domingo, abril 09, 2017

Leitura #15

Composto por um humor nonsense, este livro apresenta um inusitado pescador.

Baleia #1
Rebeca Prado

Descrição: Dentro de um círculo, céu azul-esverdeado com duas nuvens. Abaixo, duas ondas suaves. Abaixo do círculo, uma âncora.

sexta-feira, abril 07, 2017

Leitura #14


Um delicioso compêndio sobre nossa cultura oral.

Você diz que sabe muito, borboleta sabe mais!
Ricardo Azevedo
Mariana Massarani
Editora Moderna

Descrição: Em fundo azul, borboleta com asas cor de rosa, tem corpo humano. Com os dois braços agendarem

Alta fidelidade: Sobre som, tristeza e crescimento


Sabemos que toda pessoa passa por um período de avaliação interior, uma espécie de balanço emocional, muitas vezes na passagem da juventude para a meia-idade. Em muitos casos, a motivação dessa auto-análise está na insatisfação que surge quando a pessoa compara a realidade com as expectativas que tinha, sobre si mesma, no passado. 
De certa maneira, o excelente romance de Nick Hornby, Alta fidelidade, explora uma situação como essa. É uma obra impactante e ágil, repleta de referências da cultura pop sem soar clichê, além de conter um tom coloquial saboroso e equilibrado, prova tanto da competência do autor quanto do tradutor.
Alta fidelidade nos apresenta Rob, narrador de sua vida, com trinta e cinco anos e uma coleção de relacionamentos fracassados. A narrativa tem início numa espécie de discurso imaginário que ele faz para a última ex-namorada, Laura, contando sobre os piores foras que tomou na vida. Rob chega a culpar um desses foras pelo seu fracasso profissional e amoroso. 
Ao longo do livro, porém, o leitor tem a oportunidade de ver Rob se entregando inúmeras vezes, com atitudes machistas, imaturas e egoístas. Ele despreza o trabalho como dono de uma loja de discos quase quebrada, bem como seus excêntricos funcionários e "quase amigos", o tímido Dick e o espalhafatoso Barry. Tudo nele parece incompleto, como sua enorme coleção de discos e fitas cassete. 
Há inclusive um excelente paralelo entre gravar um cassete e escrever. Ambos exigem tempo, esforço emocional, consciência e disposição para começar de novo. Assim como nos relacionamentos. E essa é outra das provas do talento de Hornby, pois seu romance mostra uma gama de personagens autênticos e fascinantes, mostrando o quanto as pessoas podem ser contraditórias e como crescer pode se mostrar solitário e assustador.
Com um ritmo ligeiro e engraçado, rico em referências musicais, Alta fidelidade certamente é um daqueles livros capazes de marcar aquele que se aventure por suas páginas.

Ficha técnica
Autor: Nick Hornby
ISBN: 9788535923025
Ano: 2013
Páginas: 312
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras

