terça-feira, fevereiro 02, 2016

Vídeo de terça - Um estudo em Azul

Boa noite! Desta vez, compartilho o vídeo que fiz para estudo e ensaio do texto "Uma ideia toda azul", de Marina Colasanti, para a formatura do curso "A Arte de Narrar Histórias", do Instituto Cultural Aletria. Mais uma vez, espero que apreciem! ;-)


terça-feira, janeiro 26, 2016

Vídeo de terça - O que vinha no vento

Boa noite! Mais uma atualização dos vídeos de terça! Eles, felizmente, não estão deixando o blog morrer, e fico muito feliz com isso!

Desta vez, compartilho com vocês a leitura de uma das mais deliciosas descobertas de 2016! O que vinha no vento, de Silvia Abolafio, com ilustrações de Marcelo Garutti. A editora é a Galpãozinho. Como das outras vezes, espero que gostem! ;-)



terça-feira, janeiro 05, 2016

Vídeo de Terça - Caleidoscópio

Segue hoje o vídeo de um poema já publicado aqui, neste link: http://www.oguardiaodehistorias.com.br/2015/03/caleidoscopio.html

Este é um poema antigo. Já foi recitado em saraus, encontros, mesas de bar etc. Agora, ele e eu fazemos parte do mesmo vídeo-poema. Espero que gostem! 


quinta-feira, dezembro 31, 2015

Para um ano melhor

Formatura: alunos e mestres


Eis que 2015 chega ao fim. Um ano que a mídia previa ser de crise para a economia brasileira, com a expectativa - posteriormente concretizada - de queda do PIB. Um ano que se fez através de desgraças como o Estado Islâmico, o Boko Haram, os atentados na França, o menino afogado, a morte do Rio Doce. 
A questão econômica foi alardeada o ano inteiro como tragédia anunciada, algo que me incomodou desde o início. Decidi então buscar formas de ir contra o fluxo. Como disse no início do ano, a economia poderia encolher, mas não meu coração. E foi sob essa diretriz que segui este turbulento ano.
Não foi como eu queria, admito, mas foi mais do que esperava. Sempre queremos mais de nós mesmos. E no caso de 2015, eu quis dar mais. Sou contador de história há anos, mas sempre me senti carente de um melhor preparo. Queria mais qualidade do que oferecia ao público.
Dia da Alegria Aletria
Assim, iniciei o curso "A Arte de Contar Histórias", realizado pelo Instituto Cultural Aletria. Foi uma jornada em que mais recebi do que dei. Através dos textos que li, das pessoas que conheci e, sobretudo, pela presença magnífica da escritora e narradora Rosana Mont'Alverne, além de outros incríveis escritores que conduziram as aulas no segundo módulo. Faço questão de citar Carlos Roberto Barbosa, Beatriz Myhrra e especialmente a maravilhosa Sandra Lane. Foi muito bom ter a oportunidade de aprender com esses mestres.
Pude também praticar o que ia aprendendo. Contei histórias em ONGs, creches e escolas, sempre como voluntário. Confesso que pouco falei dos meus livros, mas cada venda que fiz foi especial, pois os leitores me procuraram e pediram seus exemplares.
Por fim, este ano de aprendizado foi coroado com a formatura do segundo módulo acontecendo na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil, lugar mais que especial para mim. Tive o prazer e a alegria de abrir aquela maravilhosa noite do dia 16 de dezembro. Para encerrar este texto, deixo mais uma vez o desejo de que 2016 seja melhor; sejamos melhores. 

* Aproveito para compartilhar aqui a gravação em que narro Uma ideia toda azul, magnífico conto de Marina Colasanti que me cativou desde a infância.


