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domingo, agosto 09, 2026

BEDA e Prosa Poética de 07 de julho de 2026

Bem, pessoal. Antes de começar com o registro seguinte da Oficina de Prosa Poética, tenho que contar uma coisa que achei bem legal. O meu amigo Liel (https://diverile.substack.com) me mandou uma mensagem por zap me contando sobre o BEDA (Blog Every Day in August) e compartilhou comigo um link do Entre Blogs (https://entreblogs.com.br/beda/2026/recrutamento). Fiquei super animado ao ver que a iniciativa usa a gamificação estilo RPG de fantasia medieval para engajar os participantes. Cheguei atrasado, eu sei. Por isso, escolhi a trilha de patrulheiro, no lugar de Herói. Quem tiver dúvidas quanto ao que eu estou querendo dizer, pode clicar no link acima e conferir. 

A verdade é que, apesar de ter escolhido uma trilha de postagem semanal, vou tentar cumprir o desafio de escrever e postar todos os dias. Bem, nem sempre vou postar o que escrevi. Por exemplo, vou tentar manter uma distância um pouco maior entre as postagens do resultado da Prosa Poética. 


Meu nome de aventureiro é “Nerito”. 


Elaborei a seguinte descrição: 

Nerito é o protagonista de uma história de amor e fantasia. É também o antigo apelido de um escritor, nos seus tempos de aprendiz, quando a blogosfera ainda era a principal forma online de compartilhamento de textos. Depois que o Nerito (personagem) nasceu, o Nerito (apelido) deixou de existir. Porém, a chamada à aventura despertou no escritor e blogueiro veterano o retorno a seus tempos de aprendiz. Assim, ele veste a velha capa de patrulha, as botas já surradas e segue seu percurso.


Um último detalhe: Estou escrevendo este relato ao som de LEveL, de SawanoHiroyuki (https://open.spotify.com/track/0Zp9WOkXX8xZS8QOhtdQ5k?si=GYbJWC6tRTeOraJL31Qvng&utm_source=copy-link&sci=spotify%3Acard-config%3A2T7QBMrePssaaa9OIbNfr3)


Prosa Poética


Objeto Provocador: Dado de cor de gema de ovo. Os números são bolinhas brancas. 



Frutos do Acaso


Se eu disser: “A sorte está lançada”, isso não vai significar coisa alguma. No fim, sabemos quais forças regem o acaso, ignoramos o nível de complexidade da confluência de fatores ditando os resultados de cada instante. 

Por isso, pensamos na sorte. Será, porém, que nos falta informação? Talvez não seja essa a palavra. Bem, nos falta mesmo informação. Imagine que cada coisa tem uma linha invisível conduzindo sua existência. Uma rocha, por exemplo. Descendo uma montanha. Ignoramos os acontecimentos que provocaram seu movimento. Em termos absolutos, podemos pensar em massa, gravidade, inércia, ação e reação. Podemos, então, especular que o acaso nada tem a ver com isso. Se essa rocha termina seu trajeto montanha abaixo esmagando uma casa lotada de criancinhas, será que nossa afirmação de que isso se trata de uma fatalidade está correta? Fatalidade ou ignorância?

Talvez seja impossível, em termos humanos, prever fatalidades. Somos fascinados com a aleatoriedade e talvez ela realmente exista no mundo. Só que podemos nos perguntar se a maioria dos fenômenos que atribuímos ao acaso podem realmente ser colocados na conta do mesmo. Talvez, esse equívoco seja apenas fruto de insuportável limitação humana.

Enquanto isso, deixemos os deuses se divertirem, jogando dados para os mortais dançarem.


Agravo


deus meu deus meu

por que me abandonastes?

Sabias que era só birra 

Sabias que eu só queria 

uma prova do vosso amor. 


Quando vos virei as costas 

foi como quem faz manha 

charminho de pecador. 


Esperei que vos voltareis 

que me buscásseis 

com braços cálidos 

e gesto acolhedor. 


Não esperei o silêncio 

o muro e o vazio 

repito: sou pecador 


Mas queria um mero afago 

deus meu, só um agrado 

Nem que fosse um desagravo 


Cheguei a desejar chicote 

a palmada da mão divina 

do cajado o firme toque 

em minha testa, minha sina. 


Porém, nada recebi 

nem quando retornei. 

deus meu, o que encontrei 

quero esquecer que vi. 


Trono vazio 

altar profanado. 

