente, visceral, arrebatadora. No enredo temos o pescador Crisóstomo, um homem que ao fazer quarenta anos se vê sozinho, não tendo realizado ainda seu maior sonho, ter um filho. Sua solidão é tamanha que, para mitigá-la, ele inutilmente compra um boneco, como se este pudesse, como um Pinóquio contemporâneo, virar um menino de verdade. 

A partir do desejo de Crisóstomo e de sua busca inocente por felicidade, somos apresentados a outros personagens, todos incompletos e imersos em suas tragédias pessoais. Assim, Válter Hugo Mãe constrói um romance poderoso, profundo, cuja aparente ingenuidade não enfraquece seu impacto.

Pode-se dizer que o enredo revela uma perspectiva otimista. Contudo, a complexidade de cada personagem, bem como suas sofridas experiências mostram uma felicidade construída na resiliência, na esperança. Desta forma, esse otimismo torna-se um motor para a transcendência dos personagens. Essa transcendência também permite o encontro com o outro, com a diversidade. O leitor, através dos olhos de cada pessoa narrada, tem a possibilidade de transcender, de se transformar. 

Belo, poderoso e profundo, O filho de mil homens é uma bela jornada e, sem dúvida, uma surpreendente descoberta.


Ficha técnica

Edição: 1
Editora: Cosac Naify
ISBN: 8540501767
Ano: 2012
Páginas: 208

quinta-feira, julho 17, 2014

Semana do Livro Nacional na BPIJBH

Semana do Livro Nacional



De 19 a 27 de julho de 2014



Dia 19 de julho, sábado
Oficina Registre seu Livro
A oficina propõe orientar autores iniciantes sobre os procedimentos necessários para o registro de textos literários no Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional. Com Samuel Medina
Público: juvenil e adulto (autores iniciantes)
Às 10h

A Escrita Jovem
Mesa debate com os autores Ewerton Ribeiro, Laura Cohen Rabelo e Guilherme Hargreaves, seguida de sessão conjunta de autógrafos.
Público: juvenil e adulto
Às 11h

Dia 25 de julho, sexta, dia do escritor nacional
II Encontro de Jovens Autores e Blogueiros Literários
Em comemoração ao Dia do Escritor Nacional, será realizada uma roda de debate sobre os desafios que o autor iniciante enfrenta em sua caminhada e quais são as principais estratégias para que seus leitores sejam alcançados.
Às 18h


Dia 26 de julho, sábado
Territórios Fantásticos
Sessão de autógrafos com Ledinilson Moreira, autor de Portais e Paulo Campos, autor de O Sino de Arsch e Hermes M. Pontes, autor de O Enigma do Fogo Sagrado

Às 11h30

Todas estas atividades ocorrerão no espaço da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.

Endereço: Rua Carangola, 288 - Térreo - Santo Antônio. Belo Horizonte - MG

Telefone: (31) 3277-8658

E-mail: bpij.fmc@pbh.gov.br



quarta-feira, julho 16, 2014

Persona



Créditos: http://www.freeimages.com/profile/pacoccepas
Enquanto escrevo
escavo
escravo
Sulco sentidos
removo pedras
ou
as recoloco
apenas
obstruo caminhos
em
pequenas veias
feridas e rugas
vou construindo
minha 
máscara

quarta-feira, junho 25, 2014

Pro outro filho não ficar pra trás...

Na última postagem, eu falei sobre meu filhote recém-nascido. Para não deixar o irmão mais velho enciumado, aqui está um vídeo em que eu apresento O Medalhão e a Adaga. Minha obra de estréia!


Espero que gostem e peço a todos que ajudem a divulgar! 

domingo, junho 15, 2014

Patos Selvagens, Um Novo Rebento

Olá, pessoal!

Estou aqui para falar rapidamente de minha nova realização! Há mais de um ano havia enviado para a Editora Baobá o meu original de uma narrativa de fantasia, no estilo Conto de Fadas. Em outubro do ano passado recebi um e-mail da editora informando sobre a aprovação do meu texto e perguntando se o mesmo ainda estaria disponível para publicação. Nem acreditei, mas era verdade. Eu finalmente era aceito por uma editora profissional e competente, ainda por cima em Belo Horizonte! Não perdi tempo e confirmei a disponibilidade do livro.

Seguiram-se meses de ansiedade e preocupação. Meses em que muitas vezes eu me perguntava se tudo não seria uma alucinação minha. Nessas horas eu abria meu e-mail e mais uma vez conferia as palavras da editora. Conversei com pessoas maravilhosas da Baobá, sempre muito simpáticas e acolhedoras.

