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sexta-feira, agosto 05, 2022

O apocalipse dos trabalhadores - Vidas que se entrelaçam


É um grande desafio para mim falar de O apocalipse dos trabalhadores, de Valter Hugo Mãe. Esse não é um livro fácil. Ele conta as histórias de três pessoas: Maria da Graça, Quitéria e Andriy. Duas portuguesas e um ucraniano. A trama se passa em Portugal, na cidade de Bragança. Nesse emaranhado de vidas há também o Senhor Ferreira, o homem para quem a Graça trabalha e que a assedia constantemente. Por conta das constantes investidas, ela o chama de Maldito, mas admite que por ele está apaixonada. Graça é casada, um casamento sem amor. Ela detesta o marido a ponto de colocar lixívia na sopa dele, na esperança de que morra aos poucos.

Quitéria é namorada de Andriy. Ele fala pouco o Português e sofre de falta de notícias dos pais, Ekaterina e Sasha, que ainda vivem na Ucrânia. O velho Sasha é paranoico e vive com medo de ser levado pelos soldados. Isso porque há muitos anos ele matou um homem. Ou pelo menos é o que acredita. Não dá para saber o que é fato e o que é fantasia para Sasha.

A narrativa não segue um padrão linear, embora haja um enredo central que respeita certa sequência de acontecimentos. O texto é um emaranhado que vai se desenrolando enquanto lemos. A narrativa truncada pode ser incômoda, bem como a forma como as personagens interagem.

Com um enredo simples, mas emaranhado, personagens emblemáticos com atitudes controversas e uma certa dose de erotismo, O apocalipse dos trabalhadores é uma obra densa e incômoda, que nos marca como ferro em brasa.


Ficha técnica

O apocalipse dos trabalhadores

Valter Hugo Mãe

ISBN-13: 9788525063571

ISBN-10: 8525063576

Ano: 2017 

Páginas: 208

Idioma: português

Editora: Biblioteca Azul

sexta-feira, maio 14, 2021

Os 30 anos da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil

Foto: Ricardo Laf/PBH


A Biblioteca Pública Infantil e Juvenil fez uma marca indelével em minha vida. Quando lá em 1994 eu tive em mãos um exemplar da revista Ler-O-Lero, nunca imaginei que um dia faria parte do lugar onde a revista nasceu. Lembro que eu ficava horas e mais horas lendo e relendo a revista. Eu ficava me deleitando com as imagens e também as brincadeiras com as palavras e com as histórias. Narrativas sobre três lobinhos que eram perseguidos por um grande porco, ou de um menino chamado João que, de tanto comer feijão, cresceu e ficou gigante feito um pé de fruta-pão.

Anos depois eu fui visitar a Biblioteca para uma apresentação do Era uma vez... E conheci a Sandra Bittendourt e o Babu Xavier. Já era adulto e já sonhava trabalhar como servidor da Fundação Municipal de Cultura. O sonho estava quase se concretizando.

E um dia eu finalmente pude dizer que fazia parte da equipe da BPIJ. Foram anos de muita alegria e muito trabalho, realizando oficinas, coordenando lançamentos de livros, preparando programações mensais. E agora, quando vejo que fiz parte de uma história de 30 anos, sinto muito orgulho e amor.

Sim, a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil está completando 30 anos em 2021. E preparou uma programação com carinho e muita sensibilidade. Essa programação eu compartilho com vocês logo abaixo.


Atividades permanentes 

PROSA POÉTICA - OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA

Espaço para o escritor aprendiz exercitar a criatividade, trocar ideias e experiências.

Mediação: Kátia Mourão 

Terças-feiras, sempre às 10h

Encontro virtual na plataforma Google Meet

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Prosa poética - escrita criativa”


RODA DE LEITURA

Encontro para a prática da leitura em voz alta e reflexão sobre a literatura em suas diversas formas de expressão.