Além da tempestade 

do olho do furacão 

pensei que vos acharia


Mas nem feitiçaria 

ou oração surtiram 

qualquer efeito 

deus meu, não tem mais jeito 

Pois além do véu 

nada havia 

Só o vazio e 

melancolia. 


Prosa Poética da Tarde 


Trava


Tem dia que a gente trava. Tenta e tenta, mas a caixola continua vazia. Um muro de esquecimento. Palavra alguma vem à mente. A gente se sente meio incompetente, meio estúpido, um total fracasso. 

Isso é o acaso jogando dados com a nossa vida. Rindo de nossa dificuldade. Eta muro brabo de pular! Ainda assim, a gente tenta. Junta uma palavra com outra. Pensa em associações. Cata um dicionário e pesca palavras aleatórias. Quem sabe assim o texto engrena? 

É um sufoco. A sensação de impotência deixa a coisa ainda mais difícil. Aridez. E a gente querendo algo novo pra publicar. Uma história curiosa. Uma crônica espirituosa. Um poema sensível. E nada. 

No fim, o resultado é uma série de frases meio picaretas. A gente rabiscou cinco páginas no caderninho com frases que nos custaram papel, tinta e tempo. 

E, agora, só o fogo.


Dado 


Um deus de muitas faces 

Seis, para ser exato. 

Ou seis milhões, 

impossível mensurar. 

Escondido dele, 

eu espero 

qual das faces 

irá me lograr. 

Ele escarnece 

de meu medo. 

A face mais benevolente 

é aquela 

que ele nunca 

revelou. 

Está guardada 

aos eleitos. 

Para aqueles 

como eu 

Apenas olhos 

ávidos 

urgentes 

infinitamente 

distantes. 

O deus de muitas faces 

aguarda. 

Já definiu o meu 

Destino. 

Agora 

está 

Sedento 

para que ele se 

cumpra. 

Fogo 

Sangue 

Agonia sobre agonia. 

Não se pode esperar 

Amor 

de qualquer divindade. 

Principalmente 

daquelas 

que 

mostrando suas 

Faces 

revelam 

Apenas 

Nú 

meros. 


A boca da fome 


No umbigo 

do Universo 

o abismo aguarda. 

Silencioso 

e voraz 

deseja as almas 

de todos os seres. 

Vai demorar muito 

até que consiga 

consumir a 

última 

existência 

Sua boca 

faminta 

se projeta 

e toca 

uma a uma. 

O abismo agora 

faz parte 

de mim 

e de 

Você. 

Por isso tanta 

Fome. 

Enquanto o Universo 

caminha rumo ao 

Zero 

Absoluto 

o abismo 

come 

e quer mais. 

Cada vez mais 

Voraz. 

Quando por fim 

a Terceira Lei 

se cumprir 

a Boca do Abismo 

será do tamanho 

exato 

de Tudo.

 

sábado, agosto 01, 2026

Prosa Poética de 30 de junho de 2026

Objeto provocador



Epílogo


Então aconteceu o inevitável: o ser humano alcançou os limites do Universo. Ultrapassou a Via Láctea. Em seguida, cruzou todas as galáxias no caminho. Incontáveis anos-luz foram finalmente contados, pois a distância foi vencida.

No Planeta-Mãe, que havia eras deixara de se chamar “Terra”, trilhões de pessoas aguardavam a transmissão do momento em que o Fim do Universo seria alcançado. Não havia pessoa humana que não tivesse os olhos colados em seu transmissor virtual. “Olhos” é forma de expressão, uma vez que, com os implantes cibernéticos, as telas surgiam dentro da mente do espectador, em seu campo de visão. Já aqueles que haviam contratado a cobertura premium poderiam curtir uma simulação em tempo real, como se fossem parte da corajosa tripulação. Ou poderiam ser um corpo celeste próximo do evento, ou até mesmo o próprio módulo espacial.

As colônias humanas, tão numerosas quanto os corpos celestes, tamém acompanhavam o resultado da expedição. Ninguém falava de outra coisa. O limite final havia sido por fim alcançado. O módulo, ironicamente batizado de “Babel”, iria concluir um mito antigo, unindo os seres humanos em um só coração, uma só alma, uma só mente. 

Então, o módulo enfim chegou. Era ali, o limite. O final. A fronteira. Era lisa. Impenetrável. Invisível. O veículo espacial só não colidiu e foi estraçalhado porque os sensores captaram a misteriosa energia da barreira a tempo.

