sábado, abril 30, 2022

Plano de luta

 



Para combater 

Todo tipo de 

Fascismo 

Minha resposta 

É ser ridiculamente 

alegre 

Meu contra-ataque 

É ser 

Anarquicamente

Feliz

segunda-feira, abril 18, 2022

Capitães da Areia - A infância massacrada


Pedro Bala, Professor, João Grande, Sem-Pernas, Pirulito, Boa Vida, Gato, Volta Seca. Estes e muitos outros fazem parte de um grupo de meninos chamado Capitães da Areia, que aterroriza as ruas da "Cidade da Bahia". Pedro Bala é o líder. Forte e decidido, Bala guia o grupo com suas qualidades naturais de liderança. Seus "oficiais" atuam como subchefes e coordenam o grupo, auxiliando o líder.

Capitães da Areia, romance de Jorge Amado, nos conta com detalhes e crueza a vida dessas crianças e adolescentes. Fome, doenças, as torturas na delegacia ou no reformatório, essas são alguns dos inúmeros perigos que enfrentam. Há também outros grupos de crianças, menores e menos organizados, que não deixam de oferecer riscos aos Capitães. Ocasionais batalhas acabam acontecendo por conta disso.

O romance é dividido em duas partes. Na primeira, os capítulos contam as peripécias dos Capitães da Areia, tendo um ou outro como protagonista. Por isso, podem ser considerados episódios sem necessariamente terem um enredo cronológico. Já a segunda parte segue uma linha temporal e conta da entrada da menina Dora para o grupo e seu inocente romance com Pedro Bala.

Há um tom de idealismo no livro, mesclado à crítica social, como se uma revolução fosse a única chance para mudar a vida dessas crianças e erradicar a pobreza. Outro ponto curioso é a ausência da adolescência. Com 16 anos, Pedro Bala é considerado pelo narrador como uma criança. Essa visão estendida de infância é interessante pelo ponto de vista sociológico. Apesar de serem chamados de "crianças", os Capitães da Areia são muitas vezes apresentados como "homens", por sua precoce independência, onde são obrigados a tomarem atitudes consideradas adultas.

Com ação, aventura e romance, Capitães da Areia é um livro que nos envolve, comove e também revolta. E nos faz pensar em nosso papel como seres humanos, agentes de mudança. Lança a miséria em nossa cara, com toda a sua violência e nos convida a tomar uma atitude contra toda forma de crueldade e tirania.


Ficha Técnica:

Capitães da Areia

Jorge Amado

ISBN-13: 9788535914061

ISBN-10: 8535914064

Ano: 2009 

Páginas: 280

Idioma: português

Editora: Companhia de Bolso


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/capitaes-da-areia-968ed25062.html

segunda-feira, abril 11, 2022

A filha perdida - Quando não há amor que dê conta da vida


Leda sofre um acidente de carro. A todos que a visitam, ela diz que o sono a fizera sair da estrada, mas isto não é verdade. O que de fato aconteceu será narrado a nós, leitores, nos capítulos seguintes de A filha perdida, de Elena Ferrante. 

Narrado em primeira pessoa, o romance nos apresenta Leda, uma excelente professora universitária que está de férias no sul da Itália. Sofisticada e com uma exuberância natural, ela logo atrairá a atenção de uma família de napolitanos, rude e barulhenta, que também está de férias na praia. Aquela família representa tudo o que Leda mais despreza, pois foi de um lar assim que ela egressou. Porém, quem de fato atrai a atenção de Leda é a jovem Nina, devota mãe da pequena Elena.

Observar mãe e filha em seus passeios e brincadeiras na praia irá despertar sentimentos controversos em Leda, que gradativamente se envolverá com a família de formas inusitadas, o que trará a ela consequências irremediáveis.

