sexta-feira, julho 18, 2014

O filho de mil homens - Uma literatura para além da esperança

Um homem solitário que deseja um filho mais do que tudo; um menino sem família, perdido entre a complacência e a arrogância das pessoas que o cercam; um homem que luta contra sua sexualidade, vítima do preconceito de todos e da incompreensão de sua família; uma mulher desencantada com a vida e com o amor, tanto que parece até encolher por causa de sua angústia.

Estes são alguns dos personagens de O filho de mil homens, romance de autoria do escritor português Valter Hugo Mãe. Uma obra pungente, visceral, arrebatadora. No enredo temos o pescador Crisóstomo, um homem que ao fazer quarenta anos se vê sozinho, não tendo realizado ainda seu maior sonho, ter um filho. Sua solidão é tamanha que, para mitigá-la, ele inutilmente compra um boneco, como se este pudesse, como um Pinóquio contemporâneo, virar um menino de verdade. 

A partir do desejo de Crisóstomo e de sua busca inocente por felicidade, somos apresentados a outros personagens, todos incompletos e imersos em suas tragédias pessoais. Assim, Válter Hugo Mãe constrói um romance poderoso, profundo, cuja aparente ingenuidade não enfraquece seu impacto.

Pode-se dizer que o enredo revela uma perspectiva otimista. Contudo, a complexidade de cada personagem, bem como suas sofridas experiências mostram uma felicidade construída na resiliência, na esperança. Desta forma, esse otimismo torna-se um motor para a transcendência dos personagens. Essa transcendência também permite o encontro com o outro, com a diversidade. O leitor, através dos olhos de cada pessoa narrada, tem a possibilidade de transcender, de se transformar. 

Belo, poderoso e profundo, O filho de mil homens é uma bela jornada e, sem dúvida, uma surpreendente descoberta.


Ficha técnica

Edição: 1
Editora: Cosac Naify
ISBN: 8540501767
Ano: 2012
Páginas: 208

Um comentário:

Luciana Santos disse...

Esse post deu água na boca de vontade ler o livro. Parece mesmo maravilhoso. Vai para a minha lista. Pinóquio foi mesmo a primeira ideia que tive ao ler o começo da sua resenha, Samuel. rsrs. Obrigada por compartilhar.