O ultra computador de bordo analisou a composição da barreira. Constatou ser ela feita de uma partícula nunca antes identificada. Prosseguiu a análise e buscou projetar o formato da barreira, que de fato não era reta, mas curva. Apesar das dimensões astronômicas, foi possível ao ultra computador valer-se da capacidade de processamento via léptons, compartilhada por outros computadores espalhados pelas colônias e também no Planeta-Mãe.

Ao fim de uma década, foi possível concluir os cálculos necessários e criar um modelo da barreira. Era côncava. Para dentro. E propagava-se por todo o Universo, até fechar-se em si mesma, encerrando toda a matéria.

O Governo Universal tentou ocultar a verdade, mas já era tarde. A hiperconectividade impediu o abafamento e logo os remanescentes da Mídia Livre alardeavam a Manchete, dando ao Universo a alcunha de Mônada. 

As tentativas de romper a barreira foram várias. Um modelo teórico apresentou a hipótese de que a energia necessária para realizar um furo de meio centímetro na barreira seria equivalente àquela usada para manter unida toda a massa presente no Universo. Para romper a barreira, seria necessário detonar em fissão nuclear todos os átomos presentes em seu interior. 

Esse foi o princípio do fim. Bastou saber-se aprisionado, o ser humano sucumbiu. A claustrofobia espalhou-se qual epidemia. Mundos inteiros detonaram suas ogivas, pulverizando-se. Guerras sobre guerras coroaram a angustiante insânia. A Vida em todo o Universo acabou. 

Do lado de fora da Mônada, A esfera que ela de fato era repousava em uma estrutura, junto com muitas outras. Esta estrutura de dimensões impossíveis girava, movida por uma alavanca. E os Eternos aguardavam qual esfera seria por fim tirada no sorteio. 


Perfeita 


A Face lisa 

e fria 

Ovo 

Núcleo 

Fato 

Fausto 

É impossível 

haver Vida 

nela. 

Apenas promessa. 

Ao abandonar 

enfim 

a perfeição 

Será quando 

poderá 

de uma vez por 

todas 

Viver. 


Prosa Poética da Tarde 


Lampejo 


Superfícies oníricas 

evocam reflexos 

diáfanos. 

Aturdido estou. 

Ofuscado. 

A luz era muita 

refratada 

em múltiplas faces 

prismáticas. 

Mundos inteiros 

surgiram assim. 

Depois, deixaram 

de existir. 

Eu apenas continuei:

Desejo.


Fato


Aquela colina 

já abrigou um Castelo.

Nuvens passaram 

ventos 

chuvas. 

Hoje nada resta 

do que um dia 

foi 

agremiação de pedras 

a acolher 

amores e 

intrigas. 

O Senhor Castelão 

possuía 

dois olhos de vidro. 

“Para ver longe”, dizia. 

Espiava o futuro 

distante 

e via apenas pradaria. 

Não compreendia. 

Foi incapaz de enxergar 

a própria 

Ruína. 


Ode


Faltam vinte minutos 

para o Fim do Mundo. 

Num canto escuro, 

as crianças se encolhem. 

Abraçam os joelhos e 

tremem. 

A cozinha está 

só poeira. 

As janelas 

exibem vidros 

quebrados. 

Mãos pequenas 

se cortaram 

nos cacos. 

O tempo 

mordeu os anos. 

Rasgou pele 

moeu ossos. 

Ninguém 

foi capaz 

de impedir. 

Apenas um único 

observador 

Testemunhou 

E, resignado, 

compôs uma ode. 


Lamentação 


Aquela 

era a casa 

mais sozinha 

do mundo. 

Num mundo 

mais sozinho 

que todos 

os outros 

do universo. 

Por mais 

estrelado 

que seja o 

céu 

cada estrela 

vaga solitária no 

Vazio. 

Triste. 

Lúgubre. 

Melancólico. 

É o olhar 

de quem escreveu 

este poema. 


Traste


Começar de um jeito 

e terminar de outro 

é algo demasiadamente 

humano. 

Ainda assim, 

tremo. 

O desprezo 

que sinto 

diante do espelho 

embrulha meu 

estômago 

Faz a bile dançar 

em meu 

esôfago. 

Preciso de afago. 

Mas nada espero. 

Um cão vadio 

vale mais. 

Ainda que seja 

hidrófobo. 

Sabe aquele cuspe 

que em breve 

vai secar? 

Pois é 

Sou eu. 


Alerta 


Depois deste poema 

o mundo terá acabado. 

O último deverá 

apagar a luz 

fechar a porta 

e desaparecer 

para sempre. 

Deus acordou 

do sonho que chamou 

“humanidade” 

e convenceu-se 

de que era 

pesadelo. 

