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sexta-feira, julho 09, 2021

Os 77 Melhores Contos de Grimm - Um voo pela fantasia


É inegável a contribuição que os irmãos Wilhelm e Jacob Grimm deram para o universo da literatura infantil. Com sua obra da extensão de toda uma vida, os dois pesquisadores da tradição oral recolheram diversas preciosidades da oralidade. O resultado de seu trabalho reverbera até hoje. Estando em domínio público, as narrativas contam com inúmeros recontos e adaptações, além de seleções e coleções diversas. Um desses projetos de seleção de contos é a bela obra em dois volumes Os 77 Melhores Contos de Grimm

Trata-se de uma seleção interessante e bem diversificada. São narrativas que falam de sorte, pureza e reviravoltas aventureiras. As abordagens e enredos variam, em algumas, temos a heroína injustiçada que ao final encontra o seu par no príncipe do reino. Outras mostram heróis que partem em busca do destino. Há inclusive aquelas dedicadas aos heróis simples mas bondosos, que acabam sendo agraciados pela sorte. 

Atravessar esse panorama tão diverso de narrativas foi uma jornada prazerosa. Senti falta, porém, de "A Madrinha Morte". Reconheci, contudo, diversos contos, que já havia lido. O reconhecimento é sempre bem-vindo, pois nele há um quê de pertencimento. Quando reconhecemos um conto, é como se reencontrássemos uma migo querido.

Sendo assim, a seleção de Os 77 Melhores Contos de Grimm acaba por trazer uma questão fundamental no universo da leitura e da literatura: a subjetividade. A qualidade de "melhor" para cada um desses 77 contos foi concedida por uma pessoa. Sendo assim, cada uma e cada um de nós pode também decidir e criar sua lista das "melhores histórias". Com isso, a pessoa terá consigo seus contos favoritos, aqueles que elegeu, contribuindo também para o legado dos Grimm com um olhar pessoal e muito próprio.

Esta minha reflexão, contudo, não expressa um incômodo, mas um fato. Sempre temos a liberdade de escolhermos as narrativas que mais nos tocam, que mais conversam conosco. Isso sem, contudo, deixar de aproveitar as escolhas de repertório que as outras pessoas tiveram. Conhecer Os 77 Melhores Contos de Grimm foi uma forma de entender essa maravilhosa obra dos irmãos Grimm por uma lente específica, o que me fez perceber narrativas que talvez ficariam perdidas, não fosse o trabalho dessa primorosa edição da Nova Fronteira.

Com histórias maravilhosas, narrativas humorísticas e contos de exemplo, Os 77 Melhores Contos de Grimm é um rasante maravilhoso por através do trabalho magnífico dos Grimm. É antes de tudo uma homenagem aos dois pesquisadores e um presente a nós, leitores.


Ps: um agradecimento eterno à Áurea Lana Leite, que compartilhou comigo este magnífico trabalho. 


Ficha Técnica:

Os 77 Melhores Contos de Grimm

Irmãos Grimm

Tradução de Íside M. Bonini

Ilustrações de Ramirez

Introdução e organização de Luciana Sandroni

ISBN-13: 9786556400815

ISBN-10: 6556400815

Ano: 2018 

Páginas: 640

Idioma: português

Editora: Nova Fronteira

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/os-77-melhores-contos-de-grimm-793913ed11682267.html

segunda-feira, maio 11, 2020

Para pensar os clássicos

Quem tem acompanhado os relatos e as reflexões que tenho postado aqui, é possível constatar que o curso Infâncias e Leituras é um espaço rico para muitos desdobramentos. 

Um dos temas abordados foi o conceito de clássico e o que ele representa na literatura. Como provocação, fomos convidados a assistir dois vídeos da escritora Marina Colasanti.

A partir das falas e provocações da escritora, pude observar alguns critérios que ela relaciona aos clássicos.

Creio que os critérios mais importantes dos clássicos são sua universalidade e atemporalidade. Na universalidade, as questões mais presentes na mente e na cultura humanas são abordadas e discutidas. Sendo assim, um clássico sempre será atual e sempre falará a pessoas de diverentes partes do globo terrestre.

Outro critério importante, creio eu, é a capacidade reflexiva. Um clássico não é feito para divertir, mas para despertar a reflexão daquele que o lê.

