Tenho medo
do fogo.
Mas não
aquele
eterno.
O fogo
que temo
é o mesmo
que me queima
as entranhas
e me faz
desejar
um momento que seja
com você.
Blog do escritor e contador de histórias Samuel Medina. Aqui você encontrará resenhas de livros, contos, crônicas, relatos de experiência e poemas. Além de informações sobre meus livros.
Tenho medo
do fogo.
Mas não
aquele
eterno.
O fogo
que temo
é o mesmo
que me queima
as entranhas
e me faz
desejar
um momento que seja
com você.
Para Jovino Machado
Tenho medo
de ser fotografado
com um copo de cerveja
na mão.
Mas seria bom
para a minha biografia
ser fotografado
com um copo
de cerveja na mão.
Sim
estou à frente
no caminho.
As mentiras são tantas.
Só
consigo pensar
em seguir em frente.
Mas
meus pés
estão atolados.
O que me resta agora?
Dançar.
O líder dos antigos narnianos é o telmarino Príncipe Caspian. Criado ouvindo os relatos dessa Nárnia encantada, o menino tem sobre seus ombros o peso de liderar um exército contra Miraz, seu tio, um homem cruel e perverso que usurpou o trono do pai de Caspian.
Mas este nem é o início da história. Príncipe Caspian, quarto livro de As Crônicas de Nárnia, tem seu início com os quatro irmãos, Pedro e Susana, Edmundo e Lúcia, sendo transportados para uma ilha desconhecida, nas proximidades das ruínas de um misterioso castelo. Logo descobrem que se trata de Cair Paravel, onde reinaram por uma vida inteira. Um ano se passou desde as aventuras vividas em O leão, a feiticeira e o guarda-roupa.
Mas e o que os quatro irmãos têm a ver com o jovem Caspian? Isto o leitor terá que descobrir.
De longe, este é o menos charmoso dos livros da série. Caspian não é lá muito carismático, faltando-lhe uma personalidade mais forte. Ele parece um menino influenciado por sua ama e seu tutor, sem no entanto parecer realmente interessado em Aslam. O próprio leão não parece ligar muito parar ele. O criador de Nárnia demonstra interesse de brincar de esconde-esconde com os quatro irmãos, além de apavorar o anão Trumpkin.
Por falar nesse anão, trata-se de personagem digna de nota. Valente, corajoso, habilidoso e sempre fiel, Trumpkin não esconde sua decepção ao conhecer os quatro irmãos, os tão grandiosos reis e rainhas de tanto tempo atrás. Tanto que cada um tem que mostrar alguma habilidade para convencer o cético anão de que a grandeza dos quatro não se trata de mera conversa fiada ou uma antiga lenda.
Outra personagem memorável é o rato Ripchip, com sua orgulhosa valentia e prontidão para a batalha.
E por falar em batalhas, creio que este é um dos motivos do livro não ser tão interessante. A descrição das lutas é genérica e sem sabor. Não há suspense ou aparência de perigo real. Com isso, parece que todos estão brincando de guerra e não em embates reais e perigosos. A narração de um certo duelo chega a ser uma tentava de dar sabor de aventura ao livro, mas tal tentativa é muito tímida. E não estou falando da luta de espadas que Edmundo trava com Trumpkin. Essa, sim, é interessante.
Apesar desses pontos negativos, mesmo o enredo não ser dos mais emocionantes, conta coma estética apurada de C.S.Lewis. Trata-se de uma narrativa que tem seu sabor nos diálogos e na dinâmica mostrada entre o anão Trumpkin e os quatro irmãos.
Portanto, apesar de ter alguns pontos desinteressantes, o livro se salva pela maestria de Lewis em contar histórias.
É importante também destacar que há o conflito na ausência das dríades e náiades, das deusas e deuses da floresta, ou seja, os espíritos das árvores, que se encontram adormecidos. A resolução desse conflito é graciosa e emocionante.
Com um enredo que, embora careça de emoção, tem seus atrativos através do humor e da envolvente narração, Príncipe Caspian é um livro que pode até não ser apaixonante, mas temo o seu lugar.