Finalmente, na sexta-feira eu compareci ao endereço da editora para pegar meu livro, sentir sua textura em minhas mãos e seu cheiro de novo. Foi como ver um filhote saindo do ovo. Era um ovo quadrado (os exemplares estavam embrulhados), mas a experiência foi ímpar.

Agora cá estou eu, com Patos Selvagens em mãos. Nesta narrativa busco homenagear os Contos de Fadas, criando uma história de magia, aventura e amor. Eis a sinopse:

Há muitos mistérios sobre um lago assombrado pela imagem de uma bela jovem. Quando Nerito, um corajoso aventureiro, passa a se envolver com este enigma, decide lançar-se em busca de respostas. Qual será o seu destino? Acompanhe Nerito nesta emocionante jornada.

Aproveito e deixo no final deste post um vídeo apresentando o livro. Espero que vocês possam se deliciar com esta nova história como eu me deliciei.



Ficha Técnica:
Edição: 1
Editora: Baobá
ISBN: 9788566653403
Ano: 2014
Páginas: 76

Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/396681/

quinta-feira, junho 12, 2014

A Grande Marcha: a tirania do kitsch

Quebrando o jejum de resenhas, sinto a imensa satisfação de poder falar sobre o livro A Grande Marcha, do autor estreante Ewerton Martins Ribeiro. Porém, junto à alegria, há um sentimento de incerteza. Afinal, como escrever uma resenha à altura da prosa do Ewerton? Como deixar patente para o leitor o poder desse texto?
Em primeiro lugar, a prosa presente em A Grande Marcha não é uma narrativa linear. É como um livro e ao mesmo tempo um cubo mágico. Cabe ao leitor captar trechos de acontecimentos e criar sua combinação, encontrar os pontos em que os conflitos se interligam, perceber as ironias e fazer uso das mesmas para construir em conjunto com o narrador essa obra tão forte e polissêmica.
Ainda sobre a prosa, a linguagem assume por vezes um tom ensaístico, quase professoral. E nesse ponto o domínio de Ewerton sobre a escritura se faz mais forte, pois ele consegue construir um texto equilibrado, profundo mas dinâmico, tomando para si o grande desafio de tentar conceituar o termo kitsch. Em nenhum momento a leitura me pareceu pesada ou enfadonha. Por vezes, tinha que parar, mas para refletir sobre os conceitos e exemplos apresentados e não por ter tropeçado do texto.
Ewerton, contudo, não para por aí. Ele vai mais. Além de abordar um tema espinhoso (afinal, o que é o kitsch? falsidade? demagogia? idealização? enganação? ingenuidade? futilidade? superficialidade?), desenha sua trama e o conflito do anti-herói do texto como uma grande analogia aos conceitos arduamente desenhados. Esse conflito é inserido então em um dos mais contundentes e atuais momentos de nossa história: as manifestações contra a Copa das Confederações em 2013. 
Nesse momento, a prosa de Ewerton ganha um dinamismo impressionante, mantendo um ritmo quase frenético, como se o próprio narrador fosse um jornalista obcecado por registrar exaustivamente esse momento histórico. E o leitor embarca também nessa viagem, troca de pele com o narrador e os personagens e vive (ou revive) a marcha como mais um manifestante.
Após a leitura ávida desse livro, pude refletir um pouco sobre essa onda de protestos que atravessou o Brasil no ano passado e tem se erguido este ano. 
As pessoas mais próximas de mim sempre ouviram minha desconfiança em relação a essas manifestações. Quando me perguntavam, porém, eu não conseguia responder com clareza. Dizia apenas que achava que os protestos não tinham pauta clara, reivindicações consistentes e objetivas. Tudo parecia muito solto, desarticulado. Cheguei a comparecer a uma dessas marchas, embora não me sentisse como parte daquelas vozes. Continuava, porém, sem conseguir argumentar com clareza sobre os motivos que me afastavam dessa grande marcha.
A Grande Marcha deu-me a clareza para entender de fato oque me incomodava. Consegui dessa forma solidificar minha opinião sobre as manifestações. Opiniões que não compartilharei no momento. Talvez em outra hora.
Por fim, quero recomendar a todos que conheçam essa obra de estreia de Ewerton Martins Ribeiro. Com sua escrita primorosa, seu rigor argumentativo e seu domínio sobre a linguagem, A Grande Marcha sem dúvida já nasceu uma grande obra.