Sendo assim, os clássicos se destacam através do tempo por sua atemporalidade, ultrapassam fronteiras, por sua universalidade, e se mantêm vivos na mente das pessoas, por sua capacidade reflexiva.

domingo, abril 19, 2020

Vídeo: A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum - Joel Rufino dos Santos e Walter Ono


Quem está pra cima? E quem está pra baixo? Essa é a grande discussão entre dois garotos, cada um morando de um lado do planeta de Tatipurum. Para resolver a desavença e encerrar a questão, só com a Pirilampéia. Mas como? Veja e descubra!

Ficha Técnica 
A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum 
Joel Rufino dos Santos 
Ilustrações de Walter Ono
Ano: 1992
Páginas: 32
Editora Ática

Perfil do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-pirilampeia-e-os-dois-meninos-de-tatipurum-221987ed248463.html

sexta-feira, março 20, 2020

Vídeo: Os três soldados e a princesa nariguda - Irmãos Grimm

Era uma vez três soldados já velhos, que foram dispensados pelo rei sem nenhuma aposentadoria. Assim, eles tiveram que...

Quer saber o resto? Assista! Este conto está no livro "Contos maravilhosos infantis e domésticos", dos Irmãos Grimm. Editora Martins Fontes.

Feliz Dia do Contador de Histórias!

Histórias de todos os cantos!

quinta-feira, março 19, 2020

Dia do Contador de Histórias 2020

Dia 20 de março é celebrado o Dia do Contador de Histórias. Para não deixar passar batido em um momento em que o país precisa se recolher, nós estaremos contando histórias online, com a hastag #históriasdetodoscantos. Serão 24 horas de histórias. Assim, Quem quiser acompanhar pelo Facebook, basta acessar o link: https://www.facebook.com/Hist%C3%B3rias-de-todos-os-cantos-101286441515296.


Eu estarei em meu perfil do Instagram @neritosamedi contando uma história recolhida pelos Irmãos Grimm. Deixo o nome escondido, será uma surpresa...

Quem quiser me assistir, basta acessar meu Instagram às 7h da manhã. 

Até lá!

sexta-feira, setembro 27, 2019

Contando Histórias no FLI-BH 2019

Chuva. Em frente ao palco literário, uma tenda enorme abrigava algumas pessoas. Eu estava atrasado para o início da apresentação De lobo a bolo. A galera do Biqueira Cultural já estava a postos, para um sarau que aconteceria logo em seguida.

Apesar do nervosismo, fruto da insegurança, tudo foi maravilhoso. Contei Chapeuzinho Amarelo, O caso do bolinho e Um herói diferente. São as histórias mais contadas na apresentação que organizei. 

Depois que me apresentei, permaneci na tenda para participar do sarau. Fiquei encantado com a apresentação da poeta marginal e narradora de histórias IZA REYS, que narrou contos africanos.

Ter escuta é sempre um privilégio, principalmente em um mundo de silenciamentos, como o nosso. A oportunidade de ouvir também é fundamental. E fui agraciado com esses momentos. Que eles se repitam, seja no FLI-BH, seja em outros eventos e lugares.

Fotos de Ana Paula Cantagalli.





quarta-feira, setembro 25, 2019

De lobo a bolo no FLI-BH

O terceiro Festival Literário Internacional de Literatura de Belo Horizonte está para começar. Por quatro dias e meio, BH irá celebrar a Literatura em suas mais diversas formas e realizações. Uma delas é pela oralidade. 

Sendo assim, é com muito gosto que farei parte da programação do Festival com minha apresentação "De lobo a bolo: uns heróis bem diferentes". Com uma seleção de textos literários e narrativas orais, este espetáculo faz parte de minha vida há três anos, desde que o apresentei na Virada Cultural. Sua gestação, porém, faz parte de quase dez anos de atuação como mediador de leitura para crianças.

Faço o convite para que todas e todos possam me prestigiar com suas escutas e seus corações.

Mais informações:

Narração de histórias para crianças de todas as idades. O repertório parte de textos literários consagrados junto ao público infantil, bem como de narrativas da tradição oral.


Local: Palco Literário (Largo em frente ao Teatro Francisco Nunes)
Data: 26/9 (quinta-feira)
Hora: 14h

sexta-feira, agosto 23, 2019

Uma Chapeuzinho Vermelho - As pequenas forças contra os grandes monstros

Uma menina sozinha em seu caminho. Dante dela, surge um lobo. Ele é enorme e está faminto. Essa menina, que veste um chapeuzinho vermelho, tem diante de si um perigo terrível.

