quarta-feira, abril 01, 2020

Sobre estrelas cadentes

Quem me conhece sabe que desde bem pequeno cultivo o sonho de ser escritor. Logo que o primeiro livro me capturou e encheu de fascínio, decidi: Quero fazer as pessoas sentirem o que sinto ao ler. Se alguém me perguntar que sensação seria essa, talvez eu tenha dificuldade em responder. É aí que a coisa fica complicada. Como provocar nas outras pessoas algo que nem eu sei divisar?

Porém, lá estava eu, um franzino e cabeçudo, dizendo aos quatro cantos que seria escritor quando crescesse. Também, pudera! Entre ser escritor e astronauta, a primeira ocupação seria muito mais alcançável.

Ledo engano. Fui crescendo e descobrindo como era difícil saber o que seria preciso para se tornar um escritor. Qual curso fazer? Que caminho tomar? Era tudo muito difícil e nebuloso. Sem falar que tem escritor que não ajuda. Certa vez, eu viajei para o lançamento do livro com o bate-papo com o autor. Um rapaz ao meu lado perguntou o que era necessário para ser escritor. Ao que o autor encheu o peito e disse:

- Pra ser escritor, você tem que ser bom!

Saí do evento decepcionado. Claro, não havia comparecido achando que teria a fórmula de Flamel, mas a empáfia do dito autor me revirou o estômago.

Porém, fui persistente. Participei de oficinas literárias. Inscrevi meus textos em concursos, integrei coletâneas literárias. Depois de vários percalços, lá estava eu, no lançamento de meu primeiro romance "O Medalhão e a Adaga".

Como um bom pai, passei a acompanhar o que os leitores estavam achando do livro. Criei um perfil dele no Skoob, a rede social de livros e leitores. E fiquei de camarote esperando quantas estrelas cada leitura daria.

Os primeiros dias após o lançamento do livro foram de empolgação, acompanhando lá no Skoob o crescimento de leitores. Era como se meu próprio filho fosse crescendo. Logicamente, esses primeiros leitores eram do meu círculo de amigos e por isso a maioria deu 5 estrelas após a leitura.

Mas certo dia, qual não foi minha surpresa ao descobrir que alguém  havia dado 4 estrelas ao meu livro. Ponderei. Tudo bem, ainda era muito bom. Os hotéis 4 estrelas são excelentes. Ter 4 estrelas é estar acima da média. Acabei me acalmando.

Só que não parou por aí. Veio o dia em que eu encontrei um leitor que deu 3 estrelas para meu livro. Tive uma sensação de estranhamento. Afinal, meu objetivo era que o livro fosse bem recebido, que o livro agradasse, que empolgasse meus leitores. Porém, três estrelas ainda se enquadram na lógica da boa avaliação. O melhor hotel em que estive tinha 3 estrelas.

Mas então eu finalmente cheguei à primeira vez que recebia uma avaliação abaixo da média. Logo depois, uma nota ainda pior. Alcancei a marca de uma estrela. Pronto, tinha chegado ao fundo do poço. 

Era para eu ficar aturdido. Não sei se estava vacinado, ou simplesmente cansado, mas não liguei como imaginei que ligaria. Não fui ao chão. Essa experiência só reforçou o fato de que preciso continuar aprendendo.

2 comentários:

Pam disse...

Samuca, você já sabe que desde antes de me apaixonar por você, eu já te lia e gostava dos seus textos. Aprendi com você a gostar da literatura de fantasia. Que você é um ótimo escritor, não canso de dizer. Mas mais do que isso, eu amo ver sua trajetória até aqui e sua paixão pela escrita e literatura que começaram bem cedo. Eu sei o quanto é difícil lidar com as avaliações e todo escritor passa por isso. Gosto de ver sua preocupação com os leitores e com a recepção de suas obras. Contudo, não se deixe abater por notas. Elas não dizem nada sobre quem você é como escritor.

Samuel Medina (Nerito Samedi) disse...

Obrigado, meu amor. Eu tenho você como grande incentivadora de meus escritos. O que faria se não fosse o seu apoio? Amo você.