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segunda-feira, julho 06, 2026

Blog e Substack - Intenções e Devaneios

 Ideias, ideias, ideias...


Faz muito tempo que não escrevo por aqui. A intenção seguia firme. Porém, havia outras intenções ligadas a este espaço. Ideias, ideias, ideias. E nenhuma posta em prática. Com isso, segui mantendo este lugar no limbo. 

Um dos impedimentos para publicação é que eu tenho tentado manter uma prática recorrente em ler e comentar textos de perfis que assino. É uma ética pessoal, sabe? Ler antes de querer ser lido. Porém, acabo não conseguindo fazer isso com tanta regularidade e então acabo adiando ainda mais o momento em que publicarei – e consequentemente criarei expectativas de ser lido e comentado. 

Isso causa um enorme problema, eu sei. Minha intenção primordial sempre foi escrever – e ser lido. Porém, se eu não publico, isso nunca irá acontecer.

Escrevo com certa regularidade. Acontece que pouco disso está pronto para ir à luz. Assim como este texto, que deveria ter passado por releituras e reescritas. Eu tenho tanta ansiedade publicatória que acabo postando textos ainda crus, verdes. O mesmo acontece nas minhas publicações de papel. 

Muitos dos livros que publiquei acabaram me trazendo um pouco de amargor ao final. A sensação de que queimei a largada, de que desperdicei boas ideias em textos não muito bem finalizados. Ou seja, que executei mal as ideias que tive. Essa sensação me persegue há anos. 

No fim, decidi conviver com isso. O que sinto não vai desaparecer depois que eu ler e revisar o mesmo texto trezentas vezes. Ou talvez desapareça. Eu nunca cheguei a 300 leituras de um mesmo texto para provar esse argumento.

Enfim, o que eu quero com este texto é algo simples: estabelecer algumas intenções para este espaço. Vou ser sincero: Eu tenho um blog (para quem está me lendo no Substack) e um Substack (para quem me lê no blog). Não quero fazer textos diferentes para os dois ambientes. Desejo que eles compartilhem os mesmos espaços. Quando criei o perfil no Substack, a intenção era ser lido sem abandonar o blog e os textos lá presentes. Com isso, a princípio desejo fazer duas coisas:

  1. Publicar no Substack os textos que tenho no blog – talvez não todos, mas os que considero os melhores;
  2. Sincronizar as novas publicações para que saiam nas duas plataformas.

E agora vem a bomba: no final, eu não vou fazer nenhuma dessas duas coisas por agora. Esse é o momento que eu digo: “Ahá! Enganei vocês!” 

E por que eu estou afirmando isso? Porque na verdade esse preâmbulo todo foi só pra o quanto eu costumo devanear. E dizer que tem outros textos que desejo postar aqui. Há tempos participo de uma oficina permanente de escrita e tenho pensado em publicar o resultado nos meus dois espaços. Já falei dessa oficina neste post: (https://www.oguardiaodehistorias.com.br/2018/02/prosa-poetica-o-momento-para-afiar-o.html). Em linhas gerais, a cada encontro, somos convidados a escrever a partir de um “objeto provocador”, que em muitos momentos pode ser de fato um objeto físico, mas eventualmente acabamos sendo “provocados” por músicas, poemas, obras de artes visuais, dentre outras. 

Como é possível perceber a partir da metodologia dessa oficina, os resultados costumam ser caóticos e aleatórios. Com isso, não dá para me ater a padrões textuais, no sentido de ter a intenção de postar semanalmente algum gênero específico. 

O que eu quero concluir aqui é que, de agora em diante, buscarei publicar semanalmente os resultados da oficina, sem no entanto perder de vista a retomada das publicações sistemáticas. Futuramente, pretendo voltar a escrever e publicar resenhas, relatos, poemas e contos. Quando eu ainda não sei determinar.

Bem, é isso. Em breve, talvez na próxima quarta, vou publicar aqui a foto do objeto provocador do último encontro e os textos produzidos. Não pretendo fazer a reescrita do texto, apenas a revisão ortográfica e alguma leve alteração. A intenção maior é focar no processo criativo, mas também com alguma valorização do resultado.

Espero que vocês gostem e que assim eu consiga retomar uma certa regularidade na criação e difusão do que escrevo.