Assim começa uma das histórias mais antigas do universo infantil. Readaptado e recontado diversas vezes, o conto Chapeuzinho Vermelho aparece em inúmeros formatos e releituras. Por causa de tantas versões, há que se pensar que o tema já esteja alcançando um certo esgotamento. 

Até sermos apresentados ao livro Uma Chapeuzinho Vermelho, de Marjolaine Leray. Trata-se de uma obra completa, com um texto que ganha em simplicidade e humor. Os traços são expressivos e dialogam abertamente com o universo infantil, uma vez que simulam os rabiscos que as crianças fazem com giz de cera.

O equilíbrio entre texto e imagem concedem à narrativa um caráter fortemente cênico. Enquanto lemos, estamos vendo uma tela em ação. Há muitos silêncios que são completados pela expressividade dos desenhos de Marjolaine Leray. 

As principais referências ao conto original estão lá, mas transformados em ganchos de humor e ironia. O lobo se torna totalmente caricato. Com seus dentões, seus olhos enormes e ferocidade, ele vai sendo desconstruído, diante de uma menina que não tem medo. Ou melhor, uma menina que sabe vencer o medo através da curiosidade e da malícia propriamente infantil.

Uma Chapeuzinho Vermelho também dialoga com o universo dos cartoons, ao apresentar uma heroína pequena e forte, diante de um vilão virtualmente superior. Ela não teme sujar as mãos e não se importa em usar da violência sutil diante de seu inimigo. E de mau, o lobo se torna bobo, ou melhor, bobinho. 

Em um tempo em que a força é alardeada e que as minorias são ridicularizadas por homens brancos e preconceituosos, Uma Chapeuzinho Vermelho é uma alegre lembrança de que ainda podemos rir dos monstros, estejam eles em florestas, palanques ou tribunas.

Ficha Técnica
Uma Chapeuzinho Vermelho
Marjolaine Leray
Ano: 2012
Páginas: 44
Idioma: português
Editora: Companhia das Letrinhas

quinta-feira, junho 13, 2019

terça-feira, junho 11, 2019

quarta-feira, abril 18, 2018

Monteiro Lobato e o Dia Nacional do Livro Infantil


Quando se fala de Literatura Infantil, muitos costumam reduzi-la a um segmento menor, como se fosse uma literatura mais "fácil". Por muito tempo, os livros para crianças e jovens eram imbuídos de uma forte carga utilitária. Era necessário que os textos fossem instrutivos e edificantes.
Há 136 anos nasceu o homem que transformaria para sempre a literatura infantil. José Bento Renato Monteiro Lobato, patrono do livro infantil em nosso país, não foi apenas o percursor da literatura infantil brasileira da atualidade, mas também fundou uma nova forma de pensar e fazer livros para jovens leitores. Em sua homenagem, o dia 18 de abril passou a ser conhecido como o Dia Nacional do Livro Infantil.
Com Reinações de Narizinho, Lobato nos apresenta uma menina que surge pra aprontar mesmo. Afinal, o sentido da palavra "reinação" era travessura, brincadeira, bagunça. E Lúcia, ou Narizinho, a protagonista desse primeiro livro de Lobato, é uma menina esperta, contestadora, inventiva. Emília, sua boneca, era apenas uma muda coadjuvante. Quando ganha voz, a boneca vai lentamente adquirindo força e peso, até se tornar o principal ícone de Lobato. 
As aventuras de Narizinho, Emília e muitas outras personagens acontecem no Sítio do Picapau Amarelo. Inicialmente, o sítio surge como um lugar comum, pacato, típico cenário do interior paulista. Porém, assim como a boneca Emília, o próprio Sítio vai ganhando contornos cada vez mais fantásticos, quase míticos, a ponto de comportar dentro de si as maravilhosas terras do mundo das Fábulas e até mesmo a Terra do Nunca.
O aspecto revolucionário de Lobato não está apenas em sua literatura infantil, mas também em sua visão empreendedora como formador de leitores. Ele decidiu levar seus livros para perto de seus leitores, aonde os livros antes nunca tinham chegado. Suas edições eram ambiciosas em números de exemplares. Assim, o que poderia ser visto como uma aposta mal feita mostrou-se uma jogada que mudou os rumos de nosso mercado editorial.
Não dá para negar as polêmicas em torno de Monteiro Lobato. Sim, há passagens ofensivas e racistas em alguns de seus livros. Não há desculpa ou justificativa. É preciso marcar, contudo, que Lobato era um homem ciente de muitas de suas contradições e não deixava de evidenciá-las. Como exemplo, temos o desabafo de Emília no final de suas memórias, quando ela admite seu preconceito em relação à Tia Nastácia, fazendo um "mea culpa". 
Sei que isso não é suficiente, nem redime Lobato. Apesar disso, é importante observar que ele, apesar de ser contundente em suas ideias, não sabia ser intransigente e sempre esteve disposto a mudá-las.
Que o Dia Nacional do Livro Infantil seja sempre um marco. Não como celebração, mas como memória. Para que as pessoas não se esqueçam dos erros e acertos de Lobato e que sigam seu exemplo na ousadia, na coragem e na inventividade.

