segunda-feira, março 09, 2015

O Assalto - Parte II de III

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 Os portões foram abertos. De dentro surgiram rapidamente homens montados a cavalo, que circundaram os supostos camponeses, deixando-os isolados das carroças. O chiado das espadas sendo desembainhadas ecoou em coro. Um homem alto, loiro, guiou seu cavalo até parar à frente de Balgata, que segurava em sua mão direita um pequeno saco de couro. O bandido parecia ser tão alto quanto o capitão, e a montaria acentuava seu tamanho de forma assustadora. Estava coberto de uma bela cota de malha e a empunhadura prateada de sua espada refulgia. Seu rosto era longo, com as faces levemente encovadas e os olhos pequenos e estreitos. O cabelo loiro estava muito bem aparado e o homem cobria-se com uma capa verde-musgo impecável. Suas botas de cano longo, com caneleiras de ferro, eram novas. Era o segundo no comando do bando, homem de confiança de Berak, e agora usava uma das melhores vestimentas do Conde de Arnoll.
– Deixa eu ver seu pagamento, homem! – disse o cavaleiro, tomando o saco da mão do capitão com a ponta de sua espada. Balgata manteve silêncio.
O homem abriu avidamente o saco de couro. Sua expressão de ganância foi desaparecendo e dando lugar a perplexidade. Ele voltou o rosto indignado a Balgata.
– Que merda e essa?! – Perguntou, lançando o saco de couro aos pés de Balgata.
Dentro do saco estavam guardadas diversas pontas de metal, usadas para as flechas dos arqueiros. Furioso, o bandido ordenou ataque. Balgata, em contrapartida, bradou:
– Formação circular, homens! Unir escudos!
Instantaneamente, dos trapos velhos surgiram escudos que se uniram, formando uma barreira contra as lâminas inimigas. Sobre a cabeça daqueles que fechavam os escudos, os arqueiros ergueram-se e iniciaram seus disparos. Pela proximidade dos inimigos, não havia como errar. Duas supostas crianças, robustas, retiraram suas capas, revelando suas barbas grisalhas, e lançaram suas esferas explosivas contra alguns homens perto do portão. A explosão levou consigo três bandidos, deixando dois seriamente feridos. Os cavalos dos demais se assustaram com o estrondo e empinaram, relinchando. Homens caíram para a morte sob as espadas dos atacantes. O bandido loiro também foi derrubado, mas conseguiu se defender com habilidade, puxando o seu escudo redondo para junto do corpo e bloqueando a espada de Balgata. O capitão trocou golpes rápidos com seu oponente, fazendo as lâminas emitirem sons agudos e melancólicos. Era o choro da morte. Com habilidade, Balgata rebateu a estocada veloz e tratou de enfiar a lâmina de sua espada no ventre do inimigo, aquele homem alto e loiro que logo abandonou sua expressão altiva. O capitão lançou o corpanzil do oponente contra os demais bandidos e deu um brado de guerra, dando alguns passos para trás, de volta à relativa segurança da formação de escudos.
O assalto começara. Agora faltava a ajuda de Seridath e seus malignos servos.

Continua...

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