quinta-feira, agosto 31, 2023

Crianças do Centro Cultural São Bernardo criam seus "mundos particulares"


Dia 31 de agosto, quinta-feira, compareci ao Centro Cultural São Bernardo para mediar a oficina "Um mundo só pra mim". Foram 18 crianças atendias, além de 3 mediadores da Escola Integrada. Comecei falando sobre coleções, perguntando se algum deles colecionava algo. Figurinhas de futebol, camisas de times e moedas antigas foram algumas respostas. Falei sobre quando a gente arruma nossas coleções, gosta de manuseá-las e mostrar para outras pessoas. Assim, apresentei o livro Um universo numa caixa de fósforos, do Alexandre Rampazo e da Cátia Chien. Fiz a leitura do livro, que conta de Maximiliano, ou Max, e sua incrível caixa de fósforos, que guarda coisas maravilhosas. Todo dia ele mostra para os colegas sua espantosa coleção. Até o dia em que aparece um menino com uma caixa de sapatos e uma coleção tão incrível quanto a de Max. Com isso, o protagonista vê sua supremacia ameaçada. 

Os dois meninos duelam, comparando os objetos de suas coleções. Até o momento em que Max, usando seu truque de guardar coisas enormes em lugares pequenos, aprisiona o menino da caixa de sapatos dentro da caixa de fósforos.

A vitória, porém, não traz satisfação a Max e ele chega em casa pensativo e acabrunhado. Sua mãe entra em seu quarto e vai consolá-lo, deixando-lhe um beijo. E quando Max tenta guardar o beijo dentro da caia de fósforos, vê que ele é grande demais para caber ali.

A história termina com Max iniciando uma nova coleção, mas agora de sentimentos.

A narrativa rebuscada e caprichosa de Rampazo mistura fantasia e realidade, criando um texto onírico e alegórico. Os desenhos de Cátia Chien são uma arte maravilhosa, que realça o clima de sonho que domina a narrativa.

É um trabalho primoroso dos dois artistas, com imagem e texto dançando graciosamente uma valsa onírica.

Depois de ler com as crianças, conversei com elas sobre aquilo que a gente tem e que cabe todas as coisas, até mesmo aquelas que não foram criadas. Trata-se da imaginação. Convidei-as então a usar a folha de papel para criarem seus mundos, expressando-os em texto ou imagens. Um menino, por exemplo, fez uma lista de tudo o que ele gostaria de colecionar. Outro colocou em seu universo particular a paisagem de Dubai. Teve aquela menina que fez um cenário cor-de-rosa com arco-íris e unicórnio e aquele que criou um mundo só de monstros.

Por fim, fui olhando os trabalhos e registrando alguns em fotos. Agradeci a participação de todas as crianças e nos despedimos. Senti a falta de um momento de compartilhamento das criações. Creio que posso fazer isso em outras oportunidades. 

Fica aqui meu agradecimento à Mônica Malaquias, bibliotecária do Centro Cultural São Bernardo e à Bete, que muito me ajudaram, com um acolhimento carinhoso e preparando o espaço com todo esmero. 

Ficha Técnica

Um mundo só pra mim

Momento de leitura do livro "Universo numa caixa de fósforos", de Alexandre Rampazo e desenhos de Cátia Chien, seguida de atividade criativa em que as pessoas serão estimuladas a criar seus "mundos particulares". 

Público: Geral

Mediação: Samuel Medina

Data: 31 de agosto de 2023, às 9h30








segunda-feira, agosto 21, 2023

O lançamento de "O Viajante Cinzento" na virada Cultural


O lançamento do livro O Viajante Cinzento na Virada Cultural foi um sucesso, apesar dos percalços. Os percalços ocorreram, primeiramente, por conta das questões de divulgação. Quando consultei a programação oficial, constava o lançamento do livro para o meio-dia. Bem, pensei que seria um horário ingrato, por conta do almoço de domingo. Porém, achei melhor relevar e comecei a divulgação do evento. Porém, dois dias antes do evento, quando fui conferir novamente a programação, ela havia mudado sem nenhum aviso prévio para às 10h. Respirei fundo, tratei de atualizar meus contatos sobre a mudança e fiz um comunicado no Instagram, como aviso.