Mediação: Wander Ferreira

Quartas-feiras, às 14h

Encontro virtual na plataforma Google Meet

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Roda de Leitura”


HISTÓRIAS E CRIANÇAS

Encontros virtuais para narração e leitura de histórias para crianças e suas famílias, com a participação da equipe da BPIJ-BH e voluntárias

Quinzenalmente, nas quintas-feiras, às 17h30

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: Crianças e suas famílias


ENCONTRO DE CONTADORAS DE HISTÓRIAS

Reunião para seleção e pesquisa de textos literários, exercícios de narração de histórias e trocas de vivências. 

Sextas-feiras, às 10h

Encontro virtual na plataforma Google Meet

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Encontro de contadoras” 


LEMBRANÇAS DA BIBLIOTECA

Um vídeo por dia com depoimentos de leitores, funcionários e amigos da BPIJ-BH.

De 03/05 a 31/5, às 8h

Publicações no Facebook


MANHÃ ENCANTADA

Um encontro marcado com a fantasia através da narração de histórias

Sábados, dias 8, 15, 22 e 29/05, às 10h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: crianças e suas famílias 


BIBLIOTECA CONVIDA

Encontro com Antonieta Cunha, Maria do Carmo Maggi e Reni Thiago, com

mediação de Ana Paula Cantagalli

Quinta-feira, 03/06, às 15h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: jovem/adulto


CORRE DE FADA

Conversa com Val Armanelli sobre o quadrinho “Comida de Fada” 

Terça-feira, dia 08/06, às 19h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: jovem/adulto


DESENHANDO O QUADRINISTA

Bate-papo com quadrinistas de BH sobre seus percursos de leitura, memórias afetivas e ídolos no mundo dos quadrinhos

Quinta-feira, 17/06, às 19h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 

Público: jovem e adulto 


SARARAU PALAVRA PRETA

Reunião de poetas e convidados do Sararau ocorrido na BPIJ-BH para performances envolvendo a produção de poetas negros brasileiros. 

Quarta-feira, 23/06, às 19h

Evento virtual na plataforma Google Meet

Público: jovem/adulto

Como participar: envie uma solicitação para o e-mail bibliotecainfantilejuvenil@pbh.gov.br com o assunto “Sararau”


RODA DE LEITURA COM AS CRIANÇAS

Quarta-feira, dia 30/06, às 10h

No canal da Fundação Municipal de Cultura no youtube 


Espero que vocês, assim como eu, possam se inspirar com essa programação tão especial. E que nos vejamos lá!

quarta-feira, abril 29, 2020

A biblioteca, as leituras de afeto e a oportunidade de escolha

Bruna e Sophia são crianças que por cerca de dois anos visitaram a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, onde trabalhei. Levadas por suas mães aos sábados, em geral mensalmente, essas meninas faziam questão que eu acompanhasse suas escolhas e que lesse para elas. 

Durante esse período, fizemos várias descobertas de bons livros. Alguns eu oferecia para ler, mas elas logo rejeitavam. Outros, pediam para que eu interrompesse a leitura pela metade. Havia aqueles, porém, que as encantavam a ponto de pedirem que fossem lidos novamente. 

Tanto a mãe de Sophia quanto a de Bruna são leitoras. Elas trocavam comigo suas experiências de leitura, o que tornava mais rica a mediação com as crianças. Além disso, ambas levavam muitos livros para casa, depois de longa exploração do acervo.

Sophia costumava exigir total dedicação. Já Bruna aceitava dividir minha atenção com outras crianças. Havia momentos em que elas participavam de oficinas literárias ou narrações de histórias. Contudo, a maior parte de nossas interações acontecia em leituras que eu fazia para elas, a partir de livros que escolhiam entre os exemplares disponíveis no acervo.

Foi fundamental o compromisso que as mães de Bruna e Sophia assumiram com a leitura e com a visitação à biblioteca. Mais ainda, elas deram às filhas, na mais tenra idade, o direito de escolher suas leituras. Esse protagonismo foi assumido pelas crianças com muita propriedade e consciência.

