quarta-feira, agosto 21, 2013

Em casa, uma vez mais


Era para ter sido uma visita monitorada rotineira. Bem, nem tanto. Foi com muita surpresa e certa dose de apreensão que avistei a turminha de 25 crianças da Escola Integrada, chegando às 13h, uma hora e meia antes do horário tradicional de visita. 
Diria que o suor escorreu frio, mas isso é um recurso ficcional. Minha concentração maior era receber aquelas crianças e buscar mostrá-las, ainda que minimamente, quão maravilhosa uma biblioteca pode ser.
O percurso pelas estantes, entre os amplos espaços da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil, foi também um momento de afeto. Serenas e atentas, aquelas crianças seguiam a cadência de minha voz, que ora se elevava, ora tornava-se quase um sussurro. Era como se eu estivesse compartilhando um segredo a todas elas.
E foi logo depois do momento da leitura que uma menininha de dois anos, que não fazia parte da turma e visitava a Biblioteca com sua mãe, abordou-me quase imperativa. Ela sacudia graciosamente, naquele jeito belo e descuidado que toda criança tem, um exemplar do livro "O Bonequinho Doce", de Alaíde Lisboa. "Lê essa história pra mim?" ela disse. Impossível negar tal pedido.
Ajoelhei-me ao lado dela e comecei a leitura. E ficava encantado a cada momento que a menina, chamada Letícia, soltava uma gargalhada a meio tom, de um jeito sapeca, como se a risada fosse quase uma transgressão.
De repente, Letícia pulou no meu colo. Senti-me como se estivesse lendo para um de meus sobrinhos. Senti-me em casa em pleno trabalho, uma vez mais.
Terminada a leitura, Letícia saiu correndo pela Biblioteca, atrás de sua mãe. E eu continuava lá, parado, desmanchando igual ao Bonequinho Doce.

2 comentários:

Luciana disse...

Olá!
Este foi um dos primeiros textos que li no seu blog e me levou a pensar que talvez você fosse bibliotecário, mas depois li que é formado em letras.
Você faz o que alguns bibliotecários deveriam fazer e não fazem, que é promover o amor aos livros e a biblioteca desde os primeiros anos da vida das pessoas.

Luciana disse...

Olá!
Este foi um dos primeiros textos que li no seu blog e me levou a pensar que talvez você fosse bibliotecário, mas depois li que é formado em letras.
Você faz o que alguns bibliotecários deveriam fazer e não fazem, que é promover o amor aos livros e a biblioteca desde os primeiros anos da vida das pessoas.