domingo, março 26, 2017

Trilogia da Fundação - Um surpreendente mergulho em nosso possível futuro

Não costumo fazer resenhas de trilogias ou séries literárias, mas de obras individuais, principalmente por não ter a intenção de ser um blog analítico, nem de crítica acadêmica. Além disso, uma resenha conjunta, a meu ver, não é tão legal. Acho que cada obra tem sua especificidade, como se fosse um indivíduo único.
Assim, foi com certa relutância que decidi escrever esta resenha. Porém, como faz um tempo que não publico alguma, e como só publiquei uma este ano, resolvi juntar esses motivos para fazer um três em um.
Tudo bem que talvez seja muita pretensão de minha parte fazer comentários sobre um dos trabalhos mais impressionantes do Guru da ficção científica, Isaac Asimov. Mas é assim mesmo que a gente aprende.
A trilogia começa com o livro Fundação mostrando - com o perdão do trocadilho - os fundamentos dessa saga cósmica. Um jovem matemático é convidado a trabalhar na Universidade de Trantor, capital do Império Galáctico, a milhares de anos em nosso futuro. Lá ele conhece Hari Seldon, o fundador de uma estranha ciência chamada Psico-História. Segundo esta, seria possível prever o futuro de uma civilização através de fórmulas matemáticas. Sendo assim, foi previsto o declínio do Império e sua inevitável queda, seguida de trinta mil anos de barbárie.
Para atenuar os efeitos dessa crise e encurtar esses trinta mil anos em apenas mil, Seldon cria uma fundação de cientistas que deveriam tratar de todo o conhecimento do Império e guardá-lo em uma inédita enciclopédia, para quando um novo império surgisse.
A princípio, este é o objetivo da Fundação, estabelecida no planeta Terminus, na periferia mais obscura e distante da galáxia. Há, porém, um objetivo oculto e impressionante, que será revelado gradativamente, à medida que o Império se degenera e a periferia se torna cada vez mais instável e perigosa, com o surgimento de governos planetários belicistas.
Sei que a importância de uma obra pode interferir em sua leitura, de forma a causar uma expectativa que pode ser frustrante. Não foi esse o caso. O texto de Asimov é equilibrado e fluido, muito agradável. Além disso, seus personagens são cativantes, embora o tempo que o leitor passe com eles seja relativamente curto. Afinal, a trilogia cobre um período de mais de trezentos anos em que crises e reviravoltas acontecem.
É importante destacar, também, como Asimov tem uma incrível visão estratégica, dando ao leitor a impressão de que ele está fazendo um zoom sobre um indivíduo específico, depois de um espetacular panorama.
É interessante observar certos anacronismos. Afinal, Asimov não é um profeta, a ponto de prever as mudanças sociais que ocorreriam nas três últimas décadas. É possível notar também certo sexismo no desenrolar da trama, tendo as mulheres pouca participação no enredo. Além disso, talvez ele não imaginasse que a tecnologia nuclear seria descontinuada. Mas como eu disse, Asimov não é mágico, mas um ficcionista, e ele fez algo impressionante em sua "ópera espacial", com direito a devaneios sobre possíveis habilidades futuras em uma sociedade humana que buscasse evoluir em consciência e linguagem, nas ciências humanas, ao invés das exatas.
Com um enredo fascinante, um universo rico e complexo e o talento de um exímio prosador, Asimov faz da sua trilogia Fundação, Fundação e Império, Segunda Fundação uma jornada inesquecível para o leitor.


