quinta-feira, setembro 28, 2023

Leve um escritor para falar na sua escola



Meu nome é Samuel Medina. Sou escritor e contador de histórias. Atualmente, tenho seis livros publicados, entre obras infantis e juvenis. Tenho um longo percurso como mediador de leitura, realizando oficinas literárias em bibliotecas, escolas e centros culturais.

Atuo como mediador de leitura na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. Nela, estou presente atendendo o público leitor, oferecendo dicas de leitura, mediando oficinas diversas e, é claro, contando histórias.

Tenho o interesse em visitar escolas, contando histórias e falando de meu percurso como escritor. Meu primeiro livro foi publicado quando eu tinha apenas 11 anos. Desde então, não parei de contar histórias, seja profissionalmente, como servidor público da área de cultura, seja como voluntário, visitando hospitais, creches, asilos, entre outros espaços de convivência.

Minhas obras publicadas são: 

O Medalhão e a Adaga (Multifoco, 2013)


Bildan é um jovem que perdeu seus pais ainda na infância, tendo crescido sem saber muita coisa sobre suas origens. Porém, tudo muda quando ele encontra uma misteriosa garota e um livro mágico, com uma mensagem secreta. Assim, o rapaz deverá atravessar uma terra repleta de magia e perigos, numa jornada desafiadora, rumo a grandes revelações sobre seu passado e sobre o sentido de sua existência.

Patos Selvagens (Baobá, 2014)


Há muitos mistérios sobre um lago assombrado pela imagem de uma bela jovem. Quando Nerito, um corajoso aventureiro, passa a se envolver com este enigma, decide lançar-se em busca de respostas. Qual será o seu destino? Acompanhe Nerito nesta emocionante jornada.

A Cidade Suspensa (Senhor da Lenda, 2015)


Kain, um misterioso viajante, chega à Cidade Suspensa com um objetivo secreto. Conseguirá ele vencer as forças que atuam na Cidade Suspensa e alcançar o que almeja? Acompanhe a enigmática viagem deste solitário estrangeiro.

Uma visita inesperada (A Mascote, 2020)


Mafalda é uma bruxa que gosta de cantar. E canta tão bem, que recebe uma visita que passa dias ouvindo sua música. Uma visita que, mesmo inesperada, vem para todos nós...

Aurora (Letramento, 2022) 


Em Aurora, acompanhando o narrador, Arthur, em sua jornada de descobertas e mistérios, o leitor é convidado a testemunhar essas transformações, enquanto um enigma ainda maior se descortina. A cada nova experiência, uma grande verdade é revelada. Conseguirá Arthur contar sua história?


O Viajante Cinzento (Letramento, 2023)


O Viajante Cinzento é uma obra de fantasia medieval, situado em um mundo mágico, com suas próprias regras e magia. Enquanto uma terrível maldição assombra o reino, Seridath se verá diante de um dilema: quem comanda quem? Será ele o mestre da espada ou apenas a sua marionete?


E então, vamos conversar? Entre em contato pelo e-mail neritosamedi@gmail.com para pedido de livros e convites para apresentações.




segunda-feira, setembro 25, 2023

A grande arte - Uma jornada de ação, erotismo e suspense



Mandrake é um advogado incomum. Ao invés de se ocupar em defender a as causas que assume, ele passa o tempo envolvido em conspirações, metendo o nariz onde não é chamado e se envolvendo com diversas mulheres.

O caso mais pitoresco que o advogado assumiu é a busca de uma fita de vídeo cassete, que parece matar todos aqueles que se envolvem com ela. Tudo começa com a narração da morte de uma prostituta. Seu assassino, após matá-la apertando-lhe o pescoço, escreve em seu rosto com uma faca a letra "P". Em seguida, um misterioso homem chamado Roberto Mitry comparece ao escritório de Mandrake e de seu parceiro, Wexler, solicitando que eles intermediassem a recuperação da fatídica fita cassete.

Curioso com a pessoa de seu cliente e com as circunstâncias envolvendo as mortes das supostas detentoras da fita, Mandrake se lança numa espiral de violência, loucura e vingança. Além de muito sexo.

