De lobo a bolo: uns heróis bem diferentes
Narração de histórias para crianças de todas as idades. O repertório parte de textos literários consagrados junto ao público infantil, bem como narrativas da tradição oral.
Duração: 30 minutos
Público: infantil
19, 21 e 22 de setembro de 2019, às 13h30
Local: Parque Municipal Américo René Giannetti. Belo Horizonte. MG.
Blog do escritor e contador de histórias Samuel Medina. Aqui você encontrará resenhas de livros, contos, crônicas, relatos de experiência e poemas. Além de informações sobre meus livros.
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quarta-feira, setembro 11, 2019
Semana da Educação - Espaço Contação de Histórias no Parque Municipal
quarta-feira, agosto 01, 2018
Segunda Candeia: A chama brilha mais forte
Não seria estranho, portanto, que eu aguardasse a próxima edição com tanta ansiedade. Estava sedento por aprender mais, conhecer e ouvir mais. E posso dizer com tranquilidade que minhas expectativas foram superadas.
A Segunda Candeia teve sua abertura oficial no dia 13 de junho deste ano. Novamente, o Sesc Palladium acolheu esse evento tão incrível, realizado pelo Instituto Cultural Abrapalavra, nas pessoas de Aline Cântia, Chicó do Céu e toda a equipe.
Tivemos um momento lindo quando duas grandes pilastras da narração de histórias foram chamadas ao palco - Gislayne Matos e Regina Machado - para receberem as devidas homenagens. Foi uma grande surpresa para as duas. Em seguida, teve início o grande espetáculo de abertura.
A poderosa voz do Sérgio Pererê me impactou e preparou para o fenômeno que seria o espetáculo "Era uma vez África", com o camaronês Boniface Ofogo. Minha atenção foi totalmente sequestrada pela presença forte e serena desse mago da memória.
No segundo dia, estive sorvendo os preciosos momentos de fala com Gislayne e Regina, que contaram com a mediação de Júlia Grillo. O tema da mesa era a narração de histórias como linguagem artística. Jamais esquecerei quando Gislayne disse que a arte, em sua origem, significa "fazer bem feito".
Na mesma noite, Regina Machado nos presentearia com o espetáculo "Contos da Lua Nova".
Alcançamos o terceiro dia. Nele, tivemos um encontro muito especial na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, entre os convidados da Candeia e as pessoas que participam do Encontro Semanal de Contadoras de Histórias. Contando com a abertura e mediação da narradora baiana Luciene Souza, esse bate papo esquadrinhou passados e memórias. Escutamos relatos de nascimentos de narradores e sobre o que os impulsiona.
Quando anoiteceu, Júlia Grillo apresentou a aula-espetáculo "A polpa e a semente e o desenho das histórias". Foi o momento de saborear o conhecimento e a sabedoria dessa narradora que, mesmo jovem, tem uma trajetória já extensa nos caminhos da narração oral.
Para encerrar a noite de forma sublime, tivemos o espetáculo "Foi Coisa de Saci". Nele, Josiane Geroldi levou um autêntico saci ao palco e mostrou que aprendeu muitos truques com esse diabinho perneta.

Um dos pontos mais altos do sábado foi o do escritor Ricardo Azevedo com os Contadores da Vila, um grupo de narradores ainda jovens, mas já dispostos a domar o bicho bravo que é a Palavra Oral. Foi maravilhoso ver a surpresa naqueles rostos jovens, ao verem seu grande ídolo se levantar e andar até o palco, para conversar com eles.
Vale destacar aqui a mediação matreira do amigo e companheiro de coletivo, Rodrigo Teixeira. Com seu estilo fanfarrão, ele deixou as crianças muito tranquilas no palco. Preciso destacar também o papel da Bárbara Amaral, amiga e colega no Coletivo Narradores. Apesar de não estar no palco, ela foi mencionada com respeito e admiração pelas crianças. É incontestável que, ao fundar e orientar o grupo Contadores da Vila, Bárbara é uma das grandes responsáveis pelo sucesso que esses jovens contadores de histórias já são.
