quarta-feira, abril 16, 2014

Reflexos do instante

Caiu um tremendo temporal por aqui. Aproveitei a oportunidade e apaguei todas as luzes de casa. Retirei todos os equipamentos da tomada. Fui à janela, abri uma fresta, pois estava chovendo muito forte. Por alguns instantes, fiquei observando os relâmpagos riscando o céu, as árvores executando sua dança misteriosa e as nuvens pranteando suas fúrias.
Depois de ficar com o rosto molhado, fechei a janela e me deitei. Os relâmpagos continuavam cortando o breu, seguidos pelo som dos trovões, que tentavam acompanhá-los.
Fechei os olhos. Os lampejos insistiam em se insinuar através de minhas pálpebras, mas eu não prestava muita atenção a isso. Procurava escutar a chuva, que parecia sussurrar algo em meu ouvido. Senti, por alguma força que não consigo explicar, que a chuva tentava me dizer que ela e o tempo tinham muito mais coisas em comum do que imaginamos. Cochichava que a gente pensa que o tempo é assim, linear, onde um segundo antecede o outro, em fila indiana. Ela disse que não, que o tempo é como a chuva, existindo através de intermitentes pingos de instantes, sempre impossíveis de se medir.

terça-feira, abril 01, 2014

Trinta e um de março e primeiro de abril

Seu nome era Nestor Antônio Medina. Nascido em 1917, segundo seus documentos. Sua profissão, ferroviário. Seu crime, levar panfletos "subversivos" ao trabalho e distribuí-los aos colegas. Por cinco panfletos que recebeu pelo correio e em seguida repassou a outros, Nestor Antônio Medina ficou preso por 81 dias. 
Filiado ao Partido Comunista, foi torturado por dias, por causa de panfletos.
Ele sobreviveu, mas com marcas profundas.
Então, fico triste e impressionado quando vejo pessoas que considero esclarecidas compartilhando fotos de velhinhas "ingênuas" segurando cartazes dizendo que sobreviveram ao regime militar porque nunca roubaram, nunca mataram. Não percebem que estão sendo usados, assim como as velhinhas, como massa de manobra de um jogo político escuso e perverso, sem mocinhos ou heróis.
Ao ler os relatórios policiais sobre a prisão de Nestor Antônio Medina, pude conferir que em nenhuma vez ele se envolveu em qualquer ação violenta. Reafirmo: seu crime foi mobilizar seus colegas de trabalho, incentivando-os ao engajamento político.
Nos anos que vivi sob o mesmo teto que Nestor Antônio Medina, nunca o vi fazer qualquer apologia à violência ou à luta armada. Nunca o vi defender a invasão da propriedade ou a "revolução operária". Ele sempre nos disse: estudem, estudem e estudem. Era seu único e mais precioso conselho. 
Então, por favor, antes de fazer coro em alguma coisa, antes de reforçar o discurso de que os presos políticos foram presos porque roubavam e matavam, peço apenas uma coisa: estudem.

Este relato foi motivado por imagens tendenciosas propagadas nas redes sociais. Tais imagens reforçam preconceitos e estereótipos totalmente fora dos fatos. Não tenho nenhuma intenção em disparar elogios a qualquer ideologia. Apenas creio que não devemos nos esquecer, como acontece muitas vezes, de tudo o que aconteceu nestes últimos 50 anos. Que o sofrimento do meu avô, que sua humilhação, não tenham sido em vão!

quinta-feira, março 20, 2014

Café Viena - versão Guardião (até rimou! :-p)