A filha perdida é mais um exemplo do indiscutível talento de Elena Ferrante em criar tramas e personagens profundos. Leda é controversa, por vezes inconsequente, e nos perguntamos se sua narração é confiável. Perturbada pelos remorsos que sente, por causa do que fez tanto com sua mãe quanto com suas filhas, Leda parece querer resgatar em Nina a mãe que ela desejava ter sido, bem como a filha que ela não foi.

Outro elemento a ser destacado é a linguagem. A narrativa é crua e visceral, sempre contundente e melancólica. O texto é claro, envolvente, cadenciado. O discurso de Leda é fragmentado e repleto de digressões e rememorações. O tempo todo ela parece pesar e medir as pessoas ao seu redor, ao mesmo tempo que é pesada e medida por si mesma.

Com personagens memoráveis, falas emblemáticas e certa dose de reviravoltas, A filha perdida é uma leitura aguda, que nos prende e absorve até a última página. E nos faz querer voltar ao início para ler tudo de novo.


Ficha Técnica

A filha perdida

Elena Ferrante

 R$ 31,92 até R$ 37,10

ISBN-13: 9788551000328

ISBN-10: 8551000322

Ano: 2016 

Páginas: 176

Idioma: português

Editora: Intrínseca


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-filha-perdida-613339ed613826.html

segunda-feira, abril 04, 2022

Na floresta - Mil e uma histórias



Algo não está certo. O menino acorda certa noite com um barulho horrível. No dia seguinte, seu pai não mais está em casa e sua mãe parece muito triste. Mas esse nem é direito o começo da história. A mãe pede ao menino que vá levar um bolo para a vovó, que está doente, mas que não passe pelo caminho da floresta.

Isso lembra a você alguma coisa? Pois esse menino, protagonista do livro Na floresta, de Anthony Browne, irá justamente usar o caminho mais "curto", porém o mais perigoso e sombrio. Enquanto esse garoto faz a travessia solitária, vai se deparando com diversas personagens, todas elas bem reconhecíveis. Lá está o menino que precisa vendar uma vaca leiteira. Lá estão também a menina e o menino que se perderam de seus pais na floresta. E não se trata apenas disso. Ao longo das páginas, a cada nova imagem, vamos descobrindo que na floresta estão espalhados elementos de vários contos de fadas, num constante convite a um jogo de descobertas.

O texto da narrativa de Browne é simples. Porém, não é bom que seja lido de forma ingênua e desavisada. Muitas são as nuances que mostram que a história é muito mais do que está posto. Afinal, o que aconteceu com essa família? O pai de fato voltará? Haverá uma vovó esperando no final do caminho? E ainda que os conflitos pareçam apaziguados, as ilustrações nos contam que há algo mais, que o conflito talvez nunca se resolva. Ou sua resolução não seja aquela que esperamos.

Afinal, pouca coisa na vida acontece como esperamos. E a literatura, como arte, vem para nos lembrar de nossa finitude. Assim, nós nos lembramos que estamos vivos. E Anthony Browne, com seu primoroso Na floresta, enquanto homenageia o universo dos contos de fadas vem nos lembrar que as coisas, mesmo as mais preciosas, também chegam ao seu fim.


Ficha Técnica:

Na Floresta

Anthony Browne

Tradução de Clarice Duque Estrada

ISBN-13: 9788566642124

ISBN-10: 8566642120

Ano: 2014 

Páginas: 32

Idioma: português

Editora: Pequena Zahar


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/na-floresta-372398ed420377.html

segunda-feira, março 28, 2022

Tudo é rio - Vidas na confluência da correnteza



Ler Tudo é rio, de Carla Madeira, é como se jogar na água corrente. É se debater na amarga doçura das palavras e degustar a dor de existências desencontradas. É experimentar um turbilhão. Romance de estreia de Madeira, Tudo é rio vem contar sobre Lucy, Venâncio e Dalva. Não só dessas vidas, mas de outras que se entrelaçam a estas. Lucy, que amava Venâncio, que amava Dalva, que amava sua própria dor.

