| A gente, lendo junto |
Toda sexta, temos na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte a atividade Lendo Junto, marcada sempre para ser realizada às 16h. Alguém da equipe fica à disposição para ler para as crianças que por acaso as famílias (geralmente mães ou avós) levarem para a atividade.
Desta vez, eu era o leitor da vez. Separei um repertório de livros como Boa viagem, bebê! (Companhia das Letrinhas), da Beatrice Alemagna, A Bruxa Salomé, de Audrey e Don Wood (ed. Ática), e O Senhor Cavalo Marinho (ed. Kalandraka), de Eric Carle.
Um pouco antes das 16h, chegaram a Lilia e a Geralda, trazendo o pequeno Antônio. Muito simpático e gentil com todas na Biblioteca, o Antônio cumprimentou a gente e depois seguiu para o espaço do acervo infantil.
Logo que deu o horário, eu me aproximei, falei meu nome (Samuel, cara de papel) e perguntei se o Antônio e sua mãe, Lilia, gostariam de participar do Lendo Junto. A mãe respondeu que estavam lá para isso mesmo. Geralda, a avó de Antônio, estava um pouco afastada, mas disse que também estava lá para participar.
Fomos para o tatame colorido e apresentei o primeiro livro: Boa viagem, bebê. Logo que terminei a leitura, convidei que a gente imaginasse que o bebê protagonista do livro começaria a sonhar. E seus sonhos seriam justamente os próximos livros que eu estava disposto a ler.
Antônio topou. Não apenas isso. Sempre atento e interessado, ele interagiu de forma afetuosa. Passeamos pelos cenários (e cardápio) de A bruxa Salomé”, fomos plateia de “Eustáquio: o Mágico Magnífico (Alexandre Rampazo, ed. Gato Leitor), mergulhamos no oceano com “Senhor Cavalo Marinho” e nos surpreendemos com Gatinho levado! (Adam Stower, Brinque-Book).
Em dado momento, perguntei ao Antônio se ele achava que o bebê já poderia acordar,.ou se ele continuaria sonhando. Ao que ele respondeu prontamente que era para o bebê continuar no mundo dos sonhos. E nas leituras seguintes, sempre que eu terminava, Antônio dizia que o bebé não deveria deixar de sonhar. Dizia: “Eu acho que o bebê não vai acordar e tem que continuar sonhando.”
O Antônio não queria que as leituras acabassem. E isso foi uma das coisas mais lindas que aconteceram comigo nesta semana. Não é a primeira vez que uma criança dá esse tipo de retorno, mas toda vez que acontece, é como se fosse a primeira — e única.
Estou em estado de graça. Encantado com esse momento de conexão e devaneio. Senti que durante a tarde de hoje eu recebi um presente que, com certeza, pretendo carregar sempre junto ao coração.
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