A grande arte, livro de Rubem Fonseca, nos leva a uma narrativa estilo romance policial, em que os culpados são muitos, talvez até mesmo você, leitora ou leitor. A violência é crua, a linguagem direta e o estilo repleto de referências refinadas, embora bruto na linguagem.

Mandrake é um verdadeiro canastrão. Seja com seus charutos, seus vinhos ou suas paqueras, ele parece passar por todos os perigos incólume, ou quase. A morte parece amá-lo tanto quanto as mulheres, bem como o perigo.

Outra personagem importante é Camilo Fuentes, o boliviano indígena, grande e forte, dotado de um ódio frio contra o mundo, sobretudo contra brasileiros. Fuentes entra na narrativa como antagonista de Mandrake e alvo de sua vingança, até alçar-se ao grau de (anti)herói e improvável aliado.

Além de Camilo Fuentes, há um tritagonista nessa narrativa. Este é Thales de Lima Prado, um financista que também é chefe do crime organizado. É através dos supostos cadernos de Lima Prado que Mandrake completará a intrincada e enigmática narrativa, onde todos são suspeitos e ninguém é inocente.

Não posso me esquecer de mencionar também de José Zakkai, o Nariz de Ferro, que entra em guerra contra Lima Prado e vem a ser um improvável mas valioso aliado de Mandrake.

Há um problema de datação no texto, levando-se sem consideração que o mesmo foi publicado no início da década de 1980. Ainda assim, é muito incômodo ler Mandrake chamar pessoas pretas de crioulos ou menosprezar e caricaturizar a homossexualidade.

Apesar dessas questões delicadas, A grande arte foi uma jornada interessante. Uma leitura ágil e revigorante, uma narrativa repleta de ação, erotismo e suspense, onde no final suspeitamos de todos, até de nós mesmos.


Ficha Técnica

A Grande Arte

Rubem Fonseca

Ano: 1983 

Páginas: 296

Idioma: português

Editora: Francisco Alves


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-grande-arte-2401ed105755.html

quinta-feira, setembro 21, 2023

Raiva, Riso e Rima



No dia 25 de agosto de 2023, pela manhã, tivemos pela Biblioteca Pública Infantil e Juvenil a oficina Raiva, Riso e Rima: Construindo e Desconstruindo Pensamentos. Eu e o Wander Ferreira fomos os mediadores. O nome da atividade foi inspirado em um poema de Paulo Leminski. A oficina aconteceu no auditório do Centro de Referência das Juventudes e contou  com as presenças dos jovens da ASSPROM e da Rede Cidadã. 

Começamos perguntando o que é poesia. Uma jovem respondeu que é "toda forma de expressão". Gostamos da resposta e falamos que tudo que nos toca é ou tem poesia, seja um quadro, uma animação, um texto ou uma música.

E por falar em música, desde que os seres humanos se reuniam em pequenas comunidades e desenhavam nas pedras, a música já existia e, com ela, a poesia. Falamos da diferença entre poema e poesia, sendo aquela a forma textual e a outra a qualidade de arte que lhe confere o caráter de objeto artístico.

Abordamos a dicotomia entre literatura erudita e a popular, com as formas poéticas das Belas Letras, sendo alguns exemplos o soneto, a elegia, o epitáfio, o madrigal. Comentamos das exigências de rimas e métrica, com versos decassílabos, por exemplo.

Lemos alguns poemas para ilustrar a musicalidade que eles carregam. Em seguida, convidamos todas e todos a manusearem os livros que dispusemos na beira do palco. Eram alguns livros de poesia da Biblioteca e outros emprestados pelo Rodrigo Teixeira, que também contribuiu com o conteúdo da oficina e sua metodologia.

Depois que vários jovens leram em voz alta poemas dos livros, passamos à parte em que eles escreviam e em seguida compartilhavam seus textos com todo mundo. Todos participaram. Foram momentos de muita poesia! 