Estou indo a reboque de meus amigos, Rodrigo Teixeira e Dora Delano. E sinceramente não vou conseguir alcançá-los em sensibilidade que expressaram em seus textos. Sensibilidade? Puxa, acho que estou sendo injusto. Afinal, a palavra sensibilidade aqui traduz muito pouco o que eu encontrei em seus textos. 
Bem, conheço o Teixeira há uns três anos e a Dora há quase o mesmo tempo. A diferença é que com o Teixeira sempre houve o contato, a palavra para além do virtual. Nossa convivência no trabalho e a sintonia de nossas ideias transformou-nos em irmãos lobos. Já Simone Teodoro conheço há mais de 10 anos. Compartilhamos histórias, vizinhanças e até mesmo loucos...
Pois certo dia, Teixeira se aproxima e comenta com alegria contida que havia conquistado uma leitura, uma pessoa que lia o mesmo blog que ele e que de repente começou a visitar o Bom Dia, Mundo Cruel! Como também sou leitor do blog, passei a prestar atenção nos comentários por vezes irônicos, mordazes e com um toque de humor. 
Decidi fazer uma visita a essa moradora de Burkina Faso, a misteriosa Dora Delano. Sem perceber, estava capturado pelos textos que dosavam uma certa pungência com toques de otimismo e grandes doses de entrega. E também foi sem percebi que a descobri leitora deste blog.
O processo foi lento mas muito tranquilo e compensador. Quando percebemos, éramos amigos de Facebook, trocando impressões, experiências e confidências. Descobri que Dora estava mais perto do que imaginava, além de ser minha conterrânea. Na primeira oportunidade de viajar ao Rio, comuniquei-a e combinamos que haveríamos de nos encontrar de qualquer jeito.
Era Carnaval. Ana Luiza estava comigo e foi num mágico passeio na lapa que descobri que Dora era muito mais que uma voz ou fotos sorridentes no Facebook. Era uma pessoa que esbanjava alegria, que pulava de cabeça no espírito do carnaval. Eu e Ana Luiza fomos contagiados pela energia e sambamos muito em um show na Lapa.
Muito tempo passou até que soubesse do desejo de Dora conhecer Belo Horizonte. Ela viria com o namorado, o Pedro, alguém que de certa forma mudou a cara do blog da Dora, algo como uma Ventura Amorosa.
Foi assim que, há dois sábados atrás, fui visitado pelos dois na Biblioteca Infantil e Juvenil, quando eu lia para um garotinho. Os dois não imaginam como fiquei feliz quando percebi que eles puderam testemunhar a parte que mais amo em tudo o que faço. Eles ainda ficaram um bom tempo na Biblioteca, conversando comigo e com a Simone, conhecendo um pouco mais uns aos outros, (re)descobrindo afinidades de ideias.
Combinamos de nos encontrar no Café Viena, um delicioso bar aqui de Belo Horizonte. E que encontro! Como o Teixeira deixou claro, os filhotes de lobo, encantados com esses dois incríveis cariocas, estavam alegres, expansivos.
Infelizmente, a noite foi curta. A vontade era grande de continuarmos indefinidamente trocando palavras e sorrisos, compartilhando momentos insólitos e engraçados.A despedida foi necessária, mas não definitiva. Dora imagina que talvez, por conta da distância, talvez não nos encontremos mais. Contudo, acredito que nisso ela se engana. 
Ah, Vivian e Pedro, podem aguardar, que vocês não escapam assim tão facilmente!

quinta-feira, março 06, 2014

Soluços

Há de se pensar em flores suicidas
olhando de janelas sombrias.
Há de se pensar em noturnos
semelhantes e ausentes
masturbando-se com diligência
enquanto pensam numa fuga de Bach.
Há de se olhar para fora de uma janela
pedir luz
e receber apenas uma capivodca aguada.
Bicarbonato de Sódio
Não preenche o meu vazio.
Apenas mais uma fórmula
pode ser isso
apenas.
Não perguntarei ao mundo
Não pedirei uma rima
Não me afundarei em soluços
E meu suspiro,
além de qualquer gesto,
não terá
algum
sentido.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Para continuar a sonhar

Há duas semanas narrei aqui um pouco do encontro maravilhoso que tive na VI Jornada de Edição do CEFET-MG. Contudo, fiquei devendo um outro relato, sobre meu retorno à mesma instituição, dois dias depois, agora para falar novamente com os alunos do ensino médio.
No final do ano passado, estive a convite da amiga Fernanda Rodrigues no auditório do Campus I do CEFET-MG para falar com dezenas de adolescentes sobre O Medalhão e a Adaga. Distribuí marcadores e dei autógrafos, mas tinha poucos livros comigo e infelizmente eram todos muito caros.
Os alunos, porém, não desistiram de adquirir exemplares. Fizeram o contato com a editora e adquiriram 54 exemplares por 50% do valor de capa.
No dia 6 de fevereiro, estive com meus leitores novamente, agora visitando suas salas de aula em seminários ocorridos em cada horário. Foram três conversas maravilhosas, quando pude descobrir leitores indignados com a ausência de uma continuação. Pude também ser gratificado com depoimentos de estudantes que disseram ter abandonado o preconceito contra livros de fantasia após lerem O Medalhão e a Adaga. Isso foi gratificante!
Sempre com o apoio da minha amiga Fernanda Rodrigues, pude ouvir as mais diversas opiniões e sugestões, além de outras perguntas. Aproveitei para divulgar também A Cidade Suspensa.
Novamente, dei autógrafos, agora nos exemplares do meu livro. Sentia, porém, que eu é que deveria ter pedido autógrafo dessa rapaziada tão legal! Afinal, sou daqueles que defendem que o livro só acontece por causa do leitor. 
Espero sinceramente ter a oportunidade de outros momentos assim. Ter contato com as pessoas que leram minha história, que se emocionaram com meus personagens, que sonharam com eles, tudo isso tem um efeito poderoso. Esse é o maior estímulo para continuar a escrever, para continuar a sonhar.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Elevador 16 - Claustrofobia Mortal