Existem muitas outras crianças, bem como suas mães e seus pais, que dão vida aos sábados da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Assim como há inúmeras crianças e suas famílias que frequentam as 22 bibliotecas culturais de Belo Horizonte e tantas outras bibliotecas, espalhadas pelo país. Porém, decidi registrar aqui essas experiências com as duas meninas e suas mães pelo exemplo que elas são, de afetividade, de compromisso, de busca pelo prazer da literatura e pela silenciosa mensagem de que a Biblioteca é um lugar de muitos encontros.

quarta-feira, abril 15, 2020

Reflexões sobre leitores e leituras

Trabalho ativamente como mediador de leitura há quase dez anos. Existem duas dimensões quando falamos dessa mediação. A primeira, é a dimensão prática, o trabalho diário com os leitores. Já a segunda é a dimensão reflexiva. Pensar nossa atuação como mediadores é fundamental para o desenvolvimento de estratégias cada vez mais eficazes. 

Dessa forma, é importante refletir sobre o objeto de nossa atuação. O que a leitura representa para nós? Existe a conceituação acadêmica, mas para mim, a leitura também atravessa aspectos afetivos e identitários. Pensar a leitura também significa pensar em quem sou como pessoa.

Leitura vai muito além de decifrar um texto escrito. Há uma extensa discussão conceitual sobre isso. A meu ver, a leitura é a produção de sentido através da inferência e da interpretação de um texto, relacionando seus sentidos com a bagagem de conhecimento do leitor. 

Sendo assim, cada leitura é única, pois cada leitor também o é. Além disso, um texto pode ser uma sequência de sinais gráficos ou uma tela de cinema, ou uma melodia. Desta maneira, quanto maior nossa bagagem de conhecimento, maior a variedade de ferramentas para enriquecer os sentidos que produzimos ao ler.

É importante que cada leitor valorize e respeite sua trajetória pessoal. O pertencimento e a familiaridade são muito importantes para a construção de um ambiente rico de possibilidades. Acredito que cada experiência e trajetória são valiosas na composição de cada sujeito leitor. As memórias de infância e sua relação com a fabulação propiciam uma disposição para a leitura e para a experimentação de novas narrativas.

Como dito anteriormente, cada leitura é única. Ler um texto novamente se torna uma experiência diferente da leitura acontecida em sua primeira vez. A diversidade de leitores também proporciona a diversidade de leituras. Diante disso, cada mediador precisa manter uma postura de escuta ativa e acolhimento.

Como disse Antônio Cândido, todo ser humano necessita de fabulação. A leitura literária permite esse fenômeno, assim como outras linguagens artísticas. Na literatura, porém, o foro é mais íntimo. A imaginação é estimulada ao máximo. Na leitura literária, o leitor não apenas adquire vocabulário e conhecimento. Ele adquire experiência sinestésica e cultiva a empatia pela diferença.

Ainda parafraseando Antônio Cândido, se a literatura é uma necessidade básica, ela também é um direito inerente ao ser humano. Garantir a cada pessoa o acesso ao universo literário é garantir um mundo um pouco mais justo.

Por fim, o mediador precisa se apresentar como alguém acessível, empático, disposto a aprender com seu público, a construir junto uma trajetória de leitura. Ao mesmo tempo, ele precisa se comprometer com a pesquisa, com a busca por novos horizontes literários, de forma a apresentar ainda mais possibilidades a cada um de seus leitores.

Atualização de 25/04/2020 - Caso alguém tenha ficado em dúvida quanto ao termo "leitura literária", esclareço que se trata da leitura para além de seu aspecto puramente pragmático, não se resumindo apenas à decodificação de sinais linguísticos, mas também  um exercício estético de apreciação da literatura, devaneio da imaginação e da fruição poética.

quinta-feira, março 19, 2020

Dia do Contador de Histórias 2020

Dia 20 de março é celebrado o Dia do Contador de Histórias. Para não deixar passar batido em um momento em que o país precisa se recolher, nós estaremos contando histórias online, com a hastag #históriasdetodoscantos. Serão 24 horas de histórias. Assim, Quem quiser acompanhar pelo Facebook, basta acessar o link: https://www.facebook.com/Hist%C3%B3rias-de-todos-os-cantos-101286441515296.