Considero que a oficina em questão foi um sucesso, com ampla participação, tanto dos jovens quanto dos monitores da ASSPROM e da Rede Cidadã. Esse evento foi parte da Semana das Juventudes.


segunda-feira, setembro 18, 2023

Capitão Fall celebra a discórdia, a maldade e a estupidez



A sexy e letal Liza Barrel tem um problema. Coordenando uma operação criminosa à bordo de um cruzeiro, ela precisa encontrar um bode expiatório perfeito para ser responsabilizado por todas as atividades ilegais sob sua autoridade. Já tentou vários excelentes capitães de cruzeiro, mulheres e homens talentosos que foram por fim presos e misteriosamente se mataram na prisão. Agora, ela procura alguém com o mínimo de qualidades. Uma espécie de anti-capitão, o pior aluno da história de todas as escolas de comando de cruzeiros.

Capitão Fall, animação da Netflix tem uma premissa simples: Jonathan Fall serve de testa-de-ferro para as operações criminosas comandadas pelo sombrio Sr. Tyrant e sua equipe. Fall é um fracassado capitão de cruzeiro e aproveita ingenuamente a oportunidade de comandar um cruzeiro.

Fall é estúpido, mas não apenas isso. É claramente uma pessoa com deficiência cognitiva. Espertos, apenas os vilões. Até mesmo a polícia da unidade especial que investiga os atos criminosos que ocorrem no cruzeiro Rainha do Caribe é estúpida e obtusa. 

A narrativa não faz muito sentido em certos pontos se levarmos em consideração que todas as personagens são odiosas e estúpidas. A própria Liza Barrel, interesse romântico de Jonathan Fall, por vezes parece querer matar envenenado o protagonista, por vezes parece comovida com o tratamento que a família do capitão dava a ele. Porém, ela não parece, em momento algum, comovida ou arrependida pelos atos monstruosos que encabeça junto com Pedro, Nico e os demais capangas do Rainha do Caribe.

A animação é extremamente violenta. Talvez seu trunfo seja a ironia. Porém, eu sinceramente não quero viver em um mundo em que sejam possíveis as atrocidades operadas em Capitão Fall.

domingo, setembro 10, 2023

O Carvalho



Pense em um lugar mágico. Um lugar Encantado. Uma Floresta, cheia de animais, repleta de vida. Dentro dessa Floresta existe uma colina e no alto dela um Carvalho. Nas noites de luar, seres mágicos se reúnem ao pé do Carvalho e dançam, cantam. É possível dizer que o Carvalho parece balançar com o vento no ritmo das cantigas.

Mas o que poucos sabem é que há muitos e muitos séculos essa Floresta foi um deserto. Um lugar inóspito, que separava alguns reinos. Um desses reinos era ocupado por magos, sábios, que criaram uma poção mágica. Com apenas uma gota, essa poção era capaz de fazer brotar uma plantação, um pomar ou mesmo um lindo jardim.

Essa poção despertou a ganância de um impiedoso rei, que reuniu um enorme exército. Este rei atravessou o deserto, invadiu o reino dos magos, destruindo tudo o que tocava e roubando a poção. Afinal, quem a tivesse seria declarado o dono do mundo. 

O rei então retornou pelo mesmo caminho que viera. Quando seu exército estava cruzando o deserto, ele descobriu uma conspiração de seus generais, que queriam roubar a poção e matá-lo. Com apenas um cavalo e poucas provisões, o rei decidiu fugir, para salvar sua vida.

Dias depois, ele se viu sem saída. Seu cavalo estava morto e ele, faminto e andrajoso, estava sobre uma colina, ponderando sobre seus atos. Observou o deserto e ponderou de que havia adiantado tanta ganância se agora ele morreria sem alcançar suas ambições?

Ele então olhou para o frasco em suas mãos onde estava a poção e pensou que, ao bebê-la, conseguiria alguns dias de vida. Então destampou o frasco e bebeu toda a poção.

Sentiu uma nova energia a atravessar seu corpo. Achou que seria capaz de atravessar vários desertos. Mas ao dar o primeiro passo, não conseguiu se mexer. Estava preso ao chão. Seus pés e pernas eram raízes. Seus braços eram galhos. Seus cabelos, folhas. Não era mais um homem, era um Carvalho. 

