domingo, fevereiro 27, 2011

O Ladrão de Raios

Fonte: Divulgação


Percy Jackson sempre se considerou um garoto normal. Seus principais problemas são a dislexia e o déficit de atenção, que prejudicam seu rendimento nas aulas e a boa relação com seus professores. Além disso, o garoto de 12 anos nunca conseguiu se firmar em uma escola por mais de um ano. Sempre estranhos acidentes ocorrem ao seu redor e, como as causas nunca são muito claras, Percy acaba sempre levando a culpa.

Até aí tudo bem. O menino está disposto a aceitar que tem uma sorte ruim. Assume o fato de que precisa se defender dos valentões da escola e até decide proteger um de seus colegas, Groover, que parece ter uma deficiência em ambas as pernas. Tudo muda de forma surpreendente quando, durante uma visita escolar a um museu de história, ele é atacado por uma professora, que se transforma em um terrível monstro. O monstro acusa Percy de ter roubado algo muito valioso, além de poderoso, e o menino só escapa do perigo quando um outro professor, o sr. Brunner, surge sem aviso e lhe lança uma caneta que, na verdade, é uma espada grega disfarçada. Assim, Percy é obrigado a enfrentar a professora monstro e a derrota.

Esse incidente acaba fazendo com que Percy descubra uma incrível verdade: ele é um meio-sangue, um semideus, filho de um dos deuses gregos. Seu amigo Groover é um sátiro e o professor Brunner é na verdade Quíron, o mais notório dos centauros. Por ser um meio-sangue, Percy será para sempre perseguido por monstros e deverá estar pronto para enfrentá-los.

E a situação é ainda mais crítica, pois com o roubo do raio-mestre de Zeus, o jovem meio-sangue corre mais perigo do que nunca e deverá antes de tudo alcançar o Acampamento Meio-Sangue, único lugar seguro para alguém como ele. Porém, até mesmo o o Acampamento Meio-Sangue oferece perigos, pois Percy não sabe se pode confiar nos vários semi-deuses que encontra, principalmente os populares Annabeth Chase e Luke Castellan, filhos de Atena e Hermes, respectivamente.

Ao ler O Ladrão de Raios, fiquei um pouco decepcionado com a falta de ambição da obra. Não vou negar que seja um projeto interessante, digno de um professor que tenha um profundo conhecimento sobre a mitologia grega. Mas é somente isso. Estava claro que o autor tinha como objetivo unir em um único texto o ensino sobre a mitologia grega e sobre os grandes monumentos históricos e culturais norte-americanos.

Desta forma, o universo de Rick Riordan, apesar de rico, é extremamente limitado, sendo reduzido ao território dos Estados Unidos e aos seus valores simbólicos. E chega a ser de extremo mau gosto ter um foco tão limitado, como se o restante do mundo não existisse. São questões simbólicas, é lógico, mas diante das grandes mudanças atuais no campo do conhecimento, é temerário um professor norte-americano assumir de forma tão arrogante que todos os valores, sonhos e, principalmente, medos da civilização ocidental estejam transfigurados em cidades, monumentos e paisagens turísticas norte-americanas.

Além dessa visão simplista do mundo e do conceito de civilização, temos também a forma nociva que o autor estabelece o equilíbrio de forças como o bem e o mal, delineando um quadro de maniqueísmo em que Cronos e seus asseclas, os titãs, postam-se contra Zeus e os demais olimpianos. Os próprios deuses do Olimpo são apresentados sem muitos atrativos. De fato, os deuses gregos sempre tiveram seus vícios e falhas de caráter. Os titãs, porém, não parecem tão diferentes dos deuses e são pintados como seres malignos, amaldiçoados, liderando monstros, prontos para lançar a humanidade na escuridão.  

Afinal, titãs, deuses e monstros são representações do imaginário humano, símbolos de nossos comportamentos, sejam eles bons ou maus. A escolha dos jovens meio-sangue, talvez, seja o símbolo da escolha de nossa juventude, disposta sempre a aceitar os discursos ambíguos de nossa sociedade, discursos que visam antes de tudo a manutenção de um determinado estilo de vida, com sua tecnologia, suas facilidades, seus valores e vícios.

Ficha Técnica

Editora: Intrínseca
Autor: RICK RIORDAN
ISBN: 9788598078397
Ano: 2008
Número de páginas: 400
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
Volume: 1



domingo, fevereiro 20, 2011

O profundo abismo da alma

Gostaria que este post fosse uma resenha sobre a peça A Tocaia, texto e direção de Ricardo Batista. Acontece que não me considero nem com talento nem com bagagem o suficiente para resenhar uma peça de teatro. Não mesmo. E ontem tive o prazer de mergulhar na narrativa psicológica de Cisne Negro, direção de Darren Aronofsky.

