segunda-feira, abril 15, 2013

Lorguth - Parte I de IV


Ir para O Último Capitão - Parte III de III


A noite já ia pelo meio e Keraz estava mergulhada em um mar de fogo, sangue e escuridão. No setor norte da cidade um punhado de bravos guerreiros vendiam bem caro suas vidas. Eram cerca de quarenta homens, número que diminuía a cada momento. Os mais valentes compunham a vanguarda da cerrada fileira de escudos, empurrando com toda energia os invasores. Aldreth havia devolvido o escudo do amo e estava perfilado junto aos poucos arqueiros.
Enquanto desferia golpes com o braço e com a mente, Seridath teve uma estranha sensação de perigo. Olhou para a frente da fileira de guerreiros e viu uma daquelas criaturas nojentas que mudavam de forma. Não pareciam ser mortos-vivos e lutavam com notável habilidade, embora não estivessem em número suficiente para quebrar a fileira de escudos. Eram poucas e estavam caindo, mas a sensação de mal-estar não abandonava o jovem, que virou-se para Balgata e descobriu que o capitão parecia sentir o mesmo desconforto. Uma das criaturas abatidas fez um movimento rápido ao levantar-se e lançar-se contra os homens da linha de frente. A sensação de perigo iminente atravessou o corpo de Seridath como uma corrente elétrica.
Saiam já daí! – gritou o guerreiro.
Mas era tarde demais. O monstro emitiu um urro agudo e explodiu, despedaçando alguns dos guerreiros, deixando os outros como tochas humanas. Aquele foi o limite do desespero para alguns dos sobreviventes, que se lançaram para a morte como loucos.
No meio daquela confusão, Seridath reconheceu o arauto. O rapaz tinha o sabre desembainhado e havia perdido o elmo, mas lutava até bem, com certa elegância, e não parecia temer os monstros sem rosto. Ao perceber Seridath, o arauto gritou:
Senhor, o capitão se recusa a sair, dizendo que precisa defender o perímetro!
Certo – retrucou Seridath, irritado. – Volte para o casarão do prefeito com seus homens. Agora!
Enquanto o arauto cumpria a ordem, Seridath se aproximou de Balgata, que lutava ferozmente e distribuía ordens aos poucos homens que lhe restavam.
Balgata! Capitão! – gritou Seridath. – Temos que recuar! Temos que chegar à casa do prefeito e protegê-la a qualquer custo! Todos estão reunidos lá!
Não tente me dar ordens, maldito! – respondeu o capitão, com violência.
Não há jeito, capitão! O incêndio nos deixará isolados entre o fogo e os mortos! Temos que recuar!
Vamos, homens! Para a casa do prefeito!
Balgata estava fulo da vida. Era difícil, não queria acreditar, mas começava a compreender que era o único capitão ainda em combate. Aquele garoto impertinente parecia ignorar isso, tentando dar ordens em suas costas, disputando com ele a autoridade e pondo em risco a segurança dos soldados. Naquele momento tão conturbado, pensava apenas na sobrevivência de todos. Mais tarde lidaria com o moleque.
Evitaram o cerco de zumbis e seguiram para o centro da aldeia. Um pouco mais e teriam ficado de fora do cinturão de fogo. Agora, Keraz era uma mistura de chamas e ruínas. O plano de Seridath em transformar as casas destruídas em barricadas havia dado certo, já que os mortos-vivos não eram inteligentes o suficiente para ultrapassá-las, tendo que passar por caminhos estreitos. Assim eles se tornavam alvos de flechas e esferas explosivas.
No meio dos casebres em chamas, os guerreiros corriam por suas vidas. Balgata, envergonhado, ouvia ao longe os gritos de misericórdia de alguns de seus companheiros. Ele nunca poderia lavar sua honra depois daquela desgraça em Keraz.
Nesse momento, o capitão precisou do máximo de sua agilidade para escapar da espada recurvada de um daqueles monstros mutantes, que estava em seu encalço. Havia poucos deles dentre os inimigos, mas por serem criaturas vivas e inteligentes, simples barricadas não os impediriam de avançar rumo ao centro da aldeia. Balgata esvaziou a mente, priorizando o instinto, enquanto cruzava espadas com o ser maligno. Seridath estava à direita do capitão e adiantou-se para ajudá-lo a abater seu inimigo. Balgata interpôs-se entre o rapaz e seu oponente, deixando claro que não queria que Seridath interferisse.
O cavaleiro jogou Aldreth contra a parede destruída de um dos casebres e protegeu-o com o próprio corpo. O arqueiro era quase tão alto quanto Seridath, mas não tinha a mesma compleição robusta. O cavaleiro girou Lorguth contra uma outra criatura que surgia à sua direita, de trás dos escombros do casebre. Como esperado, o inimigo bloqueou a espada negra com uma de suas cimitarras e executou o contra-ataque com a outra. Não dava para saber ao certo qual mão era usada, se esquerda ou direita, pois parecia que o inimigo estava de costas e que apenas sua cabeça mantinha-se voltada para Seridath. As articulações dos cotovelos também pareciam invertidas. O inimigo soltou uma risada estridente, partindo contra o cavaleiro com as duas lâminas descendo e cruzando-se em diagonal.
Trocaram uma sequência rápida de golpes. Esse curto embate garantiu ao cavaleiro um talho superficial na face esquerda, um corte um pouco mais profundo no braço direito e uma dor aguda na coxa esquerda. Mas ele ainda não havia atingido o inimigo.


Continua...

Um comentário:

Neriana Rocha disse...

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