E o Rei-Carvalho observou por todos os anos a poção fazer efeito também nos vales do deserto, onde inúmeras plantas cresceram e a vida retornou com energia. Nos primeiros anos, ele considerava tudo aquilo como uma punição pela sua loucura e ganância. Mas após séculos de vida naquela floresta encantada, após ser várias vezes surpreendido pela vida, ele passou a acreditar que na verdade havia recebido uma dádiva divina e imerecida, dada a um homem que nunca havia aprendido o que é ter os pés no chão. 

A composição do Romance




Como fazemos todas as terças-feiras, tivemos mais um encontro da Prosa Poética: Oficina de Escrita Criativa. Alguns encontros atrás, ficou a meu encargo falar sobre a composição do Romance. Comecei falando do Romance como gênero literário, sua consolidação no século XIX e do porquê de narrativas longas serem chamadas desse termo, Romance. Falei também de minha leitura do livro do Haruki Murakami, Romancista como vocação. Contei que Murakami tinha um bar de jazz e pouquíssimo tempo para escrever. Ele então escrevia na cozinha, de madrugada. Assim ele redigiu seu primeiro livro, mas não gostou nada do resultado. Resolveu escrever um segundo, mas este em inglês, que ele dominava instrumentalmente. Depois de terminar o livro, ele o traduziu para o japonês e gostou do resultado. Inscreveu a obra em um concurso de uma revista literária e ganhou o prêmio de autor revelação.

Murakami também aborda a importância do escritor romancista ter uma rotina de trabalho. Além disso, ele aponta ser fundamental o romancista fazer exercícios, para aguentar horas e horas de trabalho, escrevendo.

Apontei novamente a questão dos equívocos que fazemos ao usar o termo romance. Trata-se de uma narrativa longa, consolidada no século XIX, no auge do Romantismo. Daí histórias românticas serem chamadas de romance, mas nem todo romance é uma narrativa de amor. Dei como exemplo o romance policial e o romance de fantasia.

Como escritor de romances juvenis de fantasia, contei sobre meu processo de escrita. Expliquei que antes de começar a escrever O Medalhão e a Adaga elaborei um questionário sobre um arqueiro que praticava magia. Eu precisava então responder tal questionário: Quem é o Arqueiro? Onde ele nasceu? Quem são seus pais? O que aconteceu com ele? Assim, respondendo a essas perguntas, fui compondo o texto inicial do romance.

Contei sobre o fato desse estilo literário, ser denominado, em inglês, por Novel e que, de certa forma, a novela televisiva é filha dos romances literários, da mesma forma que as atuais séries. 

Comentei sobre o folhetim, que era a forma dos romances apresentados ao público serem inicialmente publicados nos jornais, uma parte do texto a cada dia ou a cada semana. Não se sabe ao certo se o autor tinha o livro pronto e ia  publicando partes nos jornais, ou se o escritor começava um romance de folhetim e publicava num jornal esse início, sem fazer ideia do desfecho. Existia a necessidade de se criar um fato novo a cada publicação no jornal, bem como terminar deixando um assunto em aberto como forma de manter o leitor interessado na continuidade. Quando se fazia sucesso o folhetim era reunido e publicado em livro.

Por fim, convidei todos os presentes a pensarem num trecho de romance e a escreverem cada um o trecho imaginado. A ideia era trabalhar com o fragmento, tendo a noção de romance como objeto provocador. Em seguida, compartilhamos nossos escritos, lendo uns para os outros e comentando as leituras. Foram produzidos textos muito interessantes.

Fica também o convite a leitoras e leitores que pensem nos seus romances e os escrevam. E para quem mora em Belo Horizonte, deixo o convite de frequentar os encontros da Prosa Poética: Oficina de Escrita Criativa.