Até mais!

quarta-feira, dezembro 20, 2023

Milésima postagem - Entendendo melhor os leitores

https://www.canva.com/p/id/BABfyOHKZIg/


Este é um dia de celebração. Após anos e anos escrevendo e publicando, chegamos à marca da milésima postagem. 

Acredito que seja um momento interessante para avaliar as conquistas deste espaço literário. Já publiquei anteriormente balanços sobre as postagens, refletindo um pouco acerca das publicações. Há por exemplo, a reflexão que fiz sobre minha formação continuada como escritor. Em outros textos, prometi que ira diminuir ou parar com as resenhas, mas não consegui fazer isso. Eis que continuo resenhando, refletindo sobre o que leio e colocando aqui. 

Outra questão que observei foi a quantidade de memória que existe no meu blog. Tanto que, se vocês leitores olharem para o lado, vão ver as postagens e suas principais categorias. São mais de 200 relatos em que eu conto minhas experiências, muitas vezes em formato de crônicas. Outras vezes, como ensaios. São notas de experiência desses tantos anos como escritor, contador de histórias e mediador de leitura.

Porém, as pessoas mais importantes deste blog são os meus leitores. Por isso, resolvi criar uma pesquisa para entender melhor esses leitores, um questionário rápido para que eu possa compreendê-los mais. Os endereços de e-mail serão guardados para comunicações futuras.

Acesse este link e responda à pesquisa.

Depois desse longo trajeto e de tantos anos passados, agradeço a todas as pessoas que seguem acessando e lendo este meu espaço literário. Sem vocês, seria impossível ter continuado a escrever. Espero que o blog continue vivo para produzir outras mil postagens! 

sexta-feira, abril 12, 2013

Bom Dia, Mundo Cruel!

É com essa ironia bem-humorada que o escritor Rodrigo Teixeira abre seu espaço literário, saudando com todo o escárnio possível esse símbolo do absurdo humano.

Conheci o Rodrigo Teixeira em um mutirão feito num centro cultural. Foi coisa engraçada, pois estávamos lá, um monte de gente, responsáveis por avaliar um depósito cheio de livros. E de repente alguém comenta comigo: Rodrigo Teixeira é contador de histórias. Curioso, fui averiguar qual era a do cara.

Foi o início de uma forte amizade. E assim lentamente fui descobrindo que Rodrigo Teixeira tece histórias, muitas suas. Fascinado por Kerouac, Ruffato, Cortázar e muitos outros, esse jovem escritor revela em seu blog sua busca incessante por uma literatura própria, visceral, desconstrutora. Com uma escrita sincera, confessional ele faz o mesmo que os grandes escritores, pois busca alcançar o máximo no dizer. E sua busca acaba por lançá-lo diante de uma muralha implacável: o mundo.

Ao acessar o blog Bom Dia, Mundo Cruel! o leitor perceberá que o espaço é antes de tudo um laboratório de criação literária. Assim, o estúdio do Rodrigo Teixeira assemelha-se também com a forma do monstro de Frankenstein, no bom sentido. Sua multiplicidade propicia ao leitor um passeio muito mais rico pelas páginas do blog. Num caráter sempre dialógico, Rodrigo busca manter sempre um canal com o leitor, num tom quase documental, como se quisesse mostrar-nos cada aspecto de seu crescimento literário, ainda que positivo ou negativo. Ainda assim, nem o próprio Rodrigo se leva a sério, conferindo ao texto uma leveza ímpar, ou melhor, uma grande agilidade o que considero ser uma das marcas de sua genialidade.

Para aqueles que primeiro se aventurarem nas postagens do blog, podemos traçar alguns caminhos básicos. Uma grande dica são os marcadores que Teixeira usa para organizar seus escritos. Em destaque, está o conjunto intitulado Crônicas da Casa Velha. Neles, um jovem chamado Ismael narra num tom quase niilista os percalços e misérias de um grupo de jovens que partilham uma mesma residência. As experiências que o narrador descreve muitas vezes ocorrem em ambientes boêmios, regados a muito álcool e certa dose de violência. 

Outras seções vão se desdobrando no blog, como Quase literatura, Vida acidentada e semiótica de boteco. Ainda assim, já aviso aos leitores que não considerem estanques tais classificações. Rodrigo deixa difusas e indefinidas as fronteiras entre cada uma dessas categorias, de forma que a cada momento, o leitor pode se deparar com um texto que mude sua perspectiva sobre todo o blog e cada um dos textos nele contidos.