Em vingança, 

quis existir 

no coração dos homens 

para aí fazer habitar 

o horror e o pesadelo. 

Foi assim que nasceu 

o Mal. 

Esse mesmo que vai 

devorar a carcaça do 

Mundo 

Agora 

que ele acabou.

sexta-feira, dezembro 29, 2023

Motivador

https://pixabay.com/users/pexels-2286921/



Tela em branco. 

Documento sem nome. 

Vazio de ideias, 

vago em busca de sentido. 

Sozinho. 

Abandonado. 

Sou como o arauto 

de uma era morta. 

Mas não precisa ser assim. 

A tela já não está mais 

em branco. 

Nela repousam palavras 

de angústia 

pelo ciclo que termina 

e o que se inicia. 

Essa agonia 

tão minha companheira 

me pega pela mão. 

A ela me entrego 

e assim escrevo.


Oficina de Prosa Poética - 19/12/2023 

quarta-feira, dezembro 27, 2023

Oficina estimula as crianças a encararem seus medos e refletirem sobre empatia



No dia 11 de novembro compareci à Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH para oferecer a oficina "O medo que a gente tem". Na atividade, eu li o livro Lolô, de Gregoire Solotareff. A partir da leitura, eu discorria com as crianças sobre as palavras "medo" e "empatia". Os sentidos dessas palavras eram explorados. Perguntei para as crianças de que elas tinham medo. Algumas disseram ter medo de aranhas. Outras, de baratas. Em seguida, falei sobre se colocar no lugar do outro, sentir o que o outro sente. Convidei as crianças então a desenhar suas imagens de medo, como forma a enfrentá-lo. Um aspecto dessa oficina em especial foi que as crianças foram chegando e eu voltava a ler com elas o livro e as convidava para produzir desenhos.

 











No dia 23 de novembro, foi a vez de ir à Biblioteca do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Atendi a cerca de 75 crianças. Resolvi mexer um pouco na metodologia. Perguntei primeiramente sobre o que os lobos gostam de fazer. A resposta foi "caçar". Dei início então a uma leitura reflexiva e dialógica, apresentando os personagens Tom e Lolô, contando a história desses dois.

Após a leitura, comecei a explorar alguns aspectos do livro, falando sobre a diferença entre MEDO-DE-LOBO e MEDO-DE-COELHO. Falei do trauma que Tom sentiu ao ser profundamente assustado por Lolô. Além disso, discorri sobre as questões como o significado da palavra "empatia" como contraponto à "antipatia", que todos conhecem e cujo conceito compreendem intuitivamente.

Sendo assim, explorei um pouco a questão da desigualdade desencadear processos nem um pouco empáticos, gerando profundos traumas nas pessoas. Contei do meu medo de aranhas e a brincadeira durante a infância em que meu irmão, Arthur, junto com os amigos Áquila e Samuel, procuraram me assustar com uma enorme aranha fosforescente. E como o resultado foi desastroso, pois estávamos todos de hóspedes na casa desses amigos e os vizinhos comunicaram aos pais deles essa confusão gerada com meus gritos de susto. 

As crianças disseram ter se divertido muito. Aproveitei para contar a história "O caso do bolinho", seguida da Que bicho será que fez a coisa?

Também discorremos um pouco mais sobre medos e a importância de a gente se colocar no lugar do outro. Estava com meus cartões. Aproveitei para separar um cartão e deixei com uma das professoras. 

Por fim, fizemos algumas fotos para marcar a iniciativa.  





O último encontro da oficina "O medo que a gente tem" aconteceu no Centro Cultural Usina de Cultura. As crianças eram bem pequenas e estavam bastante inquietas. Elas faziam parte de uma creche parceira da PBH. Apesar da inquietação, pude observar que prestaram bastante atenção durante a leitura. Quando fui conversar sobre os aspectos "medo" e "empatia", elas começaram a ficar agitadas. 

Por conta do tempo curto e da agitação das crianças, considerei melhor encerrar a atividade. Também deixei meu cartão com uma das professoras, ficando assim a possibilidade de visitar a instituição parceira.


Por fim, considerei essa oficina muito interessante e com um potencial enorme. Uma atividade que apresenta uma obra diversa e de grande sensibilidade. 

Espero poder oferecer essa oficina nos centros culturais novamente. Ou realizá-la em outros espaços, como bibliotecas comunitárias, creches e escolas.

E você, o que achou? Já leu o livro indicado? Realizou alguma oficina de leitura literária? Deixe abaixo seu comentário, compartilhando sua experiência ou reflexão.