Quem acompanha as publicações deste blog, ou conhece meu perfil no Skoob, já sabe que sou um entusiasta do gênero Zumbis. Minha fascinação vem da trilogia do Mestre George Romero, passando pela franquia Resident Evil (acreditem, eu assisto aqueles filmes horríveis apenas por fidelidade à franquia dos games, inclusive li a maioria dos livros de S.D. Perry) e culmina na literatura fantástica focada nesses incansáveis comedores de carne. 
Não posso negar que também sou um entusiasta da literatura brasileira, tanto por ser também escritor, quanto por meu trabalho como formador de leitores em uma biblioteca pública. Não deixaria, portanto, de expressar um duplo interesse quando a literatura brasileira e o gênero Zumbi se encontram.
Por isso, quando conferi no perfil do autor Rodrigo de Oliveira que a novela Elevador 16 estava disponível para downoad gratuito, não hesitei em baixá-lo, já antevendo que passaria boa parte da noite em claro.
Foi isso, de fato, o que ocorreu. Em Elevador 16 somos apresentados à jovem Mariana, que enfrenta um dilema enquanto se encontra em plena crise com o namorado, Raul. Estamos no ano de 2018, às vésperas da passagem do recém-descoberto planeta Absinto, como referência à uma passagem do Apocalipse. Todos estão entusiasmados com esse grande fenômeno astronômico, muitas pessoas se preparam para acompanharem o enorme corpo celeste, que estará em seu ponto mais próximo de nosso planeta.
Mariana dá pouca importância para a atual situação, pois tem coisas mais sérias para se preocupar. E quando ela fica presa em um elevador com outras quinze pessoas, entre elas Raul, Mariana logo percebe que as coisas ficarão mortalmente piores.
Elevador 16 possui uma trama curta, bem equilibrada e com um ritmo muito bom. Como afirmei acima, foi impossível tirar os olhos da tela enquanto não terminei o texto. Há um elemento muito bem pensado pelo autor para nos aproximar da protagonista, desenvolvendo em nós uma forte empatia por ela. Tanto a insensibilidade e o egoísmo do namorado, Raul, quanto a postura resoluta de Mariana criam uma tensão muito bem equilibrada, que será importante para o desfecho da trama.
Com certa dose de suspense e violência, sem exageros num e noutro, Elevador 16 revela-se um ótimo entretenimento para os amantes de histórias de mortos-vivos, nos fazendo acreditar que certamente Rodrigo de Oliveira, como autor desse gênero, muito tem a oferecer.

Ficha Técnica
Editora: Faro Editorial
ISBN: 0
Ano: 2014
Páginas: 70

Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/371385

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Uma história antes não contada

Como divulguei há alguns dias, estive no CEFET-MG, na VI Jornada de Edição, como convidado. Não posso fugir do clichê e dizer que foi um momento mágico, especial. Afinal, foi isso mesmo. Quando recebi o primeiro contato da professora e escritora Ana Elisa Ribeiro, fiquei surpreso e cheguei a pensar se teria de fato algo a dizer. Ela me tranquilizou, informando que o objetivo era que eu compartilhasse minha experiência editorial. 
Da surpresa, pulei direto para a empolgação. Afinal, como disse no início de minha palestra, é um privilégio ter voz em um país em que isso é tão difícil. Dei-me conta, então, que nunca havia narrado minha experiência ao público, ainda mais a um público tão especial. Essa trajetória por vezes tortuosa nunca foi inteiramente narrada. 
Quando estive com os alunos do curso técnico do CEFET-MG, no final do ano passado, relatei o processo de criação do livro O Medalhão e a Adaga, com seus longos 15 anos. Contudo, ainda me faltava traçar esse histórico desde a primeira vez que tive um primeiro texto publicado.
Foi de fato um enorme privilégio poder compartilhar com estudantes do curso de Letras os percalços e infortúnios de um escritor aprendiz, que buscou na faculdade de Letras, ainda que erroneamente, as ferramentas para aprimorar seu fazer literário.
Bem, fico devendo agora a este espaço um post completo com essa trajetória. Mas deixarei para outro momento. Além do mais, devo também uma outra postagem especialmente dedicada aos alunos do curso técnico do CEFET-MG, que me receberam novamente com tanto carinho na semana passada.
Portanto, deixo mais uma vez meu agradecimento aos organizadores da VI Jornada de Edição, na pessoa do Caio Saldanha. Agradeço também ao grande amigo Luiz Henrique de Oliveira, escritor e pesquisador notável, que compartilhou comigo esse momento especial. Deixo aqui também meu profundo agradecimento aos amigos de coletivo Simone Teodoro e Rodrigo Teixeira, que me honraram com seu apoio. E por falar em apoio, agradeço à Ana Luiza de Freitas Rezende por sua presença sempre tão firme e luminosa.

Mais uma vez, obrigado!