Eu estarei em meu perfil do Instagram @neritosamedi contando uma história recolhida pelos Irmãos Grimm. Deixo o nome escondido, será uma surpresa...

Quem quiser me assistir, basta acessar meu Instagram às 7h da manhã. 

Até lá!

segunda-feira, setembro 02, 2019

Contando Histórias na EMEI Alto Vera Cruz

Não é segredo para ninguém que tenho um carinho especial pela Educação Infantil. O universo de histórias, cantigas e brincadeiras continua a fascinar este adulto de quase quarenta anos.

Ao deixar de trabalhar na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, passei a valorizar ainda mais as oportuidades de me apresentar para as crianças pequenas.

E foi por isso que nem pensei duas vezes quando conheci a professora Aline. Ao saber que ela trabalhava em uma EMEI, perguntei sobre a oportunidade de visitar a escola para contar histórias.

Fui muito bem recebido na EMEI Alto Vera Cruz no dia 10 de julho deste ano. As crianças foram reunidas no refeitório, sentadas em tapetes circulares. Eu, diante de tantos rostinhos, dei início com a leitura de Dorme, menino, dorme. Em seguida, narrei algumas histórias, com destaque ao meu principal herói, o bolinho.

Ao fim da apresentação, as crianças voltaram para suas salas e eu fiquei um pouco na biblioteca. Havia uma turminha lá. Aproveitei para contar outra história. 
Fiquei o resto da manhã lá na biblioteca, conhecendo os livros. Tive ótimas surpresas, como o excelente 20 disfarces para um homenzinho narigudo. À tarde, tive a segunda parte, quando contei histórias para outras crianças da EMEI. Aproveitei para apresentar os livros que tinha conhecido lá na Biblioteca. Também brinquei um pouco de adivinhas, antes de começar a narração. 

Foi um dia maravilhoso para mim e que estará sempre gravado em minha memória. Quero aproveitar e mais uma vez agradecer à pedagoga Aline Costa pela oportunidade, confiança e pelo registro fotográfico.








quarta-feira, agosto 28, 2019

Caleidoscópio: meus poemas dos anos 20

photo taken by H. Pellikka
Minha relação com a escrita poética é bem antiga. Lembro-me de ter arriscado versos e rimas lá pelo fim da infância. Eram versos que falavam do tempo e da ansiedade que ele traz. Infelizmente, esses versos não sobreviveram à minha adolescência.

Quando comecei a cursar Letras, tentei novamente. Experimentei sonetos, rimas e versos livres. Quase tudo foi abandonado lá pelos 25 anos. Diferente dos versos da minha infância, esses poemas foram, em sua maioria, preservados. 

O único problema é que eu não compartilhei a maior parte desses poemas. Ainda assim, não fui capaz de destruí-los. De uns anos pra cá, eu os reuni em um quase livro, que batizei de Caleidoscópio, o mesmo título do meu poema preferido dessa época. Alguns amigos leram, fizeram comentários e sugestões. 

Atualmente, esse livro está em processo de publicação. São poemas antigos, ingênuos, que mostram um pouco da carne que há além da minha pele. E continuo querendo divulgá-los. 

Vou compartilhando aos poucos esses poemas por aqui, com a hashtag #Caleidoscópio. Será como postar fotos antigas, daquelas que mostram como bonitinhos - e desengonçados - a gente costuma ser, quando jovem.

Convido aos interessados que acompanhem em meu blog possíveis desdobramentos, como um lançamento futuro. Podem conhecer todos os poemas do futuro livro na Página do Projeto Caleidoscópio. E conto com vocês para torcerem por mim - e pelos poemas também.

terça-feira, agosto 13, 2019

O Saci no CCLAO


Oficina Literária "O Saci, de Monteiro Lobato"


Leitura de trechos do livro "O Saci", de autoria de Monteiro Lobato, seguida de atividade criativa sobre as origens e peripécias do personagem, com Samuel Medina.


