domingo, julho 16, 2017

Vídeo: A pontinha menorzinha do enfeitinho do fim do cabo de uma colherzinha de café




Olás a todes! Compartilho com vocês a leitura que fiz do singelo e pungente livro da escritora Elvira Vigna. Uma homenagem a esta artista e pensadora maravilhosa que nos deixou recentemente.

quinta-feira, julho 13, 2017

Um patrão chamado mercado

De repente, você descobre que terá que trabalhar mais anos até se aposentar. E que terá que trabalhar mais horas por semana. E que se o seu patrão quiser parcelar suas férias, quem é você para dizer "não"? E se ele quiser demitir você e contratar como "intermitente", melhor do que ficar sem trabalho. E se quiser te demitir e contratar como terceirizado, idem.
E descobre que os caras que decidiram isso supostamente trabalham para você. E que eles recebem todo o tipo de adicional e auxílio. E tiram férias duas vezes ao ano. E uma penca de recessos (folgas) o ano todo.
E de repente você descobre que sabia que isso tudo ia acontecer. Só que você não esteve parado. Você foi pra rua, protestou, fez greve, gritou "não passarão" e "fora temer"! Você não foi omisso. Você mandou e-mails para os políticos, votou na enquete do senado, reclamou com todo mundo. Em vão. Eles decidiram contra você. Na prática, seu voto é de fachada. Quem decide tudo mesmo é o tal mercado.

Mais uma ciranda de encanto e histórias

Na manhã do dia 20 de junho, terça, estive na Escola Municipal Rui da Costa Val. Fazia tempos que eu conversava com a coordenação da escola para uma apresentação. Chegamos a marcar uma data, mas esta teve que ser adiada. 
Então, finalmente, lá estava eu para falar a um grupo enorme, num gigantesco círculo formado na quadra da escola. Ao ver tanta gente, fiquei um pouco apreensivo, como é normal acontecer, mas logo passei a olhar nos olhos das pessoas que lá estavam, e isso me acalmou, além de ter me dado uma dose maior de confiança.
Falei um pouco do meu trabalho na Biblioteca, como sempre faço. Convidei todo mundo a depois conhecer esse lugar tão importante para mim. Depois, tratei de dar voz às histórias.
O formato em ciranda foi feliz, já que o círculo sempre tem algo de mágico e poderoso. Era como se a energia das histórias passasse de pessoa em pessoa, nesse circuito humano. A roda leva em si esse espírito cíclico e infindável das narrativas orais. Nela, retomamos um costume dos mais antigos, quando nossos ancestrais se reuniam ao redor de uma fogueira, para espantar o frio, a fome, o medo.
Contei histórias que amo, deixando um pouco desse amor com as pessoas que lá estavam. Contei de heróis diferentes, com suas missões e buscas tão peculiares.
Ao final, cada vez que uma criança me cumprimentava, sentia essa energia que transmiti voltar para mim, renovada. Senti que era, mais uma vez, especial. Além disso, o caminho para a escola pintou em minha mente, com cores novas, lembranças quase apagadas. Ir ao Jardim Felicidade, bairro onde fica a escola, foi como um singelo retorno a um tempo já distante. Tempo de amizade, afeto e cumplicidade.

sexta-feira, julho 07, 2017

Vídeo: O filho mudo do fazendeiro

Olá a todas! Segue o vídeo de uma nova leitura, finalmente! Tive muito prazer em ler essa história, a última do livro No meio da noite escura tem um pé de maravilha. Espero que curtam tanto quanto eu curti!