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

VI Jornada de Edição




Realizada todos os anos pelos alunos do primeiro período de Letras do CEFET-MG, a jornada tem como função mobilizar estudantes de letras e interessados pelo campo de edição a assistir a duas palestras. 

Esse ano as palestras serão ministradas por: 
★ Samuel Medina: graduado em Letras, escritor e servidor público municipal na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.
★ Luiz Henrique Oliveira: Doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela UFMG (2009-2013) e Chefe do Departamento de Planejamento e Coordenação da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

Será um evento excelente e uma oportunidade única de conhecer mais sobre esse universo da edição. Venham conferir, contamos com a presença de todos vocês!

Para maiores informações: jornadadeedicao@gmail.com


Data: Terça-feira, 04/02/2014
Hora: 19:00
Local: Auditório do Campus II - Av. Amazonas, 7675 - Gameleira 
         Belo Horizonte - MG 

Confira a página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/531920096924629

Espero vocês lá!

segunda-feira, janeiro 06, 2014

PROGRAMAÇÃO DA BIBLIOTECA PÚBLICA INFANTIL E JUVENIL DE BH – JANEIRO/2014


Literatura

Oficina Desciclopédia
Leitura compartilhada do livro Mania de Explicação, de Adriana Falcão, e de excertos do livro Dicionário de Humor Infantil, de Pedro Bloch, seguida da elaboração de verbetes que integrarão a nossa Desciclopédia. Com Amanda Dias Leite.
Público: infantil
Vagas: 15
Dias 7 e 14, terças, às 10h30
Dias 9, 16 e 23, quintas, às 14h30

Oficina Venha ver o pôr do sol
Leitura compartilhada de contos da autora Lygia Fagundes Telles, seguida de elaboração de finais alternativos pelos participantes. Com João Soutto e Simone Teodoro.
Públicos: juvenil e adulto
Vagas: 10
Dias 7, 14 e 21, terças, às 14h30
Dias 10, 24 e 31, sextas, às 14h30

Oficina Dicionário da imaginação
Leitura compartilhada do livro Girafa não serve pra nada, de José Carlos Aragão, seguida da criação de um dicionário no qual a criança escreverá ou desenhará a palavra que imaginar, elaborando diferentes definições para ela. Com Kamila Ribeiro.
Público: infantil
Vagas: 20 
Dias 08 e 15, quartas, às 10h30
Dias 10 e 17, sextas, às 10h30
Dias 21 e 28, terças, às 10h30

Oficina Desmonstrificador 2.0
Leitura compartilhada dos livros Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, com ilustrações de Ziraldo, e O domador de monstros, de Ana Maria Machado, com ilustrações de Suppa, seguida de criação de palavras engraçadas a partir dos monstros e criaturas mais comuns da literatura e do imaginário infantil. Com Samuel Medina.
Público: infantil
Vagas: 20
Dia 8, 15 e 22, quartas, às 14h30

Oficina Que história é essa?
Leitura compartilhada do livro Bruxinha Zuzu e Gato Miú, de Eva Furnari, seguida da desconstrução e reconstrução da sequência lógica de narrativas visuais encontradas em outros livros da autora. Com Amanda Dias Leite, Kamila Ribeiro e João Soutto.
Público: infantil
Vagas: 15
Dias 9, 16, 23 e 30, quintas, às 10h30
Dias 22 e 29, quartas, às 14h30

Oficina Meu livro de feitiços
Esta oficina revive trechos de algumas obras de fantasia, enquanto estimula a construção de seus próprios livros de feitiços. Com Samuel Medina.
Públicos: infantil e juvenil
Vagas: 15
Dias 24 e 31, sextas, às 10h30

Oficina Campeonato Nacional de Monstros
A partir da leitura do livro Pé de cobra, asa de sapo: quadrinhas monstruosas, de Rafael Soares de Oliveira e ilustração de Jean Galvão, produzir perfis de personagens com base nos monstros do folclore, promovendo sua ressignificação. Com Samuel Medina.
Públicos: infantil e juvenil
Vagas: 20
Dia 17, sexta, às 14h30


Oficina Um universo chamado Palavra
Leitura compartilhada de trechos da antologia Quimera: contos fantásticos, organização de Alex Mir, seguida de bate-papo sobre possibilidades literárias para o roteiro de uma narrativa de fantasia. Com Samuel Medina.
Público: juvenil e adulto
Vagas: 20
Dia 29, quarta, às 14h30


Oficina Caça-tesouros
Leitura compartilhada do livro O tesouro da raposa, da Ana Maria Machado, seguida de criação literária. Com Wander Ferreira.
Público: infantil (8 a 12 anos)
Vagas: 20
Dia 28, terça, às 14h30
Dia 31, sexta, às 10h30


Conheça a biblioteca

Visitas monitoradas
Para conhecimento dos espaços, acervos (literário, informativo e quadrinhos) e participação nas atividades da biblioteca.
Públicos: infantil, juvenil, universitário e demais interessados.
Agendamento pelo telefone 3277-8672, de terça a sexta, das 9 às 17h.
Visitação: terças e quintas, às 9h30; quartas e sextas, às 14h30.
Mais informações: bpij.fmc@pbh.gov.br


Serviços 

Empréstimo de livros e quadrinhos. Acervo disponível para consulta local com obras informativas e literárias voltadas, sobretudo, para os públicos infantil e juvenil.
Acesso à internet (Telecentro). Wi-Fi disponível. De terça a sexta, das 9 às 17h30; sábados, das 9h30 às 13h.


