segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Reminiscências - Parte II de IV

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 Enquanto o sol gradativamente declinava, um pequeno grupo aguardava em uma estreita fenda formada pelo encontro de duas rochas. O esconderijo estava estabelecido em um vale oculto pelas árvores do bosque, situado a pouco mais de meio quilômetro a leste de Arnoll. Eram cinco pessoas e todas estavam deitadas, em silêncio. Aguardavam a chegada do exército que em breve condenaria a cidadela à condição de total obliteração. Seridath levantou-se. Aldreth e Uri cochilavam. Apenas o ladrãozinho Thin estivera acordado todo o tempo, velando ao lado de Lucan, que dormia um sono leve e febril.
Seridath aproximou-se de Aldreth e o sacudiu levemente. O rapaz despertou assustado, com a mão na espada. Seridath, com um olhar, sossegou-o.
– Vamos sair – sussurrou ele ao jovem.
Ambos deixaram a caverna para avaliar a situação que em breve iria tragá-los. Seridath esperava observar melhor o exército inimigo. Subiram a encosta do vale, escalando o aclive da colina maior, passando por grama alta, arbustos e algumas árvores esparsas. As colinas da região tinham sua crista coberta por um conjunto cerrado de uma variação de pinheiros de grande porte e fortes galhos. Escolheram com cuidado o pinheiro que parecia mais alto. Aldreth era bom em escalar árvores, mas Seridath, o misterioso Viajante Cinzento, sempre o surpreendia. Em questão de minutos ambos estavam no topo da árvore escolhida. De onde estavam, poderiam ver a sombria massa que chegava pelo norte na campina de Arnoll.
Vem de muito longe o mal... – sussurrou Aldreth, mais para si mesmo do que para o amo, lembrando-se de um texto antigo.
– Cale-se. – falou Seridath, com rudeza – Não devemos temer o Mal. Ele está aqui, preso à minha cintura, e é meu servo.
Aldreth sentiu um calafrio. Detestava quando Seridath falava nesse tom. O rapaz, ao contrário do amo, não queria um pacto com o Mal. Queria saber o que havia de errado em simplesmente viver. O próprio Seridath parecia não estar certo de suas próprias palavras. Ainda estava em batalha com Lorguth. Algo interrompeu seus pensamentos, enquanto Aldreth murmurava:

– Olha!

Continua...

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