Muitas são as dores ocultas nesse livro. Muitas também são as histórias. Cada uma escondendo uma dor e um prazer, num jogo de contrastes feito luz e sombra. Nos diversos e entrelaçados trajetos vamos sofrendo juntos essas dores e descobertas. É delicioso provar das palavras fortes e profundas de Carla Madeira. Cada frase parece ter sido cuidadosamente pesada e medida, gestada e parida. Sim, esse é um livro-filho. E na leitura que fazemos, acabamos grávidos das palavras de Carla Madeira.

Não é por acaso que em dado momento o bordado aparece na narrativa. A própria escrita de Tudo é rio nos parece um bordado cuidadoso. As vidas são bordadas no texto com todo o cuidado. Vidas que se vão revelando e já deixando em nós saudades. A tessitura desse romance prende no bordado nossos olhos. E para sempre ficamos enredados.

Como uma torrente incontrolável que tudo traga, a narrativa de Carla Madeira nos arrebata. Vamos levados pela enchente, por tantas e tantas águas. E nas sinuosas palavras da escritora, vamos descobrindo que nós, leitores, também somos rio.


Ficha técnica

Tudo é rio

Carla Madeira

ISBN-13: 9788566256086

ISBN-10: 8566256085

Ano: 2013 

Páginas: 216

Idioma: português

Editora: Quixote

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/tudo-e-rio-435848ed493822.html

sexta-feira, março 25, 2022

Estocolmo


Cativos somos

De deus

reféns

no gueto

chamado

Vida

E para fugir

à câmara

de fogo

enxofre e

fumo

É mister

Que o amor 

Pelo juiz júri 

captor carrasco seja

Sincero

18 de maio de 2019

segunda-feira, março 21, 2022

A alma perdida e a solidão de si


Imagine que você tem uma vida boa. Bom emprego, bons amigos, saúde e prosperidade. Porém, falta-lhe alguma coisa. Você não sabe o que é, mas por vezes o dia parece desbotado e nada, coisa nenhuma, anima você. Talvez seu problema seja a alma perdida.

Assim se desdobra o livro de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo, com tradução de Gabriel Borowski. Na verdade, não é bem assim. O livro tem início com imagens denotando um enorme silêncio. A obra nos convida a silenciar, a estar em um lugar de total atenção e escuta. E assim somos apresentados aos belos e significativos desenhos de Joanna Concejo. Vemos pessoas em parques caminhando no inverno. Sempre agasalhadas, essas pessoas estão em um mundo em tom de sépia, quase a dizer, em sussurros, que algo falta ali.

Então as patentes palavras de Olga Tokarczuk chegam e nos arrebatam para retomar a história que começou em silêncios. Somos apresentados a um homem que perdeu sua alma e está disposto a recuperá-la. 

As palavras de Tokarczuk são precisas. O texto nos envolve nesse dilema que é viver sem alma. e como que nos lança a pergunta tácita: será que, assim como o homem da alma perdida, nós também perdemos as nossas?

Os desenhos de Joanna Concejo são um espetáculo. Com requinte e sensibilidade vão nos contando essa e muitas outras histórias, vão nos encantando e comovendo. Isto é, se não estivermos como o desafortunado protagonista da história.

A múltipla narrativa de Tokarczuk e Concejo nos introduz a várias perguntas. E a que eu mais me fiz foi esta: É possível estar sozinho de si? E caso seja possível, talvez essa se torne a maior das solidões.

No final, sozinhos viemos ao mundo e sozinhos partiremos. Não seria melhor então sermos nossos melhores amigos? Fica o convite a refletir, ler o livro e, é claro, escutar sua própria alma.


Descrição da capa: Em fundo bege, cadeira meio de costas e meio de perfil esquerdo. No encosto da cadeira, um casaco marrom escuro. Sobre a cadeira uma planta com longos e finos braços, folhas largas em formato de coração. Ao lado esquerdo da cadeira, uma mala de mão cinza. Sob a cadeira um tapete listrado de cores amarela, preta e vermelha.