AOS SÁBADOS

Dia 11 – Sábado misterioso
Oficina O Assassinato no Avião da Meia-noite
Leitura compartilhada do livro O Assassinato no Avião da Meia-noite, de Gaby Waters e Graham Round. Os participantes serão conduzidos a recolher pistas, decodificar mensagens e elaborar soluções para um misterioso assassinato. Com Amanda Dias Leite e João Soutto.
Público: infantil (8 a 12 anos)
Vagas: 15
Das 10h às 12h

Oficina Mergulhando na Névoa
Leitura compartilhada de trechos da antologia Névoa: contos sobrenaturais, de suspense e de terror, organização de Cristiana Gimenez, seguida de bate-papo sobre possiblidades literárias para um roteiro de história de terror. Com Samuel Medina.
Públicos: juvenil e adulto
Vagas: 20
Das 11h às 12h30

Dia 18 – Sábado de aventuras
Oficina A Incrível Expedição aos Dinossauros
Leitura compartilhada do livro A Incrível Expedição aos Dinossauros, de Karen Dolby. Os participantes serão conduzidos por uma viagem no tempo, na qual será necessário atravessar labirintos, reconstituir mensagens e decifrar códigos, em busca de pistas sobre um misterioso fóssil.
Público: infantil (8 a 12 anos)
Vagas: 15
Das 10h às 12h

Oficina Um universo chamado Palavra
Leitura compartilhada de trechos da antologia Quimera: contos fantásticos, organização de Alex Mir, seguida de bate-papo sobre possibilidades literárias para o roteiro de uma narrativa de fantasia. Com Samuel Medina.
Públicos: juvenil e adulto
Vagas: 20
Das 11h às 12h

 
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
* * * * * * * * * * 22 Anos de Boas Leituras * * * * * * * * * *
 
 
Para saber mais sobre a cultura em Belo Horizonte, acesse: http://www.bhfazcultura.pbh.gov.br/
Horário de atendimento:
  • De terça a sexta-feira, de 8h30 às 17h30
  • Sábados, de 9h às 13h
Agendamento de visitas monitoradas para escolares e outros grupos poderá ser solicitado por correio eletrônico ou telefone, mediante consulta de disponibilidade de dia/horário.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Poemas de 2013 (para virar a página)

13/03/2013 - 21:37

Asceta

A tristeza faz sua volta
coça meu nariz mais uma vez.
é o espírito
o sopro tênue
chama que logo cessará.
Eu sou essa chama
exangue centelha
conto os instantes
da minha própria morte
e depois
viro-me para um canto e
esqueço

--x--

Insônia

A pele alva
exala um cheiro de
nostalgia encapsulada
animal
minto para o tempo
nego o desejo
e tendo meu eu como único inimigo
mordo minha bochecha por dentro
e sorvo o sangue
embriagado de nada

20/05/2013 - 21:00

Autorretrato

Fico no fundo
imerso em mim
pescoço rígido
cristalizado
Se pudesse,
uivaria para a Lua
mas meus olhos
estão voltados para o chão
pequeno...
franzino...
mirrado...
minha alma evade
maior que seu alcance
menor que sua angústia
minha angústia
que sou

--x--

Sintonia

ossos à mostra, cobertos por uma
fina camada de pele. Zumbido. Olhos
e vermes numa inusitada simbiose.
Colonização.

05/06/2013 - hora indefinida

Forma
crosta e carapaça.
nenhum motivo,
apenas o propagar
do vento
gás natural,
sim, bem natural
totalmente
até sem um nome ou termo
sem limites

