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quarta-feira, agosto 18, 2021

Urgente! - Pela manutenção do programa Conversações


Há alguns anos, conheci o Cláudio Henrique. Trocamos algumas ideias sobre pessoas comuns que são grandes leitoras, principalmente quem frequenta bibliotecas públicas. Fiquei de passar alguns contatos, a partir da minha experiência de trabalho na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil.

Foi assim o meu primeiro contato com o Programa Conversações. Não imaginava que, tempos depois, eu estaria diante da câmera, para gravar um episódio sobre a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil e sua atuação dentro do Centro de Referência da Juventude. 

Cláudio Henrique é uma pessoa incrível. Amável, observador e excelente ouvinte, ele sabe conduzir com maestria uma entrevista de forma a deixar a gente totalmente à vontade. Sei que como artista pode parecer algo simples pra mim, mas não é. Sempre tive problema com a minha autoimagem. Minha passagem pelo Conversações ajudou a mitigar esse problema.

Mas não é de mim que devo falar hoje e sim desse programa tão importante para a divulgação da literatura independente em Belo Horizonte. Conversações é mais do que um programa de literatura. É sobre pessoas, suas vidas reais e suas buscas por uma vida mais humana e legítima através das palavras. Um programa sobre dar voz e escuta a pessoas geralmente silenciadas em nossa sociedade.

Depois de tantos anos de história de um programa pioneiro, interessante e de alta qualidade, vem o Governo de Minas e decide encerrá-lo. O único programa na Rede Minas com um jornalista negro. E um programa que dá voz vez às periferias. Ao saber dessa notícia, fiquei aturdido. Mortificado. Não é apenas a história dos espaços e das leituras. São as histórias das pessoas que estão fadadas a desaparecer. 

Por isso, manifesto-me à favor da manutenção do Programa Conversações. E que esse ataque à cultura e à literatura, em especial a periférica, não prossiga. Que todas as pessoas se unam para que essa decisão desastrosa seja repensada e revertida, com urgência.

E deixo aqui meus cumprimentos ao Cláudio Henrique, guerreiro da cultura, que com as armas das palavras, da gentileza e da simpatia, concedeu escuta a tantas pessoas que, por outros meios teriam sido silenciadas.

https://www.brasildefatomg.com.br/2021/08/17/rede-minas-retira-programa-educativo-da-programacao-e-pode-inserir-outro-evangelico

https://www.instagram.com/p/CSsiLCqLjMy/?utm_medium=share_sheet

(Descrição da imagem: Em fundo branco, texto "Desmonte: Rede Minas retira programa educativo da programação e pode inserir outro evangélico. Emissora anunciou o fim do Conversações programa que populariza literatura independente e cultura produzida na periferia. Amélia Gomes, Belo Horizonte (MG) | 17 de Agosto de 20201 às 20:28". Abaixo, foto de dois homens. O primeiro, à esquerda, é negro, tem cabelos curtos e está de perfil direito, veste uma camisa xadrez. À direita o outro homem, branco, de cabelos e barba compridos, com uma blusa mostarda. Os dois manuseiam um livro. Atrás deles, paredes com vários grafites.)

sexta-feira, agosto 13, 2021

Amoras - Quando o Amor nos leva pela mão


Por vezes, quando a gente começa uma leitura, é importante se portar como uma criança, enquanto a voz narrativa é a pessoa adulta que nos toma pela mão e nos mostra as grandezas do mundo escondidas nas pequenas coisas. Há livros que fazem justamente isso com a gente.

O que dizer sobre Amoras, do Emicida? Um texto cheio de carinho e com profundidade. Há muito afeto nesse livro que fala de autoestima, de uma força que se revela na delicadeza. A partir do diálogo entre uma criança e seu pai, vai sendo tecida uma reflexão profunda, capaz de desconstruir preconceitos e estabelecer novos paradigmas.

Como algo tão pequeno, como as amoras, pode crescer tanto, a ponto de ser do tamanho do mundo inteiro? Pela genialidade do poeta, mas também pelo olhar infantil, que subverte valores e transcende a realidade.

Assim, além de evocar carinho e a afetividade, Emicida também homenageia grandes nomes da luta pela igualdade e justiça, sem assumir um discurso simplista ou panfletário.

Aldo Fabrini, com suas formas arredondadas e cores vivas, busca conferir às imagens todo o afeto presente no texto, criando um ambiente harmônico, pacífico, para a mensagem poética de Emicida frutificar.

Palavra e imagem em Amoras bailam com graça e leveza, tomando a leitora pela mão e fazendo uma leitura de sonho, um momento de entrega, um presente encantado.


