segunda-feira, junho 20, 2016

O Assalto - Parte III de III

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 Berak observava a escaramuça, ainda sem processar o que acontecia. Não eram camponeses, e sim soldados. Não devia ter mandado vinte homens, mas cinquenta. O bandido praguejou, enquanto berrava ordens para que os demais integrantes do bando auxiliassem na defesa do portão. Uma turba correu para a confusão que se formava.
Havia alguns homens nas ameias com bestas, armas que lançavam setas mortais.
A formação circular com escudos unidos estava desajeitada e dois morreram recebendo estocadas nos espaços entre as bordas dos escudos. Os bandidos também não eram profissionais e isso garantiu a Balgata que as mortes não fossem tantas. Ele havia determinado que dois guerreiros estivessem de um lado e do outro de cada aldeão. Dessa forma, as duas brechas abertas pelas mortes foram logo fechadas, mas o círculo ficou menor. Balgata percebeu que ainda havia bandidos dentro dos portões e, se fossem rápidos, poderiam tentar empurrar os inimigos, levando a luta para aquela passagem mais estreita.
– Vanguarda, homens! Anões, retaguarda! Arqueiros, ameia!
O capitão deu ordens rápidas. Com movimentos sincronizados, os guerreiros empurraram os escudos, golpeando bandidos e assustando os cavalos daqueles que ainda estavam montados. Imediatamente o círculo tornou-se uma cunha, que quebrou o cerco de homens e pôs-se contra os inimigos que chegavam pelo portão, enquanto os anões lutavam pela retaguarda. Uri golpeou o peito de um cavalo com selvageria. O animal empinou, tendo ainda a poderosa lâmina empalada em seu corpo, enquanto o bandido que o montava foi ao chão, para ser cruelmente retalhado pelos furiosos anões. Uri largou o cabo do seu machado, deixando que o cavalo moribundo se afastasse com a arma, e puxou uma adaga que estava embainhada às suas costas. Aldreth e outros arqueiros faziam suas flechas estalarem nas pedras da ameia. E Thin quase foi alvejado, tendo se abaixado com rapidez, enquanto as pontas de metal ricocheteavam na rocha. Guerreiros e anões gritavam em fúria, enquanto camponeses choravam ou faziam coro aos furiosos gritos. Guerreiros nasciam naquela desesperada escaramuça.
“Nibala!” pensou Balgata. “Onde está aquele maldito?” Tiveram a surpresa como aliada, mas estavam em minoria e seriam aniquilados, ainda que levassem boa parte dos inimigos com eles. Os bandidos nas ameias despejavam setas sobre os atacantes, que já estavam acumulados no portão. O capitão sentiu a fisgada de uma seta que penetrou em seu ombro direito. O braço que sustinha o escudo fraquejou, mas o guerreiro deu um berro, enquanto golpeava o oponente à frente num movimento transversal, decepando sua orelha direita e fazendo a espada penetrar na junção do pescoço com o ombro. O guerreiro ao lado de Balgata cedeu, desabando como se tivesse sido puxado para o chão. Uma lança havia feito um rombo em seu elmo. O inimigo puxou de volta o cabo da lança, tentando soltar a ponta que estava enganchada no elmo do guerreiro da Companhia. O capitão pisou no cabo e girou a espada para a direita, de forma que o corte horizontal foi tão rápido que sibilou, atingindo o inimigo na têmpora direita. A espada já tinha perdido o fio, mas a lâmina atravessou de um lado a outro, fazendo o sangue ser lançado como um vapor escarlate, tingindo de vermelho os outros bandidos. Os homens recuaram e Balgata adiantou-se. Espumava como um cão raivoso e sua visão tornava-se um borrão, enquanto ele distribuía golpes cegos.
A razão voltou à mente de Balgata quando ele ouviu um grito medonho. Manteve sua posição, sem se virar. Os oponentes de repente mostraram uma expressão de espanto e horror em seus rostos para, logo depois, tentarem fugir, sendo mortos pelas costas ou por espadas, ou por flechas. Os bandidos que estavam mais próximos aos portões tentaram fechá-los, mas foram impedidos por uma turba de criaturas horrendas, putrefatas, que invadiam a cidadela com uma rapidez assombrosa. Corpos reanimados pelo maligno poder de Lorguth, a espada das sombras.

Continua...

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