Atualizado em 14/09/2023, com contribuições do Augusto Borges.

quinta-feira, agosto 31, 2023

Crianças do Centro Cultural São Bernardo criam seus "mundos particulares"


Dia 31 de agosto, quinta-feira, compareci ao Centro Cultural São Bernardo para mediar a oficina "Um mundo só pra mim". Foram 18 crianças atendias, além de 3 mediadores da Escola Integrada. Comecei falando sobre coleções, perguntando se algum deles colecionava algo. Figurinhas de futebol, camisas de times e moedas antigas foram algumas respostas. Falei sobre quando a gente arruma nossas coleções, gosta de manuseá-las e mostrar para outras pessoas. Assim, apresentei o livro Um universo numa caixa de fósforos, do Alexandre Rampazo e da Cátia Chien. Fiz a leitura do livro, que conta de Maximiliano, ou Max, e sua incrível caixa de fósforos, que guarda coisas maravilhosas. Todo dia ele mostra para os colegas sua espantosa coleção. Até o dia em que aparece um menino com uma caixa de sapatos e uma coleção tão incrível quanto a de Max. Com isso, o protagonista vê sua supremacia ameaçada. 

Os dois meninos duelam, comparando os objetos de suas coleções. Até o momento em que Max, usando seu truque de guardar coisas enormes em lugares pequenos, aprisiona o menino da caixa de sapatos dentro da caixa de fósforos.

A vitória, porém, não traz satisfação a Max e ele chega em casa pensativo e acabrunhado. Sua mãe entra em seu quarto e vai consolá-lo, deixando-lhe um beijo. E quando Max tenta guardar o beijo dentro da caia de fósforos, vê que ele é grande demais para caber ali.

A história termina com Max iniciando uma nova coleção, mas agora de sentimentos.

A narrativa rebuscada e caprichosa de Rampazo mistura fantasia e realidade, criando um texto onírico e alegórico. Os desenhos de Cátia Chien são uma arte maravilhosa, que realça o clima de sonho que domina a narrativa.

É um trabalho primoroso dos dois artistas, com imagem e texto dançando graciosamente uma valsa onírica.

Depois de ler com as crianças, conversei com elas sobre aquilo que a gente tem e que cabe todas as coisas, até mesmo aquelas que não foram criadas. Trata-se da imaginação. Convidei-as então a usar a folha de papel para criarem seus mundos, expressando-os em texto ou imagens. Um menino, por exemplo, fez uma lista de tudo o que ele gostaria de colecionar. Outro colocou em seu universo particular a paisagem de Dubai. Teve aquela menina que fez um cenário cor-de-rosa com arco-íris e unicórnio e aquele que criou um mundo só de monstros.

Por fim, fui olhando os trabalhos e registrando alguns em fotos. Agradeci a participação de todas as crianças e nos despedimos. Senti a falta de um momento de compartilhamento das criações. Creio que posso fazer isso em outras oportunidades. 

Fica aqui meu agradecimento à Mônica Malaquias, bibliotecária do Centro Cultural São Bernardo e à Bete, que muito me ajudaram, com um acolhimento carinhoso e preparando o espaço com todo esmero. 

Ficha Técnica

Um mundo só pra mim

Momento de leitura do livro "Universo numa caixa de fósforos", de Alexandre Rampazo e desenhos de Cátia Chien, seguida de atividade criativa em que as pessoas serão estimuladas a criar seus "mundos particulares". 

Público: Geral

Mediação: Samuel Medina

Data: 31 de agosto de 2023, às 9h30








segunda-feira, agosto 21, 2023

O lançamento de "O Viajante Cinzento" na virada Cultural


O lançamento do livro O Viajante Cinzento na Virada Cultural foi um sucesso, apesar dos percalços. Os percalços ocorreram, primeiramente, por conta das questões de divulgação. Quando consultei a programação oficial, constava o lançamento do livro para o meio-dia. Bem, pensei que seria um horário ingrato, por conta do almoço de domingo. Porém, achei melhor relevar e comecei a divulgação do evento. Porém, dois dias antes do evento, quando fui conferir novamente a programação, ela havia mudado sem nenhum aviso prévio para às 10h. Respirei fundo, tratei de atualizar meus contatos sobre a mudança e fiz um comunicado no Instagram, como aviso.

Acontece que, no sábado, recebi uma mensagem da produção da Virada pedindo-me para chegar às 8h, para um lançamento conjunto. Fiquei meio desesperado mas pensei que, afinal, às 10h eu ainda estaria lá e receberia as pessoas que chegassem no horário que eu havia informado. Ainda assim, fiquei tenso. A programação previa uma apresentação de hip-hop às 11h. Sendo assim, deveria receber todo mundo até esse horário.

