quarta-feira, abril 10, 2013

InFelicianos

O texto abaixo foi postado originalmente no Facebook. Contudo, por causa de sua repercussão, resolvi fixá-lo aqui, no meu espaço mais precioso. Além disso, eu havia cometido alguns erros e português e o Facebook não nos deixa editar o status. Este é o meu canal, o lugar da minha voz. Por isso acho imprescindível que o desabafo em questão fique em seu lugar de direito. 
Para aqueles que não acompanharam a discussão, meus comentários se originaram principalmente da notícia sobre dois missionários brasileiros presos em Senegal há cerca de cinco meses. Felizmente, o habeas corpus para ambos foi expedido e por isso eles podem aguardar o julgamento em liberdade.


Como havia comentado com uma amiga, estou chocado com a situação dos brasileiros em Senegal. Mas o que me deixou mais aturdido é a forma como eles estão sendo julgados pelos próprios leitores e internautas brasileiros por causa do adjetivo "missionários". 

Quem vê meus comentários aqui sabem que não gosto de ser polêmico. Acho que polêmica é babaquice. Antes que atirem pedras contra mim, já explico. Barulho por barulho é algo vazio. Quando gritamos demais alguma coisa ela perde o sentido. Nossas ações é que contam. E o ativismo da internet muitas vezes se resume a isso: grito.

E o pior de todo esse grito é que os discursos estão se radicalizando. A galera do Feliciano o considera um herói e ele fica expelindo comentários homofóbicos, racistas e machistas da pior ordem (como por exemplo dizer que beijo entre mulheres seria mais aceitável) e se achando o porta-voz de Deus. E muitos evangélicos dão força a essa atitude, reforçam seus preconceitos e colocam o Feliciano no mesmo patamar que Jesus. 

Do outro lado, a luta para tirar o Feliciano acaba promovendo uma outra radicalização: pessoas que começam a pensar que evangélico é tudo homofóbico e racista. Largar o conforto no Brasil para fazer obra social em Senegal não é ser etnocêntrico. Não é ser racista. É tentar mitigar minimamente o que os católicos e evangélicos europeus e norteamericanos fizeram (e ainda fazem) solapando todo panorama étnico, simbólico, cultural e econômico do continente africano. 

O que me deixa chocado é que pessoas estão fazendo os piores comentários nas notícias, julgando esses missionários por serem cristãos evangélicos. Acusando-os de etnocentrismo e os chamando para buscar ajuda dos "felicianus". Eles não entendem que estão fazendo a mesma coisa que tanto criticam quando ficam sabendo de algum evangélico fundamentalista que incendiou um templo indígena. Eles estão reforçando preconceitos.

Por isso, faço um apelo. Você, que é evangélico, procure alguém que você conheça que seja gay. Converse com ele sobre tudo. Conheça-o. Vá à casa dele, coma de sua comida, chame-o para ir à sua casa. E fale de religião se ele te pedir. Fale de certo e errado se ele te pedir conselhos. 

Mais uma vez, por favor, não fale de religião, de certo e errado com ele. Ele sabe o que quer e se ele estiver feliz com isso, contente-se em estar feliz com ele também. 

Ah, e você, não evangélico, que acha que todo "crente" é fundamentalista, preconceituoso, homofóbico e tudo o mais, faça o mesmo. Converse, dialogue. 

Eu amo meus amigos gays. São como irmãos para mim. Fico feliz com a felicidade deles e absolutamente não sou contra sua orientação sexual. Se eles querem conselhos, tento dá-los da melhor maneira. Contudo, eu tenho a plena consciência que eles são adultos, crescidos, maduros e sabem muito bem o que é certo e errado. Não precisam de alguém preconceituoso para tentar enfiá-los em camisas de força.

Continuo contra a presença do Feliciano na presidência da CDHM. E acho que todo o quadro de deputados deveria ser renovado. Que cada um de nós faça um esforço mínimo para se politizar de forma positiva, não votando nos políticos que lá estão e escolhendo os candidatos que tenham uma coerência entre discurso e ação. Pois foram esses deputados que colocaram o Feliciano lá. Eles também devem sair.

Vamos continuar dizendo que o Feliciano não nos representa, mas entendendo que o deputado e pastor Marco Feliciano não representa sequer os evangélicos que ele diz representar.



2 comentários:

Tamires Cipriano disse...

Ei tudo joia?
Dando uma rápida passada aqui...
Muito bom e você melhora cada dia mais ^^.
Bjus!

Tamires Mirele disse...

Olá, Nerito!
Tudo bem! Espero que sim!
Tem uma Tag para você em meu blog.
Bom fim de semana!
Beijos...