sexta-feira, dezembro 03, 2021

O mistério da sala secreta - Aventura e humor na dose certa



Júlia e Gabriel são amigos inseparáveis. Ela é corajosa e extrovertida. Ele é bem humorado e estudioso. Esses dois jovens de 12 anos estudam na Escola Municipal Maria Quitéria de Jesus, que está em vias de ser fechada. Júlia está inconformada, principalmente porque a escola em que estuda tem excelente qualidade no ensino e isso pode impactar seu futuro. Ela não teria condições financeiras para pagar passagem para uma escola no centro da cidade. Por isso, tudo indica que será transferida para a mal afamada "escola da pracinha".

Enquanto Júlia parece fadada a estudar em uma escola que não quer, Gabriel, aluno brilhante, tem chance e condições de estudar em uma instituição melhor. Por isso, não se sente tão afetado pelo fechamento do Maria Quitéria. Mas com isso ele será separado de sua grande amiga.

A aventura de ambos começa quando, numa feira da escola, Júlia e Gabriel ficam conhecendo quem foi Maria Quitéria de Jesus, a mulher que emprestou seu nome à escola. Ficam também sabendo da lenda de que a escola teria uma sala secreta, acessível apenas aos corajosos e merecedores.

Curiosa, Júlia arrasta Gabriel para uma busca pela verdade. Sem que saibam, essa aventura poderá mudar a vida não apenas deles, mas de todas as pessoas que estudam e trabalham na Escola Municipal Maria Quitéria de Jesus.

Esse romance juvenil de mistério foi uma leitura agradável e gostosa. Júlia e Gabriel dividem o papel de narrar a trama em capítulos alternados. São jovens com suas personalidades distintas que influenciam suas atitudes na trama. Enquanto Júlia é mais assertiva, Gabriel é mais contido. Ela é leitora voraz, mas não muito estudiosa. Já ele é o primeiro da classe.

Outro ponto que me agradou muito foi a descrição das personagens. A cor da pele e os cabelos de Júlia e Gabriel ganham destaque, com os volumosos cachos dela e o black power dele. Suas características físicas são bem marcadas e evidenciadas, o que fortalece a questão da representatividade negra na literatura. Os desenhos de Rubem Filho são primorosos e fortalecem ainda mais essa representatividade. 

Com uma trama cativante e um segredo a ser desvendado, O mistério da sala secreta é uma aventura gostosa e divertida, voltada para jovens leitores de todas as idades.



Ficha Técnica

O mistério da Sala Secreta

Lavínia Rocha

Ilustrações de Rubem Filho

Ano: 2021 

Páginas: 176

Idioma: português

Editora: Yellowfante

quinta-feira, dezembro 02, 2021

Uma publicação muito esperada

Há alguns anos, comecei a rabiscar uma narrativa em que uma bruxa de idade avançada e a morte se encontram. Desse encontro, nasce uma amizade onde preciosidades são descobertas. Assim nascia o conto que se tornaria, anos depois, o livro Uma visita inesperada, da editora A Mascote.

Um longo caminho foi percorrido antes que o livro estivesse impresso. O primeiro grande desafio foi encontrar um ilustrador que tivesse a sensibilidade e o talento que eu queria para essa história. Além disso, era preciso que eu e o ilustrador estivéssemos em constante contato, para irmos acertando os detalhes do desenho, criando assim uma obra conjunta.

Foi maravilhoso ter conhecido o Luiz Henrique Evaristo, que concedeu seu traço para dar vida à bruxa Mafalda, bem como à Morte, personificada em uma figura gentil e simpática. Assim, Luiz Henrique foi primoroso em seus desenhos, dando à narrativa um tom mágico que a enriqueceu profundamente.

O trabalho da editora A Mascote, na pessoa da Beatriz Mom, foi fundamental para unir texto e ilustração, concedendo-lhe organicidade e elegância. O projeto gráfico ficou incrível, num trabalho artístico ímpar.

É preciso destacar também o trabalho de Pâmela Bastos Machado, minha companheira para a vida, que assina a coedição do livro. Seu olhar sempre cuidadoso e meticuloso auxiliou nas várias versões para que o resultado final ficasse primoroso.