Acontece que, no sábado, recebi uma mensagem da produção da Virada pedindo-me para chegar às 8h, para um lançamento conjunto. Fiquei meio desesperado mas pensei que, afinal, às 10h eu ainda estaria lá e receberia as pessoas que chegassem no horário que eu havia informado. Ainda assim, fiquei tenso. A programação previa uma apresentação de hip-hop às 11h. Sendo assim, deveria receber todo mundo até esse horário.

Acabei chegando tarde no domingo, por conta das vias fechadas para a Virada. Cheguei às 8h20 no local do lançamento. Havia um aglomerado de pessoas e a maioria estava lá para um piquenique literário, evento da Secretaria Municipal de Educação. Não havia ninguém da produção para me receber e também faltava mobiliário para colocar os livros. Só mais tarde, quase às 9h, encontrei uma pessoa da produção, que informou que as mesas e cadeiras seriam disponibilizadas em breve.

Felizmente, encontrei um amigo, o mediador de leitura Paulo Fernandes, que me fez companhia e com quem conversei sobre livros e experiências de mediação. Foi um momento muito bacana. Enquanto a gente papeava, aproximou-se a Aguida Alves, que foi a primeira pessoa a adquirir meu livro. A segunda, foi a amiga e parceira Soraia Magalhães. Em seguida, outras pessoas foram chegando, como o Marison Lacerda (representando a companheira dele, Samantha Vilarinho), o Tiago Ferreira, a Marluce Cerqueira, a Aline Cântia com o Fernando Chagas, a Áurea Leite com a Marly Alves Rezende. Uma nova amiga, a Andreia Lopes, chegou para me prestigiar e isso muito me alegrou. A Soraia Magalhães trouxe consigo a Cláudia Alves, que adquiriu um exemplar para o seu irmão.

No fim, eu que havia levado dez exemplares estava com nenhum. Além disso, sentia-me pleno de felicidade por tantas amigas e amigos terem comparecido ao meu lançamento. A todas essas pessoas queridas, meu muito obrigado!

quarta-feira, agosto 16, 2023

Finalmente! "O Viajante Cinzento" será lançado na Virada Cultural



Faz tempo que estou desejando anunciar isso aqui, mas ainda não tinha a confirmação. Porém, após sair a programação oficial da Virada Cultural de Belo Horizonte, tenho a alegria de avisar que finalmente O Viajante Cinzento será lançado!

A Virada Cultural é um evento de vinte e quatro horas de atrações diversas. Como não poderia faltar a literatura, atividades literárias foram organizadas no chamado Espaço Cine. O lançamento do meu livro será a última de uma série de atividades previstas neste espaço. O Espaço Cine estará próximo ao teatro Francisco Nunes.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o meu livro, segue a sinopse:

Em meio a uma maldição de mortos-vivos, surge um homem sombrio. Vestido por um manto cinzento, este jovem, cujo nome é Seridath, tem como espada a poderosa Lorguth. Mas, num misto de poder e capricho, Lorguth resiste às vontades de seu portador. Ela é sanguinária e ambiciosa. Quer provar do sangue e de almas de grande poder.

Seridath, o Viajante Cinzento, descobre que o caminho para a glória não é fácil como antes lhe parecia. Ele deverá usar de toda a sua força de vontade para colocar Lorguth em seu lugar e alcançar a fama e a glória que tanto almeja.

O Viajante Cinzento é uma obra de fantasia medieval, situado em um mundo mágico, com suas próprias regras e magia. Enquanto uma terrível maldição assombra o reino, Seridath se verá diante de um dilema: quem comanda quem? Será ele o mestre da espada ou apenas a sua marionete?


Atualização: O horário do lançamento foi adiantado para às 10h da manhã.

Serviço:

Lançamento do livro O Viajante Cinzento - Virada Cultural BH 2023

Data: 20 de agosto de 2023

Hora: 10h

Local: Espaço Cine (Próximo ao Teatro Francisco Nunes - Parque Municipal Américo Renné Giannetti)


Por Ana Faria


quarta-feira, agosto 09, 2023

Retorno ao lugar do afeto

Foto: Flávia Paixão


Eu havia publicado neste post um texto de despedida da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil. Em outubro de 2022 eu retornei a esse lugar que eu amo tanto. Só hoje eu me toquei que não fiz um post contando sobre esse processo de retorno.

