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Blog do escritor e contador de histórias Samuel Medina. Aqui você encontrará resenhas de livros, contos, crônicas, relatos de experiência e poemas. Além de informações sobre meus livros.
quarta-feira, julho 30, 2014
terça-feira, julho 29, 2014
Quando a sombra ficou no lugar
Noventa e três,
tempo de sonhos
Nascem mazelas no lugar
A poeira da rua unta nossos pés
enquanto o caminho, interrompido
corta pela metade qualquer desejo
Éramos muitos,
poucos olhavam
Era tudo quase fraterno
Veneno (Marco Antônio) fala digavar
Adão como toda a pasta de dente
Cuei acha a minha camisa folgada demais pra ele
Tobinha acerta uma pedra na nuca de Meio-quilo
E o Manchinha, sempre tão afobado
queria apenas uma namorada
Éramos muitos
poucos os sonhos
"Não é permitido"
sussurravam as pedras
A cada dobra de esquina
tempo de sonhos
Nascem mazelas no lugar
A poeira da rua unta nossos pés
enquanto o caminho, interrompido
corta pela metade qualquer desejo
Éramos muitos,
poucos olhavam
Era tudo quase fraterno
Veneno (Marco Antônio) fala digavar
Adão como toda a pasta de dente
Cuei acha a minha camisa folgada demais pra ele
Tobinha acerta uma pedra na nuca de Meio-quilo
E o Manchinha, sempre tão afobado
queria apenas uma namorada
Éramos muitos
poucos os sonhos
"Não é permitido"
sussurravam as pedras
A cada dobra de esquina
domingo, julho 27, 2014
A Cidadela - Parte III de IV
Ir para A Cidadela - Parte II de IV
Uma presença inegável respondeu como algo que invadia sua mente qual uma onda. Lorguth atendia ao seu chamado com uma vivacidade incrível. Da lâmina emanavam sentimentos muito próprios, mas era difícil para Seridath identificá-los, distingui-los dos seus próprios sentimentos. Mais uma vez o rapaz teve medo. Temeu ser subjugado. Lembrou-se então da vergonha que sentira quando a espada não funcionou. Aquilo tudo era parte do teste e, para ser aprovado, ele precisava dominar sua arma, fazê-la erguer suas vítimas para que elas novamente lutassem por ele.
Uma presença inegável respondeu como algo que invadia sua mente qual uma onda. Lorguth atendia ao seu chamado com uma vivacidade incrível. Da lâmina emanavam sentimentos muito próprios, mas era difícil para Seridath identificá-los, distingui-los dos seus próprios sentimentos. Mais uma vez o rapaz teve medo. Temeu ser subjugado. Lembrou-se então da vergonha que sentira quando a espada não funcionou. Aquilo tudo era parte do teste e, para ser aprovado, ele precisava dominar sua arma, fazê-la erguer suas vítimas para que elas novamente lutassem por ele.
O rapaz levou um bom tempo para conseguir separar os seus pensamentos dos de Lorguth. Quando sentia cansaço mental por causa do exercício, deixava de tocar a lâmina para conseguir certificar-se de seu próprio eu. Mas logo ele já conseguia identificar a presença da consciência da espada junto à sua própria. Percebeu que Lorguth transbordava volúpia. Ela havia impulsionado a querela contra Balgata e o desprezo contra Aldreth. Talvez ela o tivesse impelido a ingressar na Companhia. Até aquele momento, o rapaz não fizera nada mais do que obedecer aos impulsos caóticos de sua companheira.
Outro sentimento forte na lâmina era uma euforia quase pueril. Lorguth não estava interessada no sangue dos homens dentro da cidadela. Ela ansiava provar o sangue de algo maior, mais forte. Seridath sentiu uma palavra surgir involuntária em sua mente: “Tominaro”. O cavaleiro surpreendeu-se, desconhecendo o significado dessa palavra. Mas havia também outra coisa, a expectativa de um encontro. A espada transmitiu a Seridath que havia um ente incrivelmente poderoso naquele exército de mortos. Talvez mais de um.
Aquilo era um problema para Seridath. Balgata e os outros esperavam que ele cumprisse sua parte. O guerreiro precisava invocar os servos de Lorguth antes que a caravana chegasse à cidadela. Ele acreditava que todos os entes vivos que fossem mortos pela sua espada deveriam tornar-se como aqueles dois monstros que surgiram em Keraz. Na verdade, deveriam ser três, o número de vítimas que Seridath fizera em sua primeira luta. E se as usas suposições estivessem corretas, os argros e as criaturas mutantes engrossariam suas fileiras.
