segunda-feira, julho 02, 2012

Música - Parte II

Ir para Música - Parte I


Inicialmente, o silêncio. Um leve e ritmado som de tilintar deu início à melodia, surgindo de forma lenta e gradativa, tornando-se cada vez mais forte e rápido. Logo em seguida as cordas de um violão vibraram, em um misto de graça e força, enquanto um coral lírico entoava uma misteriosa melodia cujo sentido eu não conseguia apreender. Meu coração retumbava, sincopado. Fui invadido pela singela imagem de um campo verdejante e puro, coberto de várias flores e com uma cachoeira ao longe, bem no fundo da paisagem, quando já começavam as primeiras árvores de uma densa floresta. Uma única estrela brilhava sobre esse lindo campo e disputava com a lua o domínio do manto noturno. 
Despertei de meu devaneio. Pressionei o stop, enquanto me sentava ofegante sobre a cama. Havia sido uma experiência ímpar. Aquela melodia era maravilhosa, eu nunca ouvira nada igual. 
Fui assaltado pela possibilidade de ser flagrado por Michelle em seu quarto. Saí às pressas, com aquela linda música bailando em minha mente. Fechei a porta, desci novamente para a sala de estar e tratei de retomar minha leitura. Apesar de tentar me concentrar no livro à frente, sempre era invadido pela vontade de voltar ao quarto e pôr novamente o CD para tocar.
Ainda naquele sábado estive com minha noiva. Fomos a um dos melhores restaurantes da cidade. Mas eu era continuamente visitado por um sentimento de incompletude. O vinho, a música, a comida, os beijos de Marina, minha noiva, nada me agradava como antes. Eu só conseguia pensar em como aquela melodia havia sido tão bela, tão marcante, tão diferente.
Retornei tarde para casa. Marina quis ficar comigo, mas eu aleguei estar indisposto. Ao ver-me sozinho em casa, fui tomado novamente pela vontade de ouvir aquela música pelo menos mais uma vez. Talvez o CD inteiro... 
Subi as escadas e parei à porta do quarto de Michelle. Nada se ouvia lá dentro. Ponderei que ela já estivesse dormindo e fui me deitar.
Na manhã da segunda-feira seguinte, fui desperto por um toque insistente em minha campainha. Aturdido, desci ao hall e atendi perplexo os dois homens taciturnos que se apresentaram como inspetores de polícia e informaram estarem investigando o desaparecimento de Michelle Amorim. Após conferir com atenção as suas credenciais, levei-os para dentro. Inquirido sobre a última vez que vira minha inquilina, informei-os que, por ser empresário, vivia muito ocupado e por isso costumava ver Michelle somente na tarde de sábado, quando de minha tão prezada leitura. Os homens continuaram taciturnos. Visitaram o quarto da jovem e depois partiram.
A investigação prosseguiu, mas Michelle não foi encontrada. Suspeitas foram levantadas sobre casos românticos, pessoas de identidade indefinida. Fui convocado à delegacia para depor e novamente contribuí com tudo que sabia. Apesar dos esforços, foi impossível recuperar qualquer rastro de Michelle Amorim.

Continua...

2 comentários:

Fefa Rodrigues disse...

NERITO

CS Lewis é uma inspiração para a vida, não acha? Crônicas de Nárnia tbm é uma releitura que eu preciso fazer... e pretendo fazer!

E seu livro, como vai?

Falando em escrever, sabe, eu já escrevi duas histórias infantis e um conto (nada perto de tanta coisa que você já escreveu), só que ainda não mostrei pra inguém... preciso vencer essa dificuldade ainda...

e vc me deu uma boa idéia para a próxima história que quero escrever... vai envolver mesmo aquela fuga em um balão... mas, fora o tal conto, eu só consigo escrever coisas focando crianças... então pretendo escrever algo para crianças usando aquele episódio... talves um romance histórico infantil hehehehe

E seus textos são inpiradores tbm!!!

Mas sabe qual é minha principal dificuldade quando escrevo? A finalização da história...

AH... e mais uma vez... leu Cem Anos de Solidão???

Tyr Quentalë disse...

O sumiço continua, assim como o mistério. A curiosidade aumenta e a pergunta fica retumbando na cabeça... Será este mais um conto que seus leitores te xingam por você deixar um gostinho de quero mais?