terça-feira, janeiro 20, 2015

Um novo companheiro

Foi sorrateiro e silencioso. Em um momento de pesar, momento de repensar escolhas, lá estava ele, a me escolher. Nada planejado, apenas aconteceu. É curioso imaginar como a vida decide muitas coisas à nossa revelia.
Conheci-o primeiro pelo som. Em certa manhã de Natal, 2014 ensaiando sua despedida. A família toda iria aproveitar o sol e na sombra ele nos observava, escondido num arbusto colado ao muro da casa de meus pais. Imperativo e ao mesmo tempo súplice, ele miava em desconsolo. Um gato. Curioso, tentei avistá-lo. Agachei-me perto do arbusto, perscrutando-o. Natália, minha irmãzinha, disse que conseguia vê-lo. Segui as indicações dela, em vão. Apenas o escuro dominava aquele arbusto. E um gato feito de sombra.
Esqueci-o o resto do dia, até que, já de noite, cheguei ao portão de casa. Escutei seus miados novamente. Agachei-me, estendi a mão e chamei-o, naquele chiado ritmado, próprio para diálogos felinos. A sombra desprendeu-se do arbusto e veio lamber minha mão. Sua língua áspera acompanhava um par de olhos esverdeados, quase melancólicos de tanto abandono.
Deixei-o entrar, embora ainda não estivesse certo do que fazer. Era hóspede na casa dos meus pais. Se quisesse acolher esse gato, teria que levá-lo para minha casa. E havia tanto a fazer! Alimento, caixa de areia, brinquedos, remédio para verme, veterinário.
Tentei endurecer meu coração. Peguei aquela sombra magra, ossuda, e levei-a novamente para perto do arbusto. Recitava para mim mesmo, em espécie de prece, que se estivesse lá no dia seguinte, ele seria meu.
Mas meu amigo tinha outros planos. Pela manhã lá estava ele, andando pela casa como se já fosse sua, azucrinando o gato adulto que vive com meus pais.
E assim lancei-me nessa aventura. Tenho como companheiro uma sombra felina, um gato preto. Seu olhar é daqueles que dizem conhecer o mundo pelo avesso. Embora pequeno, sua presença enche o mundo.


Atualização de 21/01/2015: esqueci de contar o nome de meu novo companheiro. Depois de muito pensar, decidi batizá-lo de Sirius, em homenagem a um grande personagem literário.

3 comentários:

Luciana disse...

Bem-vindo ao clube dos gateiros.^^ Ele vai te fazer muito feliz.

Nerito (Samuel Medina) disse...

No final esqueci de contar o nome dele. É Sirius, em homenagem ao Sirius Black, padrinho do Harry Potter.

E obrigado, ele já está fazendo... rsrsrs... feliz e maluco ao mesmo tempo...

Rosa Maria disse...

A vida é mesmo assim, nos fazem surpresas - umas boas, outras nem tanto.
Acredito que ele será um ótimo companheiro.
Adorei o nome.