quarta-feira, agosto 11, 2021

Perfeita




Você me pergunta

o que eu acho

Se esse cheirinho rançoso

Vem mesmo de você

Eu digo

Você é perfeita

Não peida

Nem caga 

Impossível pra você

Ter que se agachar 

para mijar.

Você 

Como toda princesa Disney

vive à base

de Prana.


Dedicado à Pam e nossos divertidos cafezes da manhã.


As histórias



As histórias 

São os bordados 

Na tessitura 

Do silêncio

segunda-feira, agosto 09, 2021

Prova



Convencido 

de que era 

Máquina 

Recorreu à faca 

e abriu o peito 

em busca 

de fios e circuitos 

ou ao menos 

engrenagens 

Surpreso, 

constatou 

que havia 

Nada.

domingo, agosto 08, 2021

Vídeo: O analfabeto político - Bertold Brecht

 


Olás a todas, todos e todes! Hoje trouxe um poema sobre conscientização política. Convido todas as pessoas a assistirem e dialogarem sobre! Um abraço!

sexta-feira, agosto 06, 2021

Niketche - Uma dança que muda o mundo



Rami é uma mulher amargurada. Há alguns dias que seu marido, Tony, saiu e não deu mais notícias. Ela desconfia da fidelidade dele, mas ainda não tem provas. Decide então descobrir a identidade da suposta amante e a verdade que se descortina a seus olhos é muito mais complexa e dolorosa.

Assim tem início Niketche: uma história de poligamia. Romance da autora moçambicana Paulina Chiziane. Ao descobrir cada um dos casos amorosos do marido, Rami despeja toda a sua amargura e desesperança como narradora. Ela ignora, porém, que seus atos provocarão uma mudança profunda nela e em todas as suas rivais.

Como narradora, Rami é uma voz melancólica e reflexiva. Desencantada com o mundo que massacra as mulheres e beneficia os homens, por mais que ela pense não haver esperança, suas atitudes são de uma resistência pacífica e tenaz. E tal resistência provoca impactos permanentes em seu casamento, bem como nas vidas que o atravessam.

Com uma narrativa pungente, dolorosa e repleta de digressões poéticas, Paulina Chiziane nos presenteia, leitoras e leitores, com um romance poderoso, um épico de amor e fúria.

(Descrição da capa: em fundo marrom, traços de corpos humanos se misturam e se entrelaçam. Os traços são feitos em diferentes tons de marrom, entre o claro, o avermelhado e o preto. Esses traços não possuem sexo, feições ou roupas, são contornos simples e vazados)


Ficha Técnica

Niketche: Uma história de poligamia

Paulina Chiziane

ISBN-13: 9786559210107

ISBN-10: 6559210103

Ano: 2021 

Páginas: 296

Idioma: português de Portugal 

Editora: Companhia de Bolso

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/niketche-20540ed11780226.html

quinta-feira, agosto 05, 2021

A Coluna Literária celebra a chegada do FLI-BH


Está chegando no universo online o 4º FLI-BH - Festiva Literário Internacional de Belo Horizonte. Celebrando esse momento, a Coluna Literária lançou uma edição especial, falando sobre as mentes por trás desse maravilhoso trabalho. O tema escolhido é VIRANDO A PÁGINA: Livro e Leitura tecendo amanhãs. As curadoras do Festival são Madu Costa e Ana Elisa Ribeiro. A homenageada é a Mazza, Maria Mazarello Rodrigues, criadora da primeira editora voltada à literatura negra no Brasil. A identidade visual do festival leva o nome do monumental Nelson Cruz.

Em boa companhia com o Festival, dentro da programação do mesmo, acontece o Seminário "Adolescer: Sujeitos e Percursos Literários", que marca os 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Nele, participarei da última mesa, compartilhando o espaço com pessoas maravilhosas, a Ana Paula Cantagalli, a Érica Lima e o Rodrigo Teixeira, que será o mediador. A nossa mesa leva o título "Uma biblioteca para as juventudes". 

