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quarta-feira, dezembro 27, 2023

Oficina estimula as crianças a encararem seus medos e refletirem sobre empatia



No dia 11 de novembro compareci à Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH para oferecer a oficina "O medo que a gente tem". Na atividade, eu li o livro Lolô, de Gregoire Solotareff. A partir da leitura, eu discorria com as crianças sobre as palavras "medo" e "empatia". Os sentidos dessas palavras eram explorados. Perguntei para as crianças de que elas tinham medo. Algumas disseram ter medo de aranhas. Outras, de baratas. Em seguida, falei sobre se colocar no lugar do outro, sentir o que o outro sente. Convidei as crianças então a desenhar suas imagens de medo, como forma a enfrentá-lo. Um aspecto dessa oficina em especial foi que as crianças foram chegando e eu voltava a ler com elas o livro e as convidava para produzir desenhos.

 











No dia 23 de novembro, foi a vez de ir à Biblioteca do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. Atendi a cerca de 75 crianças. Resolvi mexer um pouco na metodologia. Perguntei primeiramente sobre o que os lobos gostam de fazer. A resposta foi "caçar". Dei início então a uma leitura reflexiva e dialógica, apresentando os personagens Tom e Lolô, contando a história desses dois.

Após a leitura, comecei a explorar alguns aspectos do livro, falando sobre a diferença entre MEDO-DE-LOBO e MEDO-DE-COELHO. Falei do trauma que Tom sentiu ao ser profundamente assustado por Lolô. Além disso, discorri sobre as questões como o significado da palavra "empatia" como contraponto à "antipatia", que todos conhecem e cujo conceito compreendem intuitivamente.

Sendo assim, explorei um pouco a questão da desigualdade desencadear processos nem um pouco empáticos, gerando profundos traumas nas pessoas. Contei do meu medo de aranhas e a brincadeira durante a infância em que meu irmão, Arthur, junto com os amigos Áquila e Samuel, procuraram me assustar com uma enorme aranha fosforescente. E como o resultado foi desastroso, pois estávamos todos de hóspedes na casa desses amigos e os vizinhos comunicaram aos pais deles essa confusão gerada com meus gritos de susto. 

As crianças disseram ter se divertido muito. Aproveitei para contar a história "O caso do bolinho", seguida da Que bicho será que fez a coisa?

Também discorremos um pouco mais sobre medos e a importância de a gente se colocar no lugar do outro. Estava com meus cartões. Aproveitei para separar um cartão e deixei com uma das professoras. 

Por fim, fizemos algumas fotos para marcar a iniciativa.  





O último encontro da oficina "O medo que a gente tem" aconteceu no Centro Cultural Usina de Cultura. As crianças eram bem pequenas e estavam bastante inquietas. Elas faziam parte de uma creche parceira da PBH. Apesar da inquietação, pude observar que prestaram bastante atenção durante a leitura. Quando fui conversar sobre os aspectos "medo" e "empatia", elas começaram a ficar agitadas. 

Por conta do tempo curto e da agitação das crianças, considerei melhor encerrar a atividade. Também deixei meu cartão com uma das professoras, ficando assim a possibilidade de visitar a instituição parceira.


Por fim, considerei essa oficina muito interessante e com um potencial enorme. Uma atividade que apresenta uma obra diversa e de grande sensibilidade. 

Espero poder oferecer essa oficina nos centros culturais novamente. Ou realizá-la em outros espaços, como bibliotecas comunitárias, creches e escolas.

E você, o que achou? Já leu o livro indicado? Realizou alguma oficina de leitura literária? Deixe abaixo seu comentário, compartilhando sua experiência ou reflexão. 


sexta-feira, julho 30, 2021

O tigre que veio para o chá da tarde - Quando a vida apronta uma daquelas



Está tudo pronto para o chá. De repente, um tigre faminto chega, pedindo comida! É isso mesmo. Você não se equivocou. O livro conta o que o título já avisa.

O problema é que o tigre parece insaciável. Não tem problema. Deixe-o comer. Mãe e filha fazem isso, sempre encarando a situação com bom humor e doses enormes de afeto.

Judith Kerr traça então uma narrativa inusitada com total naturalidade. Atônito fiquei eu, enquanto lia. E curioso para saber como mãe e filha resolveriam a questão.

O livro O tigre que veio para o chá da tarde é uma daquelas obra sensíveis e poeticamente misteriosas, que exigem de nós certa dose de fabulação e conformidade. Não adianta estranharmos a situação inusitada. Ou melhor, adianta, sim. Talvez seja esse o desejo da autora.

Enquanto li, eu ficava cada vez mais surpreso com os acontecimentos. Não podia deixar de ter alguns calafrios com o sorriso enigmático do tigre. Era como se ele sempre escondesse alguma coisa, ou estivesse pronto para a qualquer momento devorar a menina e sua mãe.

Mas assim é a vida: Pronta para puxar nosso tapete e nos virar de ponta-cabeça. Em situações assim, o que devemos fazer? De repente, dar uma cambalhota!