quarta-feira, outubro 14, 2015

A Princesinha Astronauta


Para Joana Silveira

Era uma vez um planetinha verde perdido lá na imensidão do espaço. Nesse planeta, as plantas eram gente também. Essas plantas tinham lindas flores. No interior de cada flor uma pessoa se desenvolvia. Depois de um tempo, ela despertava, deixava a flor e ganhava o mundo para realizar muitas coisas maravilhosas.
E então, no alvorecer do primeiro dia de um novo ano, despontou uma linda florzinha que preguiçosamente estendeu suas pétalas. Lá no fundo, dormia uma princesinha, coberta de cetim. E sonhava imagens maravilhosas, conjunções estelares, viagens astrais. Pois a flor, desperta, transmitia à princesinha imagens e conhecimentos, mistérios e ensinamentos, para que ela estivesse pronta, completa, ao despertar.
E ela sonhava todas as maravilhas que seria quando despertasse. Assim como acontecia com qualquer habitante desse planeta, quando as pétalas de sua morada caíssem, a princesinha despertaria.
Aconteceu que uma frota de naves alienígenas atacou o belo planetinha verde, roubando os sonhos das pessoas ainda dormentes. E nossa princesinha teve seus sonhos roubados por perversos alienígenas.
Quando as pétalas de sua flor despencaram, ela despertou sentindo-se vazia e triste, assim como muitas de suas companheiras. Seus sonhos foram roubados e ela agora não via mais um belo futuro.
A princesinha, porém, não se abateu. Tinha na memória os resquícios daqueles sonhos tão belos. Com persistência e muito trabalho, construiu uma nave espacial. Um foguete da cor das margaridas.
Nossa heroína se lançou no infinito espaço. Enfrentou o vazio, o escuro e o medo, até chegar ao planeta frio e moribundo dos asquerosos alienígenas que lhe tinham roubado os sonhos.
E naquele lugar lúgubre e friorento, a princesinha descobriu que os alienígenas cinzentos usavam os sonhos roubados para aquecer seus corações. Quando não estava viajando pelo espaço, viviam em sonolência, sorvendo sonhos alheios.
Muito engenhosamente, a princesinha invadiu a morada dos alienígenas e destruiu suas máquinas, liberando os sonhos. Eles eram como esferas luminosas, pérolas de todas as cores. A princesinha também destruiu as naves dos ladroes de sonhos, para que não pudessem mais atacar outros planetas. Satisfeita por ter recuperado seus sonhos, a princesinha se preparou para partir.
Mas ao ver os alienígenas cinzentos tão desolados, ela desistiu de partir. Animada por seus sonhos, ela começou a contar histórias. Os alienígenas escutavam com cuidado. Em pouco tempo, alguns já dormiam, tendo seus próprios sonos.
E assim a princesinha astronauta, depois de recuperar seus preciosos sonhos, descobriu como fazer os ouros sonharem, e passou a cruzar as estrelas contando histórias, tornando-se então uma semeadora de sonhos.

terça-feira, outubro 13, 2015

Vídeo de Terça: Conselho Amigo, de Olégario Mariano

Olá! Esta é a primeira participação convidada no canal. Poema recitado por Brenda Linda Lages, ao som do cantar de uma cigarra. Espero que gostem!

Conselho Amigo, de Olegário Mariano. 
Intérprete: Brenda Linda Lages.

quinta-feira, outubro 08, 2015

Pequenas pérolas do presente


Depois das leituras, um menino pede para beber água e eu o levo ao bebedouro. Ele me diz que misturou a água gelada com a natural. Pergunto que gosto tem e ele responde que é gosto normal. Pergunto que gosto tem água normal. Ele me responde: gostosa salvável... ^_^

*   *   *

Uma turminha de uns dez a doze anos chega fazendo aquela algazarra. Alguns acenam e me chamam pelo nome. Uma menina se aproxima e fala: que saudade, você não estava aqui na quinta.
É impossível não sorrir.

*   *   *

E de repente, o saguão da Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte fica cheio daquela alegre meninada. É como se uma brisa refrescante invadisse o lugar. Uma das crianças me intima: conte uma história! E respondo que vou contar a história do chapéu.
Imediatamente, elas entoam em coro: "Meu chapéu sumiu! Quero o meu chapéu de volta!"
S2

terça-feira, outubro 06, 2015

Vídeo de Terça: Apresentando: Fábulas para adulto perder o sono

Boa noite! Chegou o dia de mais um vídeo. Talvez vocês se assustem com minha cara neste, pois estou bem diferentes. Não se enganem, porém. Eu ainda estou com barba e cabelo comprido.

Esse vídeo vem de um projeto que abandonei antes mesmo de começar. Então, vasculhando meus arquivos, encontrei este em que apresento o livro Fábulas para adulto perder o sono, da magnífica Adriane Garcia.

Só não garanto que farei vídeos apresentando livros com grande frequência. Afinal, não quero diversificar demais os vídeos do canal.

Então, aí vai o vídeo. Aproveitem!


sexta-feira, outubro 02, 2015

Ausência

Eu me liquefaço. 
Transbordo-me, excedo-me. 
Perco um outro tipo de sangue; o primeiro. 
Fogo a consumir as 
entranhas. 
Estou 
borbulhando. 
É bem maior 
a pressão aqui 
dentro.
E meus dois grandes poros,
esses traidores,
deixam escorrer seu suor. 
São incansáveis 
mensageiros do meu 
âmago 
e sua menagem é clara: 
Falta.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Estatuto da família ou família sem amor com política sem ética