Ficha Técnica
Príncipe Caspian
As Crônicas de Nárnia # 4
C. S. Lewis
ISBN-13: 9788533616172
ISBN-10: 8533616171
Ano: 1997
Páginas: 216
Idioma: português
Editora: Martins Fontes
Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/principe-caspian-1101ed1466.html
O que eu não tenho? O que me falta para que as pessoas continuem lendo o que escrevo?
Lancei essas perguntas no Twitter, uns dias atrás. Ninguém respondeu.
Pensando nessas questões, comecei a me perguntar se não me faltaria relevância no que escrevo.
Sempre que entro neste blog, sinto uma enorme angústia. Quero escrever, mas para ser lido, não apenas como um exercício vazio. Toda escrita pressupõe um leitor. É como se a gente escrevesse cartas para o futuro, lançados no mar dentro de uma garrafa. Nossa esperança é que alguém encontre a garrafa, leia e guarde a carta; ou a responda; ou melhor ainda, passe para outra pessoa essa carta. Neste mundo digital, de pouco conteúdo criado e muita coisa reciclada, é um desafio enorme a gente viralizar um texto. É quase como um milagre.
Mas retorno à pergunta: o que me falta? Este blog tem mais de dez anos de existência, com mais de novecentas postagens, entre resenhas, contos, crônicas e até duas narrativas serializadas. Então, com tanto conteúdo próprio, o que falta para as pessoas lerem? Será um visual novo? Ou talvez um maior investimento na divulgação? Talvez o maior problema seja justamente o conteúdo. Aí isso é motivo para fechar a firma: encerrar o blog para sempre.
Mas este lugar não deixa de ser também um estúdio de experimentações. Nele, exercito a minha escrita de forma live e artística. Procuro, com diligência, escrever aqui com uma certa regularidade. Bem, acho que essa última frase merece uma revisão. Afinal, o blog sempre teve seus altos e baixos. Infelizmente, frequência nunca foi muito o seu forte.
Agora, é como o dilema de Tostines. O blog é mais visitado porque tem mais conteúdo ou tem mais conteúdo porque é mais visitado? E claro que muitas vezes eu tenho escrito contos, crônicas, poesia, resenhas e não recebo um comentário sequer de retorno. Isso me angustia.
Enfim, não sei dizer como sair desse impasse. Se ao menos as pessoas comentassem e compartilhassem meus textos, eu me sentiria bem mais amparado. Ter algum tipo de retorno palpável é o mínimo para compensar tanto trabalho e reflexão. Por isso, deixo às pessoas que me leem a pergunta como uma provocação: para você continuar lendo o que escrevo, para você se sentir estimulado a voltar e continuar por aqui, o que é preciso que eu faça?
Seu destino, porém, começa a mudar justamente quando seu pai adotivo concorda em vendê-lo para um tarcaã, um senhor calormano de alta linhagem. Mas não é a transação que oferece a Shastra um novo destino, mas a montaria do senhor calormano. Sim, o cavalo do tarcaã se chama Bri e ele é um legítimo narniano, possuindo a habilidade de falar. E assim, Bri convence Shasta que a vida com o tarcaã será ainda pior que aquela que o menino tinha com o pai adotivo.
A proposta de Bri é ousada. Um cavalo sem cavaleiro seria rapidamente capturado. Com um o menino a montá-lo, a chance de passarem despercebido seria muito maior, ainda que ele chame atenção com sua pele branca.
Assim, começa a grande aventura de O cavalo e seu menino, terceiro livro de As Crônicas de Nárnia. Nele, C.S.Lewis ambienta a narrativa em um país que lembra o célebre califado de Haroun Al Rashid, de As Mil e Uma Noites. Os nomes das pessoas, do deus da Calormânia, da cidade que faz vezes de capital e até do soberano desse pais, tudo tem elementos que se inspiram no oriente fantasioso do famoso califa.
Apesar do evidente racismo no qual Lewis constrói sua narrativa, afinal a maioria dos calormanos é vil e cruel, há uma riqueza ímpar nesse país imaginário, com referências claras à literatura árabe, à cultura oral, aos montes de poetas que são citados em suas máximas de sabedoria. A Calormânia é de uma riqueza cultural que nos fascina e diverte. Lewis emula até mesmo a oratória e a habilidade de contar histórias, estética que faz referência direta a Sherazade.