(Descrição da imagem: Fotografia de mão de pele clara que segura um livro. A capa do livro tem fundo branco, criança de cabelos amarelos sentada em uma mesa, de frente. À direita, tigre também sentado à mesa. A criança está de blusa azul, vestido roxo e meia calça xadrez. Calça sapatos pretos. Ela está de perfil direito. Já o tigre está de frente, com as patas dianteiras pousadas sobre a mesa.) 


Ficha Técnica

O tigre que veio para o chá da tarde

Judith Kerr

Tradução de Érico de Assis

ISBN-13: 9786555110791

ISBN-10: 6555110791

Ano: 2021 

Páginas: 32

Idioma: português

Editora: HarperCollins


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-tigre-que-veio-para-o-cha-da-tarde-11809265ed11810037.html

sexta-feira, maio 14, 2021

O abraço do ouriço - Sobre as muitas formas de mostrar carinho



A vida é tão trivial que chega a parecer um desfile de clichês. Sim, é verdade. Tem coisas que acontecem no mundo que parecem ter saído de uma novela. Algumas nos enchem de fúria. Outras nos levam às lágrimas. E nessa montanha-russa, por vezes somos agraciados por presentes do acaso. Mensagens que parecem até transcendentes de tão preciosas e acertadas, pois chegam justamente nos momentos em que mais precisamos.

E como a arte imita a vida - ou seria o contrário? - foi por meio de um livro que recebi um presente desses. Estamos já no segundo ano de uma pandemia que levou milhares de brasileiros. Centenas de milhares, na verdade. E desde o início de 2020, algo que nos é muito precioso nos foi tirado: a proximidade. Há pessoas que estão sem ter contato físico com quem amam há mais de um ano. Não podem tocar, sentir, abraçar suas famílias. É como se o abraço agora escondesse um perigo que, para muitos, é mortal.

Então vem um livro e traz um refrigério, vem de um jeito cálido dizer: "Calma, eu sei que é difícil, mas há outras formas de abraçar". Estou falando de O abraço do ouriço, livro de Adriana Barretta Almeida e Verônica Fukuda. É uma narrativa rimada, repleta da musicalidade da poesia. Sua história fala sobre um ouriço que deseja poder abraçar. Seus amigos, atentos e dedicados, buscam maneiras de atender seu desejo. Mas parece que nada é capaz de abrandar o furor de seus espinhos, ainda que tal furor seja involuntário.

O texto de Adriana Barretta Almeida é suave como uma brisa. Parece sussurrar em nosso ouvido, enquanto nos toma pela mão e nos faz caminhar junto com o pequeno ouriço. Enquanto isso, os desenhos de Verônica Fukuda combinam em suavidade com o texto, enquanto os belos e expressivos traços vão aprofundando nossa empatia por todas as personagens. E assim uma história de amor e cuidado vai se desenvolvendo aos nossos olhos e demais sentidos.

Como disse no início, há livros que parecem ter chegado na hora certa. E quando terminei de virar as páginas do magnífico O abraço do ouriço, eu me senti presenteado. Fui cercado pelo calor e pela certeza de ter tocado um tesouro. E também de sentir que até mesmo um livro é capaz de abraçar alguém.


Ficha Técnica

O abraço do ouriço

Adriana Barretta Almeida

Verônica Fukuda

Editora Aletria

Ano: 2020

Páginas: 44 

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/o-abraco-do-ourico-11907557ed11903503.html

sexta-feira, abril 09, 2021

A Tartaruga e o Coelho: uma outra história - Quando as diferenças aproximam


Nossa tradição oral é recheada de narrativas de exemplo. Bem no estilo das fábulas, temos histórias que exaltam valores como a paciência, a persistência e a astúcia, em contraponto à força, ao tamanho e à agilidade. Nessas narrativas, o macaco vence a onça, o rato supera o leão, a tartaruga ultrapassa o coelho. É possível perceber nessas histórias sempre uma constante: a concorrência. Os animais sempre aparecem como adversários, concorrentes, inimigos. 

Como uma forma de homenagear o conto popular e ao mesmo convidar leitoras e leitores para a reflexão, a escritora, contadora de histórias e musicista Beatriz Myrrha nos brinda com uma obra de rara beleza, sem abrir mão do humor.

A Tartaruga e o Coelho: uma outra história apresenta uma versão bem diferente daquela tradicionalmente contada. Beatriz Myrrha se vale de toda a criatividade e talento que possui para tecer uma narrativa de solidariedade, empatia e afeto. Ambientada no período em que o Criador fez o mundo, a história fala sobre a busca por identidade e aceitação, de solidariedade e amor. 

Com o objetivo de entender melhor sua função no mundo, o Coelho decide partir em busca da moradia do Criador, de forma a pedir seu manual de instrução e seu certificado. No caminho, encontrará a Tartaruga e com ela empreenderá uma penosa jornada de autoconhecimento.