Foi aprovado em sessão especial o tal estatuto da família. Muitos se levantaram a favor, outros tantos firmaram pé contra. Estou entre eles. Fiquei um pouco reticente, apenas apoiando em silêncio os protestos de tantos amigos esclarecidos. Enquanto isso, acumulava em meu peito um apanhado de ideias e questões sobre esse momento tão complicado. Resolvi então ler um pouco.
Enquanto pesquisava sobre o termo "estatuto da família", descobri que havia um primeiro objetivo, com o "estatuto das famílias", de Lícide da Mata, de justamente fazer o contrário do estabelecido no texto atualmente aprovado, pois se buscava ampliar o conceito de família para além da união entre homem e mulher. E de repente, a escalada da intolerância e do conservadorismo ameaça logar fora a água do banho com o bebê junto. Ao estabelecer a família como um princípio quase dogmático, acaba por ser excludente, marginalizando parcelas da sociedade que devem ter seu direito garantido.
É evidente que um estatuto como esse apenas passa verniz sobre uma ideia antiquada e retrógrada, tentando dar-lhe a aparência de digna. Apenas procura institucionalizar a hipocrisia de tantos que colocam seu desejo por poder e influência acima do direito e da ética.
Enquanto isso, continuo dando vazão à minha perplexidade ao me lembrar que as personagens bíblicas Rute e sua sogra Noemi seriam excluídas desse estatuto bizarro, assim como Ester e seu primo Mordecai. O que me faz crer que essa tal bancada evangélica só lembra dos trechos da bíblia que lhes interessam, esquecendo o resto.

terça-feira, setembro 29, 2015

segunda-feira, setembro 28, 2015

O Usuário Modelo

O homem de negócios, calvo e de meia-idade, chega em seu apartamento. Aparenta um ar cansado, oprimido. Deixa a pasta em um canto do escritório. A mulher e as crianças estão fora, na casa dos pais dela. Ele sente o alívio e o leve comichão da oportunidade. Como é sexta-feira, ele tem a noite inteira.
Liga o computador e senta em frente à máquina, enquanto afrouxa a gravata. Poderia até preparar alguma coisa para comer, um lanche rápido. Mas prefere aproveitar cada minuto de privacidade. Talvez mais tarde peça algo por telefone. 
A tela brilha, carregando o sistema. O executivo não perde tempo e faz logo a conexão, abrindo o navegador da Internet. Usuário e senha digitados.
- Boa noite, senhor Oscar. - A página inicial carrega esses dizeres em imagens efusivas de boas-vindas.
Oscar suspira. Tinha esquecido completamente da Internet 2.0, "nova solução interativa que veio para revolucionar a vida das pessoas". O slogan era bem chamativo: "Internet 2.0 - A Vida  em um novo Hiperlink". Oscar chega a murmurar um "boa-noite" enviesado, enquanto lembra que na verdade basta apenas clicar no luminoso OK que domina o centro da tela. Quase olha de soslaio para verificar se alguém percebeu o ato falho, enquanto se lembra que está sozinho. A cada minuto passado nessa nova era digital, o executivo de meia-idade se sente cada vez mais idiota. Um alerta vem arrebatá-lo de suas ligeiras impressões.
– O senhor possui 30 mensagens não lidas em seu e-mail. O usuário modelo não tem mensagens pendentes. Não será possível continuar antes de executar esta tarefa.
O suspiro passa à crescente irritação. Agora a Internet 2.0, com sua interatividade, exibia uma série de tarefas necessárias "a uma navegação de qualidade". 
Uma hora depois de ter ligado o computador, Oscar acaba de deletar o último e-mail. Terá liberdade, enfim. Mas percebe que está enganado. 
– O senhor tem cinco notícias pendentes. O usuário modelo é sempre bem informado!
Oscar quase xinga a máquina insensível. Não poderá continuar enquanto não tiver lido ao menos cinco matérias online. E fornecidas pela Internet 2.0 através de algum critério obscuro, de nenhum interesse a Oscar. Lidas as notícias, uma nova etapa:
– Senhor Oscar, há um post pendente em seu blog. O usuário modelo mantém seu blog atualizado!
Mais um pedágio: o blog obrigatório. Oscar nunca se considerou alguém com dotes para a escrita. Mas de alguma forma tem que alimentar no mínimo 250 caracteres para que a Internet 2.0 aceite o seu post.
Depois de cumprido mais um ritual, depara-se com o navegador já disponível para uso. Agora pode de fato surfar e buscar o que deseja na rede. Acessa o maior portal de pesquisa e digita "sexo". O navegador retorna uma lista enorme de sites eróticos. Fotos, vídeos de ensaios, sites de relacionamento, serviços de acompanhantes. Oscar clica no primeiro link da lista, um famoso site com vídeos amadores. A Internet 2.0 emite um sinal de alerta:
– Atenção, este sítio não pode ser acessado por conter material impróprio.
Oscar tenta outro site, com conteúdo parecido. A negativa é a mesma. Faz uma terceira tentativa, clicando no link de um site com as últimas fotos das revistas masculinas mais famosas. 
– Atenção, conteúdo familiar ativado. Não será possível continuar.
Oscar desiste, exasperado. A sensação de que há mais alguém no escritório fica muito forte. Uma nova imagem brilha no computador:
– Mensagem de violação enviada para karminha@hotmail.com.
O alarme na mente do executivo se manifesta como um início de enxaqueca. Um breve texto abaixo do aviso detalha: “A Internet 2.0 prepara sua família contra os abusos e perigos. Se o seu filho estiver usando a rede para tentar acessar sítios suspeitos, você será avisado.” E a destinatária é Carmen, esposa de Oscar. Mas o homem de negócios percebe que tudo aquilo é apenas o início. A Internet 2.0 informa que os dados postados no blog são “insuficientes”. Para garantir a suficiência de atualização, o próprio sistema se encarrega de enviar para a rede uma série de fotos de família, dados médicos e até informações dos gastos e rendimentos de Oscar. 
O homem quase tem um ataque. Agora é questão de vida ou morte. Lembra-se do e-mail que um colega de trabalho enviara, com umas fotos provocantes de uma atriz de novela. A desforra será acessando esse e-mail proibido e completamente particular.
Mas Osca sente um profundo desânimo quando a Internet 2.0 avisa: 
– Atenção: e-mail com conteúdo suspeito removido.
Derrotado, Oscar ainda observa por alguns segundos a tela com a mensagem proibitiva. Suspira. Desliga a máquina.