Ficha Técnica
Edição: 1
Editora: Circuito
ISBN: 9788564022447
Ano: 2014
Páginas: 98

sábado, junho 07, 2014

Retorno às Origens

Este, apesar de ser um blog literário com tons de prosa confessional, pouco esclarece sobre o meu passado. Uso de vez em quando este espaço para me reinventar e muitas vezes pouco deixo além da cobertura da sombra. Contudo, há momentos que precisamos nos mostrar mais, principalmente quando no dia-a-dia, neste mundo medido a pó e concreto, pomos nossa cara diante de uma multidão, bem podendo levar tomates no lugar de rosas.

Disse algo semelhante hoje à tarde, diante de uma turma de uns quarenta ou mais estudantes do ensino médio. Mas estou me adiantando. Comecei prolixamente apenas para introduzir um relato mágico ocorrido hoje e assim revelar também um pouco de minha história como autor de O Medalhão e a Adaga.

A leitura despertou em mim o entusiasmo pelo poder das palavras. Ficava impressionado como um texto tinha o poder de se abrir em um infinito espaço onde podiam se encontrar o corriqueiro e o maravilhoso. Não era fascinado apenas pelo poder que a literatura exercia em mim, mas nessa capacidade imanente à palavra de evocar algo do vazio, da inexistência e fazer com que este algo seja, mesmo que ausente.

Com isso em mente, fui fisgado pela mágica da programação aos doze anos, com a descoberta da informática e de suas possibilidades. Assim como o texto literário, o código de programação, para mim, parecia também deter o poder de invocar objetos da inexistência. Fisgado, mergulhei no universo incipiente das Tecnologias da Informação.

Assim, matriculei-me no COTEMIG, colégio técnico importante aqui de Belo Horizonte. Foi no laboratório de computação, em uma aula sobre html, que eu imaginei e dei forma às primeiras montanhas de Gorgórdia, que fiz Bildan e Sheril darem seus primeiros passos, falarem suas primeiras palavras. O Medalhão e a Adaga era apenas um embrião, um projeto despretensioso chamado O Arqueiro. Estava em meados de 1998.

Meu objetivo era apenas concluir a tarefa, criando uma página com seus links e conteúdo. Não imaginava que, um ano depois esse conteúdo me fisgaria. Ao abrir um disquete perdido em uma gaveta de meu quarto, encontrei os arquivos usados na tarefa. Ao correr os olhos pelas palavras diante da tela, meu interesse foi crescendo até que eu decidi transpor o texto para o Word e seguir digitando, mergulhando nessas aventuras e devaneios. Uma narrativa a princípio ingênua que evoluiu e amadureceu comigo ao longo dos anos.

E finalmente hoje eu retornei ao COTEMIG. Diante de vários estudantes do primeiro e do segundo ano, apresentei um pouco de minha história, de como este livro nasceu. Foi um momento profundo, principalmente quando retornei à unidade Floresta, onde me formei. Encontrei ao menos um antigo professor, o Marcão. E tomado por uma enorme alegria, fui agraciado ainda mais quando percebi os olhares de interesse e os sorrisos empolgados de meus colegas de colégio.

Foi de fato um retorno mágico que se repetirá na próxima segunda. Não pude deixar de sentir uma profunda nostalgia ao me ver depois de quinze anos de volta às salas onde estudei. Mas essa nostalgia foi doce e cálida, repleta de realização.




sexta-feira, maio 23, 2014

Visualizações

Bem, pessoal, chegamos a 30 mil visualizações! Puxa, nem acredito! São oito anos desde o primeiro post. Este espaço foi remodelado inúmeras vezes durante essa travessia. Como uma espécie de marco, compartilho com vocês este vídeo em que eu apresento um canal para a divulgação literária.



Além deste vídeo, há outros no canal, algumas experimentações que fiz nos últimos meses. Nada muito pretensioso. Afinal, meu objetivo continua sendo o universo da palavra escrita.

segunda-feira, maio 19, 2014

O Medalhão e a Adaga viajando por Belo Horizonte



Não posso negar que aqui seja a minha casa. Apesar de não ter nascido aqui, foi nesta cidade, Belo Horizonte, que tive a maior parte de minha história. Minhas principais conquistas literárias foram celebradas na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH, onde trabalho.

Assim, depois de começar a campanha Leitores Inquietos e o projeto Livro Viajante (1910), decidi começar um novo projeto, que já está a todo vapor. É um tour literário, mas local. Ao invés de fazer a obra passear por várias cidades, o objetivo é fazer O Medalhão e a Adaga passear por Belo Horizonte, nas mãos de blogueiros literários.