29/10/2013 - 18h

Ode

Senhora dos Mares
Oceano da Bruma
sangue das sereias
em ti repousa
desvias monstros marinhos
crias reinos
fazes prodígios
És o lugar do meu devaneio
meu recanto secreto
minha mais sagrada quimera
E no som que me envolve
no bramido das ondas
sinto teus braços
à minha volta
recosto minha cabeça
em teu seio
e embalado por teu canto
adormeço

sexta-feira, dezembro 20, 2013

Nossa literatura em duas oficinas

Quem acompanha o blog há tempos deve ter lido as postagens falando sobre os lançamentos coletivos que participei pela editora Andross. A primeira foi Entrelinhas II, em 2012. Estava ainda engatinhando no universo da publicação impressa e por conta disso cometi muitos erros de principiantes. Todos válidos, acredito. Além disso, essa primeira jornada empreendida foi como um rito de passagem, um importante momento de gestação de minha carreira de escritor. 
Além disso, tive a felicidade de ter um texto selecionado pelo Concurso Nacional Sul Info de Minicontos. Essa foi uma surpresa. Acostumado a enviar textos para concursos, já não criava grandes expectativas de ser selecionado. Contudo, aconteceu e eu pude ver o resultado.
Nos projetos seguintes, consolidados ao longo de 2013, pude participar de outras três publicações: Névoa: contos sobrenaturais, de suspense e de terror, Quimera: contos fantásticos e o mais recente: Mentes Inquietas. Todos estes foram lançados também pela Andross. Conheci muita gente legal, pessoas especiais mesmo. Gente apaixonada pela literatura, que busca se aprimorar a cada palavra escrita e não tem preconceitos. Pessoas com sorrisos francos, leves e com muita energia para escrever.
Realizamos uma incrível sessão de autógrafos do Névoa na biblioteca onde trabalho. Foi uma manhã mágica, quando tive o privilégio de sentar do lado de quatro talentosos autores de Belo Horizonte. Fizemos um bate papo sobre nossos processos de escrita, demos autógrafos, mencionamos nossos "mestres literários". Esse foi mais um grande episódio na minha caminhada literária.
Porém, enquanto os dias passavam, eu me perguntava como poderia contribuir mais ainda com tudo o que recebi. As antologias são formas poderosas de divulgar nossos trabalhos e eu de fato sinto-me muito bem em poder dr essa força aos meus companheiros literários, divulgando seus textos junto com os meus. Assim, como trabalho com mediação literária, decidi oferecer duas oficinas que abordem a leitura de contos das antologias Névoa e Quimera. Aproveito para compartilhar com vocês um pouco dessas oficinas. E convido a todos que são de Belo Horizonte que acompanhem a programação das bibliotecas da Fundação Municipal de Cultura. Quem sabe a gente faz uma oficina junto? ^_^

Oficina Mergulhando na Névoa
Leitura compartilhada de trechos da antologia Névoa: contos sobrenaturais, de suspense e de terror, de organização de Cristiana Gimenez, seguida de bate-papo sobre possiblidades literárias para um roteiro de história de terror. Com Samuel Medina.
Público: juvenil e adulto
Vagas: 20


Oficina Um universo chamado Palavra
Leitura compartilhada de trechos da antologia Quimera: contos fantásticos, de organização de Alex Mir, seguida de bate-papo sobre possibilidades literárias para o roteiro de uma narrativa de fantasia. Com Samuel Medina.
Público: juvenil e adulto
Vagas: 20

O melhor é que cada biblioteca que receber uma dessas oficinas ganhará um exemplar do livro abordado. Assim, os leitores poderão conferir todos os contos dos livros, quando quiserem.

sexta-feira, dezembro 13, 2013

Um tesouro de histórias

O ano acaba e os projetos se iniciam. Sim, faz quase um mês que não apareço por aqui. Estive envolvido em questões ligadas à Pós-Graduação que faço e também a alguns sérios compromissos profissionais. Graças a Deus, todos ligados à literatura. O ano de 2013 foi proveitoso, e muito. Alcancei muitas realizações, interna e externamente. Pude presenciar a Biblioteca cheia para o lançamento do meu livro, tive pessoas muito legais me falando que gostaram da narrativa, que desejam uma continuação. Conheci muitos autores fantásticos e leitores sensacionais. Viajei, participei de lançamentos coletivos, mediei conversas literárias. E agora 2013 chega ao fim e eu penso: "ufa!", enquanto uma sensação gostosa de dever cumprido toma o meu peito.

Só que ainda há muito a se fazer. Nossos sonhos têm esse poder. Nunca estamos totalmente satisfeitos. Queremos fazer mais pois descobrimos que podemos. Isso acaba soando meio Obama, só que é verdade. Sim, nós podemos.

Este ano foi importante não somente pelas conquistas, mas também pelas descobertas. Descobri muito de mim mesmo, muito do que sou e de quem sou. Isso foi muito importante para motivar os projetos futuros. Um deles, que ainda faz parte da safra de 2014, é a publicação da narrativa "A Cidade Suspensa" em formato e-book. É um sonho antigo, mas que durante muito tempo senti-me inibido para realizar. Hoje, contudo, estou trabalhando na versão final do texto e acredito que muito em breve ele estará pronto. Será disponibilizado em PDF para download através deste site, mas também farei questão de distribuí-lo por e-mail e em outros formatos. Gosto muito dessa narrativa e acho que os leitores também. O mínimo que posso fazer é buscar ganhar mais leitores para a causa de Kain.