A narrativa, cronologicamente, acontece durante O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, pois transcorre durante a Era de Ouro de Nárnia, no reinado de Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia.
Mais uma vez preciso ressaltar o racismo velado. A cor da pele dos calormanos é constantemente assinalada como mais escura que os humanos dos reinos do norte, Arquelândia e Nárnia. As pessoas desses dois reinos são brancas. Esse antagonismo me incomodou muito.
Lewis poderia ter criado um universo sem que fosse marcado um antagonismo assim. Não é porque a Idade Média teve as Cruzadas que o mundo de Nárnia deveria ter um inimigo árabe. A proposta de riqueza cultural da Calormânia é algo lindo e fascinante. O mundo de Nárnia poderia ter seus vilões e inimigos sem que estes representassem toda uma cultura, vilanizada justamente por ser diferente.
Acredito que infelizmente C.S.Lewis incorre no erro de muitos europeus, esse eurocentrismo branco, caucasiano e helenista. Destaco que no mundo em que existe Nárnia, há um Oriente Médio, mas não há uma África. E isso eu considero ainda mais problemático, com o apagamento de toda uma variedade de etnias que poderiam ter enriquecido o universo em que Nárnia está inserida.
Feitas essas ressalvas, o livro foi bastante divertido. Mergulhei no drama de Shasta, em uma jornada de herói torto que aprende que os acasos são todos obra de Aslam e que, ainda que aparentemente vários leões surjam, na verdade há somente um leão.
Outra coisa que me encantou foi a presença das rainhas de Nárnia crescidas e envolvidas nos perigos da diplomacia. Lúcia está especialmente encantadora em sua armadura e sua participação nas batalhas mostra que Lewis se dispôs a revisar sua posição machista de impedir mulheres de lutar nas guerras.
Apesar de seus problemas, O cavalo e seu menino tem a riqueza de detalhes e estética que colocam este livro talvez no patamar de encantador primeiro lugar entre as demais crônicas. Uma obra que nos encanta por sua riqueza de referências.
Ficha Técnica
O Cavalo e seu Menino
As Crônicas de Nárnia # 3
C. S. Lewis
ISBN-13: 9788533616165
ISBN-10: 8533616163
Ano: 1997
Páginas: 189
Idioma: português
Editora: Martins Fontes
Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-cavalo-e-seu-menino-1099ed1462.html
Toda criança tem seu lugar secreto. Seu cantinho particular, para onde foge quando quer se ausentar do mundo real, tão cheio de crueza e dor. E por vezes, o lugar secreto não é físico, mas um estado de sonho e divagação, um verdadeiro mundo mágico. Imagine, porém, ter um lugar físico capaz de levar uma criança a um mundo mágico, com criaturas fantásticas e aventuras sensacionais? Pois essa é a premissa de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, primeiro livro de C.S.Lewis escrito para crianças.
O livro conta de quatro irmãos: duas meninas e dois meninos. Pedro e Susana são os mais velhos. Depois deles vêm Edmundo e Lúcia. Os dois mais velhos se apresentam como responsáveis, maduros, enquanto Edmundo é mau e imaturo. Lúcia, por sua vez, carrega um encanto e uma inocência que dão a ela um ar de heroína, comovendo e encantando leitoras e leitores.
Na narrativa as quatro crianças vão se refugiar dos bombardeios a Londres em uma casa no campo. Essa casa, contudo, não é comum. Enorme e cheia de segredos, tem um guarda-roupa mágico, capaz de levar as crianças à terra de Nárnia. A primeira a viajar para lá é Lúcia, que acaba fazendo amizade com o fauno Tumnus. Por ele a menina vem a saber que Nárnia é governada por uma feiticeira cruel. Por sua magia, é sempre inverno, mas sem nunca ser Natal.
Lúcia retorna ao nosso mundo. Mais tarde, as quatro crianças vão parar em Nárnia e ficam sabendo que o inverno de 100 anos chegará ao fim e que o Grande Rei, o Leão Aslam, está a caminho para cumprir a profecia de que os quatro tronos de Cair Paravel serão ocupados.
