quarta-feira, agosto 29, 2012

Madrinha Morte, uma lição sobre o inevitável

A Morte, embora entidade temida, pode nos ser útil e ensinar grandes lições a nós mortais. Assim nos acontece em um dos contos dos Irmãos Grimm, “Madrinha Morte”, onde temos a história de um homem muito pobre que, ao ter seu décimo-terceiro filho, busca um padrinho perfeito para que a criança não passe necessidade.

Tanto Deus quanto o diabo são rejeitados como padrinhos, até que a Morte se apresenta e é aceita. Segundo o homem, a Morte seria a madrinha perfeita por tratar tanto ricos quanto pobres como iguais. Assim começa a grande lição que se revela através de uma história tão curta. O afilhado  da Morte, ao ter tão poderosa aliada, cresce para tornar-se um médico famoso por todo o mundo. Com a ajuda dela, o rapaz é capaz de dizer qual paciente irá se recuperar e qual irá morrer. Ter a Morte como Madrinha torna o rapaz presunçoso a ponto de ousar manipular sua aliada. E com isso ele causa sua própria destruição.

A grande lição que podemos retirar deste conto é que a Morte não pode ser subjugada, ou manipulada. O jovem médico busca usar de artifícios e argumentos, acreditando que a Morte o protegerá por ser sua Madrinha. Não poderia estar mais enganado. Como parte da ordem natural das coisas, a Morte não pode ser enganada e ir contra os seus desígnios inevitavelmente acabará mal.

Outro elemento importante a ser destacado é o motivo que leva o jovem médico a manipular a Morte. Sendo seu afilhado, era seu dever seguir seu exemplo, tratando a todos como iguais. Sua ruína começa quando, ao atender o Rei doente, olha-o como alguém importante, que não merece receber más notícias.
Visando vantagens particulares, o médico esquece do que é mais importante, inclusive quando busca ludibriar sua madrinha pela segunda vez, para salvar a vida da filha do Rei.

Assim, "Madrinha Morte" é uma importante lição moral sobre o valor da humildade e da importância da responsabilidade dos próprios atos.

8 comentários:

Dora Delano disse...

a morte é a nossa única certeza, merece respeito.

Não conhecia esse conto. Mas seria ótimo se ensinassem ele nas faculdades de medicina. Todo médico tem um pouco desse, do conto. Se acha um pouco 'deus'.

Lourdinha Viana disse...

O personagem de uma história que conheço( há várias versões todas muito boas), compadre da Morte(portanto pai do afilhado da dona Morte), consegue ludibriar a Morte por duas vezes:primeiro virando a cabeceira da cama do filho do rei, porque o rei matava os médicos todos e segundo fazendo a morte ouví-lo rezar "eternamente". Mas no final a morte sempre vence, levado consigo seu macabro troféu. Gostei muito do comentário da Dora..bjos Lourdinha.

Marina disse...

Nerito, eu acho que conheço essa estória através da minha mãe, se bem que é um pouco diferente a versão que eu conheço. Essas estórias sobre morte são sempre muito interessantes e me lembram aqueles livros de contos fantásticos que eu lia muito na minha adolescência mas que não tenho encontrado ultimamente. Tem um conto sobre morte, A Morte de Olivier Bécaille, do Émile Zola que é maravilhoso. É um livro pocket da LP&M com mais 3 contos. Um dos meus livros preferido de todo o sempre. Beijo!

Nerito disse...

Oi Marina! Obrigado pela dica! Puxa, há tempos venho tentando ler Zola, mas receoso de pegar os romances e não ir até o final. Uma boa ideia seria começar por contos. Vou conferir! Bjo!

Nerito disse...

Lourdinha, essa história é realmente bem bacana. Pensei em abordar de vez em quando um conto de fadas de uma forma mais reflexiva. Que bom que gostou!

E também gostei do comentário da Dora! rs... bjo!

Lourdinha disse...

"A morte de Ivan Ilitch" é algo espetacular..vc já leu?

Nerito disse...

Lourdinha, eu li! Concordo com você... A descrição das aflições de Ivan enquanto ele percebe seu próprio corpo desistindo, sua angústia, o medo... a forma com que a narrativa é construída é sensacional, a gente vai morrendo junto...

Fernanda Rodrigues disse...

Nerito, nunca li os contos dos irmãos Griemm ou de Andersen... mas me parece que eles sempre têm uma lição, não é?