Ficha Técnica

A alma perdida

Olga Tokarczuk, Joanna Concejo

Tradução de Gabriel Borowski

ISBN-13: 9786556920641

ISBN-10: 6556920649

Ano: 2020 

Páginas: 48

Editora: Todavia

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-alma-perdida-11644067ed11661629.html


quinta-feira, março 17, 2022

Velejo


Ela dorme ao meu lado. 

Meu desejo contido 

vela seu sono. 

Meus olhos 

insones 

buscam quimeras. 

Sinto muito. 

Enquanto ouço 

seu ressonar, 

sou arrebatado 

por essa melodia 

de silêncios.

terça-feira, março 15, 2022

Pequena coreografia do adeus - Uma dança de palavras e silêncios


A autora de O peso do pássaro morto, Aline Bei, está de volta para nos aniquilar através das palavras. Seu romance mais recente, Pequena coreografia do adeus, vem para virar nossas leituras pelo avesso. Mas luminoso que o livro anterior, este não deixa de trazer um texto carregado de melancolia e repleto de sombras.

A protagonista e narradora é agora Júlia Terra, uma náufraga do divórcio dos pais e da animosidade da mãe. Numa narrativa coloquial e disposta em versos, Júlia nos guia pelos destroços de sua vida, mostrando que é, antes de tudo, uma sobrevivente. Apesar da constante violência da mãe e do distanciamento do pai, Júlia vai criando resistência e florescendo. Descobre na palavra uma trincheira e um ponto de apoio. Assim, ela parte do diário rumo a voos mais altos, quando decide escrever ficção.

O romance de Aline Bei é triste, pungente, mesclando o desprezo e descuido da família com o afeto de amizades de pessoas de fora. E com essa acolhida, Júlia vai fazendo seu caminho e se descobrindo potência. O texto de Aline Bei é forte, doído, como a ponta de uma agulha, mas carrega um poder enorme de atração. Na sua força somos tragados e levados a dançar.

A vida de Júlia vai se desdobrando na criação do conto que ela vai escrevendo ao longo do romance. Um conto de tragédia e abandono, dor e perda, sendo também uma narrativa de liberdade através da Arte. E nessa liberdade a escrita de Júlia se encontra, para ser algo mais.

Pequena coreografia do adeus é um romance sobre dor e perda, mas também sobre como se encontrar, nas palavras, nos movimentos e passos de dança, nas notas musicais. Enfim, na Arte, que nos faz humanos e plenos, apesar de todos os nossos destroços.

Pequena coreografia do adeus

Aline Bei

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ISBN-13: 9786559210497

ISBN-10: 6559210499

Ano: 2021 

Páginas: 282

Idioma: português

Editora: Companhia das Letras

segunda-feira, março 07, 2022

Demian - Entre dois mundos, uma marca


Sinclair é um jovem diferente. Desde cedo, sente essa diferença. Com uma visão arguta da vida, ele consegue perceber a tensão entre duas existências - a sagrada e a profana. Ansiando sempre pertencer ao mundo sagrado e luminoso, representado por seus pais religiosos, o jovem ainda em pequeno sente profunda atração pelo mundo profano e sombrio, que se representa nos criados que trabalham na casa e nas conversas que eles travam entre si, com relatos sobre sórdidos acontecimentos. Sinclair se percebe fascinado por esse mundo de violência e libertinagem, mesmo querendo pertencer totalmente ao universo sagrado e religioso de seus pais. Assim, essa dualidade lhe causa sofrimento e profunda comoção.

Tudo começa a mudar quando ele encontra Demian. Um pouco mais velho que Sinclair, o garoto tem uma postura altiva, por vezes adulta, mesmo sendo ainda criança. Demian não teme o tal mundo sombrio e age como se pudesse pertencer ao mesmo sem perder seu ar de nobreza e dignidade. Demian parece acima de conceitos de religião e moralidade. Com isso, irá provocar Sinclair, para que este busque seu próprio caminho e alcance um estado de plena humanidade, como detentor da "Marca de Caim".