Dia 14, quarta, às 14h30

Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira
Avenida Antônio Carlos, 821 - Mercado da Lagoinha
Contato: (31) 3277-6091 ou 3277-6077


segunda-feira, agosto 12, 2019

Primavera Literária 2019

A CONSTRUÇÃO DE UM CAMINHO COMUM PARA BIBLIOTECAS E O MERCADO EDITORIAL - A relação entre o mercado editorial brasileiro e as políticas de aquisição de livros para bibliotecas públicas e escolares.

Mesa de discussão com:
. Volnêi Canônica
. Samuel Medina
. Guilherme Relvas
. Viviane Maia
. Mediação: Rosana Mont'Alverne


"O mercado editorial brasileiro, especialmente sua produção infantil e juvenil, funciona, não exclusivamente, mas em grande medida, em torno de políticas de aquisição de livros para bibliotecas públicas e escolares. Em nosso atual contexto, como pensar essa relação, considerando aspectos como liberdade de expressão, financiamento e compromisso com um projeto amplo e longevo de formação de leitores e fortalecimento das bibliotecas?"

Dia 15/08/2019
11h30
Sala 206 (não será na sala multiuso)



quarta-feira, julho 17, 2019

Uma noite de afetos, amizade e Pedro Nava

Na noite de 26 de junho, uma quarta-feira, fui visitar o Centro Cultural Padre Eustáquio. Pâmela foi comigo. O evento é mensal e se chama "Feira de Poesia". O tema do evento era a obra de Pedro Nava.

Chegamos atrasados. Como era a nossa primeira vez no evento, ficamos um pouco perdidos. Tanto que erramos a porta e ficamos circundando a entrada da feira coberta do Padre Eustáquio, onde está localizado o Centro Cultural.

Entramos em uma biblioteca em penumbra. Um projetor mostrava imagens da vida do escritor. Ao redor de uma mesa, nós víamos rolinhos com textos de Nava. Apresentando as imagens do autor, estava seu sobrinho-neto, Matheus Nava.

Mergulhamos em um passado repleto de sentimento e perda. Conhecemos um pouco mais das histórias de família, principalmente o pesar da família, e do próprio Pedro Nava, com a morte prematura do sobrinho, José Hyppólito, por quem a família nutria grande admiração.

Ao final da apresentação, fomos convidados a um saboroso café. E pude conversar um pouco com os presentes.

Conheci uma pessoa muito bacana, o Paulo Siuves. Ele esbanjava simpatia e amizade. No bate-papo entrou também o casal de poetas Cirlene Lopes e Geraldo França.

Aproveitei para conhecer o livro de poemas da Márcia Araújo, uma das organizadoras da Feira de Poesia. Não hesitei em garantir o meu exemplar.

Foi uma noite de encontros, novos e antigos. Revi os colegas Hélio e Ângelo. Trocamos algumas palavras, menos do que gostaria. Ficou a promessa de uma outra vez.

Tenho certeza que saí de lá com um tesouro. A vivência do evento e os afetos com as novas amizades enriqueceram minha caminhada.



quarta-feira, julho 10, 2019

Histórias, memórias e sorrisos - Visita ao Lar de Idosos Benedito Venâncio

Tudo começou ao ver a foto de minha amiga Norma de Souza Lopes contando histórias para um grupo de velhinhos. Fiquei encantado e com muita vontade de participar. Entrei em contato com ela, que me apresentou a Higínia, uma professora da EJA extremamente dedicada.

Fizemos o primeiro contato e combinamos uma visita ao Lar de Idosos Benedito Venâncio no dia 12 de junho. 
Estava ansioso e muito nervoso. Para mim, os idosos devem ser ouvidos, eles são os contadores de histórias por excelência. A responsabilidade que eu sentia era enorme e isso aumentava minha insegurança. Contudo, a vontade de visitá-los, interagir com todos e conhecê-los era maior que qualquer insegurança.

