Convergência

O Livro


Convergência é uma seleção de contos que contemplam um período que vão desde a juventude até a meia-idade do autor. As narrativas presentes nessa coletânea passeiam do cotidiano trivial até o mágico e maravilhoso. São tramas diversas, algumas que se propõem bem-humoradas, enquanto outras carregam certo peso dramático. O autor revela em muitos desses trechos um certo desencanto com a mística hegemônica, buscando assim outras formas de espiritualização. 

Há também a exploração de um tom jovial, principalmente nos contos mais antigos, escritos durante a juventude do autor. A dramaticidade também está presente em alguns desses contos, criando assim uma oscilação entre o trágico, o humorístico e o dramático. Apesar disso, nenhum dos textos se propõe sério demais. São exercícios de devaneio e ficcionalização. Há o trabalho com a linguagem, mas o que se busca nessas narrativas é o sonho, a fabulação, a exploração hipotética.

Não é exagero dizer que Convergência luta com o tempo. Através desses contos, busca se tornar a arma do autor contra a arbitrariedade do mundo, da vida, do universo. A imposição da existência de um deus que tudo ordena, que estabelece uma lógica perversa de pecado e punição, torna-se alvo de desconstrução na malha ficcional proposta nessas narrativas.

Uma jovem aspirante a atriz que comparece a uma entrevista de emprego um tanto inusitada. Um rei ganancioso que se esforça para roubar uma poção milagrosa. Um rapaz que tem como objetivo criar o conto perfeito. A relação incomum entre uma pessoa e os pequenos bichos que a cercam. Os contos reunidos carregam uma certa ingenuidade criativa. Especulam sobre a vida, o universo e tudo o mais, se a imaginação humana fosse a essência do divino. Bem, talvez seja, talvez não.


Conheça o Autor

Samuel Medina não é surfista, apesar de ter nascido no Rio de Janeiro. Graduado em Letras pela UFMG, vive entre as montanhas de Minas desde que sua idade contava com apenas um dígito. Considera-se mais do que mineiro e não arredou o pé de Belo Horizonte, onde atua como mediador de leitura na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. Conta histórias, mas jura que elas são todas inventadas, por mais verdades que possam carregar. 

Aos 11 anos, saiu da casca, através do livro “A Grande Guerra” (1993), onde homenageia as principais histórias que formaram seu imaginário. Deixou rastros em antologias diversas. Dentre elas, destaca o livro “Poesia contra a barbárie” (2023), onde gritou contra os horrores do mundo. Foi o único culpado de cometer certos livros para diversos públicos, sendo eles “O Medalhão e a Adaga” (2013), no qual percorreu paisagens fantasiosas, inspiradas no interior mineiro; “Patos Selvagens” (2014), numa tentativa de fazer seu próprio conto de fadas; “A Cidade Suspensa” (2015), com sua visão panorâmica de um inferno celestial; “Uma visita inesperada” (2021), que captura uma relação curiosa entre uma bruxa e a Morte; “Aurora” (2022), no qual vislumbrou o nascimento de um novo mundo e “O Viajante Cinzento” (2023), com sua espada amaldiçoada. Sua última publicação foi “Cicatriz” (2024), com poemas riscados em sua pele exposta. 

Tem um blog, onde se declara “Guardião de Histórias”, mas o endereço eletrônico é segredo.


Confira alguns trechos do livro

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“Fora proferida para morrer. Sobretudo, sem saber se valera à pena! Era esse o maior rasgo que quase a contorcia. Proferida estava. E essa ferida era mais que um simples corte ou arranhão. Era sua dor existencial. Seu crepúsculo. “

*

“Naquele dia, o Menino havia ido ao galinheiro com o dinheiro contado para comprar o frango do almoço. Ele foi atendido por uma mulher esquálida, com um avental contendo um bolso dianteiro, de onde retirava maquinalmente maços de notas e as contava e recontava. Sem olhar para o Menino, disse o preço e esperou que o cliente escolhesse o frango que iria levar.

Com ares de especialista, ele olhou, examinou, ponderou. Até que bateu os olhos em uma galinha já velha, meio capenga, que não botava mais ovos e por isso tinha sido ‘rebaixada’ de posto. O Menino viu aquela galinha no meio de tantos frangos e compreendeu. Sem pensar duas vezes, pediu para levá-la e deixou seu dinheiro com a mulher esquálida.

Ao chegar em casa, levou uma bronca. A Mãe tinha mandado comprar frango novo e não galinha velha! O Menino fez que nem era com ele. Disse que a galinha não iria para a panela. Ela era da família agora e ponto final. Naquele dia, por causa de tanta teimosia, todos comeram chuchu com ovo cozido. A nova integrante da família foi batizada de Carminha.”

*

“Com um pouco de dificuldade, consegui transferi-la para meu dedão direito. E lá ela ficou, quietinha, como se dormisse, ou fingisse preguiça. Uma joaninha indolente, dona de seu espaço.

Fiquei a observá-la, já imaginando como seria, o que deveria fazer com ela. Minha intenção era que ela ficasse em uma das folhas das pequenas árvores que ladeiam a rua onde moro. Mas e a chuva? O vento? E o percurso pela Estação até o ônibus que me levaria ao meu bairro? Uma coisa era certa: eu já me sentia responsável por ela.”

*

“Ela parecia distante, alheia, formal demais. Em determinado momento, desistiu e caiu em pranto: ‘Eu não consigo lembrar quem é ele…’ Enquanto eu, com um copo de suco na mão, sentia o estômago pesado, eu fui, ainda que por um segundo, algo sem existência, um ínfimo espaço nulo, negado.

Consternado, busquei forças para voltar a existir, para me impor no mundo dela, ser alguém de novo. Com suas mãos entre as minhas, eu tentava repetir o gesto que costumava fazer quando criança, seguindo com o polegar e o indicador as marcas da mão dela, segurando com a pontinha a pele, sentindo sua leveza carregada de idade. Ela então, meio que aliviada, disse que estava agora lembrando, enquanto eu ainda parecia não acreditar que havia sido devolvido à existência.”


Como Comprar

Para adquirir um exemplar, basta entrar em contato comigo através do e-mail medina.samuel@gmail.com ou enviando uma mensagem direta no meu perfil do Instagram.

Você pode também adquirir o livro diratamente na loja da editora Toma Aí Um Poema.

A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.

O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.

Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:


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Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.


Contato:

editora@tomaaiumpoema.com.br

@tomaaiumpoema

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