A história que Beatriz Myrrha conta é profunda, bem-humorada e cheia de leveza. Seu texto, enriquecido pelos anos de experiência como contadora de histórias e musicista, é aconchegante, atrativo e belo. Tem o estilo certo de alguém que trata a Palavra com muita seriedade. 

Destaco também o traço belo e marcante de Suryara Bernardi, que torna o livro uma obra visual de profunda beleza. É possível observar o estilo de um desenho que cativa, com o mesmo aconchego que perpassa o texto. As imagens também contam a história e apresentam uma evolução em cada um dos dois viajantes.

Este é mais um dos maravilhosos trabalhos de Beatriz Myrrha, uma artista múltipla, que mostra no seu texto o cuidado e a generosidade de alguém que trata a Arte da Palavra com todo o cuidado que esta merece.



Ficha Técnica

A Tartaruga e o Coelho: uma outra história

Beatriz Myrrha

Ilustrações de Suryara 

ISBN-13: 9788562805615

ISBN-10: 8562805610

Ano: 2016 

Páginas: 40

Idioma: português

Editora: Rona


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-tartaruga-e-o-coelho-uma-outra-historia-11870677ed11868277.html

segunda-feira, outubro 12, 2020

A lesma


Minhas mãos desfolhavam um molho de alface. Invadido pelo verde, meu olhar se decantava na cascata que a água da torneira fazia, envolvendo como um véu a hortaliça. Sentia uma serenidade perene. O tempo se estendia, líquido como a própria água que eu usava para lavar a alface.

Depois de separar cada folha, observei algo cinzento escapar pelas bordas verdes das menores folhas e escorrer para o ralo. Terminei de colocar as folhas na vasilha de plástico para desinfetá-las e voltei minha atenção para o centro da pia. Presos na malha de metal que protegia o ralo, alguns pedaços de alface, pequenos resquícios que não resistiram ao meu toque e à força da água, jaziam como vítimas anônimas de uma batalha.

Observei com mais atenção, enquanto mexia com cuidado no ralo, até encontrar a coisa cinzenta e cilíndrica que se escondia entre os pedaços de verde. Ela se aderiu com facilidade ao meu indicador esquerdo, de forma que ergui-a até os olhos. 

Era uma lesma. Devia ter menos de um centímetro de comprimento. Tímida, deixava seus olhos-antenas escondidos para logo em seguida estendê-los, tentando perceber o mundo alienígena onde se encontrava. Seu dorso cinza contrastava com o ventre esbranquiçado. 

Fiquei a ponderar o que fazer com ela. Fui lançado ao passado, nas férias em um quintal com uma enorme área coberta por ardósia. Lá, várias lesmas encontravam a morte após serem bombardeadas por pitadas de sal que eu e minha irmã cruelmente lançávamos nelas. Nossa crueldade se misturava à ingenuidade de acreditar que destruir algo diferente seria uma coisa boa a se fazer. Se era diferente, era mau. Ainda mais se fosse nojento, gosmento e tivesse olhos-antenas.

O absurdo de minhas ações infantis atingiu-me com toda a força. Afinal, por que matar uma lesma com sal? Por que torturar um ser várias vezes menor e mais fraco? Apenas por ser diferente? Apenas por ser mais fraco? Apenas por ter o poder para fazer isso? 

Enquanto a cena se repetia infinitamente em minha cabeça, deixei o apartamento. Tinha o dedo indicador da mão esquerda estendido. Na ponta, essa inusitada intrusa que eu descobrira quando lavava a alface. Desci as escadas com a atenção dividida entre os degraus e a minha "tripulante".

Fui até o pequeno canteiro que existe diante do meu prédio. Estendi o indicador até tocar a tenra folha de uma das plantas. Escolhi com cuidado. Escolhi uma folha que se aproximasse, ainda que vagamente, de uma alface, fosse pelo verde vivo, fosse pela fragilidade de sua textura. Demorou um pouco para que minha companheira entendesse que deveria desembarcar. A princípio, ela encolheu-se toda. Temi que estivesse sentindo alguma agressão, alguma violência. Era apenas estranhamento. 

Por fim, ela deixou meu dedo e ganhou a superfície verde. No seu ritmo lento como o próprio tempo, ela seguiu seu trajeto. Não sei para onde se dirigia. Talvez para a minha infância, para o meu passado, para a chance de uma outra história, em que lesmas não precisam sofrer pela cruel ignorância de um menino.

sexta-feira, abril 10, 2020

Tatu-balão - Uma amizade que transforma

Um sonho inalcançável. Ou era o que parecia. Afinal, como poderia um tatu-bola voar, virar pássaro, ou nuvem, ou folha ao vento? Tornar-se um ser diáfano, leve, qual pluma? 

Todo o dia a história era a mesma: O pequeno Tatu-bola subia um alto morro e pulava, para alcançar o azul. Porém, como era de se esperar, o teimoso animal descia a ribanceira rolando, a despeito de suas tentativas de alçar voo.