Trata-se de um enredo repleto de ação e perigos. Edmundo acaba por provocar, por sua ganância e ambição, situações irreversíveis. Enquanto Pedro surge como líder incorruptível e destemido. Já as meninas, infelizmente, são colocadas como testemunhas da ação. Chegam a ser proibidas por Aslam a entrar na batalha.
A ditadora de Nárnia, Jadis, também conhecida como Feiticeira Branca, surge como grande destaque. De longe uma personagem mais interessante, com seus manjares enfeitiçados e conhecimentos ocultos. Ela é responsável pelo eterno inverno em Nárnia, mas um inverno sem Natal. Suas forças são compostas pelos seres abomináveis, perigosos e mortais: espíritos de cogumelos venenosos, duendes, ogros, bruxas, minotauros, morcegos gigantes, entre outras criaturas. Nesse ponto, incomoda-me muito o discurso de C.S.Lewis, que coloca os feios e diferentes no lugar de vilões que devem ser eliminados.
Porém, não devo tirar o mérito da narrativa que não subestima as crianças. Elas não são poupadas da dor e da morte, mas entram "de cabeça" em uma aventura com muitas doses de horror. Destaco a primeira batalha de Pedro, quando ele é incitado por Aslam a enfrentar, sozinho, o lobo Maugrim, comandante da Polícia Secreta da Feiticeira Branca.
Faço destaque também a personagens que surgem para dar apoio às crianças: o adorável fauno Tumnus e o gracioso casal de castores. Há um certo ar de ingenuidade em Tumnus, algo quase infantil, enquanto que o senhor castor surge como uma figura sábia e paternal, enquanto a senhora Castor, além de maternal, assume posturas de uma sabedoria prática, o que causa um efeito cômico em sua relação com o marido.
Por fim, não posso deixar de mencionar o Professor, com seu tom sábio, mas de uma sabedoria pouco convencional, sempre pronto a acolher as crianças e acreditar nelas.
Com cenas de ação e um tom mágico de mistério, a despeito de certos anacronismos, O leão, a feiticeira e o guarda-roupa é uma obra encantadora e cativante, diversão garantida para todas as idades.
Ficha Técnica
As Crônicas de Nárnia
Volume Único (Edição WMF 2020)
C. S. Lewis
ISBN-13: 9788578270698
ISBN-10: 857827069X
Ano: 2010
Páginas: 751
Idioma: português
Editora: WMF Martins Fontes
Uma vez eu fui convidado a uma sessão de autógrafos em uma escola. Eles me colocaram em uma sala com um lindo aquário. Fiquei lá, esperando aparecer alguém pra comprar meu livro e pedir um autógrafo. Depois de uns 10 minutos, apareceu um adolescente. Eu fiquei tão feliz! Perguntei: "Você veio pegar um autógrafo?" E ele respondeu: "Não, eu vim ver o aquário. Posso?"
Passou algum tempo. Então, chegou um garoto que me pediu para autografar um livro que não era meu. Ele argumentou que a fila do autor do livro estava muito comprida e ele tinha preguiça de esperar...
Esses foram dois persegues que passei em minha carreira como escritor. Foram os mais engraçados.
Digory está numa enrascada. Por causa das maquinações de seu tio, o feiticeiro André, sua amiga, Polly, desapareceu ao tocar em um anel mágico. Agora, caberá ao menino enfrentar seus medos e viajar rumo ao desconhecido, através do poder de um desses anéis mágicos, para resgatar sua amiga.
Assim tem início O sobrinho do mago, segundo livro de As Crônicas de Nárnia, mas que consta no volume único como o primeiro, pois conta acontecimentos ocorridos antes de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, obra que estreia a saga. Mas voltemos à aventura de Digory.
Trata-se de uma narrativa leve e amena, sem grandes percalços. A jornada por Charn é especialmente interessante, por conta de seu tom de mistério e suspense. A origem da Feiticeira Branca também é narrada, om direito a uma atrapalhada incursão pela Londres vitoriana, com carruagens destroçadas e policiais nocauteados aos montes. Sendo assim, a narrativa carrega um tom ímpar de humor e se configura na mais pitoresca das aventuras em Nárnia.
Fato é que O sobrinho do mago acaba destoando um pouco dos demais livros da saga. Muitos o apontam como o menos interessante. Porém, destaca-se o tom poético que a obra assume ao apresentar o poderoso leão Aslam na criação de um mundo de sonhos, repleto de deusas e fadas.
