segunda-feira, maio 06, 2013

Lorguth - Parte IV de IV

Ir para Lorguth - Parte III de IV


A vertigem tomou conta do último capitão, enquanto ele buscava apoio na parede ao lado. Seridath não moveu um dedo para amparar o guerreiro. Apenas observava, respeitoso. Murrough era um homem honrado e um bom capitão. Era uma fatalidade a sua morte, assim como a de Urso Pardo. Balgata permaneceu parado por alguns instantes, tentando fazer seu mundo voltar a girar. Da porta da mansão surgiu um homem baixo e robusto, de cabelos e barbas escuros e crespos. Sua cota de malha estava rasgada na altura do ombro direito, deixando à mostra o braço repleto de cicatrizes.
Riderth – reconheceu Balgata. – Então é verdade...
Sim, meu capitão.
A aquela resposta selou o fato no peito do último capitão. Balgata voltou-se para Seridath.
Não podemos deixar que os mortos manchem os corpos de nossos líderes. Riderth e eu vamos cuidar de Murrough e dos outros companheiros. Eu... por favor, encontre o corpo do Andarilho.
Pode deixar, capitão – respondeu Seridath, resoluto.
Era quase manhã. Uma boa parte de Keraz ainda ardia. Balgata e seus homens espalharam-se pelas ruínas da aldeia, à procura dos corpos de seus companheiros. Alguns camponeses uniram-se silenciosamente ao grupo, em busca de seus próprios mortos. Todos ostentavam uma tristeza resignada.
Seridath foi encontrar o corpo de Urso Pardo no mesmo lugar em que fora deixado, embora estivesse coberto pelos pedaços da paliçada e pisoteado. Apenas a mão e o pé esquerdos do velho estavam visíveis. Ao longe as colinas se desdobravam, desoladas. Não havia sinais dos invasores, apenas os corpos abatidos e as setas negras cobriam a campina enegrecida e semi-oculta pela neblina da madrugada, adensada pela fumaça do incêndio que agonizava.
Quer ajuda aí, parceiro? – soou uma voz áspera às costas do rapaz.
Seridath virou-se e viu um anão desconhecido. O arauto estava ao seu lado. Ostentava aquele mesmo sorriso jovial. Era quase irritante.
Mestre Uri era da divisão de Aleigh, senhor – disse o garoto. – Ele se apresentou para ajudar no preparo da pira funerária do Senhor Andarilho.
Seridath assentiu e em seguida perguntou:
Qual o seu nome, garoto?
Lucan, senhor. A seu dispor.
O garoto não escondia seu contentamento pelo interesse de Seridath. Pôs o punho em frente à boca e pigarreou.
Senhor – disse Lucan –, tenho mais outra questão para tratar.
Qual questão? – inquiriu Seridath, desconfiado.
No início do ataque, logo ao ver o Mestre Andarilho morto, acreditei que estaríamos perdidos, mas então ponderei que pelo menos um jeito de fugir deveria existir. Foi aí que pensei em preservar os comboios de mantimentos da Companhia...
Garoto... – murmurou o cavaleiro – quer dizer que você...
Isso mesmo, senhor. Os dez carros de boi estão intactos, escondidos no armazém anexo à casa do prefeito. Consegui com os camponeses mais umas três carroças. O armazém do prefeito estava quase vazio, mas vai dar pra levar alguma coisa nas carroças adicionais, sem falar que podem carregar os velhos e crianças que ficaram. Tomei a liberdade de deixar vinte homens guardando a carga.
Seridath estava admirado com a competência daquele arauto. Aquela cabeça trabalhava com rapidez, mantendo a calma enquanto os outros se desesperavam. O guerreiro bateu no ombro do garoto, em sinal de aprovação. Virou-se em seguida para terminar o resgate ao corpo de Urso Pardo.
Após toda a equação que fora a batalha pela defesa de Keraz, Seridath descobriu-se com um saldo considerável. O destacamento perdera mais da metade dos seus homens, mas as pesadas baixas não importavam para o cavaleiro negro. Em toda aquela luta desastrosa, ele saíra vitorioso.


Continua...

Um comentário:

Luana disse...

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Bjão
Espero que tenha gostado.
Luh
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