terça-feira, julho 04, 2017

Voltando ao lugar do encanto


Faz tempo que desejava compartilhar este relato. No dia 12 de junho retornei à Escola Municipal Alessandra Salum Cadar, agora na parte da manhã, para contar histórias. Estava apreensivo, como normalmente acontece, mas novamente fui agraciado pela receptividade das crianças, carinhosas e cheias de simplicidade. Mais uma vez os heróis bem diferentes fizeram das suas estripulias, o bolinho sempre querendo fugir, os animais querendo desvendar o grande mistério da "coisa" e o mais especial dos heróis, um cocozinho humilde que tem como maior desejo ter amigos. E o Quibungo mais uma vez apareceu para dar uns sustos!
Um momento incrível que tivemos foi quando eu me tornei espectador e as crianças deram um show, apresentando histórias da Coca e da Rosa Juvenil. Fiquei simplesmente encantado!
Mais uma vez agradeço a toda equipe da Escola Municipal Alessandra Salum Cadar, especialmente à bibliotecária Laura e à coordenadora Cláudia.

sexta-feira, junho 02, 2017

Vídeo: Uma história de pinguim

Olás! Segue mais uma contribuição. Um vídeo da leitura do livro Uma história de pinguim, escrito e ilustrado por Antoinette Portis. A tradução ficou por conta de Júlia Moritz Schwartz. A editora é a Companhia das Letrinhas. Aproveitem!



quarta-feira, maio 31, 2017

E a chama ainda brilha

Faz mais de uma semana que a CANDEIA - Primeira Mostra Internacional de Narração Artística foi oficialmente encerrada. Digo oficialmente porque dentro de mim ela continua a acontecer. Em minha mente e Coração continuo a me maravilhar com a energia sapeca do Joca, com o encanto sereno da Linete, com a voz e a presença do Gazel, com a força é a energia expressiva da Sandrita, com a experiência e simpatia do Cristiano, com a postura sempre pronta da Rocío e da Bárbara, com a constante luz da Aline Cântia e do Chicó do Céu.
Ainda pouco falei. Não mencionei todos que me tocaram, que me moveram, que deixaram marcas em sons e palavras, como o Giba, o Silas e os Arautos da Poesia. Ou de tanto que aprendi com as cristalinas palavras das mesas, com Rosana, Gislayne, Beatriz e Sandra, mestras de sempre. 
Foi impressionante perceber como a personalidade da Aline Cântia incorpora o espírito da CANDEIA. Com sua expressão sempre tranquila e firme, como uma chama que nunca se apaga. E ver a magia presente na voz e nos gestos do Chicó, que de fato é um menino do Céu, com seu jeito de homem sempre menino.
E meninices não faltaram. Para mim, participar da CANDEIA foi ser uma outra criança. Ficava maravilhado ao mergulhar nas memórias da Sandrita, do Gazel, do Joca, da Linete, do Silas. E encontrar-me criança ali. Mergulhei nas vozes de cada um. Vozes como o sopro do deserto; como o ondear da costa da Barranquilla, como o correr do leito do São Francisco ou como as escondidas águas de tantos rios da floresta.
Durante os dias que a CANDEIA brilhou forte em BH, foi como se eu estivesse envolvido em outro útero. Um útero de palavras. Fui como a carne que recebe a folha de Maniva e a saliva de todos da tribo. Estou agora sentindo os efeitos de encontro tão incrível. A CANDEIA queimou forte em mim. Seu fogo é singelo e duradouro. Sim, ela continua brilhando e brilhará cada vez mais intensa em minha memória e palavras.


domingo, maio 14, 2017

Dia das mães: Vídeo "Mamãe zangada"

Bom dia! Para comemorar o dia das Mães, trago para vocês essa singela história desenhada e escrita por Jutta Bauer. A tradução ficou por conta de Irene Fehrmann.


sábado, maio 13, 2017

Vídeo: A Bruxa Salomé

Oi, gente! Mais um vídeo postado no blog e que não estava linkado aqui! A saborosa história de Audrey Wood, com o traço impecável de Don Wood. Tradução de Gisela Maria Padovan.



quinta-feira, maio 11, 2017

Vídeo: O coelhinho que não era de Páscoa



Trago para vocês desta vez a leitura de "O coelhinho que não era de Páscoa" de Ruth Rocha e desenhos de Walter Ono. Deixem suas opiniões! Obrigado!