Assim começa a narrativa poética e bem-humorada de Tatu-balão. Escrito por Sônia Barros e ilustrado por Simone Matias, este livro da editora Aletria conta uma história um tanto incomum. A exemplo do sapo e da tartaruga que desejam ir à festa no Céu, o sonhador Tatu-bola tenta, obstinadamente, alcançar o que lhe parece inalcançável. Apesar das quedas, o protagonista não desiste. E essa persistência o fará encontrar alguém que mudará para sempre sua vida.

Narrado em versos, num ritmo cadenciado e bem estruturado, o texto convida ao encantamento e ao jogo através das rimas. A obra apresenta desenhos de uma delicadeza e sensibilidade, com cores suaves que lembram um céu claro, com nuvens ao entardecer. Desta forma, os desenhos vão de encontro com a beleza do texto poético.

É importante ressaltar que Sônia Barros recebeu Prêmio Paraná de Literatura nos anos de 2014 e 2017. Seu apuro com as palavras e com a linguagem é reconhecido e sua contribuição à literatura alcança todas as idades.

Com graça e balanço, repleto de traços harmoniosos, de uma beleza suave, Tatu-balão é uma obra que ressalta o poder do sonhe e da amizade para transformar o mundo.

Ficha Técnica:
Tatu-balão
Sônia Barros
Simone Matias
ISBN-13: 9788561167783
ISBN-10: 8561167785
Ano: 2015 
Páginas: 36
Idioma: português
Editora: Aletria


sexta-feira, abril 03, 2020

É m livro - Humor e reflexão no passar das páginas

Ontem, dia 2 de abril de 2020, foi comemordo o Dia Internacional do Livro Infantil. A data foi escolhida em ocasião do nascimento de Hans Christian Andersen, um dos maiores nomes da literatura infantil e dos contos de fadas do mundo. Para não deixar a data passar batido, resolvi então falar sobre o próprio livro em si, através do engraçado e criativo É um Livro, de Lane Smith.

Um macaco está sentado, tranquilamente lendo seu livro. Até que um burro se aproxima e pergunta o que ele tem em suas mãos. "É um livro" - responde o macaco. Começa assim um engraçado diálogo em que o burro, um entusiasta da tecnologia, tenta entender um objeto que não entra na internet, não acessa o Twitter, não manda mensagens, não precisa de senha, log in e nem de bateria.

Através do divertido diálogo, o objeto livro é apresentado ao leitor, num divertido jogo de significados. Este objeto vai sendo apresentado justamente pelo que não é, mediante o contraste com as características que smartphoes e gadjets ostentam ao serem operados por seus usuários.

E interessante observar o traço suave de Lane Smith com desenhos longos e arredondados, algo que a pesquisadora Yolanda Reyes aponta como elementos visuais atrativos para os bebês e demais pequenos leitores. As texturas remetem ao giz de cera, tão comum em atividades artísticas infantis.

Outro ponto a se observar é a homenagem que o autor faz à literatura universal ao mostrar qual livro o macaco está lendo. Ao mesmo tempo, ele faz uma brincadeira com a linguagem abreviada que os jovens utilizam para trocar mensagens.

Vale também apontar o aspecto interativo que o livro tem em si. E não estou falando apenas do alvo desta resenha. Ao observarmos como os bebês manuseiam os livros, podemo perceber que há nestes objetos características interativas que representam a própria ideia de tempo e sucessão. As páginas podem ser passadas, pode-se adiantar e retornar nas mesmas. Todo livro é antes de tudo um brinquedo.

Com um humor inocente e desenhos que primam pela estética, sem perder a jovialidade, É um Livro certamente é um boa pedida para ser o primeiro livro de alguém. Seja este alguém de qualquer idade.



Ficha Técnica
É um Livro
Lane Smith
ISBN-13: 9788574064512
ISBN-10: 8574064513
Ano: 2010
Páginas: 32
Idioma: português
Editora: Companhia das Letrinhas


Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/e-um-livro-132166ed146594.html

segunda-feira, setembro 23, 2019

Mais um dia repleto de histórias


Não bastou para mim compartilhar histórias no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira, na manhã de sábado, dia 21 de setembro. Eu queria mais. Não apenas contar, mas ouvir também.

Por isso, segui para a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte e assisti mais uma vez ao espetáculo Ouvi Contar. Poesia, narração e interpretação em um projeto belíssimo de acessibilidade.

Voltei então ao Parque Municipal para me apresentar novamente. Contei "Chapeuzinho Amarelo", de Chico Buarque, e "O caso do bolinho", conto tradicional registrado por Tatiana Belinky.

A interpretação em LIBRAS foi de Mavione e Jivago.

As fotos são de Rivanda.





quarta-feira, setembro 11, 2019

Semana da Educação - Espaço Contação de Histórias no Parque Municipal

De lobo a bolo: uns heróis bem diferentes

Narração de histórias para crianças de todas as idades. O repertório parte de textos literários consagrados junto ao público infantil, bem como narrativas da tradição oral.