Assim é, em linhas gerais, o início do romance Demian, de Herman Hesse. Profundo e denso, o livro e narrado pelo próprio Sinclair e nos apresenta três momentos de sua vida: A infância, aos dez anos, a adolescência, aos dezesseis, aproximadamente, e a idade adulta, aos dezoito anos. O livro salta grandes períodos de tempo, focando-se nestes três momentos com maior minúcia e atenção.

Mas afinal, o que quer Demian? Desde cedo ele provoca Sinclair, pois sente nele uma altivez, um porte que o destaca dos demais seres humanos. Demian diz reconhecer no protagonista a "Marca de Caim". Esta não seria sinal de uma maldição, mas da verdadeira liberdade. Aqueles que a tivessem não estariam presos aos preconceitos antiquados, aos valores religiosos e morais, mas estariam prontos a indicar o rumo para o futuro da humanidade.

Desta forma, Hesse reescreve todo o mito bíblico de Cain e Abel, dando-lhe novo significado. Cain deixa de ser um proscrito, amaldiçoado por deus, mas seria na verdade alguém amado pelo altíssimo, que lhe concederia a marca para que fosse protegido. Os demais homens teriam inventado a história do assassinato de Abel por temerem Cain e sua condição de alguém "invulnerável".

Como símbolo central do romance está o falcão que nasce de um ovo, sendo este o mundo, o qual deve ser destruído para que o nascimento possa ocorrer. Sinclair diversas vezes é levado a pensar no símbolo. Afinal, qual dos mundos deve ser destruído para que o nascimento de uma nova humanidade possa ocorrer?

Demian é de fato um romance complexo e profundo. Suas leituras podem ser várias, o que mostra a genialidade do autor. É importante destacar que essa diferença entre sagrado e profano pode também ser uma tensão de classes, uma vez que os pais de Sinclair representam a burguesia. As pessoas ligadas ao mundo considerado profano e sombrio são os pobres, a criadagem, os empregados. Com isso, ao misturar ambos os mundos e destruí-los, Hesse defende que não há superioridade nos valores burgueses. 

Com um texto profundo e inquietante, Demian é um romance inesquecível, capaz de abalar crenças e preceitos. E apesar de ter mais de 100 anos desde que foi publicado, não perde a atualidade. Uma obra que parece ter sido escrita para o nosso tempo de sombras e incertezas.


Ficha Técnica

Editora: Civilização Brasileira

Ano: 1975

Páginas: 162

Tradutor: Ivo Barroso

Perfil do livro no Skoob:https://www.skoob.com.br/demian-1420ed451597.html

segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Onde está Tomás? - A infinita imaginação da criança



A mãe de Tomás o está procurando. Afinal, onde se meteu o menino? A casa em que moram é enorme e Tomás não está propriamente se escondendo, mas brincando e usando sua fervilhante imaginação para transformar o ambiente ao seu redor.

Assim se desenrola o livro de Micaela Chirif e Leire Salaberria, com tradução de Daniela Padilha. O texto é simples e evocativo, pois lança mão das expressões mais corriqueiras que alguém falaria à procura de uma criança em um ambiente seguro. O tom é de brincadeira, como se mãe e filho estivessem num descontraído e inacabável esconde-esconde.

Os desenhos são maravilhosamente produzidos, ilustrações que dialogam com o texto e o enriquecem, desdobrando diante de nós, leitoras e leitores, um universo infinito de criaturas imaginadas e existentes. A privilegiada imaginação de Tomás amplia e enriquece os objetos com os quais o menino interage, seja um unicórnio de brinquedo, seja a cortina estampada do banheiro, repleta de desenhos de araras. As cores fortes e vivas das ilustrações realçam ainda mais a riqueza visual da obra.