Ao final do projeto, os participantes votarão uma biblioteca pública que receberá o exemplar utilizado. Será uma forma de divulgar todos os blogs que participaram, pois cada um deverá informar o link do seu blog na folha de rosto do livro.

O exemplar já foi entregue à primeira pessoa da lista, a Alessandra, do blog leiturasdalele.blogspot.com.br. Há outros blogs inscritos, mas quem quiser participar, ainda tem jeito! Basta preencher o formulário aqui. As inscrições deverão ainda ser aprovadas.

Por fim, lembro que este projeto em especial vale apenas para blogueiros que morem ou trabalhem em Belo Horizonte e desejo a todos os participantes uma ótima leitura!

quarta-feira, maio 14, 2014

Para além



Um dia, vou levantar cedo, colocar três mudas de roupa na mochila, quatro cadernos em branco, três canetas. Não levarei carteira. No bolso, apenas a identidade. Vou trancar o apartamento e deixar a chave com o vizinho. Sem desconfianças ou receios. Terei comigo um boné, uma garrafa de água e um tubo de filtro solar. O calçado será forte, assim como o jeans que eu estiver usando. Deverá ser um dia de calor numa época quente, talvez dezembro, mês onde anoitecem as coisas. Não levarei um livro sequer. Nem celular. Estarei completamente fora de área. Sei que o primeiro passo será talvez o mais difícil, mas também o fundamental, libertador. E ao chegar até a calçada, caminharei para além daquele ponto longínquo, daquela montanha sonhada. Caminharei para além dos limites de meu desejo.

sábado, maio 10, 2014

Mulher e Mãe

Ela era mulher. Era mãe. Brasileira, na casa dos 30, uma pessoa ainda jovem. 
Ela era mulher, era mãe.
Bastou duas imagens e um punhado de palavras para que sua vida fosse selada. Cada imagem transformada em dez mil, vinte mil, cinquenta... Suposto rosto, morte certa.
Ela não era Maria da Penha, mas era mulher, era mãe. Sua imagem foi exposta, tornou-se ícone da violência. Foi vítima. Seu corpo foi exibido em imagens pesadas, terríveis, usadas para saciar a curiosidade mórbida de muitos. Sua tentativa final de ter voz foi gravada, seu rosto ferido, mutilado, cresceu na tela, mas sua voz era tão mínima que quase não podia ser ouvida. E mais uma vez, uma mulher morreu.
Não foi uma menina queimada em um ônibus, ou uma cabeleireira morta pelo companheiro. Não foi a amante de um jogador ou uma atriz em ascensão, ou a garotinha sequestrada. Foi uma mulher que como tantas outras corre o risco de se tornar um mero número de estatística.
Ela era mulher, era mãe.
Até quando vamos deixar que esse sistema perverso continue matando, mutilando e calando nossas mulheres? Até quando continuaremos propagando o machismo, o falocentrismo, a violência contra as minorias? Até quando vamos continuar perpetuando nossa covardia, nosso silêncio, nossa cumplicidade? Até quando vamos deixar que pessoas continuem a ser transformadas em números?
Ela era mulher, era mãe. Sim, ela era uma que, como tantas outras, foi imolada, vítima da estupidez do HOMEM.

Texto originalmente publicado no Facebook.

terça-feira, maio 06, 2014

Percursos da escritura

Ainda em sintonia com o post anterior, resolvi relatar aqui meus atuais percalços como escritor aprendiz. Sim, aprendiz, pois ainda que eu acredite que esta palavra seja tácita ao ofício de escrever, por vezes é bom deixá-la clara e expressa. 
Sou um aprendiz.
Hoje tive uma experiência muito valiosa. Pela primeira vez enviei meu livro pelo correio para pessoas que o compraram à distância. Foi mais simples do que imaginei. Os depósitos foram feitos, eu segui para a agência dos Correios durante o horário do almoço com quatro exemplares envolvidos em plástico bolha e devidamente autografados. 
Estava tão eufórico que fiquei puxando conversa com o atendente da agência, comentando sobre os infortúnios de se escritor em um país como o nosso e mencionando as pequenas alegrias que trazem grandes recompensas. 
Um dos exemplares foi enviado ao meu amigo escritor Maurício Kanno, numa iniciativa de trocar exemplares com autores amigos. Confesso que fiquei muito feliz com a resposta do Maurício, quando propus o escambo. Seu romance, A Menina que Ouvia Demais, foi lançado pela Editora Multifoco, o que significa que nossos livros são colegas de editora. 
Agora, tenho buscado retornar ao meu exercício contínuo de escrita. Antigamente este blog era o principal vetor deste exercício. Contudo, a minha visão mudou um pouco. Constatei que minha escrita precisa de aprimoramento e por isso decidi escrever mais, embora não necessariamente para publicação.
Quem acompanha este espaço há mais tempo pode comprovar que eu atualizava diligentemente com pelo menos três atualizações mensais. Ao publicar o meu primeiro romance, porém, as coisas mudaram. Precisei me concentrar na divulgação do meu livro e infelizmente este blog ficou em segundo plano.
Agora estou de volta, com um foco voltado mais para a reflexão sobre o processo de escrita, bem como sobre meus planos para o futuro. Bem, é isto.