Se três monstros fizeram aquele estrago em Keraz, as novas vítimas seriam uma temida força, e Seridath contava com isso. O plano era simples: Balgata e alguns homens teriam que segurar os portões abertos até que os servos invadissem e matassem qualquer inimigo, poupando somente quem estivesse desarmado. O capitão parecera vacilante na adoção a esse plano, mas as opções de que dispunha eram realmente escassas.
Enquanto Seridath estava imerso em sua luta pessoal com Lorguth, os sobreviventes se preparavam para dar início ao plano para tomar Arnoll. Balgata ainda lançou um olhar para trás, para o interior do bosque, esperando que sua escolha não os condenasse. Era um risco que estava disposto a correr.
Nas entranhas do bosque, Seridath continuava a fazer suas descobertas, como que mergulhado em profunda meditação. O jovem começava a distanciar-se da realidade sensível e física, para penetrar em uma densa escuridão. Lentamente ele começou a perceber que agora era a espada que o conectava ao mundo real. Deixou-se levar, ainda que com cuidado, por esse caminho escuro, penetrando nas sombras profundas.
sábado, julho 26, 2014
Ébrio
tolhido de sentidos
ele persevera.
Vence colinas
escala montanhas
e persevera.
Não fosse a linguagem
ele estaria morto.
Morta sua aspiração
Morto seu ideal
mas ele persevera
e fala
fala
e não se
cala
sua voz ecoa
pelas galerias
num
vazio
eco
ele persevera.
Vence colinas
escala montanhas
e persevera.
Não fosse a linguagem
ele estaria morto.
Morta sua aspiração
Morto seu ideal
mas ele persevera
e fala
fala
e não se
cala
sua voz ecoa
pelas galerias
num
vazio
eco
sexta-feira, julho 25, 2014
Fábulas para adulto perder o sono
O que dizer de tão fabulosa obra de Adriane Garcia? Com o perdão do trocadilho, ler essa obra poética que conquistou o Prêmio Paraná de Literatura, é de fato uma surpreendente jornada ao mundo de nossas fantasias infantis. E na tentativa de buscar adjetivos que façam jus à potência desse livro, acabo caindo no clichê, no lugar-comum.
Contudo, creio que essa seja a grande força da poesia de Adriane Garcia. Em sua obra ela revisita esses tantos clichês e os revitaliza, ressignifica, chega até mesmo a devolver um pouco de seu caráter sombrio, desprovido dessa roupagem homogeneizante do politicamente correto.
Assim, Garcia aposta nessa inesgotável fonte que é nossa literatura oral e tece uma urdidura que se destaca justamente em sua diferença, em sua ousadia. São poemas que equilibram graça e aspereza, num jogo de morte e assopra que vai quase como um gingado, uma dança de sedução.
Ainda que faltem palavras, o apelo permanece. E o convite: venha você também perder o sono.
quarta-feira, julho 23, 2014
Média
No meio do caminho
Braços e pernas
esmagados
pelo dolo
grama e concreto
servindo aos
mesmos
fins ao
mesmo
dEUS.
A dança do fogo
o jogo de imagens
a língua amputada
a vida apagada.
No meio do viaduto
tinha um
carro
No meio do campo
tinha uma
bola
No meio do ano
tinha um
engano.
Belo Horizonte, 12/07/2014
sexta-feira, julho 18, 2014
A partida de um grande escritor
Ainda me lembro com vivacidade da aventura que foi desvendar Paraty em plena FLIP. E foi indefinível o prazer que senti ao beber das palavras de João Ubaldo Ribeiro. Com todo aquele seu carisma, sua boa prosa, seu sorriso fácil e sempre franco, João disse algo que me impressionou profundamente. Ele disse que a Literatura é um dos mais poderosos meios para sermos o outro. E arrematou: "quando escrevo, se eu quiser posso ser puta".
Obrigado, João Ubaldo Ribeiro!
Obrigado, João Ubaldo Ribeiro!
O filho de mil homens - Uma literatura para além da esperança
Um homem solitário que deseja um filho mais do que tudo; um menino sem família, perdido entre a complacência e a arrogância das pessoas que o cercam; um homem que luta contra sua sexualidade, vítima do preconceito de todos e da incompreensão de sua família; uma mulher desencantada com a vida e com o amor, tanto que parece até encolher por causa de sua angústia.
