segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Reminiscências - Parte III de IV

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 Então ambos viram o povo de Arnoll nas ameias dos muros, balançando os braços. O barulho da algazarra era tão grande que alcançava os ouvidos dos dois rapazes. Ao sudeste de Arnoll, despontava uma massa compacta e organizada de homens, soldados fortemente armados e equipados, sendo guiados pelo estandarte dourado de uma torre encimada por uma coroa e com cavalos de ambos os lados. Nenhum dos dois rapazes disse palavra, mas o pouco tempo passado na capital fora o suficiente para poderem reconhecer o estandarte e seu dono, um velho senhor de armadura dourada. Era o Senhor do Reino de Dhar, chegando para defender seus súditos. O exército do rei deveria contar com cinco mil lanceiros, além dos homens que formavam cavalaria, arqueiros, um esquadrão de magos, outro de clérigos. Os poderosos senhores dos feudos de Dhar marchavam ao lado de seu soberano. O exército chegava a dez mil homens. Seridath imaginou se os traidores Denor e Anfard teriam sobrevivido para encontrar o exército do rei. Mas para ele os fatos começavam a encaixar-se. Aquele campo de batalha havia sido planejado há muito tempo. Urso Pardo e seu destacamento deveriam ser somente uma distração, homens enviados para morrerem sob as lâminas dos inimigos, para atrasá-los, enquanto as forças oficiais faziam seus últimos preparativos. Mas onde estaria Serpente Flamejante com seu destacamento de apenas três mil? O cavaleiro sentiu vontade de rir ao pensar na enorme diferença entre a Companhia e o imponente exército de Dhar.
Antes que Seridath erguesse a voz e fizesse um gracejo contra seus antigos senhores, ele viu uma massa de homens proporcionalmente menor surgindo de um vale a oeste. Não era noite ainda, mas os homens da Companhia já carregavam tochas, que acentuavam a pobreza desse exército, frente aos estandartes de Dhar, iluminados por magia, quase fazendo aquele final de tarde tornar-se manhã. Do exército sombrio de mortos, notava-se apenas o som dos horríveis tambores.
Seridath por um tempo manteve sua atenção na Companhia em marcha. Três mil teria sido um número considerável na batalha em Keraz, mas diante daquele novo exército de mortos era inexpressivo. Examinando com mais cuidado, o guerreiro pôde perceber a formação da Companhia, com seus blocos e divisões, bem organizados. A infantaria estava dividida em blocos simétricos, guiados por seus respectivos capitães, com arqueiros a flanqueá-los. Guiando blocos maiores e auxiliados pelos arautos, homens vestidos de forma extravagante, com roupas de pele e chapéus de pluma, caminhavam apoiados em seus bordões. Seridath inquiria a si mesmo qual deles seria o ilustre Serpente Flamejante. Talvez fosse um dos velhos recurvados que se agrupavam, ocupando o centro do exército. "Aquele deve ser o conselho tão comentado pelo velho Urso" ponderou Seridath.
Aldreth olhava deslumbrado toda aquela movimentação. Nunca tinha visto exércitos tão grandiosos quanto aqueles. Os mortos tomando um horizonte e o exército de Dhar tomando outro. Seridath tocou-o no ombro.

– Os outros – disse o rapaz –, vá chamá-los.

Continua...

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