Ao mesmo tempo que ambas as obras tratam de histórias tão diferentes, considero que elas abordam um tema comum: o abismo que a alma pode cavar dentro de si mesma, criando um labirinto de imagens que vão aos poucos sufocando seu dono.

A peça a que me refiro teve apresentação única aqui em Belo Hoizonte, no Palácio das Artes, no dia 16 de fevereiro, durante a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Confesso que eu estava ansioso por assisti-la. Eu havia perdido a oportunidade na campanha anterior. Por conta disso, comprei os ingressos ainda na primeira semana que os mesmos estavam disponíveis.

Já o filme foi mais fácil... Como o cinema hoje em dia é muito mais acessível que o teatro, foi só ficar sabendo que a película havia sido lançada nas principais salas dos shoppings. E ambas foram intensas experiências de sentidos. E me atrevo a dizer que ambas as obras têm o poder de aguçar no espectador o seu sexto sentido.  

Em A Tocaia, um assassino contratado para matar um viajante em uma pedreira abandonada acaba por ser emboscado por seus próprios medos e culpas, pelos fantasmas de seu passado. Em Cisne Negro, uma dançarina de balé, para conseguir o papel de sua vida, sacrifica tudo, inclusive sua sanidade. Mesmo que as diferenças estejam claras, o elemento que pode ligar as duas narrativas talvez seja justamente a loucura. 

O assassino Geraldo "das Almas" é meticuloso, desconfiado e implacável. Já a dançarina Nina carrega pelo menos duas dessas três características. E é justamente o que lhe falta é essa impiedade, a coragem de expressar seu desejo e buscá-lo sem se importar com as consequências. Mas aos poucos dentro de Nina o Cisne Negro, aquele que concederá à dançarina o poder de ser implacável, irá emergir. E Nina aos poucos se entrega, disposta a ser o Cisne Negro, mesmo que isso a destrua.

Ainda que haja um certo tom alegórico nessas duas narrativas, o que mais me fascinou foi a desconstrução da fábula, da moralidade, da lição a ser aprendida. Tanto o assassino quanto a bailarina, personagens tão diferentes, acabam por perceber que estão em uma armadilha e que a vida e a sanidade estão em jogo. Mas ambos têm um compromisso mais forte com seu próprio destino. Um compromisso selado por um ato de morte. E é esse tom fáustico que se mescla ao fantástico, uma viagem de pesadelo.

Não posso me esquecer de mencionar Tchaikovsky, cuja obra reverbera por todo filme Cisne Negro, tornando sublime o que já era excelente.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A Concha

Que nos vistam de essência, pois nada somos do que um sopro em uma concha: o barulho do mar…

sábado, fevereiro 12, 2011

O menino no espelho

Divulgação.

Um homem maduro conta suas experiências de quando era criança, mergulhando nas suas reminiscências e nas suas fantasias infantis. Esta é a proposta que Fernando Sabino faz ao leitor. Publicado pela primeira vez em 1982, “O Menino no espelho” é um romance curto, quase em tom de novela, experimental por ser episódico, como se cada capítulo encerrasse um conto.

Este é um dos pontos mais importantes do romance. Ele não assume um compromisso com o enredo tradicional, na estrutura princípio-meio-fim. Pode ser iniciado a partir de qualquer capítulo, degustado, apreciado. O leitor pode escolher pular capítulos, recombiná-los. Outra característica desta obra de Sabino é que o narrador, seguindo um estilo de memória, leva o leitor a lembranças que vão aos poucos se misturando a fantasias, sonhos, desejos, como voar ou conseguir ser invisível. São os sonhos de criança que tomam a realidade, reconstruindo a memória e aproveitando na literatura o que ela tem de melhor: sua ligação com o imaginário, o fantasioso, o verossímil, aquilo que se aproxima da realidade, como um piloto que ameaça pousar, mas, após um rasante, alça voo rumo ao infinito.

E o efeito realidade-fantasia é ainda mais realçado pelas escolhas de estilo do escritor. Ao mesmo tempo que confere um tom anedótico, de causo, à sua narrativa, ele situa a mesma em um universo reconhecível, passível de ser mapeado, como a glamourosa Praça da Liberdade da Belo Horizonte dos anos 1930.

Repleto da ingenuidade infantil, dos medos e triunfos da criança carregada no título, “O menino no espelho” é, ao final de sua leitura, uma mágica viagem que cada leitor faz ao menino que um dia foi.





Fernando Sabino (1923 - 2004) nasceu em Belo Horizonte. É conhecido por O encontro marcado e O Grande Mentecapto, romances que, dentre outras obras, concederam-lhe a imortalidade.


sábado, fevereiro 05, 2011

Refletir Cultural

Um espaço para a Cultura em todas as suas manifestações, em todas as faces de sua humanidade. Um lugar para além de refletir, de encontrar-se.

http://refletircultural.blogspot.com