Estes são alguns dos personagens de O filho de mil homens, romance de autoria do escritor português Valter Hugo Mãe. Uma obra pungente, visceral, arrebatadora. No enredo temos o pescador Crisóstomo, um homem que ao fazer quarenta anos se vê sozinho, não tendo realizado ainda seu maior sonho, ter um filho. Sua solidão é tamanha que, para mitigá-la, ele inutilmente compra um boneco, como se este pudesse, como um Pinóquio contemporâneo, virar um menino de verdade.
A partir do desejo de Crisóstomo e de sua busca inocente por felicidade, somos apresentados a outros personagens, todos incompletos e imersos em suas tragédias pessoais. Assim, Válter Hugo Mãe constrói um romance poderoso, profundo, cuja aparente ingenuidade não enfraquece seu impacto.
Pode-se dizer que o enredo revela uma perspectiva otimista. Contudo, a complexidade de cada personagem, bem como suas sofridas experiências mostram uma felicidade construída na resiliência, na esperança. Desta forma, esse otimismo torna-se um motor para a transcendência dos personagens. Essa transcendência também permite o encontro com o outro, com a diversidade. O leitor, através dos olhos de cada pessoa narrada, tem a possibilidade de transcender, de se transformar.
Belo, poderoso e profundo, O filho de mil homens é uma bela jornada e, sem dúvida, uma surpreendente descoberta.
Ficha técnica
Edição: 1
Editora: Cosac Naify
ISBN: 8540501767
Ano: 2012
Páginas: 208
Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/192940-o-filho-de-mil-homens
quinta-feira, julho 17, 2014
Semana do Livro Nacional na BPIJBH
Semana
do Livro Nacional
De 19 a 27 de julho de 2014
Dia
19 de julho, sábado
Oficina
Registre
seu Livro
A
oficina propõe orientar autores iniciantes sobre os procedimentos
necessários para o registro de textos literários no Escritório de
Direitos Autorais da Biblioteca Nacional.
Com
Samuel Medina
Público:
juvenil e adulto (autores iniciantes)
Às
10h
A
Escrita Jovem
Mesa
debate com os autores Ewerton Ribeiro, Laura Cohen Rabelo e Guilherme
Hargreaves, seguida de sessão conjunta de autógrafos.
Público:
juvenil e adulto
Às
11h
Dia
25 de julho, sexta, dia do escritor nacional
II
Encontro de Jovens Autores e Blogueiros Literários
Em
comemoração ao Dia do Escritor Nacional, será realizada uma roda
de debate sobre os desafios que o autor iniciante enfrenta em sua
caminhada e quais são as principais estratégias para que seus
leitores sejam alcançados.
Às
18h
Dia
26 de julho, sábado
Territórios Fantásticos
Territórios Fantásticos
Sessão
de autógrafos com Ledinilson Moreira, autor de Portais
e Paulo Campos, autor de O
Sino de Arsch e Hermes M. Pontes, autor de O Enigma do Fogo Sagrado
Às
11h30
Todas estas atividades ocorrerão no espaço da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.
Endereço: Rua Carangola, 288 - Térreo - Santo Antônio. Belo Horizonte - MG
Telefone: (31) 3277-8658
E-mail: bpij.fmc@pbh.gov.br
quarta-feira, julho 16, 2014
Persona
Enquanto escrevo
escavo
escravo
Sulco sentidos
removo pedras
ou
as recoloco
apenas
obstruo caminhos
em
pequenas veias
feridas e rugas
vou construindo
minha
máscara
quarta-feira, junho 25, 2014
Pro outro filho não ficar pra trás...
Na última postagem, eu falei sobre meu filhote recém-nascido. Para não deixar o irmão mais velho enciumado, aqui está um vídeo em que eu apresento O Medalhão e a Adaga. Minha obra de estréia!
Espero que gostem e peço a todos que ajudem a divulgar!
domingo, junho 15, 2014
Patos Selvagens, Um Novo Rebento
Estou aqui para falar
rapidamente de minha nova realização! Há mais de um ano havia
enviado para a Editora Baobá o meu original de uma narrativa de
fantasia, no estilo Conto de Fadas. Em outubro do ano passado recebi
um e-mail da editora informando sobre a aprovação do meu texto e
perguntando se o mesmo ainda estaria disponível para publicação.