A dinâmica entre Digory e Pollyu é ótima. São crianças que assumem uma parceria ímpar. Digory se apresenta como um garoto íntegro e corajoso. Polly é intrépida e destemida. Há um certo tom que contrapõe a cidade e o campo, como se Londres (ou Charn) fosse o lugar da malícia e do vício, enquanto o campo se configura como o destino de quem quer reencontrar a inocência e a pureza.
André é uma figura especialmente maligna, mas de uma malignidade rasteira, como de um vilão de terceira categoria, tornando-se de antagonista a figura de riso e piada. Já a Rainha Jadis surge como o contraponto ou sombra de André. Totalmente ofuscada pela própria grandeza, ela não consegue entender que com força bruta nunca será capaz de dominar um mundo complexo como o nosso. A rainha age como uma força obtusa, sem propósito a não ser espalhar o caos na já caótica cidade de Londres vitoriana.
Apesar de carregar um tom menos épico que os demais, o livro é uma narrativa divertida e poética, com sua leveza e seus percalços, tornando-se uma ótima diversão para aqueles que amam Nárnia, bem como para os curiosos sobre as origens desse mundo de magia.
Ficha Técnica
As Crônicas de Nárnia
Volume Único (Edição WMF 2020)
C. S. Lewis
ISBN-13: 9788578270698
ISBN-10: 857827069X
Ano: 2010
Páginas: 751
Idioma: português
Editora: WMF Martins Fontes
Agnes Tahanian. Criada por seus tios-avoôs, os gêmeos Marcílio e Lucindo, a jovem é órfã de pai e sua mãe permanece internada em uma clínica psiquiátrica. Com isso, é como se a moça fosse duplamente órfã, uma vez que sua mãe não responde a qualquer estímulo. Outra questão para Agnes é a presença de um amigo imaginário, o indígena Guaraci. Porém, nem a psicóloga de Agnes se lembra de a menina ter mencionado antes tal amigo imaginário.
Além dessas questões, a moça sente ansiedade por seu aniversário de quinze anos, que se aproxima, além de ficar apreensiva pela onda de assassinatos de adolescentes acontecendo em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para tentar desvendar quem está por trás de tais mortes, entra em ação A Polícia Secreta Para Crimes Mágicos.
Escrito por Emanoel Ferreira, o livro é arrojado, interessante e imaginativo. O autor nos conduz por um cenário em que mundos se encontram, através da magia e de um lugar chamado Mundo do Meio, onde o tempo corre diferente. A narrativa não apenas acompanha Agnes em seus dilemas, mas nos apresenta outras personagens de perto, dando a eles o protagonismo, como a agente Nanã. Até mesmo os vilões ficam sob os holofotes, através da pena de Ferreira.
E por falar em personagens, são muitas pessoas retratadas, cada uma com personalidades bem definidas. Além disso, estão presentes no livro referências de muitas tradições mágicas, mostrando a extensão da pesquisa do autor na elaboração do livro e sua habilidade em costurar tais referências sem que essas ficassem forçadas. Fato é que Emanoel Ferreira cria mundos fascinantes e envolventes, capturando nossa leitura desde o início do enredo e nos prende até seu desfecho. Seu final é abereto aberto, dando espaço para uma sequência.
Quero agora me voltar para algumas personagens. Agnes, que é curiosa, corajosa e tem um forte senso de justiça, sempre disposta a fazer o certo. Em seguida, temos Nanã, agente da Polícia Secreta Para Crimes Mágicos. Impassível, sábia e talentosa, Nanã nos fascina com suas raízes ancestrais africanas. Ainda destaco Marcílio e Lucindo. O primeiro é sério e comedido; o outro, expansivo e cheio de humor. As reações dos dois irmãos, sua dinâmica cria um contraste interessante e irônico, já que são gêmeos idênticos. Há muitas outras personagens memoráveis, mas deixo para as pessoas ao lerem que descubram por conta própria.