Outra grande conquista foi ser escolhido pela Editora RHJ para fazer parte de seu rol de autores. Uma narrativa inédita, também de fantasia, será em breve publicada. É uma grande alegria ter um título publicado por uma editora de Belo Horizonte, minha cidade do coração, a capital onde eu vivo e onde construí minha história. Onde as pessoas que amo vivem. Então, essa vitória também é dedicada a todas essas pessoas. 

Por fim, meu maior compromisso literário em 2014 é buscar ser um leitor melhor. Literatura sempre foi minha paixão, arrebatando-me inúmeras vezes, tolhendo-me o sono, incomodando-me. A Literatura é minha forma de interagir com o mundo e por isso continuo lendo e escrevendo. Talvez não continuarei com as resenhas, ou pelo menos elas serão mais escassas. De qualquer forma, meu desejo é que eu possa contribuir ainda mais na Biblioteca onde trabalho, aproximando leitores de textos e leitores de leitores. Acredito que o leitor é a principal estrela do espetáculo chamado Literatura. E por isso, meu grande compromisso em 2014, meu grande projeto, é estimular ainda mais o encontro entre os leitores e seu deleite na leitura.

Ainda não sei o que o novo ano me reserva. Há muito o que fazer. Tenho que pensar na divulgação de O Medalhão e a Adaga, na continuação das aventuras de Bildan, Sheril e seus amigos. Mas antes de tudo, tenho que ler. E muito. Por isso, espero poder contar com vocês aqui, ajudando-me a ser um leitor melhor. Compartilhando suas opiniões, críticas e sugestões literárias. Fazendo deste espaço, ainda que virtual, um verdadeiro tesouro de histórias.

sexta-feira, novembro 15, 2013

Anardeus - No calor da destruição: um épico pós-moderno

Isabel e Anardeus são irmãos gêmeos. À proporção que Isabel é bela, querida e desejada, seu irmão é feio, rejeitado e desprezado. Enquanto Isabel sofre com o calor, Anardeus precisa se cobrir com vários agasalhos. Não bastasse o desprezo alheio, Anardeus também é acometido por estranhas visões, que antecedem acontecimentos terríveis e inacreditáveis. 
Assim, o leitor testemunha o desenrolar deste épico fantástico de Walter Tierno. Construindo um texto sóbrio, econômico e equilibrado, Tierno guia nossa leitura através de um universo calcado no desequilíbrio. Sarcástico e niilista, o narrador, na figura do próprio protagonista, tece uma trama em que o total desprezo pelo mundo e pelas coisas está presente com toda a força. O mais interessante é que o desprezo de Anardeus não é resposta ao desprezo que todos lhe atiraram. Ele tem nojo do mundo e o despreza desde seu nascimento, quando descobriu-se com o dom de analisar o mundo ao seu redor e captar sua malícia.
Anardeus, porém, não é o único narrador. Os capítulos intercalam as vozes de outras personagens, conferindo um maior dinamismo à leitura e garantindo uma veracidade ainda maior e mais chocante ao mundo desenhado por Tierno.
Por fim, a primorosa ilustração reforça ainda mais a carga dramática do ambiente caótico que habita o interior dos personagens e que, gradativamente, irá expandir para além dos mesmos, invadindo todo o cenário ao redor.
Com um texto dinâmico, repleto dr ironia e personagens fascinantes, Anardeus - No calor da destruição é um épico angustiante, perturbador e certamente fascinante.

Ficha Técnica
Edição: 1
Editora: Giz Editorial
ISBN: 9788578552053
Ano: 2013
Páginas: 181


sexta-feira, novembro 08, 2013

Cira e o Velho: Onde mito e verdade se encontram

Conheci Walter Tierno no evento Livros em Pauta, ocorrido dia 19 de outubro de 2013. Fiquei impressionado com a postura sóbria, jovial e humilde desse escritor que tem muitos anos de experiência na área editorial e da publicidade. Fiquei também muito interessado quando soube que esse autor aborda o folclore brasileiro, pois eu também o abordo como matéria para meus textos, em especial no livro O Medalhão e a Adaga

Deixei o evento com dois livros de Tierno: Cira e o Velho e Anardeus. Comecei então a leitura do primeiro e já fiquei absorvido pelo narrador, por seu tom intimista de quem está nos contando um "causo". Outro elemento que me cativou foi a referência ao jogo do bafo, que brinquei na minha infância. Já completamente seduzido pelo texto, ingressei em um universo situado no Brasil Colônia do século 17, mundo povoado por criaturas mágicas, homens inescrupulosos e poderes ocultos. E habitado, principalmente, por Cira.