A programação completa pode ser acessada lá no Portal Belo Horizonte



(Descrição das imagens: Imagem um - fundo azul em dois tons, sendo o inferior azul claro e o superior azul escuro. Escrito em destaque está escrito "Edição especial fli-bh Coluna Literária aproximando pessoas, livros e bibliotecas". Imagem dois - em fundo amarelo e branco, uma faixa azul com a inscrição Seminário adolescer: sujeitos e percursos literários". À direita, a logomarca do fli-bh. Abaixo, as fotografias de Ana Paula Cantagalli, mulher de perfil direito, pele clara olhos grandes e cabelo preto liso, sorriso discreto, Érica Lima, mulher de perfil esquerdo, pele clara, óculos quadrados, cabelos castanhos anelados, sorriso aberto, e Samuel Medina, homem de frente, de pele clara, óculos quadrados, barba, sorriso, cabelo comprido castanho e liso. No centro, a informação 12 de agosto, 9h, fli.pbh.gov.br - inscrições em sympla.com/flibh. Abaixo, no fundo branco a fotografia de Rodrigo Teixeira, homem de pele clara, óculos quadrados, cabelo preto, comprido e anelado. À direita, o selo de 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil e o selo de acessibilidade em Libras).

quarta-feira, agosto 04, 2021

Genki Dama


O homem 

mais forte 

do mundo

só existe

quando todas

as outras pessoas 

erguem as

Mãos

E cedem 

nem que seja

Um pouquinho 

de sua força.

terça-feira, agosto 03, 2021

Justiça seja feita



Há um bom tempo, fiz uma postagem falando dos eventos que participei como ouvinte e acabei não falando do Segundo Encontro Mineiro de Bibliotecas Comunitárias. Falha minha. Com tantos eventos acontecendo simultaneamente, acabei deixando passar este, que é tão importante quanto os demais e com uma riqueza enorme de discussão e reflexão.

Como alguém que deseja guardar histórias, compartilhá-las, lembrá-las, acho fundamental falar deste evento, que teve à frente a rede de bibliotecas comunitárias Sou de Minas Uai.

O Encontro aconteceu em três dias: 21, 23 e 25 de junho, através da plataforma Zoom.

A primeira conversa contou com Sol Barreto, Marília Paiva e César Júnior, com mediação de Túlio Damascena e intervenção literária de Lourdinha Reis. O tema foi "Dinâmica e ações de incentivo à leitura". 

A segunda contou com Mônica Verdam, Macaé Evaristo e Fabíola Farias, com mediação de Agripina Vieira e intervenção literária de César Júnior. O tema foi "A incidência das políticas públicas do livro e mobilização de recurso".

A terceira e última conversa teve a participação de Renato Negrão, Carol Fernandes e Lavínia Rocha, com a mediação de Talita Rocha e Sãozinha na intervenção literária. Para fechar o encontro, o tema que norteou a conversa foi "Entre autores".

Foram três noites de rico diálogo. Nós, participantes, fomos continuamente provocados pelas falas tão ricas, em especial da Macaé Evaristo e da Fabíola Farias.

Que os próximos encontros sejam tão ricos quanto este. E que nós possamos cada vez mais apoiar a rede de bibliotecas comunitárias de nossas cidades e seus entornos.

E para quem quiser conhecer a rede Sou de Minas Uai, basta acessar sua página na internet: https://www.soudeminasuai.com/.

segunda-feira, agosto 02, 2021

Sarais



Ele me disse 

que ia aos sarais 

de toda a região. 

Alguém debochou 

E disse que a palavra 

tinha que ser 

"saraus".