(Descrição da imagem: Mão segura um livro retangular horizontal. Em fundo vinho, desenho de rosto do nariz para cima, com cabelos pretos, pele escura, olhos redondos, nariz alongado, orelhas pequenas. Os olhos estão voltados para cima, onde está o título do livro: AMORAS, sendo cada letra em uma cor, nas sequências rosa, amarelo e azul. Acima do título, o nome EMICIDA. Abaixo, à esquerda, Companhia das Letrinhas e à direita, ilustrações Aldo Fabrini. Além do livro há uma estante branca com as lombadas de outros livros)

Ficha Técnica

Amoras

Emicida

Desenhos de Aldo Fabrini

ISBN-13: 9788574068367

ISBN-10: 8574068365

Ano: 2018 

Páginas: 44

Idioma: português

Editora: Companhia das Letrinhas

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/amoras-806507ed810638.html

domingo, abril 19, 2020

Vídeo: A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum - Joel Rufino dos Santos e Walter Ono


Quem está pra cima? E quem está pra baixo? Essa é a grande discussão entre dois garotos, cada um morando de um lado do planeta de Tatipurum. Para resolver a desavença e encerrar a questão, só com a Pirilampéia. Mas como? Veja e descubra!

Ficha Técnica 
A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum 
Joel Rufino dos Santos 
Ilustrações de Walter Ono
Ano: 1992
Páginas: 32
Editora Ática

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-pirilampeia-e-os-dois-meninos-de-tatipurum-221987ed248463.html

segunda-feira, abril 13, 2020

Os melhores japoneses do Brasil

Fonte: Mangá Gantz, de Oku Hiroya
Nunca imaginei que um dia concordaria com o Reinaldo Azevedo. Usando de ironia, o cronista publicou um texto em que rotula Jair Bolsonaro e Alexandre Garcia "pais e maridos e japoneses exemplares".

A piada surgiu a partir de um trecho de uma palestra de Alexandre Garcia, onde ele propunha a "troca" da população do Brasil pela do Japão. Segundo a "teoria" do jornalista, nosso país levaria no máximo dez anos para se tornar uma potência. Tal vídeo foi compartilhado pelo presidente e causou mal estar mas redes sociais.

Não foi a primeira vez (e talvez não seja a última) que Garcia usou sua posição privilegiada para espalhar seu preconceito como se o mesmo fosse uma lei universal. Como muitos "pensadores" do Brasil, Alexandre Garcia representa a voz de uma parcela conservadora da sociedade. Um grupo que sempre dispôs de poder e hegemonia, que desde o período colonial usa de violência física e simbólica para silenciar qualquer tipo de pensamento contrário, qualquer tentativa de questionar o status quo.

Tal declaração de Garcia, inclusive, vai de encontro a uma pérola de Jair Bolsonaro. O político teria dito que nunca viu japonês pedir esmola, em uma declaração que despreza a realidade de um país que desconhece, bem como reforça um preconceito profundo contra o próprio brasileiro, em especial aquele em situação de rua.

Por vezes eu me pergunto por que pessoas como Bolsonaro e Garcia desprezam tanto o provo brasileiro. Porém, creio que todos sabemos a resposta e ela é por demais hedionda, abjeta, nojenta, para ser verbalizada.

Para alguém como eu, que há mais de vinte anos assiste animes e lê mangás, expoentes da cultura pop japonesa, Bolsonaro facilmente se assemelha à figura do valentão enorme e malvado, aquele vilão primário, que não tem um pingo de profundidade ou misericórdia, usando sua força para intimidar por prazer. Já Garcia corresponde à figura do típico bajulador, que anda às voltas desse vilão, para ganhar vantagens.

Pouco sabem os dois que nas narrativas dos mangás, os heróis existem para proteger os mais fracos, para cuidar de quem precisa, para estender a mão e buscar o entendimento. Os mais icônicos heróis de mangás são órfãos, vivem na pobreza e lutam contra o preconceito. 

Encerro este texto me lembrando de Gantz, um mangá que foi adaptado para anime no início dos anos 2000. A narrativa tem início quando o herói e seu amigo de infância saltam em uma linha de metrô para salvar um mendigo que, bêbado, acabou caindo e corre perigo de ser atropelado pelo trem. Enquanto os dois jovens se colocam nessa situação perigosa, várias pessoas apenas assistem, algumas até mesmo com celulares, para filmar o atropelamento iminente.

Acredito que Jair Bolsonaro e Alexandre Garcia, em uma situação como essa, ficariam só assistindo, como bons japoneses que acreditam ser.