Enfim, estou de volta. Fiquei cerca de três anos como apoio técnico na Gerência de Bibliotecas e Promoção da Leitura e da Escrita - GBPLE, onde realizei ações ligadas ao meu cargo de Técnico de Nível Superior - Literatura. Estive dando apoio ao Prêmio Cidade de Belo Horizonte e também ao Concurso João-de-barro. Estive em atividades do FLI-BH e circulei pelas Bibliotecas dos Centros Culturais, dando oficinas literárias e contando histórias.

Durante todo esse período eu nunca perdi de vista a vontade de retornar à BPIJ. Em nenhum outro lugar, em nenhuma outra função eu tive a mesma satisfação que vivenciei enquanto atuava nesta Biblioteca. Com isso, comecei um diálogo em busca do meu retorno.

Aqui na Biblioteca eu fico principalmente no balcão, realizando a novos cadastros, fazendo empréstimos, devoluções e renovações. Além disso, presto apoio à programação, atendendo a visitas mediadas, lançamentos de livros e demais atividades. Contudo, continuo circulando pela rede de Bibliotecas, com oficinas e narração de histórias, e prossigo dando apoio técnico aos Concursos Literários.

Posso dizer por fim que retornei ao lugar do afeto. A um espaço que considero ter um carinho enorme e onde eu sempre me encontro ao virar de cada página. Espero poder continuar aqui prestando o melhor serviço que puder oferecer à comunidade de Belo Horizonte e região. E que possam sempre contar comigo, tanto a equipe quanto frequentadores, para tudo o que estiver em meu alcance.

segunda-feira, julho 24, 2023

Poetizando

Quando quero escrever poesia

meu corpo explode em mil pedaços

Minha mente se estilhaça sutilmente

A vontade é apenas de ser luz.


Mas essa dor que me rasga o peito

não deve ser poesia, não pode ser

O que é então que me sacode

qual presa na boca do predador?


Não sei o que me acomete

quando quero escrever poesia

Sei apenas do fino desejo

que me corta igual navalha.


Não, poesia não é isso.

Eu nem tento me perder em sentidos

Sigo trôpego o caminho escondido 

e vencido lanço minha alma ao caos.

sexta-feira, julho 07, 2023

Conversa de contar

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Era uma tarde para se perder dentre tantas outras. Um menino silencioso e franzino entrou na sala e se deparou com o homem sentado no sofá, com um livro aberto. Era a história de um principezinho que se perdia entre tantos planetas e perguntas. O menino, por uns instantes, examinou o rosto do homem, tão mineral, como que talhado em rocha. Era um rosto forte, uma feição que o menino queria para si. E agora seu rosto demonstrava total concentração na leitura. Embevecido, o menino admirava tanta dedicação ao silêncio. Não imaginava que esse silêncio era aparente; no interior do homem, um mundo de palavras acontecia.

Querendo apenas compartilhar daquela calma, o menino se achegou ainda mais ao homem e sentou-se ao seu lado. Deixou-se ficar, a curtir a ausência. Era como se apenas estar lá já o fizesse cúmplice daquele ato tão íntimo, a leitura. Era também uma forma clandestina de acompanhar a silenciosa incursão do homem pelo texto.

E subitamente, ciente da presença do menino, o homem decide ler em voz alta. Era a passagem em que raposa e príncipe estabelecem os termos de sua relação, em que cada um se torna responsável por aquele que cativa. E ambos, cativos um do outro, começam a ver em tudo mais riqueza e sentido, por ver no mundo ao redor os traços de seu companheiro.

Enquanto príncipe e raposa se despediam, o menino sentiu um fogo tremendo queimar em seu peito. Sem que pudesse impedir, lágrimas brotaram de seus olhos. Como os dois cativos da história, o menino também chorava, cativo da voz do homem e da própria história que se desenrolava no momento. Ou melhor, histórias.

Homem e menino nunca trocaram uma palavra sobre o que acontecera naquela tarde. A leitura foi interrompida e cada um mergulhou em seu melancólico silêncio. Seguiram seus caminhos. Ambos, porém, nunca mais foram os mesmos. Entre eles um acordo tácito fora firmado. Afinal, muito aprenderam nessa conversa em que as vozes não eram deles. Homem e menino; príncipe e raposa.

sexta-feira, junho 16, 2023

A Carta Que Ninguém Vai Ler 4

Quero romper o esquife. Quero buscar as alturas. Crescer, tornar-me pleno, galgar os ares. Estou como morto, mas revivo. Renasço. Ou, pelo menos esta é minha vontade. Tornar-me criatura alada. Sublimar a dor e renascer.

