quinta-feira, fevereiro 27, 2020

A violência nossa de cada dia

Há anos venho ponderando sobre o senso comum e o alarmismo da mídia de que a violência estaria aumentando. São ponderações que mantive para mim mesmo, no máximo comentei com alguém próximo. Porém, esses questionamentos permanecem, sempre me instigando. 

Por exemplo, é muito comum escutar que antigamente a violência era menor, que as pessoas poderiam sair na rua com mais tranquilidade, que crianças não podem mais brincar ao ar livre.

Tais argumentos são inclusive usados por aquelas pessoas que defendem o armamento da população, o endurecimento do código penal e a ampliação dos presídios. E foram também utilizados por quem apoiava o antes candidato e atual presidente. 

A despeito das atuais informações do Ministério da Justiça - das quais eu desconfio - existe sempre um discurso de que a violência estaria aumentando e que seria necessário um enrijecimento do Estado, para que tal escalada fosse interrompida.

A História, porém, nos mostra outra coisa. Já tivemos períodos muito mais violentos que os atuais, em números absolutos. Se formos pensar proporcionalmente, então, a violência seria ainda maior.

Eu me lembro que, quando criança, passei férias no bairro Planalto, aqui em Belo Horizonte. Deveria ser o ano de 1989, ou 1990. Naquela época, sair para a rua era certeza de ser assaltado por alguém. Eu inclusive fui vítima de um desses assaltos. Sem falar nos furtos constantes a que as pessoas eram vítimas, no centro da cidade.

Essas ocorrências foram diminuindo, a partir da melhora da economia do país. Com apenas minha memória para contar como aliada, arrisco afirmar que os períodos de estabilidade econômica corresponderam, pelo menos para mim, a uma maior sensação de segurança.

Outro ponto que me incomoda são as frequentes pesquisas - inclusive a última divulgação do Ministério da Justiça. Em nosso país, temos a mania de mudar os indicadores, o que compromete historicamente a pesquisa. Ou seja, acabamos provocando nossa própria desinformação. 

Por fim, temos um aumento vertiginoso da população, tanto no Brasil quanto no mundo. Sendo assim, é compreensível que a violência aumente, em números absolutos. Devemos, porém, continuar a combatê-la.

Para concluir, afirmo que me causa nojo que o atual líder da nação seja um defensor da tortura, do extermínio e que use de violência verbal (e por vezes física) contra qualquer pessoa que o desagrade. A incitação à violência que Bolsonaro faz, quase diariamente, deixa exposta toda a sua monstruosidade e a hipocrisia dos cristãos que o apoiam.

2 comentários:

Rodrigo disse...

Distribuindo a riqueza e investindo na edução do povo, se diminui a violência. E é triste porque todo mundo viu isso acontecer e as pessoas continuam a negar as coisas...

Samuel Medina (Nerito Samedi) disse...

Concordo com suas observações. De fato, enquanto a riqueza permanecer concentrada, as pessoas continuarão se matando por pouco.