Acabei chegando tarde no domingo, por conta das vias fechadas para a Virada. Cheguei às 8h20 no local do lançamento. Havia um aglomerado de pessoas e a maioria estava lá para um piquenique literário, evento da Secretaria Municipal de Educação. Não havia ninguém da produção para me receber e também faltava mobiliário para colocar os livros. Só mais tarde, quase às 9h, encontrei uma pessoa da produção, que informou que as mesas e cadeiras seriam disponibilizadas em breve.

Felizmente, encontrei um amigo, o mediador de leitura Paulo Fernandes, que me fez companhia e com quem conversei sobre livros e experiências de mediação. Foi um momento muito bacana. Enquanto a gente papeava, aproximou-se a Aguida Alves, que foi a primeira pessoa a adquirir meu livro. A segunda, foi a amiga e parceira Soraia Magalhães. Em seguida, outras pessoas foram chegando, como o Marison Lacerda (representando a companheira dele, Samantha Vilarinho), o Tiago Ferreira, a Marluce Cerqueira, a Aline Cântia com o Fernando Chagas, a Áurea Leite com a Marly Alves Rezende. Uma nova amiga, a Andreia Lopes, chegou para me prestigiar e isso muito me alegrou. A Soraia Magalhães trouxe consigo a Cláudia Alves, que adquiriu um exemplar para o seu irmão.

No fim, eu que havia levado dez exemplares estava com nenhum. Além disso, sentia-me pleno de felicidade por tantas amigas e amigos terem comparecido ao meu lançamento. A todas essas pessoas queridas, meu muito obrigado!

quarta-feira, agosto 16, 2023

Finalmente! "O Viajante Cinzento" será lançado na Virada Cultural



Faz tempo que estou desejando anunciar isso aqui, mas ainda não tinha a confirmação. Porém, após sair a programação oficial da Virada Cultural de Belo Horizonte, tenho a alegria de avisar que finalmente O Viajante Cinzento será lançado!

A Virada Cultural é um evento de vinte e quatro horas de atrações diversas. Como não poderia faltar a literatura, atividades literárias foram organizadas no chamado Espaço Cine. O lançamento do meu livro será a última de uma série de atividades previstas neste espaço. O Espaço Cine estará próximo ao teatro Francisco Nunes.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o meu livro, segue a sinopse:

Em meio a uma maldição de mortos-vivos, surge um homem sombrio. Vestido por um manto cinzento, este jovem, cujo nome é Seridath, tem como espada a poderosa Lorguth. Mas, num misto de poder e capricho, Lorguth resiste às vontades de seu portador. Ela é sanguinária e ambiciosa. Quer provar do sangue e de almas de grande poder.

Seridath, o Viajante Cinzento, descobre que o caminho para a glória não é fácil como antes lhe parecia. Ele deverá usar de toda a sua força de vontade para colocar Lorguth em seu lugar e alcançar a fama e a glória que tanto almeja.

O Viajante Cinzento é uma obra de fantasia medieval, situado em um mundo mágico, com suas próprias regras e magia. Enquanto uma terrível maldição assombra o reino, Seridath se verá diante de um dilema: quem comanda quem? Será ele o mestre da espada ou apenas a sua marionete?


Atualização: O horário do lançamento foi adiantado para às 10h da manhã.

Serviço:

Lançamento do livro O Viajante Cinzento - Virada Cultural BH 2023

Data: 20 de agosto de 2023

Hora: 10h

Local: Espaço Cine (Próximo ao Teatro Francisco Nunes - Parque Municipal Américo Renné Giannetti)


Por Ana Faria


quarta-feira, agosto 09, 2023

Retorno ao lugar do afeto

Foto: Flávia Paixão


Eu havia publicado neste post um texto de despedida da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Em outubro de 2022 eu retornei a esse lugar que eu amo tanto. Só hoje eu me toquei que não fiz um post contando sobre esse processo de retorno.

Enfim, estou de volta. Fiquei cerca de três anos como apoio técnico na Gerência de Bibliotecas e Promoção da Leitura e da Escrita - GBPLE, onde realizei ações ligadas ao meu cargo de Técnico de Nível Superior - Literatura. Estive dando apoio ao Prêmio Cidade de Belo Horizonte e também ao Concurso João-de-barro. Estive em atividades do FLI-BH e circulei pelas Bibliotecas dos Centros Culturais, dando oficinas literárias e contando histórias.