Sinto em minha boca o sabor do pó da terra. Estou no chão, nu e ferido. Quase morto. Sofri o peso das minhas ambições, mas não deixo de ambicionar. Meu desejo é forte. Não é desejo de um morto. Não é o desejo de um falido. Se fracassei, quero tentar outra vez.

O horizonte adiante é vasto. Ainda que eu esteja junto ao chão, sinto uma enorme ânsia de voo. E isso se reflete em meus braços, estendidos como asas, e meus pés, firmes como colunas. Sim, eu me levantei e quero dar passos de gigante. Quero alcançar tudo. Conhecer todas as coisas e girar o mundo sob meus pés.

Agonia é algo passado. Sou uma nova pessoa. A pessoa metamorfoseada. Repito em mim o ímpeto de continuar tentando. Por eras estive preso ao chão, encerrado em algo que antes era esquife, envolvido por algo que já foi mortalha. Agora, porém, transformo em casulo o que antes me prendia. Casulo a ser rompido com novas forças que alcanço com essa determinação.

Estou desperto, vivo, pronto. Uma fina película envolve meus braços. Uso-a como asa para subir aos ares. Com o casulo rompido, saio como novo e desperto, preparo-me para voar. De braços abertos eu me entrego aos raios da Aurora.

quinta-feira, maio 25, 2023

A Carta Que Ninguem Vai Ler 3

Estou sozinho. Tateio na escuridão com a tristeza de um órfão. Sinto meus dedos doerem, tocando a superficie fria e áspera do chão onde repouso. A solidão é tão profunda que parece tragar a própria luz. Nada posso fazer contra ela. Essa solidão talvez seja meu mais forte atavismo. 

Se eu gritar por socorro, alguém escutará? Se eu bradar ao abismo, enquanto o olho de frente, o abismo responderá? A falta de resposta me consome. Sou carcomido por dentro, mastigado internamente por dúvidas impenetráveis. 

Quem abandonou quem? Fui abandonado ou abandonei todas as oportunidades postas para mim? Sinto-me como um náufrago, que lança essas cartas a um oceano de indiferença.

Certa vez, uma criança me disse que eu nasci feliz. Se isso é verdade, quando foi que deixei de ser? E como terá sido isso? Meus amigos, meus amores, sinto ter falhado com todos. Será isso a infelicidade e o inferno?

Desamparado, nu, ferido, humilhado. E tudo resultado de um sofrimento inflingido por mim mesmo. Haverá cura para tão grave erro? Ignoro e desisto. As horas passam e esfarelam mais um pouco de tudo que me resta.

O dia mais solitário da sua vida sempre terá outro mais solitário para sucedê-lo.

quinta-feira, abril 20, 2023

A Carta Que Ninguém Vai Ler 2

Meu medo me pega pelo pé. Sinto seu toque como a fisgada de um anzol. Sou puxado para baixo, para o fundo, levado ao lugar ao qual ninguém irá. Solidão, descaso, abandono. Meus companheiros de fuga, quando rejeito e afasto todos que me são queridos.

Uso uma navalha para cortar o rosto. Arranco a pele que o cobre qual máscara. Sou agora um monstro de rosto vermelho e sanguinolento. Ignoro a dor, que é forte a ponto de me matar. Mas hoje não morrerei. Estou desmascarado e sairei à rua para mostrar a todos o monstro que sou.

A agonia surge no centro do peito. Ela me engasga e então sobre pela garganta, saindo aos borbotões pela boca. É amarga e acinzentada, de um cinza bem pesado, carregado, é qual chumbo. Medo e angústia se mesclam, numa dança lasciva e profana. O que será de mim, agora que minha máscara se foi? Agora que meu verdadeiro rosto está à mostra, o que pensarão de mim?

Saio à rua com esse novo visual e percebo que ninguém me olha. Estou nu, de alma à mostra, mas ainda assim ninguém me percebe. 

quarta-feira, abril 12, 2023

A Carta Que Ninguém Vai Ler 1

A angústia me toma, me aprisiona e desgasta. Enquanto isso, escrevo para esperar morrer. Escrevo para adiar a morte. Ou seria para adiantá-la? No fim, todos estamos mortos, pois o tempo é uma ilusão.