Após esse encontro tão bom, Josiane Geroldi recebeu Boniface Ofogo e Giuliano Tierno para falarem sobre o tema: "Contador de histórias Contemporâneo, que profissional é esse?". Foi uma conversa séria, sobre ética e responsabilidade. Fiquei movido pela fala do Boniface Ofogo sobre a importância de conhecermos a linguagem, a poesia, a filosofia, para sermos narradores ainda melhores.
Ainda havia muito para acontecer. Fomos embalados pela voz serena e envolvente da Emile Andrade, com seu espetáculo "Histórias de muitos mundos".
No espetáculo seguinte, não pude estar presente, embora desejasse com toda a força, pois a Mestra Rosana Mont’Alverne e seu filho Eduardo Flores apresentariam "O buscador da verdade". Porém, eu precisava me aprontar, pois logo chegaria o momento do Coletivo Narradores. Fiquei escutando e pescando o que podia, com o coração dando pinotes de expectativa.
Ainda havia muito para acontecer. Fomos embalados pela voz serena e envolvente da Emile Andrade, com seu espetáculo "Histórias de muitos mundos".
No espetáculo seguinte, não pude estar presente, embora desejasse com toda a força, pois a Mestra Rosana Mont’Alverne e seu filho Eduardo Flores apresentariam "O buscador da verdade". Porém, eu precisava me aprontar, pois logo chegaria o momento do Coletivo Narradores. Fiquei escutando e pescando o que podia, com o coração dando pinotes de expectativa.
Assim, às 21h, começou o último espetáculo da Segunda Candeia: o lançamento do CD do Coletivo Narradores. Tive o privilégio de dividir o palco com minha esposa, Pâmela Machado, mais as amigas e amigos Alessandra Nogueira, Bárbara Amaral, Carlos Roberto Barbosa, Fernando Chagas, Gislayne Matos, Isaac Luiz, Juliana Daher, Nadja Calábria e Rodrigo Teixeira. Para além do palco, a direção sensível e competente de Aline Cântia e Liz Schrickte me deixou seguro e confiante.Aquele momento estará marcado para sempre na memória. Não foi a primeira vez que eu subi num palco. Mas era como se fosse. Aconteceu um nascimento ali. O Samuel Medina, aquele narrador de histórias, pode dizer sem dúvida alguma que nasceu de novo.
Eu nasci de novo.
Ainda que a Candeia no Sesc Palladium estivesse encerrada, havia mais um momento especial para marcar esse lindo festival. No domingo, pela manhã, o Rancho da Cultura, no povoado de Pompéu, em Sabará, abria as portas para celebrar a Palavra e as Histórias.
Infelizmente, pude curtir apenas um pequenino pedaço dessa despedida. Por causa de um problema no transporte, chegamos em tempo de ver apenas a última apresentação, feita pelo gigante Boniface Ofogo.
Infelizmente, pude curtir apenas um pequenino pedaço dessa despedida. Por causa de um problema no transporte, chegamos em tempo de ver apenas a última apresentação, feita pelo gigante Boniface Ofogo.
A Candeia para mim foi mais que um Encontro. Mais que uma Mostra. É na verdade um acontecimento que ultrapassa o espaço e o tempo. Não foi possível cobrir toda a programação, apesar de meus esforços. Ainda assim, posso dizer que onde eu não estava fisicamente, meus pensamentos lá se encontravam. Da mesma forma que, apesar de o festival já estar encerrado oficialmente, em minha alma ele perdura.
Para mim, a Candeia fica brilhando, eternamente. Cada voz é uma luz dessa chama que me banhou e me queimou também. Estou incendiado, para sempre. Sou também parte dessa chama, parte dessa luz.
Para mim, a Candeia fica brilhando, eternamente. Cada voz é uma luz dessa chama que me banhou e me queimou também. Estou incendiado, para sempre. Sou também parte dessa chama, parte dessa luz.
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quarta-feira, dezembro 20, 2017
Noite para renascer
Sabemos da força das palavras. Muitas vezes, porém, nos esquecemos disso. Na noite do último sábado, dia 16 de dezembro, fui testemunha dessa potência. Um poder renovador, capaz de inaugurar novos ciclos, fundar mundos.
Estávamos no Santo Chá, para a apresentação "Contos para Renascer" e tive o privilégio de dividir a palavra com pessoas experientes e talentosas, preciosas em tudo. Estavam comigo na apresentação Carlos Barbosa, Fernando Chagas, Isaac Luiz e minha amada, Pâmela Bastos Machado. Na direção artística, junto com o Fernando, estava a Aline Cântia.