Lá chegamos. Fomos conhecendo cada idosa e idoso. Todos foram muito receptivos e carinhosos. Um lanche foi distribuído e participamos dessa refeição em conjunto. 
Terminado o lanche, Higínia nos apresentou. Norma então passou a palavra pra mim. Contei "O caso do bolinho", uma de minhas histórias favoritas.

Em seguida, Norma narrou "O homem sem sorte". Foi uma delícia ouvir essa narrativa tão preciosa partindo de uma pessoa também preciosa. 
Foi então a minha vez de contar a história do rei descrente. 
Uma das presentes, a senhora Maria do Carmo, decidiu compartilhar também uma história. Ela narrou a fábula de dois amigos que encontram uma fera na floresta. 
Outra pessoa que desejou falar foi o senhor João, que narrou de sua infância difícil em Nanuque.

Um senhor chamado Sebastião contou alguns causos da roça. Contou sobre a caça ao tatu, a casa mal-assombrada e o rabo da onça.

Norma reassumiu para contar a história de Chico Bravo e João Jiló. Todos riram das trapalhadas do herói. Eu então recitei "Tombo", poema de autoria da Norma, e narrei sobre Nasrudin e o caixote.

Encerramos agradecendo as escutas e também as vivências compartilhadas. Sinto que foi um momento especial de aproximação e conhecimento. O afeto foi a palavra fundamental daquele encontro.

Mais uma vez agradeço à Higínia pela oportunidade, bem como à minha amiga Norma e também a toda a equipe do Lar de Idosos Benedito Venâncio. 



terça-feira, julho 09, 2019

Projeto Livro-minuto: Vídeo e Primeira Campanha

Boa noite! Compartilho com vocês mais um livro-minuto. Desta vez não se trata de um exemplar único. Até o momento, foram feitos 4 exemplares. O livreto no vídeo é o quarto produzido e ele está disponível para aquisição.


Proponho então uma brincadeira:

Quando o vídeo alcançar 10 "joinhas", a primeira pessoa que tiver comentado lá no post do canal ganhará pelo correio uma cópia feita à mão desse livro-minuto.

Portanto, logo que o vídeo alcançar 10 "joinhas", entrarei em contato para pedir o endereço de envio.

quarta-feira, junho 12, 2019

BPIJ - Não um adeus, mas um até logo

Quem acompanha meu trabalho sabe que sempre fiz questão de mencionar que fazia parte da equipe da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Neste espaço, inclusive, falo da BPIJ como minha segunda casa. Enfim, infelizmente, tive que me mudar.

Desde maio deste ano, passei a atuar na sede da Fundação Municipal de Cultura, deixando assim de fazer parte da equipe fixa da Biblioteca. Não significa, porém, que deixarei de atuar na mediação de leitura. 

Os motivos que me levaram a me retirar da BPIJ são vários, sendo eles a maioria de natureza pessoal. Contudo, meu carinho e admiração tanto pela equipe quanto pelo espaço que a Biblioteca representa.

Atualmente, estou na Gerência de Bibliotecas e Promoção da Leitura. Assim, penso que minha atuação como mediador será potencializada. Afinal, estarei em contato com a rede de bibliotecas da Fundação Municipal de Cultura de BH. Inclusive, com propostas de oficinas de mediação.

Por exemplo, há duas semanas ocorreu a Semana Literária do Centro Cultural Venda Nova. Estive lá com a oficina Livro-minuto e com a apresentação "Comadre Morte, Compadre Capeta", em parceria com o amigo Rodrigo Teixeira. Em julho, estaremos no Centro Cultural Salgado Filho com a mesma apresentação artística.

O que posso dizer? Foram anos de trabalho árduo e gratificante. Anos de dedicação e idealismo, mas também de decepções e dificuldades. Sinto-me eternamente ligado à Biblioteca e a todas as pessoas que nela trabalham e trabalharam, assim como aquelas que a frequentam e usam de seu acervo, pois fazem todas parte da minha história e a tornaram mais saborosa e profunda.