Enquanto preencho o caderno com palavras que ninguém vai ler, continuo me lançando ao ridículo de existir. Viver é ridículo. É um absurdo. Mais felizes são as plantas, com a sua fotossíntese e seu vazio existencial de plantas.

Respirar traz para dentro o movimento das ondas. Um oceano represado em meu peito. Quisera eu fazer esse mar escorrer de meus olhos. Talvez, assim, teria alívio. Por que existo? E essa ilusão que é o tempo, por que nos foi imputada?

Quero me entregar ao fogo que me consome. Só que minh'alma é cinza. São brasas quase apagadas que me queimam por dentro. E ainda que sejam tênues e semi extintas, essas brasas queimam como o inferno.

Queria que escrever me curasse da dor que é viver. Se vivo já sofro, imagina quando morto? Os fantasmas são a prova de que morrer é uma pena maior que a de viver. A morte é nosso fim como vivos e início do tormento como mortos.

E todo dia penso se é meu último. Engolfado em desânimo e agonia eu sofro minha tristeza particular. Sigo como alguém que está constantemente se afogando na própria melancolia. Esse é o meu estado, meu ânimo e fôlego. E aqui deixo como um testamento esta carta que ninguém vai ler.


quarta-feira, março 15, 2023

Seu sorriso

Seu sorriso 

sentimento

aflorado.

Solidão 

Passou longe 

Pois agora

Seu canto

Me acompanha.

Sua voz me 

Inebria.

Seu sorriso

Me contagia.

Possi escrever 

mil versos

Mas vou continuar

Sem dizer 

O que quero.

Então fico em silêncio

e me entrego

aos seus beijos.

domingo, março 05, 2023

O Viajante Cinzento, nova obra da Editora Letramento, é uma fantasia medieval com mortos-vivos


Em meio a uma maldição de mortos-vivos, surge um homem sombrio. Vestido por um manto cinzento, este jovem, cujo nome é Seridath, tem como espada a poderosa Lorguth. Mas, num misto de poder e capricho, Lorguth resiste às vontades de seu portador. Ela é sanguinária e ambiciosa. Quer provar do sangue e de almas de grande poder.

Seridath, o Viajante Cinzento, descobre que o caminho para a glória não é fácil como antes lhe parecia. Ele deverá usar de toda a sua força de vontade para colocar Lorguth em seu lugar e alcançar a fama e a glória que tanto almeja. O Viajante Cinzento é uma obra de fantasia medieval, situado em um mundo mágico, com suas próprias regras e magia. Enquanto uma terrível maldição assombra o reino, Seridath se verá diante de um dilema: quem comanda quem? Será ele o mestre da espada ou apenas a sua marionete?

A publicação foi possível graças à seleção pelo programa "Temporada de Originais", da Editora Letramento, que tem como objetivo viabilizar os trabalhos de novos autores de forma acessível. A obra está disponível no site do Grupo Editorial Letramento (www.editoraletramento.com.br).


Sobre o autor:



Samuel Medina nasceu no Rio de Janeiro, Capital, em 1981. Graduado em Letras, trabalha como servidor público na Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte/MG. Publicou, aos onze anos, o livro A grande guerra, edição independente. Contribuiu em diversas antologias pela Andross Editora. É também autor de O Medalhão e a Adaga (Multifoco, 2013), Patos Selvagens (Baobá, 2014), A Cidade Suspensa (Senhor da Lenda, 2015), Uma visita inesperada (a mascote, 2020) e Aurora (Letramento, 2022). Mantém o blog www.oguardiaodehistorias.com.br.

Instagram: @neritosamedi

sábado, março 04, 2023

Dique

Se fosse possível

olharia dentro de ti.

Deixaria que tua voz

Me atravessasse

Qual um rio.

Mas a distância 

é represa.

Um sólido obstáculo

feito de nulidade.

Se pudesse 

falaria do quanto és

bela.

Mas a voz engasga

E na mudez me escondo

Pudera o meu peito

explodir

Em centelhas gritantes

Que bradassem teu nome

Na hora mais escura 

da noite.

sexta-feira, março 03, 2023

Lamento

Olhar para o rosto dela

me dói

como queimadura.

Já foi luz

e a sombra de sua voz

estremece meus sentidos.

Queria poder 

me afogar

no horizonte que se desenha

naquele sorriso

mas me lancei para longe

e agora

ele só me sussurra

distância.