Nem acreditei, mas era verdade. Eu finalmente era aceito por uma
editora profissional e competente, ainda por cima em Belo Horizonte!
Não perdi tempo e confirmei a disponibilidade do livro.
Seguiram-se meses de
ansiedade e preocupação. Meses em que muitas vezes eu me perguntava
se tudo não seria uma alucinação minha. Nessas horas eu abria meu
e-mail e mais uma vez conferia as palavras da editora. Conversei com
pessoas maravilhosas da Baobá, sempre muito simpáticas e
acolhedoras.
Finalmente, na
sexta-feira eu compareci ao endereço da editora para pegar meu
livro, sentir sua textura em minhas mãos e seu cheiro de novo. Foi
como ver um filhote saindo do ovo. Era um ovo quadrado (os exemplares
estavam embrulhados), mas a experiência foi ímpar.
Agora cá estou eu, com
Patos Selvagens em mãos.
Nesta narrativa busco homenagear os Contos de Fadas, criando uma
história de magia, aventura e amor. Eis a sinopse:
Há muitos mistérios
sobre um lago assombrado pela imagem de uma bela jovem. Quando
Nerito, um corajoso aventureiro, passa a se envolver com este enigma,
decide lançar-se em busca de respostas. Qual será o seu destino?
Acompanhe Nerito nesta emocionante jornada.
Aproveito
e deixo no final deste post um vídeo apresentando o livro. Espero
que vocês possam se deliciar com esta nova história como eu me
deliciei.
Ficha Técnica:
Edição: 1
Editora: Baobá
ISBN: 9788566653403
Ano: 2014
Páginas: 76
Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/396681/
quinta-feira, junho 12, 2014
A Grande Marcha: a tirania do kitsch
Quebrando o jejum de resenhas, sinto a imensa satisfação de poder falar sobre o livro A Grande Marcha, do autor estreante Ewerton Martins Ribeiro. Porém, junto à alegria, há um sentimento de incerteza. Afinal, como escrever uma resenha à altura da prosa do Ewerton? Como deixar patente para o leitor o poder desse texto?
Em primeiro lugar, a prosa presente em A Grande Marcha não é uma narrativa linear. É como um livro e ao mesmo tempo um cubo mágico. Cabe ao leitor captar trechos de acontecimentos e criar sua combinação, encontrar os pontos em que os conflitos se interligam, perceber as ironias e fazer uso das mesmas para construir em conjunto com o narrador essa obra tão forte e polissêmica.
Ainda sobre a prosa, a linguagem assume por vezes um tom ensaístico, quase professoral. E nesse ponto o domínio de Ewerton sobre a escritura se faz mais forte, pois ele consegue construir um texto equilibrado, profundo mas dinâmico, tomando para si o grande desafio de tentar conceituar o termo kitsch. Em nenhum momento a leitura me pareceu pesada ou enfadonha. Por vezes, tinha que parar, mas para refletir sobre os conceitos e exemplos apresentados e não por ter tropeçado do texto.
Ewerton, contudo, não para por aí. Ele vai mais. Além de abordar um tema espinhoso (afinal, o que é o kitsch? falsidade? demagogia? idealização? enganação? ingenuidade? futilidade? superficialidade?), desenha sua trama e o conflito do anti-herói do texto como uma grande analogia aos conceitos arduamente desenhados. Esse conflito é inserido então em um dos mais contundentes e atuais momentos de nossa história: as manifestações contra a Copa das Confederações em 2013.
Nesse momento, a prosa de Ewerton ganha um dinamismo impressionante, mantendo um ritmo quase frenético, como se o próprio narrador fosse um jornalista obcecado por registrar exaustivamente esse momento histórico. E o leitor embarca também nessa viagem, troca de pele com o narrador e os personagens e vive (ou revive) a marcha como mais um manifestante.
Após a leitura ávida desse livro, pude refletir um pouco sobre essa onda de protestos que atravessou o Brasil no ano passado e tem se erguido este ano.
As pessoas mais próximas de mim sempre ouviram minha desconfiança em relação a essas manifestações. Quando me perguntavam, porém, eu não conseguia responder com clareza. Dizia apenas que achava que os protestos não tinham pauta clara, reivindicações consistentes e objetivas. Tudo parecia muito solto, desarticulado. Cheguei a comparecer a uma dessas marchas, embora não me sentisse como parte daquelas vozes. Continuava, porém, sem conseguir argumentar com clareza sobre os motivos que me afastavam dessa grande marcha.