Tenho que registrar aqui que a quarta capa é assinada pelo grande Rodrigo Teixeira, que cedeu um pouco de suas palavras fortes e belas para deixar o livro ainda mais bonito.

É com alegria, portanto, que anuncio a pré-venda do livro Uma visita inesperada. O lançamento presencial será anunciado em breve!



quarta-feira, dezembro 01, 2021

Meu pé de milho


Encontrei aquele grão enquanto catava feijões para o almoço. Surpreso, segurei aquele pequeno e amarelo grão de milho no meio de minha palma. Não o juntei com os feijões rejeitados. Deixei-o à parte, um pouco afastado, para não esquecê-lo.

Desci com ele quando fui molhar as plantas lá fora. Eram algumas mudas que havia conseguido com pessoas queridas. Manjericão, Melissa, Capim Cidreira. Parei no centro do canteiro, em um ponto em que a terra nua era visível.

Enfiei o indicador na terra, que cedeu com facilidade. A chuva recente facilitou o processo. Depositei o grão de milho no pequeno furo e o cobri com terra.

Deixei de pensar nele. Fui lembrar de sua existência quase uma semana depois, quando vi umas folhas largas, longas e bem verdes. Tinham despontado justamente onde eu deixei repousando aquele grão de milho. Parecia um capim, mas diferenciava-se por serem folhas largas e compridas, com caule roxo.

Reconheci meu pé de milho. Orgulhoso, passei a diariamente dedicar-lhe atenção, um pouco de água e uma pequena parcela de meus sonhos. Comecei a me sentir como o Rubem Braga, quando ele contou em sua crônica a descoberta de um pé de milho em seu jardim e o encantamento de ver a planta crescer.

Já imaginava o futuro desse grão que o acaso protegera, escondendo-o em um pacote de feijões de supermercado, para ser encontrado, escapando da obliteração de água, fogo e dentes vorazes. Eu imaginava minhas mãos debulhando a espiga, preparando a terra para a prole desse pequeno grão de milho que agora já era outra coisa. Era um pequenino pé. Meu pé de milho.

Havia, porém, o medo. Como meus vizinhos receberiam a visão de um pé de milho crescendo no jardim? Temia que achassem isso um disparate. Eu ficava me perguntando se algum vizinho reclamaria, ou até mesmo poderia, na surdina, cortar a planta. O perigo, porém, surgiu de um lugar totalmente inusitado para mim.

Ontem, a empresa de jardinagem veio ao condomínio em que moro. Cortaram meu pé de milho. Não adiantou eu ter falado com o jardineiro chefe. Nem ter sinalizado o meu pé de milho, o manjericão, o salsão, o capim cidreira, a melissa. A máquina voraz cortou, esmagou, triturou essas vidas ainda tão tenras, tão tímidas. 

Agora, meu Pé de Milho existe apenas aqui, na galeria de tudo o que era para ser, mas não foi. 

segunda-feira, novembro 29, 2021

O Embate - Parte IV de V

Ir para O Embate - Parte III de V

Três pavilhões dos mortos-vivos se uniram num perfeito sincronismo, formando um "v" invertido, a vanguarda como uma ponta de lança, que se estendia pelos dois flancos. Os lançadores de dardos claudicavam por cima da infantaria que ocupava a linha de frente. Os toques de ataque dos exércitos aliados foram simultâneos. "Pelo visto, eles querem mesmo ser heróis." pensou Seridath, ao ver praticamente todo o efetivo da Companhia mover-se rumo ao inimigo. Os arqueiros fizeram suas flechas descerem como uma chuva cortante contra os mortos-vivos, que ignoraram e mantiveram a marcha na direção da cidadela.
Vendo que o exército maligno estava decidido a ignorar as duas forças, o Senhor de Dhar sorriu ante a arrogância de seus inimigos. Deu ordem para que o esquadrão de magos entrasse em ação. Uma coluna organizada postou-se atrás da infantaria e iniciou uma série de invocações. Em segundos o céu tornou-se mais escuro e os últimos traços de claridade desapareceram sob espessas nuvens. Do céu, fortes relâmpagos desceram sobre as linhas inimigas, destroçando kowas, mortos-vivos, argros e qualquer outra criatura, viva ou não, embora os gigantescos tominaros e os pálidos seiranes tivessem permanecido inabaláveis. Nenhum dos gigantes ou dos seres de branco caiu.
Outra sequência de palavras arcanas surgiu dos lábios daquela poderosa multidão de conhecedores de magia. Esferas flamejantes surgiram do alto da cabeça de cada um deles e partiram rumo aos inimigos. Os arqueiros dispararam em conjunto e o céu cintilou com flechas incandescentes, fortalecidas e inflamadas pela magia.