Durante todo esse período eu nunca perdi de vista a vontade de retornar à BPIJ. Em nenhum outro lugar, em nenhuma outra função eu tive a mesma satisfação que vivenciei enquanto atuava nesta Biblioteca. Com isso, comecei um diálogo em busca do meu retorno.

Aqui na Biblioteca eu fico principalmente no balcão, realizando a novos cadastros, fazendo empréstimos, devoluções e renovações. Além disso, presto apoio à programação, atendendo a visitas mediadas, lançamentos de livros e demais atividades. Contudo, continuo circulando pela rede de Bibliotecas, com oficinas e narração de histórias, e prossigo dando apoio técnico aos Concursos Literários.

Posso dizer por fim que retornei ao lugar do afeto. A um espaço que considero ter um carinho enorme e onde eu sempre me encontro ao virar de cada página. Espero poder continuar aqui prestando o melhor serviço que puder oferecer à comunidade de Belo Horizonte e região. E que possam sempre contar comigo, tanto a equipe quanto frequentadores, para tudo o que estiver em meu alcance.

segunda-feira, julho 24, 2023

Poetizando

Quando quero escrever poesia

meu corpo explode em mil pedaços

Minha mente se estilhaça sutilmente

A vontade é apenas de ser luz.


Mas essa dor que me rasga o peito

não deve ser poesia, não pode ser

O que é então que me sacode

qual presa na boca do predador?


Não sei o que me acomete

quando quero escrever poesia

Sei apenas do fino desejo

que me corta igual navalha.


Não, poesia não é isso.

Eu nem tento me perder em sentidos

Sigo trôpego o caminho escondido 

e vencido lanço minha alma ao caos.

sexta-feira, julho 07, 2023

Conversa de contar

https://pixabay.com/pt/users/joseluism-5244915/


Era uma tarde para se perder dentre tantas outras. Um menino silencioso e franzino entrou na sala e se deparou com o homem sentado no sofá, com um livro aberto. Era a história de um principezinho que se perdia entre tantos planetas e perguntas. O menino, por uns instantes, examinou o rosto do homem, tão mineral, como que talhado em rocha. Era um rosto forte, uma feição que o menino queria para si. E agora seu rosto demonstrava total concentração na leitura. Embevecido, o menino admirava tanta dedicação ao silêncio. Não imaginava que esse silêncio era aparente; no interior do homem, um mundo de palavras acontecia.

Querendo apenas compartilhar daquela calma, o menino se achegou ainda mais ao homem e sentou-se ao seu lado. Deixou-se ficar, a curtir a ausência. Era como se apenas estar lá já o fizesse cúmplice daquele ato tão íntimo, a leitura. Era também uma forma clandestina de acompanhar a silenciosa incursão do homem pelo texto.

E subitamente, ciente da presença do menino, o homem decide ler em voz alta. Era a passagem em que raposa e príncipe estabelecem os termos de sua relação, em que cada um se torna responsável por aquele que cativa. E ambos, cativos um do outro, começam a ver em tudo mais riqueza e sentido, por ver no mundo ao redor os traços de seu companheiro.

Enquanto príncipe e raposa se despediam, o menino sentiu um fogo tremendo queimar em seu peito. Sem que pudesse impedir, lágrimas brotaram de seus olhos. Como os dois cativos da história, o menino também chorava, cativo da voz do homem e da própria história que se desenrolava no momento. Ou melhor, histórias.

Homem e menino nunca trocaram uma palavra sobre o que acontecera naquela tarde. A leitura foi interrompida e cada um mergulhou em seu melancólico silêncio. Seguiram seus caminhos. Ambos, porém, nunca mais foram os mesmos. Entre eles um acordo tácito fora firmado. Afinal, muito aprenderam nessa conversa em que as vozes não eram deles. Homem e menino; príncipe e raposa.

sexta-feira, junho 16, 2023

A Carta Que Ninguém Vai Ler 4

Quero romper o esquife. Quero buscar as alturas. Crescer, tornar-me pleno, galgar os ares. Estou como morto, mas revivo. Renasço. Ou, pelo menos esta é minha vontade. Tornar-me criatura alada. Sublimar a dor e renascer.