quarta-feira, abril 05, 2017

Nossas histórias, para sempre


Quando decidimos fazer um evento ligado ao Dia do Contador de Histórias, imaginávamos um seminário que nos levasse à reflexão dessa arte tão preciosa para nós. Não contávamos, porém, com as “cosmicidências” que por vezes nos surpreendem. E assim foi, pois a Sandra Lane, uma das pessoas que desejávamos convidar para o seminário, entrou em contato conosco e nos surpreendeu com a oferta de oficina “Recursos Auxiliares na Arte de Contar Histórias” e da magnífica apresentação “Baú de Histórias”. Enquanto a gente fechava os detalhes, Sandra veio com a ideia de uma semana voltada a celebrar as histórias e seus guardiões, os narradores.
Ficamos empolgados e logo nos pusemos em ação para montar a programação da semana. Foi um período árduo e cheio de percalços, o que impactou na divulgação. Tivemos problemas externos, como a greve atual, que nos encheram de incertezas.
Tudo, porém, deu certo. 
O seminário contou com a magnífica atuação de Reni Tiago, para fazer a abertura. A mesa foi composta por Sandra Lane e Cris Barbosa, com mediação da Rosana Mont'Alverne. Por motivo de saúde, não estive presente, mas os depoimentos sobre esse especial encontro chegaram até mim como preciosas palavras se sabedoria.
Com o apoio e a disposição do Grupo de Contadoras de Histórias da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil, realizamos apresentações durante a semana inteira, com destaque para a mais nova integrante, Lupri do Carmo, que ainda trouxe uma excelente convidada, Magna de Oliveira. Tivemos oficinas, como a ministrada pela Sandra, que teve intensa procura e foi realizada com lotação máxima.
Para encerrar de forma inesquecível, tivemos o Sábado de Sabores e Histórias, iniciado pela oficina “Livro-burguer”, mediada pelo amigo bibliotecário Wander Ferreira. Em sequência, mediei a oficina “Meu Livro de Receitas Enfeitiçadas”. Para encerrar, Sandra Lane, Vilmar de Oliveira e Carlinhos Ferreira foram maravilhosos, abrindo o Baú de Histórias e encantando o público com uma miríade de sons, palavras e sonhos.
A Semana do Contador de Histórias não teria sido o sucesso que foi, contudo, se não tivesse a presença do público, que tornou cada atividade dinâmica e prazerosa, com sua postura sempre pronta para uma boa conversa.
Deixo aqui, portanto, meu relato de como essa semana que se encerrou no dia 25 de março de 2017 será inesquecível para mim… para todos nós. Uma semana para ser lembrada e contada com carinho e admiração.

Relato originalmente publicado no Instagram.

terça-feira, abril 04, 2017

Vídeo: Cântico XIII de Cecília Meireles

Bom dia! E para receber a alvorada, nada melhor que poesia! Trago um dos Cânticos de Cecília Meireles, recitado em plena região de Lavras Novas!


segunda-feira, abril 03, 2017

Leitura #13

Uma porquinha muito engraçadinha nos conta sua história.

História enroscada
Sylvia Orthof
Eva Furnari
Editora Braga

Descrição: Em fundo branco, porca de perfil esquerdo usa chapéu azul, veste camisa rosa e saia lilás. Está inclinada para frente e segura uma flor junto ao chão.

domingo, abril 02, 2017

Leitura #12

A história do amor não correspondido de um cachorro por seu dono. Até um acontecimento mudar tudo entre os dois.

Às vezes o Amor está onde menos se espera
Colin Thompson
BRINQUE-BOOK

Descrição: Em fundo azul, cachorro de perfil direito olha para o pé de alguém que se afasta.


sexta-feira, março 31, 2017

Leitura #11


Achando que está preparando uma cilada para três ratos cegos, uma coruja descobre que as coisas podem ser bem diferentes.

Os Três Ratos de Chantilly
Alexandre Camanho (texto e ilustrações)
Pulo do Gato

Descrição: Três ratos. O primeiro segura um graveto na pata dianteira direita. O segundo tem um chapéu verde e o terceiro leva uma xícara emborcada na cabeça.