O texto é dividido em três grandes blocos narrativos. A primeira, mais fragmentada, é assumida pelo narrador do romance, em primeira pessoa. Acompanhamos os relatos desse narrador em sua tentativa de descobrir cada vez mais sobre a personagem Cira, filha de Cobra Norato com uma poderosa feiticeira chamada Guaracy. Assim, o narrador vai gradativamente nos introduzindo a um mundo fantástico, onde as pessoas vivem mais do que o normal, por mero capricho da Morte e entidades sobrenaturais existem, escondidas no submundo de nossa sociedade urbanizada. 

O segundo bloco narrativo narra a missão de Domingos Jorge Velho, o mesmo personagem histórico por trás da destruição do Quilombo de Palmares, para matar os filhos de Cobra Norato, a mando de Maria Caninana. Neste bloco conhecemos toda a ganância e mesquinhez do Velho.

Já o terceiro bloco narra o tema central do romance, que é a vingança de Cira contra o Velho. Essa vingança que concede ao livro o seu título. Descobrimos que Cira é uma personagem relativamente simples, embora viva em um mundo denso e complexo. Representando a inocência natural, Cira é feroz com os inimigos e benigna com os amigos. Seus sentimentos são francos, diretos. Talvez seja por isso que a protagonista do romance se aproxime tanto com o ideal heroico grego. Sem entregar demais o enredo, acredito que a missão de Cira, ou sua vingança, se aproxime também do heroísmo grego.

Aí se encontra toda a genialidade de Walter Tierno, que mescla com maestria elementos clássicos com a nosso folclore rico, dando forma a uma narrativa épica. Seus personagens são inesquecíveis, em especial Maria Caninana e Cobra Norato, com sua dualidade fáustica. A forma que Tierno utiliza para atualizar os elementos folclóricos lembra um pouco o que Neil Gaiman faz com o excelente Lugar Nenhum. Ainda assim, não devemos comparar os dois autores, pois a gravidade que Tierno concede ao seu romance, com seu tom épico, se afasta em muito da abordagem de Gaiman.

Novamente, sem querer entregar o enredo, digo apenas que o desfecho do romance é sem dúvida uma surpresa que passeia do agradável ao terrível e confirma todo o poder da criatividade desse autor.

Com um texto atual, cheio de ritmo e com muita dose de ação, Cira e o Velho mostra a força da nossa literatura de fantasia que, sem elfos, gnomos ou dragões, tem um rico universo a oferecer.

Ficha Técnica
Edição: 2
Editora: Giz Editorial
ISBN: 9788578550851
Ano: 2010
Páginas: 232

Página do livro no site do autor: http://www.waltertierno.com/p/cira-e-o-velho.html

terça-feira, novembro 05, 2013

Caminho da Sombra

Esgueirava pelos cantos. Arrastava-se por descaminhos. Era um reflexo de existência, a ruína de um "eu". Uma alma morta. Seguindo por trilhas dúbias, apenas dava prosseguimento a sua existência. Não sabia, porém. Apenas prosseguia.

Havia uma certa urgência em seu caminhar. Um certo motor secreto, como uma energia feita do puro breu, dos sentimentos mais nefastos. A decomposição gerando algo. Um cenário, no mínimo.

Aquela era apenas uma sombra. Disforme e órfã, essa massa escura deslizava por vãos esquecidos. Alimentava-se de pedaços de sonhos quebrados. Cada fragmento fortalecia seu interior, tornava-a mais escura e poderosa, inchava suas entranhas, inflava seus contornos. 

Ignorava o tempo de sua própria existência. Sim, eram quase séculos que essa coisa, aborto de vida, vagava pelos cantos escuros do mundo. A frustração personificada, que falhava até mesmo no desejo de ser.

Lentamente, tomou força e fôlego. Singelamente, sentiu-se. Percebeu-se. Era, afinal. Estilhaços de desejos devorados se recombinavam e borbulhavam em seu âmago. Aqueciam suas entranhas. E tal calor convulsionava o núcleo da Sombra. Criava rastros fumegantes em seu caminho, queimando o solo já escuro e crestado, soltando tímidas faíscas, revelando ocultos poderes.

E quando se deu conta, já surgia em si uma fagulha. Duas, várias. Uma profusão de desejos frustrados eram agora um furioso turbilhão de fagulhas que se ajuntavam em labaredas, queimando as entranhas da Sombra, que já não podia mais conter o calor que a consumia. 

E a Sombra, imersa em um profuso emaranhado de labaredas, morreu, consumida pelos sonhos que lhe concederam a existência. Dessa poderosa explosão brotaram asas douradas, que se abriram para além dos cantos do mundo. Brilhantes como a Aurora, as asas alçaram voo e revelaram uma ave feita de luz. Uma Fênix. E aquela ave, nascida da convulsão de diversos sonhos, galgou os ares, rumo a outros mundos.