Ficha Técnica
1. Fundação
Páginas: 239
2. Fundação e Império
Páginas: 248
3. Segunda Fundação
Páginas: 235
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph

Perfis dos livros no Skoob:
1. https://www.skoob.com.br/livro/2668ED3474
2. https://www.skoob.com.br/fundacao-e-imperio-27768ed30170.html
3. https://www.skoob.com.br/segunda-fundacao-27769ed30172.html

quinta-feira, março 09, 2017

Leitura #4

A narrativa tradicional sem palavras, mas com muita expressividade.

Os Três Porquinhos
De Joseph Yacobs
Por Angelo Abu
Editora Mundo Mirim

sexta-feira, julho 03, 2015

Dom Quixote - do que há de trágico e triste mas muito divertido



Desde criança alimentava um certo fascínio por Dom Quixote. Acho que a semente de tal fascínio veio por uma certa identificação comum. Afinal, desde criança eu era apaixonado por histórias de cavalaria. Ficava inebriado pela imagem das armaduras de placas, os estandartes, as justas. O código dos cavaleiros davam um tom heroico a esses guerreiros e isso fazia com que os admirasse ainda mais. Isso foi muito antes de ter lido Bernard Cornwell, com seus cavaleiros beberrões, assassinos e estupradores. Foi numa época em que assistia clássicos sobre o Rei Arthur e seus cavaleiros para, depois disso, ir brincar no quintal fingindo ser Lancelot (todo mundo sempre quis ser Lancelot!).
Pensar que um homem já na meia-idade teria a audácia de assumir um comportamento assim sem dúvida foi um fator sedutor para sempre ter Dom Quixote como uma espécie de companheiro de brincadeiras. Além disso, como todos os grandes clássicos, somos alcançados por seus símbolos mesmo não os tendo lido. E por isso a imagem do Quixote e de seu fiel escudeiro, Sancho Pança, visitaram meu imaginário desde cedo.
Havia, porém, algo que me contrariava. Eu não havia lido a obra de Cervantes. Ainda não. Cheguei a adquirir o Novelas Exemplares, o qual não li. Sentia que seria um absurdo ler qualquer coisa de Cervantes antes de ter me aventurado pelos caminhos do Cavaleiro da Triste Figura.
Em meu último aniversário fui presenteado com os dois volumes do Quixote. Trata-se de uma nova tradução, feita por Ernani Ssó, um projeto tão engenhoso quanto o próprio fidalgo da Mancha, publicado pelo selo Penguin Companhia. Embora tendo finalmente os livros em meu poder, decidi esperar um pouco mais.
Neste ano, então, lancei-me de cabeça nessa aventura. E como foi deliciosa! Conheci o herói que, de tanto ler livros de cavalaria, procurou se fazer cavaleiro e partiu pelo mundo a reparar injustiças. O problema era que a mente distorcida do herói via problemas onde não havia, criando situações que tanto têm de comédia quanto de tragédia. O Quixote é teimoso, voluntarioso e também um pouco perigoso. Em muitos momentos esteve a ponto de cometer terríveis enganos, por conta de sua loucura. Para seu bem, tanto a sorte quanto a vontade no narrador trataram de salvar nosso herói de tantas enrascadas auto-impostas.
Chegando ao final do primeiro volume, estava um pouco cansado. Situações tristes haviam me deixado muito desmotivado e isso interferiu minha leitura. Mesmo assim, decidi iniciar o segundo volume e como fui recompensado! A continuação das aventuras de Dom Quixote e Sancho Pança é ainda mais divertida que a primeira narrativa. Nele, Sancho chega a receber maior atenção por parte do narrador, sendo ele protagonista de algumas das melhores passagens da narrativa.
Assim, garanto que ler O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha é mais do que a obrigação de ler um clássico. É a garantia de humor inteligente, refinado, da genialidade de um escritor morto há quase quatro séculos e que permanece eterno. 

Ficha Técnica
ISBN-13: 9788563560551
ISBN-10: 8563560557
Ano: 2012 
Páginas: 1328
Idioma: português 
Editora: Penguin Companhia