Perdão, Leonard Peacock - Sobre quem escreve cartas do futuro



Sabemos que a adolescência pode ser uma fase grave na vida de qualquer pessoa. Ainda mais se esse período for passado na solidão e sem o diálogo com os pais. Apesar disso ser um lugar-comum, quase um clichê, ainda se percebe como é urgente a necessidade de um diálogo com os jovens.
Matthew Quick aborda essa questão em seu excelente Perdão, Leonard Peacock. Nele conhecemos Leo, o narrador e protagonista, de cara apresentando o seu dilema: no final do dia matará Asher Biel, um colega de escola. A princípio, podemos pensar que se trata de mais um garoto desajustado e psicótico que passou despercebido até fazer o seu estrago, mas estão vamos conhecendo a vida de Leonard, os terríveis dilemas que o assolam, como a ausência dos pais e a problemática educacional, mesmo quando os professores lutam pelas melhores intenções. Enquanto isso, somos apresentados a um suposto futuro apocalíptico, onde Leonard tem uma família e vive além dos limites.
Há outras nuances no livro, como a admiração por Humphrey Bogart, construída através de horas assistindo filmes ao lado de um vizinho idoso e rabugento, ou a sensibilidade profunda, demonstrada e exercitada ao escutar diariamente os ensaios de um colega violinista, evadido do Irã.
Nenhuma delas é tão marcante, porém, que a relação construída com o professor de Holocausto, Herr Silverman. Ele tem um segredo que intriga Leonard, e a curiosidade é aguçada pela profunda admiração que o rapaz tem por ele. 
Enfim, um livro pungente e interessante, tanto pelo questionamento de Leonard em relação ao presente, quanto pelo interessante olhar sobre um futuro que se esconde em luz e sombras, Perdão, Leonard Peacock é mais que um livro sobre adolescentes desajustados. É sobre crescer, conhecer-se e se transformar.

Ficha técnica:
Título: Perdão, Leonard Peacock
Autor: Matthew Quick
ISBN: 9788580573954
Ano: 2013
Páginas: 224
Idioma: português
Editora: Intrínseca

quinta-feira, março 30, 2017

Leitura #10


Um pequeno compêndio sobre os monstros que habitam a imaginação de nosso país

Monstrengos de Nossa Terra
Ricardo Azevedo (texto e ilustrações)
Editora FTD

Descrição: Cavalo branco, em perfil esquerdo tem três pernas, um par de asas. Não tem cabeça. Ele está em um campo verde. Ao longe, três árvores. A terceira é um coqueiro. Céu noturno tomado quase totalmente por nuvens amarelas. No canto superior direito, a lua minguante.

quarta-feira, março 29, 2017

Leitura #9

Um cachorrinho de rua conta sua história. E do seu jeito!

História vira-lata
Sylvia Orthof
Eva Furnari
Editora Braga

Descrição: Em fundo branco, lata de lixo azul. À direita, cachorro de cor avermelhada e perfil esquerdo está sentado em um caixote. Nas patas dianteiras ele segura um sanduíche, apoiado sobre a lata de lixo, onde repousa um copo com líquido claro e canudinho. À esquerda, um amontoado de lixo.

terça-feira, março 28, 2017

Vídeo: Grito, de Pâmela Machado

Compartilho com vocês desta vez a leitura de um lindíssimo poema da Pâmela Machado, lido em um sarau no Sesc Carlos Prates, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Agradeço aos amigos Norma de Souza Lopes, Rodrigo Teixeira e, especialmente, Carolina Reis, que fez esta filmagem. Como não pode faltar, faço um agradecimento para a Pâmela Machado, que com suas palavras e presença muito tem inspirado meus escritos. Eu te amo, Pam!


Leitura #8


A história de um samurai e de seu poder de mudar a realidade através do Origami.





A dobradura do samurai
Ilan Brenman
Fernando Vilela
Companhia das Letrinhas

Descrição: homem de olhos puxados em perfil direito veste quimono e brande uma espada samurai na mão esquerda e um bambu na direita. Uma sequência de 8 origamis estão na frente dele, caracol, concha, sapo, tatu, concha, Tsuru, girafa, concha. O homem está em preto e branco. Os origamis estão nas cores preto, laranja, verde, preto, azul, azul, azul, laranja.

segunda-feira, março 27, 2017

Leitura #7

Um gato culto e bem educado tem complicações adiante. Agora, seu maior problema é justamente ser xadrez!