Tomás transforma cada cômodo da casa em um universo totalmente seu, onde a magia e o impossível acontecem. Enquanto isso, sua mãe prossegue na procura, até ser convidada a imaginar também. Fecha-se o elo, então. Mãe e filho mergulham em sonhos e devaneios.

Com um texto acolhedor e desenhos lindos, Onde está Tomás? é um livro de beleza e qualidade excepcionais, uma ode ao amor entre mãe e filho, homenagem à incansável inventividade das mentes das crianças.


Ficha Técnica

Onde está Tomás?

Micaela Chirif e Leire Salaberria

Tradução de Daniela Padilha

ISBN-13: 9788561695682

ISBN-10: 8561695684

Ano: 2019 

Páginas: 36

Editora: Jujuba Editora

Perfil do livro no Skoob:m

sexta-feira, fevereiro 11, 2022

Divertistórias pelos Centros Culturais




O que acha de visitar os Centros Culturais Municipais e aproveitar encontros de contação de histórias para todas as idades? 


Então, vem conferir a agenda do DIVERTISTÓRIAS! Um momento divertido e emocionante com narração de histórias diversas da tradição oral. Medo, humor, aventura e muito mais estarão na apresentação de Samuel Medina, composta por momentos lúdicos e poéticos de promoção da leitura.  


📚 Espia só e vem se divertir com a gente: ⬇ 

Centro Cultural São Geraldo: 12 de fevereiro, sábado, às 15h

Centro Cultural Jardim Guanabara: 17 de fevereiro, quinta-feira, às 15h 

Centro Cultural Vila Fátima: 19 de fevereiro, sábado, às 10h  

Centro Cultural São Bernardo: 24 de fevereiro, quinta-feira, às 15h  


💻 Informações no Portal Belo Horizonte: https://bit.ly/34f1TUk 


↔️ Mantenha o distanciamento⁣

🧼 Lave bem as mãos⁣

😷 Use máscara⁣

🖼️ Mantenha os ambientes arejados ⁣

@prefeiturabh

@portalbelohorizonte ⁣

#prefeiturabh #culturabh #belohorizonte #bhsurpreendente #visitebelohorizonte #livros #literatura #historias #contacaodehistorias #promocaodaleitura 

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Ticli, o cosmonauta

https://pixabay.com/pt/users/pencilparker-7519217/



Ticli era uma criaturinha interessante. Habitante do complexo Z, da galáxia de Policleto, Ticli sempre sonhara sair de seu planetinha natal, Golonebe. Felizmente, sua sociedade já era suficientemente avançada para ter propulsores de tempoespaço, de forma que, quando a primeira viagem astral foi anunciada, Ticli foi um dos primeiros a se inscrever como voluntário da primeira missão espacial para fora do sistema interplanetário de Golonebe.

Como todo bom zirguiano, Ticli era extremamente otimista e decidido. Passou em todos os testes, cumpriu todas as exigências, fez todos os cursos necessários. Ao fim do processo seletivo, Ticli estava em primeiro lugar.

Apesar da tecnologia avançada e do uso de propulsores subatômcos, a tecnlologia espaçotemporal era ainda recente e os riscos, vários. Ticli seria o primeiro a fazer uma viagem tão audaciosa. A nave era minúscula e comportava apenas um tripulante.

A jornada foi inesquecível. Em seu diário de bordo, o pequeno zirguiano registrou as coisas maravilhosas que viu. Seus enormes, redondos e saltados olhos absorviam tudo com um misto de curiosidade e surpresa.

A nave era simples, quase não cabia o próprio Ticli. Em padrões humanos, ela parecia um cogumelo. No topo, a cabine do piloto.

Em Golonebe, há uma majestosa estátua de Ticli com sua nave. Ele é considerado um herói póstumo, pois jamais retornou. Como se adivinhassem os sentimentos do pequeno viajante espacial, os artistas que esculpiram sua estátua imprimiram em seu rosto de pedra o mesmo olhar de maravilhado assombro do aventureiro cósmico.