Duração: 30 minutos

Público: infantil

19, 21 e 22 de setembro de 2019, às 13h30
Local: Parque Municipal Américo René Giannetti. Belo Horizonte. MG.



terça-feira, agosto 13, 2019

Vídeo: Uma Chapeuzinho Vermelho - Marjolaine Leray


Que criança não vive a sensação de medo através da figura do famoso Lobo Mau? Ele é grande, forte, feroz e ruim até o último pelo. Aqui neste livro, ele continua sendo tudo isso, com a diferença de que a Chapeuzinho, além de muito esperta, não tem nenhuma compaixão pela fera. Uma coisa é certa, o final é surpreendente!

Ficha Técnica

Título original: UN PETIT CHAPERON ROUGE
Tradução: Júlia Moritz Schwarcz
Páginas: 48
Formato: 20.30 X 13.60 cm
Peso: 0.184 kg
Acabamento: Capa dura
Lançamento: 20/04/2012
ISBN: 9788574065281
Selo: Companhia das Letrinhas

https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40672

quarta-feira, julho 24, 2019

Entre dois amores


De repente, tenho que administrar atenção entre dois amores. Enquanto Aurélio ganha carinho, Haku come pelas beiradas, chama a atenção lambendo as costas da minha mão. 

Sei que Haku é a mais independente. Esse carinho que ela me faz é totalmente gratuito. Ela não é de ficar no colo, nem de se enroscar na gente. Normalmente, ela só se aproxima quando outro gato está comigo. Arisca, vive de sobressaltos e escapulidas.

Já Aurélio se coloca como senhor, ocupa todo o espaço, reina em minha barriga e com as patas vai afofando essa almofada humana que sou. O único que se permite tanta proximidade e tão íntima troca de carinhos. 

Com o cuidado de quem cuida do que é seu, ele lambe meu rosto. Sua língua áspera vai me deixando sua marca. 


segunda-feira, julho 08, 2019

Um réquiem para Afrânio


Este era o Afrânio. Como todo roedor, ele era ativo, desconfiado e frágil. Mesmo assim, ele sabia se defender. Aprendi isso da pior maneira, ao pegá-lo de forma desajeitada. Com seus afiados dentinhos, ele me mandou um recado em um de meus dedos. E dele eu me lembrei com frequência nos dias seguintes.

A história de Afrânio é dramática. Ele era cobaia de um laboratório acadêmico e seria sacrificado ao final do semestre. E de repente alguém oferece um lugar para o Afrânio. Mas o que ele recebeu foi muito mais que uma chance de sobrevivência. 
Afrânio era amado. A ponto de sua tutora dar comida em sua boca. Ela falava sempre dele. Não era um refugiado. Para a pessoa que o recebeu, Afrânio era alguém.

Infelizmente, nem todo mundo pensa assim. Contra a vontade de sua tutora, Afrânio foi colocado ao relento. E como eu disse  o início, seu corpinho era frágil. 
Para deixá-lo de fora, os donos da casa tinham como desculpa o argumento de que ele fedia muito. Bem, meu olfato não é dos melhores, mas eu nunca senti qualquer fedor vindo do ratinho.

Sabemos como BH está fria nestes dias. Na semana passada, Afrânio amanheceu fraco e desanimado. A sua cuidadora tentou de tudo para que ele melhorasse, mas a fragilidade foi mais forte. Afrânio partiu.

Foi triste saber da notícia. E foi mais triste ainda saber que a intransigência pode ter matado o Afrânio. Para aqueles que o exilaram, ele não era alguém, era uma coisa. 
Do alto de nossa arrogância, sempre achamos que o diferente é inferior. Fazemos isso contra outros seres humanos, por que não aconteceria com uma coisinha tão pequena e frágil como o Afrânio?

Penso em todas as vidas que são destruídas pelo descaso e falta de empatia. Belo Horizonte está muito fria, mas vejo que gelado mesmo está o coração de muitos de nós.

sexta-feira, julho 05, 2019

A extraordinária jornada de Edward Tulane - Uma odisseia de amor

O que é o amor? E o que significa a ação de amar? Como saber que amamos de fato e somos correspondidos? Além disso, como saber se merecemos ser amados? Afinal, existe merecimento para o amor?

Perguntas como estas nunca haviam passado pela cabeça de Edward Tulane. Ele era um coelho de porcelana, então muitos podem achar que ele não pensava, o que não é verdade. Edward tinha opiniões muito sólidas, principalmente sobre si mesmo.

Dono de uma vaidade tão extensa quanto o próprio guarda-roupa, Edward foi feito sob medida para a garotinha Abilene. E seus dias se resumiam a uma maravilhosa convivência com uma menina que simplesmente o adorava. Contudo, Edward não se importava muito com isso, tão ocupado estava pensando em si mesmo e em como ele era especial. Até que um fortuito incidente o lança contra a vontade em uma longa jornada de sacrifício e descoberta.

