quinta-feira, outubro 23, 2014

Cercado mas não vencido: Max e os felinos

Filho de um peleiro de Berlim, Max se envolve com a esposa de um membro do Partido Nazista. Descoberto o romance, o rapaz é obrigado a fugir para o Brasil. Começa assim uma série de aflições sofridas pelo rapaz em seu exílio.
Max e os felinos está dividido em três capítulos que também poderiam ser chamados de atos. Cada um está ligado a uma espécie de felino. O primeiro é um tigre; o segundo, um jaguar e o terceiro, uma onça.
É interessante observar que o livro demonstra a evolução, o amadurecimento do personagem diante das adversidades. Há, em contraponto, uma gradual diminuição do porte do felino, que assume um papel alegórico. A cada ato a postura de Max muda do medo paralisante ao total enfrentamento. E assim o protagonista se fortalece diante dos desafios, pois reconhece que o medo é uma ameaça interna, maior que qualquer perigo que possa cercá-lo.
Ao mesmo tempo, podemos considerar o segundo ato como a alegoria da sociedade regida por governos totalitários, onde a passividade e o medo que o cidadão comum sente alimenta e fortalece um regime que, quando não oprime o povo, está totalmente alheio a suas necessidades. Dessa forma, o livro não somente se constitui numa bela história de superação, amadurecimento e coragem, mas também um retrato contundente de um processo histórico que nós brasileiros também enfrentamos durante o Estado Novo. A proposta então é a resistência, o enfrentamento. O monstro teme ser enfrentado e é capaz de consumir-se quando tal acontece. 
Não podemos esquecer a deliciosa prosa de Moacyr Scliar, artesão da prosa. Com seu talento, ele faz de Max e os felinos uma experiência de prazer e reflexão.

Ficha Técnica
Editora: L&PM
Ano: 1981
Páginas: 78

Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/12086-max-e-os-felinos

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