Narramos histórias que nos levaram a outro patamar de vida, um renascimento interior, que procuramos compartilhar com os demais.
Além das pessoas já citadas, também contávamos com as presenças de colegas nos prestigiando, como a Bárbara Amaral, a Alessandra Nogueira, Nadja Calábria e Rodrigo Teixeira.
Contamos, declamamos poesia e também cantamos. Abrindo a apresentação, fizemos um cortejo ao som de "Ô lá vem vindo..." Pâmela distribuiu sementes entre as mesas.
Carlos recitou um belíssimo poema do Thiago de Mello. Fernando cantava "Quem sabe isso quer dizer amor". Isaac narrou a lenda do Peixe Boi. Pâmela, "A pequena vendedora de fósforos". Lemos, juntos, "Os Estatutos do Homem". Carlos então narrou um lindo trecho do livro "O Dom da História: uma fábula sobre o que é suficiente", de Clarissa Pinkola Estés. Por fim, contei a lenda da mandioca, história que aprendi com o mestre Joca Monteiro.
Aline tomou a palavra e, com voz embargada, falou da importância dessas histórias e da necessidade de lutarmos contra o cenário atual, em que nosso país retorna para o mapa da fome. A emoção não deixou que ela continuasse. Aline olhou para nós, entre lágrimas.
Então, num arroubo de ousadia, falei algumas palavras inflamadas e gritei um "#ForaTemer!"
Confesso que foi um momento muito especial para mim. Sinto-me renascido. Amparado para força desse maravilhoso grupo, vejo-me como planta e também semente. Planta, por estar entre tantos galhos nós e seiva de histórias. Semente, porque sinto-me imbuído da potência das palavras, que me lançam a um horizonte que, espero, seja sempre melhor.
sexta-feira, julho 07, 2017
Vídeo: O filho mudo do fazendeiro
Olá a todas! Segue o vídeo de uma nova leitura, finalmente! Tive muito prazer em ler essa história, a última do livro No meio da noite escura tem um pé de maravilha. Espero que curtam tanto quanto eu curti!
quarta-feira, maio 31, 2017
E a chama ainda brilha
Faz mais de uma semana que a CANDEIA - Primeira Mostra Internacional de Narração Artística foi oficialmente encerrada. Digo oficialmente porque dentro de mim ela continua a acontecer. Em minha mente e Coração continuo a me maravilhar com a energia sapeca do Joca, com o encanto sereno da Linete, com a voz e a presença do Gazel, com a força e a energia expressiva da Sandrita, com a experiência e simpatia do Cristiano, com a postura sempre pronta da Rocío e da Bárbara, com a constante luz da Aline Cântia e do Chicó do Céu.
Ainda pouco falei. Não mencionei todos que me tocaram, que me moveram, que deixaram marcas em sons e palavras, como o Giba, o Silas e os Arautos da Poesia. Ou de tanto que aprendi com as cristalinas palavras das mesas, com Rosana, Gislayne, Beatriz e Sandra, mestras de sempre.
Foi impressionante perceber como a personalidade da Aline Cântia incorpora o espírito da CANDEIA. Com sua expressão sempre tranquila e firme, como uma chama que nunca se apaga. E ver a magia presente na voz e nos gestos do Chicó, que de fato é um menino do Céu, com seu jeito de homem sempre menino.
E meninices não faltaram. Para mim, participar da CANDEIA foi ser uma outra criança. Ficava maravilhado ao mergulhar nas memórias da Sandrita, do Gazel, do Joca, da Linete, do Silas. E encontrar-me criança ali. Mergulhei nas vozes de cada um. Vozes como o sopro do deserto; como o ondear da costa da Barranquilla, como o correr do leito do São Francisco ou como as escondidas águas de tantos rios da floresta.
