domingo, agosto 21, 2011

A Cidade Suspensa – Parte II

O som dos guizos trouxe um homem chinês, de baixa estatura, vestido com uma bata oriental de cor indefinida, por causa da pouca iluminação. Ele vinha puxando uma pequena carroça abarrotada de bugigangas. Pelo visto, o homem era um mascate e carregava uma quantidade de mercadorias maior do que a carroça podia normalmente suportar. O homem também tinha uma trança comprida e bem cuidada caindo pelas suas costas. Usava um chapéu justo, característico, que se encaixava muito bem em sua cabeça. O Ambulante Chinês parou diante de Kain.

"Um viajante, um viajante." Repetiu, feliz, o homenzinho. "Bem-vindo freguês. Sua sorte esse encontro, sim. O senhor pode comprar coisas boas, coisas muito boas aqui, né?"

"Não tenho interesse." respondeu Kain, evasivo. "Com licença."

Mas o Ambulante Chinês não pareceu querer desistir do novo cliente, pois desvencilhou-se da carroça e tentou barrar o caminho do viajante. Suspirando, Kain abriu e fechou os olhos lentamente, como se decidisse dar uma chance ao mascate. Alegre, o Ambulante Chinês começou a retirar de sua carroça os mais variados objetos.

"Amuletos, tenho sim; patuás, livros de feitiçaria, poções milagrosas, tenho tudo, freguês. Mas o melhor com certeza é uma alma forjada. Uma raridade, né? Tenho uma aqui na medida certa, né?"

Kain estava surpreso, mas não tinha dinheiro para comprar almas, mesmo falsas. Se não podia cobrir o preço nem mesmo da sua...

"Escuta, eu quero saber o que faço para poder ficar na Cidade." 

"Mas isso é informação, né?" respondeu o Ambulante Chinês. "Informação também tenho pra vender, né? Mas o freguês é novo, é amigo, vou dar de graça."

Kain olhou-o, ainda surpreso. Ele parecia mesmo querer dar essa informação sem cobrar por ela. Não existe nada de graça, pensou o viajante. Não conseguia adivinhar qual era o objetivo daquele vendedor em ser tão amigável. Kain suspeitava que talvez as forças que conspiravam contra o êxito de sua missão já estivessem em movimento.

7 comentários:

Mi disse...

VAI TER CONTINUAÇÃO NÉ???? HEHEHE... ^_^

Mi disse...

Escuta aqui senhor Nerito Bonito cadê a continuaçãooo???? ^_^

Dora Delano disse...

Farei coro. Não demora para colocar a continuação, tá? ;)

Teixeira disse...

Nerito Bonito... fica guardado pro futuro isso.

E meu comentário é aquele: O Kain tá a cara do Lex Luthor!

Nerito disse...

Meus caros, não me deixem acanhado... rs... a continuação está postada. Espero que apreciem.

Simone Teodoro disse...

Singular,o personagem chinês. Ha, ha, ha! Lex Luthor foi foda, Rodrigo! rsrsrs.
Muito bom o texto!

Tyr Quentalë disse...

Quando você descreve que nada vem de graça, eis algo que também me deixa arredia. Acho que tenho um pouco de Kain no que se trata de desconfianças, mas a curiosidade mórbida que me consome por vezes, é que torna tão perigosas as escolhas que faço em meus trajetos de vida. Mas perigo é sinal de aventuras e Kain precisa permanecer na cidade, não é mesmo?