domingo, agosto 14, 2011

A Cidade Suspensa – Parte I



Era início de noite quando Kain chegou aos portões da Cidade. Na verdade, ainda estava claro o bastante para que ele pudesse distinguir os tons alaranjados dos raios de sol que abandonavam com rapidez o horizonte. Kain suspirou, enquanto batia as mãos nos joelhos cansados, para afastar a poeira do caminho. Por duas semanas ele havia viajado, sem parar, e agora chegava àquela cidade de edifícios escuros e imponentes, silenciosa quando não se movia. Era bom ter chegado a tempo.

O viajante deu seus primeiros passos para abandonar a estrada empoeirada e atravessar os limiares da Cidade. Os portões enferrujados permaneciam fechados, mas ele sabia que aquilo era uma ilusão. O grande enigma que tomara grande parte de sua vida: como penetrar na Cidade Suspensa.

Estava bem assentada no chão, era verdade. Outro viajante menos experiente pensaria que se tratava de apenas mais deplorável aglomerado de almas enclausuradas. Um aglomerado impenetrável para aqueles que não conhecessem seus segredos. Uma encruzilhada poeirenta, um crepúsculo e um peito vazio. Essas eram as três condições para penetrar naquele lugar.

Sem hesitar, Kain dirigiu-se aos portões em passos firmes. Um segundo antes de penetrar na Cidade, os portões permaneciam em solene imobilidade. No segundo seguinte, como previra, o viajante os havia ultrapassado, parando apenas para observar as construções titânicas e opressivas que compunham os edifícios da Cidade. Kain suspirou, enquanto lembrava que tinha pouco tempo. Logo a Cidade se suspenderia e começaria mais uma jornada. Era necessário encontrar um lugar para ficar antes que ela fizesse um novo pouso.

Dentro do gigantesco complexo, Kain não sentia o vento. Era tudo parado e morto naquelas ruas que pareciam feitas de aço e fuligem. "Isso tudo parece enorme um labirinto de carvão." pensou ele. A Cidade era um gigantesco emaranhado de avenidas e edifícios escuros, banhados por uma luz lúgubre. Suspirando, procurou ao redor uma porta ou janela com luz acesa, algo que denunciasse vida. Não encontrou nada a não ser penumbra. Segundos depois, ouviu o agudo tilintar de guizos que se aproximavam pela avenida à direita.

11 comentários:

Dora Delano disse...

Como pessoa egoísta que sou, começo cmg, deps com vc:

1)Por algum motivo idiota, eu não consigo postar comentários no meu próprio blog. Então vim resp aqui a provocação que me fizeste. Nem acho que só nos apaixonaríamos se não valesse a pena, o q eu questiono é no final saber que o esforço valeu. E não tem valido.

2)Com o perdão da ignorância, mas o texto é seu? Se for, parabéns. Se não for, parabéns assim mesmo pelo bom gosto. Gostei mto do "Uma encruzilhada poeirenta, um crepúsculo e um peito vazio." Vou voltar para ler o resto.

Bj bj

Teixeira disse...

Eu não consigo me manifestar muito sobre texto de fantasia...
O que eu acho, já te disse, mas repito aqui pra deixar gravado: muito bom! Acho sua simbologia muito bem trabalhada, as referências habilmente "escondidas" para serem só referências e não serem plágios e seu texto execelente.
Mas sem rasgação de seda! Pensei tudo isso sóbrio!

Rosa Maria (http://rosacroft.blogspot.com/) disse...

Cidade Suspensa! Cidade Suspensa!

Eu já li toda a história, e afirmo que vocês vão se encantar com toda a trama. Tive o privilégio de ler cada capítulo assim que saía do forno.

Parabéns Samuel! Sou sua fã e o Paulinho também... Love You My Friend!

Nerito disse...

Caro Teixeira,

valeu pelas observações. Inclusive suas outras sugestões de coerência serão usadas nos próximos posts.

Citando Cortázar, a embriaguez não é um método! rs...

Nerito disse...

Cara Rosita,

Também sou seu fã. Principalmente dos enigmas que você costuma montar. Quero te ver também escrevendo! Abraços pra ti e pro Paulo!

Simone Teodoro disse...

Me fisgou!

Tyr Quentalë disse...

Ah! que Delícia ver que sua obra da cidade suspensa ficou disponível para nós leitores ansiosos por suas tramas. A chegada de Kain à cidade Suspensa é um sonho que penetra aos poucos os meus devaneios, de quando eu passeava em mundos obscuros, "vazios" e cheios de misterios. Vou continuar a leitura, para continuar meus comentários.
Abraços da barda!

Richardson Santos disse...

Finalmente consegui me organizar e posso ler com calma "A Cidade Suspensa" \o/ Parabéns Guardião!

Nerito disse...

Valeu, Richardson. Espero que você curta cada episódio aqui publicado. Aproveito pra falar da enquete. Não deixa de votar, ok? Abraço!

CMachado disse...

Continuarei lendo, nossa parece um escritor renomado... estou sendo sincera!
Que coisa boa a criatividade e escrever uma boa história, para nosso deleite...
Abç

Nerito disse...

Olá!, CMachado! Obrigado pelo elogio, sei que não mereço (é sério!). Espero que você goste dos outros capítulos desta história. Abraços!