Durante os dias que a CANDEIA brilhou forte em BH, foi como se eu estivesse envolvido em outro útero. Um útero de palavras. Fui como a carne que recebe a folha de Maniva e a saliva de todos da tribo. Estou agora sentindo os efeitos de encontro tão incrível. A CANDEIA queimou forte em mim. Seu fogo é singelo e duradouro. Sim, ela continua brilhando e brilhará cada vez mais intensa em minha memória e palavras.
quinta-feira, março 30, 2017
Leitura #10
Um pequeno compêndio sobre os monstros que habitam a imaginação de nosso país
Monstrengos de Nossa Terra
Ricardo Azevedo (texto e ilustrações)
Editora FTD
Descrição: Cavalo branco, em perfil esquerdo tem três pernas, um par de asas. Não tem cabeça. Ele está em um campo verde. Ao longe, três árvores. A terceira é um coqueiro. Céu noturno tomado quase totalmente por nuvens amarelas. No canto superior direito, a lua minguante.
terça-feira, março 28, 2017
Leitura #8
A história de um samurai e de seu poder de mudar a realidade através do Origami.
A dobradura do samurai
Ilan Brenman
Fernando Vilela
Companhia das Letrinhas
Descrição: homem de olhos puxados em perfil direito veste quimono e brande uma espada samurai na mão esquerda e um bambu na direita. Uma sequência de 8 origamis estão na frente dele, caracol, concha, sapo, tatu, concha, Tsuru, girafa, concha. O homem está em preto e branco. Os origamis estão nas cores preto, laranja, verde, preto, azul, azul, azul, laranja.
sexta-feira, agosto 24, 2012
O Saci - a fantasia brasileira em sua melhor forma
Um menino busca vencer seus medos, sendo levado a uma viagem fantástica em meio aos seres mais famosos do folclore brasileiro. Esta é a premissa do livro O Saci, do consagrado escritor Monteiro Lobato, reconhecido por várias gerações de leitores, adultos e crianças.
É impossível negar que a fama de Lobato precede seus livros. Quem dentre os brasileiros nunca ouviu falar do Picapau Amarelo, com Emília, Narizinho, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Pedrinho, dentre tantos outros personagens inesquecíveis? A primeira memória evocada em cada um de nós, ao ouvirmos falar do Picapau Amarelo, provavelmente será da serie televisiva, cuja abertura era embalada pela voz inconfundível de Gilberto Gil. Mas muitos (como eu) foram levados a conhecer a fonte da serie, as histórias descritas nos diversos livros que contam as reinações da menina de nariz arrebitado com sua impossível boneca falante.
Como em poucos livros de Lobato, O Saci é focado especialmente em Pedrinho, menino oriundo da cidade grande, que no início do livro decide passar mais uma temporada de férias no sítio de sua avó, a bondosa Dona Benta. Pedrinho costumava se gabar de sua coragem, até ouvir falar de sacis. Desconfiado desses seres e desejando enfrentar seus receios, o menino conta com os conselhos do Tio Barnabé, um velho e sábio conhecedor dos segredos e tradições da roça.
É assim que Pedrinho consegue capturar um saci. Seu triunfo, contudo, é temporário. O menino acaba perdido na mata e deverá contar com a esperteza e a sabedoria do Saci para escapar de monstros como o lobisomem, a mula-sem-cabeça e a própria Cuca.
Através do Saci, o menino urbano vai sendo apresentado às nossas tradições, aos mitos do folclore brasileiro. O Saci assume um ar quase professoral, enquanto os mais diversos seres fantásticos atravessam a floresta diante do menino escondido.
Lobato habilmente dá personalidade ao Saci, uma das poucas entidades folclóricas a penetrar nos lares sertanejos, como um agente que irá promover o retorno do indivíduo urbano a suas raízes autênticas. Assim, O Saci é uma obra peculiar, que valoriza o tom aventureiro e o elemento do perigo, sendo uma excelente forma da criança conhecer um pouco mais de nosso folclore com diversão garantida.
Ficha Técnica
Título: O Saci
Autor: Monteiro Lobato
Edição: 1
ISBN: 851119018X
Editora: Brasiliense
Ano: 2001
Páginas: 46
Autor: Monteiro Lobato
Edição: 1
ISBN: 851119018X
Editora: Brasiliense
Ano: 2001
Páginas: 46
Página do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/3115-o-saci
Observação: Eu utilizo este livro com frequência na biblioteca onde trabalho. Costumo oferecer uma oficina onde apresento para crianças de todas as idades tanto a obra de Monteiro Lobato quanto a riqueza de nosso folclore.
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