A Grande Marcha deu-me a clareza para entender de fato oque me incomodava. Consegui dessa forma solidificar minha opinião sobre as manifestações. Opiniões que não compartilharei no momento. Talvez em outra hora.
Por fim, quero recomendar a todos que conheçam essa obra de estreia de Ewerton Martins Ribeiro. Com sua escrita primorosa, seu rigor argumentativo e seu domínio sobre a linguagem, A Grande Marcha sem dúvida já nasceu uma grande obra.
Ficha Técnica
Edição: 1
Editora: Circuito
ISBN: 9788564022447
Ano: 2014
Páginas: 98
Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/393501-a-grande-marcha
sábado, junho 07, 2014
Retorno às Origens
Este, apesar de ser um blog literário com tons de prosa confessional, pouco esclarece sobre o meu passado. Uso de vez em quando este espaço para me reinventar e muitas vezes pouco deixo além da cobertura da sombra. Contudo, há momentos que precisamos nos mostrar mais, principalmente quando no dia-a-dia, neste mundo medido a pó e concreto, pomos nossa cara diante de uma multidão, bem podendo levar tomates no lugar de rosas.
Disse algo semelhante hoje à tarde, diante de uma turma de uns quarenta ou mais estudantes do ensino médio. Mas estou me adiantando. Comecei prolixamente apenas para introduzir um relato mágico ocorrido hoje e assim revelar também um pouco de minha história como autor de O Medalhão e a Adaga.
A leitura despertou em mim o entusiasmo pelo poder das palavras. Ficava impressionado como um texto tinha o poder de se abrir em um infinito espaço onde podiam se encontrar o corriqueiro e o maravilhoso. Não era fascinado apenas pelo poder que a literatura exercia em mim, mas nessa capacidade imanente à palavra de evocar algo do vazio, da inexistência e fazer com que este algo seja, mesmo que ausente.
Com isso em mente, fui fisgado pela mágica da programação aos doze anos, com a descoberta da informática e de suas possibilidades. Assim como o texto literário, o código de programação, para mim, parecia também deter o poder de invocar objetos da inexistência. Fisgado, mergulhei no universo incipiente das Tecnologias da Informação.
Assim, matriculei-me no COTEMIG, colégio técnico importante aqui de Belo Horizonte. Foi no laboratório de computação, em uma aula sobre html, que eu imaginei e dei forma às primeiras montanhas de Gorgórdia, que fiz Bildan e Sheril darem seus primeiros passos, falarem suas primeiras palavras. O Medalhão e a Adaga era apenas um embrião, um projeto despretensioso chamado O Arqueiro. Estava em meados de 1998.
Meu objetivo era apenas concluir a tarefa, criando uma página com seus links e conteúdo. Não imaginava que, um ano depois esse conteúdo me fisgaria. Ao abrir um disquete perdido em uma gaveta de meu quarto, encontrei os arquivos usados na tarefa. Ao correr os olhos pelas palavras diante da tela, meu interesse foi crescendo até que eu decidi transpor o texto para o Word e seguir digitando, mergulhando nessas aventuras e devaneios. Uma narrativa a princípio ingênua que evoluiu e amadureceu comigo ao longo dos anos.
E finalmente hoje eu retornei ao COTEMIG. Diante de vários estudantes do primeiro e do segundo ano, apresentei um pouco de minha história, de como este livro nasceu. Foi um momento profundo, principalmente quando retornei à unidade Floresta, onde me formei. Encontrei ao menos um antigo professor, o Marcão. E tomado por uma enorme alegria, fui agraciado ainda mais quando percebi os olhares de interesse e os sorrisos empolgados de meus colegas de colégio.
Foi de fato um retorno mágico que se repetirá na próxima segunda. Não pude deixar de sentir uma profunda nostalgia ao me ver depois de quinze anos de volta às salas onde estudei. Mas essa nostalgia foi doce e cálida, repleta de realização.
sexta-feira, maio 23, 2014
Visualizações
Bem, pessoal, chegamos a 30 mil visualizações! Puxa, nem acredito! São oito anos desde o primeiro post. Este espaço foi remodelado inúmeras vezes durante essa travessia. Como uma espécie de marco, compartilho com vocês este vídeo em que eu apresento um canal para a divulgação literária.
Além deste vídeo, há outros no canal, algumas experimentações que fiz nos últimos meses. Nada muito pretensioso. Afinal, meu objetivo continua sendo o universo da palavra escrita.
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