Outro ponto que gostaria de abordar são algumas referências judaicas. Não apenas as religiosas, mas as históricas. O sobrenome de Agnes, Tahanian, vem da Armênia. O genocídio do povo armênio pelo Império Otomano é abordado. Nesse horroroso episódio da história humana, as vidas de milhares de armênios foram destruídas. O livro nos vem ser um lembrete para nos, leitores, de como as instituições humanas podem cometer atos pavorosos. Sendo assim, a obra age como um alerta contra preconceitos em geral e, principalmente, contra o antissemitismo.
Por fim, considero um livro gostoso de ler, que nos inspira e incomoda, ao mesmo tempo nos envolve com seus impasses.
Com diversas referências à magia, um enredo policial e muita ação, A Polícia Secreta Para Crimes Mágicos nos brinda com uma boa história, algo que é sempre bem-vindo, não importa o tempo em que vivemos, principalmente quando traz uma mensagem sobre o perigo da intolerância. Perigo este que nos assombra e contra o qual devemos estar sempre preparados.
Ficha Técnica
A Polícia Secreta Para Crimes Mágicos
Emanoel Ferreira
ISBN-13: 9786589912125
ISBN-10: 6589912122
Ano: 2022
Páginas: 280
Idioma: português
Editora: Pipoca & Nanquim
Perfil do Livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-policia-secreta-para-crimes-magicos-11815924ed12200742.html
Logo que efetivamente chegamos, escolhemos um lugar nos fundos e ficamos curtindo o ambiente. Rodrigo tirou da mochila uma pilha de livros de poesia - todos de autoria do pessoas do COLETIVOZ. A partir da curadoria e da coleção do Rodrigo, nossa intenção era prestigiar as moças e rapazes das quebradas, que fazem uma poesia aguerrida e engajada.
Logo a amiga Norma de Souza Lopes chegou com a filha Carol. Conversamos um pouco sobre nossa performance, entre uma e outra cerveja.
No momento certo, fui então chamado ao microfone. Falei um pouco sobre o livro que eu estava lançando, comentei sobre a minha vivência ter sido material para a narrativa e convidei as pessoas a conhecerem meus textos. Em seguida, convidei minha irmã e meu irmão de coletivo para nos apresentarmos.
Fizemos as performances com poemas de Deia, Joi Gonçalves, Karine Bassi, entre outras, e também com poesia da Norma de Souza Lopes. Por fim, convidamos a galera pra ocupar o palco, dando prosseguimento ao sarau.
Na quinta-feira, dia 10, às 19h, foi a sessão de autógrafos na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Foi um evento com um público menor, mas com amigos fiéis que me prestigiaram e a presença de boa parte da família. Faço um agradecimento especial à escritora Thais Venzel, que foi a primeira a chegar, estando lá ainda antes do evento começar.
Acredito que o trabalho de divulgação de um autor é árduo e muitas vezes é preciso fazer um retrabalho, para conseguir alcançar mentes e corações. Sinto que minha caminhada ainda é longa, mas não me cansarei de caminhar.
Pelos sonhos
que lograram
meu sono
Pelo tempo
que perdi
como morto
Pelo riso
que parece
um escárnio
Pelo monstro
que foi solto
e se gaba
Pelo grito
que se perde
na turba
E para não
sufocar
em tristeza,
dou um longo suspiro
e pro sono retorno em fuga.
É com muita alegria que anuncio os eventos de lançamento do livro Aurora. Obra de ficção fantástica, o livro apresenta três amigos, Artur, Mauro e Wedge, que são tragados por eventos oníricos inexplicáveis logo que concluem um jogo de computador.
Publicado pela editora Letramento, mediante o Projeto Temporada de Originais, Aurora aborda questões da atualidade, como família, amizade e ética. Seguem as informações sobre os eventos de lançamento.
COLETIVOZ SARAU DE PERIFERIA
Data: 9 de novembro de 2022, quarta-feira, às 19h
Local: The Wall Pub. Rua Padre Bartolomeu de Gusmão, 250 - Jardim Industrial - Contagem.
Lançamento na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
Dia 10 de novembro de 2022, quinta-feira, às 19h
Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães. Praça da Liberdade, 21 - Savassi. Belo Horizonte
A poesia
que tentei
fazer
Passou-me
a perna.
Era de pau
quebrei a
canela.
Dor não houve
nem um pouco.
Foi assim
que soube:
Eu era feito
de porcelana.