sexta-feira, abril 19, 2013

Memórias da Emília - Faça sua própria história!


Fonte: divulgação
A relevância da obra do escritor Monteiro Lobato para a literatura, sobretudo a infantil, é indiscutível. Homem polêmico e arrojado, Lobato usava do universo mágico do.Sítio do Picapau Amarelo para dar vazão a suas ideias tão controversas. Já tratei aqui sobre um de seus livros, "O Saci", que aborda de forma ímpar o folclore brasileiro, dando ao mesmo contornos literários, usando a cultura popular como matriz para uma grande aventura mítica.

Contudo, a saga do Picapau Amarelo vai muito além. Todos sabem que a personagem mais famosa de Lobato é justamente Emília, a boneca de pano. E não é difícil imaginar o porquê. Nela o escritor insere todo o seu espírito crítico, tão mordaz e implacável. Emília é sobretudo uma alma livre, e que abusa dessa liberdade sem medir consequências. A boneca é geniosa e impertinente, mas também é genial e encantadora. Nascida muda e feia, de um pedaço de uma saia velha de Tia Nastácia, ela vai lentamente evoluindo, conquistando de forma gradativa seu lugar. A princípio, era Narizinho, sua dona, que decidia seu destino. Aos poucos, porém, Emília alcança sua independência, jamais abandonando seu caráter combativo.
A busca de Emília por se fazer plena como indivíduo a conduz à decisão de escrever suas "memórias". Esperta como ela só, a boneca emprega ninguém mais que o Visconde de Sabugosa como mão-de-obra. O sábio sabugo protesta, negaceia, mas por fim tem que ceder. Afinal, Emília é impossível.

E apesar do Visconde ser obrigado a empenhar a mão e a pena, Emília a todo momento supervisiona o trabalho, até o momento que ela decide interferir. Põe o Visconde de lado e dá prosseguimento ao relato. O Visconde, ao ver que Emília escrevia sobre uma viagem a Hollywood, nunca ocorrida, tentou contestá-la, dizendo que memórias não podiam ser inventadas. Com muita presença de espírito, a boneca retruca que as memórias eram dela. Ou seja, ela tinha toda a liberdade para decidir o que era real ou não.

Através de Emília, Lobato aborda questões profundas como a formação da identidade, a fragilidade do discurso histórico e a relação, muitas vezes conturbada, com o diferente. Emília não deseja que suas memórias contribuam para a construção de uma imagem positiva, mas busca uma maior correspondência com o que a boneca vê de si mesma e do mundo. Para Lobato, Emília é mais que uma personagem cativante. Ela expressa o ideal do autor de que toda criança seja protagonista de sua história, senhora de seu destino.

Emília certamente não seria um pessoa fácil. E quem disse que a literatura infantil tem que ser fácil? É através da boneca que Lobato busca falar com a crianças em seu tom mais pessoal, revelando todos os seus paradoxos. Pois era assim que Lobato também via as crianças, como pessoas fascinantes, repletas de energia e de possibilidades.

Editora: Brasiliense
ISBN: 8511190147
Ano: 1994
Páginas: 60


3 comentários:

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nerito!

Emília é e sempre foi minha personagem preferida do Sítio. Quando eu era pequena, eu tinha não uma,mas 2 bonecas da Emília, uma pequenininha e outra maior. A grande eu levava para todo lugar, a coitada ficou toda esfarrapada e acabou com somente 3 fios do cabelinho de lã.

Beijos!

Dora Delano disse...

Emília é realmente apaixonante!

Neriana Rocha disse...

Adoro todas as histórias do Monteiro Lobato. E essa não parece ser diferente. A Emília marcou a vida de muita gente.

Beijos!

Café com Leituras!
http://cafecomleiturasneriana.blogspot.com.br/