Mas o deboche 

não viu 

É nessa roda 

de poesia que 

tantas pessoas saram 

seus ais

domingo, agosto 01, 2021

Vídeo: Vi Teófilo Otoni Florir - Brenda Linda Medina Lages



Homenagem de Brenda Linda Medina Lages à sua cidade natal, Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Vi Teófilo Otoni Florir

Mais do que flor no jardim

Vi Teófilo Otoni Florir

Quis o Ipê Roxo pra mim

Ipê Roxo, Ipê Amarelo

Não importa sua cor.

Ao longo do rio eu te vi

Isso fez encher meu coração de amor

Fez também amar mais

A cidade onde eu nasci

Teófilo Otoni das Gerais

Sou apaixonada por ti

(Descrição do vídeo: mulher de pele marrom clara, cabelos grisalhos e encaracolados sorri e recita poema para Teófilo Otoni-MG. A mulher usa uma camisa preta debaixo de um casaco cinza de lã. Usa um óculos de armação rosada no alto da cabeça para prender os cabelos.)

sexta-feira, julho 30, 2021

O tigre que veio para o chá da tarde - Quando a vida apronta uma daquelas



Está tudo pronto para o chá. De repente, um tigre faminto chega, pedindo comida! É isso mesmo. Você não se equivocou. O livro conta o que o título já avisa.

O problema é que o tigre parece insaciável. Não tem problema. Deixe-o comer. Mãe e filha fazem isso, sempre encarando a situação com bom humor e doses enormes de afeto.

Judith Kerr traça então uma narrativa inusitada com total naturalidade. Atônito fiquei eu, enquanto lia. E curioso para saber como mãe e filha resolveriam a questão.

O livro O tigre que veio para o chá da tarde é uma daquelas obra sensíveis e poeticamente misteriosas, que exigem de nós certa dose de fabulação e conformidade. Não adianta estranharmos a situação inusitada. Ou melhor, adianta, sim. Talvez seja esse o desejo da autora.

Enquanto li, eu ficava cada vez mais surpreso com os acontecimentos. Não podia deixar de ter alguns calafrios com o sorriso enigmático do tigre. Era como se ele sempre escondesse alguma coisa, ou estivesse pronto para a qualquer momento devorar a menina e sua mãe.

Mas assim é a vida: Pronta para puxar nosso tapete e nos virar de ponta-cabeça. Em situações assim, o que devemos fazer? De repente, dar uma cambalhota!

(Descrição da imagem: Fotografia de mão de pele clara que segura um livro. A capa do livro tem fundo branco, criança de cabelos amarelos sentada em uma mesa, de frente. À direita, tigre também sentado à mesa. A criança está de blusa azul, vestido roxo e meia calça xadrez. Calça sapatos pretos. Ela está de perfil direito. Já o tigre está de frente, com as patas dianteiras pousadas sobre a mesa.) 


Ficha Técnica

O tigre que veio para o chá da tarde

Judith Kerr

Tradução de Érico de Assis

ISBN-13: 9786555110791

ISBN-10: 6555110791

Ano: 2021 

Páginas: 32

Idioma: português

Editora: HarperCollins


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-tigre-que-veio-para-o-cha-da-tarde-11809265ed11810037.html

quarta-feira, julho 28, 2021

Para todo mundo


O direito à saúde e à vida deveria ser um direito de todas as pessoas. Infelizmente, há quem as transforme em mercadoria. E desta forma, quem tem pode pagar. Mas e quem não tem?

Meu sonho é que todas necessidades das pessoas se tornem direitos básicos. Meu sonho é que ninguém precise se degradar para ter a saúde que precisa, ou a cultura, ou os alimentos. A humanidade pode fazer isso. Sim, a humanidade pode ser melhor.

Na última quinta-feira, dia 15 de julho de 2021, eu recebi a primeira dose da vacina contra COVID-19. Dois dias antes, quando eu soube que minha faixa etária (39 anos) seria contemplada pela campanha de vacinação aqui em BH, senti meu coração pular de alegria. Eu me senti literalmente privilegiado. E um sobrevivente.

