sexta-feira, março 10, 2017

O pato, a morte e a tulipa: Quando a Vida grita Raposa!

"Fazia tempo que o pato sentia que algo não ia bem". Assim Wolf Erlbruch inicia sua pungente e delicada narrativa. Sem meios-termos e subterfúgios, a trama de cara mostra a que veio, com um inusitado e desconcertante encontro. Lá está a morte, franca e direta, como ela sempre é quando chega.
Certamente o fim da vida é um tema difícil mesmo para adultos, sendo ainda mais espinhoso quando abordado na literatura infantil, geralmente sempre sob a mira de educadores, pedagogos e pais sempre preocupados. 
Por isso, não se pode negar a coragem e ousadia de Erlbruch na escolha do tema. E o autor logo se mostra à altura do desafio, apresentando a seus leitores aquela que talvez seja a morte mais simpática da história da literatura infantil universal. Com um jeito simples e cativante, sem perder a sua solene dignidade, a personagem é compreensiva e gentil, sem deixar de ser franca. Além disso, é impossível não se comover com o pato, inseguro diante do futuro incerto, sem contudo soar patético. 
Nisso está a maestria de Wolf Erlbruch, ao abordar um tema tão grandioso de forma simples e poética, repleta de afeto e sensibilidade. Enquanto passeia pelo enredo, o leitor como que é convidado a caminhar com o pato, vivenciar seus medos e dúvidas, compartilhar de sua coragem. 
Unindo simplicidade e pungência, beleza no traço e profundidade em seu texto, no diálogo e no enredo sutil e poético, O pato, a morte e a tulipa certamente será uma jornada tocante para aqueles que se aventurarem por suas páginas. Pois assim é a vida.

Ficha técnica
O pato, a morte e a tulipa.
Wolf Erlbruch
Ano: 2009
Páginas: 32
Editora: Cosacnaify

2 comentários:

Teixeira disse...

Genial, esse seu título. O Pato, a Morte e a Tulipa é um dos livros mais importantes da minha vida e um dos quais eu sinto mais prazer em mediar. No geral, os livros do Erlbruch flertam sempre com um tema sem respostas prontas, ou consideradas "tabus", quando se pensa o universo da infância.
Sua descrição do modo como ele ilustra foi bem bacana, você captou as intenções e a sutileza do processo dele!

Norma de Souza Lopes disse...

Conheci por sua causa e ontem a Erica voltou a apresentá-lo. Maravilhoso!