Fica aqui minha minha saudação e meu muito obrigado. Sabendo que esta despedida não é um adeus, mas um caloroso "até logo."




segunda-feira, maio 20, 2019

Projeto Livro-minuto - Lançamento oficial

Livro-minuto foi um termo que passei a utilizar em 2014, após aprender com o Rodrigo Teixeira uma dobradura que torna uma única folha em caderno.

Ao me deparar com esse belo truque, fiquei fascinado e decidi levar essa técnica para minhas oficinas de mediação de leitura. Nascia então o livro-minuto: a proposta de produção de um livreto que poderia ser lido em menos de um minuto.

A oficina Livro-minuto foi ofertada tanto na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, quanto em bibliotecas de centros culturais da cidade. O princípio era ganhar simpatizantes pela proposta, de forma que mais pessoas se envolvessem no processo de produção de livros como objetos únicos, artesanais, fora da lógica de produção em série.

Minha paixão por livros sempre foi para além do texto. As obras medievais me fascinavam, com suas brochuras com iluminuras e escritos à mão. Não foi à toa que fui atraído por Jorge Luís Borges e suas ideias de livros em que imprecisões ou "erros" tipográficos os transformariam em objetos diferenciados.

Assim, quando conheci os livros artesanais, fui imediatamente cativado. Tenho em meu acervo pessoal muitos livros feitos de material reciclado, costurados à mão. E sempre que tenho oportunidade de ir a uma feira de livros independentes, saio de lá com a mochila cheia de novos tesouros.

E por isso essa minha paixão extrapolou para além do colecionismo. Passei a produzir artesanalmente minhas próprias obras através da Oficina Livro-minuto.

A proposta da atividade é refletir no papel do livro e em seu percurso como ferramenta fundamental do pensamento e da memória da humanidade. Discutimos sobre os usos do livro e sua evolução de riscos no chão, pelos desenhos rupestres, passando pela pedra talhada, pelas tábuas de argila, pelo pergaminho, até o formato convencional, conhecido como brochura, caderno ou códex. Por fim, lanço às pessoas participantes o convite de fazermos nossos livros.

Como material, além da folha de papel, uso textos em domínio público. Podem ser poemas, ditados, adivinhas, quadrinhas, trovas, sonetos. Quando o texto tem autoria identificada, não deixo de fazer menção do nome da autora ou do autor. Apresento também alguns desenhos do escritor Ricardo Azevedo para serem recortados e colados.

Todo esse material, contudo, é propositivo. Cada pessoa tem a liberdade de criar seu livro-minuto de acordo com seu impulso criativo. Assim como eu, pois aproveito para, a cada oficina, criar mais um livreto.

Tive a felicidade de participar de um sarau em que o amigo Felipe Diógenes levou suas alunas e seus alunos. Fizemos um varal e vários livretos produzidos pela garotada foram pendurados. Quem quisesse poderia pegar qualquer um e ler para o público. Foi um momento mágico.

Com o objetivo de expandir a ideia, decidi lançar oficialmente o Projeto Livro-minuto. O objetivo é fazer circular o conceito, bem como o livreto em si. Abaixo, compartilhei o vídeo do livro-minuto "JOGO". 



Posteriormente, farei propostas e postarei outros vídeos, com o objetivo de envolver ainda mais as pessoas no processo. Aguardem!

quarta-feira, maio 01, 2019

Trabalho

Enquanto se diz
Que dignifica
O que fazemos
A cada dia
É empurrar
Aquela mesma
Pedra.
A nossa dignidade
Em leilão
Por uma reforma.
Despojados estamos
De um tempo que
Nem sabemos se
Teremos.
Não adianta
Contar com a
Previdência
O homem comum
Lançado às bestas
Acaba tendo
Inutilmente que
Recorrer à
Providência