Assim tem início A Extraordinária Jornada de Edward Tulane, romance de Kate DiCamillo. A narrativa é mantida o tempo todo a partir de um objeto inanimado - o coelho de porcelana Edward. Uma premissa como esta poderia resultar em um romance tedioso.

Não é o caso do texto de Kate DiCamillo. Trata-se de uma narrativa equilibrada e cativante. O talento da escritora é incrível, pois sustenta seu enredo com os pensamentos e sentimentos do protagonista. Ele é um ser senciente, mas não pode se mexer, estando totalmente à mercê de todos à sua volta.

Desta maneira, DiCamillo elabora uma delicada alegoria sobre nós mesmos diante do mundo e como em diversos momentos estamos totalmente fora do controle de nossas vidas, precisando depender totalmente de outras pessoas - até mesmo estranhas.

Outro ponto fundamental na narrativa está na propensão inata de algumas pessoas para o amor, e como essa propensão se revela no cuidado despretensioso. 

É muito importante destacar que este é um livro dramático. A jornada de Edward é extraordinária tanto pelo que tem de bom quanto de mal. E quanto mais estamos envolvidos na leitura, mais vulneráveis estaremos para sofrer junto com o herói.

Com um texto inventivo e envolvente, este romance é um convite a refletir sobre o Amor e sobre como cada pessoa que encontramos em nossas vidas nos muda de maneira irreversível. 

Ficha Técnica 
A Extraordinária Jornada de Edward Tulane 
Kate DiCamillo 
Ano: 2007
Páginas: 216
Idioma: português
Editora: WMF Martins Fontes
Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/132650ED147142

sexta-feira, maio 17, 2019

O presente da vovó loba - um conto deliciosamente perverso

É uma agradável manhã de segunda-feira. Para o lobo, parece que será ainda mais agradável, pois o carteiro acaba de fazer a entrega de um pacote e uma carta. É um presente da vovó loba.

Assim começa o curioso percurso de um presente e de uma narrativa cada vez mais enigmática. Escrito por Didier Dufresne e traduzido por Gilda de Aquino, O presente da vovó loba traz como protagonista esse misterioso pacote, que vaga de mão em mão, provocando diversas reações. Ao que parece, nenhuma delas é agradável.

Embora a narrativa seja construída a partir do ponto de vista do pacote, o narrador toma cuidado por não o revelar, aumentando cada vez mais a curiosidade do leitor. O percurso do pitoresco protagonista dura cerca de uma semana e conta com coincidências bastante cômicas.

É importante destacar que os desenhos de Armelle Modéré enriquecem ainda mais o texto. A cada página, vemos imagens de possíveis presentes. Ao mesmo tempo, são exploradas as reações que cada novo bicho tem - ou ao menos deseja ter - ao abrir o pacote e olhar em seu interior.

Assim, a obra de Didier Dufresne e Armelle Modéré explora elementos como as convenções sociais e seus desdobramentos diante de expectativas e frustrações. Todo mundo gosta de ganhar presentes, mas ninguém quer receber algo indesejável. Com isso, a criança pode observar no enredo o jogo "querer x poder" enfrentado por bichos como o urso, o castor, dentre outros.

Com desenhos vibrantes e um enredo nada convencional, O presente da vovó loba certamente será uma surpresa para quem o ler pela primeira vez. E um perverso deleite para aqueles que desejarem ler novamente.

Ficha Técnica 
"O presente da vovó loba"
Didier Dufresne 
Gilda de Aquino (tradução)
Desenhos de Armelle Modéré 
Editora Brinque-Book

domingo, agosto 19, 2018

Vídeo: Causo de caçador

Boa noite! Segue hoje um vídeo que fiz para um concurso de causos. Evidentemente, não fui selecionado, pois sequer tive resposta da minha classificação. Contudo, tenho esse causo bem guardado no coração, pois foi através do amigo Evando Pessoa, grande narrador, que o ouvi. Espero que apreciem!