Sinto em minha boca o sabor do pó da terra. Estou no chão, nu e ferido. Quase morto. Sofri o peso das minhas ambições, mas não deixo de ambicionar. Meu desejo é forte. Não é desejo de um morto. Não é o desejo de um falido. Se fracassei, quero tentar outra vez.

O horizonte adiante é vasto. Ainda que eu esteja junto ao chão, sinto uma enorme ânsia de voo. E isso se reflete em meus braços, estendidos como asas, e meus pés, firmes como colunas. Sim, eu me levantei e quero dar passos de gigante. Quero alcançar tudo. Conhecer todas as coisas e girar o mundo sob meus pés.

Agonia é algo passado. Sou uma nova pessoa. A pessoa metamorfoseada. Repito em mim o ímpeto de continuar tentando. Por eras estive preso ao chão, encerrado em algo que antes era esquife, envolvido por algo que já foi mortalha. Agora, porém, transformo em casulo o que antes me prendia. Casulo a ser rompido com novas forças que alcanço com essa determinação.

Estou desperto, vivo, pronto. Uma fina película envolve meus braços. Uso-a como asa para subir aos ares. Com o casulo rompido, saio como novo e desperto, preparo-me para voar. De braços abertos eu me entrego aos raios da Aurora.

quinta-feira, maio 25, 2023

A Carta Que Ninguem Vai Ler 3

Estou sozinho. Tateio na escuridão com a tristeza de um órfão. Sinto meus dedos doerem, tocando a superficie fria e áspera do chão onde repouso. A solidão é tão profunda que parece tragar a própria luz. Nada posso fazer contra ela. Essa solidão talvez seja meu mais forte atavismo. 

Se eu gritar por socorro, alguém escutará? Se eu bradar ao abismo, enquanto o olho de frente, o abismo responderá? A falta de resposta me consome. Sou carcomido por dentro, mastigado internamente por dúvidas impenetráveis. 

Quem abandonou quem? Fui abandonado ou abandonei todas as oportunidades postas para mim? Sinto-me como um náufrago, que lança essas cartas a um oceano de indiferença.

Certa vez, uma criança me disse que eu nasci feliz. Se isso é verdade, quando foi que deixei de ser? E como terá sido isso? Meus amigos, meus amores, sinto ter falhado com todos. Será isso a infelicidade e o inferno?

Desamparado, nu, ferido, humilhado. E tudo resultado de um sofrimento inflingido por mim mesmo. Haverá cura para tão grave erro? Ignoro e desisto. As horas passam e esfarelam mais um pouco de tudo que me resta.

O dia mais solitário da sua vida sempre terá outro mais solitário para sucedê-lo.

quinta-feira, abril 20, 2023

A Carta Que Ninguém Vai Ler 2

Meu medo me pega pelo pé. Sinto seu toque como a fisgada de um anzol. Sou puxado para baixo, para o fundo, levado ao lugar ao qual ninguém irá. Solidão, descaso, abandono. Meus companheiros de fuga, quando rejeito e afasto todos que me são queridos.

Uso uma navalha para cortar o rosto. Arranco a pele que o cobre qual máscara. Sou agora um monstro de rosto vermelho e sanguinolento. Ignoro a dor, que é forte a ponto de me matar. Mas hoje não morrerei. Estou desmascarado e sairei à rua para mostrar a todos o monstro que sou.

A agonia surge no centro do peito. Ela me engasga e então sobre pela garganta, saindo aos borbotões pela boca. É amarga e acinzentada, de um cinza bem pesado, carregado, é qual chumbo. Medo e angústia se mesclam, numa dança lasciva e profana. O que será de mim, agora que minha máscara se foi? Agora que meu verdadeiro rosto está à mostra, o que pensarão de mim?

Saio à rua com esse novo visual e percebo que ninguém me olha. Estou nu, de alma à mostra, mas ainda assim ninguém me percebe.