Bom Dia, Mundo Cruel! é muito mais que um blog literário, pois assume dimensões que ultrapassam suas fronteiras, tanto para fora quanto para dentro dos textos. Com seu texto ágil, consciente e irônico, Rodrigo Teixeira constrói não apenas um espaço com excelente literatura, mas também um arquivo sobre o processo de criação literária, uma jornada fascinante pelo implacável mundo das palavras.

sexta-feira, abril 05, 2013

Cálida Poesia

Todas as flores que já conversaram
comigo não me disseram nada além de mentiras...
(Anne-Marie de Backer)

Sobre Simone Teodoro, no blog Cálida Poesia:
Nasci em Belo Horizonte. Cresci também. Ainda não me casei. Ainda não tive filhos. Nunca fui famosa, nem escrevi vários livros. Ainda não morri. Sou leitora voraz. Dentro de mim há um jardim de delícias....


Conheci a Simone Teodoro ainda no primeiro período do curso de Letras, nos idos 2002. O pessoal tinha recolhido os endereços de e-mail e criado um grupo para nos comunicarmos. Foi quando conheci a Talita, confusa e visceral narradora de muitos dos textos da Simone. De primeira percebi seu vigor com as palavras, sua vontade de demonstrar com imagens poéticas sua perspicácia, sua ironia e seu aturdimento diante da estupidez social. Mas não era Talita a única a personificar o talento da Simone para a escrita. Seus textos por vezes assumiam caráter de.crônica que tornava inconfundível a voz da autora neles.

Em minhas leituras tão abertas e inocentes, tudo no texto da Simone me maravilhava, como se houvesse em cada palavra múltiplos sentidos secretos, que só aqueles no mínimo tão sensíveis quanto ela poderiam apreender.

Fascinado, eu explorava a prosa de Simone e aproveitava os momentos de caminhada após as aulas para fazer um pouco de tietagem. Perguntando sutilmente sobre todos aqueles sentidos secretos. Enquanto ela, sempre modesta, talvez nunca tenha percebido esse fã convicto.
O semestre passou e meio que perdemos contato. Anos depois nos reencontramos e ela me apresentou seu blog, Cálida Poesia. Nele pude ter um outro contato com uma Simone mais madura, irônica e muito mais lírica. Seu domínio da letra permite que num mesmo espaço se encontrem o lirismo sutil e refinado com a ironia pungente.

Em seu blog, Simone se realiza em diversos gêneros textuais, embora seja na poesia, como o próprio nome do blog indica, que ela dá vazão a sua pulsão criativa, ao seu talento para a arte literária. Não seria de se estranhar, portanto que ela seria selecionada pelo IV Prêmio Canon de Poesia, com este maravilhoso poema:

Deserto

A tarde se fratura.
E o outono tem sempre 
esse gosto de fim, que te aniquila.

O vento escuro suga tua alma
(aberta confusamente)
para a solidão das pedras frias: a matéria triste das montanhas.

Melancolias alcoólicas te povoam.

Bolhas de sonhos explodem no ventre
infecundo das estrelas.

Em vão, estendes os braços trágicos
a procura da alavanca que possa
frear o irreversivel.

Estás só, estática esfinge
sem enigma.

                                                      Postado por Simone Teodoro às terça-feira, julho 20, 2010 


A autora também publica contos, relatos  cotidianos, reflexões afiadas sobre questões diversas e até faz um pouco de crítica literária, apresentando-nos alguma excelente autora que seja ignorada pelo mercado editorial brasileiro.

Assim, conhecer o Cálida Poesia é mais do que ler um blog literário. É permitir-se um bom diálogo com uma mente genial e de um refinamento modesto, livre se arrogância academicista. 

Simone é hoje uma grande amiga, irmã no trabalho e nas buscas literárias. É família. E seu espaço virtual de realização poética, o Cálida Poesia, mostra a cada novo texto, seja ele um poema, um conto ou um relato, que ela nunca se encerra em si mesma, que seu universo é amplo, criativo, mutável e poderoso. Uma cálida potência poética.

sábado, fevereiro 05, 2011

Refletir Cultural

Um espaço para a Cultura em todas as suas manifestações, em todas as faces de sua humanidade. Um lugar para além de refletir, de encontrar-se.

http://refletircultural.blogspot.com