Continua...

sexta-feira, novembro 26, 2021

Água de Barrela - Sangue e dor na luta por um futuro


Quem foram nossos ancestrais? O que fizeram? Como viveram? Se fosse possível traçar nossas árvores genealógicas e resgatar a história de cada pessoa nelas, o que descobriríamos? Encontraríamos atos heroicos ou crimes hediondos? Será que nos arrependeríamos de buscar as histórias dessas pessoas?

O romance Água de barrela talvez tenha surgido de alguma das perguntas acima. Escrito por Eliana Alves Cruz, este romance histórico é um primoroso trabalho de pesquisa histórica e criação literária. De início, não sabia o que era barrela. Posteriormente, soube que é uma mistura feita para alvejar as roupas, usado pelas mulheres escravizadas para lavar as roupas de seus senhores. Após a declaração da abolição, essas mesmas mulheres continuaram nesse trabalho, como se esse fosse o destino inevitável para elas. 

O livro me encantou já de início, quando vi árvore genealógica que vai de Ewá (Helena), passando por Anolina, Martha, Damiana, Celina, até chegar à Eliana, a autora desse romance histórico que mostra o Brasil a partir da Bahia e das vidas de uma família marcada pela escravização.

Enquanto lia, meus olhos da mente criavam imagens de um país que se transformou de um império colonial a uma república de fachada, como se os tais valores republicanos nada mais fossem do que a tinta que caia um sepulcro. Afinal, essa democracia tão defendida pelos maiores intelectuais brasileiros não alcançou a grande maioria da população, que continuou vítima da exploração, da violência e do preconceito.

Com o objetivo de ultrapassar as barreiras sociais e alcançar ainda que o mínimo de liberdade e dignidade, uma família recorreu à educação. Apesar disso, foi a duras penas e muita roupa lavada que as matriarcas Martha e Damiana foram mudando os destinos dessa família.

Foi através desse livro que conheci Juliano Moreira, médico, um dos maiores do seu tempo. E negro. também conheci Matheus Cruz, grande mecânico, que até os 83 anos lecionava no Liceu Artes e Ofícios.

Mas esse livro é principalmente sobre mulheres. Sobre Martha e Damiana, que vendendo quitutes e lavando roupas foram buscando um futuro melhor para as filhas. Sobre Dodó, explorada até a morte pelo mesmo clã que no passado escravizou, torturou e estuprou suas ancestrais. É sobre Celina, corajosa professora, capaz de enfrentar o risco do cangaceiro Lampião, sem no entanto esmorecer.

Ao terminar o romance, senti culpa por minha branquitude, pelos privilégios estruturais que carrego na minha pele. Senti tristeza por saber que o país continua matando jovens negros. Senti também uma profunda comoção ao ver a justiça de Xangô, que nos descendentes de Ewá, Anolina, Martha, Damiana e Celina elevou essas heroínas, imortalizando-as nesse livro potente e profundo.


Ficha Técnica

Água de barrela

Eliana Alves Cruz

ISBN-13: 9788592736408

ISBN-10: 8592736404

Ano: 2018 

Páginas: 322

Idioma: português

Editora: Malê

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/agua-de-barrela-743875ed834219.html

quinta-feira, novembro 25, 2021

Obituário

Ontem aqui

Morreu um homem.

Sem referência.

Sem juventude.

Na borda do Centro e

No silêncio das horas

Ele morreu.

Seu corpo 

Isolado e sem luto

Como que revelava seu estado

De abandonada humanidade.

Ontem tombou outro 

A regurgitar do destino o

Cálice.

