sexta-feira, março 29, 2013

Freud, me tira dessa! - a literatura no divã

Fonte: divulgação.
Nunca pensei que chegaria a resenhar um livro chick-lit. Confesso que sequer pensei que um dia leria um. Sim, começo esta resenha confessando um preconceito. E isso para reforçar minha surpresa durante a leitura do livro Freud, me tira dessa!, de Laura Conrado. 

Tive a chance de adquirir o livro de Laura de suas próprias mãos, quando estive no evento Livros: paixão sem fronteiras, que ocorreu no último sábado, 23 de março, na Casa Una de Cultura, aqui em Belo Horizonte. Havia acabado de conhecer a Laura, que tem feito esforços tremendos para realizar em nossa cidade a Semana do Livro Nacional. Pois bem, lá estava eu, com o livro na mão, para pegar um autógrafo. Ao folheá-lo, imaginei que o texto poderia ser mais direcionado ao público feminino. Acreditei então que aquele era um presente ideal para a minha namorada.

Sim, o presente foi ótimo. O que eu não esperava é que a leitura me capturaria tão rapidamente. Quando saí do evento, já combinando de passar na casa de minha amada, resolvi abrir o livro e vasculhar suas primeiras páginas. Ainda sentia um ranço de machismo, achando que me sentiria "deslocado". Ledo engano. Fui de tal forma absorvido pela narrativa tão cativante da Catarina, uma mineira típica, naquele jeito mais gentil e carinhoso que se pode imaginar. 

Ao me encontrar com minha namorada, mostrei-lhe o presente, ao mesmo tempo que o pedia emprestado. E assim foi, passei o final de semana acompanhando os passos de Catarina, jovem de 23 anos, desencantada com o amor depois de tomar um fora. Desejando entender o motivo que a levava a relacionamentos infrutíferos, ela resolve buscar auxílio de um psicólogo. E de repente acontece o que qualquer leitor romântico podeira imaginar: Catarina se apaixona por seu terapeuta.

Como já disse acima, o texto é leve, despretensioso. Isso aproxima o leitor, principalmente o jovem, muitas vezes portador do pré-conceito de que literatura deve ser floreada, densa e carregada. Isso não acontece neste livro, que busca uma proximidade com o leitor que quase dá ao texto um tom de confidência. Aí entra toda a feminilidade do texto. Laura poderia estar sentada ao seu lado, contando a história de suas peripécias sentimentais e "psicanalíticas". 

Outro ponto interessante no romance de Laura Conrado é que ela não busca "tecnicizar" o texto. Faz menções à psicanálise, sem usar definições ou referências científicas. Afinal, trata-se de um texto literário e não acadêmico.  Além disso, a autora evita sabiamente certas soluções prontas e fáceis para os conflitos. Alguns deles ficam no ar, são aceitos como parte constituinte das histórias das personagens. De certa maneira, ela revela que a vida é feita a partir da desconstrução de nossos ideais. Um caminho de autoconhecimento, que pode até ser doloroso, mas certamente vale a pena ser trilhado.

Ficha Técnica:
Edição: 2
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576796541
Ano: 2012
Páginas: 239


Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/229897


4 comentários:

Dora Delano disse...

ahhhhhh, eu quero ler :)!

Rosa Croft disse...

É um tipo de leitura que não me chama atenção. Mas quem sabe eu não me esbarro nesse livro por aí.

Vivian Pitança disse...

Que legal! Fiquei com vontade ler. Boa resenha. Bjs.

sucessoparaseublog.blogspot.com.br/

vivianpitanca.blogspot.com

Vivian Pitança disse...

Que legal! Fiquei com vontade ler. Boa resenha. Bjs.

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