quarta-feira, abril 18, 2018

Monteiro Lobato e o Dia Nacional do Livro Infantil


Quando se fala de Literatura Infantil, muitos costumam reduzi-la a um segmento menor, como se fosse uma literatura mais "fácil". Por muito tempo, os livros para crianças e jovens eram imbuídos de uma forte carga utilitária. Era necessário que os textos fossem instrutivos e edificantes.
Há 136 anos nasceu o homem que transformaria para sempre a literatura infantil. José Bento Renato Monteiro Lobato, patrono do livro infantil em nosso país, não foi apenas o percursor da literatura infantil brasileira da atualidade, mas também fundou uma nova forma de pensar e fazer livros para jovens leitores. Em sua homenagem, o dia 18 de abril passou a ser conhecido como o Dia Nacional do Livro Infantil.
Com Reinações de Narizinho, Lobato nos apresenta uma menina que surge pra aprontar mesmo. Afinal, o sentido da palavra "reinação" era travessura, brincadeira, bagunça. E Lúcia, ou Narizinho, a protagonista desse primeiro livro de Lobato, é uma menina esperta, contestadora, inventiva. Emília, sua boneca, era apenas uma muda coadjuvante. Quando ganha voz, a boneca vai lentamente adquirindo força e peso, até se tornar o principal ícone de Lobato. 
As aventuras de Narizinho, Emília e muitas outras personagens acontecem no Sítio do Picapau Amarelo. Inicialmente, o sítio surge como um lugar comum, pacato, típico cenário do interior paulista. Porém, assim como a boneca Emília, o próprio Sítio vai ganhando contornos cada vez mais fantásticos, quase míticos, a ponto de comportar dentro de si as maravilhosas terras do mundo das Fábulas e até mesmo a Terra do Nunca.
O aspecto revolucionário de Lobato não está apenas em sua literatura infantil, mas também em sua visão empreendedora como formador de leitores. Ele decidiu levar seus livros para perto de seus leitores, aonde os livros antes nunca tinham chegado. Suas edições eram ambiciosas em números de exemplares. Assim, o que poderia ser visto como uma aposta mal feita mostrou-se uma jogada que mudou os rumos de nosso mercado editorial.
Não dá para negar as polêmicas em torno de Monteiro Lobato. Sim, há passagens ofensivas e racistas em alguns de seus livros. Não há desculpa ou justificativa. É preciso marcar, contudo, que Lobato era um homem ciente de muitas de suas contradições e não deixava de evidenciá-las. Como exemplo, temos o desabafo de Emília no final de suas memórias, quando ela admite seu preconceito em relação à Tia Nastácia, fazendo um "mea culpa". 
Sei que isso não é suficiente, nem redime Lobato. Apesar disso, é importante observar que ele, apesar de ser contundente em suas ideias, não sabia ser intransigente e sempre esteve disposto a mudá-las.
Que o Dia Nacional do Livro Infantil seja sempre um marco. Não como celebração, mas como memória. Para que as pessoas não se esqueçam dos erros e acertos de Lobato e que sigam seu exemplo na ousadia, na coragem e na inventividade.