domingo, maio 04, 2014

Aprendendo com os tombos e voltando a escrever...

Bem, pessoal, sei que tenho negligenciado um pouco este espaço. Ainda que não seja o único motivo, a divulgação do meu livro O Medalhão e a Adaga tem tomado praticamente todo o tempo livre. Além disso, tenho relacionamentos a cultivar, com a namorada, com os amigos e a família. Infelizmente, escrever acaba sendo uma atividade relegada a segundo plano.
Contudo, quero que fique bem claro que a escrita continua sendo minha grande paixão e um objetivo que persigo continuamente. Assim, embora eu não atualize este espaço com a frequência que desejo, continuo exercitando minha escrita de outras maneiras. Inclusive na divulgação do livro. Além disso, tenho trabalhado em outro projeto literário. Trata-se de um livro infanto-juvenil que está em fase de revisão. Busquei falar pouco desse projeto para não acumular expectativas, tanto em mim quanto nos leitores. Dessa forma, quando a publicação tiver data certa, terei o prazer de divulgar aos quatro ventos.
Mesmo que eu tenha buscado exercer a escrita, algo me incomoda há tempos. Quando li a resenha que a Fernanda Reis fez do meu livro, constatei que ela começava o texto comentando um pouco sobre uma narrativa que tenho aqui no blog, O Viajante Cinzento. Senti um pouco de culpa por ter abandonado a história, principalmente quando esta caminhava para o seu desfecho. 
Abandonei O Viajante Cinzento porque, levando-se em consideração de que o enredo já se encontra na segunda parte do capítulo 9, não há sequer um comentário na última postagem, datada de 30 de setembro de 2013. Ninguém lamentou a descontinuidade ou cobrou por uma atualização. Houve apenas silêncio.
Além disso, tenho encarado altos e baixos na divulgação de O Medalhão e a Adaga. O último tombo foi ontem, dia 3 de maio de 2014, quando procurei realizar uma sessão relâmpago de autógrafos. Essa atividade é iniciativa da campanha Leitores Inquietos. Permaneci durante uma hora na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, com exemplares para vender. Cada comprador ganharia também um DVD com episódios de animes. Além disso, a primeira pessoa que se aproximasse e dissesse bem alto "sou um leitor inquieto" ganharia na hora um exemplar do livro Mentes Inquietas, da Editora Andross. Fiquei entre 14h e 15h aguardando algum interessado, mas não houve sequer um leitor. 
Esse "tombo" me fez ponderar. De fato eu amo escrever, vivo da escrita. Digo isso em um aspecto mais figurado, pois embora eu viva da literatura, não é a minha literatura que me sustenta financeiramente, mas a dos outros, dos autores consagrados em editoras, bibliotecas e universidades. Quando afirmo que vivo da escrita, é porque não há como continuar vivendo sem poder escrever.
Essa necessidade tem um outro lado. Eu escrevo para mim, mas também para o outro. Ser lido também me alimenta espiritualmente. 
Por isso, decidi aplicar meu compromisso com a escrita também na continuidade do projeto O Viajante Cinzento. Vou retomar o enredo desta narrativa para concluí-la. Porém, resolvi criar algumas condições para esse projeto. Trata-se de um exercício pleno de escrita, um laboratório de ficção. Então, seu principal motor serão os leitores. Quero estimular os leitores a estimularem minha escrita. E esse estímulo funcionará com pequenas condições que irão surgindo a cada nova postagem. A primeira condição que deixo aqui é a de que para dar continuidade na narrativa, o post A Cidadela - Parte II de IV deverá ter ao menos um comentário novo. Somente assim continuarei contando as peripécias de Seridath e seus amigos.
Sei que essa decisão parece um pouco radical. Ela, porém, traduz todo esse desejo de que as histórias servem para ser contadas e um contador de histórias só existe se tiver ouvintes.
Conto portanto com a ajuda dos leitores do blog para dar continuidade a esse projeto pelo qual tenho tanta estima.