quarta-feira, maio 10, 2017

Um dia mágico



Biblioteca é um lugar de histórias. Por isso, de partilhas também. Afinal, a história só acontece quando contada, assim como o livro, quando lido.
Essa condição primordial de ponte, elo, torna a leitura tão poderosa, aproximando as pessoas, permitindo a nós o exercício da empatia, da oportunidade de sentir a dor de outra pessoa. A leitura literária é repleta de potência e nós vivemos para tornar essa potência evidente.
A inauguração do novo espaço da Biblioteca do Centro Cultural São Bernardo trouxe tudo isso à mente, enquanto compartilhava com crianças e adolescentes histórias que tenho guardadas na memória ou nos livros. 
De manhã, para meninas e meninos de 7 a 10 anos, contei "Um herói bem diferente", da Rosane Pamplona, e li "O rabo do rato", da Balbina Oliveira, ambas as histórias são registros de narrativas orais. Encerrei então com o magnífico "Mamãe zangada", de Jutta Bauer.
Ficamos então explorando o espaço, compartilhando leituras e ideias. Um dos livros que as crianças me pediram para ler era de adivinhas, o que envolveu grande parte da turma.
À tarde, recebi uma turma maior, pois eram duas escolas. Adolescentes, com seu ar desafiador e despojado, me olhavam, esperando histórias. Resolvi então contar uma narrativa da tradição oral chamada "Uma questão de interpretação". Apreendi essa história com a contadora Maria Célia Nunes. Em seguida, li "A parte que falta", de Shel Silverstein. O ar introspectivo que dominou os jovens foi então alimentado pelo "Mamãe zangada", única narrativa que resolvi repetir.
Seguimos para a exploração do acervo. Nesse momento, percebi que eles preferiam exercer sua autonomia no espaço, escolhendo suas leituras de forma mais reservada. Continuei à disposição para o caso de alguém pedir uma leitura.
Em ambos os turnos, senti-me muito bem recebido, tanto pelos alunos e professores, quanto pela equipe do Centro Cultural São Bernardo. A todas e todos meu mais profundo agradecimento. Que possamos repetir momentos assim, para descobertas e afetos.

segunda-feira, maio 08, 2017

Apresentação na Frente Pela Gastronomia Mineira


Gastronomia pode ser um tema delicioso para os ouvidos e para a imaginação também. Foi assim que compareci à Frente Pela Gastronomia Mineira, no Museu Histórico Abílio Barreto, para narrar histórias.
A princípio, acreditei que o desafio seria maior que minha habilidade. Pensei um bocado em quais histórias escolheria. Para mim, comer também é um ato de afeto, uma relação de amor. Sei que nossa sociedade, com seus fastfoods e foodtrucks, muitas vezes nos faz esquecer disso. Porém, nossas refeições ainda são fenômenos sociais. Além disso, a comida é um bom pretexto para tornar uma reunião mais agradável, proporcionando momentos de trocas, de aproximações.
Além disso, toda boa cozinheira é também uma contadora de histórias, preparando cada prato com sua receita e ingredientes, mas também com seu toque especial, sua vivência própria que tanto contribui para a comida ser saborosa na medida certa.
E quantos de nós já tivemos uma boa prosa ao pé do fogão, regada com muito café e carinho... Cozinha, em Minas, é sinônimo de boa conversa.
Comecei a narração com "A sopa de pedra", versão de Bia Bedran. Em seguida, contei "A Bruxa Salomé", de Audrey Wood e Don Wood. Fechei com "O caso do bolinho", no reconto de Tatiana Belinky. Contei com a colaboração de todos, com as palmas e sorrisos.
Agradeço o convite da Flávia Werneck da Belotur. Foi uma excelente oportunidade. E não posso deixar de mencionar a Pâmela Machado, que registrou o momento e me mandou tão boas energias.