Era outra vez um gato xadrez
Letícia Wierzchowski
Virgílio Neves
Galerinha Record

Descrição: Em fundo roxo, retângulo xadrez, preto e branco, com gato de perfil esquerdo no canto inferior direito. Ele é branco com quadriculados pretos perto do pescoço e da barriga e um quadrado maior no olho esquerdo.

domingo, março 26, 2017

Trilogia da Fundação - Um surpreendente mergulho em nosso possível futuro

Não costumo fazer resenhas de trilogias ou séries literárias, mas de obras individuais, principalmente por não ter a intenção de ser um blog analítico, nem de crítica acadêmica. Além disso, uma resenha conjunta, a meu ver, não é tão legal. Acho que cada obra tem sua especificidade, como se fosse um indivíduo único.
Assim, foi com certa relutância que decidi escrever esta resenha. Porém, como faz um tempo que não publico alguma, e como só publiquei uma este ano, resolvi juntar esses motivos para fazer um três em um.
Tudo bem que talvez seja muita pretensão de minha parte fazer comentários sobre um dos trabalhos mais impressionantes do Guru da ficção científica, Isaac Asimov. Mas é assim mesmo que a gente aprende.
A trilogia começa com o livro Fundação mostrando - com o perdão do trocadilho - os fundamentos dessa saga cósmica. Um jovem matemático é convidado a trabalhar na Universidade de Trantor, capital do Império Galáctico, a milhares de anos em nosso futuro. Lá ele conhece Hari Seldon, o fundador de uma estranha ciência chamada Psico-História. Segundo esta, seria possível prever o futuro de uma civilização através de fórmulas matemáticas. Sendo assim, foi previsto o declínio do Império e sua inevitável queda, seguida de trinta mil anos de barbárie.
Para atenuar os efeitos dessa crise e encurtar esses trinta mil anos em apenas mil, Seldon cria uma fundação de cientistas que deveriam tratar de todo o conhecimento do Império e guardá-lo em uma inédita enciclopédia, para quando um novo império surgisse.
A princípio, este é o objetivo da Fundação, estabelecida no planeta Terminus, na periferia mais obscura e distante da galáxia. Há, porém, um objetivo oculto e impressionante, que será revelado gradativamente, à medida que o Império se degenera e a periferia se torna cada vez mais instável e perigosa, com o surgimento de governos planetários belicistas.
Sei que a importância de uma obra pode interferir em sua leitura, de forma a causar uma expectativa que pode ser frustrante. Não foi esse o caso. O texto de Asimov é equilibrado e fluido, muito agradável. Além disso, seus personagens são cativantes, embora o tempo que o leitor passe com eles seja relativamente curto. Afinal, a trilogia cobre um período de mais de trezentos anos em que crises e reviravoltas acontecem.
É importante destacar, também, como Asimov tem uma incrível visão estratégica, dando ao leitor a impressão de que ele está fazendo um zoom sobre um indivíduo específico, depois de um espetacular panorama.
É interessante observar certos anacronismos. Afinal, Asimov não é um profeta, a ponto de prever as mudanças sociais que ocorreriam nas três últimas décadas. É possível notar também certo sexismo no desenrolar da trama, tendo as mulheres pouca participação no enredo. Além disso, talvez ele não imaginasse que a tecnologia nuclear seria descontinuada. Mas como eu disse, Asimov não é mágico, mas um ficcionista, e ele fez algo impressionante em sua "ópera espacial", com direito a devaneios sobre possíveis habilidades futuras em uma sociedade humana que buscasse evoluir em consciência e linguagem, nas ciências humanas, ao invés das exatas.
Com um enredo fascinante, um universo rico e complexo e o talento de um exímio prosador, Asimov faz da sua trilogia Fundação, Fundação e Império, Segunda Fundação uma jornada inesquecível para o leitor.


Ficha Técnica
1. Fundação
Páginas: 239
2. Fundação e Império
Páginas: 248
3. Segunda Fundação
Páginas: 235
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph

Perfis dos livros no Skoob:
1. https://www.skoob.com.br/livro/2668ED3474
2. https://www.skoob.com.br/fundacao-e-imperio-27768ed30170.html
3. https://www.skoob.com.br/segunda-fundacao-27769ed30172.html