sexta-feira, novembro 10, 2017

Sobre Anjos Sem Asas

Por vezes o Universo nos apronta umas que nos sentimos ditosos, abençoados. É como se pequenas dádivas estivessem escondidas no dia a dia, podendo ser descobertas quando fazemos pequenas escolhas. Chamo dessas dádivas de "cosmicidências".
Na madruga de ontem, ao chegarmos em casa, acolhemos um cachorrinho que foi abandonado dentro do condomínio. Ele é um filhotinho e se comportou muito bem durante a noite. Os gatos o estranharam um pouco, principalmente a Coco, mas não avançaram nele. Colocamos comida e água ao seu lado, num cantinho da sala e ele nos surpreendeu com sua tranquilidade.
Nós havíamos chegado muito tarde porque fomos sair com os amigos depois de nossa performance na Semana da Diversidade LGBT. Fizemos uma ponta entre uma mesa sobre bissexualidade eu palestra sobre o centro de referência LGBT.
No bar Xokxok, no Edifício Arcângelo Maletta, a conversa corria gostosa e leve. Enquanto isso, Pam se afligia por causa do cachorrinho, que tinha sido abandonado dentro do nosso condomínio. Os vizinhos discutiam a questão, sobre o que fazer, se expulsar o filhote ou não, enquanto a única coisa que o cachorrinho tinha para passar a noite fria eram algumas folhas de jornal onde se deitar.
Quando chegamos ao condomínio em que moramos, já era madrugada. Procuramos o cachorrinho pelos estacionamentos e o encontramos acompanhando André, o síndico, que tentava alimentá-lo com biscoito recheado. Levamos o bichinho para casa (o cachorro) e ele passou a noite em nosso apartamento.
Pensei que seria difícil e me preparei para isso. Fiquei surpreso com o silêncio e o comportamento tranquilo e amoroso do nosso hóspede. Meu coração doeu ao pensar que teríamos que conseguir outro lar para ele, pois moramos em apartamento. Felizmente, não precisamos nos preocupar com uma possível guerra entre ele e os nossos gatinhos, ou com indesejáveis e fedorentos "presentes" espalhados pelo apartamento.
Pela manhã, saímos na moto, debaixo de chuva e com o filhote seguro nos braços da Pâmela, em busca de um lugar que pudesse acolher o cachorrinho. Passamos primeiro na casa de ração mais próxima, mas o dono disse que só recebia gatos e que não havia espaço para cachorros. De lá, fomos para o Bairro Guarani, onde havia uma associação de amparo a animais. Notem o uso correto do verbo: havia. As entradas estavam emparedadas e havia um recado pintado informando que a ONG não estava mais lá. Não havia informação nenhuma de onde seria a nova sede, ou sequer se ela ainda está ativa. 
Seguimos então de volta para casa, deixamos o filhote lá, mesmo apreensivos, e fomos para nossos respectivos trabalhos.
Logo que cheguei ao Centro de Referência da Juventude, onde está a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH, onde trabalho, comentei a situação com as pessoas e logo uma amiga e colega de trabalho, a Tânia, mostrou interesse em adotar o cachorrinho. Mostrei algumas fotos que a Pam tinha tirado com o meu celular e logo a Tânia decidiu que acolheria nosso pequeno náufrago.
Era quase hora do almoço, quando o Rodrigo, companheiro de trabalho na Biblioteca, atendeu o telefone e eu escutei a voz aflita da Pam. A ligação caiu. O celular tocou de novo e o Rodrigo passou para mim. O meu aparelho estava carregando em outra sala. 
A Pam estava muito preocupada, uma vizinha dizia que o cachorrinho estava ganindo alto; talvez o Aurélio, um de nossos gatos, tivesse cometido uma de suas maldades. Pam estava a ponto de chamar um carro para socorrer o filhote. Tratei de acalmá-la com a garantia de que iria de pronto ver o que acontecera. E argumentei que seria até mais lógico que eu fosse, uma vez que a moto estava comigo. 
Pam concordou e eu fui. Estava tudo bem, felizmente. O "doguinho" estava pachorrentamente deitado em um cantinho de nosso quarto. Ao me ver, levantou-se todo pimpão, o corpo acompanhando o movimento frenético do rabinho.
Voltei para o trabalho tranquilo e garanti à Pam que mesmo se o filhote ganisse outra vez, que não nos preocupássemos tanto. Afinal, eu havia partido para casa esperando o pior, talvez um olho arrancado, uma orelha rasgada, um rabo dependurado, sangue espalhado pelo apartamento. O alarme falso por fim me deixou bastante seguro.
No final do dia, voltamos para casa, pegamos o carro e seguimos para o endereço da Tânia. Pâmela fazia várias perguntas. Se tinham espaço, se sabiam que ele não era vacinado, se aceitariam o filhote de coração. Respondi como podia. Ou seja, não sabia, mas meu coração dizia que a Tânia era a pessoa certa para receber nosso jovem hóspede.
Ao chegarmos, fomos recebidos com as portas escancaradas e muita alegria. A família acolheu o cachorrinho com um amor tocante, os olhos brilhavam. Conhecemos a Belinha, uma cadela já bem velhinha. E a gente sabe que o segredo para um cachorro viver muito é simples: amor. 
Tânia foi a perfeita anfitriã: nos serviu um delicioso café e um lanche. Conversamos e rimos, enquanto meu coração gemia de alegria e tristeza, pois já estava apegado ao nosso pequeno aventureiro de quatro patas. Mas a nossa despedida não seria definitiva. Afinal, toda a família nos convidou a voltarmos em momentos futuros.
Saímos de lá com as barrigas e corações cheios. Estávamos mais leves. A sensação de dever cumprido e o alívio em saber que o cachorrinho estava em boas mãos nos faziam quase saltitar. Fomos cativados por tanta alegria, tanto cuidado. O amor e carinho que presenciamos nos deu a plena certeza de que nosso pequeno amigo estava entre anjos, ainda que sem asas.

quinta-feira, julho 13, 2017

Mais uma ciranda de encanto e histórias

Na manhã do dia 20 de junho, terça, estive na Escola Municipal Rui da Costa Val. Fazia tempos que eu conversava com a coordenação da escola para uma apresentação. Chegamos a marcar uma data, mas esta teve que ser adiada. 
Então, finalmente, lá estava eu para falar a um grupo enorme, num gigantesco círculo formado na quadra da escola. Ao ver tanta gente, fiquei um pouco apreensivo, como é normal acontecer, mas logo passei a olhar nos olhos das pessoas que lá estavam, e isso me acalmou, além de ter me dado uma dose maior de confiança.
Falei um pouco do meu trabalho na Biblioteca, como sempre faço. Convidei todo mundo a depois conhecer esse lugar tão importante para mim. Depois, tratei de dar voz às histórias.
O formato em ciranda foi feliz, já que o círculo sempre tem algo de mágico e poderoso. Era como se a energia das histórias passasse de pessoa em pessoa, nesse circuito humano. A roda leva em si esse espírito cíclico e infindável das narrativas orais. Nela, retomamos um costume dos mais antigos, quando nossos ancestrais se reuniam ao redor de uma fogueira, para espantar o frio, a fome, o medo.
Contei histórias que amo, deixando um pouco desse amor com as pessoas que lá estavam. Contei de heróis diferentes, com suas missões e buscas tão peculiares.
Ao final, cada vez que uma criança me cumprimentava, sentia essa energia que transmiti voltar para mim, renovada. Senti que era, mais uma vez, especial. Além disso, o caminho para a escola pintou em minha mente, com cores novas, lembranças quase apagadas. Ir ao Jardim Felicidade, bairro onde fica a escola, foi como um singelo retorno a um tempo já distante. Tempo de amizade, afeto e cumplicidade.