Foto realizada pela Pâmela Machado (http://cadernodapam.blogspot.com.br).

domingo, maio 07, 2017

Sarau Leve


Ontem o Coletivo Simples fundou a sua história. E o mais importante é que fizemos parte da história de um dos projetos literários mais consistentes, democráticos e abrangentes.
Estou falando do Sarau Leve, evento que celebrou a terceira temporada do Leve Um Livro, projeto idealizado e realizado pela Ana Elisa Ribeiro e pelo Bruno Brum.
Assim, o Coletivo Simples se fez conhecer ao mundo em grande estilo. Sinto-me honrado em caminhar com Pâmela Machado, Norma de Souza Lopes e Rodrigo Teixeira nessa vereda repleta de poesia.


segunda-feira, abril 17, 2017

Renegado - Parte II de IV


O capitão ainda não havia conseguido se convencer de que eram vencedores. Voltou seus olhos ao portão, lugar de maior angústia, e viu a cena deprimente de mortos e feridos que se arrastavam pela terra. O sol do meio-dia brilhou sobre a barba ruiva de Balgata, que tocou seu rosto com a mão direita e sentiu a pele pegajosa. Devia estar horrível. Percebeu que Seridath chegava pelo portão. O rapaz o fitava com uma expressão de triunfo, enquanto apontava para o ombro direito de Balgata.
– Capitão, tem uma seta em seu ombro – anunciou o cavaleiro.
– Ah, é mesmo – respondeu Balgata, enquanto virava o rosto, surpreso, como se tivesse acabado de notar a existência do projétil perfurando sua carne. – Deixa eu tirar isso.
O capitão segurou a haste escura com a mão esquerda e puxou com violência, soltando um grunhido rouco e curto. Voltou-se para Seridath com um olhar ainda aparvalhado e percebeu que o rapaz o fitava em expectativa. Balgata suspirou, balançando a cabeça.
– Está bem, rapaz – admitiu o capitão. – "Seus" mortos nos salvaram. Mas está na hora de tirá-los daqui.
– Certo, capitão – respondeu o jovem, com um meio-sorriso.
Seridath enviou um comando mental à espada: "Lorguth, chega. Faça os servos deixarem a cidade e voltarem ao seu repouso". Quase que instantaneamente, um sombrio pensamento invadiu sua mente. "Eles não terão repouso" pensou Seridath, como se estivesse falando consigo mesmo. Era a resposta rancorosa de Lorguth. O jovem sentiu uma corrente gelada percorrer seu coração.
– Balgata! Os prisioneiros! – gritou ele.
Sem pensar muito, correram todos à torre da guarda, onde ficavam as prisões. Atrás da construção, junto ao muro, um estreito alçapão se abria, como uma boca escancarada, dando acesso ao porão do prédio. De fora, só escuridão. Mas podiam ouvir as vozes abafadas dos prisioneiros. O choro angustiado e os gritos de desespero chegavam fracos à superfície. Entraram pelo alçapão e desceram às cegas a íngreme e estreita escada. Ao penetrarem no fundo do corredor, sentiram suas botas escorregarem em algo pegajoso, enquanto o forte cheiro de sangue os enojava.
Eram oito celas de cada lado de um largo e escuro pavilhão, lotadas de todo o tipo de pessoas. Habitantes da cidade, o Conde de Arnoll, guerreiros sobreviventes da Companhia e os pobres camponeses de Keraz. Uma das celas havia sido arrombada e todos os prisioneiros foram mortos de forma brutal. Eram quarenta pessoas, entre velhos, mulheres e crianças. Dentro da cela, em meio a um tapete de corpos ensanguentados, permaneciam quatro "servos" de Seridath. Lorguth dera a ele sua lição.

Continua...

Leitura #18

Um dos maiores mitos da humanidade. A história do rapaz que tinha a música na alma, capaz de comover até mesmo o Senhor dos Mortos.

Orfeu
Hans Baumann
Antony Boratunski
Tradução de Tatiana Belinky
Editora Ática

Descrição: Uma pilha de pedras forma uma entrada de caverna. Nela um rapaz toca sua harpa para um leão. O rapaz tem roupas simples de cores azul e amarela, com um gorro vermelho. O leão está com a para esquerda estendida para o rapaz.