Este texto foi produzido durante uma oficina de escrita ministrada pelo escritor Sérgio Fantini.

sexta-feira, setembro 25, 2015

Uma surpreendente viagem a um mundo de sombras


Algumas animações são como um profundo mergulho em um reino de quimeras. E recentemente, passei por uma dessas terríveis e maravilhosas experiências. Estava na Biblioteca conversando com minha amiga Lara, quando descobrimos que gostamos dos mesmos desenhos animados. Por indicação dela, quase que uma intimação, fui levado a conhecer a animação Over The Garden Wall.
Criada por Patrick McHale para o Cartoon Network e contando com apenas dez episódios, a animação apresenta os dois irmãos Wirt e Greg que estão perdidos em uma floresta sombria sem saber como lá teriam chegado. Encontrando diversos personagens bizarros e enfrentando situações nonsense, os dois meninos buscam o caminho de casa.
Uma das características mais legais desse trabalho é justamente sua concisão. Uma narrativa gostosa e pungente se desenvolve naturalmente, sem longas explicações. O texto todo está no campo do implícito, da sugestão onírica. E a própria música de introdução mostra esse jogo de absurdos, enquanto imagens como a de um peixe a pescar em um pântano ilustram a bela melodia.
Outro ponto muito positivo da série é justamente o arranjo melódico. São canções ora melancólicas, como a da intro, ora leves e divertidas, como aquela que Greg canta enquanto mistura purê de batata com melado, no refeitório de uma escola repleta de filhotes de animais vestidos com roupas humanas. O detalhe é que, apesar da postura e das roupas, nenhum desses filhotes realmente fala, embora estejam sendo ensinados a ler e escrever nessa inusitada escola no meio da floresta.
Há muitos outros momentos da narrativa em que situações absolutamente absurdas vão se delineando para o espectador. E nesse absurdo sua beleza se revela, como a curtíssima melodia do assaltante (The Highway Man). 
E assim chegamos ao terceiro ponto positivo da animação: a primorosa dublagem. Inclusive em português. As melodias foram traduzidas de forma que se buscasse perder o mínimo da essência da versão original. Logicamente, recomendo que os mais interessados assistam tanto a versão com dublagem nacional quanto a original. Ambas são maravilhosas.
Assim, como uma jornada por terras imersas em bruma, Over The Garden Wall é uma experiência ímpar, repleta de sombras e mistérios, além de perigos e belezas.

quinta-feira, setembro 24, 2015

Percurso da mágoa

Acessei a rede social. Queria ver sua foto uma primeira vez. É sempre uma primeira vez quando te vejo. E meus olhos, antes tão secos, aguaram a tua ausência.
Escorri através de meus olhos. Esvaí-me em líquidos lamentos. Sobrou uma casca. Esta agora que passeia pelas teclas.
Deixo marcas etéreas em telas de plasma. Nem imagino que plasma sou. Lânguido e fluido escorro-me.
E nessa pequena jornada em que sou a fonte, depois de tímidos volteios, lanço meu último lamento. Afinal, você não será aquela a ler estas palavras. E minha essência, tornada lamento lacrimoso, em seu fim de passeio, será recolhida finalmente pelo ralo.