segunda-feira, fevereiro 23, 2015

O Assalto - Parte I de III

Ir para A Cidadela - Parte IV de IV


Escuridão. Profundo abismo, frio. Seridath estava absorto, imerso no interior de uma fenda inescrutável. Parecia longe, distante de qualquer realidade. Era como um sonho e, ao mesmo tempo, era como ter os sentidos aguçados ao extremo. Seridath sabia que essa era mais uma das provas para conquistar Lorguth. E também sabia que estava com problemas. Ao seu redor, começava a sentir uma crescente onda de inquietação em sua espada. Aliás, tudo ao redor era Lorguth. Estava nos domínios da lâmina e lutava para não ser invadido e coberto por sua enorme ânsia maligna. Não havia palavras, pois seria impossível verbalizar a disputa que ocorria. Ela não queria de forma alguma obedecer a seus comandos. Lorguth estava intransigente em seus desejos. Estava excitada, pois podia sentir uma aura de emanando ao longe, como o brilho de um nítido farol. A aura cujo dono era um ser poderoso e maligno, que dormira ao longo dos séculos e agora despertara em busca de vítimas para satisfazer seu apetite.

Seridath simplesmente sabia essas coisas. Ou melhor, Lorguth compartilhava com ele essas valiosas informações. E a espada era clara em suas ambições. Queria provar do líder que movia aquele exército de mortos. De nada valia para ela tomar as vidas inúteis de uns poucos humanos. Mas o cavaleiro lutava, em silêncio, para impôr sua vontade e erguer suas vítimas para a peleja em frente a Arnoll.

Enquanto isso, Balgata e os outros, disfarçados de camponeses, esperavam a abertura dos portões. Quando começasse a batalha, aquilo viraria um abismo de Merf e Nibala. E se algo desse errado, as coisas que Seridath controlava poderiam matar a todos, inimigos e aliados. Essa expectativa mexia com as entranhas do capitão. Ele podia ver o medo saltar dos olhos de seus companheiros. “Temos camponeses demais aqui,” suspirou. Uma luta como aquela não era lugar para homens inexperientes. Na pior das hipóteses, aqueles aldeões seriam um estorvo, mas se tivessem sorte, poderiam formar uma linha que oferecesse resistência. 

Todos vestiam mantos longos e tinham espadas e escudos escondidos sob os mesmos. Os aldeões de Keraz receberam escudos de reserva que estavam nas carroças. Agora, restava somente aguardar que os bandidos tivessem mordido a isca. Balgata e os demais precisariam apenas sustentar a porta, enquanto Seridath enviaria seus “servos” para invadirem a cidadela e matarem tantos inimigos quanto possível. O capitão transpirava, sentindo um ultrajante enjoo. Eles tinham pouca chance de vitória.


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