BH, 03 de abril de 2018

quarta-feira, novembro 24, 2021

Lágrimas de luz

Imagem de WikimediaImages por Pixabay 

O Brasil é o país com maior incidência de raios. Em todo o mundo. Os estados Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre são os que mais recebem essas descargas elétricas. Isso me faz pensar no que causaria esse fenômeno. Seria o karma?

Afinal, a Amazônia tem sido atacada continuamente, queimada, invadida, explorada, rechaçada. O Pantanal, também. Quem sabe as deusas antigas não estariam lançando suas lágrimas incandescentes ao prantear a natureza impiedosamente destruída?

Em uma das tradições indígenas, o raio é manifestação de Tupã. Seriam dos guaranis. Não me lembro. O que me lembro é que os 500 anos de invasões continuam, com os povos originários sendo assassinados, perseguidos e caluniados. Era de se esperar que Tupã revidasse.

terça-feira, novembro 23, 2021

Boa noite

Para S.T.

eu que pensava

que havia laços inquebráveis

negava qualquer

muro ou 

precipício 

intransponível

Eu que achava

impossível

estar sozinho

de repente 

me vi

no pântano

de uma angústia imerecida.

Pois agora

sinto que há

amizades de um só lado.

Revirei minhas memórias

em busca

de uma imagem

que pudesse 

ser salva.

Mandarei sempre lembranças

mas de longe.

Também

posso fazer

meu papel 

de morto.

Pois assim

mais uma vez 

eu me apago.

Sentirei falta

e muita.

O rombo em meu peito

é insondável.


Janeiro de 2017

segunda-feira, novembro 22, 2021

O Embate - Parte III de V

Ir para O Embate - Parte II de V

As trombetas dos arautos da Companhia iniciaram uma seqüência de toques, tentando comunicar-se com os seus aliados. O exército de Dhar respondia com os toques de suas imponentes trombetas de prata, enquanto suas bandeiras davam repetidas voltas, em sinais combinados. Lucan conhecia aqueles sinais, mas ficara no pé da árvore.
– Os mortos estão em desvantagem – comentou Thin, com seu olhar aguçado.
– Isso é óbvio. – replicou Seridath, ríspido – Se o exército da Companhia for sacrificado, a vitória será garantida, já que o inimigo terá que lutar em duas frentes.
– Pelo que ouvi de Berak, o chefão que vocês mataram, – continuou dizendo Thin, com indolência – esse exército vem de Quirite-mon. Mas correm boatos de que há muito mais. Outro exército bem maior desses fedorentos partiu direto para o sul, para as planícies drenadas do reino de Marzan.
– A sombra se estende com rapidez. – replicou Aldreth entre um ar sombrio e infantil – O que faremos mestre?
– Nada por enquanto. – respondeu Seridath.
O rapaz via-se em difícil situação. Era evidente que Lorguth continuaria a contrariá-lo se ele não entrasse nessa batalha. O exército inimigo mantinha sua marcha constante e logo alcançaria os portões de Arnoll. Mas Seridath não deu ordem nenhuma aos seus homens. Por enquanto, estaria lá, observando. O exército de Dhar e a Companhia responderam à mobilização inimiga assumindo suas formações ofensivas. A batalha já era uma realidade.



Continua...

domingo, novembro 21, 2021

Conluio

O Capetão 

andava por uma estrada

e numa encruzilhada 

encontrou um

Gonoral 

Com ele disse que seria 

Presidoente

Declarou

Quem não militar 

Agente alicia

ou então

Milícia


sábado, novembro 20, 2021

sexta-feira, novembro 19, 2021

Torto arado - Um talho profundo na alma


Bibiana e Belonísia são irmãs. Filhas de Salustiana e do curador Zeca Chapéu Grande, as duas meninas são precoces, tendo de sobra inteligência e curiosidade. Com elas mora Donana, mãe de Zeca, uma mulher com muitos mistérios e uma mala onde esconde uma preciosa faca de prata. Até que um dia as duas meninas resolvem brincar com o objeto proibido e essa decisão muda para sempre a vida das duas.

