sexta-feira, março 08, 2013

Uma Ideia Toda Azul - Magia e sensibilidade



Quando menino, já apaixonado pelas histórias escritas, costumava explorar os livros didáticos de língua portuguesa que eu e meus irmãos recebíamos na escola, em busca de contos e crônicas interessantes. Havia em alguns livros a "seção suplementar", que geralmente nunca seria abordada pelos professores. Ainda assim,.quantos textos deliciosos conheci nesse exercício de "caçador de histórias"! 

Foi numa dessas solitárias incursões que encontrei o conto "Uma Ideia Toda Azul", que falava sobre a cruel passagem do tempo e seu poder de nos separar de nossos sonhos. Lembro-me que meu coração menino ficou angustiado com o destino do rei, protagonista do conto. Sentia em mim sua melancolia, sua falta de talento para a felicidade. Ao mesmo tempo sonhei como ele, brincando também com a ideia azul pelos jardins do palácio real.

Outro conto que naquela mesma época havia me comovido foi "Por trás do bastidor", onde uma menina bordadeira dava forma e substância a seus sonhos através da linha do bordado.

E muitos anos depois descobri que ambos os contos não apenas são da mesma autora, como também fazem parte do mesmo livro, cujo título é, justamente, Uma Ideia Toda Azul. Essa descoberta permitiu um recorrente mergulho no mundo onírico e belo de Marina Colasanti.

Escritos e publicados em uma época de transição, em que os efeitos da revolução feminina ainda eram tênues e pontuais aqui no Brasil, a voz forte e segura dessa grande mulher assumia um tom de denúncia sobre a condição feminina, mas também sobre as infinitas possibilidades que estão diante de toda a humanidade, nas potencialidades de cada pessoa, especialmente da mulher, única e exclusiva senhora de seu destino.

Assim, neste dia tão importante, quando celebramos a luta pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, considero de grande importância lembrar dessa obra de Marina Colasanti, exemplo que a boa literatura pode muito bem ir além da beleza estética, assumindo uma voz de consciência, sem comprometer sua qualidade.

Ficha Técnica
I.S.B.N.: 852601109X
Editora: Global
Acabamento : Brochura
Edição : 23
Número de Paginas : 61
Prêmios:

     • APCA - Grande Prêmio da Crítica 1979
     • FNLIJ - O Melhor para o Jovem 1979


Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/13707

6 comentários:

Dora Delano disse...

lugar de mulher é na luta!

Bela resenha.

Bruno Eleres disse...

Ótima resenha. Com certeza vou procurar a obra da autora. Estes tempos tenho lido um pouco sobre feminismo porque estou com algumas ideias, e talvez fosse legal conversarmos sobre o assunto e tal... :]

Marcia Lopes disse...

adorei!!!!
http://brecho-princesa.blogspot.com

Doña Nieves disse...

Parabéns adorei seu cantinho
Te seguindo
Abraço

Mayse Silva disse...

Eu era louca pra ler este livro, um dos meus livros de língua portuguesa (acho que foi da 4ª série) tinha um trecho deste livro, o que fala sobre a ideia do rei. Fazia tempo que não ouvia falar nesse livro, vou procurar pra ler.
--
livroseoutrasalegrias.blogspot.com/

Daniele C. S. disse...

Só conheci Marina Colasanti na faculdade, justamente pelo conto da menina bordadeira, minha professora leu e fiquei tão encantada, vou procurar esse livro. E parabéns pela resenha.

http://avozdanoite.blogspot.com.br/