segunda-feira, abril 06, 2020

O machismo perverso de Bolsonaro

Autor: Pataxó
Há um ditado que diz que não se deve chutar cachorro morto.  Politicamente, considero que Jair Bolsonaro, vulgo Bozo, está tão morto que só falta sepultar, pois já cheira mal. Porém, como alguns de seus seguidores continuam a sacudir sua carcaça mórbida, nua e imoral por aí, acho muito necessário que a gente continue batendo, chutando e dando porrada nesse morto que muitos insistem que continua vivo e bem. Vai que a carcaça levanta pra morder mais alguém, como é seu comportamento.

Não sou um adepto da política a ponto de usar meu blog pessoal, exclusivo para a divulgação literária, como plataforma pafletária. Nunca fui disso, e creio que nunca serei. A questão é que o bolsonarismo é um problema grande demais para que eu use de diletantismo para não me posicionar politicamente. Inclusive, mais de uma vez discursei aqui, em crônicas e poemas, sobre como esse monstro estava crescendo, a ponto de atingir uma escala incontrolável.

Que Bolsonaro representa a camada mais egoísta e preconceituosa de nossa sociedade, todo mundo já sabe. São pessoas que usam o intangível patriotismo como desculpa para destilar ódio contra principalmente os mais pobres. Não apenas estes, mas também contra qualquer ideia de diferença, seja social, científica, religiosa, bem como as pessoas mais vitimadas pelos preconceitos que ainda tornam a humanidade enferma e em estado de pré-civilização.

Outro dos maiores perigos do bolsonarismo é inverter o significado das palavras, onde honesto é um homem que admite sonegar impostos e realizar transações financeiras sem qualquer documento comprobatório - e ainda ridicularizar a existência de quem o faz; onde as pessoas achem bonito que um parlamentar não preste conta da verba que usa; onde as palavras estupro e merecimento aparecem em uma mesma frase, ignorando o fato de que ninguém merece ser estuprado; onde um político homenageia um torturador e defende, literalmente, o crime de extermínio.

Sim, o bolsonarismo é perigoso, tal qual um animal peçonhento. Ou melhor, é ainda mais, pois até mesmo um bicho peçonhento segue uma lógica de sobrevivência. O bolsonarismo é maligno pois estimula a insanidade através do ódio autodestrutivo. Um ódio que procura assegurar as coisas como estão, que busca preservar uma ideia de honra de homens que agridem as mulheres por sua existência. E esse ódio é capaz de implodir tudo para que não haja mudança.

E um dos maiores problemas do bolsonarismo é justamente a defesa do machismo estrutural. Não é novidade a ninguém quantas vezes Jair Bolsonaro foi ofensivo com mulheres, seja em foro pessoal, ao dizer em tom de troça que a própria filha foi resultado de uma "fraquejada", seja como um todo, ao declarar que nunca contrataria uma mulher no lugar de um homem.

A última de Bolsonaro, de que tenho notícia, foi dizer que a gravidez precoce seria culpa de mães e avós. Ancorado em argumentos do igualmente perverso Alexandre Garcia, Bolsonaro deu a seguinte declaração:

"Na semana passada, falei de uma menina que deu à luz pela terceira vez aos 16 anos de idade sendo aidética. Isso que eu falei. O que faltou? Faltou uma mãe, uma avó, pra não começar a fazer sexo tão cedo. Qualquer pessoa com HIV, além do problema de saúde dela gravíssimo, que nós temos pena, é custoso para todo mundo. Vocês focaram no que o aidético é oneroso no Brasil. Tô levando porrada de tudo quando é grupo de pessoas que tem esse problema lamentavelmente."

Tem que levar porrada mesmo. E muita.

Fontes:




2 comentários:

Pam disse...

Amor, compartilho da sua indignação e dor diante de tanta monstruosidade desse ser que não sabe nada sobre "ser humano". Vamos unir nossas energias, palavras, amor e arte para dar voz ao nosso grito, seja aqui nas redes, mas ruas, em nossas casas, trabalhos e demais espaços políticos. Ps.: adorei a resenha e a charge.

Samuel Medina (Nerito Samedi) disse...

Oi, amor. Que bom que você gostou do texto. É um incentivo para continuar escrevendo. Amo você!