Assim tem início Torto arado, romance de Itamar Vieira Júnior. Trata-se de um livro forte, pungente, com uma narrativa em primeira pessoa que aproxima o leitor a um nível íntimo com a trama que se desenrola. O livro está dividido em 3 partes, sendo cada uma conduzida por uma narradora diferente. Pelas palavras delas nós vamos conhecendo a dura realidade da família, moradora do da fazenda Água Negra. Nela, várias pessoas vivem em regime análogo à escravidão, trocando trabalho por moradia e um pedaço de terra para cultivar. 

Talvez o arranjo pareça razoável. Porém, não é o que acontece. As pessoas são obrigadas a trabalhar de graça nas colheitas dos donos das fazendas, de domingo a domingo, não tendo tempo para cuidar de seus roçados. Para garantir sua subsistência, as esposas e filhos dos lavradores precisam se dedicar ao roçado da família. As casas dos trabalhadores não podem ser construídas com material de alvenaria. A proibição existe para que as construções não durem. Sendo assim, as famílias precisam de tempos em tempos construir casas novas, usando o mesmo barro que cobre o chão. Além desses abusos, de tempos em tempos as famílias são extorquidas pelo gerente da fazenda, que rouba suas produções.

É nesse ambiente que crescem Bibiana e Belonísia. Ambas dividem sua vida através do fio prateado da faca de Donana. O pai delas, Zeca Chapéu Grande, é um grande curador e líder espiritual, que conduz as cerimônias espirituais do Jarê, onde os encantados como Iansã e o Velho Nagô se manifestam. Sua história é dura, árdua, desde o nascimento em pleno canavial até a loucura que o acometeu em sua juventude. Assim vão se desdobrando os dramas, as lutas e as potências dessa família. 

No fio da faca de Donana a história é traçada. Esse fio deixa um sulco por onde escorre a água e o sangue. A faca de prata é como um arado a talhar fundo em nós. A agudeza da faca é como a dureza da vida dessas pessoas cujo romance nos faz testemunhas. E não apenas isso. Somos feitos testemunhas e também vítimas. Sendo assim, ninguém sai incólume da leitura desse romance. Ninguém sai ingênuo. Ao fim do romance é impossível ficar alheio a esse Brasil subterrâneo, silenciado e, muitas vezes, amputado.

Vencedor dos prêmios Leya, Jabuti e Oceanos, com sua narrativa poderosa e profunda, Torto arado é um romance desafiador que marca o leitor, deixando sua alma ferida, talhada. Um romance que nos atravessa de ponta a ponta.


Torto arado

Itamar Vieira Junior

ISBN-13: 9786580309313

ISBN-10: 6580309318

Ano: 2019 

Páginas: 264

Idioma: português

Editora: Todavia

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/torto-arado-915037ed921450.html

quinta-feira, novembro 18, 2021

O sumiço

Dez filhos

E um marido desaparecido.

No fogão, panelas vazias

como bocas abertas

da fome. 

Sabe que o marido

não fugiu.

Andou falando no trabalho

Sobre direitos 

Justiça

Protestos

E só 

com essas palavras proibidas

Como mágica 

Desapareceu.

quarta-feira, novembro 17, 2021

Qual a minha cara

Certo dia, estava encerrando uma visita escolar lá na Biblioteca. Um menino perguntou qual era mesmo o meu nome. Eu isse bem alto:

- Eu sou Samuel, cara de papel!

No que uma menina retrucou:

- Não é nada! Você é Samuel, cara de barba!

Em outro dia, também numa visita escolar, fiz a mesma brincadeira. Mais tarde, depois da leitura compartilhada, foi o momento das crianças explorarem os livros. Um menino se aproxima e diz: Cara de pau, posso pegar aquele livro ali?

terça-feira, novembro 16, 2021

Lançamento da antologia "Novo Decameron"

Olá a todas e a todos. Hoje trago para vocês uma excelente novidade. O selo Editorial Starling lançará, no próximo dia 18, uma antologia da qual faço parte. A antologia poética Novo Decameron conta com a participação de diversas autorias. São textos literários que buscam refletir sobre o nosso tempo, tão convulso e complexo.

O lançamento será celebrado através de uma transmissão ao vivo pelo canal JARS Consultores no YouTube.

Conto com sua participação!