Só de pensar que tantas pessoas mais jovens e mais saudáveis que eu morreram de uma doença que já tem vacina, percebo o absurdo do mundo em que vivemos. Ao mesmo tempo, só de pensar que, se não fosse o SUS, talvez a vacinação estaria muito mais atrasada do que já está, percebo como o SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE é um gigante, um poderoso aliado para a nossa saúde, de todas as pessoas que vivem neste país. 

Por isso, sempre que souber de mais uma pessoa vacinada, sempre que for informado sobre uma nova faixa etária contemplada na campanha de vacinação, não irei hesitar. Vou vibrar e dizer: VIVA O SUS!

Descrição da imagem: Fotografia onde eu estou vestido com uma camiseta de cor vinho. Na camisa está estampado o desenho de um jacaré. À direita, recebo no braço a injeção da vacina. Sou branco, tenho os cabelos amarrados para trás, estou de máscara azul e óculos retangulares. 

segunda-feira, julho 26, 2021

Sinto saudade dos abraços


Sinto saudade dos abraços.

Dizer isso é pouco.

Sinto falta do toque 

do calor. 

Desse pertencimento 

que só se transmite assim, 

pele na pele. 

Ai como sinto 

com toda força 

o não sentir.

sexta-feira, julho 23, 2021

O Crime do Cais do Valongo - O poder das vozes de além




É difícil falar de um livro tão complexo e rico como O crime do Cais do Valongo. Escrito como uma narrativa composta, com mais de uma voz, o texto de Eliana Alves Cruz nos brinda com um enredo envolvente, com motivo histórico, mostrando que muitas de nossas mazelas são antigas.

No romance, conhecemos Nuno, um rapaz jovem e alegre, amante da vida e muito esperto. Por saber que, sendo mestiço, tem poucas chances de ascensão social, Nuno busca nos negócios uma chance de melhorar sua vida. O problema é que o jovem tem uma dívida com um português, aparentado com o Intendente Geral de Polícia, que responde diretamente a D. João VI.

A situação se complica para Nuno quando o credor da dívida aparece morto e seu corpo, mutilado. Temendo que a culpa caísse sobre ele, o jovem inicia uma investigação por conta própria, enquanto se aproxima do responsável pelo caso, o intendente em pessoa.

Além da voz de Nuno, temos também Muana Lómuè. Ela foi escravizada e trabalhava para a vítima. Moçambicana, Muana tem poderes que os olhares europeus não conseguem explicar. Muana fala de seu povo, macua, e sua Grande Mãe, Nipele. Muana tem capacidade de enxergar os mortos. Há outras duas personagens que trabalhavam para a suposta vítima: Roza e Marianno. Cada um deles tem características marcantes e poderes misteriosos.

Enquanto acompanhamos as vozes de Nuno e Muana, vamos nos questionando qual seria o verdadeiro crime. Não seriam os horrores provocados pelos traficantes das pessoas escravizadas? Cada capítulo se abre com um anúncio de jornal e alguns deles são de pessoas vendidas para o tráfico de escravizados. Os anúncios foram de fato consultados em documentos dos jornais do Brasil colonial. E mostram a vileza dos portugueses em negociar vidas inocentes, inclusive crianças. 

Um elemento interessante é que a autora com sua obra homenageia o romance policial, com reviravoltas e mistérios que envolvem cada personagem. O livro, porém, não é um romance policial e sim uma obra de denúncia social e um romance histórico. Uma obra poderosa sobre a resistência de povos que foram retirados à força de sua terra, mas que lutaram para que sua terra não fosse arrancada deles.


Ficha Técnica

O crime do Cais do Valongo

Eliana Alves Cruz

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ISBN-13: 9788592736279

ISBN-10: 8592736277

Ano: 2018 

Páginas: 202

Idioma